30/11/2003
29/11/2003
Shelltox e sangue azul
A praia tinha imenso espaço.
Na realidade, não era uma praia, eram diversas praias.
Quando digo que tinha espaço, digo-o no sentido inverso ao das unidades de densidade b/g.a. (nº de banhistas / nº de grãos de areia), logo:
g.a./b era um número de ordem de grandeza muito considerável (1014).
Isso provavelemente fazia com que cada núcleo familiar ou de amizades tivesse o seu lugar marcado e não houvesse nunca conflitos pela posse de território. A coisa era muito pacífica como cabe ser qualquer vilegiatura.
Mas os tempos mudaram e dos tempos sem electricidade, que ainda gozei, à massificação e a um número incrivelmente baixo de g.a./b (1010), foi o que se viu.
Primeiro veio a electricidade, depois os acessos melhoraram, a seguir o turismo de massas, abriu-se a caixa de Pandora.
Algures na fase de colonização os índios recuaram.
Eu, porém, mantive-me fiel ao local onde sempre tinha desfrutado do famoso banho do sol a pino, onde tinha comido as minhas maçãs-reineta e onde me tinha enlevado com o longínquo som da juke-box da barraca dos gelados.
É claro que me vi rodeado de sétimos de cavalaria (ainda não se tinham lembrado da 101ª aero-transportada), mas a coisa teve as suas compensações, para além da barbatana cheia de água que a tal desconhecida me lançou - ele há desejos que se expressam de forma violenta, mas mais à tarde já me veio pedir um naco do meu Delicô.
Vi-me assim obrigado a não perder um único episódio do "Simplesmente Maria" que os rádios dos vizinhos debitavam aí pela uma da tarde.
Ouvi o homem nortenho que, esperando ansiosamente o cunhado, dizia à mulher: "Bou ber se os beijo!".
Percebi o que queriam dizer os três rapazes que gritavam: "Cada um à sua!". Por sinal, havia uma que não era nada má.
Mas acabaram por me expulsar.
Entretanto, apercebi-me que havia ainda um núcleo de índios resistentes auto-denominado de "Sangue azul" que lutava contra a invasão dos colonos, designados por "Shelltox" (faço aqui um parentesis de indignação por ter constatado que a Shell apagou das suas memórias este utilissimo produto. Não há dúvida que reescrever a história é um passatempo politicamente correcto). Não sei se o sangue se terá tornado da celestial côr em virtude do dito Shelltox, é um caso a apurar.
Mas a verdade é que é debalde o esforço para reconquistar o histórico palmo de areia a que tínhamos direito e que de bom grado cedíamos, um dia por ano, por ocasião da degola de S. João Baptista, quando os montanheiros traziam o arroz de frango para a beira-mar.
A praia tinha imenso espaço.
Na realidade, não era uma praia, eram diversas praias.
Quando digo que tinha espaço, digo-o no sentido inverso ao das unidades de densidade b/g.a. (nº de banhistas / nº de grãos de areia), logo:
g.a./b era um número de ordem de grandeza muito considerável (1014).
Isso provavelemente fazia com que cada núcleo familiar ou de amizades tivesse o seu lugar marcado e não houvesse nunca conflitos pela posse de território. A coisa era muito pacífica como cabe ser qualquer vilegiatura.
Mas os tempos mudaram e dos tempos sem electricidade, que ainda gozei, à massificação e a um número incrivelmente baixo de g.a./b (1010), foi o que se viu.
Primeiro veio a electricidade, depois os acessos melhoraram, a seguir o turismo de massas, abriu-se a caixa de Pandora.
Algures na fase de colonização os índios recuaram.
Eu, porém, mantive-me fiel ao local onde sempre tinha desfrutado do famoso banho do sol a pino, onde tinha comido as minhas maçãs-reineta e onde me tinha enlevado com o longínquo som da juke-box da barraca dos gelados.
É claro que me vi rodeado de sétimos de cavalaria (ainda não se tinham lembrado da 101ª aero-transportada), mas a coisa teve as suas compensações, para além da barbatana cheia de água que a tal desconhecida me lançou - ele há desejos que se expressam de forma violenta, mas mais à tarde já me veio pedir um naco do meu Delicô.
Vi-me assim obrigado a não perder um único episódio do "Simplesmente Maria" que os rádios dos vizinhos debitavam aí pela uma da tarde.
Ouvi o homem nortenho que, esperando ansiosamente o cunhado, dizia à mulher: "Bou ber se os beijo!".
Percebi o que queriam dizer os três rapazes que gritavam: "Cada um à sua!". Por sinal, havia uma que não era nada má.
Mas acabaram por me expulsar.
Entretanto, apercebi-me que havia ainda um núcleo de índios resistentes auto-denominado de "Sangue azul" que lutava contra a invasão dos colonos, designados por "Shelltox" (faço aqui um parentesis de indignação por ter constatado que a Shell apagou das suas memórias este utilissimo produto. Não há dúvida que reescrever a história é um passatempo politicamente correcto). Não sei se o sangue se terá tornado da celestial côr em virtude do dito Shelltox, é um caso a apurar.
Mas a verdade é que é debalde o esforço para reconquistar o histórico palmo de areia a que tínhamos direito e que de bom grado cedíamos, um dia por ano, por ocasião da degola de S. João Baptista, quando os montanheiros traziam o arroz de frango para a beira-mar.
A agenda 2004
Desde sempre que me servem para alguma coisa. Ao princípio, para rabiscar. Depois para escrever-palavras-separadas-por-travessões.
Como pequenos atlas de Portugal (o pico Ramelau, a ilha do Sal, distâncias quilométricas entre Quintanilha e Vila Real de Santo António).
Como tábuas de sinais de trânsito.
Depois ainda, como diários incompletos.
Listas de telefones.
Calendários de testes e exames.
Relatórios de viagem.
Ainda hoje as uso. Já não preciso da lista telefónica, ninguém precisa.
Já não me cinjo aos mapas em pequeno formato, embora ainda me fascinem os sinais de trânsito.
Ainda escrevo nelas, sobretudo rotas cumpridas.
E compromissos menos óbvios, não vão esquecer.
Está pois na altura de começar a insinuar-me junto das instituições habituais para uma borlinha. Uma agenda é coisa barata, mas eu sou português...
imagem em http://www.spaziovirtuale.com.br/brindes.asp (link perdido)
Desde sempre que me servem para alguma coisa. Ao princípio, para rabiscar. Depois para escrever-palavras-separadas-por-travessões.
Como pequenos atlas de Portugal (o pico Ramelau, a ilha do Sal, distâncias quilométricas entre Quintanilha e Vila Real de Santo António).
Como tábuas de sinais de trânsito.
Depois ainda, como diários incompletos.
Listas de telefones.
Calendários de testes e exames.
Relatórios de viagem.
Ainda hoje as uso. Já não preciso da lista telefónica, ninguém precisa.
Já não me cinjo aos mapas em pequeno formato, embora ainda me fascinem os sinais de trânsito.
Ainda escrevo nelas, sobretudo rotas cumpridas.
E compromissos menos óbvios, não vão esquecer.
Está pois na altura de começar a insinuar-me junto das instituições habituais para uma borlinha. Uma agenda é coisa barata, mas eu sou português...
imagem em http://www.spaziovirtuale.com.br/brindes.asp (link perdido)
28/11/2003
A rede e o conhecimento instantâneo
Qualquer borra-botas como eu pode alçar-se a comentador do mundo nestes dias de informação na ponta do dedo.
Apetece-lhe discorrer sobre o fitoplâncton e lá estão dezenas de páginas a fornecer-lhe a lenha.
É das campanhas napoleónicas que se trata? Não há azar. Assim se saiba ler francês.
Desde o feijão carrapato à exposição de Paris, passando por todos os versos de Gedeão, não há dificuldade.
Eu que sou um assumido bisbilhoteiro dos motores de busca, já descobri, sem andar à procura, um livro mencionando o nome de um dos meus bisavós como banhista de certa praia. Está portanto tudo lá. Bem, nem tudo. Sobre o grande acidente ferroviário do Rápido do Algarve, nem uma linha.
Mas é sem dúvida a excepção que confirma a regra.
Ora, com tanta facilidade, não é pois de espantar que num ápice se construam teses interessantíssimas sobre tudo.
Dizem-me até que há os que se limitam a transcrever (copy & paste, como se diz agora) o que encontram abandonado.
Será. Eu próprio tenho utilizado como ilustrações, fotografias caçadas aqui e ali. Também é verdade que menciono a sua origem, mas nem sempre posso garantir que o seu autor seja o mesmo que lá a colocou.
Como não ganho dinheiro com isso, não me sinto mal por não ter pedido licença. A verdade é que pedi uma vez (a primeira) e não obtive resposta.
Já estou a afastar-me do tema e a justificar-me muito.
O que eu queria dizer é que basta ler oito ou dez páginas, de preferência em diagonal (esse compromisso entre a escrita esquerda e direita, pois tanto se exerce da esquerda alta para a direita baixa como na diagonal oposta) para termos um artigo de fundo, um ensaio, uma tese.
O conhecimento numa saqueta, três decilitros de água e logo se obtém um caldo de cultura, de onde germinam os mais variados bicharocos, logo lançados ao vento, ao correr da nortada.
A Babel do fim dos tempos.
Será por isso que se mandou, à cautela, a Guarda Nacional Republicana em missão para a "Antiga Babilónia"?
Não consigo perceber o que escrevi.
Os logotipos dos motores de busca foram retirados dos locais correspondentes
Qualquer borra-botas como eu pode alçar-se a comentador do mundo nestes dias de informação na ponta do dedo.
Apetece-lhe discorrer sobre o fitoplâncton e lá estão dezenas de páginas a fornecer-lhe a lenha.
É das campanhas napoleónicas que se trata? Não há azar. Assim se saiba ler francês.
Desde o feijão carrapato à exposição de Paris, passando por todos os versos de Gedeão, não há dificuldade.
Eu que sou um assumido bisbilhoteiro dos motores de busca, já descobri, sem andar à procura, um livro mencionando o nome de um dos meus bisavós como banhista de certa praia. Está portanto tudo lá. Bem, nem tudo. Sobre o grande acidente ferroviário do Rápido do Algarve, nem uma linha.
Mas é sem dúvida a excepção que confirma a regra.
Ora, com tanta facilidade, não é pois de espantar que num ápice se construam teses interessantíssimas sobre tudo.
Dizem-me até que há os que se limitam a transcrever (copy & paste, como se diz agora) o que encontram abandonado.
Será. Eu próprio tenho utilizado como ilustrações, fotografias caçadas aqui e ali. Também é verdade que menciono a sua origem, mas nem sempre posso garantir que o seu autor seja o mesmo que lá a colocou.
Como não ganho dinheiro com isso, não me sinto mal por não ter pedido licença. A verdade é que pedi uma vez (a primeira) e não obtive resposta.
Já estou a afastar-me do tema e a justificar-me muito.
O que eu queria dizer é que basta ler oito ou dez páginas, de preferência em diagonal (esse compromisso entre a escrita esquerda e direita, pois tanto se exerce da esquerda alta para a direita baixa como na diagonal oposta) para termos um artigo de fundo, um ensaio, uma tese.
O conhecimento numa saqueta, três decilitros de água e logo se obtém um caldo de cultura, de onde germinam os mais variados bicharocos, logo lançados ao vento, ao correr da nortada.
A Babel do fim dos tempos.
Será por isso que se mandou, à cautela, a Guarda Nacional Republicana em missão para a "Antiga Babilónia"?
Não consigo perceber o que escrevi.
Os logotipos dos motores de busca foram retirados dos locais correspondentes
À procura de quê?
Um dos fados deste destino (valha-me a redundância) errante, é justamente não saber o que se procura. Mas acha-se.
E em tantos anos de cavalaria mecanizada, achei algumas coisas com as quais não contava.
E achei de tudo, gente, lugares, cheiros, frios e calores.
Estando agora mais ou menos agarrado à secretária, vêm-me à memória esta ou aquela paragem prazenteira.
Hoje, sabe-se lá como, irrompeu a memória de uma curva de estrada.
A noite era de sobreiros.
Uma daquelas noites de breu em que os faróis no montado denso evidenciam estranhas formas, vultos contorcidos, um espectáculo já visto centenas de vezes, mas sempre encantador e misterioso.
Numa curva, uma pequena casa à beira do caminho. Tudo às escuras cá fora.
Pela porta aberta, antevia o ondular da chama de um candeeiro a petróleo, nas trementes sombras recortadas na parede de fundo.
Quando desliguei o motor, ouvi nitidamente a melodia. Cantavam-se modas alentejanas, ainda que ali já fosse Algarve. Tal como em tempos adormecia embalado pelos sons da taberna do outro lado da rua, agora ficava preso ao assento, sem me atrever a entrar e pedir um maço de cigarros. Ali fiquei, sem querer perturbar aquele som, sem divisar as caras dos presentes, sem perceber mais do que sombras recortando-se na parede.
Um dos fados deste destino (valha-me a redundância) errante, é justamente não saber o que se procura. Mas acha-se.
E em tantos anos de cavalaria mecanizada, achei algumas coisas com as quais não contava.
E achei de tudo, gente, lugares, cheiros, frios e calores.
Estando agora mais ou menos agarrado à secretária, vêm-me à memória esta ou aquela paragem prazenteira.
Hoje, sabe-se lá como, irrompeu a memória de uma curva de estrada.
A noite era de sobreiros.
Uma daquelas noites de breu em que os faróis no montado denso evidenciam estranhas formas, vultos contorcidos, um espectáculo já visto centenas de vezes, mas sempre encantador e misterioso.
Numa curva, uma pequena casa à beira do caminho. Tudo às escuras cá fora.
Pela porta aberta, antevia o ondular da chama de um candeeiro a petróleo, nas trementes sombras recortadas na parede de fundo.
Quando desliguei o motor, ouvi nitidamente a melodia. Cantavam-se modas alentejanas, ainda que ali já fosse Algarve. Tal como em tempos adormecia embalado pelos sons da taberna do outro lado da rua, agora ficava preso ao assento, sem me atrever a entrar e pedir um maço de cigarros. Ali fiquei, sem querer perturbar aquele som, sem divisar as caras dos presentes, sem perceber mais do que sombras recortando-se na parede.
27/11/2003
A tomada da Bastilha
A mim, venderam-me lá para trás a ideia de que uma das razões que levaram a populaça à Bastilha, foi a prosaica intenção de caçar lado a lado com os nobres.
Eu percebo que as pessoas queiram caçar.
Vejo também que a caça é um bem escasso, depois da avalancha de caçadores que a gente sabe.
Já tenho mais dificuldade em entender o critério que faz com que a caça seja livre nuns locais e restrita noutros.
Mas entendo aqueles que aproveitando esta dualidade, fecham as portas.
Não consigo entender é os que querem fazer coutadas em terra alheia.
Que me vêm propor que aceite que eles e só eles cacem nas minhas terras.
Que à trivial pergunta - e o que é que eu ganho com isso? - não tenham resposta.
Posso estar a não ver bem a coisa, mas é ou não é um abuso?
A mim, venderam-me lá para trás a ideia de que uma das razões que levaram a populaça à Bastilha, foi a prosaica intenção de caçar lado a lado com os nobres.
Eu percebo que as pessoas queiram caçar.
Vejo também que a caça é um bem escasso, depois da avalancha de caçadores que a gente sabe.
Já tenho mais dificuldade em entender o critério que faz com que a caça seja livre nuns locais e restrita noutros.
Mas entendo aqueles que aproveitando esta dualidade, fecham as portas.
Não consigo entender é os que querem fazer coutadas em terra alheia.
Que me vêm propor que aceite que eles e só eles cacem nas minhas terras.
Que à trivial pergunta - e o que é que eu ganho com isso? - não tenham resposta.
Posso estar a não ver bem a coisa, mas é ou não é um abuso?
A Tradicional da volta
Afogar as mágoas – é o que se ouve a torto e a direito.
Sem mencionar outras formas mais raras e elaboradas, o método tradicional é afogá-las em álcool.
Faz-me espécie esta tradição.
Para mim, a bebida espirituosa é uma exaltação. Uma droga dos grandes momentos. A antecâmara de todos os prazeres. Nunca um sedativo, uma neblina em que os sentidos se atordoem.
Como não se deve dizer “desta água(ardente) não beberei”, estou assim como que no pago para ver. Para ver se algum dia me sucede, mas acho pouco provável. Eu é mais cafés e cigarros, quando a coisa não vai bem. Bebida é que não.
Ora, aqui há uns bons anos eu e um velho amigo, numa daquelas incursões a petisco, fomos parar para os lados da Estrada de Benfica.
Nada como dantes, como nos tempos do Eça e das tascas da Porcalhota.
Estávamos já de regresso quando o meu companheiro se referiu à tasca como a Tradicional da Volta.
Originalmente, teria sido a Tradicional da Volta do Enterro, pois estava mesmo a jeito. Ali numa das ruas que conduzem, ou que neste caso trazem do cemitério os que cá ainda ficam.
Servia assim para apaziguar os desgostos e animar os figurantes.
Ainda um dia alguém há-de escrever uma obra-prima a propósito do nosso culto dos mortos, desde as anedotas à porta das câmaras mortuárias até aos figurinos de funeral e aqueles parentes que só vemos nessas alturas.
Mas não sendo o caso dos habituais figurantes, que aproveitam sempre a ocasião para molhar a goela, que estranho desígnio está por detrás dessa utilização do álcool como oceano em que se fazem afogar as mágoas?
Parece que agora já só se chama "A Tradicional".
Afogar as mágoas – é o que se ouve a torto e a direito.
Sem mencionar outras formas mais raras e elaboradas, o método tradicional é afogá-las em álcool.
Faz-me espécie esta tradição.
Para mim, a bebida espirituosa é uma exaltação. Uma droga dos grandes momentos. A antecâmara de todos os prazeres. Nunca um sedativo, uma neblina em que os sentidos se atordoem.
Como não se deve dizer “desta água(ardente) não beberei”, estou assim como que no pago para ver. Para ver se algum dia me sucede, mas acho pouco provável. Eu é mais cafés e cigarros, quando a coisa não vai bem. Bebida é que não.
Ora, aqui há uns bons anos eu e um velho amigo, numa daquelas incursões a petisco, fomos parar para os lados da Estrada de Benfica.
Nada como dantes, como nos tempos do Eça e das tascas da Porcalhota.
Estávamos já de regresso quando o meu companheiro se referiu à tasca como a Tradicional da Volta.
Originalmente, teria sido a Tradicional da Volta do Enterro, pois estava mesmo a jeito. Ali numa das ruas que conduzem, ou que neste caso trazem do cemitério os que cá ainda ficam.
Servia assim para apaziguar os desgostos e animar os figurantes.
Ainda um dia alguém há-de escrever uma obra-prima a propósito do nosso culto dos mortos, desde as anedotas à porta das câmaras mortuárias até aos figurinos de funeral e aqueles parentes que só vemos nessas alturas.
Mas não sendo o caso dos habituais figurantes, que aproveitam sempre a ocasião para molhar a goela, que estranho desígnio está por detrás dessa utilização do álcool como oceano em que se fazem afogar as mágoas?
Parece que agora já só se chama "A Tradicional".
26/11/2003
O mistério de Albergaria
Aqui há atrasado, eu e o amigo Anarcka envolvemo-nos em acesa polémica em torno de Albergaria dos Doze. É público, esteve em todos os jornais.
Dados os acontecimentos recentes, que envolveram o desaparecimento de três tartarugas, recebi um preocupado e-mail do homem.
Assim, cabe-me iniciar a árdua tarefa da defesa da nossa honra.
Em primeiro lugar, somos completamente alheios ao sucedido.
E como estamos interessados no apuramento de toda a verdade, apesar de não me ter sido possível contar com a concordância em tempo útil do amigo Anarcka, decidi avançar com a seguinte contribuição para o apuramento dos factos e das responsabilidades:
Acho que podemos pôr de parte o Ésopo e o Zenão, por manifesta impossibilidade física. Parece que apresentaram ambos os bilhetes do ferry para Creta, na noite dos factos.
Isto foi-me dito por uma das tais fontes, que também acrescentou que havia umas dúvidas.
Parece que o tradutor oficial não tinha a certeza de que os nomes se referissem a passageiros ou ao próprio barco. Eu, por mim, estranho que o barco ostentasse o nome de ambos. Enfim.
Também soube que alegam não se conhecer. Qualquer coisa relacionada com datas de nascimento. Eu cá digo que há boas razões para Ésopo não conhecer Zenão, que nasceu mais de 100 anos depois da suposta morte do primeiro. Agora, a inversa... Poderá Zenão não ter conhecido Ésopo em carne e osso, mas a sua obra já não garanto.
Há aqui um outro elemento baralhador, que de alguma forma inculpa Zenão ou os seus detractores. Não disse ele a Sócrates que não havia movimento? Ora, tendo dito isto, não seria provável que alguém, até o próprio Sócrates, quisesse demonstrar o contrário, usando para tal um animal conotado com Zenão? E Zenão, não faria ele isso para inculpar Sócrates, com base no mesmo raciocínio?
É certo que tudo isto chegou aos ouvidos de Platão por portas e travessas. Mas nunca se sabe.
Quanto a Aquiles, o caso é outro. Nunca se sabe também, quando se trata de super-heróis.
Estou mais inclinado para a lebre. Não terá ela aberto finalmente os olhos? Eu cá não ponho as mãos no lume.
O próprio La Fontaine não disse que sim nem que não. Ele que desmentiu de pronto a autoria da história, dando todo o crédito a Ésopo.
Mas ainda admito outra hipótese, e se foi iniciativa das próprias? Não se terão elas encaminhado para os lados de Litém, trocando assim o acanhado tanque pelas águas do Arunca?
Não sei. Se esta última hipótese fôr a verdadeira, estou em crer que se trata, para além do prazer fluvial de que desfrutarão, de um teste à rapidez de actuação do nosso sistema de informações.
Aqui, ainda não vieram. Os agentes, claro.
Intrigante é o comentário que ouvi, num cruzamento de linhas telefónicas: "Sim. Estão aqui dando sopa." O resto foi inaudível. Mas não se ouve nenhum som que se pudesse confundir com aros.
os meus respeitos ao Correio da Manhã, que é completamente alheio a esta disputa
Aqui há atrasado, eu e o amigo Anarcka envolvemo-nos em acesa polémica em torno de Albergaria dos Doze. É público, esteve em todos os jornais.
Dados os acontecimentos recentes, que envolveram o desaparecimento de três tartarugas, recebi um preocupado e-mail do homem.
Assim, cabe-me iniciar a árdua tarefa da defesa da nossa honra.
Em primeiro lugar, somos completamente alheios ao sucedido.
E como estamos interessados no apuramento de toda a verdade, apesar de não me ter sido possível contar com a concordância em tempo útil do amigo Anarcka, decidi avançar com a seguinte contribuição para o apuramento dos factos e das responsabilidades:
Acho que podemos pôr de parte o Ésopo e o Zenão, por manifesta impossibilidade física. Parece que apresentaram ambos os bilhetes do ferry para Creta, na noite dos factos.
Isto foi-me dito por uma das tais fontes, que também acrescentou que havia umas dúvidas.
Parece que o tradutor oficial não tinha a certeza de que os nomes se referissem a passageiros ou ao próprio barco. Eu, por mim, estranho que o barco ostentasse o nome de ambos. Enfim.
Também soube que alegam não se conhecer. Qualquer coisa relacionada com datas de nascimento. Eu cá digo que há boas razões para Ésopo não conhecer Zenão, que nasceu mais de 100 anos depois da suposta morte do primeiro. Agora, a inversa... Poderá Zenão não ter conhecido Ésopo em carne e osso, mas a sua obra já não garanto.
Há aqui um outro elemento baralhador, que de alguma forma inculpa Zenão ou os seus detractores. Não disse ele a Sócrates que não havia movimento? Ora, tendo dito isto, não seria provável que alguém, até o próprio Sócrates, quisesse demonstrar o contrário, usando para tal um animal conotado com Zenão? E Zenão, não faria ele isso para inculpar Sócrates, com base no mesmo raciocínio?
É certo que tudo isto chegou aos ouvidos de Platão por portas e travessas. Mas nunca se sabe.
Quanto a Aquiles, o caso é outro. Nunca se sabe também, quando se trata de super-heróis.
Estou mais inclinado para a lebre. Não terá ela aberto finalmente os olhos? Eu cá não ponho as mãos no lume.
O próprio La Fontaine não disse que sim nem que não. Ele que desmentiu de pronto a autoria da história, dando todo o crédito a Ésopo.
Mas ainda admito outra hipótese, e se foi iniciativa das próprias? Não se terão elas encaminhado para os lados de Litém, trocando assim o acanhado tanque pelas águas do Arunca?
Não sei. Se esta última hipótese fôr a verdadeira, estou em crer que se trata, para além do prazer fluvial de que desfrutarão, de um teste à rapidez de actuação do nosso sistema de informações.
Aqui, ainda não vieram. Os agentes, claro.
Intrigante é o comentário que ouvi, num cruzamento de linhas telefónicas: "Sim. Estão aqui dando sopa." O resto foi inaudível. Mas não se ouve nenhum som que se pudesse confundir com aros.
os meus respeitos ao Correio da Manhã, que é completamente alheio a esta disputa
Eu não devia
Há coisas que não se fazem, eu sei.
Também não gosto de delatores.
Mas esta, desculpem lá, tem que ser.
Eu não tenho culpa que uma inteligência sagaz da companhia dos telefones tenha mandado instalar uma cabina telefónica tão rente, tão rente, à parede da minha velha casa de família que era impossível alguém lavar ou pintar aquele troço de parede.
O certo é que no quarto onde eu dormi as últimas noites em paz, se ouvia tudo o que se dizia ao telefone.
Como a inversa também é verdadeira, suponho, terá havido por certo alguns utilizadores que tiveram dificuldade em entender o seu interlocutor, nas noites em que ressonei mais alto.
Já está vista a anormalidade da coisa e o desrespeito pela privacidade que essa mente iluminada promoveu.
Certa manhã de dia de festa, entre o foguetório e a largada de touros, estando ainda recolhido, comecei a ouvir:
“Estou? Sim, pá, passa-me aí ao Marques.”
...
“Tá, Marques. Estás bom, pá? Olha, estou aqui à rasca!”
...
“Não, não é comigo. É a minha sogra. Estou aqui no hospital.”
...
“Não sei, pá. Mas faz-me lá o favor de dizer ao chefe que eu hoje não vou.”
...
“Ò pá, acho que sim, acho que amanhã já estou.”
...
“Obrigadinho, ò Marques, desculpa lá, pá. Um abraço, até amanhã.”
Não faço a menor ideia de quem era o homem. Só posso dizer que não era lá da zona, pois não tinha sotaque. E dizia muitos pás.
E a coisa passou-se no fim de Agosto de 1999. O mês do eclipse.
Está quase a prescrever.
Há coisas que não se fazem, eu sei.
Também não gosto de delatores.
Mas esta, desculpem lá, tem que ser.
Eu não tenho culpa que uma inteligência sagaz da companhia dos telefones tenha mandado instalar uma cabina telefónica tão rente, tão rente, à parede da minha velha casa de família que era impossível alguém lavar ou pintar aquele troço de parede.
O certo é que no quarto onde eu dormi as últimas noites em paz, se ouvia tudo o que se dizia ao telefone.
Como a inversa também é verdadeira, suponho, terá havido por certo alguns utilizadores que tiveram dificuldade em entender o seu interlocutor, nas noites em que ressonei mais alto.
Já está vista a anormalidade da coisa e o desrespeito pela privacidade que essa mente iluminada promoveu.
Certa manhã de dia de festa, entre o foguetório e a largada de touros, estando ainda recolhido, comecei a ouvir:
“Estou? Sim, pá, passa-me aí ao Marques.”
...
“Tá, Marques. Estás bom, pá? Olha, estou aqui à rasca!”
...
“Não, não é comigo. É a minha sogra. Estou aqui no hospital.”
...
“Não sei, pá. Mas faz-me lá o favor de dizer ao chefe que eu hoje não vou.”
...
“Ò pá, acho que sim, acho que amanhã já estou.”
...
“Obrigadinho, ò Marques, desculpa lá, pá. Um abraço, até amanhã.”
Não faço a menor ideia de quem era o homem. Só posso dizer que não era lá da zona, pois não tinha sotaque. E dizia muitos pás.
E a coisa passou-se no fim de Agosto de 1999. O mês do eclipse.
Está quase a prescrever.
Saudando o único que me conhece
Dizia eu aqui há uns tempos, que só havia duas pessoas que me conheciam e sabiam que eu escrevia aqui (para além da minha mãe, é claro!).
Uma era um professor de estatística lá da longínqua Atenas.
Outra era o rapaz já aqui citado.
Disse também que a probabilidade de eles aqui entrarem era mínima: um, porque mal percebe português; outro, porque não se interessava.
Sucede que o segundo entrou ontem neste meio. E com muita classe, pois escolheu um nome magnífico.
E por isso, aqui vai o link para o homem. Embora esteja ainda em testes, ele merece.
Um abraço, ò Syllan Zertharias!
Dizia eu aqui há uns tempos, que só havia duas pessoas que me conheciam e sabiam que eu escrevia aqui (para além da minha mãe, é claro!).
Uma era um professor de estatística lá da longínqua Atenas.
Outra era o rapaz já aqui citado.
Disse também que a probabilidade de eles aqui entrarem era mínima: um, porque mal percebe português; outro, porque não se interessava.
Sucede que o segundo entrou ontem neste meio. E com muita classe, pois escolheu um nome magnífico.
E por isso, aqui vai o link para o homem. Embora esteja ainda em testes, ele merece.
Um abraço, ò Syllan Zertharias!
25/11/2003
O ecologista precoce
Nos primeiros anos da década de sessenta, havia esse pormenor.
O rapaz não mijava no campo. Exigia uma lata para conter os resíduos orgânicos.
Sem lata, nada feito.
Há pelo menos uma prova documental da coisa. Uma fotografia. Testemunhos há vários. Latas enferrujadas é que já não.
O mistério persiste. De onde vinham as latas necessárias (havia sempre uma no porta-bagagens do carro) e o que lhes aconteceu depois de usadas?
Não é seguro que a razão de tal exigência fosse a excessiva preocupação ambiental.
Há quem defenda que era só o gozo de fazer pontaria.
imagem encontrada em e adaptada
Nos primeiros anos da década de sessenta, havia esse pormenor.
O rapaz não mijava no campo. Exigia uma lata para conter os resíduos orgânicos.
Sem lata, nada feito.
Há pelo menos uma prova documental da coisa. Uma fotografia. Testemunhos há vários. Latas enferrujadas é que já não.
O mistério persiste. De onde vinham as latas necessárias (havia sempre uma no porta-bagagens do carro) e o que lhes aconteceu depois de usadas?
Não é seguro que a razão de tal exigência fosse a excessiva preocupação ambiental.
Há quem defenda que era só o gozo de fazer pontaria.
imagem encontrada em e adaptada
24/11/2003
O utilizador-pagador
Como não está agora (nestes dias) na berra este chavão, e na sequência do post anterior, vou tecer algumas considerações a respeito.
Temos sido bombardeados a espaço com o chamado Princípio do utilizador-pagador.
Utilizador-pagador não é muito difícil perceber o que é. Todos conhecem os papelinhos ou azulejos tradicionais:
Já o Princípio é uma coisa obscura. Não há cão nem gato que não seja a favor ou contra o dito Princípio.
Mas qual Princípio?
Onde é que começa e onde é que acaba?
Aplica-se a quê, como e porquê?
São os doentes e os acidentados que pagam os hospitais?
São os banhistas que pagam a limpeza e a segurança das praias?
São os que circulam nos acessos a Vale Fundo à Pasmaceira que pagam todas as infraestruturas de que usufruem, pontes, estradas, etc.?
Nunca vi um jornalista fazer esta pergunta simples.
Provavelmente, porque a resposta seria, à maneira do Pateta, de mão na boca.
Mas quem fez 75 anos foi o Mickey!
imagem do Zé Povinho em
imagem do Pateta em (link perdido)
Como não está agora (nestes dias) na berra este chavão, e na sequência do post anterior, vou tecer algumas considerações a respeito.
Temos sido bombardeados a espaço com o chamado Princípio do utilizador-pagador.
Utilizador-pagador não é muito difícil perceber o que é. Todos conhecem os papelinhos ou azulejos tradicionais:
Já o Princípio é uma coisa obscura. Não há cão nem gato que não seja a favor ou contra o dito Princípio.
Mas qual Princípio?
Onde é que começa e onde é que acaba?
Aplica-se a quê, como e porquê?
São os doentes e os acidentados que pagam os hospitais?
São os banhistas que pagam a limpeza e a segurança das praias?
São os que circulam nos acessos a Vale Fundo à Pasmaceira que pagam todas as infraestruturas de que usufruem, pontes, estradas, etc.?
Nunca vi um jornalista fazer esta pergunta simples.
Provavelmente, porque a resposta seria, à maneira do Pateta, de mão na boca.
Mas quem fez 75 anos foi o Mickey!
imagem do Zé Povinho em
imagem do Pateta em (link perdido)
Estatuto
Por um lado, o estatuto de blogue incógnito, desconhecido, poderia proporcionar o comentário da actualidade como se faz numa agenda. São tão poucos a ler...
Por outro, o estatuto de anónimo não permite muitas vezes esse comentário. Não se podem comentar os factos, criticar aspectos e manter o anonimato.
Os estatutos escritos deste blogue não o permitem.
A mim, mais me apraz comentar genericamente as coisas, sem atentar à sua importância presente. Muitas vezes relembrando questões que já foram vivas, continuam importantes, mas já morreram nos circuitos da informação.
Um exemplo de um nome a propósito: Zviad Gamsakurdia. Um nome quase obrigatório nos noticiários do tempo em que ruiu a União Soviética. Morto uns anos depois de ter sido deposto. Agora que Chevardnadze também foi apeado, nem uma palavra sobre o histórico líder ibérico morto há dez anos. Não valia a pena ou já ninguém se lembra do nome?
Por um lado, o estatuto de blogue incógnito, desconhecido, poderia proporcionar o comentário da actualidade como se faz numa agenda. São tão poucos a ler...
Por outro, o estatuto de anónimo não permite muitas vezes esse comentário. Não se podem comentar os factos, criticar aspectos e manter o anonimato.
Os estatutos escritos deste blogue não o permitem.
A mim, mais me apraz comentar genericamente as coisas, sem atentar à sua importância presente. Muitas vezes relembrando questões que já foram vivas, continuam importantes, mas já morreram nos circuitos da informação.
Um exemplo de um nome a propósito: Zviad Gamsakurdia. Um nome quase obrigatório nos noticiários do tempo em que ruiu a União Soviética. Morto uns anos depois de ter sido deposto. Agora que Chevardnadze também foi apeado, nem uma palavra sobre o histórico líder ibérico morto há dez anos. Não valia a pena ou já ninguém se lembra do nome?
Produtos químicos e naturais
Quando se trata de lugares tão comuns como o são estes, polemizar sobre a sua aplicação enquanto conceito, parece um disparate.
Eu ainda assim acho que merece um bocadinho de reflexão.
O que é uma coisa natural?
Eu entendo que natural é tudo. Tudo sem excepção. E produto químico é tudo o que é produto de uma reacção química. Tudo o que é matéria. Toda a matéria sem excepção.
Porque não consigo identificar a fronteira, estabelecer balizas.
Mas há uma opinião geral que não é essa. É certo que grande parte dos que falam constantemente nestas coisas, não sabem identificar os limites entre o natural e o não-natural, por aí fora.
Mas parece que o entendimento é mais ou menos este: é natural tudo o que existe à face da terra, incluindo o homem, excepto o que é manipulado pelo homem. Mas das coisas manipuladas pelo homem, há ainda excepções, ou seja há coisas que mesmo manipuladas são naturais.
Quanto aos produtos químicos, parecem ser só aqueles que, embora existam na natureza, são obtidos em condições particulares (normalmente em quantidades ou concentrações não existentes) através de reacções químicas, misturas ou processos de separação desencadeados pelo homem, preferencialmente em laboratório.
Esta é a ideia que eu tenho em relação ao que é o entendimento geral.
Mas não consigo encontrar a definição precisa, apurada. Porque há excepções, muitas excepções. E excepções às excepções, e excepções dentro destas.
Tal como na anedota. É certo que um elefante e um eléctrico são ambos amarelos, excepto o elefante.
imagens encontradas em: elefante eléctrico
Quando se trata de lugares tão comuns como o são estes, polemizar sobre a sua aplicação enquanto conceito, parece um disparate.
Eu ainda assim acho que merece um bocadinho de reflexão.
O que é uma coisa natural?
Eu entendo que natural é tudo. Tudo sem excepção. E produto químico é tudo o que é produto de uma reacção química. Tudo o que é matéria. Toda a matéria sem excepção.
Porque não consigo identificar a fronteira, estabelecer balizas.
Mas há uma opinião geral que não é essa. É certo que grande parte dos que falam constantemente nestas coisas, não sabem identificar os limites entre o natural e o não-natural, por aí fora.
Mas parece que o entendimento é mais ou menos este: é natural tudo o que existe à face da terra, incluindo o homem, excepto o que é manipulado pelo homem. Mas das coisas manipuladas pelo homem, há ainda excepções, ou seja há coisas que mesmo manipuladas são naturais.
Quanto aos produtos químicos, parecem ser só aqueles que, embora existam na natureza, são obtidos em condições particulares (normalmente em quantidades ou concentrações não existentes) através de reacções químicas, misturas ou processos de separação desencadeados pelo homem, preferencialmente em laboratório.
Esta é a ideia que eu tenho em relação ao que é o entendimento geral.
Mas não consigo encontrar a definição precisa, apurada. Porque há excepções, muitas excepções. E excepções às excepções, e excepções dentro destas.
Tal como na anedota. É certo que um elefante e um eléctrico são ambos amarelos, excepto o elefante.
imagens encontradas em: elefante eléctrico
23/11/2003
O conto do vigário
Uma abordagem sentimental
O conto do vigário era para mim um conto falso. Nem eu sabia como tinha razão.
Era um conto falso porque quando ouvia falar nele, pedia que mo contassem e a história era sempre diferente. Ora, com o meu reduzido vocabulário mental desses tempos, rotulava logo a história como falsa. Era falsa aquela, a última, e eram falsas todas as outras. Tinha que haver um conto do vigário, único e verdadeiro. Mas ninguém o conhecia, essa é que era essa.
Vem isto a propósito do post ali em baixo, que ostenta a cópia do último que me contaram, ontem à noite.
Mas hoje queria contar um conto do vigário que é falso. É falso porque não se baseia na exploração da agiotagem, mas na dos sentimentos.
Toda a gente sabe que os há assim também, às vezes até com contornos semelhantes aos que exploram a ganância. Mas não me parece que seja o caso deste.
Tal como mo contaram:
"O velho era do sul serrenho. Vivia isolado num monte e não tinha voltado à cidade desde o tempo da tropa. Não tinha família chegada, excepto um sobrinho emigrado algures.
Um dia recebeu uma carta do sobrinho, anunciando-lhe a próxima chegada a Lisboa.
O velho não hesitou. No dia aprazado, meteu-se no comboio e lá foi, à procura do que lhe sobrava do sangue.
Como não é difícil de explicar em tais circunstâncias, desencontrou-se do sobrinho.
E resolveu afogar as mágoas numa taberna, junto à estação fluvial enquanto esperava o barco de regresso.
Nestas coisas, há sempre um vigarista por perto senão não havia conto. O homem encostado ao balcão já se lamentava da sua pouca sorte a quem o quisesse ouvir, e particularmente com o dono da tasca.
Tanto o fez e tanto bebeu, que lá deixou aparecer a ponta das notas que trazia na carteira ao pagar mais uma rodada.
O espertalhão deve ter-se chegado nessa altura.
E se calhar até pagou um copo ao homem.
Estava disposto a ouvi-lo. Deixou o velho falar, beber, falar. Quando o achou no ponto sugeriu-lhe que fossem companheiros de viagem, afinal ele também ia para o sul.
Pouco depois, para o confortar ainda mais, já lhe dizia que o tratasse por sobrinho. Afinal, tinha perdido o sobrinho mas tinha o encontrado a ele.
E assim fizeram. Eram já tio e sobrinho quando atravessaram o rio e se instalaram no comboio do sul.
Não tardou muito que o velho não adormecesse. Antes houvera tempo para se apresentarem como familiares aos circunstantes.
Quando o comboio se aproximou de uma estação, o patife anunciou aos companheiros de viagem que ia pregar uma partida ao tio, ia esconder-lhe a carteira. Afinal, tinham já galhofado um belo bocado."
Quem me contou a história, tomou contacto com ela no momento em que o velho desatou aos berros, respondendo aos que o animavam: "Qual sobrinho! Nunca o vi mais gordo!"
Uma abordagem sentimental
O conto do vigário era para mim um conto falso. Nem eu sabia como tinha razão.
Era um conto falso porque quando ouvia falar nele, pedia que mo contassem e a história era sempre diferente. Ora, com o meu reduzido vocabulário mental desses tempos, rotulava logo a história como falsa. Era falsa aquela, a última, e eram falsas todas as outras. Tinha que haver um conto do vigário, único e verdadeiro. Mas ninguém o conhecia, essa é que era essa.
Vem isto a propósito do post ali em baixo, que ostenta a cópia do último que me contaram, ontem à noite.
Mas hoje queria contar um conto do vigário que é falso. É falso porque não se baseia na exploração da agiotagem, mas na dos sentimentos.
Toda a gente sabe que os há assim também, às vezes até com contornos semelhantes aos que exploram a ganância. Mas não me parece que seja o caso deste.
Tal como mo contaram:
"O velho era do sul serrenho. Vivia isolado num monte e não tinha voltado à cidade desde o tempo da tropa. Não tinha família chegada, excepto um sobrinho emigrado algures.
Um dia recebeu uma carta do sobrinho, anunciando-lhe a próxima chegada a Lisboa.
O velho não hesitou. No dia aprazado, meteu-se no comboio e lá foi, à procura do que lhe sobrava do sangue.
Como não é difícil de explicar em tais circunstâncias, desencontrou-se do sobrinho.
E resolveu afogar as mágoas numa taberna, junto à estação fluvial enquanto esperava o barco de regresso.
Nestas coisas, há sempre um vigarista por perto senão não havia conto. O homem encostado ao balcão já se lamentava da sua pouca sorte a quem o quisesse ouvir, e particularmente com o dono da tasca.
Tanto o fez e tanto bebeu, que lá deixou aparecer a ponta das notas que trazia na carteira ao pagar mais uma rodada.
O espertalhão deve ter-se chegado nessa altura.
E se calhar até pagou um copo ao homem.
Estava disposto a ouvi-lo. Deixou o velho falar, beber, falar. Quando o achou no ponto sugeriu-lhe que fossem companheiros de viagem, afinal ele também ia para o sul.
Pouco depois, para o confortar ainda mais, já lhe dizia que o tratasse por sobrinho. Afinal, tinha perdido o sobrinho mas tinha o encontrado a ele.
E assim fizeram. Eram já tio e sobrinho quando atravessaram o rio e se instalaram no comboio do sul.
Não tardou muito que o velho não adormecesse. Antes houvera tempo para se apresentarem como familiares aos circunstantes.
Quando o comboio se aproximou de uma estação, o patife anunciou aos companheiros de viagem que ia pregar uma partida ao tio, ia esconder-lhe a carteira. Afinal, tinham já galhofado um belo bocado."
Quem me contou a história, tomou contacto com ela no momento em que o velho desatou aos berros, respondendo aos que o animavam: "Qual sobrinho! Nunca o vi mais gordo!"
22/11/2003
Atraso e diferença
Certas mentalidades acham incorrecto o emprego de certas palavras e inventam (recuperam) outras. E ao fim de uns tempos, quando a evolução semântica já fez das suas, mudam outra vez o verbo.
O mais ridículo é quando substituem conceitos, sem cuidar de os perceber.
É frequente a confusão entre diferença e atraso.
Diferença é quando duas pessoas chegam vestidas de cores diferentes.
Atraso é quando uma delas chega dez minutos depois.
Diferença é falarmos línguas diferentes.
Atraso é termos atingido patamares que outros já deixaram há anos.
É tão simples.
Certas mentalidades acham incorrecto o emprego de certas palavras e inventam (recuperam) outras. E ao fim de uns tempos, quando a evolução semântica já fez das suas, mudam outra vez o verbo.
O mais ridículo é quando substituem conceitos, sem cuidar de os perceber.
É frequente a confusão entre diferença e atraso.
Diferença é quando duas pessoas chegam vestidas de cores diferentes.
Atraso é quando uma delas chega dez minutos depois.
Diferença é falarmos línguas diferentes.
Atraso é termos atingido patamares que outros já deixaram há anos.
É tão simples.
Nem de propósito
Uma aplicação comezinha da memória.
Há uns bons anos avisavam-nos por carta.
Depois, passaram a usar o fax.
Agora o aviso vem pelo correio electrónico.
O aviso é que é sempre o mesmo:
"Na próxima esquina há alguém disposto a dar-te 5,45 milhões de dólares (cotação de há minutos atrás)!"
Certa vez, ainda no tempo das cartas, ouvi alguém dizer que conhecia alguém que tinha embarcado no logro.
Quantos terão?
Como diz um amigo meu, quando se anuncia o produto X contra os piolhos, é porque os há.
"Attn:
Soliciting For Business Venture and Partnership.
My name is MR FRANK COLE Chairman of contract award and monitoring committee of Ministry of Urban and rural development ,my duty as empowered by the Mauritius Government is to provide the basic amenities,social recreational activities in urban and rural areas,This programm includes assistance to deprived Local communities and to co-ordinate projects and development at the national level, Furthermore, from this projects we have been able to secure some reasonable amount of U.S.$21.8m(Twenty one Million Eight Hundred Thousand U.S.Dollars Only)as commision from various Contractors resulting from over invoicing ,hence all the necessary approvals has been completed.
These approved fund is now packaged and despatched through a security company for onward delivery to its final destination. These fund are first deposited into a vault security before we arrange for its movement to Europe through diplomatic channel using decoy purporting that the fund belongs to an expatriate/company , as we are Government officiale ,we are not allowed to operate/own foreign bank account,Hence we need you to stand as the beneficiary and claim the fund on our behalf from the security company.
Presently I am now in Europe to search for a reliable person/company of high intergrity /dignity and one with conscience who will claim this fund on our behalf as the beneficiary,and we have agreed to give you 25% of the total sum as commission for your assistance/effort. And 5% will be used to settle every expenses incurred. We will use 70% to invest under your recommendations and guide and to go into Joint venture business with you.
I would greatly appreciate your assistance . As I look forward to your response as soon as possible.
Best regards, FRANK COLE
0031622811643"
O e-mail de origem é frankcole_074@fsmail.net
Se quiserem responder, be my guests
Uma aplicação comezinha da memória.
Há uns bons anos avisavam-nos por carta.
Depois, passaram a usar o fax.
Agora o aviso vem pelo correio electrónico.
O aviso é que é sempre o mesmo:
"Na próxima esquina há alguém disposto a dar-te 5,45 milhões de dólares (cotação de há minutos atrás)!"
Certa vez, ainda no tempo das cartas, ouvi alguém dizer que conhecia alguém que tinha embarcado no logro.
Quantos terão?
Como diz um amigo meu, quando se anuncia o produto X contra os piolhos, é porque os há.
"Attn:
Soliciting For Business Venture and Partnership.
My name is MR FRANK COLE Chairman of contract award and monitoring committee of Ministry of Urban and rural development ,my duty as empowered by the Mauritius Government is to provide the basic amenities,social recreational activities in urban and rural areas,This programm includes assistance to deprived Local communities and to co-ordinate projects and development at the national level, Furthermore, from this projects we have been able to secure some reasonable amount of U.S.$21.8m(Twenty one Million Eight Hundred Thousand U.S.Dollars Only)as commision from various Contractors resulting from over invoicing ,hence all the necessary approvals has been completed.
These approved fund is now packaged and despatched through a security company for onward delivery to its final destination. These fund are first deposited into a vault security before we arrange for its movement to Europe through diplomatic channel using decoy purporting that the fund belongs to an expatriate/company , as we are Government officiale ,we are not allowed to operate/own foreign bank account,Hence we need you to stand as the beneficiary and claim the fund on our behalf from the security company.
Presently I am now in Europe to search for a reliable person/company of high intergrity /dignity and one with conscience who will claim this fund on our behalf as the beneficiary,and we have agreed to give you 25% of the total sum as commission for your assistance/effort. And 5% will be used to settle every expenses incurred. We will use 70% to invest under your recommendations and guide and to go into Joint venture business with you.
I would greatly appreciate your assistance . As I look forward to your response as soon as possible.
Best regards, FRANK COLE
0031622811643"
O e-mail de origem é frankcole_074@fsmail.net
Se quiserem responder, be my guests
Mais considerações sobre a memória
Há quem defenda que a memória de nada serve.
Quando nos propomos aperfeiçoar um mecanismo basta que o entendamos, não é necessário ter a história da sua evolução toda presente.
É certo que é assim que as coisas têm evoluído. Os exemplos estão em todo o lado.
O que me verdadeiramente me desafia é esta impossibilidade de conservar o conhecimento, como se todos os dias ardesse uma biblioteca em Alexandria.
É terem existido homens que souberam coisas que hoje se não sabem.
É terem existido focos de luz em determinadas direcções que já se extinguiram.
A memória há-de servir para alguma coisa.
Há quem defenda que a memória de nada serve.
Quando nos propomos aperfeiçoar um mecanismo basta que o entendamos, não é necessário ter a história da sua evolução toda presente.
É certo que é assim que as coisas têm evoluído. Os exemplos estão em todo o lado.
O que me verdadeiramente me desafia é esta impossibilidade de conservar o conhecimento, como se todos os dias ardesse uma biblioteca em Alexandria.
É terem existido homens que souberam coisas que hoje se não sabem.
É terem existido focos de luz em determinadas direcções que já se extinguiram.
A memória há-de servir para alguma coisa.
21/11/2003
Matar saudades do cantor estrangeiro
Entrámos uns quantos naquele bar.
Era um dos poucos sítios onde nos deixavam fazer as nossas próprias bebidas.
Umas coisas a arder que havíamos importado de umas noitadas em Espanha. Nesse tempo, ainda não se viam muito por aqui.
O R.C. era o mais expedito na confecção, seguia direitinho a cumprimentar o dono que invariavelmente lhe perguntava apenas: "Quantos são?"
Nessa noite não foi. Desviou-se para a direita e encostou-se a uma trave de madeira, embevecido.
Quando eu já me preparava para o substituir ao balcão, chegou-se e disse:
"Já tinha saudades de ouvir cantar em estrangeiro!"
Eu que sou uma nulidade de ouvido, não tinha dado por nada.
Esperei pela próxima e lá me fui colocar atrás do cantor. Satisfeito com o nosso interesse, e displicentemente sentado num banco alto, continuava a cantar "bichu tu é same flau inó é..."
Acabaria a noite bebendo connosco e ouvindo passarinhos, mas isso contarei depois.
Entrámos uns quantos naquele bar.
Era um dos poucos sítios onde nos deixavam fazer as nossas próprias bebidas.
Umas coisas a arder que havíamos importado de umas noitadas em Espanha. Nesse tempo, ainda não se viam muito por aqui.
O R.C. era o mais expedito na confecção, seguia direitinho a cumprimentar o dono que invariavelmente lhe perguntava apenas: "Quantos são?"
Nessa noite não foi. Desviou-se para a direita e encostou-se a uma trave de madeira, embevecido.
Quando eu já me preparava para o substituir ao balcão, chegou-se e disse:
"Já tinha saudades de ouvir cantar em estrangeiro!"
Eu que sou uma nulidade de ouvido, não tinha dado por nada.
Esperei pela próxima e lá me fui colocar atrás do cantor. Satisfeito com o nosso interesse, e displicentemente sentado num banco alto, continuava a cantar "bichu tu é same flau inó é..."
Acabaria a noite bebendo connosco e ouvindo passarinhos, mas isso contarei depois.
A raínha e o plebeu
O uso da língua tem destas coisas: A raínha Isabel II e o presidente George.
Havia um tempo em que os livros estavam cheios de Joões Smith, hoje já não é assim.
E ainda outro em que Lancaster deu Lencastre.
Falta-me a sabedoria para deslindar estas regras.
Vejo-me em Francoforte, Saragoça, Zurique, Antuérpia, Roterdão, Estocolmo, Nova Iorque.
Não me vejo em Beijing (há quem julgue que é ao pé de Pequim), Baghdad, Riyhad ou Edinburgh.
Dir-se-ia que tal como a cachemira, o pano de escócia, os cristais da boémia, o champanhe e o conhaque, o que é velho e bom está traduzido. Os plebeus nem por isso.
E rematando com algo completamente diferente: que é das bolas de cá-de-chú ou até de cá-de-chumbo, do dióxene ou vióxene e outras maravilhas?
Nem o cigano Melquíades sabe dar a resposta.
O uso da língua tem destas coisas: A raínha Isabel II e o presidente George.
Havia um tempo em que os livros estavam cheios de Joões Smith, hoje já não é assim.
E ainda outro em que Lancaster deu Lencastre.
Falta-me a sabedoria para deslindar estas regras.
Vejo-me em Francoforte, Saragoça, Zurique, Antuérpia, Roterdão, Estocolmo, Nova Iorque.
Não me vejo em Beijing (há quem julgue que é ao pé de Pequim), Baghdad, Riyhad ou Edinburgh.
Dir-se-ia que tal como a cachemira, o pano de escócia, os cristais da boémia, o champanhe e o conhaque, o que é velho e bom está traduzido. Os plebeus nem por isso.
E rematando com algo completamente diferente: que é das bolas de cá-de-chú ou até de cá-de-chumbo, do dióxene ou vióxene e outras maravilhas?
Nem o cigano Melquíades sabe dar a resposta.
Flashando
Com estas festas de inauguração todas, descobri agora a verdadeira razão dos flashes nas bancadas nos jogos à noite.
É que andava intrigado, para que é que serve um flash para tirar uma fotografia de um campo de futebol a partir de uma bancada?
Mas não, não é por isso, como diria o velho C.
É pela razão inversa da qual se utilizam ou não as luzes de um automóvel.
Toda a gente sabe que as criaturas que vêem bem à noite, se dispensam de usar as luzes do automóvel. Para quê?
Ora aqui, trata-se exactamente do contrário, os flashes são apenas para serem vistos. Nada mais do que isso. É que é tão bonito ver as luzinhas a piscar.
Com estas festas de inauguração todas, descobri agora a verdadeira razão dos flashes nas bancadas nos jogos à noite.
É que andava intrigado, para que é que serve um flash para tirar uma fotografia de um campo de futebol a partir de uma bancada?
Mas não, não é por isso, como diria o velho C.
É pela razão inversa da qual se utilizam ou não as luzes de um automóvel.
Toda a gente sabe que as criaturas que vêem bem à noite, se dispensam de usar as luzes do automóvel. Para quê?
Ora aqui, trata-se exactamente do contrário, os flashes são apenas para serem vistos. Nada mais do que isso. É que é tão bonito ver as luzinhas a piscar.
20/11/2003
Estranha mente
Estranho-me ao viciar
Arquitecturas velhas sob um olhar
Metódico e contudo vazio,
No meio de ruas de lama e cadelas com cio.
Estranho-me ao arranjar
Pretextos válidos para não sonhar,
Deixando águas e palavras correntes
Por dizer, entre dentes!
Estranho-me ao titular
Arquétipos de que não sei falar
Em mesas de amigos e vinhos,
Pássaros fritos e joaquinzinhos.
1986
SG, "Dizeres do Sul", 1993
Estranho-me ao viciar
Arquitecturas velhas sob um olhar
Metódico e contudo vazio,
No meio de ruas de lama e cadelas com cio.
Estranho-me ao arranjar
Pretextos válidos para não sonhar,
Deixando águas e palavras correntes
Por dizer, entre dentes!
Estranho-me ao titular
Arquétipos de que não sei falar
Em mesas de amigos e vinhos,
Pássaros fritos e joaquinzinhos.
1986
SG, "Dizeres do Sul", 1993
19/11/2003
O crepúsculo do Sr. Quitério
Já lhe chamaram tanto nome, que eu hoje resolvi chamar-lhe assim. Nada a ver com nenhum Quitério presente, passado ou futuro, juro.
Já lhe deram tanta profissão, que eu hoje resolvi dar-lhe a de empregado bancário. Nada a ver com nenhum empregado bancário passado, presente ou futuro. Não jurei? Pois juro.
Ora bem, vem isto a propósito do Sr. Quitério estar a perder a sua influência.
E porquê?
Ora porque o Sr. Quitério foi, aos olhos de muitos, o dono da opinião mais abalizada cá do burgo.
Muitos limitavam-se a repetir o que ele dizia. Outros espreitavam os artigos que o viam ler nos jornais. Os mais íntimos prendiam-no em cavaqueiras de café nas quais procuravam obter os mais diversos pareceres.
Não sei se alguma vez o Sr. Quitério se deu conta do valor que tinha para os demais. Mas o caso é que já não o vejo tão rodeado de companheiros, a beber a sua bica, já não ouço papaguearem-lhe (papagaiarem-lhe é mais bonito) as ideias, nem vejo espreitarem-lhe o jornal.
A coisa parece-me explicada. Com tantos comentadores de borla, já não é preciso de vez em quando pagar um cafèzinho, basta ligar a rádio ou a televisão. Ainda por cima, os assuntos são mais variados do que seria capaz de abranger o bom Sr. Quitério em dia de inspiração.
Quem está à rasca sou eu que, para distinguir os papagaios, já não me basta ouvir o Sr. Quitério.
Já lhe chamaram tanto nome, que eu hoje resolvi chamar-lhe assim. Nada a ver com nenhum Quitério presente, passado ou futuro, juro.
Já lhe deram tanta profissão, que eu hoje resolvi dar-lhe a de empregado bancário. Nada a ver com nenhum empregado bancário passado, presente ou futuro. Não jurei? Pois juro.
Ora bem, vem isto a propósito do Sr. Quitério estar a perder a sua influência.
E porquê?
Ora porque o Sr. Quitério foi, aos olhos de muitos, o dono da opinião mais abalizada cá do burgo.
Muitos limitavam-se a repetir o que ele dizia. Outros espreitavam os artigos que o viam ler nos jornais. Os mais íntimos prendiam-no em cavaqueiras de café nas quais procuravam obter os mais diversos pareceres.
Não sei se alguma vez o Sr. Quitério se deu conta do valor que tinha para os demais. Mas o caso é que já não o vejo tão rodeado de companheiros, a beber a sua bica, já não ouço papaguearem-lhe (papagaiarem-lhe é mais bonito) as ideias, nem vejo espreitarem-lhe o jornal.
A coisa parece-me explicada. Com tantos comentadores de borla, já não é preciso de vez em quando pagar um cafèzinho, basta ligar a rádio ou a televisão. Ainda por cima, os assuntos são mais variados do que seria capaz de abranger o bom Sr. Quitério em dia de inspiração.
Quem está à rasca sou eu que, para distinguir os papagaios, já não me basta ouvir o Sr. Quitério.
O final do milénio
Agora já se pode falar do assunto.
A onda de disparates já lá vai.
Afinal quando é que começou o terceiro milénio?
Foi às zero horas do dia 1 de Janeiro de 2000 ou um ano depois?
Atordoado pelas asneiras incontáveis que se produziram à época, vou agora, de cátedra, pronunciar-me a posteriori.
Foi na noite de 31 de Dezembro de 1999 para 1 de Janeiro de 2000. E porquê?
Passo a explicar:
Embora ciente de que é óbvia e incontestável a afirmação de que o final do ano 2000 é o final do século e do milénio (perdi-me de riso com as demonstrações matemáticas a favor e em contrário, as voltas que deram ao zero, coitado!), lamento informar de que qualquer contagem só é válida se fôr efectuada sobre elementos precisos.
Ora aqui é que está o busílis.
Estamos a contar a partir de quê? De que dia? De que ano?
Ninguém sabe. Há uns palpites.
Decidiu a Igreja, no papado de Gregório XIII, século XVI desta era, dar a forma actual à contagem do tempo. O calendário foi tornado mais preciso, embora com a mesma base dos precedentes calendários romanos.
Mas subsistem os erros. Se o nascimento de Cristo é a data a partir da qual contamos, que sentido faz comemorar essa data uma semana antes? De qualquer forma é uma convenção baseada em nada.
Ora se a contagem é feita sobre uma data que se desconhece, que validade tem? Nenhuma. Ou melhor, tem apenas a validade consuetudinária que lhe advém dos quatro séculos e tal de uso.
Ora se é o uso, independentemente da razão, que lhe confere a validade, tenho a dizer o seguinte:
É irrefutável que a passagem de ano de 1999 para 2000 foi muito mais celebrada do que a seguinte.
É inegável que o burburinho que se gerou a propósito das datas nos computadores (o chamado bug do milénio) foi só por si um acontecimento milenar.
Não há qualquer razão histórica para marcar o milénio, a não ser a que já enunciei, uma vez que há 1000 anos atrás, a mesma porção da humanidade (se é que isto se pode dizer) que agora assinala o ano 2000 (ou 2001) se encontrava dividida entre contagens díspares e nunca no ano 1000. Para além disso, o comum dos mortais de então não se prendia a esses números, assinalavam anos de pestes, de inundações, de fogos, de neves, de reinados, de conquistas...
É aqui que me lembro do velho hindu que se despediu de mim (não mais o verei, é quase certo) na noite de 29 de Dezembro de 2000, à porta de um hotel da Praia da Rocha: “Vocês andam tão contentes com esta data, mas para mim é um dia como os outros, a gente faz outras contas.”
Pois é. Fazem. Eles e muitos outros.
Mas também é verdade que a nossa técnica (cristã e ocidental) os submeteu de tal forma nestes últimos anos que se vêem agarrados à nossa contagem mesmo que não lhes diga nada.
E já agora, há quantos anos cá andamos?
imagem em
Agora já se pode falar do assunto.
A onda de disparates já lá vai.
Afinal quando é que começou o terceiro milénio?
Foi às zero horas do dia 1 de Janeiro de 2000 ou um ano depois?
Atordoado pelas asneiras incontáveis que se produziram à época, vou agora, de cátedra, pronunciar-me a posteriori.
Foi na noite de 31 de Dezembro de 1999 para 1 de Janeiro de 2000. E porquê?
Passo a explicar:
Embora ciente de que é óbvia e incontestável a afirmação de que o final do ano 2000 é o final do século e do milénio (perdi-me de riso com as demonstrações matemáticas a favor e em contrário, as voltas que deram ao zero, coitado!), lamento informar de que qualquer contagem só é válida se fôr efectuada sobre elementos precisos.
Ora aqui é que está o busílis.
Estamos a contar a partir de quê? De que dia? De que ano?
Ninguém sabe. Há uns palpites.
Decidiu a Igreja, no papado de Gregório XIII, século XVI desta era, dar a forma actual à contagem do tempo. O calendário foi tornado mais preciso, embora com a mesma base dos precedentes calendários romanos.
Mas subsistem os erros. Se o nascimento de Cristo é a data a partir da qual contamos, que sentido faz comemorar essa data uma semana antes? De qualquer forma é uma convenção baseada em nada.
Ora se a contagem é feita sobre uma data que se desconhece, que validade tem? Nenhuma. Ou melhor, tem apenas a validade consuetudinária que lhe advém dos quatro séculos e tal de uso.
Ora se é o uso, independentemente da razão, que lhe confere a validade, tenho a dizer o seguinte:
É irrefutável que a passagem de ano de 1999 para 2000 foi muito mais celebrada do que a seguinte.
É inegável que o burburinho que se gerou a propósito das datas nos computadores (o chamado bug do milénio) foi só por si um acontecimento milenar.
Não há qualquer razão histórica para marcar o milénio, a não ser a que já enunciei, uma vez que há 1000 anos atrás, a mesma porção da humanidade (se é que isto se pode dizer) que agora assinala o ano 2000 (ou 2001) se encontrava dividida entre contagens díspares e nunca no ano 1000. Para além disso, o comum dos mortais de então não se prendia a esses números, assinalavam anos de pestes, de inundações, de fogos, de neves, de reinados, de conquistas...
É aqui que me lembro do velho hindu que se despediu de mim (não mais o verei, é quase certo) na noite de 29 de Dezembro de 2000, à porta de um hotel da Praia da Rocha: “Vocês andam tão contentes com esta data, mas para mim é um dia como os outros, a gente faz outras contas.”
Pois é. Fazem. Eles e muitos outros.
Mas também é verdade que a nossa técnica (cristã e ocidental) os submeteu de tal forma nestes últimos anos que se vêem agarrados à nossa contagem mesmo que não lhes diga nada.
E já agora, há quantos anos cá andamos?
imagem em
18/11/2003
Teme-se o pior
As aventuras do espião galego continuam.
A última ameaça aqui denunciada foi sobre qualquer coisa que iria fazer às jantes do meu carro, lá para um porto. O Porto, we all know and love, ou outro porto qualquer.
Pois, logo no dia seguinte, 31 do mês passado, alude via sapo a desdobramento totobola.
Começa assim uma série de ameaças que incide sempre sobre o totobola e não sobre o totoloto. Como relembrando a velha frase ameaçadora “Esta semana não há trezes! (agora catorzes ou quatorzes)” tanta vez proferida pelo H.J. nos dias que antecederam a sua fuga com a mulher do B.E. (não, não é o Bloco de Esquerda).
Enfatizando toda a sua panóplia de recursos, e já no Brasil, dá-lhe a veia poética e agita feitiços quando torna dia das bruxas poemas, ainda a 31.
Pouco depois, mostra "fotos de rodovias" onde supostamente me abordará se eu me conseguir chegar a terras de Vera Cruz.
A 1 de Novembro, já de regresso, propõe-se aliviar-me a subsequente dor de dentes com dendoral.
A 2, bate o recorde de ameaças, faz seis de uma assentada.
A primeira desse dia, é enigmática: pede uma tradução de Fulgêncio Baptista para inglês (obtém um H Overseas Gasolim, eh eh eh...). Mas eu sei ao que ele se refere, embora com um avanço de 8 dias...
Logo depois, mais desdobramentos totobola.
E em seguida, usando o Yahoo, "Linha do sado", como sabeis é a retoma do velho tema sadino, que me inspira os maiores cuidados em terras setubalenses. Pior do que isso, fá-lo duas vezes seguidas "Linha do sado".
E é então que faz a mais enigmática ameaça até agora: las meninas "a triangle" -similar –triangles, tal e qual. E pede tradução.
Ou seja, com herméticas explicações geométricas sobre o quadro do nosso Velasques, apresenta o rigor com que giza os seus planos. Será isso?
Por último, ainda no dia 2, já em Espanha fotos damaia de abaixo(portugal). Isto significa muito, ainda que o não pareça. O homem tenta apanhar na certa algumas fotos da costumeira tasca do Manel. Pode muito bem ser o que necessita para preparar uma armadilha por lá. O sítio é propício, aquela cave sem escapatória...
E no dia 3, talvez pensando em todas as hipóteses de me apanhar desprevenido academica da ucdb pelada. Segue o caminho da tentação. A académica não é por certo a da UC Deambulando Bêbeda.
Depois vira-se para outro tipo de tentações acelgas. Faz tudo para me aliciar. O gato e o rato.
No dia seguinte, 4 de Novembro, novo recorde, sete ataques, o primeiro: rustico algarvio. Um sinal de que me conhece os costados.
Sem perder o fôlego, e na mesma linha historia da alfarroba. Interessa-se e deve ter lido o post lá de trás.
Já não percebo é porque é que mete a Santa Casa nisto... scml blogue
E logo repete a afronta, pondo a rusticidade em destaque: ze povinho.
E volta à Santa Casa, djogos
Sabe o que fumo, sg cigarros
E tornando a Castela, sabe que percorro as autovias, mapa de carreteras de España
E logo, logo taberna dos tempos fotos, lá está. É certo que é a tasca do Manel.
Depois, já a 5, do Brasil, Montijo- portugal. É a tal referência já feita há muito, à Aldeia Galega. Em busca de cumplicidades.
E já agora, no dia 6, volta à carga, salsaparrilha, o eterno disfarce.
E depois, vincando bem a sua qualidade de carraça, menciona e afronta os Carraceiros
Para despistar, finge-se depois analfabeto, carraçeiros. Mas a coisa passa na malha grossa e vem cá parar.
E retoma uma velha querela no dia 7, hillman imp fotos
Aqui não comento suicidio viaduto avenida ceuta
Mas a seguir, no dia 8, dá uma outra ideia de como me pode fazer tombar o céu em cima da cabeça estruturas metalicas. como construir, calcular
Volta-lhe a veia poética e o disfarce de iletrado poemas sobro o tabaco
Mais desdobramento totobola
Mais "fotos de rodovias"
Começa assim a repetir-se.
A 9, de Espanha, safara ponte. Esta é francamente na mouche. Não posso explicar agora porquê.
E carrega sobre a aviação nacional, insinuando que a resposta está nos arquivos-fantasma da TAP: spectrum arquivos .tap (eu sei que é outra coisa, aliás sei muito mais do que o que parece, mas também posso fazer o meu bluffzinho).
fotos apaelho telefone é claramente um argumento de espião, não acham? Eu de resto a esta respondi de pronto.
E no dia 10, mostra as malhas da espionagem, que é feita assim: amadora escondidas nuas
E já faltava de novo o tema sadino fontainhas memórias
Avisa-me de outro perigo casa de banho, quem sabe a eterna ameaça do punhal no chuveiro... Note-se que é feita do Brasil, e não fala em banheiro.
No dia 11, onde será que se quer instalar? fotografias de casas para comprar
Será na Grécia? Pois manda esta vassalos lights lá do Peloponeso ou de Creta. Apurei junto do meu amigo candiano que Vassalos é um apelido vulgar por aquelas bandas. Mas não há cigarros com esse nome, ao que me disse.
E muito claramente avisa-me de que tudo me pode acontecer lá para o norte da minha terra acidentes rodoviários (alto Alentejo). Não é por acaso que me saio depois com o projecto de Lei no dia 15.
Talvez disfarçando árvores para me confundir, continua com pintura de troncos de árvores urbanas
E lança-me aos pitões mas do Brasil!
Em trilhos de messejana
Já a 12, manda-me dar totobola palpites
Retoma as fotografias setúbal fontainhas
E o ze povinho, ze povinho por 2 vezes.
E a 13, um palpitante porta cartao couro brindes, decerto escondendo alguma senha.
Dá uma vaga ideia do carro que utiliza: old ford transit
Depois, nova ameaça catastrófica prevenção sísmica
No dia 14, a coisa toma proporções bíblicas, creio eu, alma não-religiosa: Tibia 7.11
Para a seguir, não sei se em terra de leite e dito ilhadomel
No dia 15, ainda sadino, dá uma ideia de outro disfarce que poderá usar: trajes regionais de alcacer sal
Cabalística a seguinte, Peugeot algarismos, feita no dia 16. Nem ele sonha (ou sonhará?) que eu tenciono colocar aqui umas fotos dos 403, 404 e 504. Cá por coisas.
Precisa depois uma localização mapas de albufeira com escalas. Caramba, e não é que há aquela aventura com a 403 a caminho de Albufeira?
E pimba, volta à salsaparrilha
E reparem como não se afasta do rio Sado, ciclismo grandola fotos. Isto já no dia 17.
E continua, mais salsaparrilha
Eu não digo? Ele quer é casas para alugar em montijo
E logo mais um enigma: ilhas urbanas de calor em vila velha
E remata com mais totobola, digo eu: correio da manha scml.
Provavelmente, terei que ler o Correio da Manhã e as notícias ou os anúncios ao pé do habitual resumo dos sorteios da Santa Casa.
E agora a 18, começa com o tema galego de novo (Montijo – Aldeia Galega): antena jovem montijo
Pouco depois, não há 13 ou 14 acertos outra vez, pois vem de novo desdobramento chaves totobola
E logo, do Brasil, NOTICIAS DE PULITICA, sempre irónico!
Vem a seguir à procura de fotos de casas velhas, na certa para usar como esconderijo.
Termina por ora com um convite à bebida, talvez viciada por ele, cerveja clok, e reparem bem que se encontra na Polónia!
Estou preparado para tudo.
As aventuras do espião galego continuam.
A última ameaça aqui denunciada foi sobre qualquer coisa que iria fazer às jantes do meu carro, lá para um porto. O Porto, we all know and love, ou outro porto qualquer.
Pois, logo no dia seguinte, 31 do mês passado, alude via sapo a desdobramento totobola.
Começa assim uma série de ameaças que incide sempre sobre o totobola e não sobre o totoloto. Como relembrando a velha frase ameaçadora “Esta semana não há trezes! (agora catorzes ou quatorzes)” tanta vez proferida pelo H.J. nos dias que antecederam a sua fuga com a mulher do B.E. (não, não é o Bloco de Esquerda).
Enfatizando toda a sua panóplia de recursos, e já no Brasil, dá-lhe a veia poética e agita feitiços quando torna dia das bruxas poemas, ainda a 31.
Pouco depois, mostra "fotos de rodovias" onde supostamente me abordará se eu me conseguir chegar a terras de Vera Cruz.
A 1 de Novembro, já de regresso, propõe-se aliviar-me a subsequente dor de dentes com dendoral.
A 2, bate o recorde de ameaças, faz seis de uma assentada.
A primeira desse dia, é enigmática: pede uma tradução de Fulgêncio Baptista para inglês (obtém um H Overseas Gasolim, eh eh eh...). Mas eu sei ao que ele se refere, embora com um avanço de 8 dias...
Logo depois, mais desdobramentos totobola.
E em seguida, usando o Yahoo, "Linha do sado", como sabeis é a retoma do velho tema sadino, que me inspira os maiores cuidados em terras setubalenses. Pior do que isso, fá-lo duas vezes seguidas "Linha do sado".
E é então que faz a mais enigmática ameaça até agora: las meninas "a triangle" -similar –triangles, tal e qual. E pede tradução.
Ou seja, com herméticas explicações geométricas sobre o quadro do nosso Velasques, apresenta o rigor com que giza os seus planos. Será isso?
Por último, ainda no dia 2, já em Espanha fotos damaia de abaixo(portugal). Isto significa muito, ainda que o não pareça. O homem tenta apanhar na certa algumas fotos da costumeira tasca do Manel. Pode muito bem ser o que necessita para preparar uma armadilha por lá. O sítio é propício, aquela cave sem escapatória...
E no dia 3, talvez pensando em todas as hipóteses de me apanhar desprevenido academica da ucdb pelada. Segue o caminho da tentação. A académica não é por certo a da UC Deambulando Bêbeda.
Depois vira-se para outro tipo de tentações acelgas. Faz tudo para me aliciar. O gato e o rato.
No dia seguinte, 4 de Novembro, novo recorde, sete ataques, o primeiro: rustico algarvio. Um sinal de que me conhece os costados.
Sem perder o fôlego, e na mesma linha historia da alfarroba. Interessa-se e deve ter lido o post lá de trás.
Já não percebo é porque é que mete a Santa Casa nisto... scml blogue
E logo repete a afronta, pondo a rusticidade em destaque: ze povinho.
E volta à Santa Casa, djogos
Sabe o que fumo, sg cigarros
E tornando a Castela, sabe que percorro as autovias, mapa de carreteras de España
E logo, logo taberna dos tempos fotos, lá está. É certo que é a tasca do Manel.
Depois, já a 5, do Brasil, Montijo- portugal. É a tal referência já feita há muito, à Aldeia Galega. Em busca de cumplicidades.
E já agora, no dia 6, volta à carga, salsaparrilha, o eterno disfarce.
E depois, vincando bem a sua qualidade de carraça, menciona e afronta os Carraceiros
Para despistar, finge-se depois analfabeto, carraçeiros. Mas a coisa passa na malha grossa e vem cá parar.
E retoma uma velha querela no dia 7, hillman imp fotos
Aqui não comento suicidio viaduto avenida ceuta
Mas a seguir, no dia 8, dá uma outra ideia de como me pode fazer tombar o céu em cima da cabeça estruturas metalicas. como construir, calcular
Volta-lhe a veia poética e o disfarce de iletrado poemas sobro o tabaco
Mais desdobramento totobola
Mais "fotos de rodovias"
Começa assim a repetir-se.
A 9, de Espanha, safara ponte. Esta é francamente na mouche. Não posso explicar agora porquê.
E carrega sobre a aviação nacional, insinuando que a resposta está nos arquivos-fantasma da TAP: spectrum arquivos .tap (eu sei que é outra coisa, aliás sei muito mais do que o que parece, mas também posso fazer o meu bluffzinho).
fotos apaelho telefone é claramente um argumento de espião, não acham? Eu de resto a esta respondi de pronto.
E no dia 10, mostra as malhas da espionagem, que é feita assim: amadora escondidas nuas
E já faltava de novo o tema sadino fontainhas memórias
Avisa-me de outro perigo casa de banho, quem sabe a eterna ameaça do punhal no chuveiro... Note-se que é feita do Brasil, e não fala em banheiro.
No dia 11, onde será que se quer instalar? fotografias de casas para comprar
Será na Grécia? Pois manda esta vassalos lights lá do Peloponeso ou de Creta. Apurei junto do meu amigo candiano que Vassalos é um apelido vulgar por aquelas bandas. Mas não há cigarros com esse nome, ao que me disse.
E muito claramente avisa-me de que tudo me pode acontecer lá para o norte da minha terra acidentes rodoviários (alto Alentejo). Não é por acaso que me saio depois com o projecto de Lei no dia 15.
Talvez disfarçando árvores para me confundir, continua com pintura de troncos de árvores urbanas
E lança-me aos pitões mas do Brasil!
Em trilhos de messejana
Já a 12, manda-me dar totobola palpites
Retoma as fotografias setúbal fontainhas
E o ze povinho, ze povinho por 2 vezes.
E a 13, um palpitante porta cartao couro brindes, decerto escondendo alguma senha.
Dá uma vaga ideia do carro que utiliza: old ford transit
Depois, nova ameaça catastrófica prevenção sísmica
No dia 14, a coisa toma proporções bíblicas, creio eu, alma não-religiosa: Tibia 7.11
Para a seguir, não sei se em terra de leite e dito ilhadomel
No dia 15, ainda sadino, dá uma ideia de outro disfarce que poderá usar: trajes regionais de alcacer sal
Cabalística a seguinte, Peugeot algarismos, feita no dia 16. Nem ele sonha (ou sonhará?) que eu tenciono colocar aqui umas fotos dos 403, 404 e 504. Cá por coisas.
Precisa depois uma localização mapas de albufeira com escalas. Caramba, e não é que há aquela aventura com a 403 a caminho de Albufeira?
E pimba, volta à salsaparrilha
E reparem como não se afasta do rio Sado, ciclismo grandola fotos. Isto já no dia 17.
E continua, mais salsaparrilha
Eu não digo? Ele quer é casas para alugar em montijo
E logo mais um enigma: ilhas urbanas de calor em vila velha
E remata com mais totobola, digo eu: correio da manha scml.
Provavelmente, terei que ler o Correio da Manhã e as notícias ou os anúncios ao pé do habitual resumo dos sorteios da Santa Casa.
E agora a 18, começa com o tema galego de novo (Montijo – Aldeia Galega): antena jovem montijo
Pouco depois, não há 13 ou 14 acertos outra vez, pois vem de novo desdobramento chaves totobola
E logo, do Brasil, NOTICIAS DE PULITICA, sempre irónico!
Vem a seguir à procura de fotos de casas velhas, na certa para usar como esconderijo.
Termina por ora com um convite à bebida, talvez viciada por ele, cerveja clok, e reparem bem que se encontra na Polónia!
Estou preparado para tudo.
O Cagote
O Cagote era uma espécie de cangaceiro dos matos sulistas.
Não na tradição guerrilheira do Remexido mas mais na de assaltante, um século depois.
O Cagote matou e roubou a torto e a direito por essas serras entre Algarve e Alentejo, acolitado por uns quantos.
Certo dia, depois de um assalto falhado, vinha ferido e em fuga quando chegou perto de umas muralhas.
Dirigiu-se ao monte e pediu, mais do que exigiu, que lhe dessem guarida.
Entrou num celeiro e foi imediatamente trancado pelo lavrador, que se opôs à justiça popular.
Quando as autoridades chegaram, o cangaceiro não ofereceu resistência. Era o fim.
Foi depois exposto na cadeia concelhia, onde as pessoas iam em romaria para ver o intrépido facínora, como se fosse um bicho.
Lembro-me bem de ver o celeiro em pé e de lá entrar dentro. Hoje já só há vestígios das fundações.
Talvez um dia lá coloque uma placa de pedra, para que estas coisas não esqueçam.
trecho de foto do SNIG
O Cagote era uma espécie de cangaceiro dos matos sulistas.
Não na tradição guerrilheira do Remexido mas mais na de assaltante, um século depois.
O Cagote matou e roubou a torto e a direito por essas serras entre Algarve e Alentejo, acolitado por uns quantos.
Certo dia, depois de um assalto falhado, vinha ferido e em fuga quando chegou perto de umas muralhas.
Dirigiu-se ao monte e pediu, mais do que exigiu, que lhe dessem guarida.
Entrou num celeiro e foi imediatamente trancado pelo lavrador, que se opôs à justiça popular.
Quando as autoridades chegaram, o cangaceiro não ofereceu resistência. Era o fim.
Foi depois exposto na cadeia concelhia, onde as pessoas iam em romaria para ver o intrépido facínora, como se fosse um bicho.
Lembro-me bem de ver o celeiro em pé e de lá entrar dentro. Hoje já só há vestígios das fundações.
Talvez um dia lá coloque uma placa de pedra, para que estas coisas não esqueçam.
trecho de foto do SNIG
17/11/2003
Deep Blue
Ignorância
Previsões meteorológicas
Xadrez contra a máquina
Lá para trás, houve um post que abordava a questão de cada gesto.
Cada gesto ser apenas a consequência das condições iniciais e do correr do tempo.
Sejam lá o que forem (foram) as condições iniciais e o tempo.
Se não há nada que contrarie esta hipótese, até à data, também não há forma de a provar.
A ignorância é total quando se tratam escalas desta ordem.
Há, no entanto, campos em que o homem teima em tentar encontrar uma chave que lhe permita prever a certo prazo o comportamento de um determinado universo.
É o caso das previsões meteorológicas, pelas quais me interesso, não deixando de ser um leigo com alguma curiosidade.
Se é certo que os avanços neste campo têm sido significativos, estamos muito longe de conhecer os mecanismos que regem a evolução das condições atmosféricas e as ditas condições iniciais relevantes. Sendo que aqui, a palavra iniciais representa as condições em t0, um momento determinado.
Não se conhecendo estas, não se conhecendo o mecanismo de evolução, resta testar modelos aproximados que coincidam num determinado intervalo com os dados reais, sendo certo que estes são por sua vez uma parte das variáveis.
O resultado é o que todos nós sabemos, há modelos que funcionam bem para um intervalo de dois a três dias e que se afastam da realidade à medida que o intervalo aumenta.
Mas tomemos o xadrez.
Que é uma invenção humana.
O xadrez, que é um universo finito, em que se conhecem integralmente as condições iniciais (32 peças ocupando 32 casas de um total de 64 possíveis, e em posições determinadas) e de que se conhece o mecanismo de evolução (as peças evoluem segundo regras simples e bem determinadas).
E o que é que acontece?
Acontece que com um universo tão insignificante, uma porção tão ínfima da complexidade das coisas, cujos estádios de evolução são em número finito (há um número finito de possibilidades de distribuição das peças sobre o tabuleiro), se atinge já um número astronómico de possibilidades finais.
De uma ordem de grandeza tal, que os computadores actuais ainda não conseguem computar integralmente.
O que é que isto nos diz?
Diz-nos que estamos longe, muito longe, de ter a capacidade de prever qualquer tipo de fenómenos naturais com o rigor absoluto.
Sejam eles os fenómenos atmosféricos ou outros quaisquer, sendo que ao entrar neste tipo de previsão absoluta, não há fronteiras.
Tal como a gaivota que passou a borboleta pode desencadear o furacão, tudo o resto o pode.
A cafeteira a ferver, a travagem brusca, a bola na rede, o tiro no escuro.
É necessário conhecer as condições iniciais, os mecanismos e ter a capacidade de computação.
Há então aqui um novo paradoxo.
Conhecida finalmente a previsão, ela própria se constitui num novo factor do jogo, alimentando com novos dados o estádio das coisas.
É necessário recalcular, recalcular...
Deep Blue era o nome de uma das máquinas da IBM com a qual se defrontou Garry Kasparov.
É também o azul profundo dos céus que vemos e ignoramos.
Bem sei que deep blue não se traduz por azul profundo. Mas eu traduzo.
tabuleiro de xadrez em
imagem de isobáricas em
Ignorância
Previsões meteorológicas
Xadrez contra a máquina
Lá para trás, houve um post que abordava a questão de cada gesto.
Cada gesto ser apenas a consequência das condições iniciais e do correr do tempo.
Sejam lá o que forem (foram) as condições iniciais e o tempo.
Se não há nada que contrarie esta hipótese, até à data, também não há forma de a provar.
A ignorância é total quando se tratam escalas desta ordem.
Há, no entanto, campos em que o homem teima em tentar encontrar uma chave que lhe permita prever a certo prazo o comportamento de um determinado universo.
É o caso das previsões meteorológicas, pelas quais me interesso, não deixando de ser um leigo com alguma curiosidade.
Se é certo que os avanços neste campo têm sido significativos, estamos muito longe de conhecer os mecanismos que regem a evolução das condições atmosféricas e as ditas condições iniciais relevantes. Sendo que aqui, a palavra iniciais representa as condições em t0, um momento determinado.
Não se conhecendo estas, não se conhecendo o mecanismo de evolução, resta testar modelos aproximados que coincidam num determinado intervalo com os dados reais, sendo certo que estes são por sua vez uma parte das variáveis.
O resultado é o que todos nós sabemos, há modelos que funcionam bem para um intervalo de dois a três dias e que se afastam da realidade à medida que o intervalo aumenta.
Mas tomemos o xadrez.
Que é uma invenção humana.
O xadrez, que é um universo finito, em que se conhecem integralmente as condições iniciais (32 peças ocupando 32 casas de um total de 64 possíveis, e em posições determinadas) e de que se conhece o mecanismo de evolução (as peças evoluem segundo regras simples e bem determinadas).
E o que é que acontece?
Acontece que com um universo tão insignificante, uma porção tão ínfima da complexidade das coisas, cujos estádios de evolução são em número finito (há um número finito de possibilidades de distribuição das peças sobre o tabuleiro), se atinge já um número astronómico de possibilidades finais.
De uma ordem de grandeza tal, que os computadores actuais ainda não conseguem computar integralmente.
O que é que isto nos diz?
Diz-nos que estamos longe, muito longe, de ter a capacidade de prever qualquer tipo de fenómenos naturais com o rigor absoluto.
Sejam eles os fenómenos atmosféricos ou outros quaisquer, sendo que ao entrar neste tipo de previsão absoluta, não há fronteiras.
Tal como a gaivota que passou a borboleta pode desencadear o furacão, tudo o resto o pode.
A cafeteira a ferver, a travagem brusca, a bola na rede, o tiro no escuro.
É necessário conhecer as condições iniciais, os mecanismos e ter a capacidade de computação.
Há então aqui um novo paradoxo.
Conhecida finalmente a previsão, ela própria se constitui num novo factor do jogo, alimentando com novos dados o estádio das coisas.
É necessário recalcular, recalcular...
Deep Blue era o nome de uma das máquinas da IBM com a qual se defrontou Garry Kasparov.
É também o azul profundo dos céus que vemos e ignoramos.
Bem sei que deep blue não se traduz por azul profundo. Mas eu traduzo.
tabuleiro de xadrez em
imagem de isobáricas em
16/11/2003
Sombrio
Há muitos anos, uma certa capa amarela, entre tantas, pois houve uma época em que as capas dos livros eram amarelas, despertou-me a curiosidade.
O nome, a preto, trazia-me a vaga recordação de uma batalha de que ouvira falar, talvez na escola, talvez em casa.
Lá o desarrumei da estante.
A descrição do monumento que vinha no fim do livro era esmagadora, concordante com o que acabara de ler nas avassaladoras páginas, já elas também amarelecidas pelo tempo.
Porque esse monumento paira na minha memória como uma obrigação de visita, não mais palavras
85 anos e 5 dias depois do Armistício
imagem em http://www.traveloutward.com/articles/europe/11-02_ww2_france.shtml
Há muitos anos, uma certa capa amarela, entre tantas, pois houve uma época em que as capas dos livros eram amarelas, despertou-me a curiosidade.
O nome, a preto, trazia-me a vaga recordação de uma batalha de que ouvira falar, talvez na escola, talvez em casa.
Lá o desarrumei da estante.
A descrição do monumento que vinha no fim do livro era esmagadora, concordante com o que acabara de ler nas avassaladoras páginas, já elas também amarelecidas pelo tempo.
Porque esse monumento paira na minha memória como uma obrigação de visita, não mais palavras
85 anos e 5 dias depois do Armistício
imagem em http://www.traveloutward.com/articles/europe/11-02_ww2_france.shtml
15/11/2003
Bizarrias
Quanto à descontinuidade territorial é certo que já tínhamos os concelhos do Montijo e de Vila Real de Santo António.
Mas depois há estas bizarrias inextricáveis:
A possuía um prédio misto (composto de parte urbana e parte rústica) como segue:
A certa altura, a freguesia onde se situava o dito prédio cindiu-se em duas.
O que é incompreensível é que a parte rústica do prédio tenha continuado a pertencer à parte da freguesia que manteve o nome e a tradição original e a parte urbana tenha passado a pertencer à nova freguesia.
Por mais voltas que dê a cabeça, não consigo encontrar um argumento válido para tal situação.
Alguém me esclarece?
Quanto à descontinuidade territorial é certo que já tínhamos os concelhos do Montijo e de Vila Real de Santo António.
Mas depois há estas bizarrias inextricáveis:
A possuía um prédio misto (composto de parte urbana e parte rústica) como segue:
A certa altura, a freguesia onde se situava o dito prédio cindiu-se em duas.
O que é incompreensível é que a parte rústica do prédio tenha continuado a pertencer à parte da freguesia que manteve o nome e a tradição original e a parte urbana tenha passado a pertencer à nova freguesia.
Por mais voltas que dê a cabeça, não consigo encontrar um argumento válido para tal situação.
Alguém me esclarece?
Socialmente incorrecto
Projecto de lei para a criação da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana (RDMNA) - Documento preparatório
Introdução
Considerando a excepcional qualidade dos exemplares femininos com origem na zona em análise, pretende-se balizar uma área sujeita a disposições especiais a definir em regulamento.
Limites
Pela circular exterior às muralhas da cidade de Évora
Pela E.N. 18 (IP 2) até ao entroncamento com a E.N. 254
Pela E.N. 254 até Viana do Alentejo
Pela E.N. 384 até Portel
Pela E.M. Portel - Amieira até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva
Pela curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva para montante até que esta curva intersecte o talvegue do rio Degebe.
Por esta linha de talvegue até à intersecção da mesma com a projecção horizontal no terreno do eixo da E.N. 256
Pela E.N. 256 até Reguengos de Monsaraz
Pela E.N. 255 até ao Alandroal
Pela E.N. 373 até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a linha de talvegue da ribeira da Asseca
Pela linha de talvegue da ribeira da Asseca até a confluência desta com o rio Guadiana
Deste ponto, sem limites definidos em virtude da ocupação espanhola até retomar na confluência da ribeira de Olivença com o rio Guadiana e pela linha de fronteira internacionalmente reconhecida até ao ponto em que o limite norte do Parque Natural da Serra de São Mamede (Decreto-Lei n.°121/89 de 14 de Abril) diverge da referida fronteira, coincidindo com o dito limite até à primeira intersecção deste com a E.M. Castelo de Vide (prox.) - Póvoa e Meadas, seguindo por esta até Póvoa e Meadas.
Pela E.M. Nisa (prox.) - Póvoa e Meadas até à E.N.359.
Pela E.N. 359 até Nisa
Pela E.N. 18 até Alpalhão
Pela E.N. 118 até Gáfete
Pela E.M. Gáfete - Vale do Peso até Vale do Peso
Pela E.N. 245 até à variante de Estremoz
Pela variante de Estremoz até à E.N. 4
Pela E.N. 4 até ao entroncamento com a E.N. 18
Pela E.N. 18 até à circular exterior às muralhas de Évora
Garantias
Todos os indivíduos e entidades colectivas públicas e privadas com direitos sobre o território incluído na RDMNA manterão os referidos direitos sem excepção alguma.
Projecto de lei para a criação da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana (RDMNA) - Documento preparatório
Introdução
Considerando a excepcional qualidade dos exemplares femininos com origem na zona em análise, pretende-se balizar uma área sujeita a disposições especiais a definir em regulamento.
Limites
Pela circular exterior às muralhas da cidade de Évora
Pela E.N. 18 (IP 2) até ao entroncamento com a E.N. 254
Pela E.N. 254 até Viana do Alentejo
Pela E.N. 384 até Portel
Pela E.M. Portel - Amieira até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva
Pela curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva para montante até que esta curva intersecte o talvegue do rio Degebe.
Por esta linha de talvegue até à intersecção da mesma com a projecção horizontal no terreno do eixo da E.N. 256
Pela E.N. 256 até Reguengos de Monsaraz
Pela E.N. 255 até ao Alandroal
Pela E.N. 373 até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a linha de talvegue da ribeira da Asseca
Pela linha de talvegue da ribeira da Asseca até a confluência desta com o rio Guadiana
Deste ponto, sem limites definidos em virtude da ocupação espanhola até retomar na confluência da ribeira de Olivença com o rio Guadiana e pela linha de fronteira internacionalmente reconhecida até ao ponto em que o limite norte do Parque Natural da Serra de São Mamede (Decreto-Lei n.°121/89 de 14 de Abril) diverge da referida fronteira, coincidindo com o dito limite até à primeira intersecção deste com a E.M. Castelo de Vide (prox.) - Póvoa e Meadas, seguindo por esta até Póvoa e Meadas.
Pela E.M. Nisa (prox.) - Póvoa e Meadas até à E.N.359.
Pela E.N. 359 até Nisa
Pela E.N. 18 até Alpalhão
Pela E.N. 118 até Gáfete
Pela E.M. Gáfete - Vale do Peso até Vale do Peso
Pela E.N. 245 até à variante de Estremoz
Pela variante de Estremoz até à E.N. 4
Pela E.N. 4 até ao entroncamento com a E.N. 18
Pela E.N. 18 até à circular exterior às muralhas de Évora
Garantias
Todos os indivíduos e entidades colectivas públicas e privadas com direitos sobre o território incluído na RDMNA manterão os referidos direitos sem excepção alguma.
14/11/2003
Afinal
sempre se conseguiu arranjar esta raridade
e eu a dizer que não sabia o que lhe tinha acontecido...
imagem da dita RTP 1
sempre se conseguiu arranjar esta raridade
e eu a dizer que não sabia o que lhe tinha acontecido...
imagem da dita RTP 1
13/11/2003
Tão certo como a feira de Castro
É o facto de, quando realmente existir uma verdadeira novidade, os jornalistas em geral não virem a aperceber-se disso.
A título de amostra, há sempre os quadros iniciais de uma catástrofe em que, regra geral, escapa ao arauto a verdadeira dimensão da coisa.
Por exemplo, a queda do tabuleiro da ponte de Entre-os-Rios foi inicialmente difundida como uma vulgar informação de trânsito.
Por outro lado, notícias mais ou menos esperadas, são lidas com grande alarido.
Hoje, na rádio, é anunciada com grande aparato, a notícia de pela primeira vez (???), se ter criado um vírus em laboratório. A vertigem da primeira vez, do único, é uma constante patética, grosseiramente analfabeta.
Depois, entrevistam um especialista português em criação de vírus...!!!???
A ignorância mais profunda sobre os meandros da manipulação viral grassa por aí!
Pior. É não ter sequer uma pálida noção de quais são as fronteiras actuais do conhecimento, do que a ciência permite ou não à técnica fazer.
Ora, a ser tomada à letra esta notícia, tratava-se da criação de vida em laboratório!
A verdadeira pedra filosofal!
Estamos ainda um bocadinho longe disso, embora seja difícil explicá-lo a certos entendidos.
Continuo sem saber quem é o indivíduo médio para quem falam os políticos e os jornalistas...
Desculpem-me a acidez. Eu prometo que me vou tratar
imagem em
É o facto de, quando realmente existir uma verdadeira novidade, os jornalistas em geral não virem a aperceber-se disso.
A título de amostra, há sempre os quadros iniciais de uma catástrofe em que, regra geral, escapa ao arauto a verdadeira dimensão da coisa.
Por exemplo, a queda do tabuleiro da ponte de Entre-os-Rios foi inicialmente difundida como uma vulgar informação de trânsito.
Por outro lado, notícias mais ou menos esperadas, são lidas com grande alarido.
Hoje, na rádio, é anunciada com grande aparato, a notícia de pela primeira vez (???), se ter criado um vírus em laboratório. A vertigem da primeira vez, do único, é uma constante patética, grosseiramente analfabeta.
Depois, entrevistam um especialista português em criação de vírus...!!!???
A ignorância mais profunda sobre os meandros da manipulação viral grassa por aí!
Pior. É não ter sequer uma pálida noção de quais são as fronteiras actuais do conhecimento, do que a ciência permite ou não à técnica fazer.
Ora, a ser tomada à letra esta notícia, tratava-se da criação de vida em laboratório!
A verdadeira pedra filosofal!
Estamos ainda um bocadinho longe disso, embora seja difícil explicá-lo a certos entendidos.
Continuo sem saber quem é o indivíduo médio para quem falam os políticos e os jornalistas...
Desculpem-me a acidez. Eu prometo que me vou tratar
imagem em
Popularucho
ç os sonhos mais lindos... r
É verdade, de quando em vez, lá vem o apelo popularucho fazer das suas.
Acordei há uns dias atrás um tanto ou quanto incomodado com a minha imperícia.
Então não tinha deixado uma marca de bandoleira num imaculado vestido de noite de uma conhecida senhora...
O pior é que a marca não era de bandoleira, mas sim fruto da seiva de uma planta, que ela designou com um esgar gentil como sendo «as areias». Ora a dita planta constava de um bouquet que eu próprio confeccionara a partir de flores roubadas à beira do caminho, depois de me certificar de que tinham as raízes em terreno público.
E fi-lo apressadamente para não chegar de mãos a abanar, ao jantar para que fora convidado pela dita senhora.
É que o outro convidado, um bem conhecido trovador português, já badalava na mão uma garrafa de vinho com que contava apresentar-se.
Bem, a história não começa aqui.
Começa com a dona a regressar de algum lugar estrangeiro, com muitos repórteres a cobrir o acontecimento, com gritos de senhorinhas de janelas de sacada, num intervalo da apanha de alfinetes: "Chegou a tia, chegou a tia!"
Sucede que, por essa altura, estava eu preocupado com um assentamento nas fundações de um prédio onde às vezes habito e que se reflectira na queda de uma parte da platibanda que remata o topo das paredes exteriores, e que se manifestara também por um largo buraco no chão, junto às fundações, no alçado tardoz.
Tudo isto, motivara uma velha senhora que, sabe-se lá porquê, mudara do rés-do-chão para a cave a fazer uma espécie de cadeia humana a solo, transportando baldes de terra das traseiras para a frente do prédio, onde os despejava com a ajuda de um velho amigo meu sobre um monte de areia e lama que ali se encontrava desde o tempo em que alguém fizera umas obras.
Este meu amigo não se limitava a ajudar a senhora, também joeirava o tout-venant, parecendo deixar areia onde estava areia, lama onde estava lama e retirar as pedras para, de novo em baldes, as levar para mais longe.
É numa destas viagens que faço com ele que encontramos primeiro o cantor, já munido de sua garrafa, e logo após a senhora, aparentemente perdida numa rua de bairro social (creio que o cantor fez qualquer comentário comparando o estatuto da senhora com o dos moradores e que eu o secundei, mas de forma delicada).
E é talvez por isso que somos ambos convidados para o jantar de chegada da senhora.
O meu amigo, certamente discriminado por se encontrar com os baldes na mão, não foi contemplado com convite algum.
Ora aí, dividido entre a atenção que queria prestar à ocorrência telúrica e suas sequelas na estrutura do prédio e a que era devida à gentil anfitriã, consegui por breves momentos escapar-me e colher algumas flores que me pareceram as mais adequadas ao momento, olhando intermitentemente para os danos no prédio e, despeitado, para a garrafa de tinto que o outro trazia na mão.
Quando depois da poeira assentar, consegui finalmente dirigir-me ao restaurante, tive a infeliz ideia de cortar caminho, atravessando, da porta da frente para a das traseiras, um outro local de restauração e afins, de cariz popular.
E é então que, para meu espanto, uma criancinha dos seus sete ou oito anos, começa a gritar:
"Olhe, olhe, a minha mãe está aqui!"
Quando percebi que era comigo, parei. Olhei para a família, mãe e filha de frente para mim, pai virado de cabeça à banda, mirando-me de alto a baixo, filho indiferente comendo a sopa.
"Então, não conhece a minha mãe?"
O marido dividia-se entre expressões de incredulidade e de desconfiança, a mãe da criança olhava para mim com um ar igualmente espantado e repetia: "Tá calada, tá calada!"
"Então, não a conhece?"
Eu de facto não conhecia nenhum deles.
"Então, não se lembra? No outro dia, estava no café a falar da minha mãe com uma amiga sua!"
O marido levantou-se e já se preparava para interromper o senhor do cozido à portuguesa que ocupava a mesa que nos separava um do outro, quando eu retorqui:
"Não, menina, não conheço a tua mãe. Deves estar enganada."
"Não estou, não. Você disse que conhecia a filha do caseiro do Monte das Peeiras."
Fiquei um bocadinho atónito. De facto tinha dito isso uns dias atrás a uma amiga, à mesa de um café. Mas aquela mulher não era definitivamente a filha do tal homem a que eu me referira.
O pai da criança já conseguira convencer o parceiro de trás a suspender por momentos a garfada de couve e farinheira e a chegar-se à frente para lhe dar passagem. É então que eu caio em mim e digo: "Pois é, mas o monte das Peeiras de que eu falei, não é o do teu avô. É o que fica ao pé do Seixo Barrento. E o do teu avô não é para esses lados, pois não?"
E é nesse ponto que entra uma prima minha e consegue, por artes mágicas, desfazer o equívoco, depois de eu lhe explicar quem era a moça em causa.
Abandono de imediato o local, deixando a minha prima a conversar com a família e julgo ter ouvido o tal parceiro do cozido dizer entredentes: "Eu cá só conheço um Monte das Peeiras, e é ao pé do Seixo Barrento."
Fiquei mais descansado, afinal era uma testemunha a favor, mas também mais intrigado. Se não havia outro Monte das Peeiras, então que família era aquela e o que queriam de mim?
Mas pouco depois, já não me preocupava com isso.
Entrava no restaurante e divisava toda uma corte de senhoras em torno da recém-chegada. O meu companheiro das trovas antecedera-me e já fizera solene entrega do tinto que eu nunca percebi de onde era.
Hesitei entre distribuir uma flor a cada senhora e entregar todo o bouquet à raínha da festa.
Entreguei-lhe o bouquet.
Pouco depois, tendo sido abraçada por alguns amigos entretanto chegados e sem ter largado o bouquet, a tal marca de bandoleira foi notada pela convidada da direita baixa.
Foi aí que se gerou um ligeiro burburinho e que eu fiquei a saber que nódoa de areias não sai.
Argumentava eu para mim próprio que um vestido daqueles só servia para uma ocasião, sem cuidar que o jantar ainda não se iniciara e que era uma indelicadeza permitir que a senhora permanecesse maculada para o resto da noite... quando acordei.
ç os sonhos mais lindos... r
É verdade, de quando em vez, lá vem o apelo popularucho fazer das suas.
Acordei há uns dias atrás um tanto ou quanto incomodado com a minha imperícia.
Então não tinha deixado uma marca de bandoleira num imaculado vestido de noite de uma conhecida senhora...
O pior é que a marca não era de bandoleira, mas sim fruto da seiva de uma planta, que ela designou com um esgar gentil como sendo «as areias». Ora a dita planta constava de um bouquet que eu próprio confeccionara a partir de flores roubadas à beira do caminho, depois de me certificar de que tinham as raízes em terreno público.
E fi-lo apressadamente para não chegar de mãos a abanar, ao jantar para que fora convidado pela dita senhora.
É que o outro convidado, um bem conhecido trovador português, já badalava na mão uma garrafa de vinho com que contava apresentar-se.
Bem, a história não começa aqui.
Começa com a dona a regressar de algum lugar estrangeiro, com muitos repórteres a cobrir o acontecimento, com gritos de senhorinhas de janelas de sacada, num intervalo da apanha de alfinetes: "Chegou a tia, chegou a tia!"
Sucede que, por essa altura, estava eu preocupado com um assentamento nas fundações de um prédio onde às vezes habito e que se reflectira na queda de uma parte da platibanda que remata o topo das paredes exteriores, e que se manifestara também por um largo buraco no chão, junto às fundações, no alçado tardoz.
Tudo isto, motivara uma velha senhora que, sabe-se lá porquê, mudara do rés-do-chão para a cave a fazer uma espécie de cadeia humana a solo, transportando baldes de terra das traseiras para a frente do prédio, onde os despejava com a ajuda de um velho amigo meu sobre um monte de areia e lama que ali se encontrava desde o tempo em que alguém fizera umas obras.
Este meu amigo não se limitava a ajudar a senhora, também joeirava o tout-venant, parecendo deixar areia onde estava areia, lama onde estava lama e retirar as pedras para, de novo em baldes, as levar para mais longe.
É numa destas viagens que faço com ele que encontramos primeiro o cantor, já munido de sua garrafa, e logo após a senhora, aparentemente perdida numa rua de bairro social (creio que o cantor fez qualquer comentário comparando o estatuto da senhora com o dos moradores e que eu o secundei, mas de forma delicada).
E é talvez por isso que somos ambos convidados para o jantar de chegada da senhora.
O meu amigo, certamente discriminado por se encontrar com os baldes na mão, não foi contemplado com convite algum.
Ora aí, dividido entre a atenção que queria prestar à ocorrência telúrica e suas sequelas na estrutura do prédio e a que era devida à gentil anfitriã, consegui por breves momentos escapar-me e colher algumas flores que me pareceram as mais adequadas ao momento, olhando intermitentemente para os danos no prédio e, despeitado, para a garrafa de tinto que o outro trazia na mão.
Quando depois da poeira assentar, consegui finalmente dirigir-me ao restaurante, tive a infeliz ideia de cortar caminho, atravessando, da porta da frente para a das traseiras, um outro local de restauração e afins, de cariz popular.
E é então que, para meu espanto, uma criancinha dos seus sete ou oito anos, começa a gritar:
"Olhe, olhe, a minha mãe está aqui!"
Quando percebi que era comigo, parei. Olhei para a família, mãe e filha de frente para mim, pai virado de cabeça à banda, mirando-me de alto a baixo, filho indiferente comendo a sopa.
"Então, não conhece a minha mãe?"
O marido dividia-se entre expressões de incredulidade e de desconfiança, a mãe da criança olhava para mim com um ar igualmente espantado e repetia: "Tá calada, tá calada!"
"Então, não a conhece?"
Eu de facto não conhecia nenhum deles.
"Então, não se lembra? No outro dia, estava no café a falar da minha mãe com uma amiga sua!"
O marido levantou-se e já se preparava para interromper o senhor do cozido à portuguesa que ocupava a mesa que nos separava um do outro, quando eu retorqui:
"Não, menina, não conheço a tua mãe. Deves estar enganada."
"Não estou, não. Você disse que conhecia a filha do caseiro do Monte das Peeiras."
Fiquei um bocadinho atónito. De facto tinha dito isso uns dias atrás a uma amiga, à mesa de um café. Mas aquela mulher não era definitivamente a filha do tal homem a que eu me referira.
O pai da criança já conseguira convencer o parceiro de trás a suspender por momentos a garfada de couve e farinheira e a chegar-se à frente para lhe dar passagem. É então que eu caio em mim e digo: "Pois é, mas o monte das Peeiras de que eu falei, não é o do teu avô. É o que fica ao pé do Seixo Barrento. E o do teu avô não é para esses lados, pois não?"
E é nesse ponto que entra uma prima minha e consegue, por artes mágicas, desfazer o equívoco, depois de eu lhe explicar quem era a moça em causa.
Abandono de imediato o local, deixando a minha prima a conversar com a família e julgo ter ouvido o tal parceiro do cozido dizer entredentes: "Eu cá só conheço um Monte das Peeiras, e é ao pé do Seixo Barrento."
Fiquei mais descansado, afinal era uma testemunha a favor, mas também mais intrigado. Se não havia outro Monte das Peeiras, então que família era aquela e o que queriam de mim?
Mas pouco depois, já não me preocupava com isso.
Entrava no restaurante e divisava toda uma corte de senhoras em torno da recém-chegada. O meu companheiro das trovas antecedera-me e já fizera solene entrega do tinto que eu nunca percebi de onde era.
Hesitei entre distribuir uma flor a cada senhora e entregar todo o bouquet à raínha da festa.
Entreguei-lhe o bouquet.
Pouco depois, tendo sido abraçada por alguns amigos entretanto chegados e sem ter largado o bouquet, a tal marca de bandoleira foi notada pela convidada da direita baixa.
Foi aí que se gerou um ligeiro burburinho e que eu fiquei a saber que nódoa de areias não sai.
Argumentava eu para mim próprio que um vestido daqueles só servia para uma ocasião, sem cuidar que o jantar ainda não se iniciara e que era uma indelicadeza permitir que a senhora permanecesse maculada para o resto da noite... quando acordei.
Nem eu me lembrava desta
Não conheço as pessoas por detrás da coisa.
Não emito qualquer juízo.
Apenas lhes peço que vejam com os vossos olhos. E que participem no forum.
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Não conheço as pessoas por detrás da coisa.
Não emito qualquer juízo.
Apenas lhes peço que vejam com os vossos olhos. E que participem no forum.
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Demonstração cartesiana
Não é fácil desbastar betão.
Se se pretende deixar uma superfície mais ou menos rugosa e fazer um desbaste com uma profundidade regular, a questão é melindrosa.
Não tanto pela impossibilidade, tudo se faz. Mas pelo rendimento do trabalho que, seja qual o fôr o método, é baixo.
Aqui chegados, e depois de muitas experiências com diferentes equipamentos, pediu-se mais uma demonstração de um equipamento novo a uma empresa especializada em ferramentas hardware.
Veio o habitual vendedor, de fato e gravata, e o demonstrador, em traje sport.
Encontravam-se já reunidos os representantes do dono da obra, do empreiteiro geral, da fiscalização, o costume.
O homem subiu ao andaime e zás, vá de aviar betão.
A coisa resulta, ar afirmativo dos presentes, é isto que se pretende. Muito bem.
O que eu ainda hoje não percebi é porque é que o homem, depois de sair do andaime, de arrumar o estojo, de se ir lavar, começou, muito chateado, a dizer que o Prof. Damásio é que tem razão, o cérebro humano funciona assim e assado, não leram o livro?
Não é fácil desbastar betão.
Se se pretende deixar uma superfície mais ou menos rugosa e fazer um desbaste com uma profundidade regular, a questão é melindrosa.
Não tanto pela impossibilidade, tudo se faz. Mas pelo rendimento do trabalho que, seja qual o fôr o método, é baixo.
Aqui chegados, e depois de muitas experiências com diferentes equipamentos, pediu-se mais uma demonstração de um equipamento novo a uma empresa especializada em ferramentas hardware.
Veio o habitual vendedor, de fato e gravata, e o demonstrador, em traje sport.
Encontravam-se já reunidos os representantes do dono da obra, do empreiteiro geral, da fiscalização, o costume.
O homem subiu ao andaime e zás, vá de aviar betão.
A coisa resulta, ar afirmativo dos presentes, é isto que se pretende. Muito bem.
O que eu ainda hoje não percebi é porque é que o homem, depois de sair do andaime, de arrumar o estojo, de se ir lavar, começou, muito chateado, a dizer que o Prof. Damásio é que tem razão, o cérebro humano funciona assim e assado, não leram o livro?
12/11/2003
Desmistificação
Se você
É algarvio
Emigrou para a Holanda
Tem (teve) um pára-sol patrocinado por uma empresa do Algarve no seu Ford Escort de matrícula holandesa
Estacionou o dito carro num dia de Janeiro de 1989 no parque de estacionamento de um supermercado em Roterdão
Encontrou entalado na porta um bilhete com um insulto inofensivo
E não sabe quem foi o brincalhão
Agora, já sabe ...
Não, não o conheço.
imagem de
Se você
É algarvio
Emigrou para a Holanda
Tem (teve) um pára-sol patrocinado por uma empresa do Algarve no seu Ford Escort de matrícula holandesa
Estacionou o dito carro num dia de Janeiro de 1989 no parque de estacionamento de um supermercado em Roterdão
Encontrou entalado na porta um bilhete com um insulto inofensivo
E não sabe quem foi o brincalhão
Agora, já sabe ...
Não, não o conheço.
imagem de
11/11/2003
Orientação
Gasolim não perde o norte.
É talvez uma das características meridionais que herdou.
Por isso, apesar de não usar bússolas, ignorar sol e estrelas, lá vai encontrando a rota pelos sinais.
Todavia, já se perdeu na antecâmara do quarto de dormir. Às escuras, é certo. Mas perdeu o sul, e não dava com a porta. Não fora o tique-taque do relógio de parede e teria que esperar pelo clarear para finalmente se recolher.
Quem manda não usar GPS?
Gasolim não perde o norte.
É talvez uma das características meridionais que herdou.
Por isso, apesar de não usar bússolas, ignorar sol e estrelas, lá vai encontrando a rota pelos sinais.
Todavia, já se perdeu na antecâmara do quarto de dormir. Às escuras, é certo. Mas perdeu o sul, e não dava com a porta. Não fora o tique-taque do relógio de parede e teria que esperar pelo clarear para finalmente se recolher.
Quem manda não usar GPS?
BREAKING NEWS
Não se fala noutra coisa.
A polémica em torno de Albergaria dos Doze teve ontem um novo e decisivo episódio.
Com a publicação da "Carta Aberta ao Gasolim", Anarcka abre novos campos de luta e recentra a coisa mais para ocidente.
Ele é agora um percurso E.N. 109 - E.N. 111 recheado de perigos diversos. Pataniscas, carpaccios, rissotos, aguardentes, chás, pastéis de Tentúgal, todo um programa.
Fico-me assim nas covas, como diz o DN.
Logo eu, que lá para trás, nos estatutos, tinha jurado que não ia comentar a actualidade nem recomendar restaurantes.
A ver vamos do que sou capaz. Mais um post que promete qualquer coisa para amanhã.
com a devida vénia aos jornais e cadeia televisiva referidos
Não se fala noutra coisa.
A polémica em torno de Albergaria dos Doze teve ontem um novo e decisivo episódio.
Com a publicação da "Carta Aberta ao Gasolim", Anarcka abre novos campos de luta e recentra a coisa mais para ocidente.
Ele é agora um percurso E.N. 109 - E.N. 111 recheado de perigos diversos. Pataniscas, carpaccios, rissotos, aguardentes, chás, pastéis de Tentúgal, todo um programa.
Fico-me assim nas covas, como diz o DN.
Logo eu, que lá para trás, nos estatutos, tinha jurado que não ia comentar a actualidade nem recomendar restaurantes.
A ver vamos do que sou capaz. Mais um post que promete qualquer coisa para amanhã.
com a devida vénia aos jornais e cadeia televisiva referidos
Algumas perguntas sem resposta
Hesitei antes de fazer as seguintes as perguntas, uma vez que esta é uma fórmula já muito repisada nos blogues.
Mas, dado o estado de necessidade, julguei legítimo alinhá-las. Aqui vão:
O que aconteceu ao dramaturgo Lu Isgui Lherme?
O que é feito dos médicos da boîte do cacête?
Ainda há alguém que venda açordas às quatro da manhã?
Se há, onde é que é? E cada comensal tem direito a ovo escalfado?
O que é feito dos Mehari e dos Mini-Moke?
O que é que aconteceu à Ford Thames das sardinhadas?
Porque é que ninguém se lembra do sumol de maçã?
Porque é que ninguém se lembra do sumol de limão?
Porque é que já não há cerveja Clok?
Hesitei antes de fazer as seguintes as perguntas, uma vez que esta é uma fórmula já muito repisada nos blogues.
Mas, dado o estado de necessidade, julguei legítimo alinhá-las. Aqui vão:
O que aconteceu ao dramaturgo Lu Isgui Lherme?
O que é feito dos médicos da boîte do cacête?
Ainda há alguém que venda açordas às quatro da manhã?
Se há, onde é que é? E cada comensal tem direito a ovo escalfado?
O que é feito dos Mehari e dos Mini-Moke?
O que é que aconteceu à Ford Thames das sardinhadas?
Porque é que ninguém se lembra do sumol de maçã?
Porque é que ninguém se lembra do sumol de limão?
Porque é que já não há cerveja Clok?
10/11/2003
São Martinho
Podia ser Rosé Rosal, adamado com agulha.
Podia ser água-pé ou cerveja.
Podia ser um chouriço assado ou uma lata de conservas.
Podia ser uma sopa feita na barraca dos coelhos do avô do R.F.
Podia ser um petisco no velho abrigo do curto.
Haveria alguma conversa mística.
Procissões só de homens, livros de São Cipriano e outros devaneios.
Tantas noites de São Martinho e tantas aventuras.
Podia ser Rosé Rosal, adamado com agulha.
Podia ser água-pé ou cerveja.
Podia ser um chouriço assado ou uma lata de conservas.
Podia ser uma sopa feita na barraca dos coelhos do avô do R.F.
Podia ser um petisco no velho abrigo do curto.
Haveria alguma conversa mística.
Procissões só de homens, livros de São Cipriano e outros devaneios.
Tantas noites de São Martinho e tantas aventuras.
O grande êxodo
Há episódios da história que, apagados da memória colectiva, só permanecem na memória de alguns elefantes, já aqui o disse.
Um dos mais impressionantes acontecimentos que presenciei, está hoje completamente esquecido.
Trata-se da fuga em massa que ocorreu no depois das cheias de Novembro de 67.
Os rumores começaram a espalhar-se rapidamente ao final da manhã.
Ia explodir a Fábrica da Pólvora. Com hora marcada, salvo o erro, duas da tarde.
Nas ruas já não se falava em outra coisa. Não considerando o absurdo da explosão com aviso e hora marcada e a distância de uma boa légua a que a Fábrica da Pólvora ficava, o pânico instalava-se.
As pessoas começavam a abandonar as suas casas sem destino pensado.
Fervilhavam as vozes assustadas e os apelos à fuga.
A certo passo, uma ambulância em marcha lenta de onde se via a manga de um bombeiro e um megafone fora da janela, aconselhava as pessoas a manterem a calma. Alguns viam nisso mais um sinal de confirmação.
Já não adiantava.
Da janela das traseiras, vasto panorama sobre o campo, avisto gente a correr à toa pelos terrenos enlameados, pelas ruas esburacadas, pelas estradas onde alguns carros concorrem com os fugitivos.
Eram milhares de pessoas errando em busca de uma bizarra salvação.
Nunca mais vi um espectáculo tão grandioso e tão triste.
E hoje não há quase memória desse êxodo. Será por vergonha da ignorância e dos medos que pôs a nu?
Não estava no Algarve em Agosto de 99, mas é possível que cenas semelhantes tenham ocorrido, aquando do famoso alerta de onda gigante.
Decerto mais um episódio para o esquecimento colectivo.
imagem do extinto Canal de Notícias de Lisboa
Há episódios da história que, apagados da memória colectiva, só permanecem na memória de alguns elefantes, já aqui o disse.
Um dos mais impressionantes acontecimentos que presenciei, está hoje completamente esquecido.
Trata-se da fuga em massa que ocorreu no depois das cheias de Novembro de 67.
Os rumores começaram a espalhar-se rapidamente ao final da manhã.
Ia explodir a Fábrica da Pólvora. Com hora marcada, salvo o erro, duas da tarde.
Nas ruas já não se falava em outra coisa. Não considerando o absurdo da explosão com aviso e hora marcada e a distância de uma boa légua a que a Fábrica da Pólvora ficava, o pânico instalava-se.
As pessoas começavam a abandonar as suas casas sem destino pensado.
Fervilhavam as vozes assustadas e os apelos à fuga.
A certo passo, uma ambulância em marcha lenta de onde se via a manga de um bombeiro e um megafone fora da janela, aconselhava as pessoas a manterem a calma. Alguns viam nisso mais um sinal de confirmação.
Já não adiantava.
Da janela das traseiras, vasto panorama sobre o campo, avisto gente a correr à toa pelos terrenos enlameados, pelas ruas esburacadas, pelas estradas onde alguns carros concorrem com os fugitivos.
Eram milhares de pessoas errando em busca de uma bizarra salvação.
Nunca mais vi um espectáculo tão grandioso e tão triste.
E hoje não há quase memória desse êxodo. Será por vergonha da ignorância e dos medos que pôs a nu?
Não estava no Algarve em Agosto de 99, mas é possível que cenas semelhantes tenham ocorrido, aquando do famoso alerta de onda gigante.
Decerto mais um episódio para o esquecimento colectivo.
imagem do extinto Canal de Notícias de Lisboa
Agradecimento
Agradeço ao amigo ou amiga que aqui veio à procura de um apaelho.
Já está corrigida a gralha.
Agradeço ao amigo ou amiga que aqui veio à procura de um apaelho.
Já está corrigida a gralha.
09/11/2003
Os extremos
Nos dois extremos da coisa, estão estas duas expressões: “Es-tú-pido!*” e “Ah, sim?”
O segredo de qualquer homem que se preze é conseguir encaixar a primeira a.s.a.p. e nunca ter de ouvir a segunda.
Mas todos sabemos que não é fácil.
Mais tarde desenvolverei o tema.
*as duas últimas sílabas devem ser pronunciadas de um fôlego e “Grande estúpido!” não é a mesma coisa.
Nos dois extremos da coisa, estão estas duas expressões: “Es-tú-pido!*” e “Ah, sim?”
O segredo de qualquer homem que se preze é conseguir encaixar a primeira a.s.a.p. e nunca ter de ouvir a segunda.
Mas todos sabemos que não é fácil.
Mais tarde desenvolverei o tema.
*as duas últimas sílabas devem ser pronunciadas de um fôlego e “Grande estúpido!” não é a mesma coisa.
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