21/07/2012

O controle emocional dos fogos

Passo sempre ao lado dos comentários dos jornalistas e das suas apreciações.
Nos directos ou nos gravados atento ao que diz o povo. E o povo, mais desconto menos desconto, mais interesse menos interesse, lá vai desenhando por palavras o que sucede, o que sucedeu.
Nestas coisas do fogo, esclarecida que está por mim a ausência de um comando conhecedor e capaz na maior parte das circunstâncias em que o fogo excede a dezena de hectares, começo a suspeitar que há, na utilização de aeronaves, um comando e controle demasiado emocional a pôr e a dispôr.
E a suspeita resume-se a isto:
Havendo sete ou oito frentes a que acudir, não se trata de uma de cada vez até a extinguir.
Vai-se rodando entre elas, de forma a calar os insatisfeitos, e fazendo um arremedo de combate ao fogo que será naturalmente pouco mais do que ineficaz, a partir do momento em que se retorna a uma frente num ponto em que ela está com a mesma força que tinha quando da passagem anterior.
Não posso afirmar que assim é. Mas lá que parece, parece.
Um euro e seiscentos e dezoito cêntimos



É este o preço médio da gasolina segundo a RTP.
Não há mesmo nas redacções quem reveja e impeça estas grossas asneiradas, próprias de uma primeira classe mal tirada.

20/07/2012

Do 1 ao 563

Não parece mas são 566 livros*. Custou (recuperar o extraviado e comprar o que faltava) mas foi.
Mais uma nota para os tipos que sabem exactamente quantos parafusos tem a torre Eiffel.



com a devida vénia aos autores das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.

* falta na composição o 200 da Vampiro que também se inclui nas contas.

19/07/2012

E contudo ela move-se

Faz um ano que se iniciou a crise sísmica em El Hierro.
Pode ver-se aqui, atendendo aos últimos dois anos aproximadamente, a diferença entre a frequência de sismos no ano que decorreu e no ano anterior e ainda o acumulado da energia libertada nos mesmos intervalos, segundo os dados do IGN de Espanha.


Não sabem o que dizem

Há um aviso nas televisões que passa há anos e que fala de um fogo em Beja em 26 Julho de 2004, no qual arderam uma remessa de hectares e que o culpado disso tudo foi um cigarro. A incúria.
Ora em 26 de Julho de 2004 e dias seguintes arderam de facto uma remessa de hectares. Eu próprio fui testemunha de uma das noites longas de inferno.
O fogo não foi em Beja nem esteve lá perto. Qualquer um que conheça Beja e arredores sabe que mesmo em tempo de restolho e pasto seco é muito pouco provável que um fogo atinja grandes dimensões nas cercanias da cidade. A razão é simples – não há combustível.
Foi lá para a extrema do distrito e a maior parte da área ardida pertencia ao distrito de Faro (ver figura), como há uns tempos se passou a designar o Algarve.
Se o culpado foi a incúria ou não, nunca se saberá. Mas o que corria na época é que tinha sido intencional e bem intencional o seu começo. Se é que a palavra intenção faz algum sentido, significa alguma coisa.
Depois de alastrar, pode sempre dizer-se que houve incúria.
Estes exemplos de tiros ao lado, de erros grosseiros em campanhas de prevenção são péssimos.
Dão de facto uma imagem de incúria ou de inépcia mental que não nos sossega nada.

O Algarve está outra vez debaixo de fogo.
Depois de 2004, chegámos a ter um ministro da Administração Interna que se gabou às câmaras de televisão de ter percebido que as aeronaves de combate ao fogo tinham uma eficácia directamente proporcional à sua capacidade de armazenamento e inversamente proporcional ao tempo de reabastecimento (retorno ao local em condições de combate).
Continuamos com gente da mesma bitola.
Veremos se desta vez será pior.


imagem in
DIRECÇÃO GERAL DOS RECURSOS FLORESTAIS
D S D F - Divisão de Defesa da Floresta contra Incêndios
Relatório provisório Incêndios Florestais – 2004
(01 Janeiro a 01 Agosto)
03 Agosto 2004
p. 8


TUDO ISTO ESTÁ ERRADO - VER AQUI

18/07/2012

O cordel

O meu velho J.d’ sentou-se e disse:
Não sei como é que ela não lhe disse já que cada vez que sentisse um puxão no casaco deveria ficar calado ou mudar de assunto. Há muita gente que faz isso.
(Quem diz um puxão no casaco diz um puxão num cordelinho atado a um passador do cinto – contrariei eu cá para comigo.)
Isto evitaria deslizes nos momentos em que a senhora está presente e atenta.

15/07/2012

O livro de autógrafos



Decidir qual é o ponto em que se pode recuperar para a nossa auto-estima o livro de autógrafos das meninas dos anos 60, carece de uma ponderação.
É o ponto de inflexão de uma função que representa o somatório da consagração da importância absoluta dos signatários na nossa vida em função do tempo de que ainda dispomos para a honrar.
Fazê-lo antes desse momento pode implicar o rasgar de páginas e acarreta, em contrapartida as inevitáveis ausências dos que nos puseram de pé.
Os abaixo assinados que fazem a prova de uma vida estão alinhados do lado da consequência e do nosso mérito (se se acredita que tal coisa existe) enquanto aqueles que nos ensinaram a andar são coproprietários do livro ou se vêem nele representados. Contaditório e confuso, claro está. Um rasgo de desculpa pelas assinaturas em falta.
Ando a pensar no assunto.
Talvez com folhas como aquelas que os carteiros trazem para se assinarem os registos. Com o nome do requerido em tipo Aparajita tamanho 10 e a inevitável cruz, digo alfa a lápis – assine aqui.

14/07/2012

Circunstantes adivinhados



Dos circunstantes não nomeados no sonho destacava-se pela voz roufenha o que defendia que as mulheres que andassem para trás com saltos exageradamente altos e finos – propunha até uma fórmula para a esbelteza dos saltos – deveriam gritar como grita um carro velho em marcha atrás.

13/07/2012

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 15


Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

12/07/2012

Estado social

O epítome abissal do Estado Social é um paralítico a pedir a outro paralítico que lhe faça o jantar.

10/07/2012

Degraus

Faltam-me uns degraus para ascender à indiferença olímpica à estupidez, cuja não herdei de meu Pai.
Ele expressava, sem o dizer, que é desnecessário queixarmo-nos dos dados de um problema. Diria assim mesmo se o tivesse dito – desnecessário.
Ora eu não cheguei lá.
Coisa que me faz suficientemente estúpido para ver negada a ascensão a tal patamar.
Lamento-o (lamento esse que não é mais do que uma queixa para dentro), mas é assim.

A estupidez quando admitida em certos cargos pode ser desastrosa. É inutil aprofundar o tema.
A estupidez não é coisa que desapareça com o tempo numa cabeça. Fica para sempre. Não há saber que lugar não ocupe que possa abrir as paredes estreitas de uma mente.
A estupidez não é crime nem contravenção. Não é culpa nem responsabilidade do seu portador.
O uso da estupidez em certas funções é sempre culpa e responsabilidade de outrem.
Daquele que podendo ver, escolheu um cego.

Na maior parte das dificuldades impostas pelo trato do Estado ao cidadão está, no fim da linha, um bronco.
Um bronco que lá foi posto por outros broncos que o acharam notável e que foi tacitamente aceite por quem conseguiu ver a qualidade de bronco e se deixou estar.
É pois a cobardia dos capazes, a sua omissão, que permite a duplicação sucessiva de mal iluminados em cargos de responsabilidade.
Haverá alguns capazes que com isso lucram. O grosso da coluna perde.
É aquela minha velha história do Pinhal da Azambuja.

E depois há situações onde é muito improvável que alguém lucre alguma coisa.
Vejamos este caso:

Um indígena marca uma consulta no SNS pela internet.
A marcação pouco depois é rejeitada por e-mail.
O indígena escolhe outra data.
A marcação pouco depois é aceite por e-mail.
Subentende o indígena que, se por alguma razão, a consulta não fôr possível será avisado a seu tempo por e-mail ou SMS, dado que o seu número de telefone lhe foi solicitado aquando do registo.
Decorridos quinze dias sem novas do SNS, mete-se o indígena ao caminho para chegar com certa antecipação ao local de atendimento, cujo lhe é estranho há tempo suficiente para se poder dizer desconhecido.
É o indígena atendido por prestimosa e simpática funcionária a qual o informa, não sem um certo pesar na expressão, que a sua consulta não terá lugar.
Diz a senhora que as marcações pela internet têm erros destes. Marcam consultas que não há.
E diz ainda que o indígena houvera de ter sido informado pelo telefone, caso o número respectivo estivesse atribuído, coisa que não está.
Não atalha o indígena contra a senhora dizendo que o número está no registo e que o e-mail também.
Mas diz-lhe do que sucedera quando obteve, por mudança de residência, o cartão de cidadão, não o de Isabelino, que jamais seria chamado ao caso, mas o dele próprio. Que lhe haviam dito que todos os registos que sobre ele constassem no âmbito civil, fiscal e hospitalar seriam de uma penada actualizados, sem que ele mexesse uma palha do chapéu.
A senhora, ainda pesarosa, terá dito pois. E marca-lhe ali mesmo, de papel passado, uma consulta para um dia destes.
O indígena chega a casa e reclama. Manda a reclamação por e-mail. Vem rejeitada.
Escolhe um outro endereço do SNS e reenvia. Vem rejeitada.
Escolhe um terceiro. Vem rejeitada.
O indígena escreve um post e publica-o ainda antes de obter uma satisfação. Está pelos cabelos. Que já não tem.
A reclamação afinal foi aceite. Quer o indígena dizer que não veio rejeitada.

09/07/2012

Ciclismo e cultura

Uma das coisas que me convida a assistir às transmissões de ciclismo é com toda a certeza a qualidade dos comentários.
Depois de David Duffield, com a excepção fugaz de Francisco Figueiredo, só se apanham coleccionadores de anedotas. Ontem, face à imagem de um dinossauro numa rotunda de uma terra no Jura, um comentador na RTP afirnou que o dinossauro estava ali porque naquela terra do Jura tinham sido recentemente descobertas coisas do... Jurássico.
É este o nível (mais elevado) da coisa. Abaixo, muito abaixo de dinossauro é a regra.
A inexistência nas redacções de gente que proíba o pessoal de falar do que não sabe é mais do que notória. Depois há a questão de eles, os comentadores, não saberem que não sabem, que é coisa transversal nos dias que correm.
Ouvem-se coisas dignas do melhor Monty Python. Não creio que haja campo do espectáculo em que os comentadores sejam eles próprios um espectáculo como o ciclismo. Mas um triste espectáculo.

Já há uns anos que o meu hábito de comprar o Expresso, velho de trinta e um anos, somado aos oito em que o lia sem o comprar, me vai criando alguma erisipela.
O jornal, como aqui já referi, é hoje feito para graus de inteligência e de saber muito inferiores aos que alvejava de início. Massificou-se.
Na edição da semana passada, a pérola abaixo. Não me venham dizer que é gralha ou que é uma poética evolução semântica. É que disto e pior do que isto se encontra por lá sem dificuldade.


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07/07/2012

Estudos

Na sequência do que aqui escrevi, a propósito de outro assunto, sobre os cursos superiores de terceira, quarta e quinta categorias, tanto eu como o meu velho J.d’ concordámos que, pelo respeito que temos pelas nossas próprias e subidas pessoas, jamais enviaríamos um currículo de cadeiras feitas e de responsabilidades abraçadas com a finalidade de obter um diploma para aí de calceteiro marítimo. Para aí.
Com isto, desamasso o pedido de deferimento que não fiz a sua excelência.

06/07/2012