03/11/2023

Feicebuquiano (ai eu)

Sonhos e talvez pesadelos
No mundo dos sonhos, pesadelos tenho poucos. Há, porém, algumas imagens que por lá surgem e me causam algum incómodo. Esse incómodo é transmissível a coisas tangíveis que me aparecem à frente, sem que encontre para tal uma justificação.
Por outro lado, transporto também dos sonhos um enlevo particular por certos elementos do mundo real, que me incitam a visitar locais, a possuir bens e a usufruir do que antevejo aqui e ali em imagens.
São disso exemplo as monumentais escadarias em túnel do Forte de Fenestrelle que pretendo percorrer no sentido descendente; o singelo Daihatsu Sirion amarelo de 1999 que cobiço aos seus donos (sei onde está um); as carruagens Schindler que a CP possui e nas quais nunca viajei e algumas outras maravilhas.
Voltando aos pesadelos, um destes dias ensaiei umas brincadeiras num site de geração de imagens a partir de uma breve descrição em texto e saíram-me estas duas abaixo, que de imediato me causaram um incómodo emético, advindo do mundo onírico.
Vá lá a gente perceber as mulheres, quero dizer os sonhos ou os pesadelos.



02/11/2023

Alvoredo



Quando não existiam anemómetros, uma das maneiras de se avaliar um vento excepcional era contar as árvores caídas.
Nesse tempo e no imediato, saber-se-ia pouco sobre a extensão territorial do fenómeno. Se era coisa só dali ou se tinha feito estragos lá longe.
Hoje, as árvores caídas um pouco por todo o lado são notícia. E a notícia espalhada engorda sempre os factos.
Seja como for, hoje caíram por esse país, mais pelo Centro e pelo Norte, umas boas dezenas de árvores, talvez mais de um cento*.
Deve querer dizer que fez vento forte.

* talvez mais de dois centos, actualizando as notícias.

31/10/2023

A última coca-cola do deserto

Uma figura, há dias na SIC Notícias, dava conta de que o Chat GPT não dava uma resposta satisfatória sobre (a origem, a razão, o fim? d)o conflito israelo-palestiniano.
Para esta figura, o Chat GPT é uma espécie de Oráculo de Delfos dos tempos correntes, ou mesmo a última coca-cola do deserto.
Se o chat GPT não sabe a resposta...

29/10/2023

Extinções



O SEF foi extinto porque ocorreu um episódio grave que levou à morte de um indivíduo nas suas instalações.
Exemplo de uma medida irracional, semelhante à que extinguiu a JAE, porque por lá se dizia que havia gente corrupta.
Ambas as medidas tomadas por governos do PS. Não deve ser coincidência.

Creio que a fiscalização das fronteiras deve ser efectuada por um organismo de polícia que não se confunda com serviços burocráticos que tratem da imigração. Assim, a mudança parece fazer algum sentido, retomando uma tradição exclusivamente policial no controlo fronteiriço.
Já a ânsia de tornar todas as designações politicamente correctas que destinou o nome de Agência Portuguesa para as Minorias, Migrações e Asilo (APMMA) para o organismo que tratará das referidas burocracias, fez um ligeiro recuo, percebeu que as minorias são uma coisa e os imigrantes são outra e tratou de dar-lhe novo nome: Agência de Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
A dita alteração, feita meses depois do nome atribuído, mostra o amadorismo desta gente.

28/10/2023

Prateleira

Se a visão não me atraiçoou, a menina que viu um porta-aviões a voar sobre a Formosa foi retirada da prateleira e voltou a debitar notícias.
Como aqui disse já, se as asneiras grossas conduzissem inapelavelmente à prateleira, um destes dias não haveria criatura para dar a cara nos noticiários.

25/10/2023

Guterres

Desta vez estou com Guterres: o ataque de 7 de Outubro não se produziu no vácuo.
É mais um episódio numa guerra muito sangrenta que não começou ontem nem anteontem.
Que foi um massacre bárbaro não é preciso dizê-lo. Nas guerras há massacres bárbaros e esta não é excepção. Pensar que só uma das partes os comete é ingenuidade ou parcialidade.
Como já disse aqui, criança por criança, não vejo diferença entre a criança morta pelo míssil "inteligente" e a que morreu num autocarro por via de uns cartuchos de dinamite ou outro explosivo qualquer.
Há-de ter existido uma guerra na História que foi a menos cruel, a mais civilizada, a mais respeitadora; eu é que não consigo dizer qual foi. Alguém consegue?
Terá sido uma em que o ódio e a vingança estiveram de alguma forma ausentes?

22/10/2023

O barulho das luzes, by CMTV

[...] a luz das sirenes [...] – diz uma criatura que apresenta as notícias.
Nomenclaturas

Alguém explica a razão pela qual o nome das tempestades Agnes e Babet vieram de uma lista e os nomes Aline e Bernard vieram de outra, de origens burocráticas diversas?

21/10/2023

As bombas deles

As bombas deles são sempre muito piores do que as nossas, que até nem existem.

Que uma pessoa considere o seu lado, o defenda ferrenhamente contra os inimigos, não é nenhum sinal de sandice.
O que é sinal de sandice é anunciar a terceiros, ao mundo, os horrores alheios, quando a sua parte comete iguais atrocidades.
Maior sinal de sandice, de alienação, é ver os terceiros, que por isso não são parte, corroborarem a indignação pelo horror praticado por um só lado, não interessa qual.
Há guerras que motivam esta loucura quase colectiva.

20/10/2023

Costa

Costa, como fino político desta escola que nos rege, tem escassez de recursos racionais.
Atente-se à configuração do seu discurso, à falta de lógica da argumentação e às respostas ao lado, das quais faz uso frequente.
Como seria de esperar, tem boa imprensa.

18/10/2023

O gosto dos acasos

Há um conjunto de circunstâncias da vida que, no balanço, damos como fruto do acaso.
Como se aquilo a que chamamos acaso fosse definível.
E nem tudo o que é fruto do acaso é coisa em que nos detenhamos. Muita minudência o é e disso não levamos lembrança.
Isto tudo para falar de um livro.
Pouco dado nestes dias que vão correndo a escutar estações de rádio, faço-o quase exclusivamente no carro e às horas certas, para ouvir as notícias.
Lá para trás, não sei bem quando, fiquei por um acaso a ouvir uma recensão literária, creio que com a participação da escritora. Não me recordo do trajecto que fazia mas tenho sim uma lembrança de que era uma estrada agradável e que o livro que estava a ser contado no rádio foi um belíssimo complemento para a viagem.
Já foi com um certo esforço de memória, que a idade não perdoa, que mais tarde incluí o título na minha lista de compras, como se ainda tivesse espaço para livros e tempo para os ler.
Há uns meses, juntei-o à encomenda de um outro, há muito assinalado.
Quebrando um quase jejum de meses, li-o de um trago há alguns dias.
Cada página justificou o entusiasmo que tivera nessa estrada já algo longínqua.

17/10/2023

Rol de mortos

Ninguém me mandou espiolhar os registos online da funerária lá da Vila.
O rol de mortos aumentou consideravelmente depois de tal empresa.
Gente que eu cria viva e que afinal já está no lugar onde, por lá, mais amigos tenho.

16/10/2023

12/10/2023

Primarismo e (a minha) insensibilidade

Neste secular confronto entre árabes e judeus, há cada vez mais um desfasamento temporal entre as partes. Observam-se comportamentos medievais na parte palestina, como o da saudação ostensiva e destemperada da ofensiva de sábado passado, na ignorância da terrível espada que lhes impende sobre a cabeça.
Muitos dos que saltavam e disparavam para o ar, no tradicional e primitivo desperdício de munições, estarão hoje já mortos.

Pertenço ao grupo dos que são insensíveis aos relatos emocionais e necessariamente parciais de barbárie num conflito armado e generalizado num dado território.
Não há partes inocentes numa guerra, não há guerra sem violência e a violência atinge sempre os que se podem dizer ainda assim inocentes.

10/10/2023

Criançada

A criançada que tomou conta do aparelho de Estado nem uma folha de cálculo sabe usar.
À boa maneira da ASAE de outros tempos que até publicitava com aparato a total incapacidade dos seus quadros de lidarem com a dita cuja folha de cálculo.
Na proposta de Orçamento deram mais esta amostra de incompetência informática, a pág. 149:

09/10/2023

Cuidado com a EDP (parte 3)

A comunicação com a EDP ainda me deixa dúvidas: quem me responde é um algoritmo mal programado ou um humano com raciocínio impróprio para a entrada no ensino básico?
Uma mistura das duas hipóteses? Uma tentativa de escorraçar os clientes reclamantes com irracionalidades e despautérios?