Sintomas
Com um avanço de uma cabeça em relação a mim, a senhora assenhoreou-se da montra da farmácia.
Não chovia nem pingava mas a senhora usava a sombrinha (chapéus de chuva de mulheres são sempre sombrinhas) com eficácia. Escondia de mim o placard das farmácias de serviço.
Quando me resolvi a pedir que me deixasse também ver o placard, revelou o seu rosto cheio de interrogações, por detrás da calote azulada.
No fundo, o que ela queria era que o placard lhe dissesse onde ficavam as farmácias cuja morada estava bem explícita. Talvez ficasse mais meia hora à espera que o placard lhe ensinasse o caminho. Ou que eu...
Precisa decerto da medicação. Para amanhã. Disse-me que queria saber onde ficavam as que estão de serviço amanhã.
17/11/2012
16/11/2012
15/11/2012
14/11/2012
Oficial
Julgo estar em condições de ver reconhecida a minha vasta experiência em ascensores e transladores. Em sonhos.
Em sonhos, especializei-me em quase todos os tipos de ascensores e transladores existentes e em muitos dos tipos que ainda não existem.
Recordo-me até de ter pronunciado, perante vasto auditório, uma concisa apreciação das diversas formas de conceber os nós de ligação entre trajectos verticais e horizontais nos casos das máquinas mistas que tanto elevam e descem como deslocam à esquerda e à direita. Quase sempre em modelos de edifícios monumentais saídos dos primórdios da Escola de Chicago e aparentados com o megatério de Filipe Lobo.
Toda essa experiência, todo esse conhecimento são mais do que suficientes para que me reconheçam a categoria profissional de oficial de 3ª classe de concepção e operação de ascensores e transladores.
A talhe de faca, sempre digo que pois à minha frente no talho estava um homem que não queria um bife. Nem um antibife, feito de antiprotões e positrões.
O que ele queria e bem o explicou era que o magarefe lhe descrevesse o bife que estaria dois palmos à direita da ponta direita da peça talhada. De quem vê do lado de cá do balcão, explicou bem.
Para meu espanto, o magarefe descreveu com grande detalhe o bife que haveria de ter sido cortado da peça de vaca que ali faltava.
O homem, depois de empreender a meia-volta, passou por mim com um de ar contentamento pós-prandial patente no ricto.
Julgo estar em condições de ver reconhecida a minha vasta experiência em ascensores e transladores. Em sonhos.
Em sonhos, especializei-me em quase todos os tipos de ascensores e transladores existentes e em muitos dos tipos que ainda não existem.
Recordo-me até de ter pronunciado, perante vasto auditório, uma concisa apreciação das diversas formas de conceber os nós de ligação entre trajectos verticais e horizontais nos casos das máquinas mistas que tanto elevam e descem como deslocam à esquerda e à direita. Quase sempre em modelos de edifícios monumentais saídos dos primórdios da Escola de Chicago e aparentados com o megatério de Filipe Lobo.
Toda essa experiência, todo esse conhecimento são mais do que suficientes para que me reconheçam a categoria profissional de oficial de 3ª classe de concepção e operação de ascensores e transladores.
A talhe de faca, sempre digo que pois à minha frente no talho estava um homem que não queria um bife. Nem um antibife, feito de antiprotões e positrões.
O que ele queria e bem o explicou era que o magarefe lhe descrevesse o bife que estaria dois palmos à direita da ponta direita da peça talhada. De quem vê do lado de cá do balcão, explicou bem.
Para meu espanto, o magarefe descreveu com grande detalhe o bife que haveria de ter sido cortado da peça de vaca que ali faltava.
O homem, depois de empreender a meia-volta, passou por mim com um de ar contentamento pós-prandial patente no ricto.
13/11/2012
12/11/2012
As assim não tão grandes questões universais
A propósito da correria do dia, à qual é dificílimo escapar e que provoca a tradicional erisipela, interroga-se o indígena que não conhece a língua alemã muito menos as particularidades dos seus nomes – por que raio a maior parte das vezes me soa Mér-que-le?
Mas isto tem algum interesse?
A propósito da correria do dia, à qual é dificílimo escapar e que provoca a tradicional erisipela, interroga-se o indígena que não conhece a língua alemã muito menos as particularidades dos seus nomes – por que raio a maior parte das vezes me soa Mér-que-le?
Mas isto tem algum interesse?
11/11/2012
10/11/2012
09/11/2012
Exmº Senhor
José António de Azevedo Pereira:
Talvez um destes dias desça ao nível da comunicação que me enviou e lhe responda, linha a linha.
Serei portanto sucinto.
Calculo que o senhor não tenha grande responsabilidade na escolha do caminho que nos trouxe ao abismo. É um funcionário.
Porém, um pouco mais de pudor seria bom quando se dirige aos que contribuem, a incentivá-los, segundo o senhor diz.
Não recebo incentivos de ninguém. Muito menos de quem, na qualidade de funcionário, representa um Estado desgovernado e sem princípios.
José António de Azevedo Pereira:
Talvez um destes dias desça ao nível da comunicação que me enviou e lhe responda, linha a linha.
Serei portanto sucinto.
Calculo que o senhor não tenha grande responsabilidade na escolha do caminho que nos trouxe ao abismo. É um funcionário.
Porém, um pouco mais de pudor seria bom quando se dirige aos que contribuem, a incentivá-los, segundo o senhor diz.
Não recebo incentivos de ninguém. Muito menos de quem, na qualidade de funcionário, representa um Estado desgovernado e sem princípios.
08/11/2012
07/11/2012
Resultados
1 – O rústico receio do desconhecido que evitou que ganhasse 20% de juros no overnight permanece. Decerto impossibilitará apostas futuras em que o caso se afigure dinheiro em caixa.
2 – O erro gralhento, de desatenção, escreveu 268 em vez de 272 nos votos que atribuía a Obama e escreveu 90 em vez de 86 nos votos a decidir. Os estados a azul no mapa totalizavam 272 votos, a mancha estava certa, a legenda não.
3 – Falhar os resultados em dois estados quando não se palpita sobre nove não é grande espingarda.
Sucede que dos nove sobre os quais não palpitei apenas dois constavam das variadas listas que consultei sobre swing states.
E, palpitando sobre onze dos que surgiram nessas listas, falhei os tais dois.
1 – O rústico receio do desconhecido que evitou que ganhasse 20% de juros no overnight permanece. Decerto impossibilitará apostas futuras em que o caso se afigure dinheiro em caixa.
2 – O erro gralhento, de desatenção, escreveu 268 em vez de 272 nos votos que atribuía a Obama e escreveu 90 em vez de 86 nos votos a decidir. Os estados a azul no mapa totalizavam 272 votos, a mancha estava certa, a legenda não.
3 – Falhar os resultados em dois estados quando não se palpita sobre nove não é grande espingarda.
Sucede que dos nove sobre os quais não palpitei apenas dois constavam das variadas listas que consultei sobre swing states.
E, palpitando sobre onze dos que surgiram nessas listas, falhei os tais dois.
06/11/2012
Favas contáveis II
A minha aposta tem, para lá da fé, uma base pseudo-verificável. A qual é esta distribuição de mandatos no colégio eleitoral.
Nos casos em que o vencedor não leva todos os votos (Maine e Nebraska), assumi a totalidade dos grandes eleitores de acordo com o vencedor, por simplificação.
A minha aposta tem, para lá da fé, uma base pseudo-verificável. A qual é esta distribuição de mandatos no colégio eleitoral.
Nos casos em que o vencedor não leva todos os votos (Maine e Nebraska), assumi a totalidade dos grandes eleitores de acordo com o vencedor, por simplificação.
Favas contáveis
A Paddy Power aceitava parece que ainda hoje apostas de 1/4 em Obama.
O estado actual é, porém, outro – 1/6 alinhado com muitas outras.
Nesta altura, as coisas estão, segundo o Oddschecker neste pé. O melhor que se consegue é 1/5. Estou quase capaz de apostar dinheiro no homem. O quase que falta é superar aquele rústico receio do desconhecido. Não a fé no resultado.

quadro da Oddschecker cerca das 14:30
A Paddy Power aceitava parece que ainda hoje apostas de 1/4 em Obama.
O estado actual é, porém, outro – 1/6 alinhado com muitas outras.
Nesta altura, as coisas estão, segundo o Oddschecker neste pé. O melhor que se consegue é 1/5. Estou quase capaz de apostar dinheiro no homem. O quase que falta é superar aquele rústico receio do desconhecido. Não a fé no resultado.
quadro da Oddschecker cerca das 14:30
05/11/2012
Demagogia demográfica
Que o mundo não pode manter por muito mais tempo taxas de crescimento populacional da ordem das que actualmente tem, sem que ocorra uma catástrofe que faça cair a população num intervalo mais ou menos curto parece coisa pacífica.
Significa isto que para evitar a catástrofe é preciso reduzir essas taxas. Talvez até para números negativos.
Em Portugal, os censos dizem que há uma estabilização da população à volta dos 10,5 milhões nos últimos dez anos.
Estamos portanto a fazer um trabalho meritório para impedir a sobrepopulação.
Ouvir gente a apelar ao aumento da taxa de natalidade é para mim um absurdo.
Apelam a tal em nome da subsistência do sistema de pensões e do combate ao envelhecimento da população.
Tomam a árvore e esquecem a floresta.
Esquecem que a população envelhecida é apenas um episódio na vida do país. Passará com o tempo.
Que o mundo não pode manter por muito mais tempo taxas de crescimento populacional da ordem das que actualmente tem, sem que ocorra uma catástrofe que faça cair a população num intervalo mais ou menos curto parece coisa pacífica.
Significa isto que para evitar a catástrofe é preciso reduzir essas taxas. Talvez até para números negativos.
Em Portugal, os censos dizem que há uma estabilização da população à volta dos 10,5 milhões nos últimos dez anos.
Estamos portanto a fazer um trabalho meritório para impedir a sobrepopulação.
Ouvir gente a apelar ao aumento da taxa de natalidade é para mim um absurdo.
Apelam a tal em nome da subsistência do sistema de pensões e do combate ao envelhecimento da população.
Tomam a árvore e esquecem a floresta.
Esquecem que a população envelhecida é apenas um episódio na vida do país. Passará com o tempo.
02/11/2012
Um rato
Não merece ser nomeado porque é um rato. Apenas isso.
Um rato que certa vez sacou deste blogue uma fotografia, numa fase em que ainda não tinha insistido na marca d’água e a publicou sem mais. Não dizia que era dele mas também não dizia de onde a tinha tirado.
O pior não foi isso. Foi a falta de vergonha que teve quando em resposta ao meu protesto foi a correr escrever um “foto d’aqui” e me enviou uma mensagem dizendo que não percebia o meu protesto porque a foto estava identificada. Um réptil, já não um rato.
Li hoje na galhofa um artigo do bicho escrito há dias e a perorar contra quem se apropria de conteúdos na net.
É preciso reptar bem e depressa.
Não merece ser nomeado porque é um rato. Apenas isso.
Um rato que certa vez sacou deste blogue uma fotografia, numa fase em que ainda não tinha insistido na marca d’água e a publicou sem mais. Não dizia que era dele mas também não dizia de onde a tinha tirado.
O pior não foi isso. Foi a falta de vergonha que teve quando em resposta ao meu protesto foi a correr escrever um “foto d’aqui” e me enviou uma mensagem dizendo que não percebia o meu protesto porque a foto estava identificada. Um réptil, já não um rato.
Li hoje na galhofa um artigo do bicho escrito há dias e a perorar contra quem se apropria de conteúdos na net.
É preciso reptar bem e depressa.
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