04/01/2010

A torre do Califa



Naquilo que se pode considerar como uma das grandes questões universais, ocorreu-me interrogar-me sobre o número – menos precisamente, sobre a ordem de grandeza desse número – das diversas construções humanas que foram de facto as mais altas do seu tempo.
Talvez se consiga chegar a um valor que não pareça muito disparatado com os dados disponíveis que são sempre escassos. Ou não.
Uma coisa poderemos saber – quanto tempo demorarão estes 828 m a ser superados.
A fuga de Peniche

É facto que o PCP nunca formou governo em Portugal.
É facto que o PCP não pode ser só por si directamente responsabilizado pelo que sucedeu em 1975 em Portugal e pelo rol de prisões arbitrárias que então ocorreu em tempo tão curto.
É igualmente facto que o PCP foi sempre o representante do sovietismo em Portugal.
É ainda sabido que o regime soviético foi pródigo na prisão dos que se lhe opunham e até dos que, dentro dele, se desviavam da linha justa e caíam em desgraça.
Faz por isso para mim pouco sentido que o mesmo PCP apareça simbolicamente como grande paladino do derrube de paredes prisionais, atendendo às declarações proferidas na celebração da fuga do forte de Peniche.
Não lhes censuro naturalmente a comemoração. É coisa deles.
Não lhes censuro os ideais e os valores. Cada um tem os seus.
Não aceito é vê-los fazerem-se passar por arautos precursores da liberdade.
Isso é que é branquear o estalinismo e apagar da memória partidária todos os seus admiradores.

01/01/2010

Apogeu

Serena e suave
Vejo a luz entrar
Sobre as mantas entaladas
Num sonho cor-de-mar.
E possesso fico,
De alabardas armado,
Fecho o meu cerco
Às intenções.
Rol, torrente d'emoções
Que se esvai
Num chão lavado de flores
Pueris.
Aqui te ris.
Sempre que há condão
De magias fazer
Sem condição.
Depuseste a razão,
Pediste a rendição -
- Tudo a correr.
E de novo a luz fugiu.
Deixou frios e arrepios
Em mesas descompostas.
E nada mais se viu
Do que alguém,
Que da cena saía,
Longe e de costas.


1985

SG, "Dizeres do Sul", 1993

31/12/2009

2009

O acontecimento do ano foi a recombinação do H1N1.
E a imagem do ano a da molécula de pentaceno.
O resto é conversa. E cinquentenários, é claro.


© IBM Research – Zurich
Não há escapatória

29/12/2009

1959

A dois dias do fim do cinquentenário, cumpre recordar.
Algumas das coisas que por cá apareceram ou se concluíram nesse ano:



O Metro é hoje o aniversariante. Nacionalismo e geracionismo muito à parte, um dos melhores que conheço. E conheço alguns.

imagens alheias a este blogue e recolhidas nos mais diversos sítios.
Trabalho escravo

É o que sempre me pareceu adequado aplicar a réus insolventes condenados a indemnizar as suas vítimas.
Consigo, sem esforço, encontrar meia-dúzia de questões escolhosas neste caminho.
Ainda assim, é o que me soa mais justo.

27/12/2009

Perdidamente apaixonado

Foi preciso chegar quase ao 52º ano para cair de quatro por um carro. De três.


foto em http://www.pioneer-automobiles.co.uk/Resources/library/Berkeley%20T60.html

26/12/2009

E o plástico?

No Expresso desta semana aparece uma lista de 50 invenções que talharam a História.
Assim de repente, e sem matutar muito, não vejo a escrita, o vidro, o transporte de energia (simbolizado no cabo eléctrico) e o plástico.
Cada um faz as suas listas, é claro. A mim, parecem-me estas indiscutíveis.
Mas fico sempre com a ideia de que não se usou a cabeça. Nem por um bocado. Nem por um saco de plástico.
Amesterdão, 2006


© João Sá Fernandes

25/12/2009

A tradicional imbecilidade noticiosa

O Natal é tradição. E, embora não sendo natalício, deveria procurar respeitar o espírito da coisa e recuperar um certo atavismo cristão que estará na minha memória celular.
Todavia, a palavra tradição escorrega-me para as notícias. E peco.
Esforço-me. Mas não consigo evitar uma indignaçãozinha quando ouço repetidamente na RTP N anunciar o comboio de levitação magnética como uma novidade extraordinária.
É qualquer coisa que me faz saltar a tampa. Mesmo em dia de Natal.

24/12/2009

TG 923 ou à procura de um tsunami



Ninguém não. Alguém haverá que trocaria de bom grado de lugar com ela.
Ela, que sei eu?, trocaria que condições e lugares por aquele assento incómodo dum 747 na hora que ora corre, com destino a nenhures?
A um tsunami improvável que torne a morte divisível, como certa vez me disse?
Ou a uma Índia sobrevoada, onde o passado reside escondido e irrecuperável?
Faço votos.

23/12/2009

O túnel do comboio-fantasma

Aqui há umas semanas Rui Santos fez circular na rubrica que mantém na SIC a seguinte pergunta: Os relatórios das vistorias aos túneis realizadas pela Liga deveriam ser públicos?

Isto intrigou-me. Vistoria aos túneis? Haveria alguma questão estrutural nos ditos? Porém, só se ouvia falar em agressões e nada em fissuras, assentamentos, deformações nem sequer em infiltrações (de água, bem entendido) ...
Fez-se luz no túnel e concluí então que a vistoria recaía sobre eventuais transformações que os ditos houvessem sofrido de forma a, à imagem do comboio-fantasma da defunta Feira Popular, serem dotados não de esqueletos e fantasmas mas de umas quantas luvas de boxe na ponta de molas metálicas, susceptíveis de serem accionadas à passagem dos adversários, dos da casa, dos seguranças, dos polícias, dos árbitros, dos que nem sequer lá estavam (vá lá entender-se isto) e talvez dissimuladas atrás de uma pretensa porta de quadro eléctrico ou similar.
Percebo assim que sejam vistoriados. Já o segredo em que se admite na pergunta estar o caso...

21/12/2009

Terra

Pelo que li sobre a cimeira de Copenhaga, descontando os tradicionais disparates da imprensa, fiquei com a ideia de que, ao contrário do que se espera de uma cimeira para resolver um problema, obter um tratado, em que há de facto um objecto de disputa e interesses antagónicos bem identificados, aqui cada um se propunha discutir uma questão diferente.
Uma espécie de reunião de condomínio em que um se queixa do frio que faz na rua, outro do barulho dos vizinhos do prédio em frente, um que quer comprar uns tapetes novos, outro que acha não se deve votar na lista de Fulano de Tal para a Junta de Freguesia. E cada um não prestando qualquer atenção ao que outros dizem.
Há um que discute um assunto que compete a todos resolver – o dos tapetes – todos os outros falham o alvo.
Foi esta a ideia com que fiquei. Quando cada um discute um assunto diferente, estamos na esfera da conversa de surdos.
Parece-me extraordinário o conceito de alterações climáticas, já aqui o disse.
E parece-me extraordinário que se consiga saber o que provoca as variações do clima quando não se consegue matar o jogo do xadrez. Não é extraordinário, é apenas estultícia e ausência de ciência. Um credo que se instalou como se instalaram muitos outros ao longo da História.
Já saber se existe um aquecimento global carece de uma definição do conceito.
É uma derivada positiva na esmagadora maioria das séries de registos de temperatura conhecidas? Ou é exactamente o quê?
Começarei a levar a sério esta tropa que por aí anda aos gritos contra as alterações climáticas e o aquecimento global quando os ouvir dizer que é preciso reduzir a população mundial.
Seja como fôr, ela não ultrapassará um certo limite. De uma forma ou de outra.

20/12/2009

A tradicional imbecilidade noticiosa

Já ouvi repetidamente na RTP que os alentejanos estranham o frio por estarem habituados ao calor.
É difícil imaginar sentença mais imbecil sobre o clima no Alentejo.