12/10/2025

Pelos extremos e não pelo centro



Arte de rua involuntária em Sines no ano da graça de 2014.
Pilar



Ainda não foi este ano que retornei a Saragoça.
Notas curiosas

No primeiro e no segundo período de quatro horas a afluência foi praticamente a mesma.

Eufemismos, abrangências e falsas simpatias

Combati durante anos o PCP.
Por isso mesmo lhe reconheço qualidades. Não embarcam em cassettes que não sejam as próprias. Não cedem a eufemismos, abrangências e falsas simpatias.
É nestes dias de campanha e de votação que se vêem os miseráveis lambe-botas da política com o mesmo aparato de quinquilharias retóricas: todos e todas e o escambau que se lhe segue, com falsos sorrisos alvares.

10/10/2025

09/10/2025

CGD

A CGD continua a prover um serviço de excelência.
Vedado que está o acesso via internet por não se conseguir a validação de 2 factores, uma vez que a SMS devida nunca chega, passa-se ao glorioso serviço telefónico, onde depois de muitas “primas” estúpidas (muito boa a ideia naquele anúncio que faz referência a tal), consegue-se finalmente chegar ao contacto com um humano. Mas, tal como nas covas de lobo, meteram lá alguém com deficiência na compreensão do português. É todo um serviço de excelência, como disse acima.
E.N. 243 - Chamusca, ponte João Joaquim Isidro dos Reis sobre o rio Tejo, 2013

05/10/2025

A bola e os simples

É no "desde cedo" (como dizia o velho R.C. a propósito das reportagens de televisão sobre os adeptos que se aglomeravam desde cedo nas barracas de entremeadas, coiratos e vinho morangueiro e que assim começavam) e no pós-prélio que podemos ter grandes representações, grandes amostras do que é o "bom povo português". A tal piolheira. Hoje é dia.
Substituição de populações





Não se trata de notícias falsas. Trata-se, sim, das habituais conjecturas a partir da observação de uma curva e da assunção de que essa curva será monótona – uma utilização básica de uma folha de Excel.
E trata-se sobretudo da obediência acrítica, como o são todas as obediências cegas, dos jornalistas à cartilha direitista e elitista, travestida de esquerdinha, sobre a imigração: eles, os imigrantes, são todos necessários e muito bem vindos desde que fiquem longe do quintal e não se cruzem connosco (com eles) no dia-a-dia.
Já quem partilha o espaço e o tempo com gente alienígena que não tem a menor noção de que está fora do seu habitat e que deve entender e respeitar as regras do local onde habita, constata que a solução está saturada: não é o chinês do restaurante, o indiano dos electrodomésticos ou o africano das obras que é um problema. Nunca foi. É a chusma. A carrada deles. Que se comporta como o fazia no seu lugar de origem. O ter que lidar diariamente com o desrespeito das mínimas regras de civilidade. E com a apropriação do espaço público.
É xenofobia? É. É, porque da quantidade depende a qualidade. É uma lei básica.



Dito isto, há muito quem diga que não haverá substituição de populações mas depois se baseie nestas conjecturas que dizem exactamente o contrário.
Não se trata de pedir coerência aos ígnaros. Sobre isso estamos falados. Somos todos incoerentes.
Trata-se apenas de, na mesma frase, não haver utilização de argumentos contraditórios. Só disso.

04/10/2025

Português

Não me recordo de os meus pais me haverem alguma vez alertado para os erros de escrita nos jornais ou na televisão, bem como da locução nesta última.
Educar hoje um infante exige dos pais que, a par do bom uso da língua, o alertem para a quantidade enorme de asneiras que se lêem nos jornais e se vêem e ouvem nas televisões.
Não é coisa muito recente mas tem piorado muito.



Na reportagem o mentecapto que tocou na catenária tão depressa era homem como mulher como indefinido como tinha 18 e ao mesmo tempo 22 anos.
A minha campanha (IX)

IA

Já não nos bastava a ascensão dos ígnaros a doutores nem a normalização da asneira que os simples promovem ao debaterem entre si, temos agora o algoritmo bronco (IA) a dar opiniões e recomendações. Está por todo o lado.

03/10/2025

Escrever na pedra

Há alguns anos uma mente iluminada da autarquia de Vila Franca de Xira resolveu substituir as placas toponímicas em pedra por outras mais “resilientes, sustentáveis, responsáveis e ecológicas” (nota minha).
Aos despojos diz que deu forma de monumento: o Muro da Identidade.
Calculo que a razão para apear as placas de pedra tenha sido o risco de alguma mal fixada vir a cair na cabeça de uma criança. Não vislumbro outro...
Vamos nestes dias votar para eleger esta gente.





As imagens das placas novas são do Google Maps

30/09/2025

Ó boi, olha para o palácio!

Uma mente brilhante ou um aldrabão encartado que disso tirou dividendos, tratou de mandar colocar um sinal de trânsito (j3a) indicativo do Palácio Nacional de Queluz na entrada do próprio palácio.
Ou, como na mítica fábula, para os bois olharem para o palácio e saberem para o que estão a olhar.



Assim escrevia García Márquez nos seus “Cem Anos de Solidão”:
Ante a ameaça de esquecimento do que representava uma árvore, uma casa, uma vaca, decidiram fazer rótulos e pendurá-los nas coisas cujos significados temiam perder: "isto é uma árvore"; "isto é uma casa"; "isto é uma vaca"...

29/09/2025

Liceu

No dia em que quase 50 anos depois de ter deixado o Liceu, alguém me liga de lá a chamar-me professor. Por um engano.
Paz na terra

Terá havido poucas ocasiões em que Trump tenha mostrado à saciedade como o está a fazer hoje, que fala para o Grande Infantário.
Sendo ele inevitavelmente parte dele.

27/09/2025

Impedância



Agora que todos os pobrezinhos da língua se esmeram a incluir o vocábulo "resiliência" na sua faladura, é mais do que tempo de incluir também "impedância" no discurso dos desvalidos.
Calculo que, a adoptarem tal, o façam ao abrigo da mesma certidão técnica que usam para a pobre "resiliência".

24/09/2025

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 31



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.

23/09/2025

Casos da bola

Diz que o Benfica e o Rio Ave levantaram a questão de poderem ou não incluir no jogo adiado que irão disputar hoje os jogadores inscritos após a data em que o jogo deveria ter ocorrido.
Já agora... não se lembrou o Benfica de perguntar se o treinador teria de ser o que estava em funções em tal data atrasada?

21/09/2025

10 pontos para a Palestina

Quando não há ideias próprias, conhecimento e reflexão sedimentados, o pateta alegre segue o rebanho.
É o que se vislumbra com o reconhecimento de um estado inexistente, à laia de quem atribui pontos num festival da Eurovisão.
” – escrevi isto aqui em Julho passado.

Num cenário de devastação e morte estas declarações simbólicas servem de muito pouco.
Mas é assim o mundo em que vivemos. Vive de representações. De gestos ditos largos. Inúteis.


Imagem daqui

19/09/2025

Há 10 anos

Há 10 anos os turcos não estiveram com contemplações: abateram um avião russo no seu espaço aéreo.
Hoje parece que está tudo à espera que os russos pisem o risco, o tal risco que já pisaram há muito.
Terreno mole.
O debatente

Algures lá para trás, o debatente ocupou o lugar do ferrabrás. A pouco e pouco tornou-se o líder aparente.
Nesta nossa civilização quem não debata não vinga.
Como se o bom governo fosse fruto do palavreado, do sofisma, da omissão, do eufemismo.
Mas é o que temos. Convencidos que estão os simples, resta arregimentar os que ainda vislumbram para além do véu com sinecuras, prebendas e vigarices.
Há ainda um punhado de homens que não se integram na lei geral. Pode ser que se julguem acima das circunstâncias e que tenham nojo do palco. Mas talvez fossem esses que, independentemente dos valores de cada um, pudessem ainda dar um alento à sociedade mole e viciada em que vivemos.
Não tenho grandes esperanças. Continuo a ver vendedores de ádipe ofídico um pouco por todo o lado.

17/09/2025

Cumprir a lei

A lei é para cumprir, começando logo na punição de entradas e estadias ilegais no território nacional.
A lei é para cumprir, passando pelas leis da civilidade e do trânsito.
A lei é para cumprir quando o Estado não é laxista e contemporizador.
Sendo a lei para cumprir quantos destes já cá não estariam?


Fotografia da Lusa via Record
Et pour cause



Da ginjeira caminhámos a par até um certo ponto, faz agora 50 anos.
Nesse dia ousei apertar-te a mão de um modo diferente.
Éramos dois pontos num amontoado de figuras dentro de um faruque.
Dois pontos muito próximos.
Marco esses dois pontos, esse ponto para dividir as águas. Doravante seria diferente.
Seria por vezes vertiginoso, por vezes cúmplice, por vezes estranho.
Ainda hoje não sei definir a ligação.
Qualquer coisa como a que escreveu certa vez SG:
mensagem feita de silêncio e sim
povoando a distância entre ti e mim

16/09/2025

E.N.256, 2017

Publicidade

No mundo da bola os imperativos das receitas de publicidade ditam muitos espectáculos deprimentes.
Talvez um dos mais extraordinários seja a submissão de treinadores a conferências de imprensa.

15/09/2025

Para pagode ver

A quantidade de obras, muitas delas de fachada, em finalização às portas de eleições é inversamente proporcional ao discernimento das massas. Ou não será?
Os anos passam e o hábito mantém-se.



adaptado daqui

13/09/2025

Não conseguir ver para além do véu

Os comentadores de ciclismo do Eurosport fazem a respectiva prova de cegueira de cada vez que João Almeida corre.
Tem sido assim e assim continuará.

Really, Peter?

De vez em quando surgem estas vozes e estas curtas falas que causam sobressalto.



de um anúncio da Whoosh com Peter Sagan

12/09/2025

E.N. 260 - antigo traçado junto à ribeira do Enxoé, 2011

Entre-os-Rios

À baila que veio a tragédia de Entre-os-Rios, seria bom que se atentasse no ponto 13.1 do
RELATÓRIO FINAL SOBRE AS CAUSAS DO SINISTRO OCORRIDO NA PONTE DE ENTRE-OS-RIOS EM 4 DE MARÇO DE 2001

13 – CONCLUSÕES
13.1 – A Comissão de Inquérito não teve conhecimento de que, no contexto das insistentes chamadas de atenção que desde há muito vinham sendo feitas a diversas entidades para questões de segurança da ponte em matéria de circulação rodoviária e para a necessidade de construção de uma nova ponte, tivessem sido apontadas evidências ou indícios de deficiência de condições de segurança estrutural da ponte que ruiu.

11/09/2025

Já vai longe

Já vai longe a memória do 11 de Setembro.
Acarinham-se hoje os herdeiros do crime.



Fotografia de Jin S. Lee

10/09/2025

09/09/2025

Chega

Defini aqui o Chega como uma agremiação de figuras de almanaque. Reitero-o. A cada dia tais figuras fazem prova de vida.
O facto de se deixar a tal agremiação o combate contra o politicamente correcto e a concomitante demonstração da falência do regime putrefacto em cujo lodo nos debatemos é bem um sintoma da demissão dos capazes, do encolher de ombros dos que ainda que discordantes, por tibieza, se conformam com o estado das coisas.
Haveremos de bater no fundo.
No matter what

Já se percebeu que Israel quer baralhar e dar de novo no que respeita à geopolítica do Médio Oriente.
Se vai conseguir um novo modelo ou se vai acabar por se extinguir como uma vela, é algo a que não almejo assistir.
Bate-lhe agora que ele está de rastos

Para mim, Moedas é uma daquelas figuras que é, foi, inexplicavelmente incensada pela imprensa (ou diria antes pela bolha?). Muitíssimo sobrevalorizado.
Agora só se está a ver o que realmente vale.

07/09/2025

Broncos

De broncos para broncos usando o algoritmo bronco.



Apresentar uma suposta representação do acidente do Elevador da Glória com detalhe para além do esquemático e encomendada a um algoritmo incipiente é isso mesmo: coisa de broncos para broncos verem, por via de um meio igualmente bronco.
Acho que podemos, devemos exigir mais (no caso menos detalhe [imaginado, inventado, errado] ) aos órgãos de imprensa.
Coisa que se sabe difícil com a qualidade da mão d'obra existente.
A Castle in Spain

05/09/2025

Regozijo

Há qualquer coisa de distópico no regozijo por um erro de identificação de um cadáver.
Sejam quais forem as circunstâncias.
Memória

Como deixou de haver memória nas redacções, só há gente que julga que o mundo começou quando se aperceberam de que estavam vivos, ninguém mencionou a semelhança do acidente de anteontem com um ocorrido na Nazaré em 1963.

04/09/2025

Desarvorar

Creio que ao invés de descarrilar, facto que ocorreu mas que não foi a causa inicial do acidente de ontem, desarvorar seria mais adequado. A descarrilar ainda seria preferível despenhar.
Enfim, minudências quando morre gente.

03/09/2025

Jornalismo

Uma coisa que me faz mudar de canal é um jornalista não entender o que está a ver, o que está a ouvir, não ter a noção das proporções, do tempo decorrido, do espaço envolvente, etc.
Acontece de cada vez que há qualquer coisa de extraordinário.
E.N. 120-1, 2007



E não E.N. 120 como está no painel.

31/08/2025

O algoritmo bronco

O algoritmo bronco activa-se do nada e faz perguntas por mim, já que eu não lhe pergunto nada. Que adequado!
Inseguro é o Estádio Nacional (ainda mais uma vez)



Para uns bimbos que agora piam menos, o Estádio Nacional era muitíssimo inseguro.
Seguros eram os excelentes estádios de 2004.
Ora, como já aqui referi mais do que uma vez, é difícil, se não impossível, encontrar no Estádio Nacional armadilhas ou ameaças pendentes que ponham em risco as pessoas.
No actual estádio de Alvalade já se vão acumulando as vítimas quer das armadilhas, gente que se precipitou no fosso (parece que foi finalmente eliminado) e gente que foi agora atingida por vidros que ficaram ao alcance da acéfala turbamulta. Já tinha acontecido algo semelhante em Aveiro (também um estádio de 2004).
A pior situação que pode existir num estádio, a debandada desenfreada da mole quando algo de inesperado acontece, está mais do que prevista no tão mal afamado Estádio Nacional - não faltam escapatórias no terreno circundante, sendo que é uma estrutura aberta. Já em qualquer dos tais de 2004 é melhor nem tentar um simulacro de evacuação em caso de pânico.
É claro que a alegada falta de segurança do Estádio do Jamor é uma invenção dos tontinhos do costume, quer porque fica perto de Lisboa quer porque foi uma obra do Estado Novo. A verdade é que tal invenção fez o seu caminho entre os ígnaros que papagueavam tal sempre que achavam que era altura.
A única coisa de muito duvidosa segurança no Jamor é a recente ideia de erigir frequentemente uma bancada amovível. Essa sim, é perigosa.
Queria ver se não repetia este assunto mais uma vez...

Fotografia de Armando Serôdio no Arquivo Municipal de Lisboa

28/08/2025

Coisas da vida


MCV
Surto

Em cada fase mais complicada da vida em sociedade, no caso os incêndios recentes, surdem os broncos, armados em comentadores, absolutamente incapazes de um só que seja raciocínio escorreito.
Ocupam todos os quadrantes partidários, sem qualquer excepção. E no seu viés tomam sempre por incapazes os que estão em quadrantes opostos.
Alguns deles têm responsabilidades políticas.

26/08/2025

Aldeia da Luz, 2017

O algoritmo bronco

O algoritmo bronco, apesar da sua baralhação topológica, deu uma boa ajuda para encontrar algo que eu sabia que existia numa determinada zona. Aos trancos e barrancos, mas deu.

25/08/2025

Alavancar (X)

Ess’agora! O que não falta são grupos coesos que desatam à berlaitada!
Se puseres uma porrada de malta, uma porrada é uma maneira de dizer que os autocarros são para aí de cinquenta e dois lugares, uma porrada de malta que nunca se tenha visto se calhar vão mais felizes todos juntos no autocarro que esse tal teu grupo coeso. Porrada é disfemismo, ‘tá claro!
Ok. Não vale a pena irmos por aí.
Pois não.
O que te digo é que, com a devida ensaboadela papagueiam tudo o que se quiser. Que nunca houve verões assim, invernos assim, calores assim, chuvas assim. Que foi fora-de-jogo e que foi penalti e que o outro é maricas e que a outra é...
Mas isso foi assim pelos séculos dos séculos. Descobriste a pólvora, pá!
Talvez. Mas nunca se espalhou tão bem aquilo que se quer como hoje.
E o que não se quer.
Ah, isso é marginal. O grosso do rebanho obedece ao capataz e ao cão que o guarda.
Capataz? Não será antes pastor?
Ai o c... Bebe mas é mais uma mine e concentra-te nisto – se o nosso problema de método não estivesse na alavanca, não haveria tanta gente a conjungar o verbo alavancar, soando a arrancar, carregar e outros esforçados verbos. É o mau uso da alavanca que o explica.
Agora é que deste uma p’rà caixa.
Manel! A abaladiça: mais duas mines e um pacote de alcagoitas.

FIM

publicado inicialmente em Agosto de 2013
Compilação (a minha) com erros

Com o devido desconto e para mera recreação, uma tabela sem grande rigor:

Teima

Umas escadinhas ou mesmo uma rua:

24/08/2025

Alavancar (IX)

A razão do nosso atraso está na alavanca. Ainda não percebeste?
O nosso mal é que o braço potente é sempre menor do que o braço resistente. Acreditamos nas alavancas assim. É assim que as usamos. Como se fossem pinças.
E com isso podemos fazer ene vezes o trabalho necessário para um determinado fim. Desperdiçamos pelo menos ene menos uma vezes esse trabalho necessário. Faz parte da nossa natureza.
E as perguntas a Marcelo e as letras do Tony Carreira dizem-te isso?
Dizem. Ó se dizem. É preciso a gente embrenhar-se bem numas e noutras para ver a luz!
Ena, pá! Na minha terra chamamos a isso lavagem cerebral. Conseguem-se prodígios com a convivência prolongada com as mentes adequadas.
Deixa-te dessas porras. As perguntas a Marcelo e as canções do Carreira são apenas um sintoma. Mas um sintoma evidente que convém ter em conta.
Achas?
Acho. E acho mais: com alguma propaganda não terás dificuldade em obter um grupo coeso que jure a pés juntos que faz menos trabalho accionando um braço menor do que um braço maior numa alavanca.
Grupo coeso? Porquê coeso?
Porque se não fôr, é uma chatice colocá-lo no mesmo autocarro e levá-lo a um estúdio de televisão.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

23/08/2025

Alavancar (VIII)

Tens razão. Marcelo é a pitonisa, M e mais uns quantos. M será coincidência? – acrescentei já a abardinar a coisa.
Poderias ir ao sumo das questões, perguntando quem irá ganhar o campeonato da 1ª divisão e repetindo aquela: que pergunta faria se só lhe fosse permitida uma pergunta na vida?
Lá vens tu com mais filosofia barata e populismo adjunto.
Vou submeter estas perguntas a escrutínio e observar quais delas passam o crivo. É o teste.
Podias acrescentar uma outra: as perguntas a que o Prof. Marcelo responde são mesmo do público?
Deixa-te de disparates. E mais, isso da 1ª divisão já era. Agora é Liga-qualquer-coisa ou I Liga.
Olha que bom. Faca na liga.
O quê?
Nada, nada. Fala-me da alavanca.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

22/08/2025

Alavancar (VII)

Quem é o verdadeiro manda-chuva (aquele que decide mesmo se chove ou se faz sol) em Portugal continental?
Porque é que deixaram de existir boletins meteorológicos na SIC com umas meninas que previam o tempo especificamente para Vila Nova da Rainha, Alfarelos ou Conceição de Tavira?
O que é que aconteceu a Dom Sebastião?
Qual vai ser o formato das matrículas de automóvel quando se esgotar o actual 00-AA-00?
Quem vai ser o ministro da Saúde no dia 13 de Setembro de 2027?
Quantas marcas americanas de automóveis conseguirão vender carros em Portugal em 2025?
Quem será o futuro presidente da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana? Por quanto tempo mais se manterão os actuais limites de tal região?
Li até aqui o rol das perguntas a Marcelo.
Baralhas a pitonisa com o londrino M – disse-lhe. Baralhas, que é como quem diz. Misturas.
E qual é o espanto? – retorquiu.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013
“Uns safanões a tempo”

“Uns safanões a tempo” é um trecho de uma frase atribuída a Salazar.
Num país onde o Direito e a Justiça claudicaram, abrindo caminho à impunidade que acicata os malfeitores, sejam eles capazes de que proezas, não admira que os safanões a tempo sejam requeridos a cada passo pela voz do povo. É o que sucede quando o estado de direito se demite e abre o caminho a todo o tipo de tolerâncias, em nome sabe-se lá de que moleza, de que falta de princípios.
Depois acontecem episódios em que os safanões ultrapassam os limites e morre gente.
Continuem com a moleza e o excesso de tolerância e depois queixem-se.
Deixem o lixo tomar conta das ruas.
Ladrilhar a floresta

Que os que tanto clamam que a floresta, os campos não estão limpos, digam o que é que tem que se limpar.
E até que ponto.
Se é mesmo até rapar o chão e se isso deve ser feito constantemente de forma a não deixar crescer mais de um centímetro de erva, de mato.
E se é para fazer em todas as escarpas e caso seja, quais são os métodos para utilizar em superfícies inacessíveis.
Se é afinal para exterminar de vez o coberto vegetal e chamar o Saara, que de resto já ameaça parte do sul de Portugal.

21/08/2025

Porto Brandão, 2005

Alavancar (VI)

Um teste?
Sim. No outro dia apercebi-me de que o homem respondia a perguntas a pedido.
E que seleccionaram uma de vida ou de morte. Se fulano de tal recuperava ou não. Ora isto é colocar Marcelo no lugar de pitonisa, coisa que alguns dizem que ele é, embora aparentemente ainda ninguém tivesse experimentado de forma tão explícita testar-lhe tal qualidade.
Perguntaram-lhe se um tipo sobrevivia ou não? ‘Tás a falar a sério?
‘Tou, pois. Achas que ia brincar com questões de vida ou de morte?
Dei-me conta de que a nossa conversa começava a interessar aos parceiros das mesas vizinhas. Sem que soubesse a que ponto se encontravam já a par da escrita.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

20/08/2025

Erro de casting

Lá pelos anos 70 do século passado circulava em fotocópias uma matriz em jeito de salto de cavalo que a partir de chavões inscritos em cada uma das quadrículas, permitia completar um discurso passando ou não pela mesma quadrícula mais do que uma vez.
Montenegro relembra essa matriz.
Por assim ser é que é improvável que venha a dizer de si próprio, como disse o outro, que é um “erro de casting”. Na dita matriz não existe tal quadrícula.
Sobre erros de casting, neste desgoverno já deu para perceber que não é o único.
Alavancar (V)

Vamos começar pela letra do Tony Carreira. Apontei-a à mão porque não tinha impressora e só tenho um computador de secretária, nada de portáteis grandes ou pequenos.
E dei-me a esse trabalho também com aquele espírito de quem faz cábulas – para além da utilidade do papelinho na altura do aperto, alguma coisa fica na memória enquanto se escreve. Talvez com isso quisesse suprir algum desejo inconsciente de memorizar a letra, sabe-se lá. O certo é que me interessava conhecer um exemplo do que canta o homem. Porque aí está, não duvides, a essência do povo.
Ainda empinando a mini-castello à frente do nariz, mirava-lhe a expressão empenhada refractada através do vidro.
A lista de perguntas para o Marcelo é um teste. Queres ler?

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

19/08/2025

Uma Diana

Diana, porque lembrava muito uma famosa Diana dos filmes e da televisão.
Deixou a sua marca indelével num dos meus cadernos ao mesmo tempo que me encantava.
Creio que a última vez que a vi vai para 38 anos. Numa das noites de Trigonometria. Estava como era, simples e interessantíssima. Não fosse o meu impedimento talvez tivéssemos ficado indefinidamente a falar na varanda.
Soube há pouco que partiu há 3 meses.
Alavancar (IV)

Não. Achei piada ao desenho da alavanca. Fez-me lembrar uma cena que aqui se passou.
E é a alavanca o principal disto tudo – vendo que eu mentia, ao fazer-me desinteressado.
Ah sim?
É. Conheces os rudimentos da mecânica das alavancas?
Demos isso tudo no liceu.
Pois, na escola industrial no meu caso – não fazia eu a mínima ideia de que ele tinha andado na escola técnica.
E atão?
Estava aqui a compôr um artigo para a revista da Câmara. Agora andam todos azafamados a gastar dinheiro nestas coisas, é a fruta da época. Pagam-me para escrever banalidades até às eleições.
Não o fazia vendido à política. Ou à politiquice. Antes pelo contrário. E saiu-me assim: Fazes bem.
Terminei a mini-castello e pedi outra – Manel, não há mais fresca? Não queres beber nada?
Ele disse que queria uma mini. Uma mine. Sentei-me enfim em frente dele.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

18/08/2025

Acidental

Fica-se com a ideia de que a acidental ministra também não faria a menor ideia do que seria ser ministra.
Alavancar (III)

Como é que sei? Sei como sei o resultado de ontem do Portimonense, ou que a um rapaz da canoagem não o deixam ou ele não quer competir ou até mesmo que aí onde estás, há uns anos, não havia mesa, era a passagem para a casa de banho.
Era pois. Andas com atenção às letras do Tony. Também trauteias ou é só memória auditiva?
E esse ou, disjuntivo, quer dizer que quem aprendeu a letra sem se dar conta não a pode trautear e vice-versa?
Ói! Temos filosofia barata! Precisão de linguagem... Nesse caso, aproveito para dizer que a tua resposta à minha pergunta "Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?" não tem ponta por onde se lhe pegue.
Enfiando o gargalo da mini-castello na boca, fingi indiferença. Como à entrada do café.
Queres saber do que se trata? – perguntou, desmontando a minha pose.

(continua)


publicado inicialmente em Agosto de 2013

17/08/2025

Pagode

Pôr o pagode ignaro a debitar sentado nos estúdios das televisões dá como resultado que se «desejem condolências». Em poucos dias ouvi tal duas vezes.
Incêndios

Só alguém com escassos recursos intelectuais não tem vergonha de afirmar que o número de incêndios e a área ardida dependem do partido que governa.
Mas é desta gente mínima com viés partidário que está infestado o país. Tanto faz que seja do partido A ou do partido B.
Casos exemplares

alguns casos que despertam a minha tendência de "olho por olho, dente por dente".
Instam-me a acompanhar o seu desfecho.
Este é mais um. Vamos ver o que acontece ao assassino.

Boçal

A jornalista entrevista o boçal. O boçal afirma mesmo que se arrepende de ter querido agredir quem ia para o ajudar. É que só percebeu depois. Prende-se em inimizades aparentemente antigas para acusar este e aquele, que responsabiliza por afinal terem cuidado dos animais fugidos ao fogo que diz pertencerem-lhe.
É o retrato do bom boçal. O que pode matar por não ter percebido qualquer coisa que lhe disseram, que lhe fizeram...
Alavancar (II)

Atão, pá!
Olhou-me de viés, como se não me tivesse visto entrar no café e não tivesse cruzado os olhos com os meus numa indiferença mútua, embora se saiba já que a minha indiferença era teatral.
Tás bom, Manel? – ele ainda se lembra do meu nome.
A contemplação dos pormenores das coisas sobre a mesa, referidos a priori, levou-me a fazer uma coisa muito contra a minha natureza – reparos:
Pensava eu que já ninguém copiava letras de canções à mão!
Tentou um olhar de viés semelhante ao que fizera anteriormente, somou-lhe um quê de reprovação, e soltou um ah, sim?!
Pois pá, as miúdas hoje fazem copy-paste, cantam com aqueles écrans onde passa a letra, se calhar já nem escrevem com esferográfica.
Karaoke – disse ele com ar enfastiado. Não se trata de nada disso. E são só as miúdas?
Entregas-te a grandes reflexões: Tony Carreira, Marcelo e isso é o quê? Uma alavanca?
Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?
Petrifiquei. Mal consegui virar-me para trás e pedir com voz pujante ao Manel (ao Manel do café) uma mini-castelo. Castello, com dois éles.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013