19/10/2013

Prélio do dia



Não passarão. Os de Braga. Em Gáfete.

Nota: forem jogar a Portalegre
Falsas memórias

Depois de me haver surpreendido com o efeito degenerescente que um aparelho de GPS pode exercer sobre o meu até então apurado sentido de orientação, surpreendo-me agora com outro efeito sobre o meu cérebro exercido pela observação de vistas do Google Street.
Já são duas surpresas em pouco tempo para um tipo que não está já em idade de se surpreender.
O facto é que a contemplação das vistas de rua e de estrada de locais que desconhecia gerou falsas memórias fotográficas reais. E, chegado aos sítios, esbateu em muito o deslumbramento que novas e interessantes vistas normalmente desencadeiam.


(clicar para ampliar)

18/10/2013

Livros de merda

Gostei de ler alguns livros de merda. Cheios de erros ortográficos, fartos de erros de sintaxe, com uma lógica argumentativa ao nível de um cretino.
Gostei de os ler como quem (calculo que assim seja) gosta de teatro de revista. Uma coisa primária, sem expectativas para além do menor (chamem-lhe mínimo admissível).
Gostei de facto de ler alguns livros de merda. Ainda que se encontrassem pontuados de asneiras e disparates factuais – fosse o caso de Dom Afonso Henriques ser filho de Nuno Álvares Pereira fosse o caso de o grande terramoto de Lisboa ter ocorrido no Algarve trinta e três anos antes de 1755 (ninguém cá estava para ver). Isto para citar alguns erros que não encontrei, tendo encontrado outros de igual calibre.
Gostei até bastante de ler alguns livros de merda. Os que, no meio dos erros gramaticais, dos erros de discorrimento, dos erros factuais e dos erros de discernimento que aqui não exemplifiquei, mostram uma decoração argumentativa que se assemelha, pictoricamente, à dos carrosséis de feira dos anos 60.
Isso – que é sua leitura - é bom para um fim de tarde num dia de Verão, no momento em que a mudança da brisa produz os seus efeitos.
Portugal, 2008

16/10/2013

Bacanais

No final da década de 70, a crer nos ouvidos, havia bacanais por toda a parte.
Pois eu, pela parte que me tocou, posso dizer que os que frequentei tiveram a emoção e a luxúria de um pacato chá das cinco. Ou de uma demonstração tupperware aviltada pela presença de machos inquietos. Algo do género.
Ora ainda hoje ouço por vezes menções a tais festins. Ao teste de “estavas lá?” obtenho invariavelmente um “não, mas contaram-me”.
Não digo que não tenha havido tais festas. Acho estranho é não haver testemunhos na primeira pessoa. Ainda que fique bem omitir certas passagens do currículo.
Constantim, 2005

15/10/2013

Teoria das previsões

Merece leitura atenta um resumo da teoria apresentada pelos vencedores do Nobel da Economia.
A questão do comportamento dos mercados é um dos mistérios que decorre do mistério do comportamento humano e dos actos de Deus (secas, aluviões, pestes, etc.).
Se alguém se aventura nessa senda com hipóteses que merecem um Nobel, há-de haver nesse resumo qualquer coisa que se aproveite.
Confesso que vou lê-lo com a reserva mental que aplico a todos os modelos que fazem previsões, se é disso realmente que se trata.


(clicar para aceder ao documento justificativo e descritivo do prémio)

14/10/2013

Jornalismo

A primeira vez que ouvi e vi a notícia sobre o mais recente atropelo na Índia, a voz off dizia que tudo tinha tido origem no colapso de uma ponte. Todavia, as imagens mostravam gente a atropelar-se numa ponte erecta, sem danos visíveis.
A diferença desta vez é que corrigiram mais tarde o erro. Afinal tinha sido o boato de que a ponte iria cair que levou ao pânico.
É muito frequente que os textos lidos não acompanhem as imagens, dando a ideia de que quem escreveu o texto se limitou a traduzir dos textos das agências sem espírito crítico, sem ter visto as imagens ou, caso para me inclino, sem as ter compreendido.
E é muito raro que seja feita a correcção.

13/10/2013

Retrato-robot


fotografia de Leon Neal para a AFP

To be or not to be – that clever to understand what are errors in a calculation.
Esta é a questão que se deve considerar quando se publicam os retratos inventados de alguém, com vista a que esse alguém seja reconhecido.
Ocorre-me isto quando surge mais uma torrente de notícias sobre a desaparecida Madeleine McCann, acompanhadas de um novo mas já velho retrato-robot do que alguém pretende seja a imagem da miúda actualmente. Se ainda estiver entre os vivos.
Aqui nem sequer há cálculo, qualquer ciência. É pura e dura arte divinatória. Alguém se entreteve a imaginar o aspecto da miúda, com base nos seus traços conhecidos e na fisionomia dos pais. Apesar de tudo, uma coisa provavelmente mais próxima do que a imagem de Jesus Cristo.
Ora a questão é se, sendo o fito o de encontrar viva, caso ainda o esteja, a miúda, é procedente emitir tal retrato de forma acrítica, para que os simples pensem que aquele é, de facto, o aspecto actual dela.
Ou se seria preferível não o fazer, dada a baixíssima probabilidade de tal retrato ter alguma parecença com a almejada realidade.

10/10/2013

Uma preguiça

Há uma preguiça mental vária que me impede de sistematizar a informação recolhida sobre o caso da crise sísmica ao largo de Castellón de la Plana e a sua relação com a injecção de gás num depósito natural nas proximidades dos focos sísmicos.
Uma preguiça mental vária que me impede. Até de ser mais claro nestas linhas.

08/10/2013

Arouca, 2013

Explicar

Se é de falta de explicação que se trata, que Passos Coelho explique, que mostre a razão pela qual se atreve a cortar nas pensões enquanto mantém Rui Machete no governo.
Aquela coisa de dar o exemplo, da autoridade moral, já não se usa?
Se não se usa, acautele-se. Um destes dias será chamado à pedra.

07/10/2013

Manuais de instruções

Nas divisões do mundo, uma há que é inelutável: o mundo divide-se entre os que escrevem manuais de instruções e os que os usam. Grosso modo.
Ora de entre os diversos manuais de instruções que se podem considerar, uns há que mostram uma evolução que talvez reflicta muito bem a evolução que o mundo sofreu desde que surgiram – as bulas de medicamentos.
Estive há pouco a saborear o texto da bula da vacina Influvac 2013-2014 (... se você ou o seu filho são alérgicos...). Pareceu-me destinada (... se você ou o seu filho estiverem a tomar...) a um indivíduo que estava hoje (... se você ou o seu filho têm uma resposta imunitária fraca...) à minha frente num balcão de clínica. Foi difícil, muito difícil, à funcionária explicar-lhe que o horário era das tantas às tantas e que, dentro desse horário, poderia ir a qualquer hora e que o tempo previsto para a espera era no máximo de meia hora.
O mundo não está mais estúpido. Há é mais estúpidos a julgarem-se doutores. Ou similares.

06/10/2013

Tom

Estou aqui a ouvir um comentário à bola feito num tom tauromáquico.
Coisa que não me recordo de ter alguma vez ouvido.
E, acrescento agorinha mesmo, também com algum jargão taurino – o pé contrário é parente do piton contrário.

05/10/2013

Aqui há Gato!*

Num tempo em que a profusão de comentários, de likes e de estrelas é esmagadora e a um indivíduo que se propôs não fazer recomendações de restaurantes, a esse indivíduo seria de esperar que escrevesse moita.
Pois não, aqui digo que há Gato na Lousã.
Não me recordo de anteriormente alguma vez me ter restaurado em tal povoado. Talvez um café, isso sim.
E ontem, justamente quando depois de ter passado por invernos, primaveras e verões sem chuva (que este ano como está demonstrado o Outono foi eliminado do calendário), justamente quando desabou uma magnífica carga d’água, acolhi-me no Gato.
Foi bom, barato. Fiquei bem servido.


* longe de mim querer plagiar ou sequer competir com o mestre Quitério

03/10/2013

Loucura

Só uma loucura generalizada nos órgãos dos dois principais partidos políticos justifica a acesa troca de argumentos entre os integrantes de um e de outro lado.
Não conseguem entender o que é pacífico entre os observadores distanciados – um e outro são duas faces da mesma moeda. E igualmente responsáveis pelo estado a que chegámos.
Já agora: qual será a posição do PS face à Constituição e aos condicionamentos dela decorrentes quando chegar de novo ao poder?