17/07/2005

A verdade

É que não consegui perceber o post que me escreveram para hoje.



Fiquemos então assim.

16/07/2005

Godot, seria dele?

Provavelmente, não.
O caso é que, quando aparentemente se sentava naquela cadeira, não faltavam as vozes em redor, dando palpites.
O velho, o rapaz e o burro parado.
E nada nas vozes fazia sentido.

15/07/2005

Restos de colecção (37)

À espera do ferry


foto de Celestino Teixeira in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966

14/07/2005

Don Manolo

Diziam os mentideros que o homem não suportava nem o vento nem o sustento vindos do lado de lá.
Que teria até certa vez dado valente piparote num prato do qual comia com gosto, ao sabê-lo castelhano.
Pois hoje traçaram-me um quadro das zonas raianas que é muito pouco animador.
Mostraram-me até onde vem a atracção de Badajoz. Até onde chega a influência de Valência de Alcântara. E como vão os negócios portugueses em tais zonas.
O quadro, como disse, é muito pouco animador.
E o pior. O homem não só já vai a Espanha, como é por lá demais conhecido como Don Manolo. E gosta.


imagem em http://home.fmh.utl.pt/~al07833/Clavas.html

12/07/2005

12 de Julho de 1998

Não. Não vi o Brasil perder.
Pois calha mal

Ver e ouvir alguém que supõe estar a construir ou a demonstrar uma teoria, ostentar um sorriso alvar e debitar argumentos em borbotão.
De convencido que está que a poesia e as lindas palavras são ciência.
Lisboa, 1981

11/07/2005

Afinal

Parece que, antes do zunzum, saiu logo a notícia.
O céu estrelado, a rotunda e a ponte sobre o Nada

Não tenho nada contra.
Não posso ter nada contra, digo-me.
Cada um que tenha céus estrelados, rotundas e pontes sobre o Nada.
Eu próprio tenho as minhas bizarrias. E não serão poucas.
Todos as temos, digo já a desculpar-me.
Lindo céu de carpélio azul pois celeste ponteado por miríades de pequenas lâmpadas de Natal.
No tecto. Do bar. Em casa. No sótão.
Nada contra.
A rotunda que possibilita aos visitantes, no meio do mato, uma fácil inversão do sentido de marcha.
A ponte que replica, numa confusão de escalas diferentes, a outra. A grande. Terá um vão central dos seus 15 m, digo eu. Pareceram-me as fixações do tabuleiro no limite do cálculo. Talvez me tenha enganado. A acção do vento pareceu-me igualmente mal avaliada. Talvez me tenha enganado.
Esta coisa de inspeccionar a pedido esferas, digo planos inclinados, celestes, rotundas e pontes suspensas tem que acabar.
Mas não tenho nada contra. Não posso ter.
Uma ponte sob a qual se não nada, no Baixo Nada.

10/07/2005

La force tranquille



A ser verdade o que hoje se diz nos noticiários, a ser verdade o que foi dito por alguém que deve saber do que fala, a ser verdade aquilo que há muito suspeitávamos, fica mais uma vez bem visível uma fenda na suposta coerência dalguns que tanto clamam pela coerência alheia.
É que o mundo é assim mesmo.

imagem daqui
Na recta final PUB

09/07/2005

Falta de Loos

Boatos

Sem falar nos boatos que têm interesses obscuros e mesquinhos, que desses não cabe aqui menção, há depois aqueles que apenas resultam da má transmissão, da má recepção, da imaginação fértil ou duvidosa do esconfique...

O esconfique é uma nascente abundante de boataria.
Resulta de uma leitura preconceituosa dos sinais. Que pode bem ser inocente. Nada maldosa. Às vezes até com alguma preocupação com terceiros.

Esconfique que vai nascer por aí mais um boato.
As condições estão reunidas. Depois não digam que eu não avisei.
E não. Não põe em causa o bom nome, a reputação de ninguém.

07/07/2005

Guerra

Suponho que esta guerra terá desenvolvimentos mais notórios agora, do que teve após 11 de Março do ano passado.
Espólio (10)

Um falso pilar


Espólio Campos Vilhena - foto de MSS

06/07/2005

Definitivamente

Os bairros com trinta anos têm um cheiro que se assemelha.
Que é diferente do dos bairros com cinquenta.
E dos de que têm quarenta, vinte ou sessenta.
Cada época rescende de sua maneira.
Ou lá tresanda.

05/07/2005

La nuit



Não me interpretem mal. O facto é que a moça caiu do céu.
Era daquelas mulheres que não suscitava indiferença. Não era capa de revista. Era apenas portadora daquela terrível volta na ponta que, para os homens, se torna difícil de definir.
Não sei já bem quando a conheci. Creio que terá sido na rua, tropecei nela quando a minha companhia se deteve para a cumprimentar.
Eram então colegas. A conversa foi por aí, teses, aulas, pedras na engrenagem. O mais possível longe da possibilidade de eu dizer o que quer que fosse. O que me deu tempo para lhe apreciar os gestos, a desenvoltura.
Julgo que no encontro seguinte, igualmente fortuito, lhe oferecemos boleia até Lisboa.
Dizem que os taxistas são bons confessores porque se encontram de costas para quem com eles desabafa. Não sei se foi o caso.
Mas ela perguntou-me, lá do banco de trás, se eu já não fazia noitadas.
Explicou-se depois.
Que, durante anos, ela e eu partilhámos a noite. Ela sabendo que a partilhava com alguém. Eu de nada sabendo.
Via da janela dela, em outro ponto da vila, a luz da minha. Imaginava quem seria a pessoa que teimava em atravessar a noite, acompanhando-a. Eu, pela localização da janela dela, não me apercebia da luz. Era num ângulo para o qual nunca olhava.
Aliás, a janela pela qual observava o mundo, era do lado oposto do prédio. Dali distinguia milhares de luzes, aviões pairando, carros a circular, comboios tardios, sem que me fixasse num ponto em especial.
Mas era do outro lado que era observado. Sem disso dar conta. Eu não. A luz que mantinha acesa.
Nunca lhe perguntei como ela ligara o nome à pessoa, digo à luz na janela.

02/07/2005

A contaminação

Não sei se existe uma pudicícia da escrita pública.
Não sei se se entende que é melhor não fugir dos cânones quando a exposição é grande.
Não sei se é assim.
Não sei sequer se tal resulta de uma onda de regrismo que não se sabe bem a que costa vai dar.
Ou se advém de uma contaminação que a corrente amorfa e dominante trouxe às franjas marginais.
A verdade é que constato a cada vez mais rara ousadia de dizer coisas que colidam com a normalidade. Até de dizer coisas verdadeiramente interessantes.
Apesar daquela normalidade ser aparente. Ilusória.
Lembro-me do homem que dizia à mulher:
"Não argumentes comigo como se foras primeiro-ministro!"
E estou com ele. Ainda que muitos anos tenham passado.

01/07/2005

Noite

Percentagens

Não haverá ninguém que consiga explicar a estas criaturas que um aumento do IVA de 19% para 21% gera um aumento nos preços dos bens de 1,68% e não de 2%?
Claro que isto é na teoria. E a teoria só não se ajusta à prática quando é má teoria. Neste caso é má pois despreza, além de outros, o factor humano, seja lá isso o que fôr.

30/06/2005

O 63

Sempre me encantei com os nomes dos lugares.
E sempre gostei de ouvir as hipóteses explicativas para as mais estranhas designações. Muitas delas fabulosas, é certo. Há um grosso manto de ignorância sobre a maioria delas.
O ano passado ouvi pela primeira vez alguém designar o 63.
Não é número de polícia. Não é quilómetro constante de marco. Sequer é cota de festo. É apenas o 63. Um cruzamento de estradas perdido no mato.
No qual passei toda a minha vida sem lhe conhecer a graça.



Foto em http://ortos.igeo.pt/ortofotos/

29/06/2005

Restos de colecção (36)

Este objecto nunca foi meu.
Mas é meu há muitos anos.
Herdei-o algures do fundo de qualquer gaveta ou adido a outros que me vieram parar às mãos.
Não era o principal do lote, era adjunto - como diria a senhora que enumerava ruas adjuntas que não eram principais, ao ser interpelada por direcções, por sentidos.
Mas eu sei que é meu, sinto que é meu, porque há muito me aparece, surgido debaixo de alguma pilha de papéis a reclamar-se meu vassalo.
Nunca o usei como horário, jamais como régua, sequer como grelha. Semanas de seis dias. Recordações do tempo em que se falava da semana inglesa. E da americana.
E ele aqui, chegou ao século XXI sem ser jogado para o lixo.
Nunca foi meu. Seria de algum familiar que o desprezou.
Hoje ganha protagonismo, um lugar na História. Sai em todos os jornais.

Trajes regionais

Pode também dizer-se que uma boa linha divisória é aquela que passa entre os que tomam como absolutos e definitivos os trajes regionais, como se o tempo tivesse parado algures pelos séculos XIX ou XX e os que acham que ele, o tempo pássaro.
Ou ainda entre os que se tomam por intelectuais de serviço e os acabados imbecis. Incluo-me sempre nos últimos grupos e no grupo dos últimos, modéstia à parte.

28/06/2005

A malga e o Estado



Fosse o caso menos sério, fosse o caso menos velho, embora como os velhos, mais se tema por ele em certas épocas, fosse o caso de nos rirmos com isto tudo, diria que:
A malga e o Estado, o Estado e a malga, me lembram uma outra malga, a dos sócios que foram à feira com um pipa de vinho. E que acabaram por bebê-la, à pipa, sem uma única pinga venderem. À malga, o fizeram. Uma de cada vez.
E o estado em que ficaram.

Não tenho jeito para contar histórias. Mas há quem jure que já bebeu vinho, talvez morangueiro, por uma nalga - eu disse nalga.

25/06/2005

Parece chumbo

O estranho hoje foi terem desatado a aparecer colegas de escola.
Confesso que quando perguntei ao Mariano se ele ainda me conhecia, o que eu queria dizer é que dele já só me lembrava em sonhos.
Mas apareceram vários. Aos últimos, até enumerei as presenças anteriores.
É certo que fiquei convencido de que eles apareciam lá na sala de jantar sem saberem bem de quem era a casa. Mas também não se espantavam muito quando eu os interpelava.
Depois lá fiz de cicerone.
Mostrei a casa e inevitavelmente as minhas recentes descobertas. Esta magnífica porta nunca se tinha dado por ela, que eu me lembre. Toda esta zona do quintal estava aterrada e não se sabia que existia esta espécie de caramanchão.
Mesmo este trabalho em pedra, neo-manuelino, estava como que entaipado e só demos por ele há pouco tempo.
Saímos pela rua e mostrei então as atrocidades que os novos proprietários acabavam de erigir.
Quase sempre dando notícia do que era a anterior situação. Aqui era muro, ali havia árvores de fruto, até ali ao fundo onde estão aquelas marcas de uma empena na falésia (ou será um muro de suporte?) ainda era nosso.
Depois, olhei para trás e reparei que já me estava a esticar. A esticar os domínios. Afinal era lá atrás que era o sesmo.
Voltámos pela ponta da vila. Cumprimentei umas caras estranhas em portas conhecidas. Depois, ali na zona em que surge, à esquerda, a rua que tem os tais cafés afamados, saiu-me um homem ao caminho, com um ar misto de determinação e de quem-não-quer-a-coisa.
Queria saber se a cortiça tinha dado.
Quando voltámos a casa, fomos encostar-nos à janela grande que tem as tais pilastras neo-manuelinas.
Olhei mais de perto e pareceram-me de chumbo feitas. Ainda mais e já era uma espécie de filigrana em alumínio.
Disfarcei.

23/06/2005

Sãjuõe

Nunca lá fui nesta data.
Vaga ideia das histórias que o meu pai, alentejano pois, me contou das épicas noites do dito, dos tempos em que andava pela D. Manuel II.
A ele, sempre o vi com um brilho nos olhos quando se falava na Inbicta.
Brilho que quase fez com que eu próprio lá fosse nascer.
Casado com o arco do amigo Edgar.
Embalado com os poemas do amigo Jorge.
Assim não foi. Nasci aqui pela capital do Império.
Ainda hoje tenho um deficit para com o Porto.
Contas a ajustar.
H2O

Recordo-me das conversas sobre os convénios ibéricos da água.
E da história da barragem de Gabcikovo-Nagymaros.
Recordo-me de disputas a outra escala, resolvidas a tiro de caçadeira.
Recordo-me ainda de ouvir, há décadas, os argumentos dos que profetizavam as guerras da água.
Guerras da água sempre houve. Talvez tenham nascido com a vida, tal como a entendemos.
A imagem abaixo, que todos conhecemos e temos em memória, parece mostrar uma espécie de queimadura peritropical.
Sabemos ou julgamos saber que algumas destas regiões foram há milénios mais férteis. Há sinais disso.
Trata-se de uma evolução que independe da humanização do planeta, pelo menos na escala a que hoje suspeitamos que estamos a interferir.
Saber como evoluirá a mancha amarela não parece fácil. Desconfio sempre da extrapolação de um troço mínimo de uma curva para explicar uma função.
Mas suponhamos que ela alastra. Como se vê, estamos na zona de transição.
A agravar-se a falta de água, é lirismo puro contar com a água que vem de Espanha. Em última análise, será até lirismo contar com a água que cai sobre o rectângulo.
A suceder tal, sobreviveremos aqui num formato semelhante ao dos países de deserto feitos.
E teremos que ir buscar a água onde ela ainda abunda, ao vizinho do lado. E não será a Espanha.
Ou então, fazemos as malas.
O meu caseiro desenganava-me, um destes dias, enquanto contemplávamos magníficas sobreiras quebradas à seca e especulávamos sobre a sua capacidade de regeneração:
"Parece que é lá para 2012 que isto fica um deserto."
Fiquei sem saber de onde lhe vinha a profecia. Se da atávica interpretação dos sinais se de outro lado qualquer.



imagem em http://geoimages.berkeley.edu/wwp304/map/index.html

P.S. Obrigado pela dica.

21/06/2005

Indiscrições

Pois. Ninguém me mandou falar no Splash.
Apanharam-te, Paulo.
Achas que ponha aqui que já és casado há uma meia dúzia de anos?
Será a mesma daquela noite em Almodôvar? A que te disse que sim, que era boa, mas que era muito estúpida. E à minha frente, pá.
Ou aquela em quem deste uma porrada no carro à saída da estrada velha? Essa nunca a vi. Só me disseste que tinha sido pena o teu pai ir contigo nessa altura.
As coisas mais simples

Irrito-me, pronto.
De ouvir um dia inteiro que o Verão começou às 6:46.
Só lêem as gordas? Ou o O.A.L. não percebe nada do assunto?
Realidade, imagens e medidas

Já todos sabemos que só acontece verdadeiramente o que passa na televisão.
Os incêndios, a seca, os discursos à hora do telejornal, etc.
Os assaltos e a violência nos comboios suburbanos mereceram finalmente uma medida anunciada.
É que, até aqui, nada acontecia.
Talvez comecem finalmente a perceber uma das razões pelas quais há tantos carros no IC 19.
Talvez o resto do país se aperceba também de que existe um problema sério.
Porque os que moram em certos locais, há muito que o conhecem.


imagem em http://www.dietetica.blogger.com.br/fita-metrica.gif
Verão



E os dias que começam a encurtar...

20/06/2005

Malária, sapatinhos e peixes-agulha

Há quem defenda que eu sou bom para secar pauis.
Há mesmo quem afirme haver provas de que me encontro imune à malária. Provas é claro recolhidas junto de outros, nunca nada comigo.
Dado nunca ter padecido de tal, embora a minha distância a zonas de risco se tenha sempre mantido razoavelmente segura, abano a cabeça e digo que sim. Que é assim mesmo.
No entanto, uma coisa é facto. Nas tradicionais noites de verão, em que existem, mas em número menor, os habituais vectores aéreos, terrestres e navais, eu sou o que escapa ileso às investidas. Ou aparentemente ileso.
Dizem que isso acontece até ao dia em que nos encontramos sozinhos ou com uma companhia ainda mais blindada. E que é então que a nossa superioridade cai por terra.
Seja.
Outro facto que se pode, assim a talhe de foice, enquadrar aqui é a minha também aparente imunidade aos não menos temidos ataques navais de alforrecas e peixes-aranha.
Começo por me interrogar, quanto às primeiras e afins, por que raio há um hidrozoário a que chamam os anglófonos de Portuguese Man-of-War?
Não sei a razão mas temo que se relacione com algum parente afastado que terá determinado a imunidade aos seus próximos e mais distantes.
Quanto aos últimos, recordo-me de uns sapatinhos amaricados que alguns compravam para se arriscarem nas águas da praia Vasco da Gama, local então propício à picadela dos disfarçados aranhas.
Eram assim em plástico branco translúcido e havia notícia de que assavam os pés.
Muitos anos depois de tais sapatinhos serem moda ou necessidade, um episódio relacionado marcou-me.
Um dos meus hospedeiros estivais presenteava-me à abalada com um exemplar de peixe-agulha que acabava de retirar de um armário de seca. Com um sorriso, enumerava as bebidas que marchavam bem com tal petisco.
O que me marcou foi a minha fiel navegadora se ter apressado a livrar-se do petisco que eu também tão pressurosamente acondicionara na mala do carro.
Disse ela que era o cheiro. Eu ainda hoje acho que ela confundiu agulha com aranha e se deve ter lembrado dos sapatinhos de plástico.

19/06/2005

O que é que se passa em Ponte de Lima?

Já vamos em 61.
O que é que se passa em Ponte de Lima?

47 sismos registados em 48 horas? Algum festival e a malta aos saltos para aqueles lados, tipo teste para o World Jump Day?
É ver aqui.

18/06/2005

Já não sei

Se há alturas particularmente férteis em disparates, imbecilidades.
Estes últimos dias têm-no sido, sem que se possa dizer que é já uma antecipação daquilo a que alguns chamam silly season, dada a importância de alguns assuntos.
Também nunca saberemos se os disparates que se ouvem reflectem ou não o pensamento dos que os proferem.
Temo que sim.
Analisando sempre e só os sintomas, a cada dia que passa se aviva a ideia de um suicidarismo.
Longínquo, cavado, enraizado. Mas que dá à costa como as baleias, vez por outra, tornando-se visível.
A cegueira que decorre da insídia, essa que nos tolda os sentidos.
Algum rumo

16/06/2005

Rotundas

Quem disse que as regras de circulação em rotundas são fáceis de estabelecer?
Ah, mas não era nada disto que eu ia dizer.
Não.
Não fui almoçar a Peniche, isso é um facto.
Não fui à praia, disse para comigo que está muito vento.
Resolvi ir ver o correio lá onde ele se amontoa. Perdão, o que se amontoa é o spam feito de árvores côrtas. Só de pensar em árvores côrtas, arrepia-se-me a espinha.
Resolvi subir. Resgatar mais uma parte de mim.
Vieram atrelados Vergílio Ferreira, Saint-Exupéry, Pearl S. Buck, C. Virgil Georghiu, António Damásio, Almeida Garrett, Lobo Antunes, João de Deus, entre outros. Tantos quantos a braçada amiga conseguiu envolver.
Ah, e trouxe ainda mais um cinzeiro. Inútil objecto entre aquelas paredes.
Foi assim com a pilha ao meu lado que cedi a passagem à camioneta das carnes.
Quando vi o trânsito parado, fiz a habitual jigajoga por dentro. Passei pela ribeira e voltei a encontrar a camioneta das carnes. Bem feito.
Quer isto dizer que, tendo permanecido atrás da dita camioneta ou não, aparentemente chegava à rotunda ao mesmo tempo. Sabe-se lá, no entanto, o que aconteceria.
E foi, justamente quando me ria do imbecil que piscava para a esquerda, que a vi.
Lá estava ela, em fato de faxina.
Em mais de quinze anos, jamais a tinha visto à varanda.
A primeira ideia foi parar lá debaixo e gritar arraial.
Ocorreu-me que nem sempre a primeira pulsão é a mais certa. Embora o seja, na maior parte dos casos.
Tive assim que vir aqui, à base de dados, recuperar um número começado por 2.
Talvez não tivesse sido má ideia parar debaixo da varanda, vejo-o agora que já desliguei o telefone.
Não, os livros do Orwell não sou eu que os tenho. O meu 1984 é de 1955.
Quem não tem nada para fazer, faz merda.
Táiti duche


imagem em http://www.sniw.fr/images/references/815928.jpg

Era assim e não tá-í-ti ou tah-iti que ele dizia e suponho que ainda diz, o meu velho J. d'.
Já compraste o Táiti duche? - era o sinal de que, em breve, muito em breve, rumaríamos a sul.
Ele levaria, como sempre, os óculos de caminho e os óculos de povoação. E um salvo-conduto da namorada.
Eu, o tal frasco. O meu irmão, não me lembro o quê.
A minha última com eles já lá vão 19 anos. Talvez alguns leitores se recordem de nos ver. Eu era o que carregava todas as noites um tipo às cavalitas pelas escadas do então Splash. O J. d' era o que entrava todas as noites às cavalitas de uma cavalgadura no mesmo local.
O meu irmão era o que carregava, no fim da noite, o bicho para cima. Os outros trinta eram os que se riam.
Nessa última época, deu-se o caso de o moço se ter lesionado com gravidade aos 3 minutos de jogo, no primeiro jogo, no primeiro dia. Recusou-se a abandonar o torneio, embora nessa madrugada me tenha obrigado a levá-lo ao hospital de Faro, onde de resto permanecemos um dia inteirinho, de sol a sol.
Depois foi invocando a sua incapacidade a desoras e a eito, até ao fim do mês. Havia sempre alguém que o carregava.
Quanto ao Tahiti duche era uma espécie de poção mágica que, ao invés de força, proporcionava haréns, na teoria dele. E que, por uma ainda mais obscura razão mas que eu relaciono com o facto de andarmos a chouto, fora do alcance da tal polícia, a mesma que assinava os salvo-condutos, apenas era utilizada em férias. Faz sentido.
Feitas as contas agora que a história assentou, e depois de mais de dez anos dos mais diversos odores tahitianos, pois corremos a gama toda, ele era capaz de ter alguma razão.
Ainda não percebi é como é que o bicho, naquele último ano, sentado a noite toda, se safava.
Verdade seja que nunca me dei ao trabalho de o observar. Só mesmo de o carregar para baixo.
O.K. E nem todas as noites íamos ao Splash. Também gostávamos de inspeccionar as outras.
Troço cronometrado

Ontem à tardinha, e por um remoto acaso, reuniram-se as condições.
Quando dei por mim, desenhava curvas em ligeiro derrapanço no montado, alternando rapidamente esquerdas e direitas entre árvores de dupla escolha, aquelas que ficam no meio do caminho.
Dei-me também conta de que, por um caso ou por outro, havia anos que não levantava assim o pó à estrada.
Matei saudades. Apercebi-me de que andava a levar-me muito a sério.
Nem uma única porrada com a parte de baixo do carro.
Como não tive espectadores, tive que vir aqui gabar-me, é claro.

Acho que o post anterior teve a sua responsabilidade no sucedido.

15/06/2005

Sítios

Há sítios que ainda nos surpreendem.
Depois do primeiro milhão de quilómetros estrada fora ainda é possível pousar em recantos inverosímeis.
Sítios onde se supõe ninguém passa, ninguém vai. Dado o silêncio que tanto a noite como o dia comportam.
Estradas de areia onde só os incautos ou os que não fizeram outra coisa durante anos metem não o jipe mas a carripana de todos os dias.
O mar ali.
Uma casa escondida num vale entre dunas. Um escasso pinheiro rente.
Pouso fortuito de uma noite.
Uma vaga ideia de sardinhas assadas e garrafas de tinto. Dormir como os justos.
E nunca mais lá passar perto.

14/06/2005

Restos de colecção (34)

Do tempo em que os mapas eram feitos à mão:


(clique para ampliar)

do projecto da ponte sobre a ribeira da Comenda, na E.N.10-4, MOP/JAE/DSP
O mundo visto por elas

Ele: Vamos, independentemente do resto, mostrar que a > b.
Ela: Mas c também é maior do que d.
Ele: Isso agora é irrelevante. Concentremo-nos em mostrar que a > b. Adiante se verá o que se segue.
Ela: Irrelevante? Por que é que dizes que é irrelevante?

Explicações adicionais já foram há muito dadas aqui.

13/06/2005

O kit macaense

Não tive então coragem de te oferecer o kit completo.
Só o recebeste uns tempos após.
Mas nesse dia de Santo António, enquanto escondia o meu carro - na época passava despercebido, hoje é quase uma relíquia - preparava-me já para te oferecer a pataca à mesa do café.
A que era suposto ter jogado no casino improvisado, de uma só máquina, por detrás da simulada fachada de São Paulo.
A que também dissimuladamente guardei no bolso, à revelia da minha companhia, que suspeitava já dos meus anseios.
Outros, de nada suspeitaram. O tubarão confundira-se com as sardinhas, ninguém deu por ele.
Provou-se que a pataca era mesmo da sorte. Não foi sequer preciso atravessar o Alentejo, de norte a sul, do Crato a Ourique, sob a brasa de Agosto, e até ao tal sítio, para o saber.

O AMC Matador


imagem em http://www.straight-six.com/theLook/issue17.htm

Ocorre-me muitas vezes nestas épocas de romaria nas estradas, a irónica figura do Matador, matando alguns dos seus passageiros, na sequência da testemunhada imperícia do seu condutor.
Vi-o ao dito AMC, dobrado ao meio, depois de embater no velho 404 do meu tio. Apareceu-lhe o bólide, de atravessado como os comboios, à saída de uma curva, ia ele na sua habitual pachorrenta marcha.
Tanto o meu tio como o seu fiel 404 ainda vieram a percorrer mais alguns milhares de quilómetros.
O condutor do AMC, a ter sobrevivido, terá nesses outros quilómetros carregado outros fardos. Nunca terá percebido o que lhe aconteceu.
É esse o drama das nossas estradas.
Estas noites

Foram noites.
Numa delas, troquei uma mulher e um manjerico por um cigarro.

10/06/2005

Segredos ou talvez não

Suponho que nunca dei muita água pela barba ao meu pai nem justifiquei adrede a ira da minha mãe.
Não houve assim grandes razões para que me pusessem de castigo ou impusessem algum tipo de sanção acessória.
Caso tal impendesse sobre mim, uma das mais temidas seria com toda a certeza obrigarem-me a assistir a um espectáculo de circo.
Dado o receio, suponho ainda que escondi o melhor que pude a minha aversão pelo espectáculo circense, identificada pelas erupções cutâneas quando submetido a doses homeopáticas via televisão.
Tivesse um herdeiro e, em caso de sanção e sendo também secretas as suas aversões, desconfio que o submeteria à provação de escutar um painel de defensores acérrimos do politicamente correcto.
Se se desse o caso de tal não servir de correctivo, na certa deserdá-lo-ia.
A panela

Um dia estoira.
Já faltou mais.
Dobradinha!

09/06/2005

Bravenet e Google

Suponho que não será nem por acaso nem facto alheio à nossa condição de portugueses que o Bravenet há tempos nos presenteia com este banner:



Eu vejo parecenças. Quanto mais não seja no desenho dos óculos.

Quanto ao Google, não cessa de me espantar.
Depois de uma série interminável de procuras de informação sobre a febre da carraça, há agora uma clara tendência para a repetição de pesquisa por palavra.
Não menos interessantes mas apenas pontuais, as seguintes:

Vacinas frase célebre
maquina de tornear (argumentos)
dianteiro poca azul

e a melhor de todas

o google trocou o desenho
A cidade e as serras

Não faço ideia se existe na literatura portuguesa do século XX, uma obra que se detenha nessas diferenças e mostre um contraste tão vivo como o dos tempos de Jacinto.
E se não existe, é pena.
Ocorreu-me isto ao tentar abrir a porta do prédio citadino com a chave de um dos montes.
A minha vida decorreu de facto entre a cidade e as serras.
Entre um século XX de néons e minissaias e um outro de carros de parelha, cantares de taberna e galinhas chocas.
O detalhe da chave é importante. Não havia lá para o sul, nos meus domínios, fechaduras do tipo Yale. Eram ainda as mesmas chaves dos séculos passados.


imagem de http://www.wilton.force9.co.uk/lock/mechanism2.htm
Foguetes

A última vez que vi foguetes serem lançados com a sua inicial razão de ser, já lá vão uns bons doze anos.
Em plena via Infante de Sagres, um indivíduo assinalava um acidente de automóvel com recurso a esse método ancestral. Suponho que o não fizesse em vão. Suponho que seria uma combinação de emergência com alguém ali nas imediações, na falta de telefone. Ele aparentemente surgira de uma casota ali perto não me recordo se numa pedreira se noutra instalação qualquer.
Há dias que venho a ser massacrado por esta deslocada forma de anúncio festivo.
Isto em meio urbano faz cada vez menos sentido chamar os romeiros de tal sorte.
Também sei que os foguetes sofreram uma evolução semântica. Já não sinais sonoros e de fumo, apelando à concentração. São acessórios de fogo de artifício. Foguetes e morteiros. Estes últimos então profusamente utilizados. Bombardeamentos matinais e nocturnos.
It's a nice day (for bombing) - como parecia dizer um apresentador da meteorologia num canal internacional, sorrindo face à ausência de nuvens sobre a Sérvia, no tempo em que dois dos nossos aviões sobrevoavam o Adriático, ficando assim à porta da horta, seis anos atrás. Sim, estávamos em guerra na televisão.
It's a nice day for fireworks!

07/06/2005

Conjugações

Conjugam-se os factores.
E conjugam-se os verbos controlar e circunscrever sem que se saiba o que significam.
Até ao momento, 27 teclas e 3 dedos estiveram envolvidos neste texto.
Calorina

Sempre fui mais do calor do que do frio.
Talvez que seja algo inscrito nos genes, trabalhados por séculos de suões. Tanto quanto aceito que os organismos se adaptam à envolvente.
Tive sempre a sensação de que a minha temperatura de funcionamento era superior a 30º. Uns poucos graus abaixo da temperatura do corpo.
Esta sensação foi alimentada por muitos episódios. Por muito trabalhinho feito à torreira. Muitas caminhadas pelo poeiredo sem o mínimo sinal de desfalecimento.
Também pelo prazer de tomar banhos ao meio-dia do sol.
Pelas noites longas de grilos ou de caça às gatas.
De cantorias nos bancos do largo ou em círculos de cervejas, sobre as grades das ditas.
Gosto do calor. Mas dou-me por satisfeito que dure apenas um Verão.

Já este Partido Regenerador e este Partido Progressista parecem agonizantes. Quanto durarão?
A ver vamos se ela dá

05/06/2005

Ut queant laxis - Dêem-me música


imagem em http://perso.wanadoo.fr/radio-retro/R-Saba-freudenstadt01.jpg

Há alguns séculos-rede que conheço a emissária desta cadeia. Foi ela quem quase me obrigou a facultar os comentários às visitas e a aceder a conversar em janelinha.
Há igualmente outros tantos séculos-rede que me preparo para escrever um post sobre música.
A minha relação com a música pauta-se pela total incapacidade em distinguir um sol de um ut. Mete dó.
Claro que sei da relação entre frequências e comprimentos de onda e das convenções respectivas. Mas isso de nada me serve.
Como se ao olhar para um azul não soubesse que nome dar-lhe. A verdade é que não distingo as notas musicais.
Não me gabo disso. Nem com a sobranceria ridícula dos que se dizem orgulhosamente avessos à Matemática nem com a suposta fleuma dos que se vêem compensados por terem outros dons.
Não me gabo. Tenho pena. Mas suponho que não está ao meu alcance dotar-me das capacidades para tal. Resigno-me, é só.
A verdade é que a minha relação com a música foi marcada em grande parte pela sua ausência.
Ausência que se traduzia por um aparelho de rádio avariado e pela inexistência de fonógrafos lá em casa.
A música resumia-se em grande parte ao que se extraía da televisão e às noites em que adormecia embalado pelas vozes avinhadas da taberna, nas traseiras da casa alentejana.
Mas há um dia que guardo na memória.
Num hotel de província, num lusco-fusco da minha meninice, vindo talvez do bar ou da rua, ouvi uma embaladora música ao fim do corredor. Como se um flautista me chamasse, lá fui. Na pequena sala, um aparelho semelhante ao lá de casa e um homem sentado placidamente ao escuro. Fiquei à porta, temendo importuná-lo, mais do que isso temendo importunar a música.
Não faço ideia que peça era. Suponho que a sintonia era a do Programa 2.
Uns tempos depois, resolvi mandar o dito aparelho à revisão. Veio de lá como novo. Depois disso, exigi um gira-discos. Mais tarde, um gravador de cassettes. Pouco depois, um rádio portátil.
Muni-me assim do essencial à experiência. Não julgo que tenha, no entanto, qualquer importância este atraso na minha incapacidade.
Desde então, como quase em tudo na vida, não sou capaz de descodificar os meus critérios. Mas no caso da música tenho a quase plena consciência de que nunca procurei mais do que me era casualmente oferecido.
Recordo-me bem do som das juke-boxes algarvias dos meados dos anos sessenta. Das doses sucessivas de Roberto Carlos. Das grandes orquestras que o meu tio apresentava no leitor de cartuchos do carro. Dos inúmeros discos de 78 r.p.m. que ele possuía e das capas amareladas de onde os tirava. Dos sons que gravava num já então velho Grundig de bobines.
De tudo isso me recordo.
Um destes dias, meti-me a reconstruir essa banda sonora. A que desde esse tempo me acompanhou.
Assim sendo, querida Lili, a resposta só pode ser esta:

Volume total de arquivos musicais no meu computador:
2,60 GB (2.797.338.624 bytes) - é o que ele diz e eu acredito

O último CD que comprei foi:
O único CD que comprei, na esperança de vir a ter um aparelho para os ler (nessa época nem sei se já havia um PC cá em casa) foi aquela reedição parcial dos famosos discos de capa de serapilheira, da recolha de Michel Giacometti.

Última música capturada:
"Minha terra tem" do grupo coral de Vila Nova de Milfontes - tirada daqui

Musica que estou ouvindo neste momento:
Um CD de música grega (candiana, para ser mais preciso) do qual esperava extrair uma faixa para enviar à minha amiga.

Cinco músicas que andei escutando bastante, nestes últimos dias:
Todas aquelas que fazem parte das playlists da TSF e da Antena 1. É um sinal dos tempos que estas playlists sejam cada vez mais curtas.

Música objeto do desejo:
"O cigano do amor" claro. Pelas razões expostas aqui e aqui.

Quanto ao destino da cadeia, decidi dar carta branca a quem a quiser.
Aqui estão ambas as três.



Basta que digam que vão daqui.
Variante



Há uma dúzia de anos e a caminho de casa

03/06/2005

!!!!!!

No caso, as cerejas é que soam como palavras.
Ou um grande "Ah, foda-se!" dito a plenos pulmões.
Nunca mais lançarei cartas topográficas às três da manhã.


imagem Multimap

É claro que não se podem dar mais pormenores sobre as operações.
Invenções

Major Pimenta, aqui não se inventa nada! - o Coronel começou assim a sua prelecção singular ao recém-chegado sub-comandante.
Depois do eco das suas últimas palavras se ter reflectido como um brilho nos olhos do subordinado, o Coronel abriu a caixa dos charutos com o mesmo gesto com que daria uma voz de à vontade.
Quando o Major fechou a porta atrás de si, o Coronel recostou-se na cadeira.

Pimenta, você não se esqueça de frisar ao Castro que não se inventa nada!
Não se preocupe, meu Coronel, suspeito que ele não seria mesmo capaz de o fazer.
Ok, ok! Olho no Castro! Olho no Castro!

Quando o Coronel Pimenta mandou entrar o Major Castro no seu gabinete e repetiu pela segunda vez em muitos anos ao seu subordinado que não devia inventar nada, passou em revista todos os imprevistos que enfrentara desde que entrara naquele gabinete pela primeira vez como sub-comandante e apreciara a inteligência do então Coronel Seabra.
Nesses anos, inventara-se e muito. Umas vezes ambos, outras um deles, algumas destas em desacordo mas na maior parte em concórdia.
Agora, o Coronel Pimenta tinha a certeza de que o seu sub-comandante jamais arriscaria inventar.
Frisou-lhe que queria ter conhecimento de todos os imprevistos que ocorressem na sua ausência.
A continência do outro assegurou-o pelo menos nesse aspecto.

Quando anos depois, o Coronel Castro se sentou na cadeira e chamou o seu sub-comandante, disse-lhe claramente que ali não se inventava nada. Nada mesmo!
Depois pegou no manual e releu-o mais uma vez.

02/06/2005

Há quem more

Na rua do Raio X
Na rua de Socorros a Náufragos
Ou na tradicional rua da Amargura.

Gosto de por lá passar e não me demorar.
Sim ou não

Tempos também houve em que o sim ou o não davam prémios.
Não me recordo se já eram frigoríficos.
Ou se saíam de carrinho.


imagem das páginas da RTP

01/06/2005

Época balnear

Houve um tempo em que só no verão havia gelados.
Em que a fruta tinha também época e sabor.
Em que para chegar a certas praias era preciso ter cuidado para não ficar atascado na areia.
Em que se carregava a trouxa para casas junto ao mar.
Em que havia bolas Nivea.
Em que eu chegava preto ao fim do verão.



(foto alterada em 1 Jun. 06)

31/05/2005

A escada do economista

É sabido que uma das dificuldades dos engenheiros é que, não obstante se ponham a teorizar sobre os seus cálculos, a apresentá-los em lindos embrulhos e até a acariciá-los, estejam eles irremediavelmente mal feitos e a obra cai. Tão simples como isso.
Já esse conjunto de técnicas que dá pelo nome de economia possibilita a alguns profissionais do ramo proferir afirmações que aparentemente influem no resultado final.
Eu que o diga. Que também saí cedo de casa no dia seguinte a Cavaco Silva ter falado em gatos e lebres. E em boa hora o fiz.
A escada da figura abaixo é, com toda a certeza, obra de um economista. Todos os dias lá deve passar e dizer, mas não com a convicção que Afonso tinha sob a abóbada - que esse era mestre d'obras - aguenta-te!

29/05/2005

O tempo das galinhas pretas

Ouvir o que quer que seja, por exemplo hoje da boca dos políticos e comentadores franceses, os mesmos que em 2002 asseguravam que a França virara à direita, ouvir o que quer que seja sobre causas e efeitos de um escrutínio, tal como na Espanha ou nos E.U.A. de 2004, tal como em qualquer lado e em qualquer altura, ouvir e prestar atenção é chegar, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não nos afastámos nada do tempo das galinhas pretas.
Ainda que os fatos sejam outros e que a colocação da voz seja mais educada.
Sopas depois de almoço e carroças à frente dos bois

Duas expressões estas que aparentemente designam realidades opostas.
O que vem tarde demais e cedo demais.
Sendo assim pela aparência contraditórias, todavia aplicam-se na perfeição ao tratado constitucional europeu e ao escrutínio a que foi, é hoje e será submetido, de diversas formas, nos vários países.
Como se a História se escrevesse de acordo com um plano ditado pelos homens.