04/02/2007

É moço da minha criação

Este vírus.


imagem do H5N1 (a ouro) em http://buzz.smm.org/buzz/image/h5n1_virus

Não que não existisse já antes de terem dado com o alimal. Tal como eu. Que já vinha embuçado há uns quantos milhões de anos.
O certo é que deram connosco no mesmo ano, como consta da papelada.
1959.
Há esta ligação de coetaneidade. Quase sanguínea.
Não acredito que, sendo portanto da minha criação, ele seja tão mau como o Pintam. Esse, sim, o Pintam é que é muita perigoso.

Agora a sério: continua a parecer-me pouco provável que uma epidemia mundialmente catastrófica venha com arautos à frente.

03/02/2007

Sem descanso

Aquilo a que chamam a justiça não nos dá descanso. Arranja dia sim dia não um pretexto para mostrar a qualidade dos seus protagonistas.

01/02/2007

A palmeira que morreu ou um sinal dos tempos

Ele há destes sinais. Com um ano ou catorze de atraso.
Não havendo fotos da palmeira que outros mataram, não havendo o som da ave nocturna que dela sentenciava pios muitos anos mais tarde, não havendo nada disso, haverá talvez ondas na Barragem do Caia, perspectivas da fronteira do Retiro, trilhos das minas de São Domingos, dias de Manta Rota, esplanadas da Espanha suada, praias vazias de andaluzes manhã cedo.
Haverá Bragança e a torre de menagem. Haverá o postal ilustrado que desenhámos na manhã das Caldas, nas curvas da Estrela, nas madrugadas de Arganil.
Haverá pratos de presunto em Monchique, de muxama em Ayamonte, de estupeta em Santa Luzia.
Haverá Miranda do Douro pelas calçadas desertas, Lisboa em manhãs de domingo. Haverá trilhos nos nossos montes entre sobreiras antigas.
Haverá noites longas no Algarve das luzes e dos sons e noites perpétuas no nosso outro Algarve.
No da Feiteira, da Benémola, de Alte, de Marmelete, de Alferce, de Alcoutim ou Aljezur. No da Fernanda e no dos caminhos que fazíamos pela nossa serra.
Do Mu.

Dormia uma palmeira
Sobre as nossas vozes
Quando no escuro
Estimávamos direcções
No infinito.
Que se curvavam.
Em sorvedouros
Como as esferas
Na quadrícula
De Vasareli.
E no regresso
Pousávamos
Na nossa ignorância.
Tínhamos o peso
De não conhecer.
E o medo
Da sabedoria.
Esmagados
Sob o mundo
Levantado
Por uma alavanca.
Afogados
Em água espacial
E mortos
Num cantinho do tempo
.

SG, trecho de Falávamos, inéditos, 1994

31/01/2007

Insondáveis mistérios da mente humana

Confesso que me intrigam algumas pesquisas com que deparo no contador.
Não as que são óbvias e erraram o alvo, mas as que me suscitam aquela curiosidade pelo entendimento da forma como funciona a mente humana. Como se não fosse também estranhíssima essa pretensão.
Esta é apenas a mais recente:
percentagem de pessoas em coja
Lisboa, 2006

28/01/2007

Bosch e os cenários

Quando ouço, leio, os profetas da desgraça a traçar cenários, a partir de modelos construídos disparatadamente, ocorrem-me várias ideias.
A primeira é a da criação de uma base de dados de cenários traçados. Onde se possam ir buscar as previsões antigas e compará-las com a realidade já conhecida.
Não faço a menor ideia se existe tal coisa.
A segunda é confrontar os "especialistas" que constroem tais modelos com a singularidade de um tabuleiro de xadrez. Da última vez que andei por lá, ainda não havia máquina absoluta. Máquina capaz de, em tempo razoável, identificar e ordenar todas as situações no universo de uma partida de xadrez, por forma a prever todos os desenvolvimentos possíveis a partir de um determinado lance.
A terceira é a forma como se levam a sério estas coisas. Como se discutem sem espírito crítico.
Qualquer criança é capaz de pegar numa folha de Excel e fazer um algoritmo simples para calcular o valor de uma função f(x) para x=t.
E não passa disso mesmo. Do valor de f(x) quando x=t.
Bosch deu-nos a maravilha das suas "visões". Cabe-nos não as tomar como reais.


Jerónimo Bosch, "A criação do Mundo", aqui

26/01/2007

Embora faça sol

"As temperaturas serão muito baixas, embora faça sol".
Este embora, frequentemente dito nas televisões, mostra, entre outras coisas, que se perdeu a capacidade de observar a Natureza.



A ausência de ilustrações, pela qual peço desculpa, deveu-se a um problema no Blogger da Globo, onde estão alojadas.

25/01/2007

Os 10 euros de Dom Luiz I



Talvez fosse a minha casa. Talvez fosse um hospital, um centro comercial, um hotel.
Talvez fosse isso tudo enquanto eu me deslocava sobre as cabeças dos passantes, em pressa de chegar ao aniversário de um familiar.
Sei que desemboquei finalmente, por um plano muito alto para um pequeno almoço temporão na magnífica sala de refeições de pé direito triplo (ainda dela retenho os detalhes), chegado de uma sucessão de corredores desertos e mal iluminados, entre vidros de montra.
Aterrei na mesa mais distante do ponto onde entrei na sala.
Umas velhotas ruminavam qualquer papa de salmão distribuída sobre folhas de alface.
Do prato que tinha à minha frente, parelho ao delas, tirei um pão com um recheio doce.
Em breve a mesa estava limpa e pronta para o meu pequeno almoço. Em frente, duas moças de cara lavada.
O Luís de 10 euros estava à minha frente. Pensei que talvez se tratasse de uma gorjeta. E pedi ao meu irmão uma nota de dez para fazer a troca.
Dei-me então conta de que havia mais moedas. Outras de euro, das tais que só se viram nos primeiros meses de 2002 - triangulares, rectangulares, pentagonais, etc. - e umas quantas de copeques soviéticos.
Desisti de embolsar as moedas que entretanto já tinha avaliado em pouco mais de 14 euros, a troco de uma nota de 20 ao me aperceber de que eventualmente haveria uma significação naquele arranjo numismático.
As raparigas do outro lado da mesa concordaram e, num ápice, desenvolveram um esquema com círculos azuis e vermelhos e traços pretos com o qual pretendiam explicar a distribuição.
Não concordei eu.
Motivos para deserdar alguém (mais um da série de)

Vê-lo fazer uma apresentação em PowerPoint.

24/01/2007

O velho guarda-redes

Já o conheci numa época em que as lesões antigas o obrigavam a passar grande parte do tempo na bizarra e incompreensível posição de joelhos sobre uma cadeira.
Era assim que me dizia, que me perguntava, fumando contínuos cigarros e abarcando a cinza caída dos morrões com gestos largos com as costas da mão:
Um remate que vai directo à baliza e a bola passa ao lado?

23/01/2007

Excursão de finalistas

Logo eu, nada dado a excursões de finalistas.
Logo eu, nada dado a militâncias e a gestos simbólicos.
Posso descrever-vos, quase de fio a pavio, a estação de metro no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha.
Os jornais tinham trazido a reportagem. As televisões não se tinham calado. A acusação que lhe fizeram era a de ter com esse gesto simbolizado a superioridade branca, ao pontapé às bolas em terra de pretos.
Outros lembraram que meses antes já ele tinha feito o mesmo, chegando creio que apenas às 60. Um reincidente, é claro.
E lá fomos, ver o local do crime.
Posso descrever-vos, quase de fio a pavio, a estação de metro no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha. Mas não o faço.
Apenas digo que a caixa preta era um negativo no betão da estrutura azul eléctrica, pintado de preto, aí à altura de uma tabela de basquetebol. Teria aí metro e meio de largo por um de altura.
E o sítio de onde os remates foram feitos estava apenas assinalado pela posição de uma máquina de vender qualquer coisa, dessas que há nas gares de metro do Quénia.
Depois disso, era suposto irmos ver um modelo ao LNEC lá do sítio. Um modelo que fazia o mesmo tipo de remates para uma caixa idêntica, em condições semelhantes.
Cantaram-se, sim, canções estudantis.
Posso descrever-vos, quase de fio a pavio, a estação de metro no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha.
Não o faço porque uma mulher parecida com a Tónia Carrero enquanto nova, me atirou para os pés os marcadores vermelho e preto que lhe devolvera.
Fê-lo com um ar insolente e divertido que não me incomodou. Mas impede-me de descrever a estação de metro lá no Quénia onde o antigo e anoréxico futebolista romeno rematou para dentro de uma caixa preta 900 bolas sem uma única falha.
De fio a pavio.

21/01/2007

Linha do eléctrico da Praia das Maçãs, 2006

Passatempo

Descobriu o Amigo Bic Laranja onde fica a obra de arte aqui deixada com o propósito de lançar um passatempo para a sua identificação.
É a ponte de Totenique, sobre a ribeira do dito nome também chamada de Luzianes e fica ao km 6 e tal da E.N. 266, como bem alvitrou aqui (sheet12 é a folha onde estão as estradas de 261 a 270 e o único marco ordinário - arredondado - lá constante é o da 266, todos os outros são da classe 10k).

Atente-se na ficha de arquivo da antiga JAE - DSP e já agora no erro de contagem do tempo que lá está.
Entre as datas constantes decorreram 654 dias e não 761 ou 701, se se tratar de um 0 o algarismo do meio.





E atente-se ainda aqui no extracto da Carta Militar como corrigi muito mal o tiro quando mudei a orientação do fotógrafo de Leste para Es-sueste.

20/01/2007

Crónica (dedicada e fotografável) da vida cá longe



Portugal, hoje na antemanhã