18/01/2024
Alienação
Uma das alterações mentais que reporto e que, subsumindo, julgo afectar uma certa franja dos habitantes da ecúmena é algo que se assemelha metaforicamente a uma projecção no pára-brisas.
Suponho que seja numa projecção tal que por vezes procuro os botões de fast rewind e de acesso ao Google.
Serviria o primeiro para recuar nas minhas memórias até um dado ponto ou mesmo para rever uma cena que tivesse acabado de me passar à frente dos olhos; o segundo para pesquisar nas mesmas memórias um dado acontecimento, um dado aroma, uma dada paisagem.
É este um dos efeitos que o uso continuado de máquinas electrónicas me foi causando. Calculo, como disse atrás, que se trate de uma epidemia.
Uma das alterações mentais que reporto e que, subsumindo, julgo afectar uma certa franja dos habitantes da ecúmena é algo que se assemelha metaforicamente a uma projecção no pára-brisas.
Suponho que seja numa projecção tal que por vezes procuro os botões de fast rewind e de acesso ao Google.
Serviria o primeiro para recuar nas minhas memórias até um dado ponto ou mesmo para rever uma cena que tivesse acabado de me passar à frente dos olhos; o segundo para pesquisar nas mesmas memórias um dado acontecimento, um dado aroma, uma dada paisagem.
É este um dos efeitos que o uso continuado de máquinas electrónicas me foi causando. Calculo, como disse atrás, que se trate de uma epidemia.
16/01/2024
15/01/2024
Cabeça de lista
Como andei com o cabeça de lista ao colo e não foi em sentido figurado, mas por ser rebento de velhos amigos, quase afilhado, é que vi logo que era disparate aquela data de nascimento na biografia.
Não se tratando daquelas senhoras que aldrabam na idade, vê-se logo que é mais uma do excelso jornalismo que temos.
Não hei-de eu estar velho.
Como andei com o cabeça de lista ao colo e não foi em sentido figurado, mas por ser rebento de velhos amigos, quase afilhado, é que vi logo que era disparate aquela data de nascimento na biografia.
Não se tratando daquelas senhoras que aldrabam na idade, vê-se logo que é mais uma do excelso jornalismo que temos.
Não hei-de eu estar velho.
14/01/2024
12/01/2024
Pandemia
Onde se pode constatar que à excepção da época festiva 2020/2021, no primeiro ano da pandemia, todas as outras épocas de Natal e Ano Novo mais recentes tiveram um número de óbitos abaixo do actual.
Se as preocupações sanitárias eram tantas em 2021/2022, qual a razão para não haver sinal de preocupação nestas últimas semanas?
Mera incompetência? Receio da saturação dos simples?
Onde se pode constatar que à excepção da época festiva 2020/2021, no primeiro ano da pandemia, todas as outras épocas de Natal e Ano Novo mais recentes tiveram um número de óbitos abaixo do actual.
Se as preocupações sanitárias eram tantas em 2021/2022, qual a razão para não haver sinal de preocupação nestas últimas semanas?
Mera incompetência? Receio da saturação dos simples?
10/01/2024
Ford da Azambuja
Esta luta dos trabalhadores do grupo Global Media parece uma cópia da dos trabalhadores da Ford na Azambuja.
Conhece-se o desfecho.
Esta luta dos trabalhadores do grupo Global Media parece uma cópia da dos trabalhadores da Ford na Azambuja.
Conhece-se o desfecho.
09/01/2024
A onda de Santo André
Uma das coisas que me deu que fazer em tempos foi datar uma história que ouvira contar em tenra idade: uma onda de grandes dimensões matara vários pescadores na praia da Lagoa de Santo André.
Já bem entrada a era do Google não havia na rede sinal de tal acontecimento. Dei disso notícia.
Era esse caso e o do desastre do Rápido do Algarve, que igualmente guardara de memórias pueris que mais curiosidade me suscitavam. Ambos estavam arredados da memória dos jornais, pois nunca surgiam nas listas de acidentes ocorridos, a propósito de casos semelhantes.
Um texto de Rogério Guinote Mota na revista O Foguete que entretanto encontrei por mero acaso, deu-me a informação que me faltava, completada depois com a leitura dos jornais da época.
Dei então o meu pequeno contributo para a inclusão deste acidente na memória ao trazê-lo para o blogue.
Já em relação à onda de Santo André, só um destes dias um sumário de uma reportagem num canal de televisão (SIC) me deu a pista que me faltava – a data em que ocorrera.
De volta ao Google, lá encontrei depois mais informação. Toda ela publicada muito depois da minha procura inicial. Faz hoje 61 anos que se deu tal tragédia.
Duas gavetas arrumadas na minha memória, uns bons sessenta anos depois.
Uma das coisas que me deu que fazer em tempos foi datar uma história que ouvira contar em tenra idade: uma onda de grandes dimensões matara vários pescadores na praia da Lagoa de Santo André.
Já bem entrada a era do Google não havia na rede sinal de tal acontecimento. Dei disso notícia.
Era esse caso e o do desastre do Rápido do Algarve, que igualmente guardara de memórias pueris que mais curiosidade me suscitavam. Ambos estavam arredados da memória dos jornais, pois nunca surgiam nas listas de acidentes ocorridos, a propósito de casos semelhantes.
Um texto de Rogério Guinote Mota na revista O Foguete que entretanto encontrei por mero acaso, deu-me a informação que me faltava, completada depois com a leitura dos jornais da época.
Dei então o meu pequeno contributo para a inclusão deste acidente na memória ao trazê-lo para o blogue.
Já em relação à onda de Santo André, só um destes dias um sumário de uma reportagem num canal de televisão (SIC) me deu a pista que me faltava – a data em que ocorrera.
De volta ao Google, lá encontrei depois mais informação. Toda ela publicada muito depois da minha procura inicial. Faz hoje 61 anos que se deu tal tragédia.
Duas gavetas arrumadas na minha memória, uns bons sessenta anos depois.
08/01/2024
Os simples na estrada
O simples que se preza cumpre alguns preceitos enquanto circula nas estradas:
Fá-lo sempre pela faixa do meio quando existem três faixas, estando ou não livre a faixa mais à direita.
Trava amiúde nesta faixa, independentemente de ter ou não obstáculos à sua frente.
Raramente usa o pisca-pisca.
E possui em carro antigo uma matrícula nova, sem tracinhos, onde letras e números se encavalitam ao meio.
Já lá vai o tempo do carpélio na chapeleira, do cãozinho de peluche a abanar a cabeça, do terço ou do galhardete pendurado no espelho retrovisor, das almofadas de crochet no banco de trás.
O simples que se preza cumpre alguns preceitos enquanto circula nas estradas:
Fá-lo sempre pela faixa do meio quando existem três faixas, estando ou não livre a faixa mais à direita.
Trava amiúde nesta faixa, independentemente de ter ou não obstáculos à sua frente.
Raramente usa o pisca-pisca.
E possui em carro antigo uma matrícula nova, sem tracinhos, onde letras e números se encavalitam ao meio.
Já lá vai o tempo do carpélio na chapeleira, do cãozinho de peluche a abanar a cabeça, do terço ou do galhardete pendurado no espelho retrovisor, das almofadas de crochet no banco de trás.
07/01/2024
05/01/2024
Brilho metálico
Brilha-me na memória uma gravata que o meu Pai possuía.
Uma das que não herdei. Talvez queimada por algum cigarro.
Era de padrão metálico. Riscado sport metálico. Riscas oblíquas cinzentas mais e menos escuras, mais e menos estreitas que transformavam a gravata numa peça metálica pendente do pescoço.
Uma espécie de pêndulo enfeitiçante. Ficava especado a vê-la brilhar sobre o fundo inevitavelmente branco da camisa.
Há muito li algures que para um carril se manter com brilho necessita de ser cruzado no mínimo por um comboio por dia.
Ocorreu-me nessa altura que seria necessário criar uma escala de brilho metálico em função do número de comboios diários que passa num carril.
E aplicá-la às gravatas.
Brilha-me na memória uma gravata que o meu Pai possuía.
Uma das que não herdei. Talvez queimada por algum cigarro.
Era de padrão metálico. Riscado sport metálico. Riscas oblíquas cinzentas mais e menos escuras, mais e menos estreitas que transformavam a gravata numa peça metálica pendente do pescoço.
Uma espécie de pêndulo enfeitiçante. Ficava especado a vê-la brilhar sobre o fundo inevitavelmente branco da camisa.
Há muito li algures que para um carril se manter com brilho necessita de ser cruzado no mínimo por um comboio por dia.
Ocorreu-me nessa altura que seria necessário criar uma escala de brilho metálico em função do número de comboios diários que passa num carril.
E aplicá-la às gravatas.
03/01/2024
Cansaço
Talvez tudo isto tenha a ver com a minha transumância a caminho do Restelo.
Talvez.
Não posso deixar de me inquietar com a licença que foi sendo paulatinamente concedida aos medíocres para se apoderarem do aparelho do Estado.
Licença concedida pelos capazes resignando por nojo.
Licença outorgada pelos simples, de cabecinha lavada a cada quatro ou menos anos.
Um cansaço de geronte.
Talvez tudo isto tenha a ver com a minha transumância a caminho do Restelo.
Talvez.
Não posso deixar de me inquietar com a licença que foi sendo paulatinamente concedida aos medíocres para se apoderarem do aparelho do Estado.
Licença concedida pelos capazes resignando por nojo.
Licença outorgada pelos simples, de cabecinha lavada a cada quatro ou menos anos.
Um cansaço de geronte.
02/01/2024
Sorte
Sorte. Sorte foi o que tiveram todos aqueles que se salvaram no acidente de aviação em Tóquio.
É claro que um aeroporto menos prevenido, uma tripulação menos treinada e uns passageiros menos disciplinados teriam decerto descambado numa contagem de mortos bem mais alta.
Mas a sorte não tocou a todos. Pelo menos cinco morreram de imediato.
As considerações enviesadas de comentadores televisivos de que não houve milagre, só existiu competência são o já esperado. Os bombeiros consideram que os bombeiros foram exemplares e o pessoal da aviação gaba a excelência da tripulação.
Já eu, que não acredito em milagres, acho que houve um milagre, sim. Que não se estendeu aos mortos e ao ferido.
Sorte. Sorte foi o que tiveram todos aqueles que se salvaram no acidente de aviação em Tóquio.
É claro que um aeroporto menos prevenido, uma tripulação menos treinada e uns passageiros menos disciplinados teriam decerto descambado numa contagem de mortos bem mais alta.
Mas a sorte não tocou a todos. Pelo menos cinco morreram de imediato.
As considerações enviesadas de comentadores televisivos de que não houve milagre, só existiu competência são o já esperado. Os bombeiros consideram que os bombeiros foram exemplares e o pessoal da aviação gaba a excelência da tripulação.
Já eu, que não acredito em milagres, acho que houve um milagre, sim. Que não se estendeu aos mortos e ao ferido.
01/01/2024
30/12/2023
Amorim
Ou Amorim não percebe mesmo o que é um contrato ou há jogadores que assinam papéis que os tornam mercadoria, sem que possam exercer a sua vontade. É o que se depreende da afirmação: “O Viktor não tem quereres. O Viktor tem uma cláusula.”
Ou Amorim não percebe mesmo o que é um contrato ou há jogadores que assinam papéis que os tornam mercadoria, sem que possam exercer a sua vontade. É o que se depreende da afirmação: “O Viktor não tem quereres. O Viktor tem uma cláusula.”
29/12/2023
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