Sim. Com cafés, coca-colas, Bulgária e cerejas.
03/06/2005
!!!!!!
No caso, as cerejas é que soam como palavras.
Ou um grande "Ah, foda-se!" dito a plenos pulmões.
Nunca mais lançarei cartas topográficas às três da manhã.

imagem Multimap
É claro que não se podem dar mais pormenores sobre as operações.
No caso, as cerejas é que soam como palavras.
Ou um grande "Ah, foda-se!" dito a plenos pulmões.
Nunca mais lançarei cartas topográficas às três da manhã.
imagem Multimap
É claro que não se podem dar mais pormenores sobre as operações.
Invenções
Major Pimenta, aqui não se inventa nada! - o Coronel começou assim a sua prelecção singular ao recém-chegado sub-comandante.
Depois do eco das suas últimas palavras se ter reflectido como um brilho nos olhos do subordinado, o Coronel abriu a caixa dos charutos com o mesmo gesto com que daria uma voz de à vontade.
Quando o Major fechou a porta atrás de si, o Coronel recostou-se na cadeira.
Pimenta, você não se esqueça de frisar ao Castro que não se inventa nada!
Não se preocupe, meu Coronel, suspeito que ele não seria mesmo capaz de o fazer.
Ok, ok! Olho no Castro! Olho no Castro!
Quando o Coronel Pimenta mandou entrar o Major Castro no seu gabinete e repetiu pela segunda vez em muitos anos ao seu subordinado que não devia inventar nada, passou em revista todos os imprevistos que enfrentara desde que entrara naquele gabinete pela primeira vez como sub-comandante e apreciara a inteligência do então Coronel Seabra.
Nesses anos, inventara-se e muito. Umas vezes ambos, outras um deles, algumas destas em desacordo mas na maior parte em concórdia.
Agora, o Coronel Pimenta tinha a certeza de que o seu sub-comandante jamais arriscaria inventar.
Frisou-lhe que queria ter conhecimento de todos os imprevistos que ocorressem na sua ausência.
A continência do outro assegurou-o pelo menos nesse aspecto.
Quando anos depois, o Coronel Castro se sentou na cadeira e chamou o seu sub-comandante, disse-lhe claramente que ali não se inventava nada. Nada mesmo!
Depois pegou no manual e releu-o mais uma vez.
Major Pimenta, aqui não se inventa nada! - o Coronel começou assim a sua prelecção singular ao recém-chegado sub-comandante.
Depois do eco das suas últimas palavras se ter reflectido como um brilho nos olhos do subordinado, o Coronel abriu a caixa dos charutos com o mesmo gesto com que daria uma voz de à vontade.
Quando o Major fechou a porta atrás de si, o Coronel recostou-se na cadeira.
Pimenta, você não se esqueça de frisar ao Castro que não se inventa nada!
Não se preocupe, meu Coronel, suspeito que ele não seria mesmo capaz de o fazer.
Ok, ok! Olho no Castro! Olho no Castro!
Quando o Coronel Pimenta mandou entrar o Major Castro no seu gabinete e repetiu pela segunda vez em muitos anos ao seu subordinado que não devia inventar nada, passou em revista todos os imprevistos que enfrentara desde que entrara naquele gabinete pela primeira vez como sub-comandante e apreciara a inteligência do então Coronel Seabra.
Nesses anos, inventara-se e muito. Umas vezes ambos, outras um deles, algumas destas em desacordo mas na maior parte em concórdia.
Agora, o Coronel Pimenta tinha a certeza de que o seu sub-comandante jamais arriscaria inventar.
Frisou-lhe que queria ter conhecimento de todos os imprevistos que ocorressem na sua ausência.
A continência do outro assegurou-o pelo menos nesse aspecto.
Quando anos depois, o Coronel Castro se sentou na cadeira e chamou o seu sub-comandante, disse-lhe claramente que ali não se inventava nada. Nada mesmo!
Depois pegou no manual e releu-o mais uma vez.
02/06/2005
Sim ou não
Tempos também houve em que o sim ou o não davam prémios.
Não me recordo se já eram frigoríficos.
Ou se saíam de carrinho.

imagem das páginas da RTP
Tempos também houve em que o sim ou o não davam prémios.
Não me recordo se já eram frigoríficos.
Ou se saíam de carrinho.
imagem das páginas da RTP
01/06/2005
Época balnear
Houve um tempo em que só no verão havia gelados.
Em que a fruta tinha também época e sabor.
Em que para chegar a certas praias era preciso ter cuidado para não ficar atascado na areia.
Em que se carregava a trouxa para casas junto ao mar.
Em que havia bolas Nivea.
Em que eu chegava preto ao fim do verão.

(foto alterada em 1 Jun. 06)
Houve um tempo em que só no verão havia gelados.
Em que a fruta tinha também época e sabor.
Em que para chegar a certas praias era preciso ter cuidado para não ficar atascado na areia.
Em que se carregava a trouxa para casas junto ao mar.
Em que havia bolas Nivea.
Em que eu chegava preto ao fim do verão.
(foto alterada em 1 Jun. 06)
31/05/2005
A escada do economista
É sabido que uma das dificuldades dos engenheiros é que, não obstante se ponham a teorizar sobre os seus cálculos, a apresentá-los em lindos embrulhos e até a acariciá-los, estejam eles irremediavelmente mal feitos e a obra cai. Tão simples como isso.
Já esse conjunto de técnicas que dá pelo nome de economia possibilita a alguns profissionais do ramo proferir afirmações que aparentemente influem no resultado final.
Eu que o diga. Que também saí cedo de casa no dia seguinte a Cavaco Silva ter falado em gatos e lebres. E em boa hora o fiz.
A escada da figura abaixo é, com toda a certeza, obra de um economista. Todos os dias lá deve passar e dizer, mas não com a convicção que Afonso tinha sob a abóbada - que esse era mestre d'obras - aguenta-te!
É sabido que uma das dificuldades dos engenheiros é que, não obstante se ponham a teorizar sobre os seus cálculos, a apresentá-los em lindos embrulhos e até a acariciá-los, estejam eles irremediavelmente mal feitos e a obra cai. Tão simples como isso.
Já esse conjunto de técnicas que dá pelo nome de economia possibilita a alguns profissionais do ramo proferir afirmações que aparentemente influem no resultado final.
Eu que o diga. Que também saí cedo de casa no dia seguinte a Cavaco Silva ter falado em gatos e lebres. E em boa hora o fiz.
A escada da figura abaixo é, com toda a certeza, obra de um economista. Todos os dias lá deve passar e dizer, mas não com a convicção que Afonso tinha sob a abóbada - que esse era mestre d'obras - aguenta-te!
30/05/2005
29/05/2005
O tempo das galinhas pretas
Ouvir o que quer que seja, por exemplo hoje da boca dos políticos e comentadores franceses, os mesmos que em 2002 asseguravam que a França virara à direita, ouvir o que quer que seja sobre causas e efeitos de um escrutínio, tal como na Espanha ou nos E.U.A. de 2004, tal como em qualquer lado e em qualquer altura, ouvir e prestar atenção é chegar, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não nos afastámos nada do tempo das galinhas pretas.
Ainda que os fatos sejam outros e que a colocação da voz seja mais educada.
Ouvir o que quer que seja, por exemplo hoje da boca dos políticos e comentadores franceses, os mesmos que em 2002 asseguravam que a França virara à direita, ouvir o que quer que seja sobre causas e efeitos de um escrutínio, tal como na Espanha ou nos E.U.A. de 2004, tal como em qualquer lado e em qualquer altura, ouvir e prestar atenção é chegar, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não nos afastámos nada do tempo das galinhas pretas.
Ainda que os fatos sejam outros e que a colocação da voz seja mais educada.
Sopas depois de almoço e carroças à frente dos bois
Duas expressões estas que aparentemente designam realidades opostas.
O que vem tarde demais e cedo demais.
Sendo assim pela aparência contraditórias, todavia aplicam-se na perfeição ao tratado constitucional europeu e ao escrutínio a que foi, é hoje e será submetido, de diversas formas, nos vários países.
Como se a História se escrevesse de acordo com um plano ditado pelos homens.
Duas expressões estas que aparentemente designam realidades opostas.
O que vem tarde demais e cedo demais.
Sendo assim pela aparência contraditórias, todavia aplicam-se na perfeição ao tratado constitucional europeu e ao escrutínio a que foi, é hoje e será submetido, de diversas formas, nos vários países.
Como se a História se escrevesse de acordo com um plano ditado pelos homens.
28/05/2005
27/05/2005
E depois das séries malucas

A ser verdade que é hoje atribuída a primeira matrícula com as letras no meio, não obstante a ponte, aqui se recorda um post sobre o assunto.
Não é que tenha de facto muito assunto, como dizia o outro.
A ser verdade que é hoje atribuída a primeira matrícula com as letras no meio, não obstante a ponte, aqui se recorda um post sobre o assunto.
Não é que tenha de facto muito assunto, como dizia o outro.
Na fronteira dos conceitos ou no conceito de fronteira
Um dia ainda saberemos mais sobre a forma como organizamos, estruturamos o nosso pensamento, a nossa ideia das coisas.
Partindo para já do princípio de que existe uma Grande Filosofia, uma ideia geral comum a todas as civilizações e às vanguardas que a elas pertencem. Que o Homem, independentemente do social, congemina uma imagem das coisas que é transversal a todas as culturas.
A existir essa visão comum do mundo, poderemos sempre interrogar-nos sobre a sua eficácia enquanto leitura "real", assim se consiga separá-la da leitura "prática".
É sobre este assunto que talvez mais linhas se tenham escrito em toda a História. Quaisquer que tenham sido a forma e a metáfora.
Um dos pilares em que assenta a leitura "prática" é a definição de limites, de fronteiras, de finidade.
A célula tem uma fronteira, o indivíduo uma pele, os territórios sesmos, a vida um fim.
Esta compartimentação decorre mais do facto de qualquer ideia ser primeiro individual e depois propagada e não gerada por uma mente universal e intemporal.
Assim o fosse, e provavelmente o infinito, o ilimitado, seriam mais comuns do que a compartimentação. Menos "praticáveis" mas eventualmente mais perto do "real".
Um dia ainda saberemos mais sobre a forma como organizamos, estruturamos o nosso pensamento, a nossa ideia das coisas.
Partindo para já do princípio de que existe uma Grande Filosofia, uma ideia geral comum a todas as civilizações e às vanguardas que a elas pertencem. Que o Homem, independentemente do social, congemina uma imagem das coisas que é transversal a todas as culturas.
A existir essa visão comum do mundo, poderemos sempre interrogar-nos sobre a sua eficácia enquanto leitura "real", assim se consiga separá-la da leitura "prática".
É sobre este assunto que talvez mais linhas se tenham escrito em toda a História. Quaisquer que tenham sido a forma e a metáfora.
Um dos pilares em que assenta a leitura "prática" é a definição de limites, de fronteiras, de finidade.
A célula tem uma fronteira, o indivíduo uma pele, os territórios sesmos, a vida um fim.
Esta compartimentação decorre mais do facto de qualquer ideia ser primeiro individual e depois propagada e não gerada por uma mente universal e intemporal.
Assim o fosse, e provavelmente o infinito, o ilimitado, seriam mais comuns do que a compartimentação. Menos "praticáveis" mas eventualmente mais perto do "real".
25/05/2005
Livros
Ao fim e ao cabo, são a referência maior aqui na blogosfera.
Talvez o traço comum mais evidente entre os que aqui escrevem.
Livros. A cada um de nós o seu tipo de fascínio. A uns, os ex-libris, as dedicatórias, os sublinhados, as páginas dobradas, as marcas lá deixadas sob a forma de bilhetes de autocarro, pequenas notas, folhas secas, qualquer coisa que ali pertencesse no momento.
A mim, apenas uma assinatura de propriedade e uma data, a folhas 3. Nada de sublinhados, talvez uma rara marca esquecida. Vejo-os como objectos não profanáveis com tinta a não ser com a marca de posse. Sou possessivo com a minha biblioteca.
Livros. O cambar dos bolsos do meu pai ao peso habitual do livro companheiro.
Livros. O cheiro e as farpas das folhas de papel rude, ao serem separadas pela lâmina.
Livros. Os títulos improváveis. As capas em que me fixava embevecido com o desenho das letras e o arranjo simples e eficaz das formas e das cores.
Livros. A recordação das barraquinhas alinhadas ao longo da Avenida da Liberdade.
Dos olhos espreitarem mal os escaparates. Em plano alto.
Está na altura. Estão os meus olhos já e ainda à altura de os contemplar, de os comer.
Ao fim e ao cabo, são a referência maior aqui na blogosfera.
Talvez o traço comum mais evidente entre os que aqui escrevem.
Livros. A cada um de nós o seu tipo de fascínio. A uns, os ex-libris, as dedicatórias, os sublinhados, as páginas dobradas, as marcas lá deixadas sob a forma de bilhetes de autocarro, pequenas notas, folhas secas, qualquer coisa que ali pertencesse no momento.
A mim, apenas uma assinatura de propriedade e uma data, a folhas 3. Nada de sublinhados, talvez uma rara marca esquecida. Vejo-os como objectos não profanáveis com tinta a não ser com a marca de posse. Sou possessivo com a minha biblioteca.
Livros. O cambar dos bolsos do meu pai ao peso habitual do livro companheiro.
Livros. O cheiro e as farpas das folhas de papel rude, ao serem separadas pela lâmina.
Livros. Os títulos improváveis. As capas em que me fixava embevecido com o desenho das letras e o arranjo simples e eficaz das formas e das cores.
Livros. A recordação das barraquinhas alinhadas ao longo da Avenida da Liberdade.
Dos olhos espreitarem mal os escaparates. Em plano alto.
Está na altura. Estão os meus olhos já e ainda à altura de os contemplar, de os comer.
24/05/2005
Dia de São Google
Já há tempo que não deixava aqui sinal de estranhas pesquisas.
Hoje foi, no entanto, e são ainda cinco e pouco, um dia profícuo. A saber:
1) "mulher cobra"
2) o que preciso para montar um empresa de som e acessorio para automoveis?
3) á alguem que me saiba dizer qual a data das novas matriculas em automoveis
4) critérios de segurança para rebarbadoras e berbequins
Apenas comento o primeiro. Não me parece que na mira do buscante estivesse a famosa mulher-cobra de quem falei aqui há atrasado. Estava com toda a certeza algo que o afligia ainda mais. Ou, tratando-se de uma fêmea juvenil, quem sabe não estaria à procura de ensinamentos teóricos.
actualizado depois das nove:
5) noticia dos benfiquistas nos barcos do barreiro
Já há tempo que não deixava aqui sinal de estranhas pesquisas.
Hoje foi, no entanto, e são ainda cinco e pouco, um dia profícuo. A saber:
1) "mulher cobra"
2) o que preciso para montar um empresa de som e acessorio para automoveis?
3) á alguem que me saiba dizer qual a data das novas matriculas em automoveis
4) critérios de segurança para rebarbadoras e berbequins
Apenas comento o primeiro. Não me parece que na mira do buscante estivesse a famosa mulher-cobra de quem falei aqui há atrasado. Estava com toda a certeza algo que o afligia ainda mais. Ou, tratando-se de uma fêmea juvenil, quem sabe não estaria à procura de ensinamentos teóricos.
actualizado depois das nove:
5) noticia dos benfiquistas nos barcos do barreiro
23/05/2005
O carro do poeta
Não fora ter estado à espera de um velho amigo debaixo de uma árvore de folha caduca, nas cercanias do lugar onde os factos ocorreram e não me lembraria do carro do poeta.
Uma coisa é certa - era Outono. E era já noite escura. E eu estava mais de enfermeiro do que de amante. Coisas da mudança de estação. Primeiros frios.
Foi assim num lusco-fusco artificial que ouvi o estrondo. Qualquer coisa me disse que a noite ia ser menos calma do que esperavam uma mulher febril e um homem falando com voz suave - sim, também sei suavizar as sílabas quando é caso disso.
Foi no teu carro - era a perspectiva que tinha da janela.
Percebi ainda mais a moleza que se apoderara dela quando em vez de um berro, apenas pediu que fosse resolver o assunto.
Quando cheguei ao local do crime, deparei-me com um casalinho em vias de ir jantar fora. Já não iam. A frente do carro estava desfeita.
Não fiz qualquer comentário às circunstâncias que teriam levado um deles a despistar-se numa rua da cidade e a abalroar três carros três. Apenas me apresentei como dono do Lancia. Foi logo a seguir que, para espanto meu e deles, verifiquei que o carro mais atingido viajara um bom meio metro para a direita mas ficara a um ou dois centímetros do carro da fera. Dei-lhe a volta duas vezes e não vi nem uma beliscadura.
Não eram assim três os carros amassados. Quero dizer, eram. Três contando com o do casalinho desanimado.
Chegou então o dono do que estava mais à esquerda. Com toda a calma lá trocou os habituais elementos com o jovem casal.
Foi então que me perguntou onde é que eu morava. Na minha qualidade de dono do Lancia tinha que morar no prédio ali um pouco abaixo. Foi o que lhe respondi.
Então sabe de quem é este carro - dizia-me assim com jeitos de me querer pôr à prova e apontando para o tal que estava entre o "meu" e o dele.
Não faço ideia.
Não? Mas ele mora no seu prédio. É o poeta!
Huuuuuum - fiz um ar entendido e saí de cena, saudando os circunstantes.
Ela estava a dormitar tranquilamente e eu ainda fiquei mais convencido de que o sexto sentido das mulheres se aplica também ao estado de saúde dos próprios automóveis.
Não fora ter estado à espera de um velho amigo debaixo de uma árvore de folha caduca, nas cercanias do lugar onde os factos ocorreram e não me lembraria do carro do poeta.
Uma coisa é certa - era Outono. E era já noite escura. E eu estava mais de enfermeiro do que de amante. Coisas da mudança de estação. Primeiros frios.
Foi assim num lusco-fusco artificial que ouvi o estrondo. Qualquer coisa me disse que a noite ia ser menos calma do que esperavam uma mulher febril e um homem falando com voz suave - sim, também sei suavizar as sílabas quando é caso disso.
Foi no teu carro - era a perspectiva que tinha da janela.
Percebi ainda mais a moleza que se apoderara dela quando em vez de um berro, apenas pediu que fosse resolver o assunto.
Quando cheguei ao local do crime, deparei-me com um casalinho em vias de ir jantar fora. Já não iam. A frente do carro estava desfeita.
Não fiz qualquer comentário às circunstâncias que teriam levado um deles a despistar-se numa rua da cidade e a abalroar três carros três. Apenas me apresentei como dono do Lancia. Foi logo a seguir que, para espanto meu e deles, verifiquei que o carro mais atingido viajara um bom meio metro para a direita mas ficara a um ou dois centímetros do carro da fera. Dei-lhe a volta duas vezes e não vi nem uma beliscadura.
Não eram assim três os carros amassados. Quero dizer, eram. Três contando com o do casalinho desanimado.
Chegou então o dono do que estava mais à esquerda. Com toda a calma lá trocou os habituais elementos com o jovem casal.
Foi então que me perguntou onde é que eu morava. Na minha qualidade de dono do Lancia tinha que morar no prédio ali um pouco abaixo. Foi o que lhe respondi.
Então sabe de quem é este carro - dizia-me assim com jeitos de me querer pôr à prova e apontando para o tal que estava entre o "meu" e o dele.
Não faço ideia.
Não? Mas ele mora no seu prédio. É o poeta!
Huuuuuum - fiz um ar entendido e saí de cena, saudando os circunstantes.
Ela estava a dormitar tranquilamente e eu ainda fiquei mais convencido de que o sexto sentido das mulheres se aplica também ao estado de saúde dos próprios automóveis.
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