24 de Março de 2006
22/03/2006
21/03/2006
Não sou de Dias
Com Dê grande, desses que...
Já ontem foi o equinócio e a luz baterá sobre a minha secretária, tão logo as nuvens a desvelem.
Mas como sou incoerente, vamos à Árvore e à Poesia:
Da Árvore, que aqui se mostra, já disse o que acolá se pode ler.

E da Poesia, venha o meu caro amigo SG, esse que se julga poeta:
Tempo gasto
Já gastei os últimos cartuchos
Que um sentimento perdurador me permitira guardar
E vi voar alto as aves que gritavam o teu nome inacessível
Sobre pinheiros de beira-praia.
Já não sei do tempo fácil em que a música era feita de estalidos de fogo
E do marulhar das searas e do mar.
Já a estrada que tinha significados de ti
Foi adulterada por tapetes sucessivos que esconderam memórias em traços contínuos
contidas.
Já o teu sorriso envelheceu longe de mim.
Qual de nós pedirá perdão desta distância que mensagens trai?
Qual de nós ouvirá o silêncio que o outro lhe propõe?
SG, "Dizeres do Sul", 1993
Com Dê grande, desses que...
Já ontem foi o equinócio e a luz baterá sobre a minha secretária, tão logo as nuvens a desvelem.
Mas como sou incoerente, vamos à Árvore e à Poesia:
Da Árvore, que aqui se mostra, já disse o que acolá se pode ler.
E da Poesia, venha o meu caro amigo SG, esse que se julga poeta:
Tempo gasto
Já gastei os últimos cartuchos
Que um sentimento perdurador me permitira guardar
E vi voar alto as aves que gritavam o teu nome inacessível
Sobre pinheiros de beira-praia.
Já não sei do tempo fácil em que a música era feita de estalidos de fogo
E do marulhar das searas e do mar.
Já a estrada que tinha significados de ti
Foi adulterada por tapetes sucessivos que esconderam memórias em traços contínuos
contidas.
Já o teu sorriso envelheceu longe de mim.
Qual de nós pedirá perdão desta distância que mensagens trai?
Qual de nós ouvirá o silêncio que o outro lhe propõe?
SG, "Dizeres do Sul", 1993
Alguns factos ocorridos
Enquanto...
Cristininha surgiu do nada, é claro. Cem por cento compatível.
Os únicos contras eram a idade, talvez dezasseis, segundo rumores nunca esclarecidos e o namorado com cara de...
No meio da festa e da indizível confusão que se espalhava pelas ruas, não mais nos largámos.
Que não soubessem de nós era o que menos nos importava.
A certo ponto e, depois de já ter esquecido a minha passagem anterior pelas ruas de Paris, onde um número absurdo de couves lombardas e repolhos apareciam pendurados de postes de iluminação e de qualquer outro local susceptível, ficando assim à altura das passantes.
E digo as passantes porque só passavam lindíssimas parisienses ora loiras ora morenas e todas sem excepção se referiam às verduras como chittes. Só havia desacordo quanto às vantagens de as ter assim penduradas em tão grande número em todos os boulevards. Algumas faziam um esgar de incómodo, outras achavam graça e davam-lhes piparotes.
Dizia eu que, já tendo esquecido Paris, me deparei com o meu velho e fiel amigo, agora presuntivo cunhado, todo ele em rigores de matrimónio.
Fiz-lhe um reparo sobre o desalinho das espessas sobrancelhas, como se isso fosse importante. E notei a textura irrepreensível do tecido da sobrecasaca. Disse-me que tinha mais de cem anos, mas que lá em casa tinham um método ímpar de conservar o vestuário de qualidade. Julgo mesmo que mo chegou a descrever.
Para além disso, piscou o olho a mim e à irmã e disse que o passarão andava por aí à nora.
Resolvemos então pedir dispensa da cerimónia.
Depois de toda essa felicidade, chegava o momento da separação. Ela tinha que, impreterivelmente, apanhar o comboio das sete. Eu pedia-lhe por tudo que ficasse. Que amanhã seguiríamos de carro, evitando o trânsito do fim de semana. Que não podia ser. Que não tinha onde dormir.
E, de repente, a estação começou a encher-se. Ou já estaria talvez cheia, nós é que estávamos pouco atentos. Gente e mais gente que fazia filas para a única bilheteira. Filas para um só guichet. Claro que eram os retirantes da festa somados com os mochileiros do sudoeste, estranhamente não bradando pela Elsa.
Então, ao pé de onde ficava antigamente a curva do balcão, e onde se vê no chão a notável obra que algum mestre pedreiro fez com o padrão dos mosaicos de forma a acompanhar a dita curva, ela acedeu.
Corremos para minha casa. Para escolher os carros e dividir as pessoas por eles - era na época em que eu comprava tudo o que andasse e fosse barato, e às vezes não sabia bem onde é que deixava cada um.
Um dos que estava numa das primeiras esquinas era de casa. O impressionante desse tempo é que eu carregava sempre as chaves de todos os carros e talvez também a documentação.
Foi nesse que chegámos à porta. Lá estava mais um, cor de café com leite. E, na garagem, deviam estar ainda mais dois.
Não foi difícil convencer a família a albergar Cristininha por uma noite. O problema era só meu. E dela.
Dito isto, num hotel do Porto, enquanto a Maria entrava e saía do quarto a rir-se e a trazer informações do exterior, o meu Pai insistia em pintar a cabeça da vaca de madeira*, e talvez avivar-lhe os lábios, para assim poder sentá-la num banco do metro. A Maria era de opinião que, se lhe serrássemos os pés, ela cabia num saco grande.
Ninguém queria fazer isso.
*à escala 1:1, também dita escala natural.
Enquanto...
Cristininha surgiu do nada, é claro. Cem por cento compatível.
Os únicos contras eram a idade, talvez dezasseis, segundo rumores nunca esclarecidos e o namorado com cara de...
No meio da festa e da indizível confusão que se espalhava pelas ruas, não mais nos largámos.
Que não soubessem de nós era o que menos nos importava.
A certo ponto e, depois de já ter esquecido a minha passagem anterior pelas ruas de Paris, onde um número absurdo de couves lombardas e repolhos apareciam pendurados de postes de iluminação e de qualquer outro local susceptível, ficando assim à altura das passantes.
E digo as passantes porque só passavam lindíssimas parisienses ora loiras ora morenas e todas sem excepção se referiam às verduras como chittes. Só havia desacordo quanto às vantagens de as ter assim penduradas em tão grande número em todos os boulevards. Algumas faziam um esgar de incómodo, outras achavam graça e davam-lhes piparotes.
Dizia eu que, já tendo esquecido Paris, me deparei com o meu velho e fiel amigo, agora presuntivo cunhado, todo ele em rigores de matrimónio.
Fiz-lhe um reparo sobre o desalinho das espessas sobrancelhas, como se isso fosse importante. E notei a textura irrepreensível do tecido da sobrecasaca. Disse-me que tinha mais de cem anos, mas que lá em casa tinham um método ímpar de conservar o vestuário de qualidade. Julgo mesmo que mo chegou a descrever.
Para além disso, piscou o olho a mim e à irmã e disse que o passarão andava por aí à nora.
Resolvemos então pedir dispensa da cerimónia.
Depois de toda essa felicidade, chegava o momento da separação. Ela tinha que, impreterivelmente, apanhar o comboio das sete. Eu pedia-lhe por tudo que ficasse. Que amanhã seguiríamos de carro, evitando o trânsito do fim de semana. Que não podia ser. Que não tinha onde dormir.
E, de repente, a estação começou a encher-se. Ou já estaria talvez cheia, nós é que estávamos pouco atentos. Gente e mais gente que fazia filas para a única bilheteira. Filas para um só guichet. Claro que eram os retirantes da festa somados com os mochileiros do sudoeste, estranhamente não bradando pela Elsa.
Então, ao pé de onde ficava antigamente a curva do balcão, e onde se vê no chão a notável obra que algum mestre pedreiro fez com o padrão dos mosaicos de forma a acompanhar a dita curva, ela acedeu.
Corremos para minha casa. Para escolher os carros e dividir as pessoas por eles - era na época em que eu comprava tudo o que andasse e fosse barato, e às vezes não sabia bem onde é que deixava cada um.
Um dos que estava numa das primeiras esquinas era de casa. O impressionante desse tempo é que eu carregava sempre as chaves de todos os carros e talvez também a documentação.
Foi nesse que chegámos à porta. Lá estava mais um, cor de café com leite. E, na garagem, deviam estar ainda mais dois.
Não foi difícil convencer a família a albergar Cristininha por uma noite. O problema era só meu. E dela.
Dito isto, num hotel do Porto, enquanto a Maria entrava e saía do quarto a rir-se e a trazer informações do exterior, o meu Pai insistia em pintar a cabeça da vaca de madeira*, e talvez avivar-lhe os lábios, para assim poder sentá-la num banco do metro. A Maria era de opinião que, se lhe serrássemos os pés, ela cabia num saco grande.
Ninguém queria fazer isso.
*à escala 1:1, também dita escala natural.
20/03/2006
19/03/2006
Cavalaria Mecanizada
A propósito de dois comentários recentes a posts sobre o meu fiel companheiro de jornadas, um do Bekx, aqui, e outro do Bic, acolá, aproveito para dar mais um acrescento à imagem aqui postada já vai tempo.

Ainda falta um deles. Dos que mais me levaram por montes e vales. Depois há uma outra lista, que ainda farei aqui e que é a dos diferentes modelos que já me passaram pelas mãos. E são muitos.
A propósito de dois comentários recentes a posts sobre o meu fiel companheiro de jornadas, um do Bekx, aqui, e outro do Bic, acolá, aproveito para dar mais um acrescento à imagem aqui postada já vai tempo.

Ainda falta um deles. Dos que mais me levaram por montes e vales. Depois há uma outra lista, que ainda farei aqui e que é a dos diferentes modelos que já me passaram pelas mãos. E são muitos.
17/03/2006
Homenagem
A um cromo da bola

cromo editado por Distribuidora de Publicações, Lda., Lisboa, São Paulo e Recife, copyright da Palirex, Papelaria, Livros e Revistas, Lda.
Não é irónica. É sincera. Todos os dias desaparece gente boa. Este homem e o seu cromo fizeram parte da minha infância.
Para além de ser um dos Lisbon boys.
A um cromo da bola
cromo editado por Distribuidora de Publicações, Lda., Lisboa, São Paulo e Recife, copyright da Palirex, Papelaria, Livros e Revistas, Lda.
Não é irónica. É sincera. Todos os dias desaparece gente boa. Este homem e o seu cromo fizeram parte da minha infância.
Para além de ser um dos Lisbon boys.
16/03/2006
O escape de Portimão
O pretexto era a nova companheira de quarto da R. Ou talvez não, não são precisos muitos pretextos para ir jantar a Portimão.
Eu acho até que só ia beber café ao Texas Bar e acabei lá para os lados da Rocha. Foi o que deve ter acontecido.
Pormenor de somenos: durante a travessia da serra, aquilo que parecia uma pequena fuga no escape, transformou-se num som artilhadão.
Mas como sempre tive sorte com estas coisas, encontrei logo o J. mailas moças na esplanada por baixo do apartamento. E, de facto, a noviça era um mimo. Tudo à medida. Finlandesa daquelas. Só o som do carro é que a deve ter assustado.
Vai daí, é claro que o J. me levou logo a comer... carne. Pior, frango à Guia. Não é possível demovê-lo, isso já eu sei e sabia. Também agora mais valia mas é pensar na mocinha.
E assim foi. Antes da janta, subimos e eu pedi para tomar banho.
Ouvi uns barulhos e a porta a bater.
Quando saí da casa de banho, vi a moça com uma toalha à volta do corpo. Ia-me passando. Mas pronto. Nada de aventureirismos. Lá lhe perguntei por eles e ela disse que tinham ido comprar qualquer coisa.
Desse dia, não houve assim nada de especial a assinalar.
Dia seguinte, era sábado. As moças trabalhavam na Rocha até ao fim da tarde. Fomos lá antes de almoço e já o caso parecia o motor de um Ferrari.
Entre as brincadeiras com uma opulentíssima bartender que operava mesmo ao lado do escritório finlandês e a necessidade de resolver a questão do escape, ganhei nessa altura eu.
O inevitável taxista a quem pedimos indicação, lá nos deu as pistas.
A oficina era muito à antiga.
E o homem fez o trabalho em três tempos. Não levou caro. Um escape todo novo.
Reparei que o J. estava com a pulga atrás da orelha. Não sei se foi pela cara que o mecânico fez quando depois de nos perguntar de onde éramos, recebeu a resposta: do Alentejo, eu e da zona de Aveiro, ele. E perguntou como é se ia dali para Portimão!
Já que o J. é mais carne, lá me lembrei de subir até à Água da Sola, ao presunto.
Assim que saímos do carro, o bicho abaixou-se e disse-me: porra, estava com medo que o gajo não tivesse posto um escape.
A coisa correu bem. Apareceu uma excursão de inglesas balzaquianas que até o dono da casa, que entretanto se posicionara como quem ver o circo pegar fogo já se dava ao luxo de dizer qual era para o J. e qual era para mim.
Lembrei-me disto agora porque esta cena passou-se há doze anos e o escape foi hoje remendado pela primeira vez.
O pretexto era a nova companheira de quarto da R. Ou talvez não, não são precisos muitos pretextos para ir jantar a Portimão.
Eu acho até que só ia beber café ao Texas Bar e acabei lá para os lados da Rocha. Foi o que deve ter acontecido.
Pormenor de somenos: durante a travessia da serra, aquilo que parecia uma pequena fuga no escape, transformou-se num som artilhadão.
Mas como sempre tive sorte com estas coisas, encontrei logo o J. mailas moças na esplanada por baixo do apartamento. E, de facto, a noviça era um mimo. Tudo à medida. Finlandesa daquelas. Só o som do carro é que a deve ter assustado.
Vai daí, é claro que o J. me levou logo a comer... carne. Pior, frango à Guia. Não é possível demovê-lo, isso já eu sei e sabia. Também agora mais valia mas é pensar na mocinha.
E assim foi. Antes da janta, subimos e eu pedi para tomar banho.
Ouvi uns barulhos e a porta a bater.
Quando saí da casa de banho, vi a moça com uma toalha à volta do corpo. Ia-me passando. Mas pronto. Nada de aventureirismos. Lá lhe perguntei por eles e ela disse que tinham ido comprar qualquer coisa.
Desse dia, não houve assim nada de especial a assinalar.
Dia seguinte, era sábado. As moças trabalhavam na Rocha até ao fim da tarde. Fomos lá antes de almoço e já o caso parecia o motor de um Ferrari.
Entre as brincadeiras com uma opulentíssima bartender que operava mesmo ao lado do escritório finlandês e a necessidade de resolver a questão do escape, ganhei nessa altura eu.
O inevitável taxista a quem pedimos indicação, lá nos deu as pistas.
A oficina era muito à antiga.
E o homem fez o trabalho em três tempos. Não levou caro. Um escape todo novo.
Reparei que o J. estava com a pulga atrás da orelha. Não sei se foi pela cara que o mecânico fez quando depois de nos perguntar de onde éramos, recebeu a resposta: do Alentejo, eu e da zona de Aveiro, ele. E perguntou como é se ia dali para Portimão!
Já que o J. é mais carne, lá me lembrei de subir até à Água da Sola, ao presunto.
Assim que saímos do carro, o bicho abaixou-se e disse-me: porra, estava com medo que o gajo não tivesse posto um escape.
A coisa correu bem. Apareceu uma excursão de inglesas balzaquianas que até o dono da casa, que entretanto se posicionara como quem ver o circo pegar fogo já se dava ao luxo de dizer qual era para o J. e qual era para mim.
Lembrei-me disto agora porque esta cena passou-se há doze anos e o escape foi hoje remendado pela primeira vez.
15/03/2006
Actualidades
O túnel é outro, mas a actualidade mantém-se.
Faz-me aflição esta comum confusão entre alhos e bugalhos feita por pessoas que deviam ser responsáveis.
Estará o país entregue mesmo só aos medíocres?
O túnel é outro, mas a actualidade mantém-se.
Faz-me aflição esta comum confusão entre alhos e bugalhos feita por pessoas que deviam ser responsáveis.
Estará o país entregue mesmo só aos medíocres?
14/03/2006
12/03/2006
O enigma da estrada de Sintra
Como dei nota em post de 19 de Julho de 2004, a minha saga de fotografar estradas, sinais e postos de abastecimento começou com uma foto de um posto da Shell na Estrada Nacional nº 117, foto essa que publiquei mais tarde, em post de 3 de Janeiro de 2005.
Em nenhum desses posts repeti uma preocupação antiga, aqui vertida a 26 de Outubro de 2003, mas dela dei conta a quem tem feito notáveis incursões pela memória da capital e dos seus arrredores. Referia-me então ao ponto 3, que os outros merecerão apreciação posterior.
E o ponto 3 era isto: Os Campos Elíseos (do sopé de Monsanto).
Este nome via-o eu assim, como dei conta ao meu interlocutor "...que na casa que existia junto da bomba essas duas palavras figuravam na parede, assim em letra rampante, subindo para a direita. Mas é uma recordação tão ténue que pode resultar de confusão com qualquer outra".
Ora o meu empenhado correspondente presenteou-me hoje com esta foto de Arnaldo Madureira:

Fotografia de Arnaldo Madureira, 1961, Arquivo Municipal de Lisboa
E com mais estas do mesmo autor:

Fotografia de Arnaldo Madureira, 1961, Arquivo Municipal de Lisboa

Fotografia de Arnaldo Madureira, 1961, Arquivo Municipal de Lisboa
São fotos do posto de abastecimento e da casa junta. Vê-se na legenda da fotografia que se trata de um Dancing.
Nas minhas recordações, esta casa era uma espécie de bar de apoio à bomba de gasolina, com trepadeiras nas paredes, mas deixando ler as letras. Vê-se na foto um vaso que parece ser de uma delas.
Talvez tivesse natureza diferente night and day.
Alguém se lembra dela?

Obrigado, Bic.
Como dei nota em post de 19 de Julho de 2004, a minha saga de fotografar estradas, sinais e postos de abastecimento começou com uma foto de um posto da Shell na Estrada Nacional nº 117, foto essa que publiquei mais tarde, em post de 3 de Janeiro de 2005.
Em nenhum desses posts repeti uma preocupação antiga, aqui vertida a 26 de Outubro de 2003, mas dela dei conta a quem tem feito notáveis incursões pela memória da capital e dos seus arrredores. Referia-me então ao ponto 3, que os outros merecerão apreciação posterior.
E o ponto 3 era isto: Os Campos Elíseos (do sopé de Monsanto).
Este nome via-o eu assim, como dei conta ao meu interlocutor "...que na casa que existia junto da bomba essas duas palavras figuravam na parede, assim em letra rampante, subindo para a direita. Mas é uma recordação tão ténue que pode resultar de confusão com qualquer outra".
Ora o meu empenhado correspondente presenteou-me hoje com esta foto de Arnaldo Madureira:
Fotografia de Arnaldo Madureira, 1961, Arquivo Municipal de Lisboa
E com mais estas do mesmo autor:
Fotografia de Arnaldo Madureira, 1961, Arquivo Municipal de Lisboa
Fotografia de Arnaldo Madureira, 1961, Arquivo Municipal de Lisboa
São fotos do posto de abastecimento e da casa junta. Vê-se na legenda da fotografia que se trata de um Dancing.
Nas minhas recordações, esta casa era uma espécie de bar de apoio à bomba de gasolina, com trepadeiras nas paredes, mas deixando ler as letras. Vê-se na foto um vaso que parece ser de uma delas.
Talvez tivesse natureza diferente night and day.
Alguém se lembra dela?
Obrigado, Bic.
11/03/2006
No comboio da noite
Nesse comboio da noite, de há quase vinte anos atrás, o nosso companheiro de viagem tinha um sotaque arrevezado com que se expressava em inglês. Quando finalmente disse de onde vinha, usou a expressão de uma terra infelizmente muito na moda, pelas piores razões!
Era sérvio e estudava em Coimbra. Uma especialidade de Medicina, se a memória não me trai.
Tinha grande admiração por Milosevic e transmitia a ideia de que assim seria com a maioria dos sérvios.
Falava da preparação e da inteligência superiores do líder, do seu carisma e das ideias apropriadas que tinha para a Sérvia.
Nessa época, a guerra já tinha assolado a Eslovénia e passado para a Croácia. Ainda não se ateara na Bósnia, cercando-a. Lembro-me de lhe ter perguntado qual a razão para essa poupança. A resposta dele foi de que a Bósnia era uma terra sem interesse, de gente atrasada e sem recursos.
Enganou-se no desenvolvimento da guerra. Quanto a outras opiniões que expressava, algumas batiam certo com as minhas. Nomeadamente na cegueira europeia ao avanço do islão e ao atraso, que se mede com um relógio - por atraso ser - de certas civilizações em relação a outras.
Nesse tempo, eu já havia dito que talvez os sérvios não fossem os maus da fita.
Gostava de saber hoje onde anda esse homem e qual é o sentimento dos sérvios, hoje também, em relação a Milosevic.
O comboio ficou em Madrid.
Nesse comboio da noite, de há quase vinte anos atrás, o nosso companheiro de viagem tinha um sotaque arrevezado com que se expressava em inglês. Quando finalmente disse de onde vinha, usou a expressão de uma terra infelizmente muito na moda, pelas piores razões!
Era sérvio e estudava em Coimbra. Uma especialidade de Medicina, se a memória não me trai.
Tinha grande admiração por Milosevic e transmitia a ideia de que assim seria com a maioria dos sérvios.
Falava da preparação e da inteligência superiores do líder, do seu carisma e das ideias apropriadas que tinha para a Sérvia.
Nessa época, a guerra já tinha assolado a Eslovénia e passado para a Croácia. Ainda não se ateara na Bósnia, cercando-a. Lembro-me de lhe ter perguntado qual a razão para essa poupança. A resposta dele foi de que a Bósnia era uma terra sem interesse, de gente atrasada e sem recursos.
Enganou-se no desenvolvimento da guerra. Quanto a outras opiniões que expressava, algumas batiam certo com as minhas. Nomeadamente na cegueira europeia ao avanço do islão e ao atraso, que se mede com um relógio - por atraso ser - de certas civilizações em relação a outras.
Nesse tempo, eu já havia dito que talvez os sérvios não fossem os maus da fita.
Gostava de saber hoje onde anda esse homem e qual é o sentimento dos sérvios, hoje também, em relação a Milosevic.
O comboio ficou em Madrid.
10/03/2006
O remédio eficaz

Quando vier a tal praga global, o problema que aqui mencionei dois anos atrás, será um dos difíceis de enfrentar - a restrição das liberdades individuais.
Ver-se-á então se estas munições não serão elas também munições contra a doença. É que, se assim não fôr, algo mudou de facto na natureza humana. E eu não creio que isso tenha acontecido.
Quando vier a tal praga global, o problema que aqui mencionei dois anos atrás, será um dos difíceis de enfrentar - a restrição das liberdades individuais.
Ver-se-á então se estas munições não serão elas também munições contra a doença. É que, se assim não fôr, algo mudou de facto na natureza humana. E eu não creio que isso tenha acontecido.
08/03/2006
Meia Nalga
E digo mais, há uma coisa que não te desculpo.
É teres ido assim (és o terceiro a que assinalo a partida desde que abri este placarde electrónico) e assim privares-nos entre outras coisas de repetir o que só tu dizias com piada e genuinidade.
No Meia Nalga ou na tasca da estação. No restaurante de todos os dias frango ou no bar do hotel onde estava a tal gaja a quem ensaiavas discursos.
Nunca se ficará a saber a verdade sobre a cozinheira do Sebastião. Essa é que é essa.
E desconfio que a cama da velha não chegou a ser arranjada.
E que a tua cadela continua retratada com orelhas de burro no "Cuidado com o cão!"
Porra pá!
E digo mais, há uma coisa que não te desculpo.
É teres ido assim (és o terceiro a que assinalo a partida desde que abri este placarde electrónico) e assim privares-nos entre outras coisas de repetir o que só tu dizias com piada e genuinidade.
No Meia Nalga ou na tasca da estação. No restaurante de todos os dias frango ou no bar do hotel onde estava a tal gaja a quem ensaiavas discursos.
Nunca se ficará a saber a verdade sobre a cozinheira do Sebastião. Essa é que é essa.
E desconfio que a cama da velha não chegou a ser arranjada.
E que a tua cadela continua retratada com orelhas de burro no "Cuidado com o cão!"
Porra pá!
De ferro
Já não sei ao certo se aqui postei algo sobre ti.
Nem sequer há uma vaga menção no post da barrilada à tua repetida exclamação :"É só comédias! É só comédias!"
Nem sequer aqui verti em tipos o timbre da tua mulher imitado pelo R.C. quando adormeceste à mesa do jantar.
Nem te descobri o ponto fraco quando pedias: "Falem-me de gajas que eu pago copos!"
Na verdade, fomos uns amigos bizarros. Amigos próximos em épocas muito espaçadas no tempo. Durante cerca de 40 anos, tivemos épocas de todos os dias bebermos juntos o café. Depois uma década sem nos cruzarmos, talvez.
Esta última aproximação, um mês de Algarve, a trabalhar um porradão de horas por dia, deu para muita conversa.
No verão seguinte, ajudaste-me a esvaziar as memórias do casarão. Dei-te o frigorífico que me pediste.
Um destes meses, sonhei que andávamos ambos à volta de uma espécie de café manhoso, de planta trapezoidal, num bairro de casas sem reboco. Ias tu à frente, com uma caixa de ferramentas na mão.
Estranhamente, anteontem as paredes sem reboco vieram outra vez à baila. Soube hoje a notícia.
Foste de facto à frente, amigo. Descansa em paz.
Já não sei ao certo se aqui postei algo sobre ti.
Nem sequer há uma vaga menção no post da barrilada à tua repetida exclamação :"É só comédias! É só comédias!"
Nem sequer aqui verti em tipos o timbre da tua mulher imitado pelo R.C. quando adormeceste à mesa do jantar.
Nem te descobri o ponto fraco quando pedias: "Falem-me de gajas que eu pago copos!"
Na verdade, fomos uns amigos bizarros. Amigos próximos em épocas muito espaçadas no tempo. Durante cerca de 40 anos, tivemos épocas de todos os dias bebermos juntos o café. Depois uma década sem nos cruzarmos, talvez.
Esta última aproximação, um mês de Algarve, a trabalhar um porradão de horas por dia, deu para muita conversa.
No verão seguinte, ajudaste-me a esvaziar as memórias do casarão. Dei-te o frigorífico que me pediste.
Um destes meses, sonhei que andávamos ambos à volta de uma espécie de café manhoso, de planta trapezoidal, num bairro de casas sem reboco. Ias tu à frente, com uma caixa de ferramentas na mão.
Estranhamente, anteontem as paredes sem reboco vieram outra vez à baila. Soube hoje a notícia.
Foste de facto à frente, amigo. Descansa em paz.
07/03/2006
Enquanto muitos dormem
A RTP inventou, devo dizer aceitou, uma versão tardo-qualquer-coisa da Laranja Mecânica.
Experimentem aí pelas 5 da manhã.
Quando começa o espaço das televendas.
E quando passar o primeiro anúncio do relógio da selecção, não desliguem. Esperem pelo próximo. E pelo próximo.
É uma espécie de tortura hilária. Decerto poucos lhe resistem.
A RTP inventou, devo dizer aceitou, uma versão tardo-qualquer-coisa da Laranja Mecânica.
Experimentem aí pelas 5 da manhã.
Quando começa o espaço das televendas.
E quando passar o primeiro anúncio do relógio da selecção, não desliguem. Esperem pelo próximo. E pelo próximo.
É uma espécie de tortura hilária. Decerto poucos lhe resistem.
Vinte anos

Falávamos
Dormia uma palmeira
Sobre as nossas vozes
Quando no escuro
Estimávamos direcções
No infinito.
Que se curvavam.
Em sorvedouros
Como as esferas
Na quadrícula
De Vasareli.
E no regresso
Pousávamos
Na nossa ignorância.
Tínhamos o peso
De não conhecer.
E o medo
Da sabedoria.
Esmagados
Sob o mundo
Levantado
Por uma alavanca.
Afogados
Em água espacial
E mortos
Num cantinho do tempo.
Sem o universo
Ter nossos sinais.
Perdidos.
O infinito.
Não sabia então
Ainda isto
Que
Agora sei
Que não mais
Te verei.
Nunca mais!
SG, inéditos, 1994

Falávamos
Dormia uma palmeira
Sobre as nossas vozes
Quando no escuro
Estimávamos direcções
No infinito.
Que se curvavam.
Em sorvedouros
Como as esferas
Na quadrícula
De Vasareli.
E no regresso
Pousávamos
Na nossa ignorância.
Tínhamos o peso
De não conhecer.
E o medo
Da sabedoria.
Esmagados
Sob o mundo
Levantado
Por uma alavanca.
Afogados
Em água espacial
E mortos
Num cantinho do tempo.
Sem o universo
Ter nossos sinais.
Perdidos.
O infinito.
Não sabia então
Ainda isto
Que
Agora sei
Que não mais
Te verei.
Nunca mais!
SG, inéditos, 1994
06/03/2006
Do cauteleiro aos óscares, uma saga russa e uma face para sempre
Pela primeira vez, e graças à réplica da RTP ao espectáculo dos óscares, consegui ver de fio a pavio o Doutor Jivago. E consegui-o graças ainda a uma inexplicável fiabilidade do meu velho receptor de televisão que, frequentemente, me priva de som e imagem. O que só não é mais grave, dada a minha concordância com ele. Não vale mesmo a pena o som nem a imagem.
Deste filme, que me foi apresentado pela primeira vez numa época em que me estava supostamente vedado pela idade, valeu-me então o conhecimento que meu Pai, habitual comprador de fracções da Santa Casa, tinha com o cauteleiro-porteiro do Cine-Teatro Vasco da Gama, em Sines, para poder adormecer logo ao primeiro nevão.
Depois dessa primeira experiência, em que não me recordo da estrela vermelha por cima do portal, algumas vezes mais tentei, na televisão, pois creio que no cinema não o fiz, vê-lo até ao fim. Sempre debalde.
Ontem finalmente consegui-o e a única coisa de que, de facto, me recordava bem de todas as experiências anteriores, era do rosto de Julie Christie.
Dos que não esquece mais. Como o de Binoche em Azul ou o de Bellucci em Apartamento.

fotomontagem a partir de fotografia do autor e cartazes daqui, dali e d'acolá
Pela primeira vez, e graças à réplica da RTP ao espectáculo dos óscares, consegui ver de fio a pavio o Doutor Jivago. E consegui-o graças ainda a uma inexplicável fiabilidade do meu velho receptor de televisão que, frequentemente, me priva de som e imagem. O que só não é mais grave, dada a minha concordância com ele. Não vale mesmo a pena o som nem a imagem.
Deste filme, que me foi apresentado pela primeira vez numa época em que me estava supostamente vedado pela idade, valeu-me então o conhecimento que meu Pai, habitual comprador de fracções da Santa Casa, tinha com o cauteleiro-porteiro do Cine-Teatro Vasco da Gama, em Sines, para poder adormecer logo ao primeiro nevão.
Depois dessa primeira experiência, em que não me recordo da estrela vermelha por cima do portal, algumas vezes mais tentei, na televisão, pois creio que no cinema não o fiz, vê-lo até ao fim. Sempre debalde.
Ontem finalmente consegui-o e a única coisa de que, de facto, me recordava bem de todas as experiências anteriores, era do rosto de Julie Christie.
Dos que não esquece mais. Como o de Binoche em Azul ou o de Bellucci em Apartamento.
fotomontagem a partir de fotografia do autor e cartazes daqui, dali e d'acolá
05/03/2006
04/03/2006
A ponte de Entre-os-Rios
Caiu faz hoje cinco anos.
Foi o maior acidente rodoviário de sempre em Portugal, no que respeita a perdas humanas.
Dos disparates que se disseram depois, não há conta possível.
Compreende-se a dor dos que perderam familiares e amigos e compreende-se também que, por isso mesmo, insistam em procurar culpados.
Já não se compreende tão bem a enxurrada de imbecilidades que foram ditas e repetidas com este ou aquele interesse mais bizarro.
Se há que encontrar culpados, convém entender as causas.
E as causas directas, ainda que esta coisa de causa e efeito seja um mistério insondável que o Homem teima em perceber, no dizer dos entendidos foram as sucessivas e extraordinárias cheias do Douro nos dias precedentes e a forma como descalçaram o pilar nº4.
Pode agora tentar perceber-se como se chegou a esse ponto.
Parece-me que uma das respostas está em todos nós. Na forma descuidada como encaramos toda e qualquer manutenção do construído.
Na forma bizarra como nos organizamos e nos desorganizamos.
No caso das pontes, é público que não existia sequer um serviço responsável a funcionar de forma a poder responder pela conservação e segurança. Como existira no passado.
Penalizar hoje alguns engenheiros pela queda da ponte é o mesmo que culpar o único polícia a quem se retirou a arma de fogo por não ter impedido um assalto mortífero.
Hintze Ribeiro, ministro e presidente do Ministério nos últimos tempos da Monarquia, teve o seu nome, entre outros locais, numa ponte. Essa ponte caiu. No local onde existia, está hoje outra. Melhor fora que lhe chamassem a essa "Ponte das Amendoeiras em Flor".
Que era de vê-las que vinha grande parte das vítimas. Da outra ponte.

Foto JAE
Caiu faz hoje cinco anos.
Foi o maior acidente rodoviário de sempre em Portugal, no que respeita a perdas humanas.
Dos disparates que se disseram depois, não há conta possível.
Compreende-se a dor dos que perderam familiares e amigos e compreende-se também que, por isso mesmo, insistam em procurar culpados.
Já não se compreende tão bem a enxurrada de imbecilidades que foram ditas e repetidas com este ou aquele interesse mais bizarro.
Se há que encontrar culpados, convém entender as causas.
E as causas directas, ainda que esta coisa de causa e efeito seja um mistério insondável que o Homem teima em perceber, no dizer dos entendidos foram as sucessivas e extraordinárias cheias do Douro nos dias precedentes e a forma como descalçaram o pilar nº4.
Pode agora tentar perceber-se como se chegou a esse ponto.
Parece-me que uma das respostas está em todos nós. Na forma descuidada como encaramos toda e qualquer manutenção do construído.
Na forma bizarra como nos organizamos e nos desorganizamos.
No caso das pontes, é público que não existia sequer um serviço responsável a funcionar de forma a poder responder pela conservação e segurança. Como existira no passado.
Penalizar hoje alguns engenheiros pela queda da ponte é o mesmo que culpar o único polícia a quem se retirou a arma de fogo por não ter impedido um assalto mortífero.
Hintze Ribeiro, ministro e presidente do Ministério nos últimos tempos da Monarquia, teve o seu nome, entre outros locais, numa ponte. Essa ponte caiu. No local onde existia, está hoje outra. Melhor fora que lhe chamassem a essa "Ponte das Amendoeiras em Flor".
Que era de vê-las que vinha grande parte das vítimas. Da outra ponte.
Foto JAE
03/03/2006
02/03/2006
01/03/2006
28/02/2006
Carnavalesco
Como já disse há um ano atrás, nunca pus os pés em cortejos carnavalescos.
Apenas por duas vezes, a coisa esteve a ponto de se decidir.
Mas não ocorreu nesse ano de 1979 para Sines, como também não se deu no ano anterior a caminho de Loulé.
Talvez que nem uma nem outra tivessem chegado a ponto de ver o cortejo.
Em 1979, raiava o dia quando a ideia surgiu. Estando Sines tão perto, seria pouco provável que à hora do desfile, algum de nós estivesse acordado ou em condições de foliar, depois da atribulada noite anterior.
Já no ano anterior, a proposta quase suplicada do V. para que tomasse conta da irmã durante o fim-de-semana carnavalesco, deixava poucas dúvidas de que algum de nós fosse afinal desfilar para as ruas de Loulé.
Lá ir para Loulé, íamos. Eu, ele e a irmã dele. Para a da namorada do bicho, que estava sózinha em casa.
Em vez disso, fui obrigado a passear pelo tabuleiro ainda incompleto da ponte de Vila Nova de Milfontes. Quase como andar na prancha.
Como já disse há um ano atrás, nunca pus os pés em cortejos carnavalescos.
Apenas por duas vezes, a coisa esteve a ponto de se decidir.
Mas não ocorreu nesse ano de 1979 para Sines, como também não se deu no ano anterior a caminho de Loulé.
Talvez que nem uma nem outra tivessem chegado a ponto de ver o cortejo.
Em 1979, raiava o dia quando a ideia surgiu. Estando Sines tão perto, seria pouco provável que à hora do desfile, algum de nós estivesse acordado ou em condições de foliar, depois da atribulada noite anterior.
Já no ano anterior, a proposta quase suplicada do V. para que tomasse conta da irmã durante o fim-de-semana carnavalesco, deixava poucas dúvidas de que algum de nós fosse afinal desfilar para as ruas de Loulé.
Lá ir para Loulé, íamos. Eu, ele e a irmã dele. Para a da namorada do bicho, que estava sózinha em casa.
Em vez disso, fui obrigado a passear pelo tabuleiro ainda incompleto da ponte de Vila Nova de Milfontes. Quase como andar na prancha.
27/02/2006
26/02/2006
23/02/2006
As modas
Não é que haja hoje mais gente incapaz. Ela é só mais visível. E faz disparates mais visíveis.
Chegam a ser ridículos quando vão contra até as suas próprias opiniões e preocupações. Aquelas coisas que eles dizem que se preocupam com e depois fazem tudo ao contrário.
O caso hoje é dos parques aqui das vizinhanças. E não é sequer novo, mas hoje apeteceu-me falar dele.
Um deles é um parque habitualmente frequentado por gente velha. Que ali se encontra para jogar às cartas, sob um grande caramanchão. São sempre dezenas, quase todos homens. Foi, de facto, um espaço que atraiu a sua freguesia.
E nesse aspecto, funciona bem.
Ao mesmo tempo, como sabemos, o espaço relvado serve sempre para outros passearem os cães e lá deixarem o respectivo presente.
A solução que estas mentes brilhantes copiaram de algures é notável.
Resolveram preencher algumas orlas do parque com pedregulhos afiados, por forma a desencorajar o pisoteio dos bichos humanos e dos outros. Mas deixaram outras por preencher. Não é pois por isso que os cães deixam de entrar para as partes relvadas. É só uma questão de entrarem por outro caminho que não tenha pedras.
Entretanto, estes calhaus aguçados que realmente desencorajam o atravessamento estão mesmo, mesmo à beira do caminho. E se algum velhote escorrega ou neles tropeça e cai? E se lá bate com a cabeça?
É só depois disso acontecer que tiram os calhaus?
É que decerto se preocupam aqui com os velhotes. Não discorrem é nas consequências do que fazem.
Ainda por cima a utilidade dos calhaus é nula.
Mas deve ser moda. Como as rotundas.

actualizado com ilustração de um outro local próximo, às 23:45
Não é que haja hoje mais gente incapaz. Ela é só mais visível. E faz disparates mais visíveis.
Chegam a ser ridículos quando vão contra até as suas próprias opiniões e preocupações. Aquelas coisas que eles dizem que se preocupam com e depois fazem tudo ao contrário.
O caso hoje é dos parques aqui das vizinhanças. E não é sequer novo, mas hoje apeteceu-me falar dele.
Um deles é um parque habitualmente frequentado por gente velha. Que ali se encontra para jogar às cartas, sob um grande caramanchão. São sempre dezenas, quase todos homens. Foi, de facto, um espaço que atraiu a sua freguesia.
E nesse aspecto, funciona bem.
Ao mesmo tempo, como sabemos, o espaço relvado serve sempre para outros passearem os cães e lá deixarem o respectivo presente.
A solução que estas mentes brilhantes copiaram de algures é notável.
Resolveram preencher algumas orlas do parque com pedregulhos afiados, por forma a desencorajar o pisoteio dos bichos humanos e dos outros. Mas deixaram outras por preencher. Não é pois por isso que os cães deixam de entrar para as partes relvadas. É só uma questão de entrarem por outro caminho que não tenha pedras.
Entretanto, estes calhaus aguçados que realmente desencorajam o atravessamento estão mesmo, mesmo à beira do caminho. E se algum velhote escorrega ou neles tropeça e cai? E se lá bate com a cabeça?
É só depois disso acontecer que tiram os calhaus?
É que decerto se preocupam aqui com os velhotes. Não discorrem é nas consequências do que fazem.
Ainda por cima a utilidade dos calhaus é nula.
Mas deve ser moda. Como as rotundas.
actualizado com ilustração de um outro local próximo, às 23:45
22/02/2006
21/02/2006
20/02/2006
Do avesso
Anda esta imagem a perseguir-me há uns anos.
Saltou-me ao caminho de novo um destes dias.
Passei-a a limpo.


mapa em http://www.lib.utexas.edu/maps/australia/new_zealand_rel81.jpg
Anda esta imagem a perseguir-me há uns anos.
Saltou-me ao caminho de novo um destes dias.
Passei-a a limpo.
mapa em http://www.lib.utexas.edu/maps/australia/new_zealand_rel81.jpg
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