03/06/2005

!!!!!!

No caso, as cerejas é que soam como palavras.
Ou um grande "Ah, foda-se!" dito a plenos pulmões.
Nunca mais lançarei cartas topográficas às três da manhã.


imagem Multimap

É claro que não se podem dar mais pormenores sobre as operações.
Invenções

Major Pimenta, aqui não se inventa nada! - o Coronel começou assim a sua prelecção singular ao recém-chegado sub-comandante.
Depois do eco das suas últimas palavras se ter reflectido como um brilho nos olhos do subordinado, o Coronel abriu a caixa dos charutos com o mesmo gesto com que daria uma voz de à vontade.
Quando o Major fechou a porta atrás de si, o Coronel recostou-se na cadeira.

Pimenta, você não se esqueça de frisar ao Castro que não se inventa nada!
Não se preocupe, meu Coronel, suspeito que ele não seria mesmo capaz de o fazer.
Ok, ok! Olho no Castro! Olho no Castro!

Quando o Coronel Pimenta mandou entrar o Major Castro no seu gabinete e repetiu pela segunda vez em muitos anos ao seu subordinado que não devia inventar nada, passou em revista todos os imprevistos que enfrentara desde que entrara naquele gabinete pela primeira vez como sub-comandante e apreciara a inteligência do então Coronel Seabra.
Nesses anos, inventara-se e muito. Umas vezes ambos, outras um deles, algumas destas em desacordo mas na maior parte em concórdia.
Agora, o Coronel Pimenta tinha a certeza de que o seu sub-comandante jamais arriscaria inventar.
Frisou-lhe que queria ter conhecimento de todos os imprevistos que ocorressem na sua ausência.
A continência do outro assegurou-o pelo menos nesse aspecto.

Quando anos depois, o Coronel Castro se sentou na cadeira e chamou o seu sub-comandante, disse-lhe claramente que ali não se inventava nada. Nada mesmo!
Depois pegou no manual e releu-o mais uma vez.

02/06/2005

Há quem more

Na rua do Raio X
Na rua de Socorros a Náufragos
Ou na tradicional rua da Amargura.

Gosto de por lá passar e não me demorar.
Sim ou não

Tempos também houve em que o sim ou o não davam prémios.
Não me recordo se já eram frigoríficos.
Ou se saíam de carrinho.


imagem das páginas da RTP

01/06/2005

Época balnear

Houve um tempo em que só no verão havia gelados.
Em que a fruta tinha também época e sabor.
Em que para chegar a certas praias era preciso ter cuidado para não ficar atascado na areia.
Em que se carregava a trouxa para casas junto ao mar.
Em que havia bolas Nivea.
Em que eu chegava preto ao fim do verão.



(foto alterada em 1 Jun. 06)

31/05/2005

A escada do economista

É sabido que uma das dificuldades dos engenheiros é que, não obstante se ponham a teorizar sobre os seus cálculos, a apresentá-los em lindos embrulhos e até a acariciá-los, estejam eles irremediavelmente mal feitos e a obra cai. Tão simples como isso.
Já esse conjunto de técnicas que dá pelo nome de economia possibilita a alguns profissionais do ramo proferir afirmações que aparentemente influem no resultado final.
Eu que o diga. Que também saí cedo de casa no dia seguinte a Cavaco Silva ter falado em gatos e lebres. E em boa hora o fiz.
A escada da figura abaixo é, com toda a certeza, obra de um economista. Todos os dias lá deve passar e dizer, mas não com a convicção que Afonso tinha sob a abóbada - que esse era mestre d'obras - aguenta-te!

29/05/2005

O tempo das galinhas pretas

Ouvir o que quer que seja, por exemplo hoje da boca dos políticos e comentadores franceses, os mesmos que em 2002 asseguravam que a França virara à direita, ouvir o que quer que seja sobre causas e efeitos de um escrutínio, tal como na Espanha ou nos E.U.A. de 2004, tal como em qualquer lado e em qualquer altura, ouvir e prestar atenção é chegar, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não nos afastámos nada do tempo das galinhas pretas.
Ainda que os fatos sejam outros e que a colocação da voz seja mais educada.
Sopas depois de almoço e carroças à frente dos bois

Duas expressões estas que aparentemente designam realidades opostas.
O que vem tarde demais e cedo demais.
Sendo assim pela aparência contraditórias, todavia aplicam-se na perfeição ao tratado constitucional europeu e ao escrutínio a que foi, é hoje e será submetido, de diversas formas, nos vários países.
Como se a História se escrevesse de acordo com um plano ditado pelos homens.

27/05/2005

E depois das séries malucas



A ser verdade que é hoje atribuída a primeira matrícula com as letras no meio, não obstante a ponte, aqui se recorda um post sobre o assunto.
Não é que tenha de facto muito assunto, como dizia o outro.
Na fronteira dos conceitos ou no conceito de fronteira

Um dia ainda saberemos mais sobre a forma como organizamos, estruturamos o nosso pensamento, a nossa ideia das coisas.
Partindo para já do princípio de que existe uma Grande Filosofia, uma ideia geral comum a todas as civilizações e às vanguardas que a elas pertencem. Que o Homem, independentemente do social, congemina uma imagem das coisas que é transversal a todas as culturas.
A existir essa visão comum do mundo, poderemos sempre interrogar-nos sobre a sua eficácia enquanto leitura "real", assim se consiga separá-la da leitura "prática".
É sobre este assunto que talvez mais linhas se tenham escrito em toda a História. Quaisquer que tenham sido a forma e a metáfora.
Um dos pilares em que assenta a leitura "prática" é a definição de limites, de fronteiras, de finidade.
A célula tem uma fronteira, o indivíduo uma pele, os territórios sesmos, a vida um fim.
Esta compartimentação decorre mais do facto de qualquer ideia ser primeiro individual e depois propagada e não gerada por uma mente universal e intemporal.
Assim o fosse, e provavelmente o infinito, o ilimitado, seriam mais comuns do que a compartimentação. Menos "praticáveis" mas eventualmente mais perto do "real".

25/05/2005

Três e três

Intrigante

Alguém que chega aqui através de:
pesquisa por palavra
Livros

Ao fim e ao cabo, são a referência maior aqui na blogosfera.
Talvez o traço comum mais evidente entre os que aqui escrevem.
Livros. A cada um de nós o seu tipo de fascínio. A uns, os ex-libris, as dedicatórias, os sublinhados, as páginas dobradas, as marcas lá deixadas sob a forma de bilhetes de autocarro, pequenas notas, folhas secas, qualquer coisa que ali pertencesse no momento.
A mim, apenas uma assinatura de propriedade e uma data, a folhas 3. Nada de sublinhados, talvez uma rara marca esquecida. Vejo-os como objectos não profanáveis com tinta a não ser com a marca de posse. Sou possessivo com a minha biblioteca.
Livros. O cambar dos bolsos do meu pai ao peso habitual do livro companheiro.
Livros. O cheiro e as farpas das folhas de papel rude, ao serem separadas pela lâmina.
Livros. Os títulos improváveis. As capas em que me fixava embevecido com o desenho das letras e o arranjo simples e eficaz das formas e das cores.
Livros. A recordação das barraquinhas alinhadas ao longo da Avenida da Liberdade.
Dos olhos espreitarem mal os escaparates. Em plano alto.
Está na altura. Estão os meus olhos já e ainda à altura de os contemplar, de os comer.

24/05/2005

Dia de São Google

Já há tempo que não deixava aqui sinal de estranhas pesquisas.
Hoje foi, no entanto, e são ainda cinco e pouco, um dia profícuo. A saber:

1) "mulher cobra"

2) o que preciso para montar um empresa de som e acessorio para automoveis?

3) á alguem que me saiba dizer qual a data das novas matriculas em automoveis

4) critérios de segurança para rebarbadoras e berbequins

Apenas comento o primeiro. Não me parece que na mira do buscante estivesse a famosa mulher-cobra de quem falei aqui há atrasado. Estava com toda a certeza algo que o afligia ainda mais. Ou, tratando-se de uma fêmea juvenil, quem sabe não estaria à procura de ensinamentos teóricos.

actualizado depois das nove:

5) noticia dos benfiquistas nos barcos do barreiro

23/05/2005

O carro do poeta

Não fora ter estado à espera de um velho amigo debaixo de uma árvore de folha caduca, nas cercanias do lugar onde os factos ocorreram e não me lembraria do carro do poeta.
Uma coisa é certa - era Outono. E era já noite escura. E eu estava mais de enfermeiro do que de amante. Coisas da mudança de estação. Primeiros frios.
Foi assim num lusco-fusco artificial que ouvi o estrondo. Qualquer coisa me disse que a noite ia ser menos calma do que esperavam uma mulher febril e um homem falando com voz suave - sim, também sei suavizar as sílabas quando é caso disso.
Foi no teu carro - era a perspectiva que tinha da janela.
Percebi ainda mais a moleza que se apoderara dela quando em vez de um berro, apenas pediu que fosse resolver o assunto.
Quando cheguei ao local do crime, deparei-me com um casalinho em vias de ir jantar fora. Já não iam. A frente do carro estava desfeita.
Não fiz qualquer comentário às circunstâncias que teriam levado um deles a despistar-se numa rua da cidade e a abalroar três carros três. Apenas me apresentei como dono do Lancia. Foi logo a seguir que, para espanto meu e deles, verifiquei que o carro mais atingido viajara um bom meio metro para a direita mas ficara a um ou dois centímetros do carro da fera. Dei-lhe a volta duas vezes e não vi nem uma beliscadura.
Não eram assim três os carros amassados. Quero dizer, eram. Três contando com o do casalinho desanimado.
Chegou então o dono do que estava mais à esquerda. Com toda a calma lá trocou os habituais elementos com o jovem casal.
Foi então que me perguntou onde é que eu morava. Na minha qualidade de dono do Lancia tinha que morar no prédio ali um pouco abaixo. Foi o que lhe respondi.
Então sabe de quem é este carro - dizia-me assim com jeitos de me querer pôr à prova e apontando para o tal que estava entre o "meu" e o dele.
Não faço ideia.
Não? Mas ele mora no seu prédio. É o poeta!
Huuuuuum - fiz um ar entendido e saí de cena, saudando os circunstantes.
Ela estava a dormitar tranquilamente e eu ainda fiquei mais convencido de que o sexto sentido das mulheres se aplica também ao estado de saúde dos próprios automóveis.
Espólio (9)

Começa a cheirar a praia.


Espólio Campos Vilhena - foto de JAM

Para a Zambujeira, a cavalo, em 1932.

22/05/2005

Agora já se pode dizer

Que a maior seca do Benfica foi de dez anos.
A do Sporting foi de dezassete.
E a do Porto de dezoito.

E que no Porto continua a ser fácil acicatar os ânimos da ralé.

21/05/2005

De certezinha

Eu acho que o Homem do Piano é um extraterrestre.
Parece-se mesmo com uns que eu conheci.
Faltam menos de cinco meses e não se fala disto



Por aqui, não tem faltado a divulgação. Desde o Natal de 2003.
Um eclipse a sério e ninguém dá por ele.

19/05/2005

Estância de ski

Devia ser um carro semelhante ao Austin FX4.
O espaço era amplo e o meu companheiro da esquerda insistia em perturbar-me a viagem com as palhaçadas com que divertia os outros dois.
Deviamos na certa ter partilhado o táxi.
Eles e eu.
Ainda tive tempo para ver a paisagem. Depois de uma planície fria e desolada, o carro virou à direita, quando apareceu um grande rio na nossa frente. Grandes pedaços de gelo indicavam o final do inverno.
Demorei-me a observar as placas brancas a deslizar rio abaixo, no sentido da nossa deslocação, agora que seguíamos o rio pela margem direita.
E, ao fundo, lá estava a ponte. Treliçada.
Não demorou muito até que a atravessássemos.
No seu enfiamento, surgia agora um viaduto em madeira com elevada inclinação. Quase parecia uma daquelas rampas de ski.
O autocarro - agora íamos num - subia lentamente e a custo. A certa altura, entrou-se na estância de ski. Do meu lado, do lado direito, via uma espécie de restaurante.
Numa das primeiras mesas, duas mulheres.
Uma delas era... Falavam português, sim. Era ela.
Saltei de imediato pela janela. Aqui a janela do autocarro e a janela de madeira do salão pareciam coincidir. De forma que aterrei logo junto a uma mesa.
Os meus companheiros seguiram-me.
Corri para a ponta da sala mas já não a vi. A mesa estava vazia.
Corri então para um vestíbulo de onde saía um longa escadaria de madeira. Distingui as pernas dela, lá ao cimo, já se perdendo numa escuridão que envolvia o andar superior.
Nessa altura fui barrado.
Escapei-me e fui dar a uma casa de banho cuja janela comunicava com um pequeno pátio.
Por aí saltei, voltando a entrar pela porta.
Mas nada da mulher misteriosa.
Apercebo-me entretanto de que já não tinha roupa.
Fugi de novo para a mesma casa de banho, enquanto me sentia perseguido pelo pessoal de serviço.
Voltei a sair pela janela e encontrei os meus três companheiros debaixo de uma pérgola bem composta de flores, depois de ter trocado umas palavras com um homem que se debatia para acender um grelhador.
Eram agora todos eles velhos amigos.
Emprestaram-me roupa, enquanto eu lhes jurava que havia de recuperar a minha e uma pálida ideia de mala de viagem me atravessava o cérebro.
Ocorreu-me então que os três eram ajudantes de agrimensor.

Nota: esta história estava no limbo desde Outubro de 2004. Uma destas noites, enquanto vasculhava o Google em busca de fotos de pontes treliçadas, de rios gelados, a imagem que passava na janela ao lado (SIC Notícias) era esta:

18/05/2005

Sporting!

Nada a assinalar. Ganharam os russos.
Também é verdade que o que escrevi lá atrás, nada tendo a ver com a esperança que sempre tive, se manteve actual.


imagem das páginas do SCP

Vivó Sporting!

Só uma questão. Se toda a vida se disse CSKA (o mundo não começou ontem), porque é que desatou tudo a dizer CS-CÁ? Até parece uma matrícula portuguesa de avião...
Não há que enganar



Apenas acrescentar ao atrás dito que 16-1 continua a ser um resultado recorde.

16/05/2005

B.B.I.I.

Serão necessários os daqueles, de entre vós, caros leitores mais antigos que conhecem a versão Sapo deste blogue e que acedam a comprovar que a foto do cabeçalho já lá está há quase um ano (desde meados de Julho do ano passado). Não se preocupem que não é assunto de leis.

14/05/2005

Faço o que posso



Será que o dragoeiro de Almada sobreviveu ao transplante?
À primeira cavadela

Minhoca.
Nem o rol de mortos mais uma vez descoberto, nem o juvenil gato preto já de sábado, 14, me tiraram o sono.
Muito sono.
Tanto sono que a dormir, pendia de sono. Dentro do sonho, baqueávamos ambos, lado a lado, cabeça com cabeça.
Não. Jamais te tinha visto. Acordei-te e levei-te a casa.

13/05/2005

Lisboa, 1986



A frota Marcel oito anos antes de Wim Wenders
Imagem do dia ou uma promessa cumprida por conjugação dos astros



Foi preciso o mundo inteiro
Se compôr
Para eu me pôr
Dentro do Alva.
O primeiro nível de complicação

E se...
A maior parte das supostas teorias que por aí se vêem padecem de um mal infantil. Não ultrapassam coerentemente o primeiro nível de complicação.
A bem dizer, às vezes, é ainda mais atrás que falham.
É logo na incompatibilidade entre os princípios de partida. Sendo que às vezes nem sequer se percebe quais são.

11/05/2005

O lixo electrónico ou um retrato de Tutancamon


imagem da RTP

Começo por mim. O facto de ter dedicado umas quantas horas da minha vida, repartidas por mais de vinte anos, a engendrar um programa que me facilitasse a vida nas apostas, primeiro do totobola, depois do totoloto, é suficientemente revelador da inutilidade a que consagrei parte do meu tempo.
Outras há, alhures, que merecem muito maior destaque. Hoje foi o "retrato" de Tutancamon (já agora, prefiro o c ao k, com ou sem h). Já passámos pelo de Jesus Cristo e talvez por outros de que não me dei conta.
É certo que em se tratando de "retratos", os há para os mais variados gostos desde sempre. Ainda hoje andamos à volta com as figuras do tríptico de Nuno Gonçalves, tentando saber quem é quem.
O que não significa que não tenham brotado as certezas um pouco por todo o lado.
E certezas é o que não falta quando aparecem estas novidades, embora aqui penetremos não no reino da adivinhação mas no da fantasia. Está visto que o faraó que morreu jovem era assim (não estão a ver?) e que o nazareno era assado (ora vejam!). Nem Melquíades faria melhor, suspeito.
Para além destas, há um mundo de novidades surpreendente. Dir-se-á que sem praticar não se chega a lado algum. Tenho as minhas dúvidas que assim seja. Mas há quem se farte de praticar.
O que acontece é que esse mundo de novidades está repleto de insignificâncias. De linhas de código que só têm utilidade para quem as escreve, como mero exercício ou como justificação de ganha-pão.
Entretanto, continuo a interrogar-me se a cultura da ignorância contamina de facto ou se, confirmada a imunidade, todos os fenómenos são olhados de cima.
A julgar pelo que leio em alguns locais, contamina mesmo.
Terminando como comecei, se não me houvesse contaminado, não falaria do assunto.
Correr Ceca e Meca



e o vale de Santarém

10/05/2005

Batem leve, levemente

Como quem chama por mim
Será chuva ou água-ardente?
Chuva não é certamente
Que a seca está contra mim.

É talvez má companhia
Já que há pouco, há bocadinho
Vi uma ave agoirenta
Daquelas de pena cinzenta
A pairar sobre o caminho.

Que paira assim indolente
Com tão lúgubre estranheza
A silhueta premente
Voando por cima da gente
E dos solos em pobreza.

Deu-me para beber. Bebi-a.
À água-ardente de mel
Amarela, doce e fria
Há que tempos não sentia
Um arrepio tão cruel.

Olho-a através da vidraça
Do copo pequenininho
Parece-me uma morraça
Dessas que muito mal passa
Pelo nó do colarinho.

Fico a olhar os pardais
Que de grãos enchem a pança
E noto que são sinais
Muito muito especiais
De tão reduzida esperança.

E aos saltinhos estendidos
Ainda consigo vê-los
Longe de se saberem bebidos
Fritos e logo comidos
Com muito poucos desvelos.

Que quem já é bebedor
Apanhe carradas assim
Mas aos ingénuos, Senhor
Por que lhes dais o pendor
De quererem beber por mim?

E uma infinita moleza
Uma funda turbação
Entra em mim, é da despesa
Que já se fez nesta mesa,
Do valente camadão.

Desculpa-me, Augusto Gil, não sou nada destas coisas. Mas isto do chove, não molha, está a transtornar-me.
As contas

Estas são as minhas. Outros as farão de outra forma.


Fontes: página de Jorge Miguel Teixeira e RSSSF, que se refere a resultados até 2003 e notícias posteriores.

08/05/2005

Espólio (8)

6 anos depois da guerra


Espólio Campos Vilhena - foto de MSS?

Esta coisa de quase todos os jornalistas confundirem o fim da guerra com a queda da Alemanha...
Lisboa, 1993

07/05/2005

06/05/2005

Dificuldade

Por que é que é tão difícil aos realizadores de cinema portugueses acertar nos detalhes de época?
Ataque de ciúmes

Já faz uns aninhos. Vai para nove.
A minha namorada socialista abria sempre muito os olhos e enchia a boca quando pronunciava o nome dele.
A coisa aborrecia-me. Particularmente em certas alturas. Se a rádio ou a televisão faziam a menor menção ao dito cujo, era certo o formoso pescocinho à banda.
Calava-me. Não dizia nada. Nem que sim nem que não. Nem espero que ganhe nem que perca. Era e é daquele tipo de coisas sobre o qual acho que de nada nos serve termos um lado.
Preferia o lado dela, claro, conquanto o senhor do sorriso fácil não desse à costa a meio da noite.
Comecei então a torcer às escondidas por William Hague. Apanhei a fase em que ele bradava "It's common sense!". Mas nada. Veio depois Iain Duncan Smith e o homem do sorriso fácil lá se aguentava. Hoje, deu mais um banho. Dizem por aí que um destes dias vai ceder o lugar a um dos Monty Pithon (não fui só eu que ouvi).
Aqui há tempos, o Dante afirmava que a esposa do senhor rings his bell. Senti-me um bocadinho vingado.

05/05/2005

GOOOOOOOOLO



imagem da TVI
A sofrer, como sempre

Continuo a ver o jogo, 102 minutos, o Sporting tem evidentemente melhor equipa, melhor jogo.
Mas a insegurança defensiva é o que é, já o disse atrás.
Passagem para Lisboa (2)

Já comprei as passagens.
Já reservei o alojamento - pensão completa.

04/05/2005

Quanto à cozinha

Pode não haver nada mais errado do que aquilo que nos parece.
E a mim parece-me que os meus ascendentes do sexo masculino (só do masculino?) não eram lá grandes especialistas em assuntos de temperos. Em boa verdade, poucas ou nenhumas vezes os vi com a mão na massa.
Já o mesmo não posso dizer dos colaterais. Alguns com muita queda para a coisa. Talvez mais para o petisquinho do que para a grande cuisine, é certo. Mas ainda assim, uns expertos.
Ora eu no meio disto, que já não conto com as mordomias de cozinheiras de mão-cheia de outros tempos, onde é que fico?
A bem dizer, não sei.
Pessoas houve que me gabaram os cozinhados. Não só os amigos esfomeados a altas horas da noite, que isso era mais na base da açorda e a esses tudo sabia a pouco, mas também as companheiras de estrada com quem alternei no fogão.
Nunca percebi, é certo, se estas últimas gabavam os meus dotes na tentativa de passarem mais vezes o cace para as minhas mãos, com o inconveniente por elas desprezado de terem que comer coisa que menos lhes agradasse ou se era mesmo a valer - perceber as mulheres!
O certo é que me desenrasco. Iniciei-me naturalmente no petisquinho de sopas feitas com ervas para os coelhos do avô de um certo vizinho e azeite (?) de lata de conserva. Tudo para atamancar as cervejas que bebíamos a acompanhar as cartadas de tarde inteira.
Passei pelas citadas açordas. Ainda que por vezes a escassez de recursos levasse mesmo a especialidades como açorda de molas (de roupa - daquelas de madeira - nem sabem o sabor que davam à coisa!).
Enveredei mais tarde pelos trilhos maritimos, começando por uma tradução ilegal de um certo polvo frito que se comia há décadas na Zambujeira, abastardada por influências de uma prima que interpretava o dito de forma mais livre.
Cheguei ao plano internacional com o célebre, mas já caído em desgraça, frango à Ilha Cristina, depois de uma outra incursão plagiadora do cantado Arroz Chau-Chau Naval da Antiga Casa Faz-Frio.
Agora, que cada vez menos tenho paladares alheios a criticar-me, desleixei-me. Já não manejo a colher de pau com a maestria e o pundonor de outras épocas.
Malditos supermercados que vendem pré-cozinhados.
Trânsito proibido

03/05/2005

O que queremos saber e o que não queremos

Este blogue começou com uma frase - Dizer o óbvio.
Dizer o óbvio, o dito e o redito. Não há nada mais absurdo do que pretender ser original, discorrer sobre as coisas como se ninguém antes o tivesse feito da mesma forma. Registada ou não.
Se se conseguem avanços na técnica, o que é indesmentível, já no pensamento temos poucas descobertas. E temos aquela máxima ridícula do "já não se pensa assim" que apenas sublinha o pouco acerto de uma intelectualidade sujeita a modas.

Em todos os tempos, há coisas que queremos saber e outras que não.
Muitas das que não queremos saber seriam até fáceis de esclarecer a certa escala. Mas os insondáveis mecanismos sociais a isso obstam.

Fica disso um resto de suposta consensualidade. De tem que ser.
As condições ideais, já o disse aqui, lembram-me sempre peixes que comprava na praça, embrulhados em papel de jornal.
Ou, tendo em conta os dias que correm, embrulhados em plástico. É indiferente.
Só mudou a moda.

02/05/2005

Apostinhas

Tenho pouca paciência para teimosias. Já me basta a minha.
Quando se trata de um qualquer irredutível a proferir disparates sobre matéria de facto, não mexo os lábios a não ser para dizer: "Vai uma apostinha?"
Se pegar, pegou. Sempre se ganha qualquer coisa. Se não pegar, acabou a disputa.
Mas não aposto só pela certa. Coisa que há quem ache que não é de bom tom.
Aposto também quando tenho palpites estapafúrdios, como daquela vez que apostei em Outubro - sei até que foi no dia 18, porque essa aposta teve lugar enquanto almoçávamos e passavam na televisão as imagens do terramoto em São Francisco, ocorrido no dia anterior - que o Benfica ia chegar à final da Taça dos Campeões Europeus e perdia. Não ganhei uma pipa de massa porque estranhamente não encontrei muitos mais apostadores convencidos do contrário(!).
Ou quando as coisas me parecem, como quando Mário Soares andava pelos 8% nas sondagens e eu apostava, apenas secundado por mais dois, contra um café inteiro que ele iria ser o próximo presidente da República.
E também aposto na completa escuridão. Qualquer coisa que mereça uma boa aposta. E há sempre milhões de coisas susceptíveis de serem apostáveis sobre as quais um grupo não tem o menor controlo ou previsão.

Ora isto leva-me ao seguinte ponto: por que raio é que não há-de haver outro tipo de apostas, já que há o totobola, o totoloto e outros? Não é com toda a certeza por não serem legais ou legítimas, uma vez que sendo legítimo apostar no resultado de um jogo de futebol não se adivinham impedimentos a que se aposte na classificação final, no número de pontos somados por todos os clubes ou outra coisa qualquer.
Da mesma forma, se é legítimo o aproveitamento da ingenuidade alheia nos diversos votos SMS promovidos pelas televisões, por que raio não há-de esse bolo ser disputado como aposta?
Não faltam inquéritos desses que podiam ser assim transformados.
E para além disso, abria-se um campo à imaginação. Não faltam por aí moços e moças capazes de conceber as mais mirabolantes hipóteses apostivas.
E, ao mesmo tempo, baixava-se o bedame a muito arauto que mete a viola no saco quando dá palpites errados.
Pois, é isso mesmo, devia ser obrigatório para certos analistas quando se deitam a adivinhar, uma linhazinha no final da crónica:
Apostei 4:1 nesta hipótese - enterrei 1500 euros. A ver vamos.

Ah, e para quem pense que sou profissional destas coisas e que me farto de ganhar dinheiro: a grade de cervejas é que é a unidade-padrão das apostas (por enquanto).

Ah ainda - há depois outras coisas que já não se podem considerar apostas. Mas que também dão lucro. Um destes dias direi quais são.

Então...

Aqui é para ser a cozinha - dizias tu



(este blogue anda muito estranho)

30/04/2005

E quando nos mandam estacar

O ciclo fecha-se (com fé)

Quando, na noite de 18 de Maio próximo, Pedro Barbosa levantar a Taça UEFA em pleno Alvalade XXI, um ciclo de quase 50 anos estará fechado.
Um ciclo iniciado a poucos quilómetros, no Estádio Nacional, a 4 de Setembro de 1955, com o primeiro de todos os jogos das competições europeias de clubes.
Com o Sporting como anfitrião e o Partizan de Belgrado como adversário.
Pelo meio, passou pela conquista da Taça das Taças em 1964.
E ao completar-se, de verde e branco, 50 anos depois, carrega de simbolismo a vitória.
Vamos a eles!

29/04/2005

Passagem para Lisboa

Os pais não costumam revelar aos filhos as patifarias que faziam aos seus pais, na juventude.
Ou talvez o façam quando tal já não tem qualquer importância como exemplo.
Do meu pai, recebi sempre mais exemplos do que lições. Serviram-me bem, assim o creio.

Mas, um certo dia, já a coisa não faria grande mossa na sua reputação, veio a história.
Que estava já no Porto, a acabar os estudos, quando foram inauguradas as carreiras regulares entre a Invicta e a capital, por via aérea.
Nesses dias, a muito consabida e anormal necessidade de novos livros e compêndios, chegou por carta ao Alentejo.
Poucos dias depois, num fim-de-semana, chegou a casa mais depressa do que os pais calculavam.
Não acredito que o meu avô não tivesse dado pela coisa.

Lembrei-me hoje disto, dizem que a TAP faz sessenta anos. Não foi a 14 de Março?


imagem do Dakota das páginas da TAP
O assunto é sério

E por demais debatido.
Já ouvi descrições das mais variadas formas de lhe fazer face.
Uns dormem com um caderninho na mesa de cabeceira - já o fiz. Outros levantam-se a meio da noite e resolvem o assunto, outros ainda têm um gravador de bolso ou o telemóvel à mão para fazerem o relato da ocorrência.
Há também os que acordam a testemunha mais à mão para lhe dar conta. Creio ser esse o processo mais falível e mais arriscado.
O certo é que tenho a convicção de que ontem, depois de ter visto Bob Hoskins no papel de Mussolini, me surgiram em catadupa linhas e linhas de texto sobre a primeira metade do séc. XX, as ideologias perfeitas e as tentativas de as aplicar.
Hitler morreu em 1989. Estaline ainda está vivo. Outros, menos conhecidos, mas igualmente "perfeitos" são dados como desaparecidos. Ou não será assim?


imagem de

28/04/2005

27/04/2005

La Palissada

À medida que a massificação aumenta, torna-se cada vez mais difícil encontrar argumentos interessantes.
Também sei que é absurdo, que é ridículo, queixarmo-nos dos dados de um problema.

25/04/2005

Discussões

Uma das discussões mais estéreis e absurdas que ocorreu há um ano atrás, centrava-se na queda de um "R". Como se não tivesse havido uma revolução em 1974 ou se as coisas desde então não tivessem evoluído.
Nunca percebi o que sustentava tanto ímpeto polemista à volta do caso. Mas não era decerto a letra em causa.
Dir-se-á que o homem não vive sem estas querelas. Sem querer pôr os outros na ordem ou na desordem. A mim tanto se me dá. Não pretendo iluminar ninguém.
Mas quando se fala no 25 de Abril, percebe-se que ainda não decorreu o tempo suficiente para poder para ele olhar com distanciamento. Até os que depois dele nasceram parecem submetidos a umas quantas verdades indiscutíveis.
Não posso saber o que desencadeou de facto a revolta dos militares. Não estive presente em nenhuma das reuniões preparatórias e apenas sei o que li e ouvi depois.
Tenho como todos os que tinham já idade para tal, uma ideia do clima que se vivia.
Da inevitabilidade da queda de um regime podre por dentro.
No qual ninguém já acreditava.
E da iminência dessa queda, reflectida nos inúmeros boatos que, independentemente da origem, coincidiam na notícia.
Claro que havia também os que achavam que a coisa se prolongaria por mais uns quantos anos, tendo em conta a forma como o regime se defendia dos seus adversários. Creio que não eram muitos os que assim pensavam.
Penso pois que a razão directa pela qual caiu é de somenos importância. Se era um maior ou menor descontentamento dos militares com a questão dos milicianos, se era outra coisa qualquer.
Nestas coisas da História, encontrar explicações é quase sempre tropeçar num episódio como o descrito por Luz Soriano na "História da Guerra Civil" quando relata a queda de Lisboa a 24 de Julho. Ou ainda mais remotamente na aclamação do Mestre de Aviz.
Mas houve uma revolução nesse dia. Uma revolução que não terminou com a conquista da cidade.
E houve naturalmente uma evolução. Que teria existido independentemente do resto.
Não percebo que dúvidas é que isto suscita ou suscitou o ano passado.
Congresso

O caso é que se beberam uns códigos, digo, uns copos.

23/04/2005

Sebastianismos, pois

Salto de cavalo

Quem diria que há um algoritmo extremamente simples para gerar aleatoriamente os mais diversos caminhos para o salto de cavalo (testado numa quadrícula de 11 x 11)?

22/04/2005

Jornal

É verdade. Há muito que não lia um jornal diário em papel.
O há muito é o bastante para significar que certas coisas me espantaram.
A primeira foi ter verificado que ainda existe a secção da necrologia.
Foi nos antigos "O Século" e "Diário de Lisboa" que fiz o meu tirocínio como leitor de jornais.
Mais n' "O Século" pois era este o único que o meu avô assinava. Aqui pelas bandas dos subúrbios citadinos, o meu pai trazia os dois. Um à hora do almoço, outro à hora do jantar.
E em dias de guarda, lá vinha a formidável pontaria do homem que lançava jornais às janelas, a quase quinze metros do chão. Ignoro se o formato tablóide dá dobra para tal projéctil.
N' "O Século", depois de ultrapassada a fase em que só lia as maiúsculas, a morbidez inclinava-me para as secções Viação Perigosa e Dia-a-Dia. Notícias breves de acidentes de automóvel e de rixas de vizinhos. Claro que havia também as insuspeitas doenças súbitas. Desaguava então na referida necrologia.
Hoje, verifiquei por exemplo que as múltiplas chamadas dos pequenos anúncios envolvendo nomes de localidades não se referem a andares à venda mas a bustos 44, atendimentos personalizados e massagens não sei de onde. Verifiquei que as farmácias de serviço, no caso era uma necessidade, não figuram. Verifiquei muitas outras coisas de somenos importância - que ainda há estranhas formas de ajudar os apostadores a jogar no totoloto, horóscopos, palavras cruzadas e outros passatempos com letras. Mas falta o salto de cavalo. O salto de cavalo em falta é imperdoável.


Soluções no próximo número

20/04/2005

Restos de colecção (32)

Em dia de Taça



imagem in Association Internationale Permanente des Congrès de la Route - IX Congrès International de la Route, Lisbonne 1951 - Compte Rendu des Travaux du Congrès
Mania de ser elefante

Mais tarde ou mais cedo, havia de acontecer.
Não me faltavam, nem a nenhum de nós, suponho, lições sobre como e porquê reescrever a história.
Talvez o porquê seja inatingível, na medida em que não acredito que a história se decida por vontades e com explicações claras e objectivas. Mas isso é, com perdão do conceito redundante, outra história.
Esta mania de recordar factos passados só se torna perigosa quando eles se avivam na mente de quem escuta. Quando o interlocutor percebe que não há ali invenção ou fantasia. Foi assim mesmo. Também se recorda afinal.
Eventualmente recorda-se de um ou outro esqueleto que guardou no armário desde essa época.
Pois é. Por alguma razão, existe esta figura do direito ao esquecimento.
Esta mania de ser elefante trouxe-me um dissabor. Cuja causa não entendi nem quero entender. É o meu direito à ignorância.
Mas é, por outro lado, a confirmação do que há muito sabia. Para alguns, o esquecimento é fundamental. Afinal, assim são as coisas na nossa cabeça. Não sabermos já o que almoçámos anteontem.

18/04/2005

Restos de colecção (24 e 25)

Excursões artísticas



e estúdios fixos



Haverá quem coleccione esta espécie de ex-libris dos fotógrafos?
Voltando de uma viagem ao princípio do mundo