02/08/2005
01/08/2005
31/07/2005
30/07/2005
O (9+n)º planeta, perdão, o (9+1n)º planeta
Pela nª vez, anuncia-se a descoberta do décimo planeta do sistema solar.
Pela nª vez, anuncia-se a descoberta do décimo planeta do sistema solar.
29/07/2005
De Braga para Guimarães
Há situações que me irritariam noutras circunstâncias. O caso é que, ouvidas e não entendidas as razões, não se perdeu um minuto.
Os mais expeditos já discutiam eventuais traçados alternativos.
Vamos fazer isto à moda antiga - disse-lhe.
Ela nem pestanejou, entrou no carro ao meu lado, pegou num bloco e riu-se.
Tinha a perfeita consciência de que, caindo já a noite, seria tarefa complicada escolher e medir novo traçado em tempo útil.
Avançámos assim sobre os restos de um caminho marcado num alqueive.
Voltas dadas, detivémo-nos junto a um muro de uma abadia.
Esta passagem é lindíssima - dizia ela, a contemplar o pequeno desnível das águas que assim emarulhava o silêncio da noite, não fosse, claro, o motor do carro.
Mas é também delicada. Veremos se ninguém se magoa aqui.
Ah, mas tens que utilizar este percurso. Isto aqui é magnífico. Está ainda como eu me lembrava disto.
Ok, descansemos então. Quando fecharem as comportas, atravessamos.
Caramba! Este gajo não podia apontar as luzes para outro lado?
Qual gajo? Não vês que é o Sol?
E o que é que a gente está a fazer na caixa do carro?
Tonto!
Há situações que me irritariam noutras circunstâncias. O caso é que, ouvidas e não entendidas as razões, não se perdeu um minuto.
Os mais expeditos já discutiam eventuais traçados alternativos.
Vamos fazer isto à moda antiga - disse-lhe.
Ela nem pestanejou, entrou no carro ao meu lado, pegou num bloco e riu-se.
Tinha a perfeita consciência de que, caindo já a noite, seria tarefa complicada escolher e medir novo traçado em tempo útil.
Avançámos assim sobre os restos de um caminho marcado num alqueive.
Voltas dadas, detivémo-nos junto a um muro de uma abadia.
Esta passagem é lindíssima - dizia ela, a contemplar o pequeno desnível das águas que assim emarulhava o silêncio da noite, não fosse, claro, o motor do carro.
Mas é também delicada. Veremos se ninguém se magoa aqui.
Ah, mas tens que utilizar este percurso. Isto aqui é magnífico. Está ainda como eu me lembrava disto.
Ok, descansemos então. Quando fecharem as comportas, atravessamos.
Caramba! Este gajo não podia apontar as luzes para outro lado?
Qual gajo? Não vês que é o Sol?
E o que é que a gente está a fazer na caixa do carro?
Tonto!
28/07/2005
De volta às fileiras
Cumprimentámos o homem no caminho.
Eu tinha uma vaga ideia dele. O R.C. mais do que eu. E ele tinha, por sua vez, o R.C. em grande conta.
Fez-lhe a vénia intelectual da praxe e arrependeu-se dela no momento seguinte quando se apercebeu que muito provavelmente nos teria como subalternos.
Chegados a quartel, a coisa foi rápida.
Fardamento. Conversa pouca e galões. Estávamos os três no mesmo posto, o moço à nossa direita por ser mais antigo nas lides castrenses.
Lembro-me de ele me fazer, de uma espécie de balcão, a recomendação de organizar tal e tal: "Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Mas havia festa. Eu a pensar cá para mim que era a segunda vez que vestia o uniforme nacional. Mentira ou verdade? Ainda hoje não sei. Há, no entanto, quem afirme a pés juntos que sim, que me viu militar. Embora metade já tenha morrido.
E a festa era logo ali, no rio, à frente da parada. Os F-16 por ali andavam, uma parelha apenas. Lá fizeram umas figuras evidentemente rápidas e desapareceram para os lados da Trafaria.
Em seguida a coisa decorria numa espécie de grande nave-claustro. Em ordem unida. Em havendo ordem unida, há-de haver ordem antes disso. Pelotões, companhias, essas coisas.
Como não sabia onde me enquadrar, vi a coisa de cima.
E o que vi era mais ou menos isto:

Descido à terra, os meus galões pararam em frente do tal balcão. O homem:
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Não lhe perguntei em que companhia, em que pelotão estaria eu. Pelotão? Eu seria decerto o comandante da companhia. Mas de qual?
Ele estendeu-me então uns quantos bilhetes de comboio. Tinham marcada a hora exacta em que eu tinha de apanhar o dito.
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Cumprimentámos o homem no caminho.
Eu tinha uma vaga ideia dele. O R.C. mais do que eu. E ele tinha, por sua vez, o R.C. em grande conta.
Fez-lhe a vénia intelectual da praxe e arrependeu-se dela no momento seguinte quando se apercebeu que muito provavelmente nos teria como subalternos.
Chegados a quartel, a coisa foi rápida.
Fardamento. Conversa pouca e galões. Estávamos os três no mesmo posto, o moço à nossa direita por ser mais antigo nas lides castrenses.
Lembro-me de ele me fazer, de uma espécie de balcão, a recomendação de organizar tal e tal: "Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Mas havia festa. Eu a pensar cá para mim que era a segunda vez que vestia o uniforme nacional. Mentira ou verdade? Ainda hoje não sei. Há, no entanto, quem afirme a pés juntos que sim, que me viu militar. Embora metade já tenha morrido.
E a festa era logo ali, no rio, à frente da parada. Os F-16 por ali andavam, uma parelha apenas. Lá fizeram umas figuras evidentemente rápidas e desapareceram para os lados da Trafaria.
Em seguida a coisa decorria numa espécie de grande nave-claustro. Em ordem unida. Em havendo ordem unida, há-de haver ordem antes disso. Pelotões, companhias, essas coisas.
Como não sabia onde me enquadrar, vi a coisa de cima.
E o que vi era mais ou menos isto:
Descido à terra, os meus galões pararam em frente do tal balcão. O homem:
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Não lhe perguntei em que companhia, em que pelotão estaria eu. Pelotão? Eu seria decerto o comandante da companhia. Mas de qual?
Ele estendeu-me então uns quantos bilhetes de comboio. Tinham marcada a hora exacta em que eu tinha de apanhar o dito.
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
27/07/2005
26/07/2005
Chuva!

imagem do radar da Cruz de Leão (Instituto de Meteorologia)
Pena que seja pouca aqui e nenhuma a sul
imagem do radar da Cruz de Leão (Instituto de Meteorologia)
Pena que seja pouca aqui e nenhuma a sul
25/07/2005
Esta parte da cidade
Ou lá o que é isto, é-me meio desconhecida.
Já por aqui ando há quarenta e tantos anos, ainda por aqui nada havia a não ser mato ou aquele barranco que era uma espécie de atracção para o pessoal da escola.
Vou à janela e imagino-o, ao barranco, emanilhado aqui por baixo desta espécie de praça. A linha de água é, são agora duas: uma subterrânea e outra à superfície. Um dia que chova muito se verá.
Afinal ainda há certos cheiros. Cheiros que não consigo analisar, identificar componente a componente, mas que são réplicas de outros.
Ontem, encontrei um deles perdido no mato. Algures perto de uma praia sem afluência.
Afinal ainda há certos ruídos. O daquelas bicicletas a motor que lembram as noites alentejanas.
Afinal ainda há certos casais. O H.G. e a namorada. Lá estavam a jantar envolvidos. Ele veio cumprimentar-me, de mesa para mesa, de palhaço para palhaço.
Ela gosta das palhaçadas dele. Vê-se. Sempre se viu. Não sei há quantos anos os conheço, quase há trinta, a namorar. Nem sei que mistério tão grande vêem os outros nisso.
Sim, os netos deles já são crescidinhos.
Ou lá o que é isto, é-me meio desconhecida.
Já por aqui ando há quarenta e tantos anos, ainda por aqui nada havia a não ser mato ou aquele barranco que era uma espécie de atracção para o pessoal da escola.
Vou à janela e imagino-o, ao barranco, emanilhado aqui por baixo desta espécie de praça. A linha de água é, são agora duas: uma subterrânea e outra à superfície. Um dia que chova muito se verá.
Afinal ainda há certos cheiros. Cheiros que não consigo analisar, identificar componente a componente, mas que são réplicas de outros.
Ontem, encontrei um deles perdido no mato. Algures perto de uma praia sem afluência.
Afinal ainda há certos ruídos. O daquelas bicicletas a motor que lembram as noites alentejanas.
Afinal ainda há certos casais. O H.G. e a namorada. Lá estavam a jantar envolvidos. Ele veio cumprimentar-me, de mesa para mesa, de palhaço para palhaço.
Ela gosta das palhaçadas dele. Vê-se. Sempre se viu. Não sei há quantos anos os conheço, quase há trinta, a namorar. Nem sei que mistério tão grande vêem os outros nisso.
Sim, os netos deles já são crescidinhos.
24/07/2005
23/07/2005
22/07/2005
Mais um sinal
Dos tempos estranhos.
Se é verdade que se prevê apoio psicológico a quem ganhar o totoloto.
Como já ouvi hoje algures.
Só me pergunto: haverá apoio psicológico a quem decide estas coisas do apoio psicológico?
Como me dizia, certa vez, trocista, o velho médico: "não há nada mais eficaz contra as radiações do que um bom apoio psicológico!".
Dos tempos estranhos.
Se é verdade que se prevê apoio psicológico a quem ganhar o totoloto.
Como já ouvi hoje algures.
Só me pergunto: haverá apoio psicológico a quem decide estas coisas do apoio psicológico?
Como me dizia, certa vez, trocista, o velho médico: "não há nada mais eficaz contra as radiações do que um bom apoio psicológico!".
21/07/2005
20/07/2005
18/07/2005
Traços femininos
Nesta coisa das campanhas, chegou a vez dos traços femininos aparecerem no rosto dos candidatos do sexo masculino. Tenho aqui à minha frente um folheto em que isso é evidente.
Vi hoje também um cartaz onde me pareceu ter sido usada a mesma técnica de retoque.
Esta coisa de campanhas faz-me sempre lembrar a chamada pancada técnica à portuguesa - bate-se no aparelho que alguma coisa há-de acontecer.
Quando o aparelho acaba por recomeçar a funcionar, há um sem número de argumentos que explicam o sucesso. Nas campanhas é a mesmíssima coisa.
Nesta coisa das campanhas, chegou a vez dos traços femininos aparecerem no rosto dos candidatos do sexo masculino. Tenho aqui à minha frente um folheto em que isso é evidente.
Vi hoje também um cartaz onde me pareceu ter sido usada a mesma técnica de retoque.
Esta coisa de campanhas faz-me sempre lembrar a chamada pancada técnica à portuguesa - bate-se no aparelho que alguma coisa há-de acontecer.
Quando o aparelho acaba por recomeçar a funcionar, há um sem número de argumentos que explicam o sucesso. Nas campanhas é a mesmíssima coisa.
A mediocridade
Ao olhar para a forma como são feitas no Google as pesquisas que aqui caem, a primeira coisa que salta à vista é a incapacidade da esmagadora maioria dos utilizadores de entenderem a forma como funciona o Google, em termos macroscópicos.
Ora o Google dá a esses ainda assim a possibilidade de encontrarem o que precisam. Não se trata de nenhum milagre. Trata-se da contínua adaptação da informática ao utilizador comum.
Desde o tempo em que andávamos, os da minha geração, às voltas com cartões perfurados até aos dias de hoje, que todos os dias se senta mais gente frente a um teclado, sem ter grande noção do que está a fazer.
Ora isso é de certa forma uma imagem da sociedade actual.
A adaptação ao utilizador comum. A distribuição às massas de algum tipo de conhecimento. A forma como se conduz um automóvel, como se tira partido de uma máquina de calcular, até como se deve pensar. O nivelamento por baixo, muito por baixo.
A quantidade de utilizadores comuns é de tal forma elevada que esmagou alguma possibilidade de elevação na informação, na comunicação. Tem que se descer baixinho porque a massa não entende.
Basta ler, basta ouvir, e a ideia com que se fica é que o nível do debate está lá rasteiro. O nível da escolha rasteiro está - discutem-se animadamente os mais rotundos disparates, o erro dentro do erro. O nível da argumentação igual anda - basta ver as construções lógicas que por aí circulam e que, de resto mostram logo que a mais simples lógica (que seja a da batata) é campo fora do alcance da maioria dos opinadores, dos analistas.
Tal como diz o Google. Não fazem a menor ideia de como o utilizar, apenas porque não têm a menor noção da tal lógica da batata.
Mas o Google ajuda-os. É desse ruído de fundo, das ajudas redundantes aos incapazes e da sua reverberação que se faz o ambiente hoje em dia. De mediocridade. Claro.
Alastrando, alastrando.
Ao olhar para a forma como são feitas no Google as pesquisas que aqui caem, a primeira coisa que salta à vista é a incapacidade da esmagadora maioria dos utilizadores de entenderem a forma como funciona o Google, em termos macroscópicos.
Ora o Google dá a esses ainda assim a possibilidade de encontrarem o que precisam. Não se trata de nenhum milagre. Trata-se da contínua adaptação da informática ao utilizador comum.
Desde o tempo em que andávamos, os da minha geração, às voltas com cartões perfurados até aos dias de hoje, que todos os dias se senta mais gente frente a um teclado, sem ter grande noção do que está a fazer.
Ora isso é de certa forma uma imagem da sociedade actual.
A adaptação ao utilizador comum. A distribuição às massas de algum tipo de conhecimento. A forma como se conduz um automóvel, como se tira partido de uma máquina de calcular, até como se deve pensar. O nivelamento por baixo, muito por baixo.
A quantidade de utilizadores comuns é de tal forma elevada que esmagou alguma possibilidade de elevação na informação, na comunicação. Tem que se descer baixinho porque a massa não entende.
Basta ler, basta ouvir, e a ideia com que se fica é que o nível do debate está lá rasteiro. O nível da escolha rasteiro está - discutem-se animadamente os mais rotundos disparates, o erro dentro do erro. O nível da argumentação igual anda - basta ver as construções lógicas que por aí circulam e que, de resto mostram logo que a mais simples lógica (que seja a da batata) é campo fora do alcance da maioria dos opinadores, dos analistas.
Tal como diz o Google. Não fazem a menor ideia de como o utilizar, apenas porque não têm a menor noção da tal lógica da batata.
Mas o Google ajuda-os. É desse ruído de fundo, das ajudas redundantes aos incapazes e da sua reverberação que se faz o ambiente hoje em dia. De mediocridade. Claro.
Alastrando, alastrando.
17/07/2005
16/07/2005
15/07/2005
14/07/2005
Don Manolo
Diziam os mentideros que o homem não suportava nem o vento nem o sustento vindos do lado de lá.
Que teria até certa vez dado valente piparote num prato do qual comia com gosto, ao sabê-lo castelhano.
Pois hoje traçaram-me um quadro das zonas raianas que é muito pouco animador.
Mostraram-me até onde vem a atracção de Badajoz. Até onde chega a influência de Valência de Alcântara. E como vão os negócios portugueses em tais zonas.
O quadro, como disse, é muito pouco animador.
E o pior. O homem não só já vai a Espanha, como é por lá demais conhecido como Don Manolo. E gosta.

imagem em http://home.fmh.utl.pt/~al07833/Clavas.html
Diziam os mentideros que o homem não suportava nem o vento nem o sustento vindos do lado de lá.
Que teria até certa vez dado valente piparote num prato do qual comia com gosto, ao sabê-lo castelhano.
Pois hoje traçaram-me um quadro das zonas raianas que é muito pouco animador.
Mostraram-me até onde vem a atracção de Badajoz. Até onde chega a influência de Valência de Alcântara. E como vão os negócios portugueses em tais zonas.
O quadro, como disse, é muito pouco animador.
E o pior. O homem não só já vai a Espanha, como é por lá demais conhecido como Don Manolo. E gosta.
imagem em http://home.fmh.utl.pt/~al07833/Clavas.html
13/07/2005
12/07/2005
11/07/2005
O céu estrelado, a rotunda e a ponte sobre o Nada
Não tenho nada contra.
Não posso ter nada contra, digo-me.
Cada um que tenha céus estrelados, rotundas e pontes sobre o Nada.
Eu próprio tenho as minhas bizarrias. E não serão poucas.
Todos as temos, digo já a desculpar-me.
Lindo céu de carpélio azul pois celeste ponteado por miríades de pequenas lâmpadas de Natal.
No tecto. Do bar. Em casa. No sótão.
Nada contra.
A rotunda que possibilita aos visitantes, no meio do mato, uma fácil inversão do sentido de marcha.
A ponte que replica, numa confusão de escalas diferentes, a outra. A grande. Terá um vão central dos seus 15 m, digo eu. Pareceram-me as fixações do tabuleiro no limite do cálculo. Talvez me tenha enganado. A acção do vento pareceu-me igualmente mal avaliada. Talvez me tenha enganado.
Esta coisa de inspeccionar a pedido esferas, digo planos inclinados, celestes, rotundas e pontes suspensas tem que acabar.
Mas não tenho nada contra. Não posso ter.
Uma ponte sob a qual se não nada, no Baixo Nada.
Não tenho nada contra.
Não posso ter nada contra, digo-me.
Cada um que tenha céus estrelados, rotundas e pontes sobre o Nada.
Eu próprio tenho as minhas bizarrias. E não serão poucas.
Todos as temos, digo já a desculpar-me.
Lindo céu de carpélio azul pois celeste ponteado por miríades de pequenas lâmpadas de Natal.
No tecto. Do bar. Em casa. No sótão.
Nada contra.
A rotunda que possibilita aos visitantes, no meio do mato, uma fácil inversão do sentido de marcha.
A ponte que replica, numa confusão de escalas diferentes, a outra. A grande. Terá um vão central dos seus 15 m, digo eu. Pareceram-me as fixações do tabuleiro no limite do cálculo. Talvez me tenha enganado. A acção do vento pareceu-me igualmente mal avaliada. Talvez me tenha enganado.
Esta coisa de inspeccionar a pedido esferas, digo planos inclinados, celestes, rotundas e pontes suspensas tem que acabar.
Mas não tenho nada contra. Não posso ter.
Uma ponte sob a qual se não nada, no Baixo Nada.
10/07/2005
La force tranquille

A ser verdade o que hoje se diz nos noticiários, a ser verdade o que foi dito por alguém que deve saber do que fala, a ser verdade aquilo que há muito suspeitávamos, fica mais uma vez bem visível uma fenda na suposta coerência dalguns que tanto clamam pela coerência alheia.
É que o mundo é assim mesmo.
imagem daqui
A ser verdade o que hoje se diz nos noticiários, a ser verdade o que foi dito por alguém que deve saber do que fala, a ser verdade aquilo que há muito suspeitávamos, fica mais uma vez bem visível uma fenda na suposta coerência dalguns que tanto clamam pela coerência alheia.
É que o mundo é assim mesmo.
imagem daqui
09/07/2005
Boatos
Sem falar nos boatos que têm interesses obscuros e mesquinhos, que desses não cabe aqui menção, há depois aqueles que apenas resultam da má transmissão, da má recepção, da imaginação fértil ou duvidosa do esconfique...
O esconfique é uma nascente abundante de boataria.
Resulta de uma leitura preconceituosa dos sinais. Que pode bem ser inocente. Nada maldosa. Às vezes até com alguma preocupação com terceiros.
Esconfique que vai nascer por aí mais um boato.
As condições estão reunidas. Depois não digam que eu não avisei.
E não. Não põe em causa o bom nome, a reputação de ninguém.
Sem falar nos boatos que têm interesses obscuros e mesquinhos, que desses não cabe aqui menção, há depois aqueles que apenas resultam da má transmissão, da má recepção, da imaginação fértil ou duvidosa do esconfique...
O esconfique é uma nascente abundante de boataria.
Resulta de uma leitura preconceituosa dos sinais. Que pode bem ser inocente. Nada maldosa. Às vezes até com alguma preocupação com terceiros.
Esconfique que vai nascer por aí mais um boato.
As condições estão reunidas. Depois não digam que eu não avisei.
E não. Não põe em causa o bom nome, a reputação de ninguém.
08/07/2005
07/07/2005
06/07/2005
05/07/2005
La nuit

Não me interpretem mal. O facto é que a moça caiu do céu.
Era daquelas mulheres que não suscitava indiferença. Não era capa de revista. Era apenas portadora daquela terrível volta na ponta que, para os homens, se torna difícil de definir.
Não sei já bem quando a conheci. Creio que terá sido na rua, tropecei nela quando a minha companhia se deteve para a cumprimentar.
Eram então colegas. A conversa foi por aí, teses, aulas, pedras na engrenagem. O mais possível longe da possibilidade de eu dizer o que quer que fosse. O que me deu tempo para lhe apreciar os gestos, a desenvoltura.
Julgo que no encontro seguinte, igualmente fortuito, lhe oferecemos boleia até Lisboa.
Dizem que os taxistas são bons confessores porque se encontram de costas para quem com eles desabafa. Não sei se foi o caso.
Mas ela perguntou-me, lá do banco de trás, se eu já não fazia noitadas.
Explicou-se depois.
Que, durante anos, ela e eu partilhámos a noite. Ela sabendo que a partilhava com alguém. Eu de nada sabendo.
Via da janela dela, em outro ponto da vila, a luz da minha. Imaginava quem seria a pessoa que teimava em atravessar a noite, acompanhando-a. Eu, pela localização da janela dela, não me apercebia da luz. Era num ângulo para o qual nunca olhava.
Aliás, a janela pela qual observava o mundo, era do lado oposto do prédio. Dali distinguia milhares de luzes, aviões pairando, carros a circular, comboios tardios, sem que me fixasse num ponto em especial.
Mas era do outro lado que era observado. Sem disso dar conta. Eu não. A luz que mantinha acesa.
Nunca lhe perguntei como ela ligara o nome à pessoa, digo à luz na janela.
Não me interpretem mal. O facto é que a moça caiu do céu.
Era daquelas mulheres que não suscitava indiferença. Não era capa de revista. Era apenas portadora daquela terrível volta na ponta que, para os homens, se torna difícil de definir.
Não sei já bem quando a conheci. Creio que terá sido na rua, tropecei nela quando a minha companhia se deteve para a cumprimentar.
Eram então colegas. A conversa foi por aí, teses, aulas, pedras na engrenagem. O mais possível longe da possibilidade de eu dizer o que quer que fosse. O que me deu tempo para lhe apreciar os gestos, a desenvoltura.
Julgo que no encontro seguinte, igualmente fortuito, lhe oferecemos boleia até Lisboa.
Dizem que os taxistas são bons confessores porque se encontram de costas para quem com eles desabafa. Não sei se foi o caso.
Mas ela perguntou-me, lá do banco de trás, se eu já não fazia noitadas.
Explicou-se depois.
Que, durante anos, ela e eu partilhámos a noite. Ela sabendo que a partilhava com alguém. Eu de nada sabendo.
Via da janela dela, em outro ponto da vila, a luz da minha. Imaginava quem seria a pessoa que teimava em atravessar a noite, acompanhando-a. Eu, pela localização da janela dela, não me apercebia da luz. Era num ângulo para o qual nunca olhava.
Aliás, a janela pela qual observava o mundo, era do lado oposto do prédio. Dali distinguia milhares de luzes, aviões pairando, carros a circular, comboios tardios, sem que me fixasse num ponto em especial.
Mas era do outro lado que era observado. Sem disso dar conta. Eu não. A luz que mantinha acesa.
Nunca lhe perguntei como ela ligara o nome à pessoa, digo à luz na janela.
04/07/2005
03/07/2005
02/07/2005
A contaminação
Não sei se existe uma pudicícia da escrita pública.
Não sei se se entende que é melhor não fugir dos cânones quando a exposição é grande.
Não sei se é assim.
Não sei sequer se tal resulta de uma onda de regrismo que não se sabe bem a que costa vai dar.
Ou se advém de uma contaminação que a corrente amorfa e dominante trouxe às franjas marginais.
A verdade é que constato a cada vez mais rara ousadia de dizer coisas que colidam com a normalidade. Até de dizer coisas verdadeiramente interessantes.
Apesar daquela normalidade ser aparente. Ilusória.
Lembro-me do homem que dizia à mulher:
"Não argumentes comigo como se foras primeiro-ministro!"
E estou com ele. Ainda que muitos anos tenham passado.
Não sei se existe uma pudicícia da escrita pública.
Não sei se se entende que é melhor não fugir dos cânones quando a exposição é grande.
Não sei se é assim.
Não sei sequer se tal resulta de uma onda de regrismo que não se sabe bem a que costa vai dar.
Ou se advém de uma contaminação que a corrente amorfa e dominante trouxe às franjas marginais.
A verdade é que constato a cada vez mais rara ousadia de dizer coisas que colidam com a normalidade. Até de dizer coisas verdadeiramente interessantes.
Apesar daquela normalidade ser aparente. Ilusória.
Lembro-me do homem que dizia à mulher:
"Não argumentes comigo como se foras primeiro-ministro!"
E estou com ele. Ainda que muitos anos tenham passado.
01/07/2005
Percentagens
Não haverá ninguém que consiga explicar a estas criaturas que um aumento do IVA de 19% para 21% gera um aumento nos preços dos bens de 1,68% e não de 2%?
Claro que isto é na teoria. E a teoria só não se ajusta à prática quando é má teoria. Neste caso é má pois despreza, além de outros, o factor humano, seja lá isso o que fôr.
Não haverá ninguém que consiga explicar a estas criaturas que um aumento do IVA de 19% para 21% gera um aumento nos preços dos bens de 1,68% e não de 2%?
Claro que isto é na teoria. E a teoria só não se ajusta à prática quando é má teoria. Neste caso é má pois despreza, além de outros, o factor humano, seja lá isso o que fôr.
30/06/2005
O 63
Sempre me encantei com os nomes dos lugares.
E sempre gostei de ouvir as hipóteses explicativas para as mais estranhas designações. Muitas delas fabulosas, é certo. Há um grosso manto de ignorância sobre a maioria delas.
O ano passado ouvi pela primeira vez alguém designar o 63.
Não é número de polícia. Não é quilómetro constante de marco. Sequer é cota de festo. É apenas o 63. Um cruzamento de estradas perdido no mato.
No qual passei toda a minha vida sem lhe conhecer a graça.
Foto em http://ortos.igeo.pt/ortofotos/
Sempre me encantei com os nomes dos lugares.
E sempre gostei de ouvir as hipóteses explicativas para as mais estranhas designações. Muitas delas fabulosas, é certo. Há um grosso manto de ignorância sobre a maioria delas.
O ano passado ouvi pela primeira vez alguém designar o 63.
Não é número de polícia. Não é quilómetro constante de marco. Sequer é cota de festo. É apenas o 63. Um cruzamento de estradas perdido no mato.
No qual passei toda a minha vida sem lhe conhecer a graça.
Foto em http://ortos.igeo.pt/ortofotos/
29/06/2005
Restos de colecção (36)
Este objecto nunca foi meu.
Mas é meu há muitos anos.
Herdei-o algures do fundo de qualquer gaveta ou adido a outros que me vieram parar às mãos.
Não era o principal do lote, era adjunto - como diria a senhora que enumerava ruas adjuntas que não eram principais, ao ser interpelada por direcções, por sentidos.
Mas eu sei que é meu, sinto que é meu, porque há muito me aparece, surgido debaixo de alguma pilha de papéis a reclamar-se meu vassalo.
Nunca o usei como horário, jamais como régua, sequer como grelha. Semanas de seis dias. Recordações do tempo em que se falava da semana inglesa. E da americana.
E ele aqui, chegou ao século XXI sem ser jogado para o lixo.
Nunca foi meu. Seria de algum familiar que o desprezou.
Hoje ganha protagonismo, um lugar na História. Sai em todos os jornais.
Este objecto nunca foi meu.
Mas é meu há muitos anos.
Herdei-o algures do fundo de qualquer gaveta ou adido a outros que me vieram parar às mãos.
Não era o principal do lote, era adjunto - como diria a senhora que enumerava ruas adjuntas que não eram principais, ao ser interpelada por direcções, por sentidos.
Mas eu sei que é meu, sinto que é meu, porque há muito me aparece, surgido debaixo de alguma pilha de papéis a reclamar-se meu vassalo.
Nunca o usei como horário, jamais como régua, sequer como grelha. Semanas de seis dias. Recordações do tempo em que se falava da semana inglesa. E da americana.
E ele aqui, chegou ao século XXI sem ser jogado para o lixo.
Nunca foi meu. Seria de algum familiar que o desprezou.
Hoje ganha protagonismo, um lugar na História. Sai em todos os jornais.
Trajes regionais
Pode também dizer-se que uma boa linha divisória é aquela que passa entre os que tomam como absolutos e definitivos os trajes regionais, como se o tempo tivesse parado algures pelos séculos XIX ou XX e os que acham que ele, o tempo pássaro.
Ou ainda entre os que se tomam por intelectuais de serviço e os acabados imbecis. Incluo-me sempre nos últimos grupos e no grupo dos últimos, modéstia à parte.
Pode também dizer-se que uma boa linha divisória é aquela que passa entre os que tomam como absolutos e definitivos os trajes regionais, como se o tempo tivesse parado algures pelos séculos XIX ou XX e os que acham que ele, o tempo pássaro.
Ou ainda entre os que se tomam por intelectuais de serviço e os acabados imbecis. Incluo-me sempre nos últimos grupos e no grupo dos últimos, modéstia à parte.
28/06/2005
A malga e o Estado
Fosse o caso menos sério, fosse o caso menos velho, embora como os velhos, mais se tema por ele em certas épocas, fosse o caso de nos rirmos com isto tudo, diria que:
A malga e o Estado, o Estado e a malga, me lembram uma outra malga, a dos sócios que foram à feira com um pipa de vinho. E que acabaram por bebê-la, à pipa, sem uma única pinga venderem. À malga, o fizeram. Uma de cada vez.
E o estado em que ficaram.
Não tenho jeito para contar histórias. Mas há quem jure que já bebeu vinho, talvez morangueiro, por uma nalga - eu disse nalga.
Fosse o caso menos sério, fosse o caso menos velho, embora como os velhos, mais se tema por ele em certas épocas, fosse o caso de nos rirmos com isto tudo, diria que:
A malga e o Estado, o Estado e a malga, me lembram uma outra malga, a dos sócios que foram à feira com um pipa de vinho. E que acabaram por bebê-la, à pipa, sem uma única pinga venderem. À malga, o fizeram. Uma de cada vez.
E o estado em que ficaram.
Não tenho jeito para contar histórias. Mas há quem jure que já bebeu vinho, talvez morangueiro, por uma nalga - eu disse nalga.
27/06/2005
25/06/2005
Parece chumbo
O estranho hoje foi terem desatado a aparecer colegas de escola.
Confesso que quando perguntei ao Mariano se ele ainda me conhecia, o que eu queria dizer é que dele já só me lembrava em sonhos.
Mas apareceram vários. Aos últimos, até enumerei as presenças anteriores.
É certo que fiquei convencido de que eles apareciam lá na sala de jantar sem saberem bem de quem era a casa. Mas também não se espantavam muito quando eu os interpelava.
Depois lá fiz de cicerone.
Mostrei a casa e inevitavelmente as minhas recentes descobertas. Esta magnífica porta nunca se tinha dado por ela, que eu me lembre. Toda esta zona do quintal estava aterrada e não se sabia que existia esta espécie de caramanchão.
Mesmo este trabalho em pedra, neo-manuelino, estava como que entaipado e só demos por ele há pouco tempo.
Saímos pela rua e mostrei então as atrocidades que os novos proprietários acabavam de erigir.
Quase sempre dando notícia do que era a anterior situação. Aqui era muro, ali havia árvores de fruto, até ali ao fundo onde estão aquelas marcas de uma empena na falésia (ou será um muro de suporte?) ainda era nosso.
Depois, olhei para trás e reparei que já me estava a esticar. A esticar os domínios. Afinal era lá atrás que era o sesmo.
Voltámos pela ponta da vila. Cumprimentei umas caras estranhas em portas conhecidas. Depois, ali na zona em que surge, à esquerda, a rua que tem os tais cafés afamados, saiu-me um homem ao caminho, com um ar misto de determinação e de quem-não-quer-a-coisa.
Queria saber se a cortiça tinha dado.
Quando voltámos a casa, fomos encostar-nos à janela grande que tem as tais pilastras neo-manuelinas.
Olhei mais de perto e pareceram-me de chumbo feitas. Ainda mais e já era uma espécie de filigrana em alumínio.
Disfarcei.
O estranho hoje foi terem desatado a aparecer colegas de escola.
Confesso que quando perguntei ao Mariano se ele ainda me conhecia, o que eu queria dizer é que dele já só me lembrava em sonhos.
Mas apareceram vários. Aos últimos, até enumerei as presenças anteriores.
É certo que fiquei convencido de que eles apareciam lá na sala de jantar sem saberem bem de quem era a casa. Mas também não se espantavam muito quando eu os interpelava.
Depois lá fiz de cicerone.
Mostrei a casa e inevitavelmente as minhas recentes descobertas. Esta magnífica porta nunca se tinha dado por ela, que eu me lembre. Toda esta zona do quintal estava aterrada e não se sabia que existia esta espécie de caramanchão.
Mesmo este trabalho em pedra, neo-manuelino, estava como que entaipado e só demos por ele há pouco tempo.
Saímos pela rua e mostrei então as atrocidades que os novos proprietários acabavam de erigir.
Quase sempre dando notícia do que era a anterior situação. Aqui era muro, ali havia árvores de fruto, até ali ao fundo onde estão aquelas marcas de uma empena na falésia (ou será um muro de suporte?) ainda era nosso.
Depois, olhei para trás e reparei que já me estava a esticar. A esticar os domínios. Afinal era lá atrás que era o sesmo.
Voltámos pela ponta da vila. Cumprimentei umas caras estranhas em portas conhecidas. Depois, ali na zona em que surge, à esquerda, a rua que tem os tais cafés afamados, saiu-me um homem ao caminho, com um ar misto de determinação e de quem-não-quer-a-coisa.
Queria saber se a cortiça tinha dado.
Quando voltámos a casa, fomos encostar-nos à janela grande que tem as tais pilastras neo-manuelinas.
Olhei mais de perto e pareceram-me de chumbo feitas. Ainda mais e já era uma espécie de filigrana em alumínio.
Disfarcei.
23/06/2005
Sãjuõe
Nunca lá fui nesta data.
Vaga ideia das histórias que o meu pai, alentejano pois, me contou das épicas noites do dito, dos tempos em que andava pela D. Manuel II.
A ele, sempre o vi com um brilho nos olhos quando se falava na Inbicta.
Brilho que quase fez com que eu próprio lá fosse nascer.
Casado com o arco do amigo Edgar.
Embalado com os poemas do amigo Jorge.
Assim não foi. Nasci aqui pela capital do Império.
Ainda hoje tenho um deficit para com o Porto.
Contas a ajustar.
Nunca lá fui nesta data.
Vaga ideia das histórias que o meu pai, alentejano pois, me contou das épicas noites do dito, dos tempos em que andava pela D. Manuel II.
A ele, sempre o vi com um brilho nos olhos quando se falava na Inbicta.
Brilho que quase fez com que eu próprio lá fosse nascer.
Casado com o arco do amigo Edgar.
Embalado com os poemas do amigo Jorge.
Assim não foi. Nasci aqui pela capital do Império.
Ainda hoje tenho um deficit para com o Porto.
Contas a ajustar.
H2O
Recordo-me das conversas sobre os convénios ibéricos da água.
E da história da barragem de Gabcikovo-Nagymaros.
Recordo-me de disputas a outra escala, resolvidas a tiro de caçadeira.
Recordo-me ainda de ouvir, há décadas, os argumentos dos que profetizavam as guerras da água.
Guerras da água sempre houve. Talvez tenham nascido com a vida, tal como a entendemos.
A imagem abaixo, que todos conhecemos e temos em memória, parece mostrar uma espécie de queimadura peritropical.
Sabemos ou julgamos saber que algumas destas regiões foram há milénios mais férteis. Há sinais disso.
Trata-se de uma evolução que independe da humanização do planeta, pelo menos na escala a que hoje suspeitamos que estamos a interferir.
Saber como evoluirá a mancha amarela não parece fácil. Desconfio sempre da extrapolação de um troço mínimo de uma curva para explicar uma função.
Mas suponhamos que ela alastra. Como se vê, estamos na zona de transição.
A agravar-se a falta de água, é lirismo puro contar com a água que vem de Espanha. Em última análise, será até lirismo contar com a água que cai sobre o rectângulo.
A suceder tal, sobreviveremos aqui num formato semelhante ao dos países de deserto feitos.
E teremos que ir buscar a água onde ela ainda abunda, ao vizinho do lado. E não será a Espanha.
Ou então, fazemos as malas.
O meu caseiro desenganava-me, um destes dias, enquanto contemplávamos magníficas sobreiras quebradas à seca e especulávamos sobre a sua capacidade de regeneração:
"Parece que é lá para 2012 que isto fica um deserto."
Fiquei sem saber de onde lhe vinha a profecia. Se da atávica interpretação dos sinais se de outro lado qualquer.

imagem em http://geoimages.berkeley.edu/wwp304/map/index.html
P.S. Obrigado pela dica.
Recordo-me das conversas sobre os convénios ibéricos da água.
E da história da barragem de Gabcikovo-Nagymaros.
Recordo-me de disputas a outra escala, resolvidas a tiro de caçadeira.
Recordo-me ainda de ouvir, há décadas, os argumentos dos que profetizavam as guerras da água.
Guerras da água sempre houve. Talvez tenham nascido com a vida, tal como a entendemos.
A imagem abaixo, que todos conhecemos e temos em memória, parece mostrar uma espécie de queimadura peritropical.
Sabemos ou julgamos saber que algumas destas regiões foram há milénios mais férteis. Há sinais disso.
Trata-se de uma evolução que independe da humanização do planeta, pelo menos na escala a que hoje suspeitamos que estamos a interferir.
Saber como evoluirá a mancha amarela não parece fácil. Desconfio sempre da extrapolação de um troço mínimo de uma curva para explicar uma função.
Mas suponhamos que ela alastra. Como se vê, estamos na zona de transição.
A agravar-se a falta de água, é lirismo puro contar com a água que vem de Espanha. Em última análise, será até lirismo contar com a água que cai sobre o rectângulo.
A suceder tal, sobreviveremos aqui num formato semelhante ao dos países de deserto feitos.
E teremos que ir buscar a água onde ela ainda abunda, ao vizinho do lado. E não será a Espanha.
Ou então, fazemos as malas.
O meu caseiro desenganava-me, um destes dias, enquanto contemplávamos magníficas sobreiras quebradas à seca e especulávamos sobre a sua capacidade de regeneração:
"Parece que é lá para 2012 que isto fica um deserto."
Fiquei sem saber de onde lhe vinha a profecia. Se da atávica interpretação dos sinais se de outro lado qualquer.
imagem em http://geoimages.berkeley.edu/wwp304/map/index.html
P.S. Obrigado pela dica.
21/06/2005
Indiscrições
Pois. Ninguém me mandou falar no Splash.
Apanharam-te, Paulo.
Achas que ponha aqui que já és casado há uma meia dúzia de anos?
Será a mesma daquela noite em Almodôvar? A que te disse que sim, que era boa, mas que era muito estúpida. E à minha frente, pá.
Ou aquela em quem deste uma porrada no carro à saída da estrada velha? Essa nunca a vi. Só me disseste que tinha sido pena o teu pai ir contigo nessa altura.
Pois. Ninguém me mandou falar no Splash.
Apanharam-te, Paulo.
Achas que ponha aqui que já és casado há uma meia dúzia de anos?
Será a mesma daquela noite em Almodôvar? A que te disse que sim, que era boa, mas que era muito estúpida. E à minha frente, pá.
Ou aquela em quem deste uma porrada no carro à saída da estrada velha? Essa nunca a vi. Só me disseste que tinha sido pena o teu pai ir contigo nessa altura.
As coisas mais simples
Irrito-me, pronto.
De ouvir um dia inteiro que o Verão começou às 6:46.
Só lêem as gordas? Ou o O.A.L. não percebe nada do assunto?
Irrito-me, pronto.
De ouvir um dia inteiro que o Verão começou às 6:46.
Só lêem as gordas? Ou o O.A.L. não percebe nada do assunto?
Realidade, imagens e medidas
Já todos sabemos que só acontece verdadeiramente o que passa na televisão.
Os incêndios, a seca, os discursos à hora do telejornal, etc.
Os assaltos e a violência nos comboios suburbanos mereceram finalmente uma medida anunciada.
É que, até aqui, nada acontecia.
Talvez comecem finalmente a perceber uma das razões pelas quais há tantos carros no IC 19.
Talvez o resto do país se aperceba também de que existe um problema sério.
Porque os que moram em certos locais, há muito que o conhecem.

imagem em http://www.dietetica.blogger.com.br/fita-metrica.gif
Já todos sabemos que só acontece verdadeiramente o que passa na televisão.
Os incêndios, a seca, os discursos à hora do telejornal, etc.
Os assaltos e a violência nos comboios suburbanos mereceram finalmente uma medida anunciada.
É que, até aqui, nada acontecia.
Talvez comecem finalmente a perceber uma das razões pelas quais há tantos carros no IC 19.
Talvez o resto do país se aperceba também de que existe um problema sério.
Porque os que moram em certos locais, há muito que o conhecem.
imagem em http://www.dietetica.blogger.com.br/fita-metrica.gif
20/06/2005
Malária, sapatinhos e peixes-agulha
Há quem defenda que eu sou bom para secar pauis.
Há mesmo quem afirme haver provas de que me encontro imune à malária. Provas é claro recolhidas junto de outros, nunca nada comigo.
Dado nunca ter padecido de tal, embora a minha distância a zonas de risco se tenha sempre mantido razoavelmente segura, abano a cabeça e digo que sim. Que é assim mesmo.
No entanto, uma coisa é facto. Nas tradicionais noites de verão, em que existem, mas em número menor, os habituais vectores aéreos, terrestres e navais, eu sou o que escapa ileso às investidas. Ou aparentemente ileso.
Dizem que isso acontece até ao dia em que nos encontramos sozinhos ou com uma companhia ainda mais blindada. E que é então que a nossa superioridade cai por terra.
Seja.
Outro facto que se pode, assim a talhe de foice, enquadrar aqui é a minha também aparente imunidade aos não menos temidos ataques navais de alforrecas e peixes-aranha.
Começo por me interrogar, quanto às primeiras e afins, por que raio há um hidrozoário a que chamam os anglófonos de Portuguese Man-of-War?
Não sei a razão mas temo que se relacione com algum parente afastado que terá determinado a imunidade aos seus próximos e mais distantes.
Quanto aos últimos, recordo-me de uns sapatinhos amaricados que alguns compravam para se arriscarem nas águas da praia Vasco da Gama, local então propício à picadela dos disfarçados aranhas.
Eram assim em plástico branco translúcido e havia notícia de que assavam os pés.
Muitos anos depois de tais sapatinhos serem moda ou necessidade, um episódio relacionado marcou-me.
Um dos meus hospedeiros estivais presenteava-me à abalada com um exemplar de peixe-agulha que acabava de retirar de um armário de seca. Com um sorriso, enumerava as bebidas que marchavam bem com tal petisco.
O que me marcou foi a minha fiel navegadora se ter apressado a livrar-se do petisco que eu também tão pressurosamente acondicionara na mala do carro.
Disse ela que era o cheiro. Eu ainda hoje acho que ela confundiu agulha com aranha e se deve ter lembrado dos sapatinhos de plástico.
Há quem defenda que eu sou bom para secar pauis.
Há mesmo quem afirme haver provas de que me encontro imune à malária. Provas é claro recolhidas junto de outros, nunca nada comigo.
Dado nunca ter padecido de tal, embora a minha distância a zonas de risco se tenha sempre mantido razoavelmente segura, abano a cabeça e digo que sim. Que é assim mesmo.
No entanto, uma coisa é facto. Nas tradicionais noites de verão, em que existem, mas em número menor, os habituais vectores aéreos, terrestres e navais, eu sou o que escapa ileso às investidas. Ou aparentemente ileso.
Dizem que isso acontece até ao dia em que nos encontramos sozinhos ou com uma companhia ainda mais blindada. E que é então que a nossa superioridade cai por terra.
Seja.
Outro facto que se pode, assim a talhe de foice, enquadrar aqui é a minha também aparente imunidade aos não menos temidos ataques navais de alforrecas e peixes-aranha.
Começo por me interrogar, quanto às primeiras e afins, por que raio há um hidrozoário a que chamam os anglófonos de Portuguese Man-of-War?
Não sei a razão mas temo que se relacione com algum parente afastado que terá determinado a imunidade aos seus próximos e mais distantes.
Quanto aos últimos, recordo-me de uns sapatinhos amaricados que alguns compravam para se arriscarem nas águas da praia Vasco da Gama, local então propício à picadela dos disfarçados aranhas.
Eram assim em plástico branco translúcido e havia notícia de que assavam os pés.
Muitos anos depois de tais sapatinhos serem moda ou necessidade, um episódio relacionado marcou-me.
Um dos meus hospedeiros estivais presenteava-me à abalada com um exemplar de peixe-agulha que acabava de retirar de um armário de seca. Com um sorriso, enumerava as bebidas que marchavam bem com tal petisco.
O que me marcou foi a minha fiel navegadora se ter apressado a livrar-se do petisco que eu também tão pressurosamente acondicionara na mala do carro.
Disse ela que era o cheiro. Eu ainda hoje acho que ela confundiu agulha com aranha e se deve ter lembrado dos sapatinhos de plástico.
19/06/2005
O que é que se passa em Ponte de Lima?
47 sismos registados em 48 horas? Algum festival e a malta aos saltos para aqueles lados, tipo teste para o World Jump Day?
É ver aqui.
47 sismos registados em 48 horas? Algum festival e a malta aos saltos para aqueles lados, tipo teste para o World Jump Day?
É ver aqui.
18/06/2005
Já não sei
Se há alturas particularmente férteis em disparates, imbecilidades.
Estes últimos dias têm-no sido, sem que se possa dizer que é já uma antecipação daquilo a que alguns chamam silly season, dada a importância de alguns assuntos.
Também nunca saberemos se os disparates que se ouvem reflectem ou não o pensamento dos que os proferem.
Temo que sim.
Analisando sempre e só os sintomas, a cada dia que passa se aviva a ideia de um suicidarismo.
Longínquo, cavado, enraizado. Mas que dá à costa como as baleias, vez por outra, tornando-se visível.
A cegueira que decorre da insídia, essa que nos tolda os sentidos.
Se há alturas particularmente férteis em disparates, imbecilidades.
Estes últimos dias têm-no sido, sem que se possa dizer que é já uma antecipação daquilo a que alguns chamam silly season, dada a importância de alguns assuntos.
Também nunca saberemos se os disparates que se ouvem reflectem ou não o pensamento dos que os proferem.
Temo que sim.
Analisando sempre e só os sintomas, a cada dia que passa se aviva a ideia de um suicidarismo.
Longínquo, cavado, enraizado. Mas que dá à costa como as baleias, vez por outra, tornando-se visível.
A cegueira que decorre da insídia, essa que nos tolda os sentidos.
16/06/2005
Rotundas
Quem disse que as regras de circulação em rotundas são fáceis de estabelecer?
Ah, mas não era nada disto que eu ia dizer.
Não.
Não fui almoçar a Peniche, isso é um facto.
Não fui à praia, disse para comigo que está muito vento.
Resolvi ir ver o correio lá onde ele se amontoa. Perdão, o que se amontoa é o spam feito de árvores côrtas. Só de pensar em árvores côrtas, arrepia-se-me a espinha.
Resolvi subir. Resgatar mais uma parte de mim.
Vieram atrelados Vergílio Ferreira, Saint-Exupéry, Pearl S. Buck, C. Virgil Georghiu, António Damásio, Almeida Garrett, Lobo Antunes, João de Deus, entre outros. Tantos quantos a braçada amiga conseguiu envolver.
Ah, e trouxe ainda mais um cinzeiro. Inútil objecto entre aquelas paredes.
Foi assim com a pilha ao meu lado que cedi a passagem à camioneta das carnes.
Quando vi o trânsito parado, fiz a habitual jigajoga por dentro. Passei pela ribeira e voltei a encontrar a camioneta das carnes. Bem feito.
Quer isto dizer que, tendo permanecido atrás da dita camioneta ou não, aparentemente chegava à rotunda ao mesmo tempo. Sabe-se lá, no entanto, o que aconteceria.
E foi, justamente quando me ria do imbecil que piscava para a esquerda, que a vi.
Lá estava ela, em fato de faxina.
Em mais de quinze anos, jamais a tinha visto à varanda.
A primeira ideia foi parar lá debaixo e gritar arraial.
Ocorreu-me que nem sempre a primeira pulsão é a mais certa. Embora o seja, na maior parte dos casos.
Tive assim que vir aqui, à base de dados, recuperar um número começado por 2.
Talvez não tivesse sido má ideia parar debaixo da varanda, vejo-o agora que já desliguei o telefone.
Não, os livros do Orwell não sou eu que os tenho. O meu 1984 é de 1955.
Quem não tem nada para fazer, faz merda.
Quem disse que as regras de circulação em rotundas são fáceis de estabelecer?
Ah, mas não era nada disto que eu ia dizer.
Não.
Não fui almoçar a Peniche, isso é um facto.
Não fui à praia, disse para comigo que está muito vento.
Resolvi ir ver o correio lá onde ele se amontoa. Perdão, o que se amontoa é o spam feito de árvores côrtas. Só de pensar em árvores côrtas, arrepia-se-me a espinha.
Resolvi subir. Resgatar mais uma parte de mim.
Vieram atrelados Vergílio Ferreira, Saint-Exupéry, Pearl S. Buck, C. Virgil Georghiu, António Damásio, Almeida Garrett, Lobo Antunes, João de Deus, entre outros. Tantos quantos a braçada amiga conseguiu envolver.
Ah, e trouxe ainda mais um cinzeiro. Inútil objecto entre aquelas paredes.
Foi assim com a pilha ao meu lado que cedi a passagem à camioneta das carnes.
Quando vi o trânsito parado, fiz a habitual jigajoga por dentro. Passei pela ribeira e voltei a encontrar a camioneta das carnes. Bem feito.
Quer isto dizer que, tendo permanecido atrás da dita camioneta ou não, aparentemente chegava à rotunda ao mesmo tempo. Sabe-se lá, no entanto, o que aconteceria.
E foi, justamente quando me ria do imbecil que piscava para a esquerda, que a vi.
Lá estava ela, em fato de faxina.
Em mais de quinze anos, jamais a tinha visto à varanda.
A primeira ideia foi parar lá debaixo e gritar arraial.
Ocorreu-me que nem sempre a primeira pulsão é a mais certa. Embora o seja, na maior parte dos casos.
Tive assim que vir aqui, à base de dados, recuperar um número começado por 2.
Talvez não tivesse sido má ideia parar debaixo da varanda, vejo-o agora que já desliguei o telefone.
Não, os livros do Orwell não sou eu que os tenho. O meu 1984 é de 1955.
Quem não tem nada para fazer, faz merda.
Táiti duche

imagem em http://www.sniw.fr/images/references/815928.jpg
Era assim e não tá-í-ti ou tah-iti que ele dizia e suponho que ainda diz, o meu velho J. d'.
Já compraste o Táiti duche? - era o sinal de que, em breve, muito em breve, rumaríamos a sul.
Ele levaria, como sempre, os óculos de caminho e os óculos de povoação. E um salvo-conduto da namorada.
Eu, o tal frasco. O meu irmão, não me lembro o quê.
A minha última com eles já lá vão 19 anos. Talvez alguns leitores se recordem de nos ver. Eu era o que carregava todas as noites um tipo às cavalitas pelas escadas do então Splash. O J. d' era o que entrava todas as noites às cavalitas de uma cavalgadura no mesmo local.
O meu irmão era o que carregava, no fim da noite, o bicho para cima. Os outros trinta eram os que se riam.
Nessa última época, deu-se o caso de o moço se ter lesionado com gravidade aos 3 minutos de jogo, no primeiro jogo, no primeiro dia. Recusou-se a abandonar o torneio, embora nessa madrugada me tenha obrigado a levá-lo ao hospital de Faro, onde de resto permanecemos um dia inteirinho, de sol a sol.
Depois foi invocando a sua incapacidade a desoras e a eito, até ao fim do mês. Havia sempre alguém que o carregava.
Quanto ao Tahiti duche era uma espécie de poção mágica que, ao invés de força, proporcionava haréns, na teoria dele. E que, por uma ainda mais obscura razão mas que eu relaciono com o facto de andarmos a chouto, fora do alcance da tal polícia, a mesma que assinava os salvo-condutos, apenas era utilizada em férias. Faz sentido.
Feitas as contas agora que a história assentou, e depois de mais de dez anos dos mais diversos odores tahitianos, pois corremos a gama toda, ele era capaz de ter alguma razão.
Ainda não percebi é como é que o bicho, naquele último ano, sentado a noite toda, se safava.
Verdade seja que nunca me dei ao trabalho de o observar. Só mesmo de o carregar para baixo.
O.K. E nem todas as noites íamos ao Splash. Também gostávamos de inspeccionar as outras.
imagem em http://www.sniw.fr/images/references/815928.jpg
Era assim e não tá-í-ti ou tah-iti que ele dizia e suponho que ainda diz, o meu velho J. d'.
Já compraste o Táiti duche? - era o sinal de que, em breve, muito em breve, rumaríamos a sul.
Ele levaria, como sempre, os óculos de caminho e os óculos de povoação. E um salvo-conduto da namorada.
Eu, o tal frasco. O meu irmão, não me lembro o quê.
A minha última com eles já lá vão 19 anos. Talvez alguns leitores se recordem de nos ver. Eu era o que carregava todas as noites um tipo às cavalitas pelas escadas do então Splash. O J. d' era o que entrava todas as noites às cavalitas de uma cavalgadura no mesmo local.
O meu irmão era o que carregava, no fim da noite, o bicho para cima. Os outros trinta eram os que se riam.
Nessa última época, deu-se o caso de o moço se ter lesionado com gravidade aos 3 minutos de jogo, no primeiro jogo, no primeiro dia. Recusou-se a abandonar o torneio, embora nessa madrugada me tenha obrigado a levá-lo ao hospital de Faro, onde de resto permanecemos um dia inteirinho, de sol a sol.
Depois foi invocando a sua incapacidade a desoras e a eito, até ao fim do mês. Havia sempre alguém que o carregava.
Quanto ao Tahiti duche era uma espécie de poção mágica que, ao invés de força, proporcionava haréns, na teoria dele. E que, por uma ainda mais obscura razão mas que eu relaciono com o facto de andarmos a chouto, fora do alcance da tal polícia, a mesma que assinava os salvo-condutos, apenas era utilizada em férias. Faz sentido.
Feitas as contas agora que a história assentou, e depois de mais de dez anos dos mais diversos odores tahitianos, pois corremos a gama toda, ele era capaz de ter alguma razão.
Ainda não percebi é como é que o bicho, naquele último ano, sentado a noite toda, se safava.
Verdade seja que nunca me dei ao trabalho de o observar. Só mesmo de o carregar para baixo.
O.K. E nem todas as noites íamos ao Splash. Também gostávamos de inspeccionar as outras.
Troço cronometrado
Ontem à tardinha, e por um remoto acaso, reuniram-se as condições.
Quando dei por mim, desenhava curvas em ligeiro derrapanço no montado, alternando rapidamente esquerdas e direitas entre árvores de dupla escolha, aquelas que ficam no meio do caminho.
Dei-me também conta de que, por um caso ou por outro, havia anos que não levantava assim o pó à estrada.
Matei saudades. Apercebi-me de que andava a levar-me muito a sério.
Nem uma única porrada com a parte de baixo do carro.
Como não tive espectadores, tive que vir aqui gabar-me, é claro.
Acho que o post anterior teve a sua responsabilidade no sucedido.
Ontem à tardinha, e por um remoto acaso, reuniram-se as condições.
Quando dei por mim, desenhava curvas em ligeiro derrapanço no montado, alternando rapidamente esquerdas e direitas entre árvores de dupla escolha, aquelas que ficam no meio do caminho.
Dei-me também conta de que, por um caso ou por outro, havia anos que não levantava assim o pó à estrada.
Matei saudades. Apercebi-me de que andava a levar-me muito a sério.
Nem uma única porrada com a parte de baixo do carro.
Como não tive espectadores, tive que vir aqui gabar-me, é claro.
Acho que o post anterior teve a sua responsabilidade no sucedido.
15/06/2005
Sítios
Há sítios que ainda nos surpreendem.
Depois do primeiro milhão de quilómetros estrada fora ainda é possível pousar em recantos inverosímeis.
Sítios onde se supõe ninguém passa, ninguém vai. Dado o silêncio que tanto a noite como o dia comportam.
Estradas de areia onde só os incautos ou os que não fizeram outra coisa durante anos metem não o jipe mas a carripana de todos os dias.
O mar ali.
Uma casa escondida num vale entre dunas. Um escasso pinheiro rente.
Pouso fortuito de uma noite.
Uma vaga ideia de sardinhas assadas e garrafas de tinto. Dormir como os justos.
E nunca mais lá passar perto.
Há sítios que ainda nos surpreendem.
Depois do primeiro milhão de quilómetros estrada fora ainda é possível pousar em recantos inverosímeis.
Sítios onde se supõe ninguém passa, ninguém vai. Dado o silêncio que tanto a noite como o dia comportam.
Estradas de areia onde só os incautos ou os que não fizeram outra coisa durante anos metem não o jipe mas a carripana de todos os dias.
O mar ali.
Uma casa escondida num vale entre dunas. Um escasso pinheiro rente.
Pouso fortuito de uma noite.
Uma vaga ideia de sardinhas assadas e garrafas de tinto. Dormir como os justos.
E nunca mais lá passar perto.
14/06/2005
O mundo visto por elas
Ele: Vamos, independentemente do resto, mostrar que a > b.
Ela: Mas c também é maior do que d.
Ele: Isso agora é irrelevante. Concentremo-nos em mostrar que a > b. Adiante se verá o que se segue.
Ela: Irrelevante? Por que é que dizes que é irrelevante?
Explicações adicionais já foram há muito dadas aqui.
Ele: Vamos, independentemente do resto, mostrar que a > b.
Ela: Mas c também é maior do que d.
Ele: Isso agora é irrelevante. Concentremo-nos em mostrar que a > b. Adiante se verá o que se segue.
Ela: Irrelevante? Por que é que dizes que é irrelevante?
Explicações adicionais já foram há muito dadas aqui.
13/06/2005
O kit macaense
Não tive então coragem de te oferecer o kit completo.
Só o recebeste uns tempos após.
Mas nesse dia de Santo António, enquanto escondia o meu carro - na época passava despercebido, hoje é quase uma relíquia - preparava-me já para te oferecer a pataca à mesa do café.
A que era suposto ter jogado no casino improvisado, de uma só máquina, por detrás da simulada fachada de São Paulo.
A que também dissimuladamente guardei no bolso, à revelia da minha companhia, que suspeitava já dos meus anseios.
Outros, de nada suspeitaram. O tubarão confundira-se com as sardinhas, ninguém deu por ele.
Provou-se que a pataca era mesmo da sorte. Não foi sequer preciso atravessar o Alentejo, de norte a sul, do Crato a Ourique, sob a brasa de Agosto, e até ao tal sítio, para o saber.
Não tive então coragem de te oferecer o kit completo.
Só o recebeste uns tempos após.
Mas nesse dia de Santo António, enquanto escondia o meu carro - na época passava despercebido, hoje é quase uma relíquia - preparava-me já para te oferecer a pataca à mesa do café.
A que era suposto ter jogado no casino improvisado, de uma só máquina, por detrás da simulada fachada de São Paulo.
A que também dissimuladamente guardei no bolso, à revelia da minha companhia, que suspeitava já dos meus anseios.
Outros, de nada suspeitaram. O tubarão confundira-se com as sardinhas, ninguém deu por ele.
Provou-se que a pataca era mesmo da sorte. Não foi sequer preciso atravessar o Alentejo, de norte a sul, do Crato a Ourique, sob a brasa de Agosto, e até ao tal sítio, para o saber.
O AMC Matador

imagem em http://www.straight-six.com/theLook/issue17.htm
Ocorre-me muitas vezes nestas épocas de romaria nas estradas, a irónica figura do Matador, matando alguns dos seus passageiros, na sequência da testemunhada imperícia do seu condutor.
Vi-o ao dito AMC, dobrado ao meio, depois de embater no velho 404 do meu tio. Apareceu-lhe o bólide, de atravessado como os comboios, à saída de uma curva, ia ele na sua habitual pachorrenta marcha.
Tanto o meu tio como o seu fiel 404 ainda vieram a percorrer mais alguns milhares de quilómetros.
O condutor do AMC, a ter sobrevivido, terá nesses outros quilómetros carregado outros fardos. Nunca terá percebido o que lhe aconteceu.
É esse o drama das nossas estradas.
imagem em http://www.straight-six.com/theLook/issue17.htm
Ocorre-me muitas vezes nestas épocas de romaria nas estradas, a irónica figura do Matador, matando alguns dos seus passageiros, na sequência da testemunhada imperícia do seu condutor.
Vi-o ao dito AMC, dobrado ao meio, depois de embater no velho 404 do meu tio. Apareceu-lhe o bólide, de atravessado como os comboios, à saída de uma curva, ia ele na sua habitual pachorrenta marcha.
Tanto o meu tio como o seu fiel 404 ainda vieram a percorrer mais alguns milhares de quilómetros.
O condutor do AMC, a ter sobrevivido, terá nesses outros quilómetros carregado outros fardos. Nunca terá percebido o que lhe aconteceu.
É esse o drama das nossas estradas.
12/06/2005
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