20/09/2011

Estancionamento



O ministro Miguel Relvas disse hoje (ouvir aos 48 segundos deste trecho, a seguir a uns berros parece que publicitários) que conhecia uma empresa municipal que se dedicava a gerir o estacionamento à superfície de uma dada zona e que tinha um passivo de 26 milhões de euros.
Se a empresa não gerisse o estacionamento à superfície, os contribuintes não pagariam de cada vez que estacionassem na concessão da dita e não pagariam nos impostos para pagar o estacionamento.
Este é o retrato do país de doidos em que nos convertemos.
Onde uns roubam, alguns contemporizam, uma grande remessa ocupa cargos de responsabilidade sem ter racionalidade para gerir um lugar de hortaliça e a esmagadora maioria começa finalmente a perceber que anda a ser roubada.
Mesmo que o roubo não passe de um prejuízo causado por mentes vazias. Que é o que se passa em grande parte dos casos.
Isto vai dar merda. Espressamente.
Natureza humana

Não sei como hei-de qualificar um tipo que estive a ouvir.
O tipo foi condenado à morte por homicídio, viu a pena comutada, ao que disse, por uma qualquer questão legal e está agora em liberdade. Que lhe permite aparecer num estúdio de televisão e dar opiniões.
Tudo isso são os dados.
O que é já do meu julgamento é a perplexidade com que o ouço dizer que, por não ter sido morto, pôde aproveitar a vida a ajudar outras pessoas e que pagou impostos no tempo que lhe deram.
Disse mais coisas. Do mesmo calibre, centrado no eu e nos satélites que o rodeiam.
Esqueceu-se, naturalmente, de falar nos impostos que a sua vítima não pôde pagar.
Não dá para rir, naturalmente.

19/09/2011

Direita alta

Eu, que não conheço Rui Carapuça, posso ainda assim afirmar que perturbei, involuntariamente, a rodagem do anúncio.
Mais, que me encontrava por mero acaso aqui nesta imagem fora de cena, ali pela direita alta a cavaquear com um velho e grande amigo, dono da vara e do sítio.


fotograma retirado deste documentário

16/09/2011

Surpresa

Talvez que, em termos formais, como diria um certo famoso arguido de águas de bacalhau, não se soubesse o que se passava na Madeira.
Em termos reais, só um cego d’alma não se aperceberia de que a bota não batia com a perdigota. O deve e o haver do livrinho.
Quando aqui me pronuncio absolutamente contra a regionalização é, entre outras coisas, por imaginar uma multiplicação destes cenários, bem patentes já, a outra escala, nos municípios e nas suas magníficas empresas municipais.

15/09/2011

Mini-stérios

Há muito referi aqui a questão dos ministérios e da sua estruturação.
Quando ouço quem quer que seja, falar em mandar pessoas em idade activa para a reforma, seja por extinção de postos de trabalho seja porque carga d’água fôr, sabendo que passamos assim a pagar um salário (reforma ou o que quer que lhe chamem e a quanto monte) a quem nada produz e poderia produzir, só me ocorre um adjectivo para o catalogar.
Não vale a pena repeti-lo.
No tempo dos índices

Ele ainda há coisas que me surpreendem.

14/09/2011

O cartão único do pobre

Um deputado da oposição, que não identifiquei, disse e bem que o actual governo vai no caminho de lançar um cartão único do pobre.
Esta discriminação dos pobres, que aliás é reconhecida pelo próprio governo, chamando-lhe discriminação positiva (nunca me conseguiram explicar em que é que o adjectivo modifica o caso) é um claro sintoma do que aqui já disse – há gestão, sim, mas falta política.
E eu até acho que o ministro das Finanças é um tipo capaz. A fazer contas. E com noção do que elas, as contas e as suas falhas, significam.
Só que isto vai para além das contas.
Há uns bons séculos, já havia o dízimo ou dízima. Ainda não dei por terem inventado mais justa forma de taxar o povo. Não tem que ser um 1 no numerador e um 10 no denominador. Mas igual em percentagem para todos. Não é preciso complicar mais do que isso.
E não envergonhar as pessoas.
Nem as roubar.

13/09/2011

Memória dos livros

Um destes dias, a caminho de Vila Nova de Milfontes, meti na mala o livro de Duchaussois que me recordava ter lido por lá no último ano de férias lá passadas de casa alugada, 1974.
Recordava-me particularmente do quarto onde o lia quase sempre à hora da sesta, antes de ir beber uma Canada Dry à esplanada.
Não fiquei lá nessa noite e descobri que a esplanada, a mítica esplanada da barbacã, é agora um parque de estacionamento!!!
O caso é que peguei no livro e reli-o longe de Vila Nova.
Fiquei confundido quando verifiquei que Duchaussois nunca passou por Alte nem por Torremolinos.
A memória pregou-me a partida. De facto, li a “Viagem...” nesse Agosto de 74. Não há disso a menor dúvida.
Não sei é quando li “Os filhos de Torremolinos”. Mas calculo que tenha sido nesse ano também.
Mais um para a lista dos livros que me faltam.


capas retiradas de livrarias online

12/09/2011

Clarabóia



Há uma pequena história de Nancy Kilpatrick a que foi dado, na tradução portuguesa, o título de “A Clarabóia”.
Não faço a menor ideia se este título foi escolhido antes ou depois de Saramago ter nomeado a sua obra póstuma, que hoje me foi dada a comprar por uma livraria que me manda cartas electrónicas. Se o escrevo, é porque notei demasiadas vezes que os títulos das suas obras encalham noutros.
Adiante.
O caso é que, desde o dia em que ouvi Pilar del Rio descrever os traços gerais do livro, ao que parece inacabado, que me ocorreu que poderia preencher a falha literária que aqui enunciei há quase três anos.
Será que corresponde a essa expectativa?
Será que existe já uma obra que trate do tema?

11/09/2011

10 anos atrás

Do dia de há dez anos atrás, guardo uma memória que é hoje contrariada pela corrente do rio – a de que o rácio entre os que diziam que era uma tragédia e um crime que merecia castigo exemplar e os que achavam que, sendo mau, era uma coisa que os americanos estavam mesmo a pedir, era mais ou menos de meio por meio.


Fotografia de James Nachtwey via CNN

09/09/2011

A bomba suja

Pertenço ao grupo dos que suspeitam que dentro do território dos Estados Unidos já está uma bomba suja à espera de ocasião para fazer grandes estragos, ainda que o seu efeito radioactivo vá afectar mais a psique do que os corpos.
As notícias que surgem agora, ainda que muito empoladas com o ar da efeméride, dão nota de que esse grupo compreende responsáveis norte-americanos.

“Recently, as a response to the threat of a dirty bomb, the NYPD updated their methods of detecting unusual levels of radiation by combining their radiation monitoring systems and GPS mapping. This allows officers to know whether or not certain signals are irregular or part of the normal city environment providing a more accurate defense against this type of threat.”


trecho de artigo da Reuters.

Entrementes, a Embaixada de Israel no Cairo...
Noções

Andando aqui a fazer um levantamento de avaliações de terrenos, dou-me conta da quantidade de terrenos ditos novos e usados, nos anúncios de duas imobiliárias.
Curiosamente, dos ditos novos, para os quais talvez a melhor designação fosse “a estrear”, nenhum parece ser em floresta virgem ou lugar equivalente.

08/09/2011

Razões

Não há nada melhor para um tipo se sentir racional do que este programa:
Ouvir com atenção os comentários e as análises à volta à Espanha em bicicleta de um qualquer comentador;
Ouvir com atenção as análises bolsistas e as razões apresentadas para a subida e descida de cotações de um qualquer analista financeiro;
Ouvir com atenção as impressões e indicações sobre um vinho de um qualquer especialista em comentários vínicos;
Ouvir com atenção as frases proferidas por um qualquer marqueteiro a propósito de qualquer produto publicitado.
Cumprida esta via sacra, sente-se o indígena mais iluminado. Ainda que relativamente e não absolutamente.
Ah, ouvir o ministro Relvas no fim (grande coincidência esta), a falar seja do que fôr, ajuda ainda mais.