19/08/2025

Uma Diana

Diana, porque lembrava muito uma famosa Diana dos filmes e da televisão.
Deixou a sua marca indelével num dos meus cadernos ao mesmo tempo que me encantava.
Creio que a última vez que a vi vai para 38 anos. Numa das noites de Trigonometria. Estava como era, simples e interessantíssima. Não fosse o meu impedimento talvez tivéssemos ficado indefinidamente a falar na varanda.
Soube há pouco que partiu há 3 meses.
Alavancar (IV)

Não. Achei piada ao desenho da alavanca. Fez-me lembrar uma cena que aqui se passou.
E é a alavanca o principal disto tudo – vendo que eu mentia, ao fazer-me desinteressado.
Ah sim?
É. Conheces os rudimentos da mecânica das alavancas?
Demos isso tudo no liceu.
Pois, na escola industrial no meu caso – não fazia eu a mínima ideia de que ele tinha andado na escola técnica.
E atão?
Estava aqui a compôr um artigo para a revista da Câmara. Agora andam todos azafamados a gastar dinheiro nestas coisas, é a fruta da época. Pagam-me para escrever banalidades até às eleições.
Não o fazia vendido à política. Ou à politiquice. Antes pelo contrário. E saiu-me assim: Fazes bem.
Terminei a mini-castello e pedi outra – Manel, não há mais fresca? Não queres beber nada?
Ele disse que queria uma mini. Uma mine. Sentei-me enfim em frente dele.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

18/08/2025

Acidental

Fica-se com a ideia de que a acidental ministra também não faria a menor ideia do que seria ser ministra.
Alavancar (III)

Como é que sei? Sei como sei o resultado de ontem do Portimonense, ou que a um rapaz da canoagem não o deixam ou ele não quer competir ou até mesmo que aí onde estás, há uns anos, não havia mesa, era a passagem para a casa de banho.
Era pois. Andas com atenção às letras do Tony. Também trauteias ou é só memória auditiva?
E esse ou, disjuntivo, quer dizer que quem aprendeu a letra sem se dar conta não a pode trautear e vice-versa?
Ói! Temos filosofia barata! Precisão de linguagem... Nesse caso, aproveito para dizer que a tua resposta à minha pergunta "Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?" não tem ponta por onde se lhe pegue.
Enfiando o gargalo da mini-castello na boca, fingi indiferença. Como à entrada do café.
Queres saber do que se trata? – perguntou, desmontando a minha pose.

(continua)


publicado inicialmente em Agosto de 2013

17/08/2025

Pagode

Pôr o pagode ignaro a debitar sentado nos estúdios das televisões dá como resultado que se «desejem condolências». Em poucos dias ouvi tal duas vezes.
Incêndios

Só alguém com escassos recursos intelectuais não tem vergonha de afirmar que o número de incêndios e a área ardida dependem do partido que governa.
Mas é desta gente mínima com viés partidário que está infestado o país. Tanto faz que seja do partido A ou do partido B.
Casos exemplares

alguns casos que despertam a minha tendência de "olho por olho, dente por dente".
Instam-me a acompanhar o seu desfecho.
Este é mais um. Vamos ver o que acontece ao assassino.

Boçal

A jornalista entrevista o boçal. O boçal afirma mesmo que se arrepende de ter querido agredir quem ia para o ajudar. É que só percebeu depois. Prende-se em inimizades aparentemente antigas para acusar este e aquele, que responsabiliza por afinal terem cuidado dos animais fugidos ao fogo que diz pertencerem-lhe.
É o retrato do bom boçal. O que pode matar por não ter percebido qualquer coisa que lhe disseram, que lhe fizeram...
Alavancar (II)

Atão, pá!
Olhou-me de viés, como se não me tivesse visto entrar no café e não tivesse cruzado os olhos com os meus numa indiferença mútua, embora se saiba já que a minha indiferença era teatral.
Tás bom, Manel? – ele ainda se lembra do meu nome.
A contemplação dos pormenores das coisas sobre a mesa, referidos a priori, levou-me a fazer uma coisa muito contra a minha natureza – reparos:
Pensava eu que já ninguém copiava letras de canções à mão!
Tentou um olhar de viés semelhante ao que fizera anteriormente, somou-lhe um quê de reprovação, e soltou um ah, sim?!
Pois pá, as miúdas hoje fazem copy-paste, cantam com aqueles écrans onde passa a letra, se calhar já nem escrevem com esferográfica.
Karaoke – disse ele com ar enfastiado. Não se trata de nada disso. E são só as miúdas?
Entregas-te a grandes reflexões: Tony Carreira, Marcelo e isso é o quê? Uma alavanca?
Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?
Petrifiquei. Mal consegui virar-me para trás e pedir com voz pujante ao Manel (ao Manel do café) uma mini-castelo. Castello, com dois éles.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

16/08/2025

Alavancar

Eu conheço o homem. Há muitos anos. Ainda que não saiba bem como ele se chama. Ou já não me lembre, o que dá o mesmo resultado – chamo-lhe atão, pá!
Estava sentado numa mesa que antigamente não existia. Explicando melhor, estava sentado numa mesa onde antigamente não havia mesa, era a passagem para a casa de banho.
Quando atentei bem no conteúdo da mesa, lembrei-me de um episódio antigo ali ocorrido, na mesa do canto junto à janela, com dois engenheiros, tio e sobrinho afim, civil e mecânico, que riscavam jornais com parafusos em corte. Ora bem, o homem tinha o jornal rabiscado, isso tinha. Mas tinha mais, tinha três folhas de papel garatujadas – uma, com um esquema de uma alavanca interfixa; outra, com uma letra de uma canção de Tony Carreira; e a última com este cabeçalho: perguntasamarcelo@tvi.pt, sob o qual existia um rol de alíneas.

(continua)

publicado inicialmente em Agosto de 2013

15/08/2025

Série

A partir de amanhã, à guisa de comemoração dos 22 anos do blogue, republicarei uma série de 10 posts denominada “Alavancar”, de acordo com a novilíngua de marqueteiros e empreendedores.
Data de 2013 e tenho a ideia de que está muitíssimo actual.

14/08/2025

E não está limpo!

O jornalista, perfeitamente formatado pelo politicamente correcto, indigna-se: “E não está limpo!” – referindo-se à beira do caminho vicinal que tem vegetação arbustiva e vai ardendo.
Sairá daqui e irá para outro lado qualquer proclamando que “não está limpo”.
O povo revolta-se porque “não está limpo”.
Aljubarrota, 640 anos

O mito das mais antigas fronteiras da Europa continental ignora a ocupação de Olivença.
A relação com Espanha não é má e péssimo seria se ficássemos bloqueados por terra, mercê de um qualquer conflito.
Só falta que Espanha devolva aquele território. Sem mas nem meios mas.


Jean of Wavrin, "Anciennes et nouvelles chroniques d'Angleterre", British Library archive - Royal 14 E. IV, f.204
Orelhas de burro

A “produção de conteúdos noticiosos” vive cada vez mais da conversa de dois burros: o jornalista e o comentador. Um faz perguntas infantis e o outro tropeça na lógica quando não na língua.

11/08/2025

Propaganda

Com tanta propaganda que se faz para amedrontar o povo, não há quem se lembre de avisar o mesmo povo de que de nada serve combater um fogo violento com baldes de água ou mangueiras de rega.
Todos os dias nestas alturas vemos esse patético espectáculo.
Isso também demonstra a alienação das mentes, a incapacidade de usar o instinto básico na luta pela sobrevivência. Que parecia ser coisa só de urbanos.
Empatia

Para uma indeterminada faixa da sociedade empatia é sinónimo de inteligência.
Se é verdade que a estupidez proporciona inúmeros equívocos que amiúde levam à antipatia, também é certo que com a inteligência convivem de perto o alheamento e a apatia em relação aos semelhantes.
Querer que inteligência e empatia sejam sinónimos é uma crença. Do verbo crer.

10/08/2025

O algoritmo bronco

Sem dúvida que a existência de um algoritmo que interpreta a escrita e dá de imediato sugestões a quem as pede é coisa de importância. Não se deve subestimar.
O problema com o algoritmo bronco que é posto ao dispor do público (vulgo AI ou IA) é que ainda é uma criança – está na infância da arte – e não tem consistência.
É um recurso útil em circunstâncias de somenos. Mas não passa disso.
Quanto às imagens que gera disparam em mim um efeito emético.