03/04/2010
02/04/2010
01/04/2010
Dia das Mentiras
Citando-me, a mesma memória arrasta a praga de gafanhotos, que esteve decerto na génese da patranha dos pirilampos.
Em que ano dos anos 60 terá ela ocorrido?
Citando-me, a mesma memória arrasta a praga de gafanhotos, que esteve decerto na génese da patranha dos pirilampos.
Em que ano dos anos 60 terá ela ocorrido?
31/03/2010
30/03/2010
Isossistas da comoção
Retomando uma ideia de há meia dúzia de anos, se possível fosse medir a comoção causada pelos eventos nas populações, que surpresas nos reservaria o desenho das isossistas da comoção?
O efeito da distância a atenuar a intensidade parece poder presumir-se idêntico ao dos sismos.
Um atentado em Moscovo, tomando apenas essa variável, geraria menos comoção do que um em Londres. E este menos comoção do que um em Madrid.
Mas o número das variáveis que se pressentem em jogo é em ordem de grandeza semelhante ao das que condicionam o comportamento humano em qualquer outro caso.
Seria estultícia encontrar explicações para o desenho das curvas, caso se pudessem traçar.
Retomando uma ideia de há meia dúzia de anos, se possível fosse medir a comoção causada pelos eventos nas populações, que surpresas nos reservaria o desenho das isossistas da comoção?
O efeito da distância a atenuar a intensidade parece poder presumir-se idêntico ao dos sismos.
Um atentado em Moscovo, tomando apenas essa variável, geraria menos comoção do que um em Londres. E este menos comoção do que um em Madrid.
Mas o número das variáveis que se pressentem em jogo é em ordem de grandeza semelhante ao das que condicionam o comportamento humano em qualquer outro caso.
Seria estultícia encontrar explicações para o desenho das curvas, caso se pudessem traçar.
O cerne da questão
As notícias de que, após um lapso de quase ano e meio que mostrou as imperfeições da técnica nos mais altos escalões, se verificou a primeira colisão de feixes de partículas no grande acelerador do CERN trouxeram mais uma vez atrás a historieta das origens do universo.
E é repetida à exaustão.
As notícias de que, após um lapso de quase ano e meio que mostrou as imperfeições da técnica nos mais altos escalões, se verificou a primeira colisão de feixes de partículas no grande acelerador do CERN trouxeram mais uma vez atrás a historieta das origens do universo.
E é repetida à exaustão.
29/03/2010
Esgotar o assunto

Já aqui o disse – Vitrúvio fez bem em dispôr Arquimedes na banheira.
Que dela saem amiúde ideias mais ou menos parvas, mais ou menos gloriosas.
Não é de uma ideia, porém, que me lembrei hoje. É de uma recorrência que ali me acode e que versa a indexação das estrelas dos estabelecimentos hoteleiros à velocidade de escoamento da dita banheira.
Detesto sítios onde a água se some a conta-gotas.
Já aqui o disse – Vitrúvio fez bem em dispôr Arquimedes na banheira.
Que dela saem amiúde ideias mais ou menos parvas, mais ou menos gloriosas.
Não é de uma ideia, porém, que me lembrei hoje. É de uma recorrência que ali me acode e que versa a indexação das estrelas dos estabelecimentos hoteleiros à velocidade de escoamento da dita banheira.
Detesto sítios onde a água se some a conta-gotas.
28/03/2010
As andorinhas
Dei-me conta de que não vejo andorinhas há séculos.
Pode ser que uma ou outra me sobrevoe mas por ela não dou.
Qualquer bizarria está na causa disso.
Lembro-me de ter avistado estes ninhos no outono de há dois anos.

Com eles, a memória do tempo em que na velha casa do quintal lá estava um, dois ou três. E em que as via entrar e sair pela porta descuidada ou cuidadamente aberta.
Restar-me-á acrescentar à lista de compras onde figura o Cristo-Rei de plástico e a buzina de bexiga uma andorinha de louça.
Dei-me conta de que não vejo andorinhas há séculos.
Pode ser que uma ou outra me sobrevoe mas por ela não dou.
Qualquer bizarria está na causa disso.
Lembro-me de ter avistado estes ninhos no outono de há dois anos.
Com eles, a memória do tempo em que na velha casa do quintal lá estava um, dois ou três. E em que as via entrar e sair pela porta descuidada ou cuidadamente aberta.
Restar-me-á acrescentar à lista de compras onde figura o Cristo-Rei de plástico e a buzina de bexiga uma andorinha de louça.
27/03/2010
25/03/2010
Quem nada não se afoga
Há dias em que se acorda com uma música ligada no gira-discos mental.
Há dias em que se acorda com uma perfumada lembrança de alguém.
Há dias em que se acorda no meio de um intrincado e movimentado enredo.
Há dias em que se acorda envolto numa extraordinária abstracção.
Suponho que nunca tinha acordado com um aforismo na cabeça. Foi hoje.

Recriação baseada nos pictogramas olímpicos de 1964 e 1972.
Sendo que este, como quase todos os aforismos, não é absolutamente certeiro.
Há muito quem bem nade e mesmo assim se afogue.
Há dias em que se acorda com uma música ligada no gira-discos mental.
Há dias em que se acorda com uma perfumada lembrança de alguém.
Há dias em que se acorda no meio de um intrincado e movimentado enredo.
Há dias em que se acorda envolto numa extraordinária abstracção.
Suponho que nunca tinha acordado com um aforismo na cabeça. Foi hoje.
Recriação baseada nos pictogramas olímpicos de 1964 e 1972.
Sendo que este, como quase todos os aforismos, não é absolutamente certeiro.
Há muito quem bem nade e mesmo assim se afogue.
24/03/2010
Romero
Ouço agora que passam hoje trinta anos sobre o dia em que as nossas apostas à mesa da Mexicana se decidiram.
Eram sobre o tempo de que Óscar Romero ainda disporia antes de ser assassinado.
Se a memória me não atraiçoa, só demos por isso no dia seguinte ao ler os jornais da manhã.
Ouço agora que passam hoje trinta anos sobre o dia em que as nossas apostas à mesa da Mexicana se decidiram.
Eram sobre o tempo de que Óscar Romero ainda disporia antes de ser assassinado.
Se a memória me não atraiçoa, só demos por isso no dia seguinte ao ler os jornais da manhã.
23/03/2010
Obama
É a primeira lança em África do presidente americano. Está de parabéns.
Veremos as voltas que o serviço de saúde ainda dará até assentar e ser aceite.
É a primeira lança em África do presidente americano. Está de parabéns.
Veremos as voltas que o serviço de saúde ainda dará até assentar e ser aceite.
Mandato
A questão dos britânicos com a Palestina (em sentido lato) é talvez daquelas que hoje se apresentam a que mais perdura no tempo.
O caso de hoje é disso uma amostra.
A questão dos britânicos com a Palestina (em sentido lato) é talvez daquelas que hoje se apresentam a que mais perdura no tempo.
O caso de hoje é disso uma amostra.
O toque
Detesto telefones.
Melhor dizendo, detesto falar ao telefone.
É aquele mínimo necessário às circunstâncias que se esgota em parcos segundos, poucas vezes ao mês.
Há séculos atrás, na era dos beep (ou pagers), um dos meus amigos emprestou-me um durante as férias para que eu não ficasse isolado do mundo exterior, como era de resto meu desígnio.
Acabei por simpatizar com o aparelhinho que devolvi mesmo assim com agrado no final da vilegiatura.
Uma das coisas que me fazia simpatizar com ele era o toque. O toque que eu escolhi entre dez que o catálogo tinha.
Muitos anos depois ainda pensava encontrá-lo algures, talvez para me rodear de memórias dessas férias, talvez só mesmo pelo som.
Hoje, por mor de um frango assável, descobri que o meu telemóvel tem tal toque no catálogo.
Um telemóvel que me ofereceram acho que vai para quatro anos.
Fico agora mais sensível ao toque, acho. O que não sei se é bom se é mau.
Detesto telefones.
Melhor dizendo, detesto falar ao telefone.
É aquele mínimo necessário às circunstâncias que se esgota em parcos segundos, poucas vezes ao mês.
Há séculos atrás, na era dos beep (ou pagers), um dos meus amigos emprestou-me um durante as férias para que eu não ficasse isolado do mundo exterior, como era de resto meu desígnio.
Acabei por simpatizar com o aparelhinho que devolvi mesmo assim com agrado no final da vilegiatura.
Uma das coisas que me fazia simpatizar com ele era o toque. O toque que eu escolhi entre dez que o catálogo tinha.
Muitos anos depois ainda pensava encontrá-lo algures, talvez para me rodear de memórias dessas férias, talvez só mesmo pelo som.
Hoje, por mor de um frango assável, descobri que o meu telemóvel tem tal toque no catálogo.
Um telemóvel que me ofereceram acho que vai para quatro anos.
Fico agora mais sensível ao toque, acho. O que não sei se é bom se é mau.
22/03/2010
Planos
Ando intrigado com esta coisa dos Planos de Prevenção de Risco de Corrupção.
Pergunto-me se não havia já nos mais diversos serviços do Estado (e afins) processos de evitar a corrupção. Se era tudo o da Joana.
Pergunto-me qual será a probabilidade de tais planos virem a integrar o rol dos Grandes Planos que só serviram para nada e coisa nenhuma.
Gostava também de saber se acaso não há um plano para acabar com estes planos disparatados e redundantes.
Planos estes que pelos vistos muitas entidades ou não levam a sério ou levam tão a sério que o tempo que consomem para o dar à luz não é conforme ao plano que planeou estes planos.
Ando intrigado com esta coisa dos Planos de Prevenção de Risco de Corrupção.
Pergunto-me se não havia já nos mais diversos serviços do Estado (e afins) processos de evitar a corrupção. Se era tudo o da Joana.
Pergunto-me qual será a probabilidade de tais planos virem a integrar o rol dos Grandes Planos que só serviram para nada e coisa nenhuma.
Gostava também de saber se acaso não há um plano para acabar com estes planos disparatados e redundantes.
Planos estes que pelos vistos muitas entidades ou não levam a sério ou levam tão a sério que o tempo que consomem para o dar à luz não é conforme ao plano que planeou estes planos.
Porrada
Não sei se lhe hei-de chamar clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada.
Parece-me, não sei por quê, que a última fórmula é a mais adequada para a minha sugestão.
A qual é:
Considerandos – tendo em conta:
1) a continuada ocorrência de distúrbios e confrontos com e entre claques de clubes de futebol que geram perturbações da ordem pública, propiciando o cometimento dos mais diversos actos criminosos e violentos;
2) a despesa que o erário público tem que suportar em operações de manutenção da ordem para obviar às situações acima referidas;
3) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de emergências que testem a resposta dos meios de socorros e assistência a grande número de feridos;
4) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de ocorrências que testem a resposta dos meios policiais na contenção de multidões;
5) a necessidade de demolir edifícios ou qualquer outro tipo de construções que constituam risco público;
6) quaisquer outras boas razões que aduzir se possam para dar mais força aos considerandos,
Sugiro:
Que, de acordo com um calendário a definir por regulamento e de acordo com as conveniências que em cada ano possam parecer as mais óbvias,
Se promova uma série de eventos (clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada) com as claques de futebol.
A saber:
a) Com uma só claque (também esta opção se poderia chamar arraial de porrada, pois não é certo que no entretanto não batam uns nos outros):
1) Demolição de construções cujo estado constitua risco público;
2) Arremessamento de pedras em locais onde uma regularização ou enchimento com brita ou cascalho se verifique necessário;
3) Outros que sejam boa ideia.
b) Com duas claques:
Batalha campal em local devidamente cercado, para o qual seriam estas conduzidas em transporte apropriado, sem vidros ou aberturas que possibilitassem o contacto visual com o exterior (era mais para não partirem os vidros e isso).
c) Com três ou mais claques (há mais de três que façam estrago?):
Um tudo ao molho, nas mesmas circunstãncias do caso anterior.
Com qualquer uma destas opções, se faria um excelente aproveitamento da energia que as claques utilizam agora para estragar o que não é para estragar, enquanto se exercitariam os ditos serviços de socorro e assistência bem como as forças policiais.
Num outro plano, de resto já aqui mencionado, eu que não sou de citações, recorro desta vez ao Embaixador José Cutileiro, que meses depois do meu post, na sua coluna “O Mundo dos Outros” no Expresso (suponho que de 25 de Julho, que como sabemos, é o dia da Batalha de Ourique), escrevia:
[...]
Esperemos que a determinação britânica de ganhar aquela guerra se mantenha - e seja contagiosa. O Reino Unido gasta a sério em defesa e - logo seguido da França - tem as melhores forças armadas da Europa. A avaliar por claques de futebol suas à solta em cidades do continente, talvez bater de vez em quando em estrangeiros lhes esteja na massa do sangue. Mesmo povos que não gozem de tal dom, porém, terão rapidamente de acordar do torpor e de meter mãos à obra. É tarefa pelo menos tão urgente quanto combater o aquecimento global.
Talvez treiná-los, enquadrá-los e mandá-los para o Afeganistão.
E há também a tal hipótese de os usar para produzir energia daquela dita renovável. Aos socos e aos pontapés a aparelhos pintados das competentes cores. Mas isso parece mais difícil.
Não sei se lhe hei-de chamar clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada.
Parece-me, não sei por quê, que a última fórmula é a mais adequada para a minha sugestão.
A qual é:
Considerandos – tendo em conta:
1) a continuada ocorrência de distúrbios e confrontos com e entre claques de clubes de futebol que geram perturbações da ordem pública, propiciando o cometimento dos mais diversos actos criminosos e violentos;
2) a despesa que o erário público tem que suportar em operações de manutenção da ordem para obviar às situações acima referidas;
3) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de emergências que testem a resposta dos meios de socorros e assistência a grande número de feridos;
4) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de ocorrências que testem a resposta dos meios policiais na contenção de multidões;
5) a necessidade de demolir edifícios ou qualquer outro tipo de construções que constituam risco público;
6) quaisquer outras boas razões que aduzir se possam para dar mais força aos considerandos,
Sugiro:
Que, de acordo com um calendário a definir por regulamento e de acordo com as conveniências que em cada ano possam parecer as mais óbvias,
Se promova uma série de eventos (clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada) com as claques de futebol.
A saber:
a) Com uma só claque (também esta opção se poderia chamar arraial de porrada, pois não é certo que no entretanto não batam uns nos outros):
1) Demolição de construções cujo estado constitua risco público;
2) Arremessamento de pedras em locais onde uma regularização ou enchimento com brita ou cascalho se verifique necessário;
3) Outros que sejam boa ideia.
b) Com duas claques:
Batalha campal em local devidamente cercado, para o qual seriam estas conduzidas em transporte apropriado, sem vidros ou aberturas que possibilitassem o contacto visual com o exterior (era mais para não partirem os vidros e isso).
c) Com três ou mais claques (há mais de três que façam estrago?):
Um tudo ao molho, nas mesmas circunstãncias do caso anterior.
Com qualquer uma destas opções, se faria um excelente aproveitamento da energia que as claques utilizam agora para estragar o que não é para estragar, enquanto se exercitariam os ditos serviços de socorro e assistência bem como as forças policiais.
Num outro plano, de resto já aqui mencionado, eu que não sou de citações, recorro desta vez ao Embaixador José Cutileiro, que meses depois do meu post, na sua coluna “O Mundo dos Outros” no Expresso (suponho que de 25 de Julho, que como sabemos, é o dia da Batalha de Ourique), escrevia:
[...]
Esperemos que a determinação britânica de ganhar aquela guerra se mantenha - e seja contagiosa. O Reino Unido gasta a sério em defesa e - logo seguido da França - tem as melhores forças armadas da Europa. A avaliar por claques de futebol suas à solta em cidades do continente, talvez bater de vez em quando em estrangeiros lhes esteja na massa do sangue. Mesmo povos que não gozem de tal dom, porém, terão rapidamente de acordar do torpor e de meter mãos à obra. É tarefa pelo menos tão urgente quanto combater o aquecimento global.
Talvez treiná-los, enquadrá-los e mandá-los para o Afeganistão.
E há também a tal hipótese de os usar para produzir energia daquela dita renovável. Aos socos e aos pontapés a aparelhos pintados das competentes cores. Mas isso parece mais difícil.
21/03/2010
19/03/2010
Argumentos estranhos
À justa interpelação do deputado José Lello sobre o voyeurismo dos fotógrafos em relação ao conteúdo dos écrans dos computadores dos deputados respondeu o presidente Jaime Gama que os computadores eram do Estado. De serviço.
A questão é que há uma irrelevância nesse argumento.
É claro que é suposto os computadores serem de serviço e por isso mesmo destinados ao trabalho dos deputados. Mas são pessoais.
E por isso mesmo é que, entre outras coisas, não devem estar sujeitos ao escrutínio público, da mesma forma que não devem estar os rascunhos de um relatório, as notas sobre um documento, as mnemónicas e os esquemas que cada um utiliza para se organizar.
Ou será que a transparência vai ao ponto de se ter que conhecer toda a sorte de apontamentos que cada um faz no seu trabalho?
Quererão os fotógrafos mostrar a toda a gente o que contêm os seus cartões de memória?
À justa interpelação do deputado José Lello sobre o voyeurismo dos fotógrafos em relação ao conteúdo dos écrans dos computadores dos deputados respondeu o presidente Jaime Gama que os computadores eram do Estado. De serviço.
A questão é que há uma irrelevância nesse argumento.
É claro que é suposto os computadores serem de serviço e por isso mesmo destinados ao trabalho dos deputados. Mas são pessoais.
E por isso mesmo é que, entre outras coisas, não devem estar sujeitos ao escrutínio público, da mesma forma que não devem estar os rascunhos de um relatório, as notas sobre um documento, as mnemónicas e os esquemas que cada um utiliza para se organizar.
Ou será que a transparência vai ao ponto de se ter que conhecer toda a sorte de apontamentos que cada um faz no seu trabalho?
Quererão os fotógrafos mostrar a toda a gente o que contêm os seus cartões de memória?
Subscrever:
Mensagens (Atom)