29/03/2008
A empena desportiva
Ao ouvir um destes dias falar em “verdade desportiva” ocorreu-me que não há hoje (ou a minha ignorância não me permite sabê-lo) uma palavra que signifique o desporto tal como ele era.
Usando o bom português de antanho talvez pudéssemos ir por folga, folgança, folguedo.
O caso é que não se pode usar desporto para significar desporto.
Um destes dias fui surpreendido por um casal a fotografar uma rua. O enquadramento era alto pelo que a parte feminina do dito casal entendeu que eu lhe fotografava a empena do prédio, interpelando-me a propósito. Quando lhe disse que não tinha nada a ver com obras ou com orçamentos, quis saber por que raio lhe fotografava então a empena.
Por desporto, minha senhora.
E ela: Humpf! Por desporto!...
Acho que lhe adivinhei a resposta, pois já a recebi de costas.
Ao ouvir um destes dias falar em “verdade desportiva” ocorreu-me que não há hoje (ou a minha ignorância não me permite sabê-lo) uma palavra que signifique o desporto tal como ele era.
Usando o bom português de antanho talvez pudéssemos ir por folga, folgança, folguedo.
O caso é que não se pode usar desporto para significar desporto.
Um destes dias fui surpreendido por um casal a fotografar uma rua. O enquadramento era alto pelo que a parte feminina do dito casal entendeu que eu lhe fotografava a empena do prédio, interpelando-me a propósito. Quando lhe disse que não tinha nada a ver com obras ou com orçamentos, quis saber por que raio lhe fotografava então a empena.
Por desporto, minha senhora.
E ela: Humpf! Por desporto!...
Acho que lhe adivinhei a resposta, pois já a recebi de costas.
27/03/2008
Portugal, esta tarde

Aceitam-se palpites sobre esta localização em forma de kmz com erro a menos de 10m.
Aceitam-se palpites sobre esta localização em forma de kmz com erro a menos de 10m.
26/03/2008
25/03/2008
Das divisões do Mundo (episódio n+4)
O Mundo também se divide entre os que, ao ouvirem “Stars and stripes forever” de John Philip de Sousa, de imediato dizem, com os olhos marejados: “A banda do Barreiro a passar a Ponte sobre o Tejo!” e os outros, os incontáveis outros.
O Mundo também se divide entre os que, ao ouvirem “Stars and stripes forever” de John Philip de Sousa, de imediato dizem, com os olhos marejados: “A banda do Barreiro a passar a Ponte sobre o Tejo!” e os outros, os incontáveis outros.
24/03/2008
23/03/2008
Sobre a Escola
A autoridade dos professores é como toda a autoridade que é exercida sobre quem tem pouca capacidade de avaliar as vantagens e as desvantagens dessa autoridade, é facilmente perecível.
No meu caso pessoal, que vale o que vale, que é uma experiência entre muitas dos que andavam no Liceu em 1974, vi-a soçobrar de um dia para o outro.
Nesse final de ano lectivo, os professores tornaram-se incapazes de se fazer respeitar. Não todos, mas muitos.
O corpo discente sentiu a fraqueza do outro lado e pô-lo à prova. Não havia força para impôr respeito. Chegou-se mais tarde ao ponto de ter a tropa na escola, ocupando-a, colocando um militar na direcção.
De então para cá, até há uns dez anos, o respeito foi em parte recuperado. Mas a escola nunca mais foi a mesma.
E nos últimos dez anos, degradou-se de novo de forma galopante.
O que preocupa ainda mais é que episódios como o que esteve nas notícias na semana passada sejam aparentemente uma espécie de surpresa para o público.
Daquilo há todos os dias nas escolas. Todos os dias.
A autoridade dos professores é como toda a autoridade que é exercida sobre quem tem pouca capacidade de avaliar as vantagens e as desvantagens dessa autoridade, é facilmente perecível.
No meu caso pessoal, que vale o que vale, que é uma experiência entre muitas dos que andavam no Liceu em 1974, vi-a soçobrar de um dia para o outro.
Nesse final de ano lectivo, os professores tornaram-se incapazes de se fazer respeitar. Não todos, mas muitos.
O corpo discente sentiu a fraqueza do outro lado e pô-lo à prova. Não havia força para impôr respeito. Chegou-se mais tarde ao ponto de ter a tropa na escola, ocupando-a, colocando um militar na direcção.
De então para cá, até há uns dez anos, o respeito foi em parte recuperado. Mas a escola nunca mais foi a mesma.
E nos últimos dez anos, degradou-se de novo de forma galopante.
O que preocupa ainda mais é que episódios como o que esteve nas notícias na semana passada sejam aparentemente uma espécie de surpresa para o público.
Daquilo há todos os dias nas escolas. Todos os dias.
22/03/2008
21/03/2008
A brincar
Anda há alguns dias a passar na RTP um anúncio das Estradas de Portugal, E.P..
Se algum benemérito o pagou, aqui termina a minha argumentação.
Se foi o erário público – há uma mania de considerar as empresas públicas alheias aos bens nacionais – então alguém anda a brincar com o nosso dinheiro.
A ser assim, e é claro que este não é caso único porque há milhentos exemplos de filmezinhos publicitários com igual desplante feitos por outras entidades públicas, a única coisa que ainda posso acrescentar é:
A publicidade às estradas é, de facto, uma ideia genial!

imagem da RTP
Anda há alguns dias a passar na RTP um anúncio das Estradas de Portugal, E.P..
Se algum benemérito o pagou, aqui termina a minha argumentação.
Se foi o erário público – há uma mania de considerar as empresas públicas alheias aos bens nacionais – então alguém anda a brincar com o nosso dinheiro.
A ser assim, e é claro que este não é caso único porque há milhentos exemplos de filmezinhos publicitários com igual desplante feitos por outras entidades públicas, a única coisa que ainda posso acrescentar é:
A publicidade às estradas é, de facto, uma ideia genial!
imagem da RTP
20/03/2008
A primeira vez
Há uma coisa que faço sempre por não confundir, tanto mais que a critico amiúde. É a prestidigitação que pretende mostrar interesses particulares como sendo de toda a gente.
Aquela coisa de um tipo a quem estão a ir ao bolso e quer que achem, quando não acha ele mesmo, que o prejuízo é nacional.
Sou um produtor de cortiça de pequena escala.
Isso faz de mim interessado neste caso e um potencial prejudicado.
E o caso é o seguinte:
Ouvi agora na televisão e presumo que tenha uma base verídica, a julgar pela conversa de um dos entrevistados, que se irá promover uma campanha de reciclagem de rolhas, através da moagem das ditas e com os lucros resultantes dessa operação – matéria-prima a custo zero – a financiar não sei o quê ambiental. O costume.
Esta parece que tem ou pretende ter maior envergadura, visto estar a ela associado o maior grupo industrial do sector.
Pelo meio, reconhece-se que para a actual campanha propagandística contra o aumento da produção de CO2, os montados são um óptimo elemento, dada a utilização e transformação que dele fazem.
Suponhamos, por absurdo, que esta campanha faz algum sentido e que, nesse caso, os montados são um elemento inestimável para regular os níveis de CO2.
Suponhamos que uma grande parte da quantidade das rolhas produzidas pela indústria é do tipo rolha natural – 100% cortiça. Não conheço estes números. Baseio-me numa amostra representativa apenas do meu consumo de vinho.
Suponhamos ainda que os resíduos de cortiça em forma de rolha natural são de fácil degradação no meio, o que vai de encontro às ideias genéricas dos tipos que aparecem nestas campanhas.
A ser tudo isto verdade, o facto de se desperdiçarem rolhas não é ambientalmente grave, de acordo com os cânones em vigor.
Ora, por cada rolha a reciclar que entra como matéria-prima na indústria, há uma “rolha” vinda directamente do montado que fica à porta, que fica na pilha, que fica na árvore, que faz baixar a renda do produtor, desincentivando a conservação dos povoamentos de sobreiro.
Se os meus pressupostos estão certos e se de facto os montados são uma riqueza a proteger em termos ambientais, então esta é uma medida que tem o exacto efeito contrário.
Ou será que me enganei nalgum passo?
É a primeira vez que faço aqui uma defesa dos meus interesses particulares.
Há uma coisa que faço sempre por não confundir, tanto mais que a critico amiúde. É a prestidigitação que pretende mostrar interesses particulares como sendo de toda a gente.
Aquela coisa de um tipo a quem estão a ir ao bolso e quer que achem, quando não acha ele mesmo, que o prejuízo é nacional.
Sou um produtor de cortiça de pequena escala.
Isso faz de mim interessado neste caso e um potencial prejudicado.
E o caso é o seguinte:
Ouvi agora na televisão e presumo que tenha uma base verídica, a julgar pela conversa de um dos entrevistados, que se irá promover uma campanha de reciclagem de rolhas, através da moagem das ditas e com os lucros resultantes dessa operação – matéria-prima a custo zero – a financiar não sei o quê ambiental. O costume.
Esta parece que tem ou pretende ter maior envergadura, visto estar a ela associado o maior grupo industrial do sector.
Pelo meio, reconhece-se que para a actual campanha propagandística contra o aumento da produção de CO2, os montados são um óptimo elemento, dada a utilização e transformação que dele fazem.
Suponhamos, por absurdo, que esta campanha faz algum sentido e que, nesse caso, os montados são um elemento inestimável para regular os níveis de CO2.
Suponhamos que uma grande parte da quantidade das rolhas produzidas pela indústria é do tipo rolha natural – 100% cortiça. Não conheço estes números. Baseio-me numa amostra representativa apenas do meu consumo de vinho.
Suponhamos ainda que os resíduos de cortiça em forma de rolha natural são de fácil degradação no meio, o que vai de encontro às ideias genéricas dos tipos que aparecem nestas campanhas.
A ser tudo isto verdade, o facto de se desperdiçarem rolhas não é ambientalmente grave, de acordo com os cânones em vigor.
Ora, por cada rolha a reciclar que entra como matéria-prima na indústria, há uma “rolha” vinda directamente do montado que fica à porta, que fica na pilha, que fica na árvore, que faz baixar a renda do produtor, desincentivando a conservação dos povoamentos de sobreiro.
Se os meus pressupostos estão certos e se de facto os montados são uma riqueza a proteger em termos ambientais, então esta é uma medida que tem o exacto efeito contrário.
Ou será que me enganei nalgum passo?
É a primeira vez que faço aqui uma defesa dos meus interesses particulares.
19/03/2008
18/03/2008
Fazendo jus
José Sócrates apareceu a anunciar uma reforma comarcã.
Assim à primeira vista, parece que aquilo a que é costume chamar-se justiça precisaria de tudo menos de uma tal reforma.
Precisaria de gente mais capaz, antes de tudo.
Gente mais capaz a legislar, gente mais capaz a aplicar as leis, gente mais capaz ao longo de todo o processo.
Aceitando ainda assim que é válido o projecto ora apresentado, estranha-se é a forma ligeira como se fala em experimentá-lo.
Não que as experiências-piloto sejam algo a evitar. Fiquei foi com a ideia de que tal como as reformas da saúde e da educação a coisa é para navegar à vista, sem grande estudo prévio e por isso sem grande capacidade de antecipar o que acontece quando se move uma alavanca, quando se alteram estas ou aquelas condições.
Mostra tudo isto muito pouca inteligência. E isso sim, não é nada que não se previsse.
José Sócrates apareceu a anunciar uma reforma comarcã.
Assim à primeira vista, parece que aquilo a que é costume chamar-se justiça precisaria de tudo menos de uma tal reforma.
Precisaria de gente mais capaz, antes de tudo.
Gente mais capaz a legislar, gente mais capaz a aplicar as leis, gente mais capaz ao longo de todo o processo.
Aceitando ainda assim que é válido o projecto ora apresentado, estranha-se é a forma ligeira como se fala em experimentá-lo.
Não que as experiências-piloto sejam algo a evitar. Fiquei foi com a ideia de que tal como as reformas da saúde e da educação a coisa é para navegar à vista, sem grande estudo prévio e por isso sem grande capacidade de antecipar o que acontece quando se move uma alavanca, quando se alteram estas ou aquelas condições.
Mostra tudo isto muito pouca inteligência. E isso sim, não é nada que não se previsse.
Os apelos à calma e o dinheirinho
Ouço que a União Europeia apelou à calma no Tibete.
Não me consigo lembrar de muita coisa mais patética e imbecil do que um apelo à calma.
Ouço que as instâncias que têm interesses nas Olimpíadas afastam a hipótese de boicote. Claro, o dinherinho.
Sabemos todos qual é a “mola real”. Eu sei que é utópico que, ainda que de vez em quando, se pudesse admitir qual é ela.
A velha mulher há-de morrer sábia.
Ouço que a União Europeia apelou à calma no Tibete.
Não me consigo lembrar de muita coisa mais patética e imbecil do que um apelo à calma.
Ouço que as instâncias que têm interesses nas Olimpíadas afastam a hipótese de boicote. Claro, o dinherinho.
Sabemos todos qual é a “mola real”. Eu sei que é utópico que, ainda que de vez em quando, se pudesse admitir qual é ela.
A velha mulher há-de morrer sábia.
17/03/2008
Causas e efeitos
Se tivéssemos a omnisciência, haveria de haver quem escalpelizasse os mecanismos que mantêm erecto o castelo de cartas do capitalismo.
Assim, há uns tipos que se entretêm a dizer umas baboseiras com ar grave e engravatado, barris de petróleo, crise do crédito fácil, conflitos armados, recentramento da economia global, advento do oriente, etc.
E se um destes dias o castelo cai?
Se tivéssemos a omnisciência, haveria de haver quem escalpelizasse os mecanismos que mantêm erecto o castelo de cartas do capitalismo.
Assim, há uns tipos que se entretêm a dizer umas baboseiras com ar grave e engravatado, barris de petróleo, crise do crédito fácil, conflitos armados, recentramento da economia global, advento do oriente, etc.
E se um destes dias o castelo cai?
16/03/2008
15/03/2008
O psicólogo em que entroncava o Sérgio
Não sei se as habituais escadas rolantes impraticáveis de íngremes e em poço estreitíssimo se os habituais elevadores acanhados se as habituais escadarias apertadas foram antes ou depois de encontrar o homem que se queixava ao psicólogo.
Era ali aos meus olhos o deslumbramento de ver com eles um apoio psicológico. Um verdadeiro apoio psicológico. Eu era o elemento neutro, um protonarrador consentido, invisível, inaudível e inodoro.
O homem que eu não conhecendo, conhecia, era afinal amigo do Sérgio. Quando depois me falou nele, de imediato lhe dei conta das aventuras que havíamos partilhado, vai para trinta anos. E que nunca mais o vira.
Foi esse o repto que não fiz mas que ele levou a peito.
Em menos de nada, o Sérgio ali estava.
Depois, lá fomos para um entroncamento na Marginal e, pela noitinha, cumprimentávamos como se velhos amigos fossem, perfeitos desconhecidos. A inversa também era verdadeira – se bem que a reciprocidade aqui seja quase (mas só quase) óbvia, o facto é que havia uma grande diferença, consoante a iniciativa fosse nossa ou dos (des)conhecidos que passavam.
Não sei se as habituais escadas rolantes impraticáveis de íngremes e em poço estreitíssimo se os habituais elevadores acanhados se as habituais escadarias apertadas foram antes ou depois de encontrar o homem que se queixava ao psicólogo.
Era ali aos meus olhos o deslumbramento de ver com eles um apoio psicológico. Um verdadeiro apoio psicológico. Eu era o elemento neutro, um protonarrador consentido, invisível, inaudível e inodoro.
O homem que eu não conhecendo, conhecia, era afinal amigo do Sérgio. Quando depois me falou nele, de imediato lhe dei conta das aventuras que havíamos partilhado, vai para trinta anos. E que nunca mais o vira.
Foi esse o repto que não fiz mas que ele levou a peito.
Em menos de nada, o Sérgio ali estava.
Depois, lá fomos para um entroncamento na Marginal e, pela noitinha, cumprimentávamos como se velhos amigos fossem, perfeitos desconhecidos. A inversa também era verdadeira – se bem que a reciprocidade aqui seja quase (mas só quase) óbvia, o facto é que havia uma grande diferença, consoante a iniciativa fosse nossa ou dos (des)conhecidos que passavam.
14/03/2008
13/03/2008
O humor parelho
Já não sei há quantos anos foi que, entre músicas na taverna do Fernando*, ela me devolveu, com selo de concordância, uma sentença que eu lhe segredara talvez vinte anos antes:
“Aquilo que me disseste certa vez sobre ser decisivo que os sentidos de humor sejam parelhos...”
Pois bem. A isso, e sem que ela me leia – a probabilidade é desprezável – ajunto agora uma outra coisa decisiva. Algo que então não me preocupava, não tinha em conta, mas que agora tenho – a classe. Uma mulher sem classe é insuportável.
Se ela me lesse agora, decerto concordaria não em género mas em caso.
* com publicidade e tudo, que o sítio merece e o Fernando também.
Já não sei há quantos anos foi que, entre músicas na taverna do Fernando*, ela me devolveu, com selo de concordância, uma sentença que eu lhe segredara talvez vinte anos antes:
“Aquilo que me disseste certa vez sobre ser decisivo que os sentidos de humor sejam parelhos...”
Pois bem. A isso, e sem que ela me leia – a probabilidade é desprezável – ajunto agora uma outra coisa decisiva. Algo que então não me preocupava, não tinha em conta, mas que agora tenho – a classe. Uma mulher sem classe é insuportável.
Se ela me lesse agora, decerto concordaria não em género mas em caso.
* com publicidade e tudo, que o sítio merece e o Fernando também.
12/03/2008
11/03/2008
Filosofias
Vi e ouvi agora mesmo dois tipos diferentes.
Um, que eu preconceituosamente posso dizer que era um homem do povo, transmontano – e eu, alentejano, gosto muito de Trás-os-Montes e das suas gentes – respondeu assim a quem lhe perguntou se não pedia o reembolso da despesa (ou parte dela) que fizera com o transporte até ao ponto do serviço nacional de saúde onde foi atendido: Não. O Estado já tem muita despesa.
Outro, que eu preconceituosamente reputo de técnico – e os técnicos para mim são como toda a gente, de uns gosto, de outros não – dizia, com um ar que eu preconceituosamente reputo de maravilhado, que se pode hoje em dia ter num elevador um algoritmo simples que calcula uma moda, moda essa que se refere por exemplo ao género musical preferido dos elevandos, desde que estes tenham o dispositivo que o elevador reconhece e, é claro, autorizem o escrutínio das suas frequências musicais.
Talvez por gostar muito de Trás-os-Montes e das suas gentes...
Vi e ouvi agora mesmo dois tipos diferentes.
Um, que eu preconceituosamente posso dizer que era um homem do povo, transmontano – e eu, alentejano, gosto muito de Trás-os-Montes e das suas gentes – respondeu assim a quem lhe perguntou se não pedia o reembolso da despesa (ou parte dela) que fizera com o transporte até ao ponto do serviço nacional de saúde onde foi atendido: Não. O Estado já tem muita despesa.
Outro, que eu preconceituosamente reputo de técnico – e os técnicos para mim são como toda a gente, de uns gosto, de outros não – dizia, com um ar que eu preconceituosamente reputo de maravilhado, que se pode hoje em dia ter num elevador um algoritmo simples que calcula uma moda, moda essa que se refere por exemplo ao género musical preferido dos elevandos, desde que estes tenham o dispositivo que o elevador reconhece e, é claro, autorizem o escrutínio das suas frequências musicais.
Talvez por gostar muito de Trás-os-Montes e das suas gentes...
Cem mil e um
Dando cumprimento a uma frase promissória que escrevi.
No tempo em que estas coisas mais importavam, nos anos setenta, havia uma forma expedita de contar os manifestantes na rua – era o velhíssimo método do olhómetro que se traduzia quase sempre por dar o resultado de cem mil e um e suas variações. Um à frente e para aí cem mil atrás, como no dito popular.
Bem vistas as coisas, ainda que as técnicas de hoje possam ser diversas, o olhómetro é ainda o instrumento utilizado.
Depois cada um tem o seu – dá a coisa, para a manifestação de sábado, desvios de 20% ou de 25% consoante se tome como base os 100 000 ditos da Fenprof ou os 80 000 ditos da Polícia*. Nunca se sabe que mecanismos de contagem e estimativa são utilizados para lá chegar.
Sabendo que só a estultícia e a baboseira levam a que se produzam certezas em matéria tal, detive-me a fazer algumas contas que deixo à vossa consideração:
Observei as imagens dos três canais de televisão.
Há uma sequência de imagens de helicóptero na SIC que dá uma panorâmica do percurso da manifestação em alguns segundos, a que se pode chamar instantânea. Segui-a a partir dos Restauradores.
Dessa sequência retive a porção dos arruamentos a jusante que a manifestação ocupava nesse instante e uma ideia aproximada das densidades em marcha e em parada, obtida por contagem em alguns casos e por estimativa noutros.
Vi também imagens da Avenida da Liberdade e do Marquês, reportadas a outro momento.
Assim, pondo de parte apenas as artérias adjacentes ao Marquês de Pombal, onde se concentraram os manifestantes, usei a seguinte tabela em que as densidades estimadas majoram o observado:

Se partirmos do princípio (incerto) que, à hora da sequência de imagens da SIC, onde já havia, pelo máximo, 35 000 pessoas no Terreiro do Paço, todo o trajecto da manifestação ainda estava com uma densidade de 0,7 pessoas por m² (majoração do que se viu nas imagens) e do princípio (incerto) que não variou consideravelmente ao longo do tempo a percentagem de ocupação das vias pela manifestação, então o número a que chegamos é, arredondando ao milheiro, 62 000 pessoas.
A diferença entre esta estimativa e os números “oficiais” pode estar ou não em pessoas ainda nas imediações do Marquês de Pombal (Fontes Pereira de Melo) ou em ruas não incluídas no trajecto e que acabaram por acorrer ao Terreiro do Paço ou até naquelas que já teriam abandonado o local.
É claro que o número de autocarros e a sua lotação dão, depois de multiplicados, um minorante para o intervalo em que este número cai.
Este cálculo não é afirmativo. Dá apenas uma ideia de aonde pude chegar, com os dados de que todos dispúnhamos, sem intrincadas elaborações e com erro grosseiro.
É o meu olhómetro, afinal. Nada mais do que isso.
*Não li jornais sobre o assunto. Não sei se estes números foram corrigidos.
Dando cumprimento a uma frase promissória que escrevi.
No tempo em que estas coisas mais importavam, nos anos setenta, havia uma forma expedita de contar os manifestantes na rua – era o velhíssimo método do olhómetro que se traduzia quase sempre por dar o resultado de cem mil e um e suas variações. Um à frente e para aí cem mil atrás, como no dito popular.
Bem vistas as coisas, ainda que as técnicas de hoje possam ser diversas, o olhómetro é ainda o instrumento utilizado.
Depois cada um tem o seu – dá a coisa, para a manifestação de sábado, desvios de 20% ou de 25% consoante se tome como base os 100 000 ditos da Fenprof ou os 80 000 ditos da Polícia*. Nunca se sabe que mecanismos de contagem e estimativa são utilizados para lá chegar.
Sabendo que só a estultícia e a baboseira levam a que se produzam certezas em matéria tal, detive-me a fazer algumas contas que deixo à vossa consideração:
Observei as imagens dos três canais de televisão.
Há uma sequência de imagens de helicóptero na SIC que dá uma panorâmica do percurso da manifestação em alguns segundos, a que se pode chamar instantânea. Segui-a a partir dos Restauradores.
Dessa sequência retive a porção dos arruamentos a jusante que a manifestação ocupava nesse instante e uma ideia aproximada das densidades em marcha e em parada, obtida por contagem em alguns casos e por estimativa noutros.
Vi também imagens da Avenida da Liberdade e do Marquês, reportadas a outro momento.
Assim, pondo de parte apenas as artérias adjacentes ao Marquês de Pombal, onde se concentraram os manifestantes, usei a seguinte tabela em que as densidades estimadas majoram o observado:
Se partirmos do princípio (incerto) que, à hora da sequência de imagens da SIC, onde já havia, pelo máximo, 35 000 pessoas no Terreiro do Paço, todo o trajecto da manifestação ainda estava com uma densidade de 0,7 pessoas por m² (majoração do que se viu nas imagens) e do princípio (incerto) que não variou consideravelmente ao longo do tempo a percentagem de ocupação das vias pela manifestação, então o número a que chegamos é, arredondando ao milheiro, 62 000 pessoas.
A diferença entre esta estimativa e os números “oficiais” pode estar ou não em pessoas ainda nas imediações do Marquês de Pombal (Fontes Pereira de Melo) ou em ruas não incluídas no trajecto e que acabaram por acorrer ao Terreiro do Paço ou até naquelas que já teriam abandonado o local.
É claro que o número de autocarros e a sua lotação dão, depois de multiplicados, um minorante para o intervalo em que este número cai.
Este cálculo não é afirmativo. Dá apenas uma ideia de aonde pude chegar, com os dados de que todos dispúnhamos, sem intrincadas elaborações e com erro grosseiro.
É o meu olhómetro, afinal. Nada mais do que isso.
*Não li jornais sobre o assunto. Não sei se estes números foram corrigidos.
09/03/2008
Irritações
Uma coisa que me irrita supinamente nos blogues é a música obrigatória.
Quase sempre aos berros.
Para quem, como eu, gosta de navegar à noite, ouvindo baixo e em fundo algum canal de televisão, é um sobressalto ter que desligar as colunas numa correria, quando estas coisas começam a berrar, porque é claro é mais rápido fazê-lo do que ir à procura do local onde se pode terminar o ruído.
Cada um sabe de si e do que quer propor aos outros.
A mim irrita-me a sério.
Uma coisa que me irrita supinamente nos blogues é a música obrigatória.
Quase sempre aos berros.
Para quem, como eu, gosta de navegar à noite, ouvindo baixo e em fundo algum canal de televisão, é um sobressalto ter que desligar as colunas numa correria, quando estas coisas começam a berrar, porque é claro é mais rápido fazê-lo do que ir à procura do local onde se pode terminar o ruído.
Cada um sabe de si e do que quer propor aos outros.
A mim irrita-me a sério.
08/03/2008
O corpo docente (II)
É claro que a selecção das entrevistas de rua pode ser feita de forma a dar esta ou aquela impressão a quem vê uma sequência delas.
Mas é também claro que existe um número de professores que parece não ter ou não saber que razões tem para se manifestar.
O facto de constituírem a esmagadora maioria dos entrevistados pode ter a ver com o que disse acima. Ou não.
Conto ainda desenvolver o tema da contagem do número dos que se manifestaram.
É claro que a selecção das entrevistas de rua pode ser feita de forma a dar esta ou aquela impressão a quem vê uma sequência delas.
Mas é também claro que existe um número de professores que parece não ter ou não saber que razões tem para se manifestar.
O facto de constituírem a esmagadora maioria dos entrevistados pode ter a ver com o que disse acima. Ou não.
Conto ainda desenvolver o tema da contagem do número dos que se manifestaram.
07/03/2008
06/03/2008
05/03/2008
04/03/2008
03/03/2008
02/03/2008
Dia de encierro

mapa do RAC
O mapa que escolhi este ano apontava para uma clara supremacia verde.
O palpite que me soava aos ouvidos era de fartura de golos.
Até agora, parecem furados os dois.
Quanto ao encierro, há muito que me pergunto se a agressividade da juventude mentecapta não poderia ser canalizada para fins mais úteis.

mapa do RAC
O mapa que escolhi este ano apontava para uma clara supremacia verde.
O palpite que me soava aos ouvidos era de fartura de golos.
Até agora, parecem furados os dois.
Quanto ao encierro, há muito que me pergunto se a agressividade da juventude mentecapta não poderia ser canalizada para fins mais úteis.
01/03/2008
Medvedev
Vi um destes dias uma peça em que se comparava a incapacidade da senhora Clinton de pronunciar o nome do futuro ocupante do Kremlin com a dos vulgares, entrevistados na rua.
Medvedev é um nome que ainda há uma década atrás era repetido nas páginas de desporto e nessa época não me recordo de existir esta impossibilidade de articulação.
O certo é que também não vi então entrevistas de rua pedindo que repetissem o nome ou a primeira-dama dos E.U.A. a comentar as actuações do tenista.
Estas coisas da televisão são assim mesmo. E a memória curta também.
Vi um destes dias uma peça em que se comparava a incapacidade da senhora Clinton de pronunciar o nome do futuro ocupante do Kremlin com a dos vulgares, entrevistados na rua.
Medvedev é um nome que ainda há uma década atrás era repetido nas páginas de desporto e nessa época não me recordo de existir esta impossibilidade de articulação.
O certo é que também não vi então entrevistas de rua pedindo que repetissem o nome ou a primeira-dama dos E.U.A. a comentar as actuações do tenista.
Estas coisas da televisão são assim mesmo. E a memória curta também.
29/02/2008
Do Google
Não são estas as pesquisas que mais me interessam.
As que mais me interessam são as que se assemelham a alguém agarrado a uma lista telefónica como se fosse um espelho, espelho seu e pede: dá-me o número de telefone do António que ia sair com a Manela.
No entanto, são curiosas:
o que sao folhas dactilografadas
o riso e a proporção directa
Coisas da última hora.
Não são estas as pesquisas que mais me interessam.
As que mais me interessam são as que se assemelham a alguém agarrado a uma lista telefónica como se fosse um espelho, espelho seu e pede: dá-me o número de telefone do António que ia sair com a Manela.
No entanto, são curiosas:
o que sao folhas dactilografadas
o riso e a proporção directa
Coisas da última hora.
Coitado do António
Sou dos que não consideram as vantagens de enviar e receber SMS. Devo receber uns dez por ano e enviar zero – a combinação cartão pré-histórico / telefone recente nem sequer me deixa fazê-lo.
Não sendo quase uma festa quando recebo um – que a coisa tende mais a ser um aborrecimento – não posso deixar de lhe prestar atenção, por ser coisa rara.
Hoje recebi o que passo a transcrever na íntegra, respeitando a grafia e os espaços:
OLA ANTONIO! DESCULPE, MAS NAO POSSO IR AO YAT BEN. TENHO KE FICAR ATE MAIS TARDE,AJUDAR MEU SOBRINHO NA CLINICA. GOSTAVA DE IR MAS... ELE PEDIU ME. VA E DIVIRTA-SE. 1 BEIJO DA MANELA
Juro que a primeira coisa que me ocorreu é que se tratava de má publicidade.
Mas não me cheira que seja, embora com o meu gesto, se eu estiver agora enganado, esteja a dar uma ajudinha à divulgação.
Coitado do António!
Sou dos que não consideram as vantagens de enviar e receber SMS. Devo receber uns dez por ano e enviar zero – a combinação cartão pré-histórico / telefone recente nem sequer me deixa fazê-lo.
Não sendo quase uma festa quando recebo um – que a coisa tende mais a ser um aborrecimento – não posso deixar de lhe prestar atenção, por ser coisa rara.
Hoje recebi o que passo a transcrever na íntegra, respeitando a grafia e os espaços:
OLA ANTONIO! DESCULPE, MAS NAO POSSO IR AO YAT BEN. TENHO KE FICAR ATE MAIS TARDE,AJUDAR MEU SOBRINHO NA CLINICA. GOSTAVA DE IR MAS... ELE PEDIU ME. VA E DIVIRTA-SE. 1 BEIJO DA MANELA
Juro que a primeira coisa que me ocorreu é que se tratava de má publicidade.
Mas não me cheira que seja, embora com o meu gesto, se eu estiver agora enganado, esteja a dar uma ajudinha à divulgação.
Coitado do António!
Ocasião perdida
Pelo que se ouve, pelo que se lê, perdi uma boa ocasião para me documentar.
Reconheço que há muito vou colhendo aqui e ali provas de competência ou de incompetência dos políticos que temos. Dos políticos e dos responsáveis do sistema judicial. E dos outros que, não sendo nem uma coisa nem outra, influem na marcha das coisas mais do que eu.
Baseio-me numa trivialidade: homens inteligentes jamais proferem certas afirmações, jamais concebem um silogismo absurdo, jamais dão provas de ignorância atrevida e sentenciosa; homens estúpidos jamais conseguem estribar-se em fundamentos e raciocinar habilmente a partir deles.
Basta, portanto, colher aqui ou ali uma prova de uma coisa ou de outra e catalogar o respectivo orador. Que feio que é catalogar as pessoas! Mas eu faço-o.
Pelos vistos, dizia, perdi hoje uma boa ocasião para me documentar.
Há tempos que a ARTv me anda a fazer erisipela. Mas, caramba, quando é assim tão mau – a acreditar no que dizem – até dispõe bem.
O amigo Bic Laranja refere-se a outro caso. Tudo a pedir Danny Kaye.
Pelo que se ouve, pelo que se lê, perdi uma boa ocasião para me documentar.
Reconheço que há muito vou colhendo aqui e ali provas de competência ou de incompetência dos políticos que temos. Dos políticos e dos responsáveis do sistema judicial. E dos outros que, não sendo nem uma coisa nem outra, influem na marcha das coisas mais do que eu.
Baseio-me numa trivialidade: homens inteligentes jamais proferem certas afirmações, jamais concebem um silogismo absurdo, jamais dão provas de ignorância atrevida e sentenciosa; homens estúpidos jamais conseguem estribar-se em fundamentos e raciocinar habilmente a partir deles.
Basta, portanto, colher aqui ou ali uma prova de uma coisa ou de outra e catalogar o respectivo orador. Que feio que é catalogar as pessoas! Mas eu faço-o.
Pelos vistos, dizia, perdi hoje uma boa ocasião para me documentar.
Há tempos que a ARTv me anda a fazer erisipela. Mas, caramba, quando é assim tão mau – a acreditar no que dizem – até dispõe bem.
O amigo Bic Laranja refere-se a outro caso. Tudo a pedir Danny Kaye.
28/02/2008
O cemitério de Carnide
Eu devo ser um tipo muito fora da norma: no mesmo dia, assisti a três enterros no cemitério de Carnide.
Fui acompanhar um dos mortos e vi, à porta da parada, dois cortejos em fila de espera.
Soube ontem que o local é impróprio para inumações e que os enterramentos ali estão praticamente suspensos.
Vi e ouvi na reportagem uma senhora dizer que “os antigos sabiam melhor do que nós escolher os locais para os cemitérios”.
Quanto a mim, casos destes só deixam duas hipóteses: uma profunda estupidez ou uma aldrabice qualquer.
Inclino-me sempre para a primeira hipótese. Sempre.
Notícias velhas sobre o caso:
No JN; no DN.
Eu devo ser um tipo muito fora da norma: no mesmo dia, assisti a três enterros no cemitério de Carnide.
Fui acompanhar um dos mortos e vi, à porta da parada, dois cortejos em fila de espera.
Soube ontem que o local é impróprio para inumações e que os enterramentos ali estão praticamente suspensos.
Vi e ouvi na reportagem uma senhora dizer que “os antigos sabiam melhor do que nós escolher os locais para os cemitérios”.
Quanto a mim, casos destes só deixam duas hipóteses: uma profunda estupidez ou uma aldrabice qualquer.
Inclino-me sempre para a primeira hipótese. Sempre.
Notícias velhas sobre o caso:
No JN; no DN.
27/02/2008
Restos de colecção (65)

clicar para ampliar
Há um porradão de anos já, quando estes horários começaram a desaparecer dos escaparates, encontrei por detrás da bilheteira um velho amigo.
Perguntei se os iam deitar fora. Deu-me um rolo deles em resposta. Daqui lhe agradeço, embora ele já não possa saber que o faço mais uma vez.
clicar para ampliar
Há um porradão de anos já, quando estes horários começaram a desaparecer dos escaparates, encontrei por detrás da bilheteira um velho amigo.
Perguntei se os iam deitar fora. Deu-me um rolo deles em resposta. Daqui lhe agradeço, embora ele já não possa saber que o faço mais uma vez.
26/02/2008
O muro da 117
Num dos lados da 117, o esquerdo*, há um muro desde que me conheço. Ali no troço entre Queluz e Belas.
A função do muro não é estrutural. É um muro de divisão, entre a estrada e o campo. Como o são a maior parte dos muros que existem por esse país fora.
No dia 18, a estrada inundou com a forte precipitação que se fez sentir.
Diz-se que havia uma fila de carros parados com receio de atravessar o lençol de água que se formara.
Diz-se que as pessoas presentes no local faziam o que podiam para evitar que os menos conscientes se metessem a atravessá-lo.
Uma coisa é certa, a pressão da água – da estrada para fora desta – arrastou o muro e com ele levou um carro que não devia estar a circular naquele momento naquele ponto.
Querer responsabilizar agora as autoridades pelo acontecido apenas pode ter um caminho – responsabilizá-las por não terem encerrado a estrada e com isso impedido os inconscientes de por ela se aventurarem. Com o risco de pagarem com a vida.
Mas não se deveria também responsabilizar as autoridades por darem licença de condução aos inconscientes?
Ou teremos que ter, afinal, um polícia a cada esquina?
*As estradas, como os rios, têm margem esquerda e direita. Porque têm um sentido, o da marcação quilométrica.
Num dos lados da 117, o esquerdo*, há um muro desde que me conheço. Ali no troço entre Queluz e Belas.
A função do muro não é estrutural. É um muro de divisão, entre a estrada e o campo. Como o são a maior parte dos muros que existem por esse país fora.
No dia 18, a estrada inundou com a forte precipitação que se fez sentir.
Diz-se que havia uma fila de carros parados com receio de atravessar o lençol de água que se formara.
Diz-se que as pessoas presentes no local faziam o que podiam para evitar que os menos conscientes se metessem a atravessá-lo.
Uma coisa é certa, a pressão da água – da estrada para fora desta – arrastou o muro e com ele levou um carro que não devia estar a circular naquele momento naquele ponto.
Querer responsabilizar agora as autoridades pelo acontecido apenas pode ter um caminho – responsabilizá-las por não terem encerrado a estrada e com isso impedido os inconscientes de por ela se aventurarem. Com o risco de pagarem com a vida.
Mas não se deveria também responsabilizar as autoridades por darem licença de condução aos inconscientes?
Ou teremos que ter, afinal, um polícia a cada esquina?
*As estradas, como os rios, têm margem esquerda e direita. Porque têm um sentido, o da marcação quilométrica.
25/02/2008
Conta-me como foi*
Sou apreciador da série da RTP, copiada da espanhola.
Como em tudo na vida, é-me difícil dizer o que me atrai ali.
Mas nunca poderia ser o facto de me identificar com o Carlitos – apesar da idade ser parelha – por a voz off me mostrar uma caricatura demasiado atrasada de uma mente com nove anos. Nove anos digo eu que era a minha idade em 68 (já vamos em 69, me parece) e pode bem ser a idade do Carlitos.
Ainda assim, apesar de haver ali mais caricatura do que realidade, sou fã.
Pode ser que hajam os habituais anacronismos, as chapas de matrícula em plástico quando no tempo elas eram ainda quase todas em metal e muita outra coisa que escapou aos aderecistas, como é costume.
Mas eu gosto de ver.
*título de série da RTP
Sou apreciador da série da RTP, copiada da espanhola.
Como em tudo na vida, é-me difícil dizer o que me atrai ali.
Mas nunca poderia ser o facto de me identificar com o Carlitos – apesar da idade ser parelha – por a voz off me mostrar uma caricatura demasiado atrasada de uma mente com nove anos. Nove anos digo eu que era a minha idade em 68 (já vamos em 69, me parece) e pode bem ser a idade do Carlitos.
Ainda assim, apesar de haver ali mais caricatura do que realidade, sou fã.
Pode ser que hajam os habituais anacronismos, as chapas de matrícula em plástico quando no tempo elas eram ainda quase todas em metal e muita outra coisa que escapou aos aderecistas, como é costume.
Mas eu gosto de ver.
*título de série da RTP
24/02/2008
22/02/2008
O mal estar difuso
O alerta da SEDES é apenas mais um.
Qualquer pessoa atenta aos sinais sabe do que se trata.
A reacção do PS é a que se previa. Diz que é exagero, tremendismo.
Será que já perceberam o mesmo do que toda a gente?
Isto não tem necessariamente a ver com o PS e o seu governo. Tem a ver com tudo o que está para trás desde Cavaco Silva e das suas maiorias de votos expressos.
Com a resma de incompetências, de burrices e de crimes que se mostraram e praticaram.
Está tudo farto disto.
A SEDES, para quem não se lembra, fez vários alertas antes de 74.
O alerta da SEDES é apenas mais um.
Qualquer pessoa atenta aos sinais sabe do que se trata.
A reacção do PS é a que se previa. Diz que é exagero, tremendismo.
Será que já perceberam o mesmo do que toda a gente?
Isto não tem necessariamente a ver com o PS e o seu governo. Tem a ver com tudo o que está para trás desde Cavaco Silva e das suas maiorias de votos expressos.
Com a resma de incompetências, de burrices e de crimes que se mostraram e praticaram.
Está tudo farto disto.
A SEDES, para quem não se lembra, fez vários alertas antes de 74.
21/02/2008
20/02/2008
A escola especial
Sem investigar muito o assunto – e correndo o risco de estar a ser injusto – apenas guiando-me pelo que oiço a certas figuras, temo que se não distinga entre crianças cegas, surdas, sem mobilidade e as outras cuja diminuta capacidade mental nunca lhes permitirá aprender grande coisa.
Temo que se misture tudo com grave prejuízo para os primeiros e para a Nação.
E sem benefício para ninguém.
Sem investigar muito o assunto – e correndo o risco de estar a ser injusto – apenas guiando-me pelo que oiço a certas figuras, temo que se não distinga entre crianças cegas, surdas, sem mobilidade e as outras cuja diminuta capacidade mental nunca lhes permitirá aprender grande coisa.
Temo que se misture tudo com grave prejuízo para os primeiros e para a Nação.
E sem benefício para ninguém.
19/02/2008
18/02/2008
Rio Jamor, esta tarde

Escombros das fundações de uma edificação derruída nas cheias de Novembro de 67.
Escombros das fundações de uma edificação derruída nas cheias de Novembro de 67.
Das coincidências
Poucas horas depois da conversa televisiva sobre cheias, eis que a precipitação em Lisboa atinge valores acima dos 50 mm em 8 horas*.
Não sendo um valor de catástrofe, já acordei ao som das sirenes de chamada.
E aqui mesmo ao lado morreu pelo menos uma pessoa**.

gráfico do IM
* mais de 100 mm em 24 horas, o que é um valor considerável.
** duas pessoas, afinal.
Poucas horas depois da conversa televisiva sobre cheias, eis que a precipitação em Lisboa atinge valores acima dos 50 mm em 8 horas*.
Não sendo um valor de catástrofe, já acordei ao som das sirenes de chamada.
E aqui mesmo ao lado morreu pelo menos uma pessoa**.
gráfico do IM
* mais de 100 mm em 24 horas, o que é um valor considerável.
** duas pessoas, afinal.
À toa - II
Uma coisa que é muito comum em Portugal é o disparate especializado.
Ouvi, mais uma vez, da boca de uma dita especialista que os mortos nas cheias de 97 no Alentejo foram em zonas recentemente construídas.
Isto é apenas ignorância atrevida. Mas especializada. Muito especializada no disparate.
Uma coisa que é muito comum em Portugal é o disparate especializado.
Ouvi, mais uma vez, da boca de uma dita especialista que os mortos nas cheias de 97 no Alentejo foram em zonas recentemente construídas.
Isto é apenas ignorância atrevida. Mas especializada. Muito especializada no disparate.
17/02/2008
À toa
Dizer que as cheias de 67 (como se disse no programa de Maria Elisa) são a segunda maior catástrofe natural – supõe-se que quanto ao número de mortos - em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, sem se saber, como não se sabe, qual foi o número de baixas é uma afirmação gratuita.
Sem sabermos também, por exemplo, quais as baixas dos terramotos de 1531 e 1722 estamos com grande probabilidade em presença de fenómenos que causaram maior número de mortos do que as cheias desse ano.
misturar imagens das cheias de 97 no trecho respeitante às de 83 também é normal. É tudo à toa, como sempre.
Dizer que as cheias de 67 (como se disse no programa de Maria Elisa) são a segunda maior catástrofe natural – supõe-se que quanto ao número de mortos - em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, sem se saber, como não se sabe, qual foi o número de baixas é uma afirmação gratuita.
Sem sabermos também, por exemplo, quais as baixas dos terramotos de 1531 e 1722 estamos com grande probabilidade em presença de fenómenos que causaram maior número de mortos do que as cheias desse ano.
misturar imagens das cheias de 97 no trecho respeitante às de 83 também é normal. É tudo à toa, como sempre.
16/02/2008
A roda da fortuna
Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
A dissolução
Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Memória ferroviária
Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).
Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).
15/02/2008
E se...
Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.

(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.
Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.
(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.
13/02/2008
12/02/2008
Em busca de um deus
Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
11/02/2008
10/02/2008
A moeda do Crato

imagem do BCE
Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.
imagem do BCE
Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.
Subscrever:
Mensagens (Atom)