Nivelar por baixo
“[...] Os alunos ficam menos preparados e os pais, sobretudo os mais escolarizados, sentem que têm de compensar. Então, estudam com os filhos, ajudam-nos a fazer os trabalhos e pagam-lhes explicações. Isso é perigoso porque vai reproduzir em série as desigualdades sociais, já que nem todas as famílias têm possibilidades e conhecimentos para o fazer [...]” – lê-se na Revista do Expresso esta semana. São palavras de uma professora universitária.
Infere-se daqui que para esta senhora o que não é perigoso é nivelar por baixo.
E pode o incauto suspeitar ainda que o acesso privilegiado ao conhecimento vir a determinar desigualdade social ser coisa nova, nunca vista.
21/05/2022
20/05/2022
19/05/2022
O crepúsculo do Sr. Quitério (II)
O crepúsculo do Sr. Quitério
Já lhe chamaram tanto nome, que eu hoje resolvi chamar-lhe assim. Nada a ver com nenhum Quitério presente, passado ou futuro, juro.
Já lhe deram tanta profissão, que eu hoje resolvi dar-lhe a de empregado bancário. Nada a ver com nenhum empregado bancário passado, presente ou futuro. Não jurei? Pois juro.
Ora bem, vem isto a propósito do Sr. Quitério estar a perder a sua influência.
E porquê?
Ora porque o Sr. Quitério foi, aos olhos de muitos, o dono da opinião mais abalizada cá do burgo.
Muitos limitavam-se a repetir o que ele dizia. Outros espreitavam os artigos que o viam ler nos jornais. Os mais íntimos prendiam-no em cavaqueiras de café nas quais procuravam obter os mais diversos pareceres.
Não sei se alguma vez o Sr. Quitério se deu conta do valor que tinha para os demais. Mas o caso é que já não o vejo tão rodeado de companheiros, a beber a sua bica, já não ouço papaguearem-lhe (papagaiarem-lhe é mais bonito) as ideias, nem vejo espreitarem-lhe o jornal.
A coisa parece-me explicada. Com tantos comentadores de borla, já não é preciso de vez em quando pagar um cafèzinho, basta ligar a rádio ou a televisão. Ainda por cima, os assuntos são mais variados do que seria capaz de abranger o bom Sr. Quitério em dia de inspiração.
Quem está à rasca sou eu que, para distinguir os papagaios, já não me basta ouvir o Sr. Quitério.
(Publicado neste blogue (Blogspot) em 19 de Novembro de 2003)
Encontrei hoje o Sr. Quitério, algo alquebrado, já reformado, mas ainda não aposentado da sua mesa de café.
Do que se passou desde a última vez em que cavaqueámos, só uma pista: o facto de ele me haver perguntado se eu lhe atribuía aquela qualificação que agora dão aos simples que gozam de muitos "gostos" de outros igualmente simples nas redes sociais. Não me deixou responder. Disse: “Credo! Se me dão tal apodo, deixo de ir ao café!”
O crepúsculo do Sr. Quitério
Já lhe chamaram tanto nome, que eu hoje resolvi chamar-lhe assim. Nada a ver com nenhum Quitério presente, passado ou futuro, juro.
Já lhe deram tanta profissão, que eu hoje resolvi dar-lhe a de empregado bancário. Nada a ver com nenhum empregado bancário passado, presente ou futuro. Não jurei? Pois juro.
Ora bem, vem isto a propósito do Sr. Quitério estar a perder a sua influência.
E porquê?
Ora porque o Sr. Quitério foi, aos olhos de muitos, o dono da opinião mais abalizada cá do burgo.
Muitos limitavam-se a repetir o que ele dizia. Outros espreitavam os artigos que o viam ler nos jornais. Os mais íntimos prendiam-no em cavaqueiras de café nas quais procuravam obter os mais diversos pareceres.
Não sei se alguma vez o Sr. Quitério se deu conta do valor que tinha para os demais. Mas o caso é que já não o vejo tão rodeado de companheiros, a beber a sua bica, já não ouço papaguearem-lhe (papagaiarem-lhe é mais bonito) as ideias, nem vejo espreitarem-lhe o jornal.
A coisa parece-me explicada. Com tantos comentadores de borla, já não é preciso de vez em quando pagar um cafèzinho, basta ligar a rádio ou a televisão. Ainda por cima, os assuntos são mais variados do que seria capaz de abranger o bom Sr. Quitério em dia de inspiração.
Quem está à rasca sou eu que, para distinguir os papagaios, já não me basta ouvir o Sr. Quitério.
(Publicado neste blogue (Blogspot) em 19 de Novembro de 2003)
Encontrei hoje o Sr. Quitério, algo alquebrado, já reformado, mas ainda não aposentado da sua mesa de café.
Do que se passou desde a última vez em que cavaqueámos, só uma pista: o facto de ele me haver perguntado se eu lhe atribuía aquela qualificação que agora dão aos simples que gozam de muitos "gostos" de outros igualmente simples nas redes sociais. Não me deixou responder. Disse: “Credo! Se me dão tal apodo, deixo de ir ao café!”
18/05/2022
16/05/2022
12/05/2022
Mais uma descoberta da pólvora
Vi há tempos um cartoon* que explicava a extraordinária novidade da combinação de energia solar e eólica que pode ser usada para secar roupa.
Na altura, achei piada ao dito desenho.
Mais tarde, ao ler isto e aquilo percebi que para algumas pessoas se trata mesmo de uma novidade, bem alinhada com os preceitos energéticos politicamente correctos.
*Não mostro aqui o cartoon embora deixe a ligação porque o autor pede entre 5 e 20 £ para publicação em blogues.
Vi há tempos um cartoon* que explicava a extraordinária novidade da combinação de energia solar e eólica que pode ser usada para secar roupa.
Na altura, achei piada ao dito desenho.
Mais tarde, ao ler isto e aquilo percebi que para algumas pessoas se trata mesmo de uma novidade, bem alinhada com os preceitos energéticos politicamente correctos.
*Não mostro aqui o cartoon embora deixe a ligação porque o autor pede entre 5 e 20 £ para publicação em blogues.
11/05/2022
04/05/2022
30/04/2022
Dignidade
A verdade é que não sabemos como era em outros tempos.
Embora haja a ideia de que quando os EUA e a URSS trocavam prisioneiros se tratava principalmente de gente ligada à espionagem.
A crer nas últimas notícias, agora os EUA e a Rússia trocam bêbedos e traficantes.
A verdade é que não sabemos como era em outros tempos.
Embora haja a ideia de que quando os EUA e a URSS trocavam prisioneiros se tratava principalmente de gente ligada à espionagem.
A crer nas últimas notícias, agora os EUA e a Rússia trocam bêbedos e traficantes.
28/04/2022
Razão (estranhamente estou com o Costa)
Há coisas que são tão do domínio da razão e do objectivo, que é penoso ouvir opinar sobre elas.
Uma delas é a consequência inflacionária do aumento dos salários. 1+1=2.
Para quem duvida da matemática e tem idade para ter vivido os tempos de inflação galopante pós-74, é bom que se lembre de que os salários iam perdendo sucessivamente poder de compra à medida que eram aumentados nominalmente.
A lógica reivindicativa era absolutamente contrária à realidade. Continua a ser hoje.
A senhora dos sindicatos acha absolutamente que não. Que o aumento dos salários não se reflecte na inflação. É matemática alternativa.
Há coisas que são tão do domínio da razão e do objectivo, que é penoso ouvir opinar sobre elas.
Uma delas é a consequência inflacionária do aumento dos salários. 1+1=2.
Para quem duvida da matemática e tem idade para ter vivido os tempos de inflação galopante pós-74, é bom que se lembre de que os salários iam perdendo sucessivamente poder de compra à medida que eram aumentados nominalmente.
A lógica reivindicativa era absolutamente contrária à realidade. Continua a ser hoje.
A senhora dos sindicatos acha absolutamente que não. Que o aumento dos salários não se reflecte na inflação. É matemática alternativa.
Guterres e Quieve
Guterres referiu-se a Quieve como uma cidade com grande importância para ucranianos e também para russos. O que eu tomo como uma afirmação acertada.
Já em termos políticos, ditos politicamente correctos, me parece um tiro no porta-aviões.
Nem sempre o que é acertado se deve dizer, quando as circunstâncias assim o ditam.
Guterres referiu-se a Quieve como uma cidade com grande importância para ucranianos e também para russos. O que eu tomo como uma afirmação acertada.
Já em termos políticos, ditos politicamente correctos, me parece um tiro no porta-aviões.
Nem sempre o que é acertado se deve dizer, quando as circunstâncias assim o ditam.
27/04/2022
25/04/2022
DGS
Voltando à vaca fria e atentando numa série de relatórios de monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19 facultados pela DGS na sua página, verifico uma vez mais o nível de indigência intelectual patente na sistematização de tais relatórios.
Nada ali parece depender de rotinas informáticas, uns relatórios estão disponíveis em pdf outros não, sem que a razão percebida seja outra de que a do erro humano, a um nível muito básico.
Voltando à vaca fria e atentando numa série de relatórios de monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19 facultados pela DGS na sua página, verifico uma vez mais o nível de indigência intelectual patente na sistematização de tais relatórios.
Nada ali parece depender de rotinas informáticas, uns relatórios estão disponíveis em pdf outros não, sem que a razão percebida seja outra de que a do erro humano, a um nível muito básico.
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