28/08/2005
27/08/2005
Os dias zero
Não tenho a certeza absoluta de que fosse zero o nome que eu implicitamente dava aos dias em que se suspendiam as férias.
Sequer a tenho sobre se baptizava ou não estes dias. O que sei é que os catalogava. Que os tomava como dias desperdiçados.
E o suspender as férias era ir a casa. À vila. Ao monte. Suprema heresia, voltar à cidade.
Não. A praia era para aproveitar da primeira à última hora.
Não haveria razão neste mundo que justificasse uma noite sem ouvir o mar, uma manhã sem ir a banhos.
Uma destas noites, dei-me conta de que andava a deambular pelo interior do país em pleno Agosto. Coisa impensável. Imaginava a minha tribo nas boîtes e eu ali, à procura de uma certa ponte.
Passou-se - dizem eles. Diriam, se estivessem nas tais boîtes. Talvez quem esteja sejam os moços.
Nesses tempos, algum de nós imaginaria os Beach Boys no Crato?

Ainda os lá vou ver. Eu que gosto do Crato e dos de lá.
Será um dia zero, esse?
Não tenho a certeza absoluta de que fosse zero o nome que eu implicitamente dava aos dias em que se suspendiam as férias.
Sequer a tenho sobre se baptizava ou não estes dias. O que sei é que os catalogava. Que os tomava como dias desperdiçados.
E o suspender as férias era ir a casa. À vila. Ao monte. Suprema heresia, voltar à cidade.
Não. A praia era para aproveitar da primeira à última hora.
Não haveria razão neste mundo que justificasse uma noite sem ouvir o mar, uma manhã sem ir a banhos.
Uma destas noites, dei-me conta de que andava a deambular pelo interior do país em pleno Agosto. Coisa impensável. Imaginava a minha tribo nas boîtes e eu ali, à procura de uma certa ponte.
Passou-se - dizem eles. Diriam, se estivessem nas tais boîtes. Talvez quem esteja sejam os moços.
Nesses tempos, algum de nós imaginaria os Beach Boys no Crato?
Ainda os lá vou ver. Eu que gosto do Crato e dos de lá.
Será um dia zero, esse?
26/08/2005
24/08/2005
23/08/2005
22/08/2005
21/08/2005
20/08/2005
18/08/2005
17/08/2005
16/08/2005
Compatibilidade e legibilidade
Se há imagem que se pode dizer datada, esta abaixo é uma delas.
Pertence ao intervalo compreendido entre a vulgarização do avião e a vulgarização do GPS. Século XX.
Recordo-me de várias pinturas destas. Um pouco por todo o lado no país. A grande maioria delas suponho que não avistáveis do chão.
Paralelamente, existia na rede viária um sistema de sinalização compatível com alguns mapas que era bastante eficaz.
Havia uma noção inteligente do que era necessário fazer.
Percebia-se a informação que era necessário fornecer e percebia-se como o fazer.
Depois, com o advento das competências municipais, ficou à vista que um sistema destes não pode ser entregue a qualquer um.
Pode ser uma das tarefas mais simples e óbvias deste mundo ensinar a alguém um caminho.
Mas a verdade é que muito poucos são capazes de o fazer. Donde o simples e o óbvio...

imagem da RTP
Se há imagem que se pode dizer datada, esta abaixo é uma delas.
Pertence ao intervalo compreendido entre a vulgarização do avião e a vulgarização do GPS. Século XX.
Recordo-me de várias pinturas destas. Um pouco por todo o lado no país. A grande maioria delas suponho que não avistáveis do chão.
Paralelamente, existia na rede viária um sistema de sinalização compatível com alguns mapas que era bastante eficaz.
Havia uma noção inteligente do que era necessário fazer.
Percebia-se a informação que era necessário fornecer e percebia-se como o fazer.
Depois, com o advento das competências municipais, ficou à vista que um sistema destes não pode ser entregue a qualquer um.
Pode ser uma das tarefas mais simples e óbvias deste mundo ensinar a alguém um caminho.
Mas a verdade é que muito poucos são capazes de o fazer. Donde o simples e o óbvio...
imagem da RTP
15/08/2005
12/08/2005
11/08/2005
Isto das fotos
Não se deve apenas aos novos meios ao dispôr - apetece-me dizer estes lugares comuns.
Na verdade, muito pouco partido tenho tirado da coisa. Falta de paciência para circular por aí, para escrever seja o que fôr - deve ser isso.
Isto dos posts sobre o fogo. Nada a subtrair, nada a acrescentar.
Hoje vi o programa a que se referiu um deputado e um membro do governo - a reunião de uma comissão da Assembleia da República. A tarde toda. Na AR TV.
Não retiro uma linha ao último post. E aos outros oito que encontrei:
de 20 de Agosto de 2004
de 17 de Agosto de 2004
de 28 de Julho de 2004
de 27 de Julho de 2004
de 2 de Julho de 2004
da mesma data
de 16 de Fevereiro de 2004
da mesma data
Não se deve apenas aos novos meios ao dispôr - apetece-me dizer estes lugares comuns.
Na verdade, muito pouco partido tenho tirado da coisa. Falta de paciência para circular por aí, para escrever seja o que fôr - deve ser isso.
Isto dos posts sobre o fogo. Nada a subtrair, nada a acrescentar.
Hoje vi o programa a que se referiu um deputado e um membro do governo - a reunião de uma comissão da Assembleia da República. A tarde toda. Na AR TV.
Não retiro uma linha ao último post. E aos outros oito que encontrei:
de 20 de Agosto de 2004
de 17 de Agosto de 2004
de 28 de Julho de 2004
de 27 de Julho de 2004
de 2 de Julho de 2004
da mesma data
de 16 de Fevereiro de 2004
da mesma data
10/08/2005
09/08/2005
08/08/2005
07/08/2005
06/08/2005
A caminho do Sul
Naquela noite de 1986, resolvi relembrar os tempos do ferry boat.
Lá atravessei o Tejo, sentado na capota do Ford Escort, gozando a fresca.
Era uma noite destas, de calor intenso. Prenunciava o verão alucinante que se seguiria.
Recordo-me de, já em casa, ter fumado o abaladiço ali no poial da esquina. Ia a noite já alta e de botas caneleiras.
Nessa noite, não disse a ninguém que a primeira vez que atravessei o Tejo, frente a Lisboa, sem ser de barco, não foi no dia 6 de Agosto de 1966. Não. Foi uns tempos antes.

foto de Celestino Teixeira in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
Naquela noite de 1986, resolvi relembrar os tempos do ferry boat.
Lá atravessei o Tejo, sentado na capota do Ford Escort, gozando a fresca.
Era uma noite destas, de calor intenso. Prenunciava o verão alucinante que se seguiria.
Recordo-me de, já em casa, ter fumado o abaladiço ali no poial da esquina. Ia a noite já alta e de botas caneleiras.
Nessa noite, não disse a ninguém que a primeira vez que atravessei o Tejo, frente a Lisboa, sem ser de barco, não foi no dia 6 de Agosto de 1966. Não. Foi uns tempos antes.
foto de Celestino Teixeira in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
Coisas
Eu tenho uma relação bizarra com o dia 6 de Agosto.
Talvez certos pormenores só fiquem acessíveis no dia em que eu morrer.
O dia 6 de Agosto sendo um dia farto em efemérides, das quais se destaca a de 1945, não é de facto um dia que me diga muito.
Mas guardo um trauma de infância.
Sim, ainda não me esqueci. Faz hoje 39 anos estava danado. Muito danado.
Talvez por isso lhe dou importância a mais. Por isso ou por algo de que não faço ainda a menor ideia.
Eu tenho uma relação bizarra com o dia 6 de Agosto.
Talvez certos pormenores só fiquem acessíveis no dia em que eu morrer.
O dia 6 de Agosto sendo um dia farto em efemérides, das quais se destaca a de 1945, não é de facto um dia que me diga muito.
Mas guardo um trauma de infância.
Sim, ainda não me esqueci. Faz hoje 39 anos estava danado. Muito danado.
Talvez por isso lhe dou importância a mais. Por isso ou por algo de que não faço ainda a menor ideia.
05/08/2005
04/08/2005
03/08/2005
Política
Algures em 1992, deixei de fumar.
Algures nesse mesmo ano autoexcluí-me dos queixumes face à política.
Numa noite ainda de cigarros, de conjunto musical, cervejas ao ar livre, alguns dos meus primos propuseram-me como candidato. A proposta não passou daquela mesa. Ou melhor, passou. Passou para três mesas ao lado, quando retornei à procedência e disse ao ouvido da mulher o que tinha sido a chamada.
Ninguém no imenso grupo soube da conversa. Ninguém mais soube de tal, até agora, que todos vós ficais ao corrente, a não ser outra mulher, em circunstâncias muito especiais.
Dita a coisa assim, parece que se tratou de uma conversa entre primos e de uma brincadeira qualquer. Não foi isso.
A verdade é que, tendo eu aceite a tarefa, muito provavelmente teria ganho.
Com essa decisão, aparentemente excluí-me da crítica política.
E digo aparentemente porque ainda não percebi muito bem a relação entre um acto qualquer que seja e todos os acontecimentos posteriores.
Nesse ano deixei de fumar. Até que em 1997 decidi voltar a fazê-lo, uma tardinha.
Há quase um mês voltei a pôr os cigarros de lado. Não faço a menor ideia das consequências que isso trará. Apenas sei que não me custou muito tomar a decisão nem a pô-la em prática.
Entretanto, continuo a subscrever-me.
Ponho-me a pensar que os recém-não-fumadores (ou recém-não-qualquer-coisa) costumam ser os mais fundamentalistas que há.
Eu se de alguma coisa sou fundamentalista é com toda a certeza do anti-defensorismo acérrimo. Defensores acérrimos, fundamentalistas de todos os tipos, tremei!
Algures em 1992, deixei de fumar.
Algures nesse mesmo ano autoexcluí-me dos queixumes face à política.
Numa noite ainda de cigarros, de conjunto musical, cervejas ao ar livre, alguns dos meus primos propuseram-me como candidato. A proposta não passou daquela mesa. Ou melhor, passou. Passou para três mesas ao lado, quando retornei à procedência e disse ao ouvido da mulher o que tinha sido a chamada.
Ninguém no imenso grupo soube da conversa. Ninguém mais soube de tal, até agora, que todos vós ficais ao corrente, a não ser outra mulher, em circunstâncias muito especiais.
Dita a coisa assim, parece que se tratou de uma conversa entre primos e de uma brincadeira qualquer. Não foi isso.
A verdade é que, tendo eu aceite a tarefa, muito provavelmente teria ganho.
Com essa decisão, aparentemente excluí-me da crítica política.
E digo aparentemente porque ainda não percebi muito bem a relação entre um acto qualquer que seja e todos os acontecimentos posteriores.
Nesse ano deixei de fumar. Até que em 1997 decidi voltar a fazê-lo, uma tardinha.
Há quase um mês voltei a pôr os cigarros de lado. Não faço a menor ideia das consequências que isso trará. Apenas sei que não me custou muito tomar a decisão nem a pô-la em prática.
Entretanto, continuo a subscrever-me.
Ponho-me a pensar que os recém-não-fumadores (ou recém-não-qualquer-coisa) costumam ser os mais fundamentalistas que há.
Eu se de alguma coisa sou fundamentalista é com toda a certeza do anti-defensorismo acérrimo. Defensores acérrimos, fundamentalistas de todos os tipos, tremei!
02/08/2005
01/08/2005
31/07/2005
30/07/2005
O (9+n)º planeta, perdão, o (9+1n)º planeta
Pela nª vez, anuncia-se a descoberta do décimo planeta do sistema solar.
Pela nª vez, anuncia-se a descoberta do décimo planeta do sistema solar.
29/07/2005
De Braga para Guimarães
Há situações que me irritariam noutras circunstâncias. O caso é que, ouvidas e não entendidas as razões, não se perdeu um minuto.
Os mais expeditos já discutiam eventuais traçados alternativos.
Vamos fazer isto à moda antiga - disse-lhe.
Ela nem pestanejou, entrou no carro ao meu lado, pegou num bloco e riu-se.
Tinha a perfeita consciência de que, caindo já a noite, seria tarefa complicada escolher e medir novo traçado em tempo útil.
Avançámos assim sobre os restos de um caminho marcado num alqueive.
Voltas dadas, detivémo-nos junto a um muro de uma abadia.
Esta passagem é lindíssima - dizia ela, a contemplar o pequeno desnível das águas que assim emarulhava o silêncio da noite, não fosse, claro, o motor do carro.
Mas é também delicada. Veremos se ninguém se magoa aqui.
Ah, mas tens que utilizar este percurso. Isto aqui é magnífico. Está ainda como eu me lembrava disto.
Ok, descansemos então. Quando fecharem as comportas, atravessamos.
Caramba! Este gajo não podia apontar as luzes para outro lado?
Qual gajo? Não vês que é o Sol?
E o que é que a gente está a fazer na caixa do carro?
Tonto!
Há situações que me irritariam noutras circunstâncias. O caso é que, ouvidas e não entendidas as razões, não se perdeu um minuto.
Os mais expeditos já discutiam eventuais traçados alternativos.
Vamos fazer isto à moda antiga - disse-lhe.
Ela nem pestanejou, entrou no carro ao meu lado, pegou num bloco e riu-se.
Tinha a perfeita consciência de que, caindo já a noite, seria tarefa complicada escolher e medir novo traçado em tempo útil.
Avançámos assim sobre os restos de um caminho marcado num alqueive.
Voltas dadas, detivémo-nos junto a um muro de uma abadia.
Esta passagem é lindíssima - dizia ela, a contemplar o pequeno desnível das águas que assim emarulhava o silêncio da noite, não fosse, claro, o motor do carro.
Mas é também delicada. Veremos se ninguém se magoa aqui.
Ah, mas tens que utilizar este percurso. Isto aqui é magnífico. Está ainda como eu me lembrava disto.
Ok, descansemos então. Quando fecharem as comportas, atravessamos.
Caramba! Este gajo não podia apontar as luzes para outro lado?
Qual gajo? Não vês que é o Sol?
E o que é que a gente está a fazer na caixa do carro?
Tonto!
28/07/2005
De volta às fileiras
Cumprimentámos o homem no caminho.
Eu tinha uma vaga ideia dele. O R.C. mais do que eu. E ele tinha, por sua vez, o R.C. em grande conta.
Fez-lhe a vénia intelectual da praxe e arrependeu-se dela no momento seguinte quando se apercebeu que muito provavelmente nos teria como subalternos.
Chegados a quartel, a coisa foi rápida.
Fardamento. Conversa pouca e galões. Estávamos os três no mesmo posto, o moço à nossa direita por ser mais antigo nas lides castrenses.
Lembro-me de ele me fazer, de uma espécie de balcão, a recomendação de organizar tal e tal: "Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Mas havia festa. Eu a pensar cá para mim que era a segunda vez que vestia o uniforme nacional. Mentira ou verdade? Ainda hoje não sei. Há, no entanto, quem afirme a pés juntos que sim, que me viu militar. Embora metade já tenha morrido.
E a festa era logo ali, no rio, à frente da parada. Os F-16 por ali andavam, uma parelha apenas. Lá fizeram umas figuras evidentemente rápidas e desapareceram para os lados da Trafaria.
Em seguida a coisa decorria numa espécie de grande nave-claustro. Em ordem unida. Em havendo ordem unida, há-de haver ordem antes disso. Pelotões, companhias, essas coisas.
Como não sabia onde me enquadrar, vi a coisa de cima.
E o que vi era mais ou menos isto:

Descido à terra, os meus galões pararam em frente do tal balcão. O homem:
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Não lhe perguntei em que companhia, em que pelotão estaria eu. Pelotão? Eu seria decerto o comandante da companhia. Mas de qual?
Ele estendeu-me então uns quantos bilhetes de comboio. Tinham marcada a hora exacta em que eu tinha de apanhar o dito.
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Cumprimentámos o homem no caminho.
Eu tinha uma vaga ideia dele. O R.C. mais do que eu. E ele tinha, por sua vez, o R.C. em grande conta.
Fez-lhe a vénia intelectual da praxe e arrependeu-se dela no momento seguinte quando se apercebeu que muito provavelmente nos teria como subalternos.
Chegados a quartel, a coisa foi rápida.
Fardamento. Conversa pouca e galões. Estávamos os três no mesmo posto, o moço à nossa direita por ser mais antigo nas lides castrenses.
Lembro-me de ele me fazer, de uma espécie de balcão, a recomendação de organizar tal e tal: "Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Mas havia festa. Eu a pensar cá para mim que era a segunda vez que vestia o uniforme nacional. Mentira ou verdade? Ainda hoje não sei. Há, no entanto, quem afirme a pés juntos que sim, que me viu militar. Embora metade já tenha morrido.
E a festa era logo ali, no rio, à frente da parada. Os F-16 por ali andavam, uma parelha apenas. Lá fizeram umas figuras evidentemente rápidas e desapareceram para os lados da Trafaria.
Em seguida a coisa decorria numa espécie de grande nave-claustro. Em ordem unida. Em havendo ordem unida, há-de haver ordem antes disso. Pelotões, companhias, essas coisas.
Como não sabia onde me enquadrar, vi a coisa de cima.
E o que vi era mais ou menos isto:
Descido à terra, os meus galões pararam em frente do tal balcão. O homem:
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
Não lhe perguntei em que companhia, em que pelotão estaria eu. Pelotão? Eu seria decerto o comandante da companhia. Mas de qual?
Ele estendeu-me então uns quantos bilhetes de comboio. Tinham marcada a hora exacta em que eu tinha de apanhar o dito.
"Vamos lá ver se organizamos isto até amanhã!"
27/07/2005
26/07/2005
Chuva!

imagem do radar da Cruz de Leão (Instituto de Meteorologia)
Pena que seja pouca aqui e nenhuma a sul
imagem do radar da Cruz de Leão (Instituto de Meteorologia)
Pena que seja pouca aqui e nenhuma a sul
25/07/2005
Esta parte da cidade
Ou lá o que é isto, é-me meio desconhecida.
Já por aqui ando há quarenta e tantos anos, ainda por aqui nada havia a não ser mato ou aquele barranco que era uma espécie de atracção para o pessoal da escola.
Vou à janela e imagino-o, ao barranco, emanilhado aqui por baixo desta espécie de praça. A linha de água é, são agora duas: uma subterrânea e outra à superfície. Um dia que chova muito se verá.
Afinal ainda há certos cheiros. Cheiros que não consigo analisar, identificar componente a componente, mas que são réplicas de outros.
Ontem, encontrei um deles perdido no mato. Algures perto de uma praia sem afluência.
Afinal ainda há certos ruídos. O daquelas bicicletas a motor que lembram as noites alentejanas.
Afinal ainda há certos casais. O H.G. e a namorada. Lá estavam a jantar envolvidos. Ele veio cumprimentar-me, de mesa para mesa, de palhaço para palhaço.
Ela gosta das palhaçadas dele. Vê-se. Sempre se viu. Não sei há quantos anos os conheço, quase há trinta, a namorar. Nem sei que mistério tão grande vêem os outros nisso.
Sim, os netos deles já são crescidinhos.
Ou lá o que é isto, é-me meio desconhecida.
Já por aqui ando há quarenta e tantos anos, ainda por aqui nada havia a não ser mato ou aquele barranco que era uma espécie de atracção para o pessoal da escola.
Vou à janela e imagino-o, ao barranco, emanilhado aqui por baixo desta espécie de praça. A linha de água é, são agora duas: uma subterrânea e outra à superfície. Um dia que chova muito se verá.
Afinal ainda há certos cheiros. Cheiros que não consigo analisar, identificar componente a componente, mas que são réplicas de outros.
Ontem, encontrei um deles perdido no mato. Algures perto de uma praia sem afluência.
Afinal ainda há certos ruídos. O daquelas bicicletas a motor que lembram as noites alentejanas.
Afinal ainda há certos casais. O H.G. e a namorada. Lá estavam a jantar envolvidos. Ele veio cumprimentar-me, de mesa para mesa, de palhaço para palhaço.
Ela gosta das palhaçadas dele. Vê-se. Sempre se viu. Não sei há quantos anos os conheço, quase há trinta, a namorar. Nem sei que mistério tão grande vêem os outros nisso.
Sim, os netos deles já são crescidinhos.
24/07/2005
23/07/2005
22/07/2005
Mais um sinal
Dos tempos estranhos.
Se é verdade que se prevê apoio psicológico a quem ganhar o totoloto.
Como já ouvi hoje algures.
Só me pergunto: haverá apoio psicológico a quem decide estas coisas do apoio psicológico?
Como me dizia, certa vez, trocista, o velho médico: "não há nada mais eficaz contra as radiações do que um bom apoio psicológico!".
Dos tempos estranhos.
Se é verdade que se prevê apoio psicológico a quem ganhar o totoloto.
Como já ouvi hoje algures.
Só me pergunto: haverá apoio psicológico a quem decide estas coisas do apoio psicológico?
Como me dizia, certa vez, trocista, o velho médico: "não há nada mais eficaz contra as radiações do que um bom apoio psicológico!".
21/07/2005
20/07/2005
18/07/2005
Traços femininos
Nesta coisa das campanhas, chegou a vez dos traços femininos aparecerem no rosto dos candidatos do sexo masculino. Tenho aqui à minha frente um folheto em que isso é evidente.
Vi hoje também um cartaz onde me pareceu ter sido usada a mesma técnica de retoque.
Esta coisa de campanhas faz-me sempre lembrar a chamada pancada técnica à portuguesa - bate-se no aparelho que alguma coisa há-de acontecer.
Quando o aparelho acaba por recomeçar a funcionar, há um sem número de argumentos que explicam o sucesso. Nas campanhas é a mesmíssima coisa.
Nesta coisa das campanhas, chegou a vez dos traços femininos aparecerem no rosto dos candidatos do sexo masculino. Tenho aqui à minha frente um folheto em que isso é evidente.
Vi hoje também um cartaz onde me pareceu ter sido usada a mesma técnica de retoque.
Esta coisa de campanhas faz-me sempre lembrar a chamada pancada técnica à portuguesa - bate-se no aparelho que alguma coisa há-de acontecer.
Quando o aparelho acaba por recomeçar a funcionar, há um sem número de argumentos que explicam o sucesso. Nas campanhas é a mesmíssima coisa.
A mediocridade
Ao olhar para a forma como são feitas no Google as pesquisas que aqui caem, a primeira coisa que salta à vista é a incapacidade da esmagadora maioria dos utilizadores de entenderem a forma como funciona o Google, em termos macroscópicos.
Ora o Google dá a esses ainda assim a possibilidade de encontrarem o que precisam. Não se trata de nenhum milagre. Trata-se da contínua adaptação da informática ao utilizador comum.
Desde o tempo em que andávamos, os da minha geração, às voltas com cartões perfurados até aos dias de hoje, que todos os dias se senta mais gente frente a um teclado, sem ter grande noção do que está a fazer.
Ora isso é de certa forma uma imagem da sociedade actual.
A adaptação ao utilizador comum. A distribuição às massas de algum tipo de conhecimento. A forma como se conduz um automóvel, como se tira partido de uma máquina de calcular, até como se deve pensar. O nivelamento por baixo, muito por baixo.
A quantidade de utilizadores comuns é de tal forma elevada que esmagou alguma possibilidade de elevação na informação, na comunicação. Tem que se descer baixinho porque a massa não entende.
Basta ler, basta ouvir, e a ideia com que se fica é que o nível do debate está lá rasteiro. O nível da escolha rasteiro está - discutem-se animadamente os mais rotundos disparates, o erro dentro do erro. O nível da argumentação igual anda - basta ver as construções lógicas que por aí circulam e que, de resto mostram logo que a mais simples lógica (que seja a da batata) é campo fora do alcance da maioria dos opinadores, dos analistas.
Tal como diz o Google. Não fazem a menor ideia de como o utilizar, apenas porque não têm a menor noção da tal lógica da batata.
Mas o Google ajuda-os. É desse ruído de fundo, das ajudas redundantes aos incapazes e da sua reverberação que se faz o ambiente hoje em dia. De mediocridade. Claro.
Alastrando, alastrando.
Ao olhar para a forma como são feitas no Google as pesquisas que aqui caem, a primeira coisa que salta à vista é a incapacidade da esmagadora maioria dos utilizadores de entenderem a forma como funciona o Google, em termos macroscópicos.
Ora o Google dá a esses ainda assim a possibilidade de encontrarem o que precisam. Não se trata de nenhum milagre. Trata-se da contínua adaptação da informática ao utilizador comum.
Desde o tempo em que andávamos, os da minha geração, às voltas com cartões perfurados até aos dias de hoje, que todos os dias se senta mais gente frente a um teclado, sem ter grande noção do que está a fazer.
Ora isso é de certa forma uma imagem da sociedade actual.
A adaptação ao utilizador comum. A distribuição às massas de algum tipo de conhecimento. A forma como se conduz um automóvel, como se tira partido de uma máquina de calcular, até como se deve pensar. O nivelamento por baixo, muito por baixo.
A quantidade de utilizadores comuns é de tal forma elevada que esmagou alguma possibilidade de elevação na informação, na comunicação. Tem que se descer baixinho porque a massa não entende.
Basta ler, basta ouvir, e a ideia com que se fica é que o nível do debate está lá rasteiro. O nível da escolha rasteiro está - discutem-se animadamente os mais rotundos disparates, o erro dentro do erro. O nível da argumentação igual anda - basta ver as construções lógicas que por aí circulam e que, de resto mostram logo que a mais simples lógica (que seja a da batata) é campo fora do alcance da maioria dos opinadores, dos analistas.
Tal como diz o Google. Não fazem a menor ideia de como o utilizar, apenas porque não têm a menor noção da tal lógica da batata.
Mas o Google ajuda-os. É desse ruído de fundo, das ajudas redundantes aos incapazes e da sua reverberação que se faz o ambiente hoje em dia. De mediocridade. Claro.
Alastrando, alastrando.
17/07/2005
16/07/2005
15/07/2005
14/07/2005
Don Manolo
Diziam os mentideros que o homem não suportava nem o vento nem o sustento vindos do lado de lá.
Que teria até certa vez dado valente piparote num prato do qual comia com gosto, ao sabê-lo castelhano.
Pois hoje traçaram-me um quadro das zonas raianas que é muito pouco animador.
Mostraram-me até onde vem a atracção de Badajoz. Até onde chega a influência de Valência de Alcântara. E como vão os negócios portugueses em tais zonas.
O quadro, como disse, é muito pouco animador.
E o pior. O homem não só já vai a Espanha, como é por lá demais conhecido como Don Manolo. E gosta.

imagem em http://home.fmh.utl.pt/~al07833/Clavas.html
Diziam os mentideros que o homem não suportava nem o vento nem o sustento vindos do lado de lá.
Que teria até certa vez dado valente piparote num prato do qual comia com gosto, ao sabê-lo castelhano.
Pois hoje traçaram-me um quadro das zonas raianas que é muito pouco animador.
Mostraram-me até onde vem a atracção de Badajoz. Até onde chega a influência de Valência de Alcântara. E como vão os negócios portugueses em tais zonas.
O quadro, como disse, é muito pouco animador.
E o pior. O homem não só já vai a Espanha, como é por lá demais conhecido como Don Manolo. E gosta.
imagem em http://home.fmh.utl.pt/~al07833/Clavas.html
13/07/2005
12/07/2005
11/07/2005
O céu estrelado, a rotunda e a ponte sobre o Nada
Não tenho nada contra.
Não posso ter nada contra, digo-me.
Cada um que tenha céus estrelados, rotundas e pontes sobre o Nada.
Eu próprio tenho as minhas bizarrias. E não serão poucas.
Todos as temos, digo já a desculpar-me.
Lindo céu de carpélio azul pois celeste ponteado por miríades de pequenas lâmpadas de Natal.
No tecto. Do bar. Em casa. No sótão.
Nada contra.
A rotunda que possibilita aos visitantes, no meio do mato, uma fácil inversão do sentido de marcha.
A ponte que replica, numa confusão de escalas diferentes, a outra. A grande. Terá um vão central dos seus 15 m, digo eu. Pareceram-me as fixações do tabuleiro no limite do cálculo. Talvez me tenha enganado. A acção do vento pareceu-me igualmente mal avaliada. Talvez me tenha enganado.
Esta coisa de inspeccionar a pedido esferas, digo planos inclinados, celestes, rotundas e pontes suspensas tem que acabar.
Mas não tenho nada contra. Não posso ter.
Uma ponte sob a qual se não nada, no Baixo Nada.
Não tenho nada contra.
Não posso ter nada contra, digo-me.
Cada um que tenha céus estrelados, rotundas e pontes sobre o Nada.
Eu próprio tenho as minhas bizarrias. E não serão poucas.
Todos as temos, digo já a desculpar-me.
Lindo céu de carpélio azul pois celeste ponteado por miríades de pequenas lâmpadas de Natal.
No tecto. Do bar. Em casa. No sótão.
Nada contra.
A rotunda que possibilita aos visitantes, no meio do mato, uma fácil inversão do sentido de marcha.
A ponte que replica, numa confusão de escalas diferentes, a outra. A grande. Terá um vão central dos seus 15 m, digo eu. Pareceram-me as fixações do tabuleiro no limite do cálculo. Talvez me tenha enganado. A acção do vento pareceu-me igualmente mal avaliada. Talvez me tenha enganado.
Esta coisa de inspeccionar a pedido esferas, digo planos inclinados, celestes, rotundas e pontes suspensas tem que acabar.
Mas não tenho nada contra. Não posso ter.
Uma ponte sob a qual se não nada, no Baixo Nada.
10/07/2005
La force tranquille

A ser verdade o que hoje se diz nos noticiários, a ser verdade o que foi dito por alguém que deve saber do que fala, a ser verdade aquilo que há muito suspeitávamos, fica mais uma vez bem visível uma fenda na suposta coerência dalguns que tanto clamam pela coerência alheia.
É que o mundo é assim mesmo.
imagem daqui
A ser verdade o que hoje se diz nos noticiários, a ser verdade o que foi dito por alguém que deve saber do que fala, a ser verdade aquilo que há muito suspeitávamos, fica mais uma vez bem visível uma fenda na suposta coerência dalguns que tanto clamam pela coerência alheia.
É que o mundo é assim mesmo.
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