21/02/2008
20/02/2008
A escola especial
Sem investigar muito o assunto – e correndo o risco de estar a ser injusto – apenas guiando-me pelo que oiço a certas figuras, temo que se não distinga entre crianças cegas, surdas, sem mobilidade e as outras cuja diminuta capacidade mental nunca lhes permitirá aprender grande coisa.
Temo que se misture tudo com grave prejuízo para os primeiros e para a Nação.
E sem benefício para ninguém.
Sem investigar muito o assunto – e correndo o risco de estar a ser injusto – apenas guiando-me pelo que oiço a certas figuras, temo que se não distinga entre crianças cegas, surdas, sem mobilidade e as outras cuja diminuta capacidade mental nunca lhes permitirá aprender grande coisa.
Temo que se misture tudo com grave prejuízo para os primeiros e para a Nação.
E sem benefício para ninguém.
19/02/2008
18/02/2008
Rio Jamor, esta tarde

Escombros das fundações de uma edificação derruída nas cheias de Novembro de 67.
Escombros das fundações de uma edificação derruída nas cheias de Novembro de 67.
Das coincidências
Poucas horas depois da conversa televisiva sobre cheias, eis que a precipitação em Lisboa atinge valores acima dos 50 mm em 8 horas*.
Não sendo um valor de catástrofe, já acordei ao som das sirenes de chamada.
E aqui mesmo ao lado morreu pelo menos uma pessoa**.

gráfico do IM
* mais de 100 mm em 24 horas, o que é um valor considerável.
** duas pessoas, afinal.
Poucas horas depois da conversa televisiva sobre cheias, eis que a precipitação em Lisboa atinge valores acima dos 50 mm em 8 horas*.
Não sendo um valor de catástrofe, já acordei ao som das sirenes de chamada.
E aqui mesmo ao lado morreu pelo menos uma pessoa**.
gráfico do IM
* mais de 100 mm em 24 horas, o que é um valor considerável.
** duas pessoas, afinal.
À toa - II
Uma coisa que é muito comum em Portugal é o disparate especializado.
Ouvi, mais uma vez, da boca de uma dita especialista que os mortos nas cheias de 97 no Alentejo foram em zonas recentemente construídas.
Isto é apenas ignorância atrevida. Mas especializada. Muito especializada no disparate.
Uma coisa que é muito comum em Portugal é o disparate especializado.
Ouvi, mais uma vez, da boca de uma dita especialista que os mortos nas cheias de 97 no Alentejo foram em zonas recentemente construídas.
Isto é apenas ignorância atrevida. Mas especializada. Muito especializada no disparate.
17/02/2008
À toa
Dizer que as cheias de 67 (como se disse no programa de Maria Elisa) são a segunda maior catástrofe natural – supõe-se que quanto ao número de mortos - em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, sem se saber, como não se sabe, qual foi o número de baixas é uma afirmação gratuita.
Sem sabermos também, por exemplo, quais as baixas dos terramotos de 1531 e 1722 estamos com grande probabilidade em presença de fenómenos que causaram maior número de mortos do que as cheias desse ano.
misturar imagens das cheias de 97 no trecho respeitante às de 83 também é normal. É tudo à toa, como sempre.
Dizer que as cheias de 67 (como se disse no programa de Maria Elisa) são a segunda maior catástrofe natural – supõe-se que quanto ao número de mortos - em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, sem se saber, como não se sabe, qual foi o número de baixas é uma afirmação gratuita.
Sem sabermos também, por exemplo, quais as baixas dos terramotos de 1531 e 1722 estamos com grande probabilidade em presença de fenómenos que causaram maior número de mortos do que as cheias desse ano.
misturar imagens das cheias de 97 no trecho respeitante às de 83 também é normal. É tudo à toa, como sempre.
16/02/2008
A roda da fortuna
Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
A dissolução
Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Memória ferroviária
Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).
Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).
15/02/2008
E se...
Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.

(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.
Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.
(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.
13/02/2008
12/02/2008
Em busca de um deus
Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
11/02/2008
10/02/2008
A moeda do Crato

imagem do BCE
Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.
imagem do BCE
Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.
09/02/2008
A questão das percentagens
A incapacidade para lidar com a matemática de uma esmagadora percentagem da população e de muita gente licenciada só por si não justifica a asneirola.
É preciso aquele quê de estupidez adicional que afiança ser a nossa ignorância coisa negligenciável.
Desta feita, foi ao ler Medina Ribeiro no Sorumbático que tomei conhecimento de mais estes dois fascinantes disparates.
Vão para a colecção das percentagens.
Eu um dia ainda hei-de dizer o que pode, de facto, desvalorizar 400%. Ou mais.
Alguém arrisca um palpite?
A incapacidade para lidar com a matemática de uma esmagadora percentagem da população e de muita gente licenciada só por si não justifica a asneirola.
É preciso aquele quê de estupidez adicional que afiança ser a nossa ignorância coisa negligenciável.
Desta feita, foi ao ler Medina Ribeiro no Sorumbático que tomei conhecimento de mais estes dois fascinantes disparates.
Vão para a colecção das percentagens.
Eu um dia ainda hei-de dizer o que pode, de facto, desvalorizar 400%. Ou mais.
Alguém arrisca um palpite?
Galardão
Agradeço à Dona T. a distinção que confere a estas páginas.
O galardão é, ainda por cima, bonito.
Não sei o que mais dizer. Não me sinto capaz de nomear outros cinco.
Agradeço à Dona T. a distinção que confere a estas páginas.
O galardão é, ainda por cima, bonito.
Não sei o que mais dizer. Não me sinto capaz de nomear outros cinco.
08/02/2008
Investimento e eficácia
À recentemente retomada discussão dos investimentos e da sua (in)eficácia no Portugal dos últimos séculos, há pouco ilustrei-a com o seguinte quadro:
Uma extensa fila de gente derramava-se da porta da papelaria aqui ao lado. Faltava quase nada para as 19 horas.
Quando lá entrei em busca da revista, depois da hora fatídica, não me contive – perguntei quantas pessoas tinham ficado de fora do sorteio.
A resposta foi que o número era incontável. Para eles que não viam muito para além da porta.
À recentemente retomada discussão dos investimentos e da sua (in)eficácia no Portugal dos últimos séculos, há pouco ilustrei-a com o seguinte quadro:
Uma extensa fila de gente derramava-se da porta da papelaria aqui ao lado. Faltava quase nada para as 19 horas.
Quando lá entrei em busca da revista, depois da hora fatídica, não me contive – perguntei quantas pessoas tinham ficado de fora do sorteio.
A resposta foi que o número era incontável. Para eles que não viam muito para além da porta.
Agitprop
Outro dos sintomas denunciadores da pseudo-intelectualidade, nacional e estrangeira, é a confusão entre ciência e propaganda.
Outro dos sintomas denunciadores da pseudo-intelectualidade, nacional e estrangeira, é a confusão entre ciência e propaganda.
06/02/2008
Quarta-feira de cinzento

Vejo agora que esta imagem me perseguiu estes anos todos, sem que eu desse por ela.
Era a minha companheira de imaginadas aventuras ao volante, vestida carnavalesca e empoadamente de madeirense, emoldurada na mesinha do telefone.
Ali, logo à vista de quem lhe entrava em casa.
Talvez que essa recordação se cimentasse pelo facto de eu pertencer a um subgrupo que não ostentava fotografias. Nem nas paredes, nem nas mesas nem em lado algum.
E que não andava por aí mascarado.
Vejo agora que esta imagem me perseguiu estes anos todos, sem que eu desse por ela.
Era a minha companheira de imaginadas aventuras ao volante, vestida carnavalesca e empoadamente de madeirense, emoldurada na mesinha do telefone.
Ali, logo à vista de quem lhe entrava em casa.
Talvez que essa recordação se cimentasse pelo facto de eu pertencer a um subgrupo que não ostentava fotografias. Nem nas paredes, nem nas mesas nem em lado algum.
E que não andava por aí mascarado.
05/02/2008
04/02/2008
Bater no ceguinho
É aproveitar agora que o ceguinho está de rastos.
Escrevi pouco aqui sobre o assunto McCann. Onze posts com este, se não me enganei a contar, escassas linhas de cada vez.
Mas escrevi mais do que a maioria dos blogues que costumo ler.
Significa isto que dei mais atenção ao caso do que acho se deveria dar, uma vez que escolho as minhas leituras pela capacidade dos seus autores e delas noto agora que tiro uma medida, que é afinal minha.
Não tenho nenhuma ideia sobre o caso a não ser a trivial de que a história está muito mal contada.
Quanto à acção da polícia e da investigação, dei vaga nota do desnorte de que a primeira conferência foi veículo.
Tratou-se de um lamentável espectáculo.
De forma ridícula e atabalhoada tentou copiar-se o aparato e o cerimonial das conferências de imprensa à inglesa e à americana, apresentando não sei quantas pessoas com intervenção no caso.
Hora e meia foi o lapso de tempo que decorreu entre a hora aprazada e o começo efectivo sem outra razão plausível que não fosse a de reunir o tal painel, uma vez que as declarações como se sabe foram vazias de conteúdo.
Desse primeiro passo à recente intervenção do Director Nacional, o caminho das declarações proferidas e dos actos públicos é conhecido e lamentável.
Não tomo em consideração notícias de jornal, apenas coisas que ouço directamente da boca dos responsáveis, ainda que obviamente veiculadas por rádios ou televisões.
O ceguinho não se levantou?
Há pouco mais de um mês, dei uma escassa e romântica nota sobre um misterioso episódio com o qual tive contacto há mais de dez anos.
Não sei sobre ele muito mais do que contei então.
Neste caso, faço tenção de me socorrer dos jornais para vos dar uma ideia do que se passou então e do que foi sucedendo depois, ao longo dos anos, sem que o mistério deixasse de o ser:
Expresso de 9 de Novembro de 2002 – I; II (cópias das notícias)
Correio da Manhã de 24 de Outubro de 2006
É aproveitar agora que o ceguinho está de rastos.
Escrevi pouco aqui sobre o assunto McCann. Onze posts com este, se não me enganei a contar, escassas linhas de cada vez.
Mas escrevi mais do que a maioria dos blogues que costumo ler.
Significa isto que dei mais atenção ao caso do que acho se deveria dar, uma vez que escolho as minhas leituras pela capacidade dos seus autores e delas noto agora que tiro uma medida, que é afinal minha.
Não tenho nenhuma ideia sobre o caso a não ser a trivial de que a história está muito mal contada.
Quanto à acção da polícia e da investigação, dei vaga nota do desnorte de que a primeira conferência foi veículo.
Tratou-se de um lamentável espectáculo.
De forma ridícula e atabalhoada tentou copiar-se o aparato e o cerimonial das conferências de imprensa à inglesa e à americana, apresentando não sei quantas pessoas com intervenção no caso.
Hora e meia foi o lapso de tempo que decorreu entre a hora aprazada e o começo efectivo sem outra razão plausível que não fosse a de reunir o tal painel, uma vez que as declarações como se sabe foram vazias de conteúdo.
Desse primeiro passo à recente intervenção do Director Nacional, o caminho das declarações proferidas e dos actos públicos é conhecido e lamentável.
Não tomo em consideração notícias de jornal, apenas coisas que ouço directamente da boca dos responsáveis, ainda que obviamente veiculadas por rádios ou televisões.
O ceguinho não se levantou?
Há pouco mais de um mês, dei uma escassa e romântica nota sobre um misterioso episódio com o qual tive contacto há mais de dez anos.
Não sei sobre ele muito mais do que contei então.
Neste caso, faço tenção de me socorrer dos jornais para vos dar uma ideia do que se passou então e do que foi sucedendo depois, ao longo dos anos, sem que o mistério deixasse de o ser:
Expresso de 9 de Novembro de 2002 – I; II (cópias das notícias)
Correio da Manhã de 24 de Outubro de 2006
A percepção da realidade
Não vale a pena entrar em caminhos de reflexão sobre o que é a realidade e o que é que tomamos por ela, antes e depois de a percebermos. Isso é problema com milénios de escrutínio que ainda não teve grandes soluções.
Adiante.
Mas no comezinho, na coisinha de trazer por casa, na vidinha dos dias uns atrás dos outros, em todos os outros inhos que nomear se possam para dar a ideia de vulgaridade, há alturas em que a realidade é suficientemente objectiva para dela se poder ter uma ideia utilitária capaz de ser passada e repassada aos outros.
Acho que foi com isso que chegámos aqui. A este ponto da História. Dizendo coisas uns aos outros. Umas vezes mais certas outras vezes mais erradas.
Uma coisa que (ainda) me custa é ver ou ouvir um jornalista que não percebe a notícia que está a dar ao mundo. Talvez porque é cada vez mais difícil assistir a um noticiário sem que tal aconteça.
A notícia desta noite, desta madrugada, é o caso das pessoas que estão em apuros lá para o Gerês.
A crer no que foi dito, algures entre a Portela do Homem e os Pitões das Júnias.
Ora a notícia refere sempre as pessoas como desaparecidas. E fala em buscas para as encontrar, ao mesmo tempo que nos diz que transmitiram, via telefone, as coordenadas do lugar em que se encontram.
Quem redigiu isto não percebeu várias coisas.
A primeira é que pessoas desaparecidas não costumam comunicar por telefone. É uma coisa que os desaparecidos têm, uma coisa lá deles, não gostam de dar notícias.
A segunda é que pessoas que comunicam a sua posição não carecem de ser encontradas, localizadas. Não é de uma busca que se trata, é de um resgate, de um salvamento.
Não perceber que se trata, pelo próprio teor da notícia, do resgate de gente que está em dificuldades e não de uma busca por desaparecidos parece-me apenas ser mais uma prova de que é mais fácil encontrar nos perfilados de qualquer paragem de autocarro um Q.I. médio superior ao dos alunos de alguns cursos de jornalismo do que o contrário.
Eu sei que estou a subsumir a partir deste e doutros casos. Mas apetece-me fazê-lo. Atão e agora?
Não vale a pena entrar em caminhos de reflexão sobre o que é a realidade e o que é que tomamos por ela, antes e depois de a percebermos. Isso é problema com milénios de escrutínio que ainda não teve grandes soluções.
Adiante.
Mas no comezinho, na coisinha de trazer por casa, na vidinha dos dias uns atrás dos outros, em todos os outros inhos que nomear se possam para dar a ideia de vulgaridade, há alturas em que a realidade é suficientemente objectiva para dela se poder ter uma ideia utilitária capaz de ser passada e repassada aos outros.
Acho que foi com isso que chegámos aqui. A este ponto da História. Dizendo coisas uns aos outros. Umas vezes mais certas outras vezes mais erradas.
Uma coisa que (ainda) me custa é ver ou ouvir um jornalista que não percebe a notícia que está a dar ao mundo. Talvez porque é cada vez mais difícil assistir a um noticiário sem que tal aconteça.
A notícia desta noite, desta madrugada, é o caso das pessoas que estão em apuros lá para o Gerês.
A crer no que foi dito, algures entre a Portela do Homem e os Pitões das Júnias.
Ora a notícia refere sempre as pessoas como desaparecidas. E fala em buscas para as encontrar, ao mesmo tempo que nos diz que transmitiram, via telefone, as coordenadas do lugar em que se encontram.
Quem redigiu isto não percebeu várias coisas.
A primeira é que pessoas desaparecidas não costumam comunicar por telefone. É uma coisa que os desaparecidos têm, uma coisa lá deles, não gostam de dar notícias.
A segunda é que pessoas que comunicam a sua posição não carecem de ser encontradas, localizadas. Não é de uma busca que se trata, é de um resgate, de um salvamento.
Não perceber que se trata, pelo próprio teor da notícia, do resgate de gente que está em dificuldades e não de uma busca por desaparecidos parece-me apenas ser mais uma prova de que é mais fácil encontrar nos perfilados de qualquer paragem de autocarro um Q.I. médio superior ao dos alunos de alguns cursos de jornalismo do que o contrário.
Eu sei que estou a subsumir a partir deste e doutros casos. Mas apetece-me fazê-lo. Atão e agora?
03/02/2008
02/02/2008
Imagens alheias

Praça Dom Pedro IV e Rua do Amparo - Fotografia de Armando Serôdio inscrita no Arquivo Municipal de Lisboa sob a cota AF\img71\A35496.jpg
Memórias pessoais.
Efeméride.
Praça Dom Pedro IV e Rua do Amparo - Fotografia de Armando Serôdio inscrita no Arquivo Municipal de Lisboa sob a cota AF\img71\A35496.jpg
Memórias pessoais.
Efeméride.
I & Mr. Teal
Acontece por vezes concorrer nas compras no supermercado aqui ao lado com Mr. Teal e seu chapéu.
Parece que os anos não passaram por ele.

Fotografia do actor Ivor Dean obtida em http://www.televisionheaven.co.uk/saint.htm
Acontece por vezes concorrer nas compras no supermercado aqui ao lado com Mr. Teal e seu chapéu.
Parece que os anos não passaram por ele.
Fotografia do actor Ivor Dean obtida em http://www.televisionheaven.co.uk/saint.htm
01/02/2008
O Regicídio
Sou republicano e considero o assassínio uma arma legítima em algumas circunstâncias, no actual estádio da evolução.
Sobre o Regicídio, depois de ter lido hoje muitas coisas com que concordo absolutamente, escritas pelos simpatizantes monárquicos e pelos que o condenaram, apenas registo que a actual situação, à excepção do Presidente da República, optou por um silêncio laudatório do assassinato político.
Um destes dias, criaturas capazes como são as da situação, virão decerto condenar toda e qualquer violência.
Sou republicano e considero o assassínio uma arma legítima em algumas circunstâncias, no actual estádio da evolução.
Sobre o Regicídio, depois de ter lido hoje muitas coisas com que concordo absolutamente, escritas pelos simpatizantes monárquicos e pelos que o condenaram, apenas registo que a actual situação, à excepção do Presidente da República, optou por um silêncio laudatório do assassinato político.
Um destes dias, criaturas capazes como são as da situação, virão decerto condenar toda e qualquer violência.
A cruz de Quintos

fotografia de João Espinho
Em tempos, encontrei esta foto no blogue do João Espinho – a Praça da República em Beja – e a sensação que me causou está lá hoje descrita, por gentileza dele que me chamou a integrar uma série de convidados semanais que escolhe e fala sobre uma das fotos que ele lá publicou.
Sem lisonja, acho a foto excepcional.
O facto de me ter suscitado memórias é apenas um complemento à submissão que ela me causa.
Socorro-me uma vez mais do meu velho SG, para acrescentar o que quer que seja ao que fica dito.
Sitiando a madrugada
Gastos os passos
Em tardes puídas de um inverno são.
Resta um pensamento enlutado
E uma estola de arminho pelada
Para desta janela te recordar viva.
Ainda ponho o jornal sobre o prato
E tu já não me fazes irritar.
Ah, levei o gato para casa de minha tia!
Vejo os pratos que empilho os dias todos
De semanas que prorrogam este lar
E desfaleço.
Volto a caminhar no mar de que tenho os mapas
E rotas há que só de noite me atrevo a percorrer,
Temor de azul que me fascina
Pelos perigos que se diriam simulados.
Chego ao porto.
Ancorado no velho sofá,
Preparo o tempo para um reveillon sempre adiado,
O sempre o mesmo smoking esfarrapado
Como as cordas das orquestras que se ouvem
Em sons de samba e bossa-nova.
Que aqui chegam ténues, os anos a passar (é meia-noite)
Sobre a tua campa.
1984
SG, "Dizeres do Sul", 1993
fotografia de João Espinho
Em tempos, encontrei esta foto no blogue do João Espinho – a Praça da República em Beja – e a sensação que me causou está lá hoje descrita, por gentileza dele que me chamou a integrar uma série de convidados semanais que escolhe e fala sobre uma das fotos que ele lá publicou.
Sem lisonja, acho a foto excepcional.
O facto de me ter suscitado memórias é apenas um complemento à submissão que ela me causa.
Socorro-me uma vez mais do meu velho SG, para acrescentar o que quer que seja ao que fica dito.
Sitiando a madrugada
Gastos os passos
Em tardes puídas de um inverno são.
Resta um pensamento enlutado
E uma estola de arminho pelada
Para desta janela te recordar viva.
Ainda ponho o jornal sobre o prato
E tu já não me fazes irritar.
Ah, levei o gato para casa de minha tia!
Vejo os pratos que empilho os dias todos
De semanas que prorrogam este lar
E desfaleço.
Volto a caminhar no mar de que tenho os mapas
E rotas há que só de noite me atrevo a percorrer,
Temor de azul que me fascina
Pelos perigos que se diriam simulados.
Chego ao porto.
Ancorado no velho sofá,
Preparo o tempo para um reveillon sempre adiado,
O sempre o mesmo smoking esfarrapado
Como as cordas das orquestras que se ouvem
Em sons de samba e bossa-nova.
Que aqui chegam ténues, os anos a passar (é meia-noite)
Sobre a tua campa.
1984
SG, "Dizeres do Sul", 1993
31/01/2008
30/01/2008
29/01/2008
Ora aí está
A minha ideia de Correia de Campos era a que aqui exprimi.
Um dos poucos com cabeça num governo acéfalo.
Não admira, pois, que saia.
Da ministra da Cultura, recordo apenas a sua figura, de capacete de protecção algo montagueano embora verde na cabeça e algures num descampado de Foz Coa, decerto receando que o céu lhe caísse em cima da cabeça. Que outra coisa não poderia ser.

imagem da RTP
post adendado e alindado com ilustração às 16:17
A minha ideia de Correia de Campos era a que aqui exprimi.
Um dos poucos com cabeça num governo acéfalo.
Não admira, pois, que saia.
Da ministra da Cultura, recordo apenas a sua figura, de capacete de protecção algo montagueano embora verde na cabeça e algures num descampado de Foz Coa, decerto receando que o céu lhe caísse em cima da cabeça. Que outra coisa não poderia ser.
imagem da RTP
post adendado e alindado com ilustração às 16:17
28/01/2008
A zona dos ribeirinhos
Quem é que pagámos*, quanto é que custou e para que é que serviu aquela apresentação musicada da frente ribeirinha de Lisboa, à qual uma empolgada jornalista chamou margem sul do Tejo?
* não é erro nem gralha, é mesmo preconceito.
** onde se ouve que "...será uma cidade mais vibrante, mais agradável!"
Quem é que pagámos*, quanto é que custou e para que é que serviu aquela apresentação musicada da frente ribeirinha de Lisboa, à qual uma empolgada jornalista chamou margem sul do Tejo?
* não é erro nem gralha, é mesmo preconceito.
** onde se ouve que "...será uma cidade mais vibrante, mais agradável!"
Os baleados da noite
Até agora, a sensação com que se fica a propósito da onda de mortes no Porto e destas duas últimas de Rio de Mouro é que não se perdeu nada.
Porém, isso só por si não justifica a impunidade com que estas coisas se vão repetindo. Com toda a gente a assobiar para o lado.
Nem isto começou com os casos do Porto nem se vê uma única medida eficaz para pôr na ordem o lúmpen.
Até agora, a sensação com que se fica a propósito da onda de mortes no Porto e destas duas últimas de Rio de Mouro é que não se perdeu nada.
Porém, isso só por si não justifica a impunidade com que estas coisas se vão repetindo. Com toda a gente a assobiar para o lado.
Nem isto começou com os casos do Porto nem se vê uma única medida eficaz para pôr na ordem o lúmpen.
Correcção de um erro
Disse aqui que os mapas que a Optimus e o Expresso oferecem há anos eram da responsabilidade - a julgar pelo verso dos ditos - do Guia Turístico do Norte, até 2005. E de 2006 em diante da Forways e que todos continham um erro de implantação da A2 na zona de Messejana.
Errei numa coisa e esse erro deve-se a ter presumido que o mapa de 2007 era igual aos de 2006 e 2008, por não o ter encontrado.
Não é. É da autoria da Turinta e está correcto na zona de Messejana.
O que torna ainda mais bizarro que o erro, depois de finalmente corrigido em 2007, regresse em 2008.
De qualquer forma penitencio-me pela precipitação e peço desculpa por isso.
Disse aqui que os mapas que a Optimus e o Expresso oferecem há anos eram da responsabilidade - a julgar pelo verso dos ditos - do Guia Turístico do Norte, até 2005. E de 2006 em diante da Forways e que todos continham um erro de implantação da A2 na zona de Messejana.
Errei numa coisa e esse erro deve-se a ter presumido que o mapa de 2007 era igual aos de 2006 e 2008, por não o ter encontrado.
Não é. É da autoria da Turinta e está correcto na zona de Messejana.
O que torna ainda mais bizarro que o erro, depois de finalmente corrigido em 2007, regresse em 2008.
De qualquer forma penitencio-me pela precipitação e peço desculpa por isso.
26/01/2008
A cavalo dado
Eu sei que a cavalo dado não se olha o dente.
Porém, há casos em que o descaso é tal que merece que se contrarie a máxima e se perca um pouco de tempo com a coisa.
Há já uns anos que o Expresso e a Optimus oferecem um mapa de estradas de Portugal.
Reparei há seis anos, no primeiro que obtive, que a A2 estava mal implantada na zona de Messejana. Quando ela na realidade passa a nascente de Messejana, figura no dito mapa como passando a poente da dita vila.
Há pouco abri o dito mapa, na sua versão de 2008, ainda quentinho. O erro persiste. Anos volvidos.
Pergunto-me se um erro destes é filho único ou está multiplicado pelo mapa. Não conheço a rede a um pormenor tal que possa avaliar o mapa em toda a sua extensão.
Um descaso destes é um sinal dos tempos que correm. Em que tudo é feito sem cuidado, à pressa, em cima do joelho.

A autoria dos mapas é, pelas indicações do verso, do Guia Turístico do Norte, até 2005.
De 2006 em diante é da Forways.
Eu sei que a cavalo dado não se olha o dente.
Porém, há casos em que o descaso é tal que merece que se contrarie a máxima e se perca um pouco de tempo com a coisa.
Há já uns anos que o Expresso e a Optimus oferecem um mapa de estradas de Portugal.
Reparei há seis anos, no primeiro que obtive, que a A2 estava mal implantada na zona de Messejana. Quando ela na realidade passa a nascente de Messejana, figura no dito mapa como passando a poente da dita vila.
Há pouco abri o dito mapa, na sua versão de 2008, ainda quentinho. O erro persiste. Anos volvidos.
Pergunto-me se um erro destes é filho único ou está multiplicado pelo mapa. Não conheço a rede a um pormenor tal que possa avaliar o mapa em toda a sua extensão.
Um descaso destes é um sinal dos tempos que correm. Em que tudo é feito sem cuidado, à pressa, em cima do joelho.
A autoria dos mapas é, pelas indicações do verso, do Guia Turístico do Norte, até 2005.
De 2006 em diante é da Forways.
24/01/2008
O carnaval chinês
Não posso dizer que o Carnaval me apanhou este ano outra vez desprevenido.
As bombinhas de carnaval com que a polícia houve entretenga alertaram-me para os perigos da época.
Há pouco, imerso nos densamente povoados corredores de um bazar chinês (eu gostava de saber qual é a palavra ocidental que traduz do chinês este conceito), o segundo toque foi quando me detive nos bruxuleantes chapéus cónicos de aba larga e nas mui douradas coroas reais, perladas e rubicadas.
Já não me espantei depois de ver a sorte de nassas e de ardilosos apetrechos, misturada com um mundo de disfarces que a montra, olhada de dentro, me proporcionou.
Ao sair, qualquer coisa se soltou cá das gavetas e das coroas que antes vira, divisei os contornos da minha.
A minha coroa.
Um objecto sobre o qual eu tenho a plebeia certeza de que, para além do uso real a que o consagrei, há muitos e muitos anos, teve uma outra função antes de ser abandonado num canto da garagem da casa da vila. De onde o reergui para os mais altos significados e honras.
Não sei ainda hoje qual foi essa função. Coisa de rústico mal informado, de terratenente displicente, de sonhador com os pés no alqueve.
Ou não.
Talvez a sua função nada tivesse a ver com a vida montanheira.
Alguém me dá uma pista? Sem me pregar uma partida de carnaval?

clique aqui para ver a ficha técnica.
a pistola do Bafo-de-Onça está aqui na gaveta de honra da secretária – a de cima à direita.
Não posso dizer que o Carnaval me apanhou este ano outra vez desprevenido.
As bombinhas de carnaval com que a polícia houve entretenga alertaram-me para os perigos da época.
Há pouco, imerso nos densamente povoados corredores de um bazar chinês (eu gostava de saber qual é a palavra ocidental que traduz do chinês este conceito), o segundo toque foi quando me detive nos bruxuleantes chapéus cónicos de aba larga e nas mui douradas coroas reais, perladas e rubicadas.
Já não me espantei depois de ver a sorte de nassas e de ardilosos apetrechos, misturada com um mundo de disfarces que a montra, olhada de dentro, me proporcionou.
Ao sair, qualquer coisa se soltou cá das gavetas e das coroas que antes vira, divisei os contornos da minha.
A minha coroa.
Um objecto sobre o qual eu tenho a plebeia certeza de que, para além do uso real a que o consagrei, há muitos e muitos anos, teve uma outra função antes de ser abandonado num canto da garagem da casa da vila. De onde o reergui para os mais altos significados e honras.
Não sei ainda hoje qual foi essa função. Coisa de rústico mal informado, de terratenente displicente, de sonhador com os pés no alqueve.
Ou não.
Talvez a sua função nada tivesse a ver com a vida montanheira.
Alguém me dá uma pista? Sem me pregar uma partida de carnaval?
clique aqui para ver a ficha técnica.
a pistola do Bafo-de-Onça está aqui na gaveta de honra da secretária – a de cima à direita.
23/01/2008
22/01/2008
21/01/2008
O zénite do gineceu
Ando há algum tempo – o tempo que decorreu desde o ponto de serena idade – a dar comigo a tentar equacionar o deslumbre do gineceu.
No momento seguinte, dou-me conta da quantidade de variáveis a considerar em tal equação e abstenho-me de continuar. Até à próxima recaída.
Aqui e ali, ainda consinto a presença de terceiros nesta perquisição. Sai-me um há certas mulheres que atingem o auge na alta maturidade, outras na mais leda adolescência.
Como se o auge fosse absoluto e não dependesse do ponto de vista do observador.
Poucas coisas há na vida em que eu tenha em menos conta a opinião de terceiros do que esta – a beleza das fêmeas da espécie. Sendo certo que em poucas coisas tenho a conta a opinião alheia e que, ainda nesta, há casos em que... Ou havia. O caso de algum dizer quem tem uma irmã muita... é fulano de tal. Ou todos os outros que proporcionavam meras pistas a seguir.
Tentei, pois, com exclusiva base na minha observação, traçar gráficos de deslumbre para algumas das mais interessantes fêmeas que me foi dado conhecer num intervalo de tempo em que a probabilidade de ter o dito deslumbre atingido o seu zénite – o ponto de inflexão máximo da dita função – era elevadíssima.
O problema acessório que se põe é que o olhar do observador também percorre uma linha. É ele próprio função do tempo.
Ainda não encontrei uma equação descritiva de tal. Mas procuro-a.
Pergunto-me que coisas mais descobrirei, em função disso, no dia em que uma equação se adaptar a tal evolução.
Ando há algum tempo – o tempo que decorreu desde o ponto de serena idade – a dar comigo a tentar equacionar o deslumbre do gineceu.
No momento seguinte, dou-me conta da quantidade de variáveis a considerar em tal equação e abstenho-me de continuar. Até à próxima recaída.
Aqui e ali, ainda consinto a presença de terceiros nesta perquisição. Sai-me um há certas mulheres que atingem o auge na alta maturidade, outras na mais leda adolescência.
Como se o auge fosse absoluto e não dependesse do ponto de vista do observador.
Poucas coisas há na vida em que eu tenha em menos conta a opinião de terceiros do que esta – a beleza das fêmeas da espécie. Sendo certo que em poucas coisas tenho a conta a opinião alheia e que, ainda nesta, há casos em que... Ou havia. O caso de algum dizer quem tem uma irmã muita... é fulano de tal. Ou todos os outros que proporcionavam meras pistas a seguir.
Tentei, pois, com exclusiva base na minha observação, traçar gráficos de deslumbre para algumas das mais interessantes fêmeas que me foi dado conhecer num intervalo de tempo em que a probabilidade de ter o dito deslumbre atingido o seu zénite – o ponto de inflexão máximo da dita função – era elevadíssima.
O problema acessório que se põe é que o olhar do observador também percorre uma linha. É ele próprio função do tempo.
Ainda não encontrei uma equação descritiva de tal. Mas procuro-a.
Pergunto-me que coisas mais descobrirei, em função disso, no dia em que uma equação se adaptar a tal evolução.
18/01/2008
Afinal o cheiro
Ainda suscita mais umas questões.
A que horas é que a direcção da faculdade de Farmácia comunicou às autoridades o conhecimento que tinha do derrame do tiol (se era de facto tiol)?
E depois dessa comunicação, quanto tempo ainda durou o arraial das investigações?
E, já agora, qual terá sido a quantidade derramada?
Da resposta à segunda questão depende a avaliação da resposta a problemas deste tipo, a forma como as coisas são coordenadas, etc.
Ainda suscita mais umas questões.
A que horas é que a direcção da faculdade de Farmácia comunicou às autoridades o conhecimento que tinha do derrame do tiol (se era de facto tiol)?
E depois dessa comunicação, quanto tempo ainda durou o arraial das investigações?
E, já agora, qual terá sido a quantidade derramada?
Da resposta à segunda questão depende a avaliação da resposta a problemas deste tipo, a forma como as coisas são coordenadas, etc.
17/01/2008
O ordenamento do território
Por que é que eu tenho esta sensação de que a maioria dos que enchem a boca com o ordenamento do território se interrogados sobre o que isso é, do que é que trata, não saberiam responder?
Normalmente acontece com as pessoas que enchem muito a boca com um conceito qualquer.
Aproveito para dizer que eu não sei o que é o ordenamento do território. E que também tenho a noção de que quando as pessoas nada sabem de um assunto tendem a pensar que ninguém afinal sabe nada sobre tal.
Por que é que eu tenho esta sensação de que a maioria dos que enchem a boca com o ordenamento do território se interrogados sobre o que isso é, do que é que trata, não saberiam responder?
Normalmente acontece com as pessoas que enchem muito a boca com um conceito qualquer.
Aproveito para dizer que eu não sei o que é o ordenamento do território. E que também tenho a noção de que quando as pessoas nada sabem de um assunto tendem a pensar que ninguém afinal sabe nada sobre tal.
Esta história do cheiro
Que anda há horas e horas a dar que fazer aos bombeiros em Lisboa deixa pelo menos três dados curiosos.
A crer no que se disse aqui e ali.
O primeiro é que tenha sido por tanta gente confundido o cheiro dito de gás com o cheiro a enxofre.
O segundo é que um frasco possa conter uma quantidade tal de uma substância que cheire tão intensa e persistentemente e numa área tão vasta.
O terceiro é que removido o frasco ainda se ande à procura da fonte da contaminação.
Que anda há horas e horas a dar que fazer aos bombeiros em Lisboa deixa pelo menos três dados curiosos.
A crer no que se disse aqui e ali.
O primeiro é que tenha sido por tanta gente confundido o cheiro dito de gás com o cheiro a enxofre.
O segundo é que um frasco possa conter uma quantidade tal de uma substância que cheire tão intensa e persistentemente e numa área tão vasta.
O terceiro é que removido o frasco ainda se ande à procura da fonte da contaminação.
16/01/2008
Triste espectáculo
Para além da qualidade dos raciocínios expendidos, para além dos ricochetes que a palavra arrogância fez na madeira que parece encerada, ainda se vê no final este triste espectáculo de um sistema electrónico de carregar pela boca – pois a coisa é feita à zona, como se constata pelo resultado para ali erradamente metido – sistema que na certa nos custou os olhos da cara.
Tanta incompetência não admira. É a reflexão na dita madeira do brilho dos sentantes.

imagem da AR tv
Para além da qualidade dos raciocínios expendidos, para além dos ricochetes que a palavra arrogância fez na madeira que parece encerada, ainda se vê no final este triste espectáculo de um sistema electrónico de carregar pela boca – pois a coisa é feita à zona, como se constata pelo resultado para ali erradamente metido – sistema que na certa nos custou os olhos da cara.
Tanta incompetência não admira. É a reflexão na dita madeira do brilho dos sentantes.
imagem da AR tv
15/01/2008
A voz do Gazcidla

imagem do arquivo da RTP
Fui dar àquela sede de concelho alentejana, por via de algum espectáculo desportivo que teria a ver com bicicletas. A bem dizer, não sei se seriam bicicletas ao certo. Era um espectáculo viário sim, que passou efémero e nebuloso porque não fiquei a saber o que era, mas devia ter ao certo muita gente na caravana, dada a importância que assumia e ninguém a assistir.
Porque a assistir, assim parece, ao fundo daquela rampa que virava à direita, na subida, eu distinguia vagamente uma igreja em obras ou a carecer delas e que eu vagamente julguei reconhecer, disse para mim Aljustrel mas em Aljustrel não há nada parecido. Eu não sabia onde estava, fora para ali levado pelo tal fenómeno desportivo e não sabia onde estava. E a assistir, dizia, apenas vi um homem de preto, acho que com uma bóina, preto ou daqueles azuis escuros, arroxeados, castanhos, que parecem pretos ao longe, no verão. O homem ou teria bóina ou tinha o cabelo preto, vinha a andar para mim devagar e eu para ele, na esperança de ver parte da caravana ainda ou de reconhecer mais um sinal qualquer da povoação.
Compete dizer que isto decorria aos alvores, antes do nascer do sol mas já com luz suficiente para se dizer que era dia.
É quando um tipo de motorizada, que descia a dita rampa, ladeira digo, faz um esse para cima dele e de mim, o homem assusta-se e diz qualquer coisa ao outro e ele responde.
Soalheirinha, ou melhor Soeirinha, Soeirinha.
Foi um nome que eu vi em qualquer lado ou na moto ou no homem ou no capacete do homem, mas não sei como é que o vi. Decerto Soeirinha e a sua moto não seriam estranhos ao homem de preto, que com um sorriso me disse logo ser meu cúmplice. Mas não me apertou a mão. Dirigiu-se a uma espécie de triciclo do gás, eu digo que era do gás porque é importante dizer que era do gás, e disse-me então quando é que aparece ou uma coisa do género, pressupondo um conhecimento nosso anterior. Eu não respondi, julgando... tendo a certeza de que não conhecia o homem e que não podia ter compromisso com ele nenhum.
Aqui, ele pega no seu triciclo, julgo que dá uma meia-volta e diz mais qualquer coisa do género, talvez protegido por uma flama Gazcidla ou por uma flama azul e vermelha que se via... azul, branca e vermelha que se via numa esquina – então já não vende Gazcidla? – e eu respondi com ar galhofeiro: Não, desse já não vendo há muito tempo, agora só se fôr Galp. O homem riu-se e estacionou o triciclo numa rua que parecia principal* e que descia. Estacionou, creio, em sentido contrário. Saiu do triciclo e entrou rápido numa porta onde se subiam dois ou três degraus até uma loja. Segui-o, mais por galhofa do que por outra coisa qualquer. Ele perguntou-me assim: Atão o gás? Não me traz o gás? E eu disse-lhe: Não vendo gás. O senhor está a confundir com outra pessoa qualquer. Eu sou da charneca, como se isso me ilibasse de fornecer-lhe gás. Ele olhou para mim e nada disse. Mas diga-me uma coisa - disse eu - sou assim tão parecido com o indivíduo que o senhor espera? Ele respondeu: Não. Não sei, eu conheci-o pela voz. Pela voz? Sim, o caso é que eu estava de férias e sabendo que não tinha gás, telefonei para tal sítio e falei consigo. Consigo não, com o outro e pedi uma garrafa de gás. E que viessem arranjar uma coisa, que eu tenho aqui um problema. E reconheci-o pela voz hoje, pensei que era você. Ele antes disso tinha-me perguntado antes de entrar na loja, onde é que eu tinha deixado o carro. E o carro estava atrás de um outro nessa rua, um pouco mais para lá. Acho que eram só os dois que se viam nessa rua, só que o carro estava mesmo atrás do outro, não se via dali bem.
Então ele riu-se, percebeu finalmente que havia ali um engano de vozes, não fez referência nenhuma ao facto de eu conhecer o Soeirinha, de eu ser da charneca, de o meu sotaque ser parecido com o dele, e estava já a vender pregos a alguém, assim os tais três degraus acima de mim. Era sobranceiro. Quando a mulher dele, assim com muito bom aspecto, de óculos, uma senhora realmente com muito bom aspecto, muito educada, não era bonita, não era bem feita, tinha muito bom aspecto, talvez bonomia, uns óculos de massa, pretos, o cabelo ligeiramente desgrenhado, preto, uma roupa escura, preta, uma pele morena, disse um sonoro e sincero muito obrigado, senhor Manel. E eu saí da loja para não mais voltar. E ainda não sei em que sede de concelho alentejano estive.
Nem como fui conhecido pela voz sem abrir a boca.

* assim como a rua Infante Dom Henrique em Portimão.
imagem do arquivo da RTP
Fui dar àquela sede de concelho alentejana, por via de algum espectáculo desportivo que teria a ver com bicicletas. A bem dizer, não sei se seriam bicicletas ao certo. Era um espectáculo viário sim, que passou efémero e nebuloso porque não fiquei a saber o que era, mas devia ter ao certo muita gente na caravana, dada a importância que assumia e ninguém a assistir.
Porque a assistir, assim parece, ao fundo daquela rampa que virava à direita, na subida, eu distinguia vagamente uma igreja em obras ou a carecer delas e que eu vagamente julguei reconhecer, disse para mim Aljustrel mas em Aljustrel não há nada parecido. Eu não sabia onde estava, fora para ali levado pelo tal fenómeno desportivo e não sabia onde estava. E a assistir, dizia, apenas vi um homem de preto, acho que com uma bóina, preto ou daqueles azuis escuros, arroxeados, castanhos, que parecem pretos ao longe, no verão. O homem ou teria bóina ou tinha o cabelo preto, vinha a andar para mim devagar e eu para ele, na esperança de ver parte da caravana ainda ou de reconhecer mais um sinal qualquer da povoação.
Compete dizer que isto decorria aos alvores, antes do nascer do sol mas já com luz suficiente para se dizer que era dia.
É quando um tipo de motorizada, que descia a dita rampa, ladeira digo, faz um esse para cima dele e de mim, o homem assusta-se e diz qualquer coisa ao outro e ele responde.
Soalheirinha, ou melhor Soeirinha, Soeirinha.
Foi um nome que eu vi em qualquer lado ou na moto ou no homem ou no capacete do homem, mas não sei como é que o vi. Decerto Soeirinha e a sua moto não seriam estranhos ao homem de preto, que com um sorriso me disse logo ser meu cúmplice. Mas não me apertou a mão. Dirigiu-se a uma espécie de triciclo do gás, eu digo que era do gás porque é importante dizer que era do gás, e disse-me então quando é que aparece ou uma coisa do género, pressupondo um conhecimento nosso anterior. Eu não respondi, julgando... tendo a certeza de que não conhecia o homem e que não podia ter compromisso com ele nenhum.
Aqui, ele pega no seu triciclo, julgo que dá uma meia-volta e diz mais qualquer coisa do género, talvez protegido por uma flama Gazcidla ou por uma flama azul e vermelha que se via... azul, branca e vermelha que se via numa esquina – então já não vende Gazcidla? – e eu respondi com ar galhofeiro: Não, desse já não vendo há muito tempo, agora só se fôr Galp. O homem riu-se e estacionou o triciclo numa rua que parecia principal* e que descia. Estacionou, creio, em sentido contrário. Saiu do triciclo e entrou rápido numa porta onde se subiam dois ou três degraus até uma loja. Segui-o, mais por galhofa do que por outra coisa qualquer. Ele perguntou-me assim: Atão o gás? Não me traz o gás? E eu disse-lhe: Não vendo gás. O senhor está a confundir com outra pessoa qualquer. Eu sou da charneca, como se isso me ilibasse de fornecer-lhe gás. Ele olhou para mim e nada disse. Mas diga-me uma coisa - disse eu - sou assim tão parecido com o indivíduo que o senhor espera? Ele respondeu: Não. Não sei, eu conheci-o pela voz. Pela voz? Sim, o caso é que eu estava de férias e sabendo que não tinha gás, telefonei para tal sítio e falei consigo. Consigo não, com o outro e pedi uma garrafa de gás. E que viessem arranjar uma coisa, que eu tenho aqui um problema. E reconheci-o pela voz hoje, pensei que era você. Ele antes disso tinha-me perguntado antes de entrar na loja, onde é que eu tinha deixado o carro. E o carro estava atrás de um outro nessa rua, um pouco mais para lá. Acho que eram só os dois que se viam nessa rua, só que o carro estava mesmo atrás do outro, não se via dali bem.
Então ele riu-se, percebeu finalmente que havia ali um engano de vozes, não fez referência nenhuma ao facto de eu conhecer o Soeirinha, de eu ser da charneca, de o meu sotaque ser parecido com o dele, e estava já a vender pregos a alguém, assim os tais três degraus acima de mim. Era sobranceiro. Quando a mulher dele, assim com muito bom aspecto, de óculos, uma senhora realmente com muito bom aspecto, muito educada, não era bonita, não era bem feita, tinha muito bom aspecto, talvez bonomia, uns óculos de massa, pretos, o cabelo ligeiramente desgrenhado, preto, uma roupa escura, preta, uma pele morena, disse um sonoro e sincero muito obrigado, senhor Manel. E eu saí da loja para não mais voltar. E ainda não sei em que sede de concelho alentejano estive.
Nem como fui conhecido pela voz sem abrir a boca.
* assim como a rua Infante Dom Henrique em Portimão.
14/01/2008
Diametralmente opostos
Duma coisa estou quase certo: não estava em posição que se pudesse vulgarmente dizer diametralmente oposta à daquela senhora.
Mas sabemos todos que dados dois pontos quaisquer, o ponto médio do segmento de recta por eles definido é o centro de uma circunferência da qual esse segmento é diâmetro e os ditos pontos são assim diametralmente opostos. Era uma questão de escolher dois pontos, um na senhora outro em mim. Mas não era questão que se pusesse.
De resto, afianço que até não tinha dado por ela, tapada que estava por alguém que se intrometia entre nós.
Só depois de eu ter terminado a minha oração sobre pontos que tais é que lhe ouvi a voz.
Intrometeu-se na minha finalização de caso e tratou de contar uma história que metia belgas e a linha que divide a Flandres da Valónia e na qual se dizia que um flamengo tinha uma visão diametralmente oposta à de um valão. E depois um francês – acho que era um francês, que bem podia ser de outro país qualquer limítrofe, que dizia que a sua opinião era oposta à dos outros dois.
E esta senhora, com esta intromissão, pretendeu criar um problema irresolúvel graficamente. Eu depois disse que o tinha resolvido. Assim com uma chicoesperteza que me pareceu logo ser de mau tom explicar, uma vez que sendo aldrabada, ofendia a inteligência da dona.
Resolvi tossir.
Duma coisa estou quase certo: não estava em posição que se pudesse vulgarmente dizer diametralmente oposta à daquela senhora.
Mas sabemos todos que dados dois pontos quaisquer, o ponto médio do segmento de recta por eles definido é o centro de uma circunferência da qual esse segmento é diâmetro e os ditos pontos são assim diametralmente opostos. Era uma questão de escolher dois pontos, um na senhora outro em mim. Mas não era questão que se pusesse.
De resto, afianço que até não tinha dado por ela, tapada que estava por alguém que se intrometia entre nós.
Só depois de eu ter terminado a minha oração sobre pontos que tais é que lhe ouvi a voz.
Intrometeu-se na minha finalização de caso e tratou de contar uma história que metia belgas e a linha que divide a Flandres da Valónia e na qual se dizia que um flamengo tinha uma visão diametralmente oposta à de um valão. E depois um francês – acho que era um francês, que bem podia ser de outro país qualquer limítrofe, que dizia que a sua opinião era oposta à dos outros dois.
E esta senhora, com esta intromissão, pretendeu criar um problema irresolúvel graficamente. Eu depois disse que o tinha resolvido. Assim com uma chicoesperteza que me pareceu logo ser de mau tom explicar, uma vez que sendo aldrabada, ofendia a inteligência da dona.
Resolvi tossir.
13/01/2008
Mais uma
Não sei se é mera infantilidade se falta de tarola.
Clique na imagem e atente na data em que foi tirada e no nome do autor.
Depois veja este post.
Não sei se é mera infantilidade se falta de tarola.
Clique na imagem e atente na data em que foi tirada e no nome do autor.
Depois veja este post.
11/01/2008
10/01/2008
Sobre um ninho de cucos
De decisões preliminares está o inferno, digo o espaço aéreo, cheio.
Ainda assim, fica este governo, por ora, conhecido por ter decidido tomar uma decisão ("decidiu tomar uma decisão" - sic) que soa acertada. Parabéns!
Sendo uma ocasião rara, saúdo-a.
Como já aqui tinha dito, no auge da polémica – 5 dias depois do deserto – em toda a minha infância ouvi falar da ponte do Montijo (Beato – Montijo) e do aeroporto em Rio Frio.
A ponte está lá desde 98. Com o encontro noroeste mais a montante, em Sacavém.
Se o aeroporto fôr enfim construído onde agora se diz, não ficará longe de Rio Frio. Uma insignificância, comparando a distância com a dimensão da empresa.
Esta decisão preliminar não dá nenhuma certeza. Este processo já semelha o da decisão da primeira ponte sobre o Tejo em Lisboa e o do metro do Porto, que se arrastaram por décadas. Isto num país em que há um templo que demorou quase três séculos a ser concluído.
Mas diz-me que, em tese, quem assim me mostrava o que o futuro traria, não me enganou. A quarenta e tais anos de vista havia muita gente que já tinha percebido isto mesmo.

(clique para aceder ao relatório)
corrigido e acrescentado a 11 JAN. pelas 0:05
De decisões preliminares está o inferno, digo o espaço aéreo, cheio.
Ainda assim, fica este governo, por ora, conhecido por ter decidido tomar uma decisão ("decidiu tomar uma decisão" - sic) que soa acertada. Parabéns!
Sendo uma ocasião rara, saúdo-a.
Como já aqui tinha dito, no auge da polémica – 5 dias depois do deserto – em toda a minha infância ouvi falar da ponte do Montijo (Beato – Montijo) e do aeroporto em Rio Frio.
A ponte está lá desde 98. Com o encontro noroeste mais a montante, em Sacavém.
Se o aeroporto fôr enfim construído onde agora se diz, não ficará longe de Rio Frio. Uma insignificância, comparando a distância com a dimensão da empresa.
Esta decisão preliminar não dá nenhuma certeza. Este processo já semelha o da decisão da primeira ponte sobre o Tejo em Lisboa e o do metro do Porto, que se arrastaram por décadas. Isto num país em que há um templo que demorou quase três séculos a ser concluído.
Mas diz-me que, em tese, quem assim me mostrava o que o futuro traria, não me enganou. A quarenta e tais anos de vista havia muita gente que já tinha percebido isto mesmo.
(clique para aceder ao relatório)
corrigido e acrescentado a 11 JAN. pelas 0:05
09/01/2008
O homem duplicado
(ou o tradicional post das 3:05)
Quando peguei no livro de Saramago, não tinha a menor ideia do que lá estava escrito. Coisa que, creio, não me tinha acontecido com os outros livros que lera dele.
Foi assim intensamente que logo ao início recordei a exacta experiência que ele lá descreve.
E é uma experiência vertiginosa. Actua seguramente sobre o cérebro duma forma semelhante à visão abrupta do abismo.
Experimenta-se a incapacidade de ordenar o universo. Ou de o contemplar com a ordem conhecida.
Ainda hoje não sei quem é o tipo da foto.
Suspeito que se chama António, que lhe chamavam Tóninho, que já morou em Sintra, que tinha há 30 anos uma namorada muito vistosa e que gostava de ralis.
Tudo isto sei-o, dito por umas quantas pessoas que não conhecia até se me dirigirem, tomando-me por ele. Se não sei mais, por via delas, vejo-o agora, foi porque o interesse que então me suscitava era escasso, para surpresa dos próprios interlocutores.
Parece que se acentuou, com a idade. O interesse.
(ou o tradicional post das 3:05)
Quando peguei no livro de Saramago, não tinha a menor ideia do que lá estava escrito. Coisa que, creio, não me tinha acontecido com os outros livros que lera dele.
Foi assim intensamente que logo ao início recordei a exacta experiência que ele lá descreve.
E é uma experiência vertiginosa. Actua seguramente sobre o cérebro duma forma semelhante à visão abrupta do abismo.
Experimenta-se a incapacidade de ordenar o universo. Ou de o contemplar com a ordem conhecida.
Ainda hoje não sei quem é o tipo da foto.
Suspeito que se chama António, que lhe chamavam Tóninho, que já morou em Sintra, que tinha há 30 anos uma namorada muito vistosa e que gostava de ralis.
Tudo isto sei-o, dito por umas quantas pessoas que não conhecia até se me dirigirem, tomando-me por ele. Se não sei mais, por via delas, vejo-o agora, foi porque o interesse que então me suscitava era escasso, para surpresa dos próprios interlocutores.
Parece que se acentuou, com a idade. O interesse.
08/01/2008
07/01/2008
06/01/2008
Os cigarros alheios é que fazem muito mal
A primeira vez que me apareceu um simples no écran alegando que nada poderia ter feito para evitar o desastre, porque já estava tudo parado, data do tempo em que as televisões começaram a dar importância aos directos de acidentes de trânsito. Há mais de uma década.
Esse simples era motorista profissional, presume-se, dado que conduzia um pesado de passageiros e matou nessa ocasião duas pessoas por não ter conseguido parar, numa auto-estrada, sem embater numa fila de carros parados.
Suponho que ainda conduza, nada o impede de. Se assim fôr e dado que ainda é impossível embutir discernimento em cabeças como a dele, há algumas probabilidades de que volte a matar, se as circunstâncias o proporcionarem.
Nestes últimos dias, já por duas vezes mais desde o post de 30 de Dezembro, que assisto a outros simples, com o ar mais natural deste mundo, a atribuírem a responsabilidade dos seus embates aos que já estão enfeixados, às más condições do piso, ao nevoeiro e à falta de atrito que o gelo origina.
Não vão perceber que a responsabilidade é deles até a companhia de seguros os acordar. O discernimento ou a ausência dele, não lhes permite tal. Por isso são tão espontâneos face às câmaras.
As autoridades sabem que a maior parte dos acidentes não se deve ao álcool – apenas 4,3% dos condutores testados por envolvimento em acidente apresentaram em 2006 taxas de álcool superiores ao limite legal (cf. relatório da antiga DGV – pág. 108, quadro 5).
Devem ter uma ideia de que, para além da tão apregoada falta de civismo, que existe claro e lhe está associada, é a falta de discernimento e a incapacidade de manobrar um automóvel que estão na base dos excessos de velocidade (dentro ou fora dos limites estabelecidos), das manobras arriscadas, do descontrolo da máquina. O mesmo relatório (pág. 64) atribui como causas que vitimaram 27% dos condutores, a velocidade excessiva e as manobras irregulares - o grosso das causas identificadas. 62% das vítimas ao volante ainda resulta de acidentes com causas desconhecidas.
Sobre isto, basta ter uma ideia de quem faz os autos dos acidentes para se saber o valor que esta informação tem, mas é a que existe.
Face a isso, a grande medida, para além de uma apregoado agravamento das penas de inibição, é a antecipação da revisão dos condutores vulgares dos 65 para os 50 anos.
Nada contra estas medidas em particular. Aliás, o adiamento dos 40 para os 65 foi mais uma das medidas que alguém tomou há umas décadas atrás, que só se justifica por puro facilitismo ou por reconhecimento da ineficácia de tal renovação.
Mas pensarão os que assim decidiram, que serve hoje para alguma coisa, para além de recolher mais uns cobres, antecipar esse prazo? Serviria, se fossem efectivas tais inspecções.
Atente-se, por exemplo, no número de condutores com mais de 65 anos, logo já sujeitos a exame médico, que andam em sentido contrário nas auto-estradas.
E qual é o número anual de condutores definitivamente impedidos de conduzir, por incapacidade? Alguém o conhece?
Pode impedir-se os simples de cometerem atrocidades na estrada? Não. A menos que se acabe com o trânsito, é claro.
Mas pode cassar-se de uma vez por todas a carta aos incapazes. Pode ser-se exigente no parâmetro do discernimento com os candidatos a condutores. E, por último, é possível amedrontá-los com penas de prisão em caso de provocarem a morte ou a incapacidade, quando ao volante.
Num tempo em que a sociedade enveredou por uma super-protecção dos individuos, da qual é exemplo a lei do tabaco, parece estranho que se ignore esta causa de morte e se insista em procurar em razões outras – o álcool, por exemplo – a causa dos acidentes.
Não se percebe assim que se proíbam os fumadores de frequentar ambientes onde o incómodo e o prejuízo que causam é infinitamente menor do que um homicídio ao volante e se permita que os homicidas continuem nas vias públicas.
Os fumadores não estão proibidos de frequentar tais lugares – não podem é lá fumar.
Da mesma maneira, não se proibiriam os homicidas do volante de andarem na estrada – não poderiam é ir com ele, volante, nas mãos.
A primeira vez que me apareceu um simples no écran alegando que nada poderia ter feito para evitar o desastre, porque já estava tudo parado, data do tempo em que as televisões começaram a dar importância aos directos de acidentes de trânsito. Há mais de uma década.
Esse simples era motorista profissional, presume-se, dado que conduzia um pesado de passageiros e matou nessa ocasião duas pessoas por não ter conseguido parar, numa auto-estrada, sem embater numa fila de carros parados.
Suponho que ainda conduza, nada o impede de. Se assim fôr e dado que ainda é impossível embutir discernimento em cabeças como a dele, há algumas probabilidades de que volte a matar, se as circunstâncias o proporcionarem.
Nestes últimos dias, já por duas vezes mais desde o post de 30 de Dezembro, que assisto a outros simples, com o ar mais natural deste mundo, a atribuírem a responsabilidade dos seus embates aos que já estão enfeixados, às más condições do piso, ao nevoeiro e à falta de atrito que o gelo origina.
Não vão perceber que a responsabilidade é deles até a companhia de seguros os acordar. O discernimento ou a ausência dele, não lhes permite tal. Por isso são tão espontâneos face às câmaras.
As autoridades sabem que a maior parte dos acidentes não se deve ao álcool – apenas 4,3% dos condutores testados por envolvimento em acidente apresentaram em 2006 taxas de álcool superiores ao limite legal (cf. relatório da antiga DGV – pág. 108, quadro 5).
Devem ter uma ideia de que, para além da tão apregoada falta de civismo, que existe claro e lhe está associada, é a falta de discernimento e a incapacidade de manobrar um automóvel que estão na base dos excessos de velocidade (dentro ou fora dos limites estabelecidos), das manobras arriscadas, do descontrolo da máquina. O mesmo relatório (pág. 64) atribui como causas que vitimaram 27% dos condutores, a velocidade excessiva e as manobras irregulares - o grosso das causas identificadas. 62% das vítimas ao volante ainda resulta de acidentes com causas desconhecidas.
Sobre isto, basta ter uma ideia de quem faz os autos dos acidentes para se saber o valor que esta informação tem, mas é a que existe.
Face a isso, a grande medida, para além de uma apregoado agravamento das penas de inibição, é a antecipação da revisão dos condutores vulgares dos 65 para os 50 anos.
Nada contra estas medidas em particular. Aliás, o adiamento dos 40 para os 65 foi mais uma das medidas que alguém tomou há umas décadas atrás, que só se justifica por puro facilitismo ou por reconhecimento da ineficácia de tal renovação.
Mas pensarão os que assim decidiram, que serve hoje para alguma coisa, para além de recolher mais uns cobres, antecipar esse prazo? Serviria, se fossem efectivas tais inspecções.
Atente-se, por exemplo, no número de condutores com mais de 65 anos, logo já sujeitos a exame médico, que andam em sentido contrário nas auto-estradas.
E qual é o número anual de condutores definitivamente impedidos de conduzir, por incapacidade? Alguém o conhece?
Pode impedir-se os simples de cometerem atrocidades na estrada? Não. A menos que se acabe com o trânsito, é claro.
Mas pode cassar-se de uma vez por todas a carta aos incapazes. Pode ser-se exigente no parâmetro do discernimento com os candidatos a condutores. E, por último, é possível amedrontá-los com penas de prisão em caso de provocarem a morte ou a incapacidade, quando ao volante.
Num tempo em que a sociedade enveredou por uma super-protecção dos individuos, da qual é exemplo a lei do tabaco, parece estranho que se ignore esta causa de morte e se insista em procurar em razões outras – o álcool, por exemplo – a causa dos acidentes.
Não se percebe assim que se proíbam os fumadores de frequentar ambientes onde o incómodo e o prejuízo que causam é infinitamente menor do que um homicídio ao volante e se permita que os homicidas continuem nas vias públicas.
Os fumadores não estão proibidos de frequentar tais lugares – não podem é lá fumar.
Da mesma maneira, não se proibiriam os homicidas do volante de andarem na estrada – não poderiam é ir com ele, volante, nas mãos.
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