27/11/2010

Bola

O campeonato está arrumado desde Setembro, disse-o aqui.
Por mérito do Porto – desde a época 95/96, por referência aos três pontos por vitória, que nunca esteve melhor do que este ano à 12ª jornada. Esteve em igualdade de circunstâncias por três vezes. Duas delas com mais quatro jornadas para o fim.
Por demérito de Sporting e Benfica.
O Sporting só esteve pior na época passada.
O Benfica, com menos um jogo, esteve pior em quatro épocas, igual em três e melhor nas restantes oito.
Concorrem portanto as duas circunstâncias: força do Porto e fraqueza de Sporting e Benfica.
Em 2008 aconteceu o mesmo.







a verde, os anos com piores classificações; a vermelho, com melhores; a branco, em igual aproveitamento
Bola

Tinha o palpite de que o Sporting ganharia o jogo. Acho que será furado.
Ao ver um bocado desta segunda parte, só me dá para comentar o seguinte:
Não se conseguindo ganhar a este Porto de cabeça perdida, não se ganhará a ninguém.

26/11/2010

Queluz, 2008

Vista tomada pouco mais de 40 anos depois da que está em baixo.
De um ponto fora da dita, à esquerda de quem vê, e pouco acima das linhas de fileira dos prédios.
Num dia de chuva intensa, em que voltou a morrer gente no rio Jamor.

Memória da noite de há 43 anos


fotografia de "O Século" depositada no CPF, in "Os anos de Salazar", Planeta deAgostini, 2008

Que aviva a da manhã seguinte.

25/11/2010

Que é feito da puericultura?

Imagens de gazelas, lolitas e marias-rapaz com cadernos enfeitados, forrados, dobrados ou riscados, com a palavra Puericultura escrita povoaram-me de um ar a memória.
Não saíram de sonho algum.
Saíram de uma gaveta igualzinha à que tem lá dentro o Júlio Isidro a exibir ripas de balsa e a montar modelos de aviões.
Que é feito?

24/11/2010

Grevista

O estatuto do grevista é um estatuto de subordinado, de dependente, que indica inferioridade.
Quem quer que se vista com tais vestes, reconhece essa inferioridade.
Quem quer que tenha funções subordinantes, desce do púlpito.
Vulgariza-se.

23/11/2010

Falta de

A maior parte da publicidade apela para tudo menos para a razão.
Não vale a pena determo-nos nisso.
O que é caso curioso é quando apela para a razão e o faz com um disparate de que qualquer criança se apercebe.
Como é o caso desta publicidade da Sony que descobriu que quando se fotografa nunca se apanha o universo completo mas não tirou daí as consequências dessa afirmação.
Às vezes, o disparate é intencional. Não creio que o seja neste caso. Presunção minha.


publicidade na Revista do Expresso de 20-11-2010
Desgraças no mar

20/11/2010

Pacifismo

Disse aqui há tempos que começaria a levar a sério uma certa tropa dita ambientalista no dia em que ela começasse a dizer que é preciso reduzir a população mundial.
Digo agora que começarei a levar a sério uma certa tropa dita pacifista no dia em que a ouvir dizer que é preciso exterminar a raça humana.

19/11/2010

Tradução instantânea

Estou aqui a ouvir Rasmussen e a intérprete de português cuja tradução soa em dois canais – SICN e TVI24.
Tenho a perfeita consciência da minha incapacidade para uma tal coisa.
Talvez por isso valorize mais quem o faz.
A intérprete tem sido irrepreensível, considerando a tarefa.
Lembrou-me a cimeira de 1996 da OSCE em Lisboa.
O intérprete que um canal de televisão lá colocou não fazia a menor ideia do que era tradução instantânea.
Depois de ter gaguejado, parado e quase chorado, disse algumas vezes “mas é impossível...”.
Foi substituído, ao fim de um dos mais longos períodos de bizarria televisiva, por alguém com a mesma desenvoltura da senhora de hoje.
A diferença entre os capazes e os incapazes é, afinal, fácil de traçar.

17/11/2010

Da bola (cont.)

Não estamos esquecidos das péssimas exibições da selecção nacional de futebol em tempos recentes.
Mas aqui vejo substanciada a minha opinião de que, nos últimos jogos oficiais, as equipas portuguesa e espanhola se equivaleram.
Portugal tem uma das melhores equipas de futebol de todo o mundo. Não é preciso o ranking da FIFA para sabermos isso.
Tal como no anúncio acho que do iogurte, faltou “um bocadinho assim” em algumas ocasiões, para trazermos a taça. Aos espanhóis não faltou nos dois últimos anos.

Hoje, porém, não faltou nada. Foi um olé a feijões.
As oportunidades nem sempre se repetem. Quando é a sério.

adenda da responsabilidade do jornal "Marca":
Da bola

Dos últimos jogos oficiais com a Espanha – 2004 e 2010 – ficou-me a ideia de que se o resultado fosse o inverso, ninguém ficaria escandalizado.
aqui o disse.
A ver vamos o que dá este amigável.
Do último (0-3 em Guimarães em 2003) não ficaram grandes recordações.
Nesse sim, o resultado espelhou bem o que se passou em campo.

16/11/2010

Teoria do campo onírico

E era neste comboio que eu dormia, no competente wagon-lit, algures na Linha de Sintra.



Talvez ainda venham a lume, a talhe de foice, as circunstâncias que aqui desembocaram.

15/11/2010

Futuro

Qual a altura da torre São Rafael (ou seria São Gabriel?) no Parque das Nações? – era a pergunta do concurso televisivo.
As respostas mais disparatadas foram 12 m e 1000 m.
Ambas foram dadas por professoras.
É este o futuro que se prepara para o país.


Correcção: calcular a altura de uma torre qualquer em 12 m não é um disparate. Só o é sabendo de que torre se trata. E saber de que torre se trata não é propriamente uma exigência para qualquer professor.
Já responder 1000 m é não ter a "noção das proporções", coisa que se requer em qualquer professor, de qualquer área.

14/11/2010

Da idade e das falhas de clarividência

Uma coisa que me assusta ou que me assustou e já não me assusta ou que me assusta cada vez menos é não ter a paciência, a concentração e a clarividência para, por exemplo, ao construir um algoritmo em que entra uma constante k (que é de cálculo simples), encontrar o seu valor pelo dito cálculo mas ir lá por iterações.
Uma espécie de bilhar à zona.

13/11/2010

Imagem do dia



E não. O carro não é meu.
E sim, foi a primeira vez que vi um carro novo com a matrícula errada na papelada.

12/11/2010

Câmbio

Quando ouço falar em propostas de regular câmbios entre diversas moedas – regular como, em favor de quem? – ocorre-me a velha história dos vizinhos em guerra que me foi contada lá na tenra idade em que era preciso perceber os paradoxos e testar a lógica:
Os carrapatenses estavam em guerra com os pulguícaros.
A moeda de Carrapatécia era o carrapato, claro. Enquanto a de Pulguícara era a pulga.
Abertas as hostilidades, o governo de Carrapatécia decidiu que a sua moeda, o carrapato, haveria de valer duas pulgas e não mais uma – que a paridade tinha sido frequente em tempo de paz.
Os pulguícaros, de imediato, retorquiram – a pulga passou a valer dois carrapatos.
Não tardou que os fronteiriços, arteiros no contrabando, iniciassem jornadas que tais:
Os de Carrapatécia muniam-se de mil carrapatos, que era muita massa, trocavam-nos na sua terra por duas mil pulgas e, cruzando a fronteira, aventuravam-se em país inimigo onde gastavam mil e quinhentas das duas mil pulgas e trocavam as restantes quinhentas por mil carrapatos.
Logo tornavam, a salto, ao país natal com os alforges cheios e o mesmo dinheiro com que tinham saído de casa. Tudo legal, excepto o contrabando e a violação da fronteira.
Os de Pulguícara haveriam de lhes ficar atrás?

11/11/2010

11 de Novembro



clicando, ouvirão a Madelon
imagem composta a partir de duas encontradas aqui e acolá