12/05/2008
A supremacia do Futebol Clube do Porto
Há algumas considerações objectivas que se podem fazer a propósito da diferença de pontos entre o campeão e o segundo classificado neste campeonato ora terminado.
Pegando no historial da prova, que foi disputada a duas voltas desde 1934-35 por um número par de clubes compreendido entre 8 e 20, pode estabelecer-se uma razão entre os pontos obtidos pelo campeão e o total de pontos possíveis; entre os pontos obtidos pelo segundo classificado e o mesmo total.
Como até 1994/95, eram atribuídos dois pontos por cada vitória e daí para cá, passaram a ser três, é necessário comparar, de igual para igual, as percentagens obtidas este ano com todas as outras desde essa época e usar uma transformada da percentagem obtida este ano, consideradas as vitórias como dois pontos apenas, para comparar com todas as percentagens anteriores àquela época.
Feito isso, verifica-se que o campeão nacional em 36,5% das vezes obteve percentagem igual ou superior à do FCP este ano. Mais do que um em cada três campeonatos. Nada de especial, portanto.
Quanto ao segundo classificado, apenas uma vez desde 1934-35 obteve tão poucos pontos em função do total possível, como esta época. Foi há três épocas quando o Porto acabou em segundo lugar com 60,8% dos pontos possíveis, atrás do Benfica.
Conclui-se daqui que a supremacia revelada deve-se mais à quebra dos antagonistas do que à superioridade daqueles.
Quanto à diferença de percentagens entre o primeiro e o segundo, apenas por duas vezes foi maior do que este ano. Em 1950-51 e 1972-73.
Webliografia: Jorge Miguel Teixeira; http://desportoluso.no.sapo.pt/Camphist.html
Há algumas considerações objectivas que se podem fazer a propósito da diferença de pontos entre o campeão e o segundo classificado neste campeonato ora terminado.
Pegando no historial da prova, que foi disputada a duas voltas desde 1934-35 por um número par de clubes compreendido entre 8 e 20, pode estabelecer-se uma razão entre os pontos obtidos pelo campeão e o total de pontos possíveis; entre os pontos obtidos pelo segundo classificado e o mesmo total.
Como até 1994/95, eram atribuídos dois pontos por cada vitória e daí para cá, passaram a ser três, é necessário comparar, de igual para igual, as percentagens obtidas este ano com todas as outras desde essa época e usar uma transformada da percentagem obtida este ano, consideradas as vitórias como dois pontos apenas, para comparar com todas as percentagens anteriores àquela época.
Feito isso, verifica-se que o campeão nacional em 36,5% das vezes obteve percentagem igual ou superior à do FCP este ano. Mais do que um em cada três campeonatos. Nada de especial, portanto.
Quanto ao segundo classificado, apenas uma vez desde 1934-35 obteve tão poucos pontos em função do total possível, como esta época. Foi há três épocas quando o Porto acabou em segundo lugar com 60,8% dos pontos possíveis, atrás do Benfica.
Conclui-se daqui que a supremacia revelada deve-se mais à quebra dos antagonistas do que à superioridade daqueles.
Quanto à diferença de percentagens entre o primeiro e o segundo, apenas por duas vezes foi maior do que este ano. Em 1950-51 e 1972-73.
Webliografia: Jorge Miguel Teixeira; http://desportoluso.no.sapo.pt/Camphist.html
11/05/2008
À Benfica
Desde há mais de trinta anos que o meu directo opositor encarnado é o meu velho amigo J.d’.
Com toda a sorte de disputas que isso originou, sanadas logo ao virar da esquina.
Como o tempo passa.
Esta tarde, enquanto nos detínhamos a observar o movimento nas margens do Tejo, convidei-o para ir à Luz ver o último jogo do Rui Costa. Não quis ir. Diz que não dá dinheiro para peditórios que tais.
Desde há mais de trinta anos que o meu directo opositor encarnado é o meu velho amigo J.d’.
Com toda a sorte de disputas que isso originou, sanadas logo ao virar da esquina.
Como o tempo passa.
Esta tarde, enquanto nos detínhamos a observar o movimento nas margens do Tejo, convidei-o para ir à Luz ver o último jogo do Rui Costa. Não quis ir. Diz que não dá dinheiro para peditórios que tais.
Um caso sério

imagem da RTP
Esta mulher é um caso sério. Um caso muito sério.
Assim de repente, sem consultar cartapácios ou googlar palmarés, ocorre-me que se trata do atleta português mais categorizado de sempre.
Para além dos feitos, é agradável ouvi-la. Daquelas pessoas que atrai pela simplicidade, por uma qualquer volta na ponta.
imagem da RTP
Esta mulher é um caso sério. Um caso muito sério.
Assim de repente, sem consultar cartapácios ou googlar palmarés, ocorre-me que se trata do atleta português mais categorizado de sempre.
Para além dos feitos, é agradável ouvi-la. Daquelas pessoas que atrai pela simplicidade, por uma qualquer volta na ponta.
10/05/2008
O dia das efemérides
Talvez que o dia 10 de Maio seja o dia em que mais coisas relevantes na minha vida coincidem em comemorar-se. Mesmo sem se tratar de aniversários de pessoas, à excepção de...
Há de facto um esmagamento por recordações as mais diversas. Boas e más.
Porém, parece que todas elas se dissolvem como pérolas em vinho.
Hoje, ocorre-me uma face risonha e bonita debruçada de uma coincidência.
De um comboio que passou, se deteve e o qual não apanhei a não ser anos depois.
É o que me ocorre.
Talvez que o dia 10 de Maio seja o dia em que mais coisas relevantes na minha vida coincidem em comemorar-se. Mesmo sem se tratar de aniversários de pessoas, à excepção de...
Há de facto um esmagamento por recordações as mais diversas. Boas e más.
Porém, parece que todas elas se dissolvem como pérolas em vinho.
Hoje, ocorre-me uma face risonha e bonita debruçada de uma coincidência.
De um comboio que passou, se deteve e o qual não apanhei a não ser anos depois.
É o que me ocorre.
O eixo da Terra
Num zapping, cacei um especialista que, usando o dedo, dizia que, descontada a Lua (se ela não existisse), a conjugação precessão/nutação sofreria significativas alterações e teríamos numa escala de dezenas de milhar de anos o eixo da Terra apontado ao Sol, o que provocaria o derretimento dos gelos polares e a acumulação de outros gelos na zona equatorial.
Ora digo eu – com o mesmo simplismo com que ouvi tal e descontando a crítica da primeira conclusão, para a qual ninguém pode dar cabal suprimento – que, se o eixo da Terra apontasse ao Sol, digamos que com o pólo norte da Terra apontado ao Hélio e usando a nomenclatura habitual, verificava-se sim que o hemisfério sul ficaria permanentemente nas trevas e que a acumulação de gelo se daria no pólo sul e de forma menos acentuada em todo o hemisfério meridional, enquanto todo o hemisfério norte seria diurno e com pico de incidência dos raios solares no pólo. É o que decorre desta suposição. Não percebo como é que haveria acumulação de gelos no equador e derretimento no pólo sul.
Há qualquer coisa que me escapa no saber de alguns especialistas.
Mas também pode ter sido um lapso. Um pequeno colapso, como diria um amigo meu.
Num zapping, cacei um especialista que, usando o dedo, dizia que, descontada a Lua (se ela não existisse), a conjugação precessão/nutação sofreria significativas alterações e teríamos numa escala de dezenas de milhar de anos o eixo da Terra apontado ao Sol, o que provocaria o derretimento dos gelos polares e a acumulação de outros gelos na zona equatorial.
Ora digo eu – com o mesmo simplismo com que ouvi tal e descontando a crítica da primeira conclusão, para a qual ninguém pode dar cabal suprimento – que, se o eixo da Terra apontasse ao Sol, digamos que com o pólo norte da Terra apontado ao Hélio e usando a nomenclatura habitual, verificava-se sim que o hemisfério sul ficaria permanentemente nas trevas e que a acumulação de gelo se daria no pólo sul e de forma menos acentuada em todo o hemisfério meridional, enquanto todo o hemisfério norte seria diurno e com pico de incidência dos raios solares no pólo. É o que decorre desta suposição. Não percebo como é que haveria acumulação de gelos no equador e derretimento no pólo sul.
Há qualquer coisa que me escapa no saber de alguns especialistas.
Mas também pode ter sido um lapso. Um pequeno colapso, como diria um amigo meu.
09/05/2008
08/05/2008
Os cromos da bola
Diz que os homens chegam a uma idade em que compram um descapotável e só querem moças novas.
Tenho um amigo que roga a todos os santos que lhe avisem quando estiver a ser ridículo.
Tenho um outro que comprou uma moto e trocou de mulher – o único que eu me lembre que substituiu a cara-metade.
Isto sem se saber muito bem o que é ser ridículo, é coisa que se deslinda bem no caso das moças novas. São elas que se riem dos velhos que as perseguem.
Eu, sem querer ser imune à ridicularia e sem querer ser melhor do que os demais, virei-me para os cromos da bola.
Num lance, vítima da argúcia comercial do meu habitual fornecedor de totolotos, vi-me de caderneta na mão a procurar por carteirinhas de cromos. Há quase quarenta anos que não o fazia. Fui ver e ainda o Eusébio jogava no Benfica com o Zé Augusto, o Coluna, o Jaime Graça, o Torres e o Simões.
A questão essencial que se me colocou foi esta: como é que estes gajos sabem quais são os eleitos do Sr. Scolari? Será por serem eles mesmos italianos?
Depois, lembrei-me que já antigamente os cromos não correspondiam às selecções. Eram só os cromos, os cromos da bola.
Ainda assim, à cautela, ouvi hoje o Sr. Scolari na RTP. Quatro dos cromos foram confirmados. Não fui assim tão enganado pelo meu fornecedor de jornais e revistas.
Logo eu, que nem ligo muito à bola.

Caderneta de cromos da Panini, alusiva ao Euro2008 (clicar para aumentar).
Diz que os homens chegam a uma idade em que compram um descapotável e só querem moças novas.
Tenho um amigo que roga a todos os santos que lhe avisem quando estiver a ser ridículo.
Tenho um outro que comprou uma moto e trocou de mulher – o único que eu me lembre que substituiu a cara-metade.
Isto sem se saber muito bem o que é ser ridículo, é coisa que se deslinda bem no caso das moças novas. São elas que se riem dos velhos que as perseguem.
Eu, sem querer ser imune à ridicularia e sem querer ser melhor do que os demais, virei-me para os cromos da bola.
Num lance, vítima da argúcia comercial do meu habitual fornecedor de totolotos, vi-me de caderneta na mão a procurar por carteirinhas de cromos. Há quase quarenta anos que não o fazia. Fui ver e ainda o Eusébio jogava no Benfica com o Zé Augusto, o Coluna, o Jaime Graça, o Torres e o Simões.
A questão essencial que se me colocou foi esta: como é que estes gajos sabem quais são os eleitos do Sr. Scolari? Será por serem eles mesmos italianos?
Depois, lembrei-me que já antigamente os cromos não correspondiam às selecções. Eram só os cromos, os cromos da bola.
Ainda assim, à cautela, ouvi hoje o Sr. Scolari na RTP. Quatro dos cromos foram confirmados. Não fui assim tão enganado pelo meu fornecedor de jornais e revistas.
Logo eu, que nem ligo muito à bola.
Caderneta de cromos da Panini, alusiva ao Euro2008 (clicar para aumentar).
05/05/2008
As doze badaladas do relógio
Há algum tempo percebi que os objectos têm o seu lugar.
E que isso não é objectivo, é antes subjectivo.
Este relógio, cujas badaladas podereis ouvir aqui (clicando em baixo), esteve sempre ligado a uma parede de quatro que faziam a sua caixa de ressonância.
Objectivamente, milhões de outros relógios em milhões de outras paredes parecerão a elas pertencer.
Subjectivamente, hoje foi a primeira vez que o ouvi tiquetaquear, badalar em outro poiso.
Antes não o tivesse feito.
Há algum tempo percebi que os objectos têm o seu lugar.
E que isso não é objectivo, é antes subjectivo.
Este relógio, cujas badaladas podereis ouvir aqui (clicando em baixo), esteve sempre ligado a uma parede de quatro que faziam a sua caixa de ressonância.
Objectivamente, milhões de outros relógios em milhões de outras paredes parecerão a elas pertencer.
Subjectivamente, hoje foi a primeira vez que o ouvi tiquetaquear, badalar em outro poiso.
Antes não o tivesse feito.
03/05/2008
01/05/2008
30/04/2008
O Dia de Maio
No Dia de Maio, é a água que se procura. É o chibo comido na ribeira, é a volta pelos pegos e pelas barragens.
Para mim, é a saudade de uma surpresa.
De um adiamento que se adia. O do tempo de se rever a feira dos Bentos.
O pé a fugir-me para a serra...
No Dia de Maio, é a água que se procura. É o chibo comido na ribeira, é a volta pelos pegos e pelas barragens.
Para mim, é a saudade de uma surpresa.
De um adiamento que se adia. O do tempo de se rever a feira dos Bentos.
O pé a fugir-me para a serra...
29/04/2008
28/04/2008
Carros
Houve um tempo em que não se vendia em Portugal um modelo de automóvel que eu não conhecesse. Estava sempre ao corrente das novidades.
Hoje e quem diz hoje diz há muitos e bons anos, e muito por causa dos modelos vindos do Extremo Oriente, perco o fio à meada. Não fiz a conta a quantos modelos diferentes saem agora por ano e quantos saíam nos anos 60. É provável que a minha dificuldade tenha a ver com isso e com a diversificação de interesses que vem com a mudança de idade.

fotografia em http://shalala-boheme.or.tv/4822_epi.html
Esta imagem caiu-me aqui a propósito de um lance onírico.
Não vou revelar por ora a origem dela, apenas digo que não me pertence.
Guardo-me para quando alguém adivinhar que modelo é este e talvez então contar o que me levou a ela.
Se entretanto ninguém acertar ou mesmo ninguém palpitar, amanhã direi onde a encontrei.
adenda sempre a tempo:
Acertou o homem da Bic Laranja - é um Renault 3 e cacei esta imagem aqui.
Houve um tempo em que não se vendia em Portugal um modelo de automóvel que eu não conhecesse. Estava sempre ao corrente das novidades.
Hoje e quem diz hoje diz há muitos e bons anos, e muito por causa dos modelos vindos do Extremo Oriente, perco o fio à meada. Não fiz a conta a quantos modelos diferentes saem agora por ano e quantos saíam nos anos 60. É provável que a minha dificuldade tenha a ver com isso e com a diversificação de interesses que vem com a mudança de idade.
fotografia em http://shalala-boheme.or.tv/4822_epi.html
Esta imagem caiu-me aqui a propósito de um lance onírico.
Não vou revelar por ora a origem dela, apenas digo que não me pertence.
Guardo-me para quando alguém adivinhar que modelo é este e talvez então contar o que me levou a ela.
Se entretanto ninguém acertar ou mesmo ninguém palpitar, amanhã direi onde a encontrei.
adenda sempre a tempo:
Acertou o homem da Bic Laranja - é um Renault 3 e cacei esta imagem aqui.
26/04/2008
As primeiras pedras
Nas casas, no sentido de património comum a uma família, há objectos que são simbólicos e sobre os quais se edifica. As primeiras pedras.
Sempre julguei serem basilares numa casa uma pedra pomes e uma pedra d’amolar.
Na casa dos meus pais, lá estavam elas, afectiva e efectivamente arrumadinhas cerca uma da outra.
O certo é que não sei delas. Nem duma nem doutra.
A pedra d’amolar é relativamente fácil de arranjar, basta passear na praia e escolher um bom arenito.
Já a pedra pomes é mais difícil de substituir.
Pensando bem, hoje já não se emborneiam as mãos como outrora. Já não se muda o óleo aos carros na garagem. Já não se mete a mão na mecânica dos cavalos de lata como antigamente. Já nem sequer nos rebentam nas mãos as esferográficas ou se desabrem os continentes da tinta permanente.
A pomes faz assim menos falta.
E, claro, há para a função das duas, milhentas outras fórmulas e instrumentos mágicos.
Mas eu sou mais pela tradição. Sou da idade da pedra.
Não sei para que digo isto, se inda hoje fui de chocalho tapado ali à feira comprar uma “pedra” daquelas dos chineses para amolar as facas.
Nas casas, no sentido de património comum a uma família, há objectos que são simbólicos e sobre os quais se edifica. As primeiras pedras.
Sempre julguei serem basilares numa casa uma pedra pomes e uma pedra d’amolar.
Na casa dos meus pais, lá estavam elas, afectiva e efectivamente arrumadinhas cerca uma da outra.
O certo é que não sei delas. Nem duma nem doutra.
A pedra d’amolar é relativamente fácil de arranjar, basta passear na praia e escolher um bom arenito.
Já a pedra pomes é mais difícil de substituir.
Pensando bem, hoje já não se emborneiam as mãos como outrora. Já não se muda o óleo aos carros na garagem. Já não se mete a mão na mecânica dos cavalos de lata como antigamente. Já nem sequer nos rebentam nas mãos as esferográficas ou se desabrem os continentes da tinta permanente.
A pomes faz assim menos falta.
E, claro, há para a função das duas, milhentas outras fórmulas e instrumentos mágicos.
Mas eu sou mais pela tradição. Sou da idade da pedra.
Não sei para que digo isto, se inda hoje fui de chocalho tapado ali à feira comprar uma “pedra” daquelas dos chineses para amolar as facas.
25/04/2008
INCI
Do Imposto Nacional para a Convivência com Imbecis deverão sair os fundos para:
Reparar edifícios públicos calculados pelos ditos e que entram em colapso.
Reparar edifícios particulares magicados pelos ditos que depois exigem subsílios quando estes entram em colapso.
Indemnizar as vítimas dos ditos sempre que estes tomam decisões compatíveis com o seu quociente de inteligência.
O mais que couber em alínea d).
Do Imposto Nacional para a Convivência com Imbecis deverão sair os fundos para:
Reparar edifícios públicos calculados pelos ditos e que entram em colapso.
Reparar edifícios particulares magicados pelos ditos que depois exigem subsílios quando estes entram em colapso.
Indemnizar as vítimas dos ditos sempre que estes tomam decisões compatíveis com o seu quociente de inteligência.
O mais que couber em alínea d).
23/04/2008
Os preconceitos estúpidos
Há pouca coisa que mais me irrite do que a minha estupidez.
Estupidez a minha ao irritar-me com a minha estupidez – goza da propriedade telescópica esta asserção – mas é assim. Irrito-me, pronto.
Chegado a penates, vejo as horas aqui no canto do écran, onde tenho uma espécie de bateria globetrotter de relógios, como era uso de redacções e serviços estratégicos.
Qualquer coisa não batia bem. Mirei o relógio que hoje, por acaso, ostentava no pulso e havia um desfasamento de vinte e tal minutos. Que raio, o relógio nunca me falhara. É de uma qualidade admirável para brinde publicitário, posta à prova em oito anos e apenas soçobrando à falta de pilha. Teria eu inadvertidamente mexido nos ponteiros?
Lá o acertei pelo do sistema operativo.
Foi então que liguei a televisão, no canto do écran oposto ao do relógio.
Estavam as horas certas com o relógio imputável.
Irritei-me com a minha estupidez, com o preconceito de ter imediatamente posto a confiança do lado da máquina mais evoluída, em detrimento da mais elementar. E mais ainda, por tudo isso ter cilindrado o meu relógio mental no qual deposito uma confiança quase inabalável, apenas se batendo com a bússola que está ao lado.
Qualquer coisa aconteceu portanto aqui no PC enquanto andei lá por fora, enquanto mirei montras há anos tapadas com páginas de necrologia que me suscitaram uma rápida reflexão sobre as diferentes formas de lidar com a publicidade da morte no nosso país, que há no norte e no sul.
E com o eco que um anúncio de morte deixado numa montra a amarelecer faz dessa notícia.
Até da forma dos caixões – secção longitudinal horizontal rectangular no meridião e e em hexágono irregular no setentrião – me lembrei.
E com mais milhentas considerações poéticas sobre o caso que a nada levam a não ser a prosaicos versos brancos.
Há um prenúncio de morte nesta máquina. A minha imagem virtual um destes dias desaparece às mãos de um processador, de uma memória. São estes os nomes das coisas. Reais ou virtuais?
Como me irrito com a minha estupidez!
Há pouca coisa que mais me irrite do que a minha estupidez.
Estupidez a minha ao irritar-me com a minha estupidez – goza da propriedade telescópica esta asserção – mas é assim. Irrito-me, pronto.
Chegado a penates, vejo as horas aqui no canto do écran, onde tenho uma espécie de bateria globetrotter de relógios, como era uso de redacções e serviços estratégicos.
Qualquer coisa não batia bem. Mirei o relógio que hoje, por acaso, ostentava no pulso e havia um desfasamento de vinte e tal minutos. Que raio, o relógio nunca me falhara. É de uma qualidade admirável para brinde publicitário, posta à prova em oito anos e apenas soçobrando à falta de pilha. Teria eu inadvertidamente mexido nos ponteiros?
Lá o acertei pelo do sistema operativo.
Foi então que liguei a televisão, no canto do écran oposto ao do relógio.
Estavam as horas certas com o relógio imputável.
Irritei-me com a minha estupidez, com o preconceito de ter imediatamente posto a confiança do lado da máquina mais evoluída, em detrimento da mais elementar. E mais ainda, por tudo isso ter cilindrado o meu relógio mental no qual deposito uma confiança quase inabalável, apenas se batendo com a bússola que está ao lado.
Qualquer coisa aconteceu portanto aqui no PC enquanto andei lá por fora, enquanto mirei montras há anos tapadas com páginas de necrologia que me suscitaram uma rápida reflexão sobre as diferentes formas de lidar com a publicidade da morte no nosso país, que há no norte e no sul.
E com o eco que um anúncio de morte deixado numa montra a amarelecer faz dessa notícia.
Até da forma dos caixões – secção longitudinal horizontal rectangular no meridião e e em hexágono irregular no setentrião – me lembrei.
E com mais milhentas considerações poéticas sobre o caso que a nada levam a não ser a prosaicos versos brancos.
Há um prenúncio de morte nesta máquina. A minha imagem virtual um destes dias desaparece às mãos de um processador, de uma memória. São estes os nomes das coisas. Reais ou virtuais?
Como me irrito com a minha estupidez!
21/04/2008
Das gaivotas que dão em borboletas
Mais uma Biblioteca de Alexandria que se vai.
Ou como a poesia (a crer no que está escrito) é uma tábua de ligação dos andaimes mentais.
Mais uma Biblioteca de Alexandria que se vai.
Ou como a poesia (a crer no que está escrito) é uma tábua de ligação dos andaimes mentais.
20/04/2008
Os sonhos
Para quem se lembra deles ou para quem se dá ao trabalho de os ditar em fresco para um aparelho, como é o meu caso ultimamente, são um manancial de surpresas.
Durante uns tempos coleccionei sonhos despovoados, sem gente, sem animais.
Agora parecem-se mais com coisas plausíveis, mas poucas vezes lhes entrevejo pontos de ligação com a realidade que eu conheço e vivo.
Aqui há coisa de ano e meio, tive um sonho que aqui tentei descrever sob o nome d’“O palácio dos dois zz”.
Para além das duas personagens conhecidas e bem identificadas e tão longínquas nas minhas relações, tudo o resto não me dizia nada.
Havia a referência a Mafra e a habitual distorção topológica e era tudo.
Hoje, leio o que escrevi e apenas baseando-me no que está reduzido a escrito, evitando confundir falsas memórias com os acontecimentos, verifico que há ali demasiadas notas de um futuro – que é agora o presente – demasiadas notas com que me cruzei por estes dias, sem ter ido à procura delas.
Não me recordo de ter alguma vez passado por tal sensação.
Para quem se lembra deles ou para quem se dá ao trabalho de os ditar em fresco para um aparelho, como é o meu caso ultimamente, são um manancial de surpresas.
Durante uns tempos coleccionei sonhos despovoados, sem gente, sem animais.
Agora parecem-se mais com coisas plausíveis, mas poucas vezes lhes entrevejo pontos de ligação com a realidade que eu conheço e vivo.
Aqui há coisa de ano e meio, tive um sonho que aqui tentei descrever sob o nome d’“O palácio dos dois zz”.
Para além das duas personagens conhecidas e bem identificadas e tão longínquas nas minhas relações, tudo o resto não me dizia nada.
Havia a referência a Mafra e a habitual distorção topológica e era tudo.
Hoje, leio o que escrevi e apenas baseando-me no que está reduzido a escrito, evitando confundir falsas memórias com os acontecimentos, verifico que há ali demasiadas notas de um futuro – que é agora o presente – demasiadas notas com que me cruzei por estes dias, sem ter ido à procura delas.
Não me recordo de ter alguma vez passado por tal sensação.
19/04/2008
18/04/2008
PSD

Tenho Passos Coelho na conta de um homem inteligente.
Nunca o ouvi dizer uma barbaridade que fosse e já o ouvi desenvolver raciocínios que só estão ao alcance dos capazes.
Para variar, não é mau que se candidate.
Porém, nem sempre ou quase nunca um homem inteligente é o melhor político.
Não se trata de levar naves a Marte, trata-se de governar um povo.
Mas é (seria) uma satisfação não ter que ouvir (des)arrazoados imbecis.
Tenho Passos Coelho na conta de um homem inteligente.
Nunca o ouvi dizer uma barbaridade que fosse e já o ouvi desenvolver raciocínios que só estão ao alcance dos capazes.
Para variar, não é mau que se candidate.
Porém, nem sempre ou quase nunca um homem inteligente é o melhor político.
Não se trata de levar naves a Marte, trata-se de governar um povo.
Mas é (seria) uma satisfação não ter que ouvir (des)arrazoados imbecis.
17/04/2008
Menezismo silente
Tinha aqui uma nota para publicar, datada de Dezembro em que me interrogava:
O que é que se passa com a voz do Dr. Luís Filipe Menezes, desde que foi eleito presidente do PSD? Passa-se algo com a voz dele ou os microfones são todos diferentes e os jornalistas também, visto que o tom das perguntas permanece o mesmo?
Tinha aqui uma nota para publicar, datada de Dezembro em que me interrogava:
O que é que se passa com a voz do Dr. Luís Filipe Menezes, desde que foi eleito presidente do PSD? Passa-se algo com a voz dele ou os microfones são todos diferentes e os jornalistas também, visto que o tom das perguntas permanece o mesmo?
16/04/2008
Os verdes e os vermelhos - parte III de 2007/2008*

imagem daqui
* em jogos oficiais, se não me falha a memória.
imagem daqui
* em jogos oficiais, se não me falha a memória.
O acordo
É claro que a língua e a sua evolução não é ciência certa.
Pensar que o é, é que é rotundo disparate.
A ortografia, contudo, é convencional. Só que, sendo convencional, influencia a língua, introduzindo nela factores de modificação.
Penetrar nos meandros das transformações que a língua sofrerá num futuro mais ou menos longínquo, é estultícia, dada a complexidade dos mecanismos e o número de factores em jogo.
Quando ouço estes mestres ditos da língua, quando os vejo arrazoar, a primeira coisa que me ocorre é sujeitá-los a uma elementaríssima prova de raciocínio, a demonstração – por um método qualquer que seja – do teorema de Pitágoras. Apenas isso.
Há alguns, poucos, que dão mostras de conseguir superar o teste.
Eu e os meus preconceitos...
É claro que a língua e a sua evolução não é ciência certa.
Pensar que o é, é que é rotundo disparate.
A ortografia, contudo, é convencional. Só que, sendo convencional, influencia a língua, introduzindo nela factores de modificação.
Penetrar nos meandros das transformações que a língua sofrerá num futuro mais ou menos longínquo, é estultícia, dada a complexidade dos mecanismos e o número de factores em jogo.
Quando ouço estes mestres ditos da língua, quando os vejo arrazoar, a primeira coisa que me ocorre é sujeitá-los a uma elementaríssima prova de raciocínio, a demonstração – por um método qualquer que seja – do teorema de Pitágoras. Apenas isso.
Há alguns, poucos, que dão mostras de conseguir superar o teste.
Eu e os meus preconceitos...
A pena
A pena que foi aplicada ao tipo que andou por ali mas nada fez, nada tira ao que escrevi.
Antes corrobora. Porque é facto.
A pena que foi aplicada ao tipo que andou por ali mas nada fez, nada tira ao que escrevi.
Antes corrobora. Porque é facto.
15/04/2008
14/04/2008
Um país de doidos
As sociedades parecem ter evoluído juntamente com o Homem.
O Homem evoluiu de acordo com uma directriz que desconhecemos em absoluto. O mais perto que podemos chegar dela é para dizer que se apurou para sobreviver – é o que nos parece.
E o que parece também ser o caso das demais espécies vivas, ainda que saibamos que algumas soçobraram.
As sociedades a partir do somatório das cabeças, grosseiramente dito.
Há depois a questão misteriosa dos valores.
Temos, ainda, cada um de nós um ideal de sociedade, de justiça, de conforto, de bem. E com vista no qual, às vezes pensamos que nos aperfeiçoaremos com o tempo. Sendo que cada pessoa terá o seu ideal, haverá diversíssimos pontos de contacto entre os valores de cada um e os do seu próximo.
Creio que tudo isto é coisa perecível e que um dia virá em que os valores sejam mais uma coisa arrumada nas prateleiras do pensamento mágico.
Mas, por enquanto, enquanto ainda os cultivamos, há coisas que dificilmente se entendem ou só se entendem à luz de uma sociedade comandada por mentecaptos, sujeita a uma teoria do coitadinhismo em que as regras de civilidade não são para cumprir, que o criminoso é sempre mais coitado do que a vítima, em que não há nem pode haver castigo para a prevaricação, a menos que... E é esse a menos que que é incerto, que é sujeito às modas que ora se inculcam ao povoléu ora o dito inventa a partir da tal evolução a que estão sujeitos os seus elementos.
E digo que são mentecaptos não por concordar ou discordar do que teorizam. Digo-o porque vejo serem incongruentes os edifícios teóricos que esboçam, por não serem capazes de lhes preverem as mais básicas das consequências e por depois se queixarem das regras que explícita ou implicitamente criaram.
As notícias de ontem e de hoje dão conta, a serem verdadeiras, de duas situações paralelas que bem ilustram este desnorte.
Diz-se que os persistentes não-pagadores de impostos vão parar à cadeia. Não me oporia se não ouvisse a seguir que os tipos que mataram um desgraçado à pancada e o abandonaram numa espécie de fundo de um poço, apanharão – apenas um deles – no máximo uma qualquer pena suspensa.
A ser isto verdade, este é apenas mais um sinal do que é há muito uma certeza. Estamos entregues a mentecaptos, cheios de teorias sociais que, de resto, são completamente incapazes de compreender.
As sociedades parecem ter evoluído juntamente com o Homem.
O Homem evoluiu de acordo com uma directriz que desconhecemos em absoluto. O mais perto que podemos chegar dela é para dizer que se apurou para sobreviver – é o que nos parece.
E o que parece também ser o caso das demais espécies vivas, ainda que saibamos que algumas soçobraram.
As sociedades a partir do somatório das cabeças, grosseiramente dito.
Há depois a questão misteriosa dos valores.
Temos, ainda, cada um de nós um ideal de sociedade, de justiça, de conforto, de bem. E com vista no qual, às vezes pensamos que nos aperfeiçoaremos com o tempo. Sendo que cada pessoa terá o seu ideal, haverá diversíssimos pontos de contacto entre os valores de cada um e os do seu próximo.
Creio que tudo isto é coisa perecível e que um dia virá em que os valores sejam mais uma coisa arrumada nas prateleiras do pensamento mágico.
Mas, por enquanto, enquanto ainda os cultivamos, há coisas que dificilmente se entendem ou só se entendem à luz de uma sociedade comandada por mentecaptos, sujeita a uma teoria do coitadinhismo em que as regras de civilidade não são para cumprir, que o criminoso é sempre mais coitado do que a vítima, em que não há nem pode haver castigo para a prevaricação, a menos que... E é esse a menos que que é incerto, que é sujeito às modas que ora se inculcam ao povoléu ora o dito inventa a partir da tal evolução a que estão sujeitos os seus elementos.
E digo que são mentecaptos não por concordar ou discordar do que teorizam. Digo-o porque vejo serem incongruentes os edifícios teóricos que esboçam, por não serem capazes de lhes preverem as mais básicas das consequências e por depois se queixarem das regras que explícita ou implicitamente criaram.
As notícias de ontem e de hoje dão conta, a serem verdadeiras, de duas situações paralelas que bem ilustram este desnorte.
Diz-se que os persistentes não-pagadores de impostos vão parar à cadeia. Não me oporia se não ouvisse a seguir que os tipos que mataram um desgraçado à pancada e o abandonaram numa espécie de fundo de um poço, apanharão – apenas um deles – no máximo uma qualquer pena suspensa.
A ser isto verdade, este é apenas mais um sinal do que é há muito uma certeza. Estamos entregues a mentecaptos, cheios de teorias sociais que, de resto, são completamente incapazes de compreender.
13/04/2008
As pernas das meias e o não-galanteador
Há frases que nos saem da boca quando menos esperamos. Algumas delas são assassinas.
Não que seja aquela coisa de “disse sem pensar, desculpa lá!”. Que isso é um dos maiores disparates que se sedimentou no argumentário popular. Ninguém diz coisa alguma que não esteja na cabeça, na qual não tenha já pensado.
É mais o despropósito, a inadequação ao tempo e ao modo.
Uma das que ainda hoje me atormenta, quase um quarto de século depois, não tanto pelo impacto que teve, mas mais pelo ridículo por que eu próprio passei de imediato no meu espelho, saiu-me numa réplica a uma afirmação inesperada.
A primeira vez que vira aquela mulher fora umas escassas horas antes. Achara-a morfologicamente interessante, muito interessante até.
Talvez tivesse trocado com ela duas ou três frases, antes de nos metermos ao caminho - vou eu à frente, que sei o caminho – motoristas de serviço que ambos éramos.
E eis que estávamos a almoçar a dois, algures em parte certa.
Já não me recordo do que a terá levado a dizer tal coisa. Mas disse. Disse que as pernas que se viam nas tampas das caixas de certa marca de meias de senhora eram da mãe dela.
Disse isso e disse mais qualquer coisa antes que eu tivesse retorquido.
E retorqui, claro, da forma mais desastrosa:
“Sem galanteio, tem então a quem sair!”
Mas sem galanteio porquê, minha besta? – disse-me o grilo, de imediato.
E não achas que foste assim vulgarinho? – continuou.
Muito embora não saiba muito bem a quê ou a quem atribuir o facto de não me ter oferecido para a acompanhar a casa no final do dia, certo de que a oferta não seria desprezada, ainda hoje culpo o grilo. E ele, a mim.
Lembrei-me disto por causa desta caixa ou lembrei-me da caixa por causa disto. Já não sei bem. Mas esta senhora não era a mãe dela. Era de outra marca.
Há frases que nos saem da boca quando menos esperamos. Algumas delas são assassinas.
Não que seja aquela coisa de “disse sem pensar, desculpa lá!”. Que isso é um dos maiores disparates que se sedimentou no argumentário popular. Ninguém diz coisa alguma que não esteja na cabeça, na qual não tenha já pensado.
É mais o despropósito, a inadequação ao tempo e ao modo.
Uma das que ainda hoje me atormenta, quase um quarto de século depois, não tanto pelo impacto que teve, mas mais pelo ridículo por que eu próprio passei de imediato no meu espelho, saiu-me numa réplica a uma afirmação inesperada.
A primeira vez que vira aquela mulher fora umas escassas horas antes. Achara-a morfologicamente interessante, muito interessante até.
Talvez tivesse trocado com ela duas ou três frases, antes de nos metermos ao caminho - vou eu à frente, que sei o caminho – motoristas de serviço que ambos éramos.
E eis que estávamos a almoçar a dois, algures em parte certa.
Já não me recordo do que a terá levado a dizer tal coisa. Mas disse. Disse que as pernas que se viam nas tampas das caixas de certa marca de meias de senhora eram da mãe dela.
Disse isso e disse mais qualquer coisa antes que eu tivesse retorquido.
E retorqui, claro, da forma mais desastrosa:
“Sem galanteio, tem então a quem sair!”
Mas sem galanteio porquê, minha besta? – disse-me o grilo, de imediato.
E não achas que foste assim vulgarinho? – continuou.
Muito embora não saiba muito bem a quê ou a quem atribuir o facto de não me ter oferecido para a acompanhar a casa no final do dia, certo de que a oferta não seria desprezada, ainda hoje culpo o grilo. E ele, a mim.
Lembrei-me disto por causa desta caixa ou lembrei-me da caixa por causa disto. Já não sei bem. Mas esta senhora não era a mãe dela. Era de outra marca.
12/04/2008
11/04/2008
Memórias (II)
Ao iniciar esta série de posts, tinha em mente pedir a ajuda dos leitores na identificação e recuperação de memórias que me são caras.
O caso para que peço a vossa colaboração é este:
Há cerca de quarenta anos, para mais, vinham cá ter a casa uns magníficos calendários escandinavos com uma esplêndida fotografia para cada mês.
Havia fotografias a preto-e-branco e a cores. Não me recordo se coincidiam no mesmo ano ou se havia anos cinzentos e anos coloridos.
Das minhas infrutíferas pesquisas na rede, uma suspeita: a de que se tratasse das séries “Splendor of Norway” ou “Splendor of Sweden”, por esplêndidas serem as imagens.
Mas nada sei sequer sobre a data da primeira edição.
Gostava mesmo era de, a existirem, conseguir ver edições de há quarenta e tal anos e ver se sim, se era um destes títulos.
Alguém me pode ajudar?
Ao iniciar esta série de posts, tinha em mente pedir a ajuda dos leitores na identificação e recuperação de memórias que me são caras.
O caso para que peço a vossa colaboração é este:
Há cerca de quarenta anos, para mais, vinham cá ter a casa uns magníficos calendários escandinavos com uma esplêndida fotografia para cada mês.
Havia fotografias a preto-e-branco e a cores. Não me recordo se coincidiam no mesmo ano ou se havia anos cinzentos e anos coloridos.
Das minhas infrutíferas pesquisas na rede, uma suspeita: a de que se tratasse das séries “Splendor of Norway” ou “Splendor of Sweden”, por esplêndidas serem as imagens.
Mas nada sei sequer sobre a data da primeira edição.
Gostava mesmo era de, a existirem, conseguir ver edições de há quarenta e tal anos e ver se sim, se era um destes títulos.
Alguém me pode ajudar?
09/04/2008
Já que andamos numa de Laboratório
Porque não verificar os cálculos estruturais, incluindo da cobertura, do armazém que se viu destruído hoje pelo tornado?
Para que velocidade de vento estava calculada a dita cobertura?
Aqui há uns anos caiu um nevão mais intenso em Bragança.
Inúmeras coberturas cederam ao peso da neve.
Os edifícios mais antigos escaparam.
Alguma coisa isto deve querer dizer.
Porque não verificar os cálculos estruturais, incluindo da cobertura, do armazém que se viu destruído hoje pelo tornado?
Para que velocidade de vento estava calculada a dita cobertura?
Aqui há uns anos caiu um nevão mais intenso em Bragança.
Inúmeras coberturas cederam ao peso da neve.
Os edifícios mais antigos escaparam.
Alguma coisa isto deve querer dizer.
A segunda guerra do Iraque
Há exactamente cinco anos, as tropas americanas entraram em Bagdade.
Nesses dias trocava amiúde impressões com um tipo que estava mais ou menos a meio do caminho entre Lisboa e a capital do Iraque.
Nos dias que antecederam a tomada, traçámos e trocámos caricaturas do que seria a situação futura.
Numa delas, lembro-me de lhe ter dito que os americanos conseguiriam sitiar Bagdade mas que teriam dificuldade em lá entrar.
Via a coisa como uma cidade entrincheirada em que os sitiantes usariam de uma panóplia de Stans de Monkey Island gesticulando no meio de grandes carrões americanos usados “for sale”, de tendas de comida de plástico (incluindo os hot dogs de carne de porco), de feéricos sete-sete-setes piscantes e o mais que fosse, na tentativa de replicar o cavalo de Tróia.
E que seria interessante ver o número de barracas tais a aumentar com o tempo, enquanto o cerco durasse.
Enganei-me nisso rotundamente.
Quem não se enganou foi o marine entrevistado por David Chater.
Há exactamente cinco anos, as tropas americanas entraram em Bagdade.
Nesses dias trocava amiúde impressões com um tipo que estava mais ou menos a meio do caminho entre Lisboa e a capital do Iraque.
Nos dias que antecederam a tomada, traçámos e trocámos caricaturas do que seria a situação futura.
Numa delas, lembro-me de lhe ter dito que os americanos conseguiriam sitiar Bagdade mas que teriam dificuldade em lá entrar.
Via a coisa como uma cidade entrincheirada em que os sitiantes usariam de uma panóplia de Stans de Monkey Island gesticulando no meio de grandes carrões americanos usados “for sale”, de tendas de comida de plástico (incluindo os hot dogs de carne de porco), de feéricos sete-sete-setes piscantes e o mais que fosse, na tentativa de replicar o cavalo de Tróia.
E que seria interessante ver o número de barracas tais a aumentar com o tempo, enquanto o cerco durasse.
Enganei-me nisso rotundamente.
Quem não se enganou foi o marine entrevistado por David Chater.
08/04/2008
O Tempo e o tempo

espólio Campos Vilhena - autor desconhecido
Deste Abril arremeda o de 1981. Com 3 dias de avanço, mais coisa menos coisa.
O calor a que se seguiu a chuvada.
Arremedará muitíssimos outros anos, decerto. Mas deste lembro-me bem.
Encontrei o teu nome ontem na rede pela primeira vez. Numa página do Instituto de História Contemporânea.
Posso dizer que tinha, no instante anterior, uma certeza inconsciente de o encontrar.
espólio Campos Vilhena - autor desconhecido
Deste Abril arremeda o de 1981. Com 3 dias de avanço, mais coisa menos coisa.
O calor a que se seguiu a chuvada.
Arremedará muitíssimos outros anos, decerto. Mas deste lembro-me bem.
Encontrei o teu nome ontem na rede pela primeira vez. Numa página do Instituto de História Contemporânea.
Posso dizer que tinha, no instante anterior, uma certeza inconsciente de o encontrar.
Afinal (outra vez)*
Não é de uma ponte que se trata. É de pelourinhos. Tantos que eles são.
Ficou demonstrado o disparate da fotomontagem tantas vezes brandida. E assim demonstrada a incapacidade crítica de todos quantos a brandiram.
Ficou a perceber-se porque é que uma ponte assim só pode sair no Poço do Bispo (a que é dita no Beato) e uma ponte assado só pode sair no Beato (a que é dita em Chelas)**.
Ficou a perceber-se porque é que não pode ser frito ou cozido.
É que não há lóbis que os defendam. As pontes só podem ser de tirantes e só podem sair daquelas partes.
E fica sempre esta ideia de gente pouco capaz.
Isso é que é o mais grave.
*Ouvindo o debate em “Prós e Contras”.
**Todo o mérito ao homem que escreve com a Bic Laranja e que comigo travou argumentos sobre designações absurdas.
Não é de uma ponte que se trata. É de pelourinhos. Tantos que eles são.
Ficou demonstrado o disparate da fotomontagem tantas vezes brandida. E assim demonstrada a incapacidade crítica de todos quantos a brandiram.
Ficou a perceber-se porque é que uma ponte assim só pode sair no Poço do Bispo (a que é dita no Beato) e uma ponte assado só pode sair no Beato (a que é dita em Chelas)**.
Ficou a perceber-se porque é que não pode ser frito ou cozido.
É que não há lóbis que os defendam. As pontes só podem ser de tirantes e só podem sair daquelas partes.
E fica sempre esta ideia de gente pouco capaz.
Isso é que é o mais grave.
*Ouvindo o debate em “Prós e Contras”.
**Todo o mérito ao homem que escreve com a Bic Laranja e que comigo travou argumentos sobre designações absurdas.
07/04/2008
A colecção Pirata na Rede

Pertenço ao grupo dos que sentem ser insuportável ler um livro no écran do computador, conquanto consigam ler com satisfação textos curtos e sem seguimento como os dos blogues.
Uma análise aprofundada da coisa, com um número de casos pessoais que permitisse tal, seria decerto interessante para estabelecer limites a partir dos quais...
Pertenço igualmente a mais dois grupos. O dos amantes do livro e o dos que fazem contas às coisas e têm por isso hábitos de consumo muitíssimo frugais, ao nível do pesadelo de qualquer vendedor.
É por tudo isso e mais uns pós, que posso afirmar que os livros da colecção Pirata na Rede saem caros.
Ele é a mão d’obra que tem que procurar, carregar em memória e formatar à medida exigida, um livro escolhido que esteja disponível na rede.
Que tem ainda que arranjar um algoritmo eficiente para comandar a impressora na feitura dos cadernos de ene páginas e brochar o resultado. Com gaze esterilizada e tudo.
E que engendrar uma capa à altura dos acontecimentos, imprimi-la, colá-la em cartolina e aplicar-lhe um autocolante transparente para resguardo.
Ele é depois o material - as folhas de papel, a tinta, a cartolina, o autocolante, a linha, a gaze e a cola.
Sai carote. Mas é uma satisfação. Só falta a guilhotina daquelas a sério para aparar as bordaduras, mas isso é quase de borla. Só se gastam solas.
Pertenço ao grupo dos que sentem ser insuportável ler um livro no écran do computador, conquanto consigam ler com satisfação textos curtos e sem seguimento como os dos blogues.
Uma análise aprofundada da coisa, com um número de casos pessoais que permitisse tal, seria decerto interessante para estabelecer limites a partir dos quais...
Pertenço igualmente a mais dois grupos. O dos amantes do livro e o dos que fazem contas às coisas e têm por isso hábitos de consumo muitíssimo frugais, ao nível do pesadelo de qualquer vendedor.
É por tudo isso e mais uns pós, que posso afirmar que os livros da colecção Pirata na Rede saem caros.
Ele é a mão d’obra que tem que procurar, carregar em memória e formatar à medida exigida, um livro escolhido que esteja disponível na rede.
Que tem ainda que arranjar um algoritmo eficiente para comandar a impressora na feitura dos cadernos de ene páginas e brochar o resultado. Com gaze esterilizada e tudo.
E que engendrar uma capa à altura dos acontecimentos, imprimi-la, colá-la em cartolina e aplicar-lhe um autocolante transparente para resguardo.
Ele é depois o material - as folhas de papel, a tinta, a cartolina, o autocolante, a linha, a gaze e a cola.
Sai carote. Mas é uma satisfação. Só falta a guilhotina daquelas a sério para aparar as bordaduras, mas isso é quase de borla. Só se gastam solas.
06/04/2008
A leitura, a hermenêutica e a semiótica

Está este sinal C1 – sentido proibido – implantado num troço de rua que serve uma biblioteca municipal.
Faz referência à leitura e aos veículos que a servem.
Mas o caso é que, ao contrário do que prevê a convenção – neste caso o Código da Estrada e sua regulamentação – não usa uma placa adicional 10a para assegurar a excepção à regra. Antes, talvez para poupar dinheiro, usa o campo vermelho do sinal.
E ainda a atribui, a excepção, a “carros itinerantes”.
Afinal a leitura só por si...
Está este sinal C1 – sentido proibido – implantado num troço de rua que serve uma biblioteca municipal.
Faz referência à leitura e aos veículos que a servem.
Mas o caso é que, ao contrário do que prevê a convenção – neste caso o Código da Estrada e sua regulamentação – não usa uma placa adicional 10a para assegurar a excepção à regra. Antes, talvez para poupar dinheiro, usa o campo vermelho do sinal.
E ainda a atribui, a excepção, a “carros itinerantes”.
Afinal a leitura só por si...
05/04/2008
Andrades

imagem do site do FCP
Uma coisa que me ocorre hoje é saudar os portistas.
Não é vulgar ganhar-se um campeonato com uma supremacia tão declarada.
Será ainda viva a donzela abandonada no Estádio do Lima?
imagem do site do FCP
Uma coisa que me ocorre hoje é saudar os portistas.
Não é vulgar ganhar-se um campeonato com uma supremacia tão declarada.
Será ainda viva a donzela abandonada no Estádio do Lima?
04/04/2008
Ainda sobre a ponte
A quantidade de fotomontagens que apareceram para ilustrar o ”monstro no meio do rio”, independentemente do que poderá de facto ser o impacto visual de uma ponte no local previsto, é ilustrativa sim da mesma ignorância e da mesma estupidez que aceita como bom um qualquer rosto para Tutancamon.
Quando a ponte estiver construída de acordo com um projecto que se verá como é, espero ter ainda cópias destas fotomontagens.
Esta fotomontagem da velha Ponte sobre o Tejo tem diferenças com o então construído. Mas são poucas. Dá uma ideia muito, muito aproximada do resultado final.

fotomontagem do projecto vencedor do concurso in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
A quantidade de fotomontagens que apareceram para ilustrar o ”monstro no meio do rio”, independentemente do que poderá de facto ser o impacto visual de uma ponte no local previsto, é ilustrativa sim da mesma ignorância e da mesma estupidez que aceita como bom um qualquer rosto para Tutancamon.
Quando a ponte estiver construída de acordo com um projecto que se verá como é, espero ter ainda cópias destas fotomontagens.
Esta fotomontagem da velha Ponte sobre o Tejo tem diferenças com o então construído. Mas são poucas. Dá uma ideia muito, muito aproximada do resultado final.
fotomontagem do projecto vencedor do concurso in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
03/04/2008
A ponte
O facto de me ter encontrado a maior parte do dia do sol em parte incerta, parte incerta para mim, não me permite a conclusão de que a próxima ponte, ou uma das próximas, a lançar sobre o rio Tejo será entre Chelas e o Barreiro. Neste preciso momento, entrego-me às delícias da teclação para vos dar conta do meu estado d’alma enquanto espreito os gloriosos cavaleiros das riscas verdes e brancas a trocarem os olhos aos protestantes de Glásgua.
Dito isto, e parecendo-me que houve mais uma decisão sobre o caso de se ter decidido tomar a decisão de a construir, uma dúvida avassala-me:
Como irá a insigne cabeça classificar, ordinalmente, a nova obra d’arte? A terceira, como dizem os demais, a segunda como alvitram alguns outros ou a quinta, como coerentemente deveria fazer?
O facto de me ter encontrado a maior parte do dia do sol em parte incerta, parte incerta para mim, não me permite a conclusão de que a próxima ponte, ou uma das próximas, a lançar sobre o rio Tejo será entre Chelas e o Barreiro. Neste preciso momento, entrego-me às delícias da teclação para vos dar conta do meu estado d’alma enquanto espreito os gloriosos cavaleiros das riscas verdes e brancas a trocarem os olhos aos protestantes de Glásgua.
Dito isto, e parecendo-me que houve mais uma decisão sobre o caso de se ter decidido tomar a decisão de a construir, uma dúvida avassala-me:
Como irá a insigne cabeça classificar, ordinalmente, a nova obra d’arte? A terceira, como dizem os demais, a segunda como alvitram alguns outros ou a quinta, como coerentemente deveria fazer?
Circulações
Às vezes, há uma ciência que cai sobre o mar.
Apenas sobre o mar.
Uma ciência quase cega.
Cega pela luz refractada em nuvens baixas.
Sobre o mar, apenas sobre o mar.
Da praia, confundimos as hipóteses com comboios bombardeados.
Comboios de navios, porque a ciência cai às vezes sobre o mar.
Só. A ciência cai só. E só sobre o mar.
SG, inéditos, 2008
Às vezes, há uma ciência que cai sobre o mar.
Apenas sobre o mar.
Uma ciência quase cega.
Cega pela luz refractada em nuvens baixas.
Sobre o mar, apenas sobre o mar.
Da praia, confundimos as hipóteses com comboios bombardeados.
Comboios de navios, porque a ciência cai às vezes sobre o mar.
Só. A ciência cai só. E só sobre o mar.
SG, inéditos, 2008
02/04/2008
29/03/2008
A empena desportiva
Ao ouvir um destes dias falar em “verdade desportiva” ocorreu-me que não há hoje (ou a minha ignorância não me permite sabê-lo) uma palavra que signifique o desporto tal como ele era.
Usando o bom português de antanho talvez pudéssemos ir por folga, folgança, folguedo.
O caso é que não se pode usar desporto para significar desporto.
Um destes dias fui surpreendido por um casal a fotografar uma rua. O enquadramento era alto pelo que a parte feminina do dito casal entendeu que eu lhe fotografava a empena do prédio, interpelando-me a propósito. Quando lhe disse que não tinha nada a ver com obras ou com orçamentos, quis saber por que raio lhe fotografava então a empena.
Por desporto, minha senhora.
E ela: Humpf! Por desporto!...
Acho que lhe adivinhei a resposta, pois já a recebi de costas.
Ao ouvir um destes dias falar em “verdade desportiva” ocorreu-me que não há hoje (ou a minha ignorância não me permite sabê-lo) uma palavra que signifique o desporto tal como ele era.
Usando o bom português de antanho talvez pudéssemos ir por folga, folgança, folguedo.
O caso é que não se pode usar desporto para significar desporto.
Um destes dias fui surpreendido por um casal a fotografar uma rua. O enquadramento era alto pelo que a parte feminina do dito casal entendeu que eu lhe fotografava a empena do prédio, interpelando-me a propósito. Quando lhe disse que não tinha nada a ver com obras ou com orçamentos, quis saber por que raio lhe fotografava então a empena.
Por desporto, minha senhora.
E ela: Humpf! Por desporto!...
Acho que lhe adivinhei a resposta, pois já a recebi de costas.
27/03/2008
Portugal, esta tarde

Aceitam-se palpites sobre esta localização em forma de kmz com erro a menos de 10m.
Aceitam-se palpites sobre esta localização em forma de kmz com erro a menos de 10m.
26/03/2008
25/03/2008
Das divisões do Mundo (episódio n+4)
O Mundo também se divide entre os que, ao ouvirem “Stars and stripes forever” de John Philip de Sousa, de imediato dizem, com os olhos marejados: “A banda do Barreiro a passar a Ponte sobre o Tejo!” e os outros, os incontáveis outros.
O Mundo também se divide entre os que, ao ouvirem “Stars and stripes forever” de John Philip de Sousa, de imediato dizem, com os olhos marejados: “A banda do Barreiro a passar a Ponte sobre o Tejo!” e os outros, os incontáveis outros.
24/03/2008
23/03/2008
Sobre a Escola
A autoridade dos professores é como toda a autoridade que é exercida sobre quem tem pouca capacidade de avaliar as vantagens e as desvantagens dessa autoridade, é facilmente perecível.
No meu caso pessoal, que vale o que vale, que é uma experiência entre muitas dos que andavam no Liceu em 1974, vi-a soçobrar de um dia para o outro.
Nesse final de ano lectivo, os professores tornaram-se incapazes de se fazer respeitar. Não todos, mas muitos.
O corpo discente sentiu a fraqueza do outro lado e pô-lo à prova. Não havia força para impôr respeito. Chegou-se mais tarde ao ponto de ter a tropa na escola, ocupando-a, colocando um militar na direcção.
De então para cá, até há uns dez anos, o respeito foi em parte recuperado. Mas a escola nunca mais foi a mesma.
E nos últimos dez anos, degradou-se de novo de forma galopante.
O que preocupa ainda mais é que episódios como o que esteve nas notícias na semana passada sejam aparentemente uma espécie de surpresa para o público.
Daquilo há todos os dias nas escolas. Todos os dias.
A autoridade dos professores é como toda a autoridade que é exercida sobre quem tem pouca capacidade de avaliar as vantagens e as desvantagens dessa autoridade, é facilmente perecível.
No meu caso pessoal, que vale o que vale, que é uma experiência entre muitas dos que andavam no Liceu em 1974, vi-a soçobrar de um dia para o outro.
Nesse final de ano lectivo, os professores tornaram-se incapazes de se fazer respeitar. Não todos, mas muitos.
O corpo discente sentiu a fraqueza do outro lado e pô-lo à prova. Não havia força para impôr respeito. Chegou-se mais tarde ao ponto de ter a tropa na escola, ocupando-a, colocando um militar na direcção.
De então para cá, até há uns dez anos, o respeito foi em parte recuperado. Mas a escola nunca mais foi a mesma.
E nos últimos dez anos, degradou-se de novo de forma galopante.
O que preocupa ainda mais é que episódios como o que esteve nas notícias na semana passada sejam aparentemente uma espécie de surpresa para o público.
Daquilo há todos os dias nas escolas. Todos os dias.
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