16/01/2010
15/01/2010
Port-au-Prince
Há uma era antes do estilo CNN e da massificação dos satélites.
Antes portanto da vulgarização das imagens ou do seu primado.
Uma coisa que leva 30 anos do zero ao estado actual em que qualquer telefone móvel capta e envia vídeo (ainda estamos na muito baixa resolução) para quase todo o globo terrestre.
Dessa porção de tempo, a lista das grandes catástrofes inclui o Ruanda e o Darfur.
Inclui o maremoto bíblico de 2004, o sepultamento de Armero, a devastação de parte da cidade do México, os terramotos na Arménia, na Turquia, no Irão (dois), o de Kobe. O da China.
Inclui o ciclone na Birmânia e outros mais acontecimentos de menores proporções letais, correndo eu o risco de me esquecer de algum1 2 3.
Os dois primeiros, tratando-se de guerras e talvez pelo número de baixas não ser instantâneo, acabaram por merecer uma divulgação visual muito aquém da sua dimensão.
De todos os outros se obteve uma ideia fotográfica. Cada vez mais diversificada à medida que os anos foram avançando. Com as excepções limitativas da Birmânia e em certa medida do Irão. E com a minha medida subjectiva, por quase metade desse intervalo de tempo haver aqui apenas dois canais e uma empresa de televisão.
Nada ali se compara porém ao que se vê agora. Nem sequer no caso do maremoto de 2004, admitindo-se que em algumas regiões tenha sucedido exactamente o mesmo desnorte e incapacidade de resposta. Não estavam lá as câmaras.
Aqui antevê-se a ausência total e completa de uma resposta organizada. Por agora.
É um retrato que permite medir consequências de uma incapacidade.
Nestas coisas, as lições que se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Mas há ali muita coisa para aprender.
1 Dois terramotos na Índia e um no Paquistão.
2 Furacão Mitch.
3 Deslizamentos de terras na Venezuela (estado de Vargas).
Há uma era antes do estilo CNN e da massificação dos satélites.
Antes portanto da vulgarização das imagens ou do seu primado.
Uma coisa que leva 30 anos do zero ao estado actual em que qualquer telefone móvel capta e envia vídeo (ainda estamos na muito baixa resolução) para quase todo o globo terrestre.
Dessa porção de tempo, a lista das grandes catástrofes inclui o Ruanda e o Darfur.
Inclui o maremoto bíblico de 2004, o sepultamento de Armero, a devastação de parte da cidade do México, os terramotos na Arménia, na Turquia, no Irão (dois), o de Kobe. O da China.
Inclui o ciclone na Birmânia e outros mais acontecimentos de menores proporções letais, correndo eu o risco de me esquecer de algum1 2 3.
Os dois primeiros, tratando-se de guerras e talvez pelo número de baixas não ser instantâneo, acabaram por merecer uma divulgação visual muito aquém da sua dimensão.
De todos os outros se obteve uma ideia fotográfica. Cada vez mais diversificada à medida que os anos foram avançando. Com as excepções limitativas da Birmânia e em certa medida do Irão. E com a minha medida subjectiva, por quase metade desse intervalo de tempo haver aqui apenas dois canais e uma empresa de televisão.
Nada ali se compara porém ao que se vê agora. Nem sequer no caso do maremoto de 2004, admitindo-se que em algumas regiões tenha sucedido exactamente o mesmo desnorte e incapacidade de resposta. Não estavam lá as câmaras.
Aqui antevê-se a ausência total e completa de uma resposta organizada. Por agora.
É um retrato que permite medir consequências de uma incapacidade.
Nestas coisas, as lições que se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Mas há ali muita coisa para aprender.
1 Dois terramotos na Índia e um no Paquistão.
2 Furacão Mitch.
3 Deslizamentos de terras na Venezuela (estado de Vargas).
13/01/2010
12/01/2010
Um dia histórico
Hoje é um dia histórico.
A barragem de Alqueva atingiu a cota máxima (152 m) cerca das 16:00.
Afinal, os 75 anos reduziram-se a 8.
Um erro grosseiro esse que dava tal prazo para o enchimento da albufeira.

imagem do SNIRH
Hoje é um dia histórico.
A barragem de Alqueva atingiu a cota máxima (152 m) cerca das 16:00.
Afinal, os 75 anos reduziram-se a 8.
Um erro grosseiro esse que dava tal prazo para o enchimento da albufeira.
imagem do SNIRH
11/01/2010
10/01/2010
Madame Butterfly
E, de repente, ali estava eu a mostrar a Fanny Ardant (sim, vi-a na Revista do Expresso esta semana) a série de fotos – dez de cada – que o mesmo jornal publicara de mulheres e borboletas cujo perfil se assemelhava.
A nº8! Repara bem na assombrosa semelhança da nº8 com a respectiva borboleta! – não sei se ela reparou bem.
A coisa era patrocinada por uma associação qualquer de coleccionadores de borboletas.
E, de repente, ali estava eu a mostrar a Fanny Ardant (sim, vi-a na Revista do Expresso esta semana) a série de fotos – dez de cada – que o mesmo jornal publicara de mulheres e borboletas cujo perfil se assemelhava.
A nº8! Repara bem na assombrosa semelhança da nº8 com a respectiva borboleta! – não sei se ela reparou bem.
A coisa era patrocinada por uma associação qualquer de coleccionadores de borboletas.
07/01/2010
Um filme interessante

imagem da Imdb
Uma história e um filme perfeitamente desconhecidos que me colaram ontem ao écran.
Não é o meu tipo de filme. Mas fiquei ali pregado até ao fim.
imagem da Imdb
Uma história e um filme perfeitamente desconhecidos que me colaram ontem ao écran.
Não é o meu tipo de filme. Mas fiquei ali pregado até ao fim.
06/01/2010
Território

fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster
Para quem associou desde muito cedo as expressões “recolher obrigatório” e “estado de emergência” à Irlanda do Norte, parece talvez improvável um “adeus às armas”.
Quando o que está em causa é um território em disputa.
Isto a propósito de mais uma notícia no sentido da paz e desta fotografia recebida há dias.
A notícia é uma entre tantas. Das quais uma boa porção nada significou.
O território...
fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster
Para quem associou desde muito cedo as expressões “recolher obrigatório” e “estado de emergência” à Irlanda do Norte, parece talvez improvável um “adeus às armas”.
Quando o que está em causa é um território em disputa.
Isto a propósito de mais uma notícia no sentido da paz e desta fotografia recebida há dias.
A notícia é uma entre tantas. Das quais uma boa porção nada significou.
O território...
05/01/2010
A década
Convinha talvez fazer um aditamento às convenções numéricas – cardinais e ordinais – para que uma década, um século, um milénio acabem quando o estado de espírito o decidir e não segundo a contagem que o Homem inventou sabe-se lá quando e segundo as regras da base 10 que terá provindo do número de dedos das mãos.
Sobre isto, já tinha escrito há um certo tempo.
Convinha talvez fazer um aditamento às convenções numéricas – cardinais e ordinais – para que uma década, um século, um milénio acabem quando o estado de espírito o decidir e não segundo a contagem que o Homem inventou sabe-se lá quando e segundo as regras da base 10 que terá provindo do número de dedos das mãos.
Sobre isto, já tinha escrito há um certo tempo.
Memória
Ontem, no programa da SIC N – O Dia Seguinte – ninguém percebeu que Walter Rosa e Walter Marques, recentemente falecido, não eram a mesma pessoa.
Aqui há tempo, no mesmo programa embora com outra composição – em quatro mudaram dois, ninguém sabia onde ficava o norte no Estádio Nacional.
Ontem, no programa da SIC N – O Dia Seguinte – ninguém percebeu que Walter Rosa e Walter Marques, recentemente falecido, não eram a mesma pessoa.
Aqui há tempo, no mesmo programa embora com outra composição – em quatro mudaram dois, ninguém sabia onde ficava o norte no Estádio Nacional.
04/01/2010
A torre do Califa

Naquilo que se pode considerar como uma das grandes questões universais, ocorreu-me interrogar-me sobre o número – menos precisamente, sobre a ordem de grandeza desse número – das diversas construções humanas que foram de facto as mais altas do seu tempo.
Talvez se consiga chegar a um valor que não pareça muito disparatado com os dados disponíveis que são sempre escassos. Ou não.
Uma coisa poderemos saber – quanto tempo demorarão estes 828 m a ser superados.
Naquilo que se pode considerar como uma das grandes questões universais, ocorreu-me interrogar-me sobre o número – menos precisamente, sobre a ordem de grandeza desse número – das diversas construções humanas que foram de facto as mais altas do seu tempo.
Talvez se consiga chegar a um valor que não pareça muito disparatado com os dados disponíveis que são sempre escassos. Ou não.
Uma coisa poderemos saber – quanto tempo demorarão estes 828 m a ser superados.
A fuga de Peniche
É facto que o PCP nunca formou governo em Portugal.
É facto que o PCP não pode ser só por si directamente responsabilizado pelo que sucedeu em 1975 em Portugal e pelo rol de prisões arbitrárias que então ocorreu em tempo tão curto.
É igualmente facto que o PCP foi sempre o representante do sovietismo em Portugal.
É ainda sabido que o regime soviético foi pródigo na prisão dos que se lhe opunham e até dos que, dentro dele, se desviavam da linha justa e caíam em desgraça.
Faz por isso para mim pouco sentido que o mesmo PCP apareça simbolicamente como grande paladino do derrube de paredes prisionais, atendendo às declarações proferidas na celebração da fuga do forte de Peniche.
Não lhes censuro naturalmente a comemoração. É coisa deles.
Não lhes censuro os ideais e os valores. Cada um tem os seus.
Não aceito é vê-los fazerem-se passar por arautos precursores da liberdade.
Isso é que é branquear o estalinismo e apagar da memória partidária todos os seus admiradores.
É facto que o PCP nunca formou governo em Portugal.
É facto que o PCP não pode ser só por si directamente responsabilizado pelo que sucedeu em 1975 em Portugal e pelo rol de prisões arbitrárias que então ocorreu em tempo tão curto.
É igualmente facto que o PCP foi sempre o representante do sovietismo em Portugal.
É ainda sabido que o regime soviético foi pródigo na prisão dos que se lhe opunham e até dos que, dentro dele, se desviavam da linha justa e caíam em desgraça.
Faz por isso para mim pouco sentido que o mesmo PCP apareça simbolicamente como grande paladino do derrube de paredes prisionais, atendendo às declarações proferidas na celebração da fuga do forte de Peniche.
Não lhes censuro naturalmente a comemoração. É coisa deles.
Não lhes censuro os ideais e os valores. Cada um tem os seus.
Não aceito é vê-los fazerem-se passar por arautos precursores da liberdade.
Isso é que é branquear o estalinismo e apagar da memória partidária todos os seus admiradores.
03/01/2010
02/01/2010
01/01/2010
Apogeu
Serena e suave
Vejo a luz entrar
Sobre as mantas entaladas
Num sonho cor-de-mar.
E possesso fico,
De alabardas armado,
Fecho o meu cerco
Às intenções.
Rol, torrente d'emoções
Que se esvai
Num chão lavado de flores
Pueris.
Aqui te ris.
Sempre que há condão
De magias fazer
Sem condição.
Depuseste a razão,
Pediste a rendição -
- Tudo a correr.
E de novo a luz fugiu.
Deixou frios e arrepios
Em mesas descompostas.
E nada mais se viu
Do que alguém,
Que da cena saía,
Longe e de costas.
1985
SG, "Dizeres do Sul", 1993
Serena e suave
Vejo a luz entrar
Sobre as mantas entaladas
Num sonho cor-de-mar.
E possesso fico,
De alabardas armado,
Fecho o meu cerco
Às intenções.
Rol, torrente d'emoções
Que se esvai
Num chão lavado de flores
Pueris.
Aqui te ris.
Sempre que há condão
De magias fazer
Sem condição.
Depuseste a razão,
Pediste a rendição -
- Tudo a correr.
E de novo a luz fugiu.
Deixou frios e arrepios
Em mesas descompostas.
E nada mais se viu
Do que alguém,
Que da cena saía,
Longe e de costas.
1985
SG, "Dizeres do Sul", 1993
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