14/07/2012

Circunstantes adivinhados



Dos circunstantes não nomeados no sonho destacava-se pela voz roufenha o que defendia que as mulheres que andassem para trás com saltos exageradamente altos e finos – propunha até uma fórmula para a esbelteza dos saltos – deveriam gritar como grita um carro velho em marcha atrás.

13/07/2012

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 15


Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

12/07/2012

Estado social

O epítome abissal do Estado Social é um paralítico a pedir a outro paralítico que lhe faça o jantar.

10/07/2012

Degraus

Faltam-me uns degraus para ascender à indiferença olímpica à estupidez, cuja não herdei de meu Pai.
Ele expressava, sem o dizer, que é desnecessário queixarmo-nos dos dados de um problema. Diria assim mesmo se o tivesse dito – desnecessário.
Ora eu não cheguei lá.
Coisa que me faz suficientemente estúpido para ver negada a ascensão a tal patamar.
Lamento-o (lamento esse que não é mais do que uma queixa para dentro), mas é assim.

A estupidez quando admitida em certos cargos pode ser desastrosa. É inutil aprofundar o tema.
A estupidez não é coisa que desapareça com o tempo numa cabeça. Fica para sempre. Não há saber que lugar não ocupe que possa abrir as paredes estreitas de uma mente.
A estupidez não é crime nem contravenção. Não é culpa nem responsabilidade do seu portador.
O uso da estupidez em certas funções é sempre culpa e responsabilidade de outrem.
Daquele que podendo ver, escolheu um cego.

Na maior parte das dificuldades impostas pelo trato do Estado ao cidadão está, no fim da linha, um bronco.
Um bronco que lá foi posto por outros broncos que o acharam notável e que foi tacitamente aceite por quem conseguiu ver a qualidade de bronco e se deixou estar.
É pois a cobardia dos capazes, a sua omissão, que permite a duplicação sucessiva de mal iluminados em cargos de responsabilidade.
Haverá alguns capazes que com isso lucram. O grosso da coluna perde.
É aquela minha velha história do Pinhal da Azambuja.

E depois há situações onde é muito improvável que alguém lucre alguma coisa.
Vejamos este caso:

Um indígena marca uma consulta no SNS pela internet.
A marcação pouco depois é rejeitada por e-mail.
O indígena escolhe outra data.
A marcação pouco depois é aceite por e-mail.
Subentende o indígena que, se por alguma razão, a consulta não fôr possível será avisado a seu tempo por e-mail ou SMS, dado que o seu número de telefone lhe foi solicitado aquando do registo.
Decorridos quinze dias sem novas do SNS, mete-se o indígena ao caminho para chegar com certa antecipação ao local de atendimento, cujo lhe é estranho há tempo suficiente para se poder dizer desconhecido.
É o indígena atendido por prestimosa e simpática funcionária a qual o informa, não sem um certo pesar na expressão, que a sua consulta não terá lugar.
Diz a senhora que as marcações pela internet têm erros destes. Marcam consultas que não há.
E diz ainda que o indígena houvera de ter sido informado pelo telefone, caso o número respectivo estivesse atribuído, coisa que não está.
Não atalha o indígena contra a senhora dizendo que o número está no registo e que o e-mail também.
Mas diz-lhe do que sucedera quando obteve, por mudança de residência, o cartão de cidadão, não o de Isabelino, que jamais seria chamado ao caso, mas o dele próprio. Que lhe haviam dito que todos os registos que sobre ele constassem no âmbito civil, fiscal e hospitalar seriam de uma penada actualizados, sem que ele mexesse uma palha do chapéu.
A senhora, ainda pesarosa, terá dito pois. E marca-lhe ali mesmo, de papel passado, uma consulta para um dia destes.
O indígena chega a casa e reclama. Manda a reclamação por e-mail. Vem rejeitada.
Escolhe um outro endereço do SNS e reenvia. Vem rejeitada.
Escolhe um terceiro. Vem rejeitada.
O indígena escreve um post e publica-o ainda antes de obter uma satisfação. Está pelos cabelos. Que já não tem.
A reclamação afinal foi aceite. Quer o indígena dizer que não veio rejeitada.

09/07/2012

Ciclismo e cultura

Uma das coisas que me convida a assistir às transmissões de ciclismo é com toda a certeza a qualidade dos comentários.
Depois de David Duffield, com a excepção fugaz de Francisco Figueiredo, só se apanham coleccionadores de anedotas. Ontem, face à imagem de um dinossauro numa rotunda de uma terra no Jura, um comentador na RTP afirnou que o dinossauro estava ali porque naquela terra do Jura tinham sido recentemente descobertas coisas do... Jurássico.
É este o nível (mais elevado) da coisa. Abaixo, muito abaixo de dinossauro é a regra.
A inexistência nas redacções de gente que proíba o pessoal de falar do que não sabe é mais do que notória. Depois há a questão de eles, os comentadores, não saberem que não sabem, que é coisa transversal nos dias que correm.
Ouvem-se coisas dignas do melhor Monty Python. Não creio que haja campo do espectáculo em que os comentadores sejam eles próprios um espectáculo como o ciclismo. Mas um triste espectáculo.

Já há uns anos que o meu hábito de comprar o Expresso, velho de trinta e um anos, somado aos oito em que o lia sem o comprar, me vai criando alguma erisipela.
O jornal, como aqui já referi, é hoje feito para graus de inteligência e de saber muito inferiores aos que alvejava de início. Massificou-se.
Na edição da semana passada, a pérola abaixo. Não me venham dizer que é gralha ou que é uma poética evolução semântica. É que disto e pior do que isto se encontra por lá sem dificuldade.


clicar para ampliar

07/07/2012

Estudos

Na sequência do que aqui escrevi, a propósito de outro assunto, sobre os cursos superiores de terceira, quarta e quinta categorias, tanto eu como o meu velho J.d’ concordámos que, pelo respeito que temos pelas nossas próprias e subidas pessoas, jamais enviaríamos um currículo de cadeiras feitas e de responsabilidades abraçadas com a finalidade de obter um diploma para aí de calceteiro marítimo. Para aí.
Com isto, desamasso o pedido de deferimento que não fiz a sua excelência.

06/07/2012

03/07/2012

Notícias

Calculo que se ensine na escola de jornalismo que o tom e o teor duma peça para rádio ou televisão devem adaptar-se ao presumido número de vezes que a mesma vai ser exibida.
Quem está em piloto automático a ouvir uma estação de rádio ou de televisão de notícias, ouve de acordo com um período de retorno proporcional ao sumo noticioso do dia, a mesma peça.
Se ela contiver, como é hábito mais ou menos recente, uma intentada dose de piada, de ironia ou de qualquer outro ingrediente que talhe a maionese, cedo se torna insuportável em dia sem novidades.
Uma coisa mais à faca, despida de adjectivos e de comparações desnecessárias, acaba por ser tolerável aí mais umas ene vezes.
Um destes dias ouvi, não sei por quê, uma porrada de vezes a notícia de que as Spice Girls iam voltar a actuar. Metia dois gritinhos emitidos naquela frequência feminina que um velho amigo associava invariavelmente a fêmea estúpida.

02/07/2012

Das apostas

Perdi mais uma.
O curioso desta última aposta é que o quadro tinha esta combinação perfeita:
1 selecção foi escolhida pelos três apostadores – a alemã.
3 selecções foram escolhidas por um par diferente de apostadores – a holandesa (A e B), a francesa (A e C) e a espanhola (B e C).
3 selecções foram escolhidas apenas por um apostador – a portuguesa, a italiana e a russa.
O vencedor do jantar já perfaz com este campeonato quatro vitórias consecutivas. Bate mesmo a Espanha.

01/07/2012

O melhor seleccionador do Mundo


imagem daqui

Sim. Ainda me lembro de ver jogar este senhor.
O vulcão voltou

Quase um ano depois de um pico de actividade vulcânica em El Hierro, as profundezas parecem querer reafirmar a ameaça.
Gráfico descritivo da frequência e magnitude dos sismos registados em El Hierro no último ano, de acordo com o IGN de Espanha:


(clicar para ampliar)

27/06/2012

Imagem do dia


trecho do mapa de Tomás Lopez de Vargas Machuca (post 1784) depositado na BN sob a cota C.A. 14 R.

Eles que se deixem de tretas e marquem a fronteira à volta de Olivença tal como está consagrada no artº CV do Tratado de Viena de 1815.

26/06/2012

Razão

O que me faz temer pela razão não é mais do que isto:
Deparar com uma folha de excel onde, sujeito a um algoritmo rudimentar, aparece um número de telefone com chamada tentada que é dado como desconhecido.
Ao olhar para o número, vejo.
Vejo que é o meu próprio número.
Está na altura de deixar de ser ainda mais autobiográfico.