10/01/2013
86 anos
A crer no que aparece escrito, a primeira exibição de Metropolis foi há exactos 86 anos.
Não estamos hoje em tempo de visões deste tipo.

imagem recolhida aqui
A crer no que aparece escrito, a primeira exibição de Metropolis foi há exactos 86 anos.
Não estamos hoje em tempo de visões deste tipo.
imagem recolhida aqui
09/01/2013
08/01/2013
A vulgarização do conhecimento
O conhecimento vulgarizou-se muito.
Melhor dizendo, o que se vulgarizou muito foi o acesso ao conhecimento.
A parte crítica, a percepção do que é e do que não é possível a cada momento, a capacidade de abstracção, a compreensão enfim, não está ao alcance de qualquer um. É que essa não se vende, não se empresta, não se dá. Não se aprende.
Ouvir, como ouvi hoje, da boca de um dito reputado astrofísico que a descoberta de novos planetas tem como objectivo, entre outros, a averiguação da vida por aí espalhada, não me surpreende. Entristece-me. Entristece-me que as pessoas que conseguem formações em campos complexos do conhecimento tenham as vistas tão curtas que achem que a vida só pode existir nos exactos moldes em que a conhecemos. A designação vida é o menos, aqui.
O mais é esta lacuna filosofal tremenda.
O conhecimento vulgarizou-se muito.
Melhor dizendo, o que se vulgarizou muito foi o acesso ao conhecimento.
A parte crítica, a percepção do que é e do que não é possível a cada momento, a capacidade de abstracção, a compreensão enfim, não está ao alcance de qualquer um. É que essa não se vende, não se empresta, não se dá. Não se aprende.
Ouvir, como ouvi hoje, da boca de um dito reputado astrofísico que a descoberta de novos planetas tem como objectivo, entre outros, a averiguação da vida por aí espalhada, não me surpreende. Entristece-me. Entristece-me que as pessoas que conseguem formações em campos complexos do conhecimento tenham as vistas tão curtas que achem que a vida só pode existir nos exactos moldes em que a conhecemos. A designação vida é o menos, aqui.
O mais é esta lacuna filosofal tremenda.
05/01/2013
O jogo
Posso situar a cena no tempo – foi em final de Agosto de 1991 ou de 1992. Posso situá-la no espaço – eu estava de costas para o fantasma da gloriosa oliveira milenar que tanta sombra me deu em miúdo e apontava os olhos à porta de peões da garagem, onde não se divisava a porta traseira esquerda de carro algum, enquandrando a senhora na parede do poço.
O trauma, que provavelmente me fez guardar esta recordação tão vividamente, esteve no facto de pela primeira vez estarmos dessintonizados numa conversa.
Se eu fizer um esforço de memória sou levado a constatar uma de duas coisas: os meus esforços de memória são em vão; as pessoas com quem hoje falo estão muitas vezes mais propensas ao alheamento numa conversa que elas próprias iniciaram do que estavam há vinte ou mais anos, ponhamos o traço por alturas deste episódio.
E com isto quero reforçar a ideia de que a nossa sintonia era boa não a atribuindo a uma alheada concordância da parte dela, coisa que seria de resto facilmente detectável.
Quando falávamos de alcagoitas não falávamos de bolas-de-berlim e quer estívessemos nos pontos mais opostos de uma discussão quer em posições coincidentes, mantínhamos essa organização mental que nos é (era) natural. Em suma, nunca argamassávamos argumentos.
Ora o que nos tinha trazido para a sombra já só existente na memória, muitas camadas de cal abaixo da superfície da parede, da gloriosa oliveira milenar tinha sido o facto de ser mais fácil entabular uma conversa na rua (ainda que murada do quintal) do que dentro de casa onde trepidavam, encostados às duas esquinas do largo, dois altifalantes que iam debitando o melhor da música de feira daquele início dos anos 90. Dentro de casa não se aguentava o som.
Estávamos a planear uma fuga quando a conversa aconteceu, vinda sabe-se lá de onde, talvez de ela ter o livro em seu poder e estar a lê-lo por aqueles dias.
O certo é que passada a primeira volta de argumentos, ela me disse que não tinha achado boa a minha descrição do livro e que o livro era bastante mais interessante do que eu lhe tinha dado a supôr, quando lho quis emprestar.
A partir daí entrámos em dessintonia, eu a falar-lhe de um livro, ela de outro. No fim, achámos curioso que tivéssemos ideias tão diferentes sobre um objecto e fugimos dali até à hora em que a música também ela mudava de sítio.
Andei à procura dele nas estantes e nada. Acho que ela não se lembrará de tal discussão.
Como é que aquelas duas pessoas existentes em 1991 ou 1992 puderam ler um livro em que os jogos de Conway eram o prato forte e divergir?
Posso situar a cena no tempo – foi em final de Agosto de 1991 ou de 1992. Posso situá-la no espaço – eu estava de costas para o fantasma da gloriosa oliveira milenar que tanta sombra me deu em miúdo e apontava os olhos à porta de peões da garagem, onde não se divisava a porta traseira esquerda de carro algum, enquandrando a senhora na parede do poço.
O trauma, que provavelmente me fez guardar esta recordação tão vividamente, esteve no facto de pela primeira vez estarmos dessintonizados numa conversa.
Se eu fizer um esforço de memória sou levado a constatar uma de duas coisas: os meus esforços de memória são em vão; as pessoas com quem hoje falo estão muitas vezes mais propensas ao alheamento numa conversa que elas próprias iniciaram do que estavam há vinte ou mais anos, ponhamos o traço por alturas deste episódio.
E com isto quero reforçar a ideia de que a nossa sintonia era boa não a atribuindo a uma alheada concordância da parte dela, coisa que seria de resto facilmente detectável.
Quando falávamos de alcagoitas não falávamos de bolas-de-berlim e quer estívessemos nos pontos mais opostos de uma discussão quer em posições coincidentes, mantínhamos essa organização mental que nos é (era) natural. Em suma, nunca argamassávamos argumentos.
Ora o que nos tinha trazido para a sombra já só existente na memória, muitas camadas de cal abaixo da superfície da parede, da gloriosa oliveira milenar tinha sido o facto de ser mais fácil entabular uma conversa na rua (ainda que murada do quintal) do que dentro de casa onde trepidavam, encostados às duas esquinas do largo, dois altifalantes que iam debitando o melhor da música de feira daquele início dos anos 90. Dentro de casa não se aguentava o som.
Estávamos a planear uma fuga quando a conversa aconteceu, vinda sabe-se lá de onde, talvez de ela ter o livro em seu poder e estar a lê-lo por aqueles dias.
O certo é que passada a primeira volta de argumentos, ela me disse que não tinha achado boa a minha descrição do livro e que o livro era bastante mais interessante do que eu lhe tinha dado a supôr, quando lho quis emprestar.
A partir daí entrámos em dessintonia, eu a falar-lhe de um livro, ela de outro. No fim, achámos curioso que tivéssemos ideias tão diferentes sobre um objecto e fugimos dali até à hora em que a música também ela mudava de sítio.
Andei à procura dele nas estantes e nada. Acho que ela não se lembrará de tal discussão.
Como é que aquelas duas pessoas existentes em 1991 ou 1992 puderam ler um livro em que os jogos de Conway eram o prato forte e divergir?
04/01/2013
03/01/2013
Estátua de Febre a arder
Nem sei se a palavra Febre em José Afonso se referia à deusa ou ao estado da estátua. Ou, o mais provável, que se tratasse de uma ambiguidade bem escolhida.
Ora eu que vinha aqui disposto a fechar as contas do ano transacto, classificando-o, depois de tudo revisto e aprovado, como um zero à esquerda, um ano em que, para a generalidade da ecúmena, nada aconteceu, vi-me forçado a protelar tal incumbência que os novos códigos dizem ser de exigir a todos os que têm a mania de opinar ( e nada há mais inútil do que uma opinião, salvo duas opiniões ou mais ) por causa do falhanço ou do acerto de tal Deusa.
Não cheguei a perceber se ela estava e está do lado da febre ou dos febris. Ou, o mais provável, que se mantenha numa ambiguidade bem escolhida, dos dois lados.
Umas 60 horas de improdução – mais menos menos coisa – foi quanto me rendeu a prenda que me ofereceram no final do ano passado. As primeiras 57 horas de 2013 mais umas 3 de 2012.
Foi todo o tempo de estar sem poder ler um livro, falar com alguém, ver televisão, etc.
Os meus votos de bom ano vão acompanhados desta foto do sítio da Agoda que se refere a um certo hotel em Bali.
Um chamam-no Febri’s outros Febris. Estou longe de considerar que uma das estátuas da fonte é de Febre, a deitar água. Mesmo assim...
Foram 60 horas e deram este lindo resultado – lembro-me de ter finalizado assim um relatório na Faculdade e de, ao contrário do que eu esperava, ter sido bem aceite tal desabafo.
Nem sei se a palavra Febre em José Afonso se referia à deusa ou ao estado da estátua. Ou, o mais provável, que se tratasse de uma ambiguidade bem escolhida.
Ora eu que vinha aqui disposto a fechar as contas do ano transacto, classificando-o, depois de tudo revisto e aprovado, como um zero à esquerda, um ano em que, para a generalidade da ecúmena, nada aconteceu, vi-me forçado a protelar tal incumbência que os novos códigos dizem ser de exigir a todos os que têm a mania de opinar ( e nada há mais inútil do que uma opinião, salvo duas opiniões ou mais ) por causa do falhanço ou do acerto de tal Deusa.
Não cheguei a perceber se ela estava e está do lado da febre ou dos febris. Ou, o mais provável, que se mantenha numa ambiguidade bem escolhida, dos dois lados.
Umas 60 horas de improdução – mais menos menos coisa – foi quanto me rendeu a prenda que me ofereceram no final do ano passado. As primeiras 57 horas de 2013 mais umas 3 de 2012.
Foi todo o tempo de estar sem poder ler um livro, falar com alguém, ver televisão, etc.
Os meus votos de bom ano vão acompanhados desta foto do sítio da Agoda que se refere a um certo hotel em Bali.
Um chamam-no Febri’s outros Febris. Estou longe de considerar que uma das estátuas da fonte é de Febre, a deitar água. Mesmo assim...
Foram 60 horas e deram este lindo resultado – lembro-me de ter finalizado assim um relatório na Faculdade e de, ao contrário do que eu esperava, ter sido bem aceite tal desabafo.
31/12/2012
Pessoalmente*
Não tem isto nada a ver com a tropa fandanga que nos comandou e comanda – raras excepções assinaladas – e as consequências dos seus actos.
Só tem a ver comigo.
Sou incapaz de prosseguir a série de alusões ao futuro que tenho feito aqui ano a ano. Ainda que, impulsivamente, tenha construído o quadro.

Não apenas por ter sido particularmente certeiro no agoiro para 2012.
Diz-se assim, com propriedade, tornar descontínua a série. Porque há o desejo de a retomar mais à frente, se ainda fôr a tempo.
*Com a acepção que lhe dá o visconde da Apúlia aos 1:51 deste filme.
Não tem isto nada a ver com a tropa fandanga que nos comandou e comanda – raras excepções assinaladas – e as consequências dos seus actos.
Só tem a ver comigo.
Sou incapaz de prosseguir a série de alusões ao futuro que tenho feito aqui ano a ano. Ainda que, impulsivamente, tenha construído o quadro.
Não apenas por ter sido particularmente certeiro no agoiro para 2012.
Diz-se assim, com propriedade, tornar descontínua a série. Porque há o desejo de a retomar mais à frente, se ainda fôr a tempo.
*Com a acepção que lhe dá o visconde da Apúlia aos 1:51 deste filme.
29/12/2012
Senhora dos Cabos
Esta noite deste-me uma tareia moralista.
Uma tareia com textura de peixe cozido. Não deixou marcas mas tinha espinhas.
Fomos ainda ao terraço ver o mundo. Instruídos e invectivados pelo homem da posse.
Convenci-te a regressar no meu BMW 700. O SL estava cá, estacionado onde apenas experimentámos os bancos.
Não dizias a frase que eu esperava porque não querias trair a tua própria confiança.
Foi uma espécie de enfim, tu sabes que envolveu aquela esquina mal definida.
Até hoje. De manhã.
Esta noite deste-me uma tareia moralista.
Uma tareia com textura de peixe cozido. Não deixou marcas mas tinha espinhas.
Fomos ainda ao terraço ver o mundo. Instruídos e invectivados pelo homem da posse.
Convenci-te a regressar no meu BMW 700. O SL estava cá, estacionado onde apenas experimentámos os bancos.
Não dizias a frase que eu esperava porque não querias trair a tua própria confiança.
Foi uma espécie de enfim, tu sabes que envolveu aquela esquina mal definida.
Até hoje. De manhã.
27/12/2012
26/12/2012
Mitos
Há mitos e mitos. Uns interessantes e inverificáveis, outros parvos e cuja falsidade é facilmente verificável.
Ouvi por estes dias a já mítica asserção de que há agora menos filas de trânsito em épocas de ponta porque os condutores sabem finalmente fasear as suas deslocações ao longo do dia.
Sendo que a própria frase é já uma má formulação. O que será fasear uma deslocação? Fazê-la por fases? Não é a isto que se refere quem papagueia esta frase. Pretende referir-se a uma espécie de acordo entre os condutores, partes tu às oito, abalo eu às dez. Vale a pena perder tempo a qualificar esta noção? Não vale.
Há ainda a ideia afirmada que é por via das muitas informações de trânsito que as pessoas fogem às filas.
Se há verdade nessa afirmação – um bloqueio de uma estrada ouvido na rádio leva com grande probabilidade os condutores a mudarem de percurso, também é preciso avaliar o impacto que tem nesses mesmos condutores ouvir que a estrada tal está desimpedida, circulando o tráfego com grande fluidez. Se houver muita gente a quem tal estrada sirva, não se irá acumular lá esse tráfego dirigido pelo ouvido?
É uma ciência cheia de falhas e com pouco ou nenhum estudo feito.
Mas uma frase destas há-de fazer bem a alguma coisa. Caso contrário não seria dita. Ou seria?
Há mitos e mitos. Uns interessantes e inverificáveis, outros parvos e cuja falsidade é facilmente verificável.
Ouvi por estes dias a já mítica asserção de que há agora menos filas de trânsito em épocas de ponta porque os condutores sabem finalmente fasear as suas deslocações ao longo do dia.
Sendo que a própria frase é já uma má formulação. O que será fasear uma deslocação? Fazê-la por fases? Não é a isto que se refere quem papagueia esta frase. Pretende referir-se a uma espécie de acordo entre os condutores, partes tu às oito, abalo eu às dez. Vale a pena perder tempo a qualificar esta noção? Não vale.
Há ainda a ideia afirmada que é por via das muitas informações de trânsito que as pessoas fogem às filas.
Se há verdade nessa afirmação – um bloqueio de uma estrada ouvido na rádio leva com grande probabilidade os condutores a mudarem de percurso, também é preciso avaliar o impacto que tem nesses mesmos condutores ouvir que a estrada tal está desimpedida, circulando o tráfego com grande fluidez. Se houver muita gente a quem tal estrada sirva, não se irá acumular lá esse tráfego dirigido pelo ouvido?
É uma ciência cheia de falhas e com pouco ou nenhum estudo feito.
Mas uma frase destas há-de fazer bem a alguma coisa. Caso contrário não seria dita. Ou seria?
24/12/2012
Restos de colecção (78)
3 números - 5$00.
Verso e lista de prémios do sorteio de Natal da Liga de Cegos João de Deus, em 1965 - aqui.

(clicar para ampliar)
3 números - 5$00.
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