19/03/2007

O enigma da 3ª da ordem (solução)

A L T I T U D E

Tenho uma vaga ideia de ter já visto um ou outro marco quilométrico com o valor da altitude de facto gravada.
Mas a palavra está lá, a cada quilómetro na face oculta, quando os marcos têm todas as indicações regulamentares, menos o seu valor.

É claro que considerei o vende-se, o café, o restaurante, a paragem, o stop. Mas, salvo melhor opinião, como isto é pura poesia e não conhecimento científico...





17/03/2007

Vilar Formoso, 2001

O andar-modelo

Há lições que se menosprezam.
Muito antes de ter ouvido, na madrugada da rádio, o reformado do caminho-de-ferro que gabava o local onde teria lugar, uns dias depois, o convívio de ouvintes.
Muito antes de o ouvir descrever as peripécias da viagem exploratória, que fizera com o habitual desconto para ferroviários, na mira de saber se o local era adequado para aí se deslocar mais a esposa.
Muito antes de ter percebido o contentamento que exalava pelo facto de lá ter estado antes dos outros.
Muito antes disso tudo, já eu sabia que certas visitas exploratórias valem o tempo que nelas se investe.
Mas sabendo-o, também o ignorei dessa vez.
Estava tudo tratado. Não, a gente não volta nessa noite. São muitos copos, estradas perigosas, depois também não há táxis. Não, a gente não volta.
E se fôr para vir de comboio, já se sabe que só de manhã. Então o melhor é falar com o Fernando. Talvez ele nos desenrasque.
E o Fernando desenrascou, claro.
Posta de parte a ideia da sala de condóminos do prédio onde ele morava - ouve-se tudo, as paredes da cave fazem de caixa de ressonância, não pode ser - lembrou-se de nos dar a chave do andar-modelo do último prédio em acabamentos.
A verdade é que a distância da festa ao belíssimo prédio de apartamentos era aí de uns três quilómetros.
Uns eram propulsionados, outros traccionados. Mas ainda assim a viagem lá se fez em boa ordem.
O chiu à porta do prédio dado por mim em voz alta(!) era mais um sinal de respeito para com o Fernando do que para com a vizinhança. Não morava ninguém naqueles prédios, só sacos de gesso, latas de tinta, azulejos às caixas, vassouras, vêdês, rolos de cabo eléctrico.
Talvez o álcool já se tivesse evaporado com o percurso, talvez o dia não tardasse muito a nascer, o certo é que dormir, ninguém dormiu.
Meia horita depois, lá iam eles por cima da ponte de Santo Amaro, à procura do cavalo de ferro.
Ninguém se queixou.
Mas, na cara de alguns, via-se o peso do embuste.
Estavam convencidos de que o andar-modelo estava mobilado e pronto a habitar.

16/03/2007

Imagens do passado

Acho que já se percebeu pelo atrás exposto que não sou de me fotografar nem à família. Não sou de me filmar nem à família.
E talvez por isso sou dos que menos suportam aquelas sessões com as fotos / slides / filmes das férias e das crianças, tão giras!
Passando-me para as mãos uma máquina de filmar, em plena praia, sai isto:



Um amigo mandou-mo hoje. Um fragmento de um filme estival. Feito talvez em 91. Numa tarde de Julho e de Manta Rota.
E, se ele lesse este post, era capaz de me chamar mentiroso.
A 3ª da ordem

A palavra que mais vezes aparece ao longo das nossas estradas nacionais é Concelho. A segunda em número de vezes é Distrito. Alguém sabe qual é a terceira, excluindo preposições e artigos?

14/03/2007

Repito-me

Repito-me.
Repito-me, dizendo para mim próprio que ninguém tem culpa de ser estúpido. Nasce-se assim. Como se nasce de olhos azuis, cabelo ralo, pé chato, surdo-mudo, com dois sexos. Algumas destas características são ditas normais, porque a quantidade de indivíduos que as possui é tal que assim se tornam. Outras não.
Talvez que a estupidez seja afinal normal.
Hoje, isto sai-me por causa do caso do dia, destes dias.
Da criança que volta à família, depois do rapto.
Perpassa uma estupidez profunda nas declarações que se ouviram da PJ e dos responsáveis do hospital, quase como se a eles se devesse o sucesso. Quando não foram capazes uns de impedir que acontecesse, outros de resolver o caso.
Perpassa uma estupidez profunda nas declarações de quem opina sobre as consequências da devolução e a sua valorização. Como se alguém soubesse alguma coisa do assunto.
É claro que no meio disto tudo, há sempre umas vozes cautelosas e avisadas. Poucas, muito poucas, como sempre.
A estupidez é, pois, normal.
A Academia de Belas-Artes selon je-ne-sais-qui (actualização)

Ora aqui está mais um post.


Em relação a este post e depois desta resposta:

"Realmente tenho a "sua " foto no meu blogue, coloqueia por se enquadrar no que pretendia publicar no meu blogue e desde já vou retificar o dito post metendo -o uma referencia ao seu blogue como "sua".
Como muitos sou apologiasta do "free" e sem "dono" mas com alguma justiça também sou apologista do que é do dono ao seu dono.
As minhas desculpas e com um abraço me despeço.
paulo"


Assunto encerrado.
As Tordesilhas no céu

A mim:
Um cone de geratriz inclinada a 1º face ao eixo, eixo esse passante pelo centro da Terra e pelo centro do círculo que é definido pelo corte das paredes do Poço da Lebre, ao nível freático. E vértice no centro do círculo.
No dia 6 de Agosto de 2041, às 15:28:13 TMG.
Amen.

13/03/2007

A Academia de Belas-Artes* selon je-ne-sais-qui

Um dos amigos que aqui fiz, por mor desta página, encontrou em tempos num blogue cujo nome ou endereço não interessa aqui divulgar uma das fotos que aqui publiquei sem indicação de autoria.
Todas as que figuraram até essa data sem qualquer indicação eram, naturalmente, da minha lavra. Desse dia em diante, passei a acrescentar-lhes uma marca d'água. É claro que sei que isso apesar do rasto que deixa não impede que as mesmas sejam utilizadas por outrem, sem indicação de origem, de autoria.
É uma velha guerra que aqui se combate, com episódios reveladores. Há os que dizem que tudo o que aqui deixamos passa a ser do domínio público e nada a fazer e há os que se indignam de cada vez que há plágios, utilizações indevidas, etc., etc..
Eu sou dos que considera que tudo o que aqui colocamos quando não é do autor, deve ter a origem ou a autoria evidenciada.
Neste caso, não houve da parte do autor do dito blogue a intenção de se apropriar do trabalho alheio. E digo que não porque juntamente com a minha foto havia muitas outras de outros fotógrafos, de outras épocas, pelo que imediatamente se percebia que não eram captadas por ele.
Não é disso que se trata. É antes de publicar inúmeras fotos sem a menor indicação de onde as obteve, de quem as fez.
Essa foto, antes ou depois disso, passou a circular nessas correntes de mails, integrada num .pps, com uma legenda errada. Em vez do ano de 1981, em que foi batida, ostenta a data de 1964.
A estupidez é amiga da ignorância, sendo que ninguém tem culpa de o ser - é verdade, e um olhar atento aos carros estacionados e a procura, no local certo, do ano em que começaram a ser fabricados despistaria claramente o ano de 64. Sabe-se lá onde o foram buscar.

A foto é esta:



É minha e foi feita em Dezembro de 1981 no tempo em que frequentava o então Largo da Biblioteca Pública, vulgo Largo da Escola. Hoje, Largo da Academia Nacional de Belas-Artes.

Recebi-a hoje de um amigo por mail. Acho que ele não acreditou quando, indignadamente, lhe disse que a foto era minha. Seria caso para me orgulhar?


*a designação da foto dada pelo anónimo é AcademiaBelasArtes1964-Lisboa.jpg
Lisboa, 2007

A defesa da tarde (episódio I)

O senhor defende então a sua posição.
Não, não. O que eu defendo é...
Lisboa, 2007

11/03/2007

Espólio (26)


espólio Campos Vilhena, foto de MSS

Mértola, anos 50, construção da ponte sobre o rio Guadiana.

05/03/2007

O manda-chuva

Declaração de interesses, como é de obrigação, dizem, fazer agora: o endereço http://web.meteo.pt/pt/previsao/inicial.jsp é o que consta das minhas opções do IExplorer como página de entrada.

Lá li que, a partir de hoje, voltariam os meteorologistas à RTP.
Ora, se o fizeram e acredito que sim, logo calhou num dia em que se ouviu, da boca de um jornalista, que ia chover em todo o país menos em Sagres. À boa maneira das meninas que, em tempos, na SIC, diziam que a nota dominante era o céu nublado e que choveria em Oliveira do Conde, Zambujeira do Mar e São Pedro do Sul.
Faziam pois falta. Muita falta. Os manda-chuvas.
Tabacaria

Lembrando um indignado post de aqui há tempos.
E, sendo muito mais moderado, apenas levanto estas questões:

É maior ou menor o número de fumadores passivos que morrem ou ficam incapacitados por serem isso mesmo do que o número de pessoas que morrem ou ficam incapacitadas na estrada sem terem a mínima culpa, responsabilidade ou intervenção no sucedido?
Quantos condutores responsáveis por acidentes com mortos ou feridos graves ficaram DEFINITIVAMENTE impedidos de conduzir um veículo automóvel?
É verdade que o chefe desta tropa toda fuma às escondidas?

04/03/2007

Das açordas


(clique para ver o programa)

Volta e meia, há destas iniciativas.
Já fiz hoje o que me incumbia, chumbei uma. Com ovo escalfado.

Aqui é que ainda não dei notícia de gente que tenha ido às do Guerreirinho, por essas 5 da manhã.
Nem sequer dos que têm minas d'açorda. Como eu.
Constatação

Todos nós, alentejanos, algarvios, divisamos o primeiro-ministro palestiniano que há em alguns dos nossos amigos.
E é claro que há milhentas formas mais legíveis de se dizer que o homem é um parecido.
Outão, 2006

Eclipse

Eclipse do eclipse. Publicidade paga.

01/03/2007

A fuga de informação

Alguma vez haveria de ser.
Estamos pois (ena, plural majestático!) em condições de revelar, a breve trecho, quais as declarações prestadas às autoridades competentes por AV no famoso caso do Salame de Injecção.
Em papel de 25 linhas.

28/02/2007

Sporting e Sumol de laranja

A querida Senhora, com a sabedoria dos seus quase oitenta, depois de ouvir o post abaixo e de ter acrescentado, com ar trocista que eram sábios os meu desejos - sabendo ela que tal coisa não existe, desejos sábios – rematou:
"Parece-me que o teu sportinguismo já não é tão entusiasta como o foi. Todos perdemos encantamento com as coisas."
Eu não respondi mas pensei, ocorreu-me, que já não sou indefectivelmente contra o Sumol de laranja.
Aos costumes disse ser

Sportinguista.
Mais disse que essa condição não o impedia de desejar uma final da Taça de Portugal entre o Belenenses e a Académica.
Disse ainda que esperava ver com tal prélio a demonstração da famosa tese de que estes dois clubes são os que mais adeptos têm em Portugal.
Disse que, de acordo com tal tese, toda a gente ou é do Belenenses ou da Académica ou mesmo dos dois, depois da preferência pelo Sporting, pelo Benfica ou pelo Porto.



imagens daqui



Adenda já depois do 2-1: isso de só as hipóteses carecerem de demonstração...

24/02/2007

A solução definitiva

Que falta.
É o que mais se ouve quando se trata de comentar o avanço do mar.
No século XX, passámos a barreira dos 50% de alfabetizados. Foi quando saímos afinal da Pré-História. Não admira que sejam ditas tais coisas, ainda não passaram cem anos.
O tempo da Maricachucha



O tempo da Maria Cachucha, é já oficial, começou aí pelas quatro e meia da tarde de Terça-Feira Gorda. Desta que ora passou.
Suponho que só no fim dos meus dias poderei dizer com propriedade que tempo é, foi este.

Há, no entanto, sinais.
E há, no entanto, certezas. Uma que seja. A de que não me enganei, certa vez, muitos anos lá para trás quando te disse que...
Não me enganei nem um bocadinho.

23/02/2007

Requisitos

Não pertencer à estirpe dos que dizem "vênhamos" em vez de venhamos não é requisito para se ser ministro desta república.
Serra da Marofa, 2000

22/02/2007

Percurso

Tropeça-se numa incorrecção verbal. Dobra-se uma esquina de vírgulas arredondada.
Vai buscar-se a uma perspectiva de um muro a linha que nos conduza a bom recato.
Tudo isto com o silêncio das cavas vozes suspensas, ameaçando derrocar.
Tudo isto através de pontes. Fundadas em basalto.
Tudo isto com as rugas do tempo, as mesmas de que falavas tu, como se ele fosse espaço - tempo - espaço.
Rota.
Fio a pavio. Chegada e partida. Ciclo.
Voltar ao Paço enquanto as rolas voam ao cair da tarde.
Conquanto as rugas do tempo, as mesmas de que falavas tu, viessem de longínquas nebulosas, nebulando, nublando, pousar nos nossos rostos.
Já, sim.

21/02/2007

19/02/2007

O sismómetro embebível (episódio talvez 0)

A coisa aconteceu a meio da tarde, com um Mickey ou um Tio Patinhas nas unhas, janela aberta a norte, para entrar o fresco sombreado dos dias de Setembro a sul costeiro.
O sismómetro acusou I na escala de Mercali, é claro.
Saído do descanso da vilegiatura, acerquei-me dos demais na esperança de trocar estimativas de magnitude. Debalde. Ninguém atribuiu a merecida importância ao meu relato circunstanciado.
Mais tarde, pela fresquinha, provavelmente em demanda de mais algum livro ou jornal, lá estavam na papelaria os comentários sísmicos entre as bóias, os postais e os jornais estrangeiros.
A cara que fiz, o sorriso malicioso que esbocei, só as vidraças sabem qual foi.

18/02/2007

O sismógrafo* embebível

Estava eu de conversa com alguém quando isto abanou mais uma vez e disso lhe dei conta.
Eram 4 e 16 da matina, pela hora aqui da maquineta.
Tenho assim mais uma testemunha de que possuo o tal sismógrafo já embebível de fábrica, com o qual tenho registado algumas dezenas de acontecimentos telúricos.


* Ou sismómetro falante, por ser mais correcto.
Figura 1



a que se refere, agora sim como Parabellum embora não translúcida, o post de 17 de Janeiro de 2004, às 14:16.
E que ainda não vi se ainda funciona. E que precisa ainda mais de limpeza.

17/02/2007

Figura 2



a que se refere, embora não como Parabellum, o post de 17 de Janeiro de 2004, às 14:16.
E que muito curiosamente ainda funciona e bem!

16/02/2007

Figura 3



a que se refere o post de 17 de Janeiro de 2004, às 14:16.
Voltou o Entrudo a entrar sem que eu desse por isso.


Admito que uma pistola do tipo tenha surgido mais vezes nas mãos de Kid Monius do que nas de João Bafo-de-Onça. E que precisa de limpeza.
Espólio (25)


espólio Campos Vilhena, foto de MSS

No tempo dos Dê cá vê.

14/02/2007

Memorandum

O dia em que, pela primeira vez, comi um salgado com o café.
Em função de

A quantos minutos a mais na fila de espera de uma repartição de finanças corresponde um dia de escola a menos?

13/02/2007

O meu Banco Gorringe (II)

Longe de mim a ideia de querer contribuir ainda mais para os erros de conhecimento das jovens gerações.
Por ter verificado uma afluência a este blogue por via desta pesquisa e desta imagem:


afirmo aqui que MBG na imagem acima significa o MEU Banco Gorringe. O meu. Não o que toma o nome do homem que o descobriu.
Nas imagens assinalado como GRB.


imagens adaptadas daqui: http://www-odp.tamu.edu/publications/173_SR/synth/cs_f1.htm
Call center

Depois dos dentistas e dos barbeiros, dos quais superei enfim os temores, vem este - o de ter que ligar para um call center.
Não

Ainda não é disto que eu estava à espera.
Embora um acidente ferroviário devido a escorregamento de terras seja daquelas coisas que esperamos que ocorra todos os dias de chuva. Alguma vez será catastrófica. Desta vez a catástrofe tocou a poucos. Mas tocou.
Rever em baixa

Embirro com este tipo de eufemismos. Quando do que se trata é de corrigir um tiro. Muitas vezes dado à toa.
Mas de facto, ingenuidade minha, não cesso de rever em baixa a inteligência que se mostra nos escritos e nos ditos, a cada dia que passa.
Acho que o faço desde sempre, ainda não dei com a assimptota.

12/02/2007

Notícias

Ainda não havendo dados no IM, já há estes do IGN de Espanha, sempre mais completos, ainda que hoje contraditórios entre si:
lista de sismos
localização



actualização: nota do IM
Sentiram?

Aí há coisa de dez minutos? Pelas 10 e 37?
As pontes de outro condado (II)

A tasca comprida. Copos de tinto, entrecosto, pão saloio de pacote higienizado.
Casa comigo.
O rapaz riu-se. Mas ela arrebitou-se. Casa comigo. Do outro lado do jarro da casa. Empurrando o maço de tabaco azul entre a manteiga e duas azeitonas fugidias.

O bar que fora restaurante só para banquetes.
Bacardis com cola. Cervejas de marcas inauditas para justificar a tarifa.
Leva-me ao carro.
Estofos de alcântara.

A casa do melhor amigo. Poker. Vinhos. Aguardentes. Conversas e vizinhos já mortos atirando barricas ao chão, calem-se. Isto são horas?
Bardamerda. Passa-me o queijo mal-cheiroso. É dia. Traz o pão. Vinho branco, manteiga. Isso, torradas.
Agora levo-te. Levo-o. Passem bem.
Como é que se colocam os telefones nesta agenda electrónica?
Estou-me a atirar a ti, sim. Pensavas que era a brincar?

(continua)

11/02/2007

Construções mentais

A julgar pelas construções mentais que se antevêem por detrás das pesquisas que aqui caem, é bem provável que exista gente que, face a uma lista telefónica, pronuncie as seguintes palavras:
"Lista, lista minha, dás-me o número de telefone da minha amiguinha?"

Dois exemplos fresquinhos:
quais as letra da matricula dos carros de agosto de 2003
comentário sobre Lá no alto tu e eu iremos

Já ninguém consulta listas telefónicas.
Coisas de portões e de estradas

Por vezes, há destes interesses comuns. O amigo Bic Laranja lembrou-se de um certo post que aqui publiquei faz tempo.
E publicou esta foto.
Eu rebato com estas:

Foto 1
Foto 2
Foto 3
Foto 4

Clique para ver as fotos