Os livrosDizia eu, acho que ontem, à
Dona T. que, se me perguntassem quais os últimos cinco livros que arrumei, teria dificuldade em identificá-los. Talvez por não ter dado por nada de interessante lá dentro, talvez porque a memória de curto prazo se deteriorou indecentemente. Lá teria que ir à pilha ver se os conseguia ainda identificar.
Dado que se me depara uma pergunta diferente, descanso.
Ora bem. Esta coisa de indicar cinco livros carece de uma informação vital.
Saber o que lêem as pessoas que me lêem. E eu isso não saberei, para além de saber que me lêem.
É que não faz sentido indicar a outrem um livro que, na certa, já leu.
Assumirei então, de acordo com um critério que eu próprio não saberei identificar, se interpelado, que a probabilidade de algum dos meus leitores ter lido as obras indicadas é baixa. Mas isso só não basta.
Seria também preciso ter uma noção das preferências, dos gostos dos meus leitores. Lá terei umas suspeitas mais ou menos certeiras de acordo com o grau de conhecimento passado. Mas não sei grande coisa.
E, mais importante ainda, assumir que acham de alguma relevância a minha opinião sobre estes livros – mais um gosto do que uma opinião – e que experimentariam ler um ou outro.
Posto isto, há uma probabilidade baixa de algum dos leitores que entretanto aqui passarem se dar ao trabalho de procurar tais livros, a saber:
Pierre Benoit, “Pour Don Carlos” (1920), Le Livre de Poche – 375
Maurice Bedel, “Jerónimo a 60º de latitude norte” (1927), Ed. Sociedade Contemporânea de Autores
Eugène Dabit, “Hotel do Norte” (1929), Col. Miniatura – 92, Livros do Brasil
Georges Simenon, “A casa do canal” (1933), Col. Miniatura – 83, Livros do Brasil
Anders Bodelsen, “Um número à escolha” (1968), Col. Vampiro – 307, Livros do Brasil

Cadeia a que não darei continuação, apesar de achar útil a indicação de livros.
Por último, uma nota a propósito: na última cadeia destas a que respondi, também a solicitação do
Nikonman, o autor do livro que lá citei como tendo sido o último a ter lido, escreveu-me, agradecendo a alusão.
Desta feita, a probabilidade de tal acontecer é muito baixa.
Bodelsen ainda é vivo.