14/07/2007

Restos de colecção (62)

Coisas que se encontram dentro de livros:



E que não se encaixam na realidade conhecida.

11/07/2007

A taxa de natalidade

Pareceu-me ser o tema do dia, a julgar pelas vezes que a ouvi ser mencionada em fundo.
Duas notas perguntáveis:
Primeira – há quanto tempo é que a natalidade entrou em recessão em Portugal?
Segunda – o que dizem os estudos zoológicos sobre as causas prováveis que levam as outras espécies a não se reproduzirem?


Adenda ainda a tempo e terceira nota:
Sempre achei interessante olhar para estas tabelas.
Pereiro Grande, 1996

10/07/2007

Os livros

Dizia eu, acho que ontem, à Dona T. que, se me perguntassem quais os últimos cinco livros que arrumei, teria dificuldade em identificá-los. Talvez por não ter dado por nada de interessante lá dentro, talvez porque a memória de curto prazo se deteriorou indecentemente. Lá teria que ir à pilha ver se os conseguia ainda identificar.
Dado que se me depara uma pergunta diferente, descanso.

Ora bem. Esta coisa de indicar cinco livros carece de uma informação vital.
Saber o que lêem as pessoas que me lêem. E eu isso não saberei, para além de saber que me lêem.
É que não faz sentido indicar a outrem um livro que, na certa, já leu.
Assumirei então, de acordo com um critério que eu próprio não saberei identificar, se interpelado, que a probabilidade de algum dos meus leitores ter lido as obras indicadas é baixa. Mas isso só não basta.
Seria também preciso ter uma noção das preferências, dos gostos dos meus leitores. Lá terei umas suspeitas mais ou menos certeiras de acordo com o grau de conhecimento passado. Mas não sei grande coisa.
E, mais importante ainda, assumir que acham de alguma relevância a minha opinião sobre estes livros – mais um gosto do que uma opinião – e que experimentariam ler um ou outro.
Posto isto, há uma probabilidade baixa de algum dos leitores que entretanto aqui passarem se dar ao trabalho de procurar tais livros, a saber:

Pierre Benoit, “Pour Don Carlos” (1920), Le Livre de Poche – 375
Maurice Bedel, “Jerónimo a 60º de latitude norte” (1927), Ed. Sociedade Contemporânea de Autores
Eugène Dabit, “Hotel do Norte” (1929), Col. Miniatura – 92, Livros do Brasil
Georges Simenon, “A casa do canal” (1933), Col. Miniatura – 83, Livros do Brasil
Anders Bodelsen, “Um número à escolha” (1968), Col. Vampiro – 307, Livros do Brasil



Cadeia a que não darei continuação, apesar de achar útil a indicação de livros.
Por último, uma nota a propósito: na última cadeia destas a que respondi, também a solicitação do Nikonman, o autor do livro que lá citei como tendo sido o último a ter lido, escreveu-me, agradecendo a alusão.
Desta feita, a probabilidade de tal acontecer é muito baixa.
Bodelsen ainda é vivo.

09/07/2007

O porto seco

O defeito é meu. Sei-o bem.
Mas quando ouço falar do porto de Lisboa, fico sempre à espera de ouvir alguém dizer que já é altura de o retirar da zona ribeirinha.
A ponte do Carregado

Vale a pena assinalar, no dia de ontem, a inauguração da ponte do Carregado, dita das Lezírias, uma das que se falava há anos e anos e nunca mais se fazia.



Aqui há uns meses atrás, ouvi o Primeiro-Ministro referir-se a esta ponte como “a quarta...” e fiquei à espera do resto, de saber em que escala era ela a quarta, mas infelizmente o registo sonoro foi truncado e não fiquei a saber.
Ouvi-o hoje por duas vezes pronunciar “a quarta”.
De uma vez disse que era a quarta no estuário do Tejo. Ele lá saberá onde começa o estuário. Talvez imediatamente a montante desta ponte.
Da outra disse que era a quarta e pronto. Seja!
A contar da foz? É a quarta a contar da foz, de facto. Como antes de ser construída era a quarta a Ponte Raínha Dona Amélia e como seria a quarta qualquer uma que se fizesse entre aquela e a Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira. Qualquer uma destas duas tendo sido em tempos idos a primeira. Observação notável, de facto. A fazer lembrar anedotas de outros tempos.
Não esperava mais, é certo.

A foto é manhosa. Retrata mal o estado da arte no dia 14 de Outubro do ano passado.

07/07/2007

E.N. 344, 2000



Barragem de Santa Luzia
A minha campanha (II)

Quando já não há pachorra para tanto papagaio com ar magisterial, pronunciando ilogismos, non sequitur, rotundos disparates e erros crassíssimos, denotando colossal ignorância e total incapacidade racional.
É que não há mesmo.
Uma campanha é sempre qualquer coisa de um roto para um nu. Por isso...

06/07/2007

E é também difícil

Manter a cúnea fleuma perante aqueles que sabem exactamente quais serão os cenários dos próximos 20 anos na fileira da cortiça.
Restos de colecção (61)


edição de Espada & Espada, Sines

Carimbado em 1945. Para que a Dona T. não fique triste.

05/07/2007

Restos de colecção (60)



E.N. 6
in "As estradas e a urbanização", palestra do Engº Civil Álvaro Lima, MOP - JAE, 1954
A qualidade dos intervenientes

Isto da massificação, da quase omnipresença da imprensa escrita e falada, dá uma ideia mais precisa da qualidade dos intervenientes.
E o que se percebe é tão mau, tão mau.
Tanta gente burra em lugares de responsabilidade. Burra, não. Muito burra.

02/07/2007

Rádio Gilão

Acho que sempre tive um fraco pelas rádios locais.
Particularmente pelas do Algarve, em tempo de férias.
Hoje tropecei no site da Rádio Gilão que me acompanhou por magníficas vilegiaturas por aquelas bandas.
Não há nada como a voz das locutoras algarvias!

Casada com vistas de Algarve quase antigo.



O que será feito do Jorge Luís, aquele que cantava “Paz na Cama” e que era requisitável nos discos pedidos?

Devia ser proibido ouvir rádios balsenses aqui nestas bandas.
As grandes questões universais – episódio q

Há quanto tempo é que os melhores programas humorísticos são as entrevistas com especialistas?

01/07/2007

Com legenda mas sem elas

O limite invisível

Há-de existir um limite da asneira plasmada nos despachos das agências de notícias, a partir do qual os jornalistas de serviço dão por ela, antes de a reproduzirem.
Ainda não dei eu por ele.
Há uns dias foram os 54º em Bucareste.
Sanlúcar de Guadiana, 1988



Este monte veio-me à lembrança quando em tempos se falou disto (aqui e ali).

Este e outros que para aí há.

30/06/2007

Improbabilidade

Há qualquer coisa de bizarro e de improvável nesta sequência de acontecimentos que tem tido lugar no Reino Unido.
Incêndios, 2007



Há coisa de minutos atrás.

29/06/2007

As unidades de medida

São como o resto.
Conhecemos, lidamos com umas e nada sabemos de outras. Mesmo que um dia tenhamos visto uma equivalência algures, nada nos dizem.
É o caso do alqueire. A mim não me diz nada, não obstante ter passado a vida a ouvir falar dele.
Um destes dias ouvi um indivíduo a dizer que os pais dançavam em cima de meio-alqueire. De uma caixa de castanho com essa capacidade.
Sei da arroba, vejo-a mais do que a peso. Vejo-a nos porcos, na cortiça.
Sei do hectare, passo-o a olho também.
Sei do cavalo-vapor, do quilómetro, do minuto. Sinto-os a puxarem-me, vejo-os a passar, estimo os que faltam.
Sei do grau centígrado, na pele. Do litro, goela abaixo.
Mas falta-me essa noção de alqueire, ainda que o saiba equivalente a... , ainda que o reouça contado nas inúmeras histórias da minha infância.
De azeite.

28/06/2007

Vila Nogueira de Azeitão, 2006

Palmela, 2006

O homem com cara de manta de baile

626 páginas - perdão, 625 páginas - já que esta foi eliminada, é a quanto monta o livro das coisas que para ali estão à espera de um dia descerem ao prelo virtual desta praça.
De tudo o que lá encontrei hoje, com a minha cara de hoje, foi a esta notícia que me apeguei:
A do homem com cara de manta de baile.
Daquelas que as vigilantes mães do povo punham no regaço nas noites de invernia.
Não creio que seja preciso dizer mais nada.

27/06/2007

Tony Blair


imagem da BBC

E é hoje que o homem se vai.
O critério pelo qual se avalia hoje o desempenho de um político parece-me ser o da quantidade da variação de qualidade de vida que proporcionou àqueles a quem governou.
Seja lá como é que isso se mede.
Por não saber como é que isso se mede é que não posso pronunciar-me objectivamente sobre o homem.
Como é sabido, tinha a minha parcialidade quando avaliava os seus actos. Parcialidade que começou ainda antes de ganhar as eleições em 1997.
Passados que são dez anos, acho agora que são raros os homens como ele.
Descontando todas as barbaridades que disse, exactamente por ser político.
É que políticos, hoje, há poucos. Ele era de facto um.
Avarias

26/06/2007

Algarismos significativos

De acordo com o estudo dito da CIP, a minha freguesia encontra-se na zona de atracção da zona do Poceirão mas não na da chamada zona H, a tal que se sobrepõe em parte, nas alternativas 2 a 6, ao Campo de Tiro, quando comparadas com a Ota.
Se considerarmos as seguintes distâncias*, com um erro a menos de 10 km, erro que me parece razoável dada a dimensão do empreendimento:
À Ota – 160 km
Ao Poceirão – 110 km
À zona H – 120 km
é de duvidosa clareza que se tome por unidade significativa a freguesia.



*medidas na aplicação do IGEOE sobre a Carta Militar de Portugal, do edifício da sede da freguesia ao centro dos rectângulos ditos Ota e Poceirão e ao baricentro do polígono definido pelas linhas exteriores da conjunção dos seis rectângulos traçados na zona H, no referido estudo.

24/06/2007

Restos de colecção (59)

A propósito da data que é também quase o 44º aniversário desta ponte, relembro outros posts.



in Ponte da Arrábida sobre o rio Douro e seus acessos, MOP - JAE, 1963
clicar para ampliar

22/06/2007

Torres Vedras, 2006



O meme visto por ele próprio

Confesso que não sou muito dado a cadeias. Vejo os links que aqui tenho como elos de uma, de umas. Basta-me isso.
Mas lançado que me foi o repto, uma vez mais, acedo a integrar-me numa.

Ora, o meme. O meme é um nome que já tinha visto escrito aqui e ali. Não me despertou interesse a palavra, o conceito, a ponto de querer saber exactamente o que era, ao contrário de outras palavras, de imagens que me levam em correntes, elas sim, de novos conhecimentos. Acontece a todos, creio eu.
E recebido o convite para o meme, houve então que completar a noção pálida que tinha do conceito e que era qualquer coisa relacionada com mimetismo.
Eu faço. Tu fazes. Ele faz.
Mas não é isso, sendo-o.
Do que descobri, via aqui e acolá, posso mencionar que tropecei neste post, que daí fui à wikipedia e que por lá me quedei. Diz que o nome tem mais de 30 anos. Muito prazer.
E fiquei com a ideia de que é uma definição poética demais para ser científica.

Aceitando todavia que estes pontos de contacto nos permitem passar memórias que se apagariam de outro modo e apesar de este blogue ser em parte dedicado à preservação de algumas memórias, passando-as, aproveito o ensejo para relembrar dois factos da História de Portugal do séc. XX que parece terem sido banidos dos relatos:

O acidente ferroviário do Rápido do Algarve que ocorreu perto de Sabóia (Odemira), creio que em 1956, e parece que foi um dos mais graves acidentes ferroviários ocorridos em Portugal.
A onda de muitos metros que matou na areia uns quantos pescadores na praia de Santo André (Santiago do Cacém), apanhando-os completamente desprevenidos e que terá ocorrido ou na década de 1950 ou na de 1960.

Suponho que as tentativas que fizerem de pesquisar na rede sobre tal, irão fatalmente voltar aqui, a posts anteriores em que os já mencionei.

A minha proposta é pois: Passo este meme a quem tiver alguma informação mais sobre um destes dois factos. Ficava muito grato se me a comunicasse.

E aqui está, Errezinha.
Anços, 2006

20/06/2007

Suicidário

Tínhamos vindo das cervejas no bar da praia.
Os sete ou oito que ali andávamos entre a política e as Marinas frescas, tivemos mais tarde a certeza de lá ter visto um blusão de cabedal que de costas parecia soçobrar a uma franja decorada com fita.
Entre o manifesto de resistência mais ou menos militante, ainda que naquela hora tão efémero que se reduzia a traços na areia que a maré vazia proporcionava como quadro, e o silêncio sobre as expectativas individuais incidindo no próximo baile da Esplanada, distinguimos claramente o som da motorizada em lancinantes arranques.
Celebração finda com a pancada brutal.
Quando alcançámos o final do túnel e encontrámos a máquina ainda acelerada no fundo das escadas, já o blusão de cabedal mostrava ao cimo dos degraus reflexos metálicos da pouca luz que a cerrada noite permitia. Talvez luar apenas.
Não morri! - a frase concatenava-se com os ecos da discussão que recordávamos agora.
Pôs-se de pé. Andava, sangrava, ria, chorava.
No hospital da vila, uma empregada em traje de sono escancarou-lhe as portas. Que venha a ambulância, que estou cá sozinha.
Não cheguei a saber a quem pertencia o blusão de cabedal, apenas soube de onde viera.
Três anos mais tarde, enquanto conduzia a casa o encanto de uma noite, percebi que era conterrânea do blusão preto. Se ela sabia quem era.
Morreu no ano passado. Matou-se, disse ela.

19/06/2007

Ali, ao pé dos arcos de pedra

Ali, a partir do momento em que transpus aquela porta que direi suja, mesmo sem saber se suja estaria, e digo suja daquele baço que os vidros tomam da argamassa de pó e humidade, ali, ao pé dos arcos de pedra, assim que transpus a porta, comecei a escrever estas linhas. Ou outras que não estas, que não há maneira de saber quais foram ao certo as linhas que então escrevi.
O homem ensaiava problemas nos escaques magnéticos. Olhou-me por cima de uns óculos que direi óculos sem cuidar de saber se o seriam, se seria apenas um olhar assestado a um zénite venial.
E levantou-se, tendo o cuidado de me perguntar o que desejava.
Nesse ponto, escrevia-o parte de uma companhia de caçadores que haveria de reunir no covil do camarada de armas um destes dias. Escrevia-o em papel verde, de 45 g, A5, convocando todos e indicando dois números de telefone, ou três, com alcunhas consagradas. Mesmo que me parecesse inútil, estranho, fazê-lo assim em papel.
Com ou sem manteiga?
Respondi, pensando nos pratos por encomenda que cada um reservaria para si, no tal bródio.
O para beber veio gelado, da arca.
Nesta altura antevia o parque de estacionamento ainda com os restos da sinalização "convívio da companhia de caçadores...", um ou dois ou mesmo três carros de companheiros mais recordativos ao sétimo uísque, o cão que fareja os restos, um fio de água que vem sabe-se lá de onde e é tudo.
Despeço-me do homem que demora os óculos ou o olhar descido nos escaques. O jornal continua marcado na mesma página. Parece que o está há meses.
Subtraio o meu carro à conta do parque. A diferença é zero.
Rio Jamor (sob a E.N. 6), 2007

15/06/2007

Cartão de crédito

Escrevi aqui há dois anos e meio que me tinha sentido mal julgado por não ter cartão de crédito.
É claro que não se pode medir a opinião pública ou a pública avaliação, subsumindo a partir de um imbecil qualquer. Que foi o que fiz em tal ocasião, ainda que pretendendo ser irónico.
Daí para cá, não se deu o caso de ter voltado a ser olhado de alto a baixo por não ter uma tal coisa na carteira.
Convém dizer também que não tenho a preocupação do parecer, mas que me aborrece tropeçar em explícitas avaliações alheias. O prejuízo acaba por ser mais da irritação do que do resto.
Dito isto, não é que dou ontem com um cartão de crédito emitido em meu nome, todo bem embrulhadinho, com as devidas taxas de juro bem explicadas, na minha caixa do correio?
Já não posso dizer que não tenho um.
Não faço a menor tenção de o devolver ao meu banco. Fica aqui no meu museu. Virgem até morrer por evaporação de solventes.

14/06/2007

O melhor amigo do homem

Ando aqui há tempos com esta atravessada.
Pensava eu que o melhor amigo do homem era o cão. Pensar não será bem. Meteram-me isso na cabeça e eu não me livrei em tempo de tal ditame. Depois, o cão parece ter acompanhado o homem por tantos séculos que lá ganhei algum lastro para alicerçar uma ideia que me tinham impingido. Sabemos bem como são estas coisas.
Mas o certo é que, à medida que fui vivendo e convivendo, esbarrei com crenças díspares. Que de alguma forma beliscaram aqueloutra.

Vem um e diz, acabadinho de fechar a cerca do gado: "O melhor amigo do homem é o arame!" e logo me dou conta de que muitos mais o acompanham nesse suspiro.
Chega outro, a modos que atrasado, bate os dedos no capot quente e exclama: "O melhor amigo do homem é o automóvel!" e dá-se o caso de ouvir depois a outros que tais, sentença igual.
Estou debaixo de uma viga aparentando descaso de manutenção e logo ouço a quem parece abraçar carlingas de um só amplexo, lagrimita ao canto do olho: "O melhor amigo do homem é o betão!" e afinal há inúmeros mais que assim o dizem.
Também já ouvi discussões em que o fiel amigo vem à baila. E vai-se a ver é o bacalhau.

Com tudo isto, vejo seriamente abalada a minha crença mesmo que me recorde das intensas lambidelas com que o meu querido cão me agraciou.
Será que há por aí mais colégios, mais agremiações, deputações, confrarias que venerem a amizade unívoca de uma qualquer outra entidade material ou imaterial? A haver, qual seria esse amigo? Esse melhor amigo.
E não ando à cata de nomeações. O que quero é certezas.

12/06/2007

Das noites tais

Subir por escadas ancestrais, becos e ginjas.
Apreciar as fêmeas de alto a baixo.
Beber outra, fingir atacar o sapato e mais outra.
Agarrá-las pelas costas, à falsa-fé, e levá-las pelo braço, entoando Marselhesas.
Trocá-las por cigarros, mais acima.
Orientar pelo cheiro.
Roubar febras e até o abano.
Não pagar rodadas de cerveja.
Palmilhar São Tomé pelos telhados.
Ver os conhecidos tresmalhar o gado a custo junto.
E beber outra, ao virar da esquina.
Entrar em Medicina usando o abano, salvo o conduto.
Que eram mais sardinhas no pátio das traseiras.
Terminar cantando, sempre cantando.
Sempre os mesmos, à porta de casa.
A manhã quente.
Como a caldeira.
Amadora, 2007

11/06/2007

O ponto Foz Coa da discussão técnico-política

É onde estamos a chegar.
Recordam-se dos protagonistas?
E do chorrilho de asneiras que então se ouviu?
E da ideia de desgoverno que dali saiu?
Estamos quase lá.
Praia da Cruz Quebrada, 2007

10/06/2007

O estranho silêncio das máquinas de escrever

Diz a lenda que à volta daquele andar da Almirante Reis os vizinhos, com razão, protestavam contra o teclar metálico das dactilógrafas que, altas horas da noite, ultimavam apresentações de cálculos e memórias descritivas, a partir da letra mais ou menos legível da engenharia.
Talvez ainda soassem os carretos das Brunswiga, aproximados a duas casas decimais.
Hoje, falece-nos esse rumor quando adentramos as escriturarias onde há muito os alpacas se transformaram em gestores de produto ou coisa que o valha. Mais dados a debitarem sonoramente um chorrilho de linhas de um qualquer certificado manual de curso de formação do que a devolverem o rolo à posição de ponto parágrafo.
É uma falta poética, essa.
Mesmo que os nossos tímpanos tenham ganho com a troca.

08/06/2007

A voar sobre as oliveiras

E eu pairava enquanto ela falava ao telefone com alguém.
Estava animada da tradicional vontade de ajudar quem não queria ser ajudado.
Era qualquer coisa com um irmão que não encontrava um papel qualquer da tropa. Nem queria encontrar.
Entre duas passagens baixas, que eu andava mais para o lado da estação de caminho-de-ferro do que ali por cima das oliveiras, disse-lhe que perguntasse ao contra-almirante o que havia de fazer, que mesmo há bocado o tinha visto através daquelas vidraças velhas da porta, velhas de distorcer as imagens.

06/06/2007

Ignorância batimétrica

Segundo uma jornalista da SIC, o Rio Douro, em certo sítio, tem cerca de 400 m de profundidade.

É a chamada falta de noção das proporções.
MOPTC

Vi e ouvi um certo número de pessoas, algumas delas com responsabilidades públicas, dizerem-se ofendidas com a afirmação do ministro de que a margem sul é um deserto, não tem isto, não tem aquilo.
Não consegui ainda, vários dias volvidos, perceber em que medida pode esta afirmação ser ofensiva.
A2, 2004

05/06/2007

Um homem vestido de Pateta

Uma das reticências que se me punham em criança quando me falavam da Disneylândia era deparar-me com um tipo vestido de Pateta.
Uma palhaçada igual aos Pais Natal do Chiado.
Não mudei de reticências quarenta e tais anos depois.
Ainda me admiro é com a quantidade de gente adulta que se dispõe a figurar para a posteridade ao lado do homem vestido de Pateta.
Ou de Pim.

04/06/2007

De uma rua a outra

Vai-se, pelas minhas contas, a uma velocidade média de 8,6 x 10-4km/h. Mas isso são as minhas contas.

03/06/2007

Megafonia

Das recordações que guardo do ano de 1974, há, das muitas que ainda hoje me inquietam, uma em particular que também me intriga.
Estávamos nos dias de Setembro em que se resolveu retomar, lá na vila, o costume perdido das festas de verão.
A mobilização popular era feita ao som exaustivamente repetido do Avante, da Carvalhesa e de outras inevitáveis nesses dias quentes. Dessas outras, havia uma cujo refrão soava "Ó liberdade, como é bom viver!"
Não consegui, depois que me dei a esse trabalho, identificar a bendita canção que tantas vezes fui obrigado a ouvir, do alvor ao sol-posto, em megafonia.
Gostava de o fazer nem mais uma vez que fosse, tal como a "O cigano do amor". Mas isso são outras contas.


espólio Campos Vilhena, foto de MSG



Corrija-se o texto, substituindo Carvalhesa por Internacional. A memória atraiçoa-me mais uma vez, pelos vistos.

01/06/2007

28/05/2007

Sem Norte

De repente, as figuras do debate futebolístico percebem que não sabem onde é que fica o Norte no Estádio Nacional.
O moderador, lesto, diz sorrindo que o Sul é o lado da tribuna.


trecho da Carta Militar de Portugal (norteada) - IGEOE

A tribuna fica do lado esquerdo da imagem. A poente, portanto. Para ter sombra à tarde.
A ponte no Montijo e o aeroporto em Rio Frio

Desde sempre - e o meu desde sempre é desde os anos 60, que 59 ainda não contou - ouvi falar na ponte que se haveria de construir para o Montijo e no aeroporto que se haveria de implantar para as bandas de Rio Frio.
A ponte estava implicitamente traçada no plano rodoviário de 1945 como sendo o troço inicial da E.N. 4: Lisboa - Elvas (fronteira) - o km 13 está à saída do Montijo.
Já o aeroporto poder-se-ia antever na polarização de estradas nacionais à volta da região.
E.N. 4, E.N. 5, E. N. 10 e E.N. 11 - estradas principais. E.N. 118, E.N. 119 - estradas de 1ª categoria. Das seis, só a E.N. 4 e a E.N. 10 (de Cacilhas ao Cais do Cabo), que era no plano uma semicircular da margem sul, não têm origem no Montijo.
Mas tudo isto ignorava eu na altura. Apenas ouvia aqui e ali algumas referências prospectivas e me punha a imaginar uma ponte com extensão para vencer o Tejo naquela zona onde as margens por vezes se escondem uma da outra.
A ponte já lá está.


trecho do Plano Rodoviário de 1945 (JAE) - clicar para ampliar



Correcção: A E.N. 11 não começa mas termina no Montijo.