08/08/2025
Baloiços, passadiços e gente sem cabeça
Portugal é um somatório de capelinhas governadas por gente sem cabeça que malbarata o dinheiro que é de todos.
Um dos sintomas que assim é, é a multiplicação de “ideias luminosas” que assola em ondas as diversas autarquias.
Foram os pavilhões multiusos que estão às moscas, as lindas rotundas (algumas delas justificavam-se, a grande maioria um disparate), as ciclovias onde ninguém circula, e mais recentemente os passadiços e os baloiços.
Como são básicos copiam-se uns aos outros porque se um faz, o outro tem que fazer. É esta a razão de tais surtos.
Já aqui escrevi sobre isso mas hoje socorro-me de outrem: vale a pena ler esta entrada no blogue “Diário de quem já não vai para novo”, destacada no Sapo.
Portugal é um somatório de capelinhas governadas por gente sem cabeça que malbarata o dinheiro que é de todos.
Um dos sintomas que assim é, é a multiplicação de “ideias luminosas” que assola em ondas as diversas autarquias.
Foram os pavilhões multiusos que estão às moscas, as lindas rotundas (algumas delas justificavam-se, a grande maioria um disparate), as ciclovias onde ninguém circula, e mais recentemente os passadiços e os baloiços.
Como são básicos copiam-se uns aos outros porque se um faz, o outro tem que fazer. É esta a razão de tais surtos.
Já aqui escrevi sobre isso mas hoje socorro-me de outrem: vale a pena ler esta entrada no blogue “Diário de quem já não vai para novo”, destacada no Sapo.
06/08/2025
05/08/2025
Éter sulfúrico*
Da minha reclusão de há cinco décadas e picos ficaram algumas recordações que não são desagradáveis.
Uma delas é o cheiro do éter etílico, usado frequentemente naquela época nos hospitais.
Um destes dias deu-me a nostalgia e lá fui comprar um pequeno frasco só para ter o gosto de o cheirar.
Podia ter-me dado para pior.
*sem enxofre, à laia de salvaguarda como é hoje de bom tom entre os aflitos.
Da minha reclusão de há cinco décadas e picos ficaram algumas recordações que não são desagradáveis.
Uma delas é o cheiro do éter etílico, usado frequentemente naquela época nos hospitais.
Um destes dias deu-me a nostalgia e lá fui comprar um pequeno frasco só para ter o gosto de o cheirar.
Podia ter-me dado para pior.
*sem enxofre, à laia de salvaguarda como é hoje de bom tom entre os aflitos.
04/08/2025
Borges
O homem parece-me muito fraquinho. Ainda assim completou o trabalho e ganhou duas competições.
O que não consigo entender é a tentação de mudar a táctica a uma equipa que ganha.
É porque tem outros jogadores?
É porque o treinador só sabe uma táctica?
É porque sim?
Não lhe auguro grande futuro em Alvalade.
Repare-se que esta tese (de ele não ter grande futuro) é a antítese de não mexer na equipa (no treinador) quando ela ganha.
O problema é que acho que vai deixar de ganhar.
O homem parece-me muito fraquinho. Ainda assim completou o trabalho e ganhou duas competições.
O que não consigo entender é a tentação de mudar a táctica a uma equipa que ganha.
É porque tem outros jogadores?
É porque o treinador só sabe uma táctica?
É porque sim?
Não lhe auguro grande futuro em Alvalade.
Repare-se que esta tese (de ele não ter grande futuro) é a antítese de não mexer na equipa (no treinador) quando ela ganha.
O problema é que acho que vai deixar de ganhar.
03/08/2025
O fogo
O fogo faz o que tem que fazer – arde.
O combustível que o alimenta é a coisa mais natural que existe. E o fogo é redentor. Liberta da carga que se vai acumulando.
Temos hoje mais notícia dos fogos que ocorrem. Temos hoje mais território sem ocupação que fica assim mais vulnerável ao fogo: nem há humanização da paisagem (que é assim mais natural – a discussão sobre o que é autóctone e o que o não é, é outro assunto) nem há agentes que o combatam no início e dêem o alerta.
Que arda o que tem que arder. Que se poupem as vidas humanas. As dos locais e as dos bombeiros que a eles acorrem.
Que não se faça disto uma tragédia e que se punam severamente os incendiários imputáveis.
Quanto aos inimputáveis, que sejam vigiados ou retidos nestas alturas.
Quanto aos criminosos por negligência que tenham medo, muito medo das consequências.
E que os “especialistas” nos deixem em paz.
Escrevi quase o mesmo há 21 anos.
O fogo faz o que tem que fazer – arde.
O combustível que o alimenta é a coisa mais natural que existe. E o fogo é redentor. Liberta da carga que se vai acumulando.
Temos hoje mais notícia dos fogos que ocorrem. Temos hoje mais território sem ocupação que fica assim mais vulnerável ao fogo: nem há humanização da paisagem (que é assim mais natural – a discussão sobre o que é autóctone e o que o não é, é outro assunto) nem há agentes que o combatam no início e dêem o alerta.
Que arda o que tem que arder. Que se poupem as vidas humanas. As dos locais e as dos bombeiros que a eles acorrem.
Que não se faça disto uma tragédia e que se punam severamente os incendiários imputáveis.
Quanto aos inimputáveis, que sejam vigiados ou retidos nestas alturas.
Quanto aos criminosos por negligência que tenham medo, muito medo das consequências.
E que os “especialistas” nos deixem em paz.
Escrevi quase o mesmo há 21 anos.
02/08/2025
20 anos
Comprei a minha primeira e única máquina fotográfica digital na noite de 2 de Agosto de 2005.
Num raro instinto consumista (a foto númbaro 1 ainda na loja - aqui).
Faz hoje 20 anos.
Desde esse dia, contando com os telefones que depois me passaram pelas mãos, já vamos em 62237 clichés registados.
Destes, 45% estão mapeados. Ainda vou a tempo de localizar com alguma precisão o resto. A máquina não utiliza GPS e por isso o cartão de memória das localizações é na cachimónia.
No território continental e um pouco fora do rectângulo a distribuição é como segue:
As manchas escuras, mal cobertas, podem na realidade ser apenas zonas onde ainda não tombei as chapas lá batidas.
Veremos.
Comprei a minha primeira e única máquina fotográfica digital na noite de 2 de Agosto de 2005.
Num raro instinto consumista (a foto númbaro 1 ainda na loja - aqui).
Faz hoje 20 anos.
Desde esse dia, contando com os telefones que depois me passaram pelas mãos, já vamos em 62237 clichés registados.
Destes, 45% estão mapeados. Ainda vou a tempo de localizar com alguma precisão o resto. A máquina não utiliza GPS e por isso o cartão de memória das localizações é na cachimónia.
No território continental e um pouco fora do rectângulo a distribuição é como segue:
As manchas escuras, mal cobertas, podem na realidade ser apenas zonas onde ainda não tombei as chapas lá batidas.
Veremos.
01/08/2025
Chico-esperto
Há coisas dos simples que me irritam solenemente, apesar de ter sido educado para relevar pois não têm senso para discorrer ou serem civilizados.
Esta é uma nota facebuquiana a que deveria ter resistido mas não fui capaz:
A caixa na parede que é suposto dispensar notas de conto não as tinha. Cancelei a operação e fazendo meia-volta, instruí o tipo que estava atrás de mim de que não havia notas. Tomando partido da sua posição relativa e estugando o passo, apressou-se a chegar à minha frente à caixa mais próxima, a escassos 30 metros. Pensei cá para mim: mais valia ter deixado o chico-esperto ser inteirado pela máquina de que não havia dinheiro.
Calculo que terá achado uma bela espertice o ter passado à minha frente.
Há coisas dos simples que me irritam solenemente, apesar de ter sido educado para relevar pois não têm senso para discorrer ou serem civilizados.
Esta é uma nota facebuquiana a que deveria ter resistido mas não fui capaz:
A caixa na parede que é suposto dispensar notas de conto não as tinha. Cancelei a operação e fazendo meia-volta, instruí o tipo que estava atrás de mim de que não havia notas. Tomando partido da sua posição relativa e estugando o passo, apressou-se a chegar à minha frente à caixa mais próxima, a escassos 30 metros. Pensei cá para mim: mais valia ter deixado o chico-esperto ser inteirado pela máquina de que não havia dinheiro.
Calculo que terá achado uma bela espertice o ter passado à minha frente.
31/07/2025
Maria vai com as outras
Quando não há ideias próprias, conhecimento e reflexão sedimentados, o pateta alegre segue o rebanho.
É o que se vislumbra com o reconhecimento de um estado inexistente, à laia de quem atribui pontos num festival da Eurovisão.
Ninguém de bom senso duvida que está em curso um genocídio na faixa de Gaza. Coisa que se anunciou quando ocorreu o ataque de Outubro de 2023. Coisa que se previa há muito.
Isto é um dado. Um facto.
Já a utópica versão dos dois estados é isso mesmo, uma utopia, um desejo de forçar a História a endireitar-se de acordo com um sentimento de pretensa justiça e paz entre os povos. Não tem sustentação real. Não vai levar a mais do que a um constante sangramento. É preciso usar mais a razão e menos a emoção disparatada.
Quando não há ideias próprias, conhecimento e reflexão sedimentados, o pateta alegre segue o rebanho.
É o que se vislumbra com o reconhecimento de um estado inexistente, à laia de quem atribui pontos num festival da Eurovisão.
Ninguém de bom senso duvida que está em curso um genocídio na faixa de Gaza. Coisa que se anunciou quando ocorreu o ataque de Outubro de 2023. Coisa que se previa há muito.
Isto é um dado. Um facto.
Já a utópica versão dos dois estados é isso mesmo, uma utopia, um desejo de forçar a História a endireitar-se de acordo com um sentimento de pretensa justiça e paz entre os povos. Não tem sustentação real. Não vai levar a mais do que a um constante sangramento. É preciso usar mais a razão e menos a emoção disparatada.
30/07/2025
29/07/2025
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