28/09/2008

História de Portugal (o meu tempo – ep. 1)

Trinta e quatro anos depois.


imagem do sítio da Comissão Nacional de Eleições

Esta imagem sempre me fez espécie.
Quem a desenhou? Quem a escolheu? Com que propósito?
Água

Apercebi-me hoje de que as águas para consumo humano estão catalogadas por exemplo em “Água mineral natural” e “Água de nascente”.
Estas etiquetas mostram acima de tudo a qualidade de quem lhes deu o nome.
Não andamos longe da imaginação que rotulou os “produtos biológicos”.
Isto é dar-lhe com os Magalhães que eles aprendem a pensar.

27/09/2008

Notas soltas

Esta ideia ou impressão de que está para acontecer uma desgraça em Portugal. Coisa natural ou acidental.

Nada a ver com a sentença anterior, o céu lá fora estava lindamente ameaçador. Julguei divisar ao longe um raio. A hora seguinte fez-me acreditar que não me enganei.

O meu habitual fornecedor de totolotos admirou-se de eu não ter ainda verificado as minhas apostas.

Vi hoje o primeiro preto com um boné do Obama.

Recebi hoje provas de que ainda há gente competente, briosa e atenta do outro lado dos telefones, das cartas. Uma boa surpresa.

Vai haver um Benfica – Sporting daqui a bocado. Passam-me estas coisas quase completamente ao lado.
Lisboa, 2007

26/09/2008

Casablanca

E diz a Senhora que assistiu, por meados dos anos 40, ali à estrada de Benfica, à recriação do “Play it once, Sam!”
Não menciona o filme vez alguma. Apenas se lhe treme a voz, denunciando a cumplicidade em histórias de amor alheias.
Ícaro e os chineses

Por estes dias, há novidades no ar.
Mais me interessa o Ícaro da Mancha do que os chineses astronautas.
Serão os segundos mais decisivos para a História do que o primeiro?

25/09/2008

As grandes questões universais – episódio q+7

Alguém na NYSE terá pedido a tradução da expressão “gato por lebre”?


imagem da SIC N
São Martinho

Noto que me vou esquecendo dos marcos temporais – da feira de São Martinho a marcar o fim do Verão, da feira de Castro a marcar o tempo das sementeiras.
Da abertura da caça entre ambas. Da caça que nunca pratiquei senão como espectador.
Passo para lá de um tempo em que estas marcas o eram. Passo por alguma marca como quem passa pelo equador no mar sem dar por isso. Dessa marca para cá, não há marcas que me ditem peregrinações.

Almoçageme, 2008

Rio Tejo, 2008

Razões

"I owe it to my family to start putting them first." (Ruth Kelly ao despedir-se do cargo de Ministra dos Transportes do Reino Unido) - é o tipo de argumento que homem ou mulher algum deve usar para se afastar da política.
É coisa de principiante, de aprendiz de feiticeiro.

24/09/2008

De rabo na boca

Há quanto tempo é que as tristes, incultas e débeis mentes parlamentárias e desgovernativas se entregam à troca de acusações de falta de autoridade moral sempre que se lhes toca no âmago?
Há por lá umas muito raras e honrosas excepções. Muito raras.
Mas o panorama geral é de uma falta de autoridade intelectual de dimensões absurdamente assustadoras.
Entrementes, o país afunda-se. Não por culpa daqueles intelectos, que não são capazes de mais nem de melhor, mas dos que viram as costas ou encolhem os ombros.
E agora, de novo, a pergunta de 1 000 000 000 000 000 000 000 000 bbl*

Qual é a S.I.C. mais interessante da R.T.P.?

* barris - o prémio inflou.
São Mamede de Janas, 2008

23/09/2008

Um Sócrates em cada esquina

Há uns anos, ouvimos o Primeiro-Ministro José Sócrates dizer que uma das razões que o levara a escolher a Universidade Independente fora a sua localização cerca do ISEL.
Isto a mim significava que o homem não sabia o caminho para mais lado nenhum. Só para aquela zona.
Hoje, apercebo-me de que se prepara a instalação de centros escolares (serão 388 mais x) onde o cidadão entra para a infantil e sai com o 12º ano.
Foi assim que noticiaram a coisa. Vá lá saber-se...
Se assim é, bate certo com Sócrates. Muito caminho e experiência diversa é coisa a evitar.
Ficaremos finalmente com um país à imagem do seu grande timoneiro. Queremos já a seguir um sócrates em cada esquina. De louça ou em retrato convenientemente emoldurado.
Viva!

22/09/2008

Sem carros



Há uns anos, num destes dias sem carros, observei uma mulher que pedalava quase em círculos num entroncamento de estradas onde ainda era possível circular de automóvel.
Fazia-o com um ar alienado, de jornada de luta.

Acho que a elegi como paradigma de duas coisas.
Do meu preconceito, ponto um.
Das pessoas a quem atribuiria de bom grado a faculdade de viverem no seu mundo ideal. Ponto dois.
Ficaria à espera de ver quantos dias suportavam nesse inferno.

Renovo os votos – expressos no editorial deste blogue – de que jamais o mundo seja feito de acordo com os meus desejos. Há neste voto um paradoxo mas paciência.
A imbecilidade ignorante (episódio Θ+4)


trecho (adaptado) de imagem de radar do IM

Há alguma relação entre as obras recentes em Albufeira e as inundações resultantes da precipitação da última madrugada?
Se há, isso tem alguma coisa a ver com o facto de insistirmos em diplomar qualificar imbecis?
O fascínio do ciclismo


imagens da TVE e do Eurosport

Um assunto sem assunto este fascínio que o ciclismo pela televisão exerce sobre mim.
Agora, só para o ano.
Que o Campeonato do Mundo não conta para este rosário.
Este não é o cão (de louça) do meu vizinho



Ou como eu tenho um problema qualquer com a essência dos cães.

21/09/2008

As grandes questões universais – episódio q+6

Não consigo perceber se o cão que tão insistentemente me fita da casa do vizinho é um cão de louça ou um cão empalhado.

20/09/2008

Tony Carreira

Estava aqui a pensar nas ilações que poderia tirar do facto de não ter assistido a nenhum dos concertos de que tive conhecimento nestes últimos dias: Madonna, Maria João Pires e Tony Carreira. Parece afinal que o do Tony Carreira foi há meses mas pronto.
O certo é que dei comigo a vê-lo na televisão.
Pareceu-me que a percentagem de mulheres na assistência era esmagadora, a julgar pelos planos revelados.
Não consigo afinal tirar ilações algumas. Mas quase fico com a certeza de que naquela assistência não está ninguém das minhas relações.
Amora, 1996

19/09/2008

Uma coisa que me faz espécie

É o apresentador de um concurso de televisão julgar que o público não percebe que aquilo é gravado e que os concorrentes “não andaram na rua” entre duas aparições sucessivas no écran.
Se ele tem razão, se o público é assim tão enganável, então...

Estes concursos da televisão são hoje em dia apontados àquela fatia de atávicos analfabetos que concluiu um curso superior.
Se



Esta história dos favelados é verdadeira, está na altura certa para os eliminar.
Amora, 1996

Cheira-me a dinheiro

Esta coisa do casamento entre pessoas do mesmo sexo a mim cheira-me a dinheiro.
Subsílios e outras tenças.
Ainda hei-de promover a revolta dos heterossexuais celibatários. Os que pagam sempre e em dobro.

Portugal, 2001



Heranças na paisagem

17/09/2008

Uma lei que

Dedica parte do seu articulado a substituir “poder paternal” por “responsabilidades parentais” diz o quê a respeito de quem a produz?
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 5

E agora a pergunta de 1 000 000 000 000 000 000 000 000 ZWD*

Qual é a S.I.C. mais interessante da R.T.P.?


*Dólares zimbabueanos (ISO 4217)

16/09/2008

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 4

Zero

É o Sporting desta noite.
Não acredito que melhore na segunda parte.
Pode até vir de lá como veio de Madrid, há dias.
Frases feitas

Nada como ter as frases feitas, experimentando a vertigem do diálogo cibernético.
Descobri o Robô Ed na Máquina de Textos.


O robô Ed é parte do programa Conpet do governo brasileiro.
Notas radicais (I)

De vez em quando sinto a necessidade de pôr os pés na terra.
Os pés, ainda que calçados, na terra que foi dos meus ancestrais. De onde arrancámos, de longe até mim, a sobrevivência.
Imagino-os ali, sujeitos às pragas, às secas, menos às chuvas e aos ventos, à bandidagem e imunes às grandes revoluções do mundo.
Ali onde tirei água do poço, onde colhi a fruta das árvores, onde apanhei os ovos no galinheiro, onde assisti à matança dos porcos.
Por onde andei de carro de parelha, entre chaparros ou vacas, bordejando a seara, atravessando barrancos ou atasqueiros.
Num tempo em que media em séculos a distância entre as minhas duas vidas.
Ensinado que fui que é ali sempre o último reduto, de espingarda na mão, nada temo.


fotografia muito a propósito de João Espinho

15/09/2008

Mais uma maré

De vez em quando chegam estas divertidas marés.
Já havia dois anos e tal que não ouvia repetir tanto a querela entre criacionistas e outros afins.


imagem da Sky News

13/09/2008

E.N. 221, 2005



Esta foto encarta com uma outra publicada num blogue que consta aqui da lista dos favoritos e que ainda está visível na página de rosto.
Alguém descobre qual é esse blogue que nos brinda com belíssimas fotografias?

*actualizado em 15 de Setembro, às 19:00: o blogue de que falo é o Aguaceiro. A fotografia é esta.

12/09/2008

Penoso

Ouvir a generalidade dos jornalistas a propósito do que significa a experiência em curso no LHC do CERN. E as perguntas que fazem.
Aquilo não é ignorância. É algo muito mais profundo. É crença atávica.
Para o diabo

Já lhe ouvi chamar muita coisa. Ao Diabo.
E também já ouvi muitas vezes invocar o seu nome em troca de algo mais improvável.
Do que já não me lembrava era do tempo em que se chamava diabo ao cesto da gávea. Haja algum sentido na lenda ou não.

Eu acho piada a Chávez. Sempre achei. Gosto do estilo truculento e populista do homem. Muito provavelmente porque ele está lá longe, do outro lado do mar.
Espero que a truculência não o torne perigoso demais.
Destaque

Num tempo de tanta boçalidade na política, de tanto mentecapto a ditar sentenças ininteligíveis, cumpre dar nota quando se tropeça em alguém que se destaca dessa lama.
Paulo Rangel, do PSD, é um desses tipos. Ainda os há assim capazes.

11/09/2008

O Túnel



Por uma daquelas coincidências que cada um fabrica à sua maneira, acabei de ler há dois dias “O Túnel” de Bernhard Kellermann.
O interesse da obra é pouco. No entanto, há ali qualquer coisa de visionário. Mesmo que escrito numa época em que o progresso era só por si o interesse de uma parte das élites e em que os sinais já há muito se encaminhavam para a construção do túnel da Mancha – concluído em 1994, 81 anos depois do livro escrito.
Nesta obra, o túnel de que se fala não é o da Mancha, já construído e banalizado no enredo.
É de outro mais ambicioso, ligando a França à Finisterra, a Finisterra aos Açores, os Açores às Bermudas e as Bermudas à América do Norte.
E é um acidente grave durante a construção o que quase põe em causa a sua conclusão.

Este acidente de hoje na Mancha, embora ainda de recortes pouco precisos, parece menor do que o de 1996.
Mas deve ser complicado estar lá dentro numa altura destas.

10/09/2008

Matéria e energia



Lá pela primeira infância, tinha um sonho recorrente em que era teletransportado a partir de uns nichos de resguardo que havia nos túneis de acesso ao Metro da Rotunda.
Nesses nichos, visíveis e todavia inescrutáveis para quem se dirigia ao Metro, havia uns potentes feixes que me reduziam a energia, transportando-me nessa forma para outras paragens onde voltava a ser eu.
Esta coisa da matéria e da energia – o que é uma e o que é outra, em que pontos se confundem e deixam de confundir – é talvez o maior desafio da ciência actual.
Veremos se a experiência de hoje traz alguma novidade.

09/09/2008

Os genéricos

Nunca percebi que assunto têm os medicamentos genéricos para se fazer tanto barulho e há tantos anos à volta deles.
Pitões das Júnias, 2001

08/09/2008

As licenças

Sempre a mesma conversa de cartilha para imbecis.
As licenças da obra onde se deu o acidente em Braga. Afinal estavam em ordem.
O que é que isso contribui ou releva para o apuramento das causas?
A cor da camisa do engenheiro responsável não será também importante?
E o carro em que se deslocavam os operários? Tinha a inspecção em dia?
O tipo que reporta não distingue entre uma plataforma elevatória e uma grua. Chama-lhe portanto grua.
Este jornalismo é tão rasca. Tão rasca.
E.M. 600 de Sintra, 2006

A Senhora da Cola

A última vez que fui à Senhora da Cola na noite de 7 para 8 vai para mais de quinze anos.
O que mais se falava tanto debaixo de telha como no bico do cerro era a Guarda. Que estava além ao cruzamento, à espera da volta.
Não sei como os meus conterrâneos vão hoje à Senhora da Cola. Se a cavalo, se de burro, se de carro de parelha, se a pé.
Mas se vão de carro à mesma e se não se pisgarem pelo lado que a gente sabe, qualquer operação para inglês ver com helicópteros, lagartas e binómios haverá muito para contar. Em euros.

07/09/2008

Qual será?

Qual será a percentagem dos portugueses que se está absolutamente marimbando para os discursos de Ferreira Leite, Jerónimo de Sousa, Sócrates, Louçã, Portas, de todos e de cada um?
Será que algum deles tem essa percentagem mais ou menos avaliada?
C.M. 1038 de Palmela, 2007

Gargalos

E porque aqui há bailes de rua. E porque eles me fazem lembrar.
Um gargalo de cerveja é algo inevitável com a distorção das aparelhagens e a vertigem dos cantores que cantam em estrangeiro.
A felicidade é algo que se capta com f/2.8. Tem o foco a tiro de espingarda e o resto é indispensável moldura.
Fundo como de fundo é a música e os aromas, hoje de pipocas ontem de bifanas.
Que mundo simples!

05/09/2008

Furtar ambulâncias

Já por ocasião de um elemento daquele lixo que a ilha de Sua Majestade costuma exportar ter furtado uma ambulância no Algarve, me interrogava aqui por que carga d’água é que o crime de furtar uma ambulância não é punido com muito mais severidade do que o furto de qualquer outra viatura.
Esta tropa de imbecis ainda não percebeu que uma ambulância pode salvar uma vida. E que a falta dela pode ser uma sentença de morte.
Outro furto que não pode ser encarado como um furto qualquer é o de sinais de perigo, na estrada.
São coisas óbvias ou não são?
O IM e as probabilidades

Há estudos probabilísticos que deveriam ser explicados. Onde é que se vão buscar as variáveis e qual é o algoritmo aplicado.
O IM falhou, é claro. Estas coisas acontecem quando se pretende prever o futuro.
Eu, por exemplo, tenho aqui um algoritmo* que me diz para jogar nos números 12, 13, 29 e 40 neste sorteio dos euromilhões. Ele não me diz bem isso mas do universo de mais de dois milhões de chaves (sem contar com as estrelas) escolheu apenas quatro. Todas elas têm estes números.
Daqui a bocado já vamos saber quem é que falha mais.

* Para aqueles leitores menos familiarizados com a minha bizarria, direi que este algoritmo é mesmo um algoritmo, não escolhe chaves ao acaso. Escolhe aquelas que cumprem determinadas condições. Só essas e todas essas.
Diz-me o grilo falante, e tem toda a razão, que para escolher chaves ao "acaso" também são precisos algoritmos. Isso do acaso é depois outra discussão.
Breaking news

Uma ramona vi eu deter-se no meio da avenida e dela saírem enérgicos os bastões.
Diz que outra já tinha chegado e ido mais para baixo.
O mais curioso é que dos inúmeros circunstantes ninguém parecia saber a razão da “alteração da ordem pública”.
E.N. 375, 2006

O sotaque fatal

Se, como diz um velho amigo também alentejano, há um timbre de voz que denuncia de imediato a estupidez das fêmeas, digo agora eu que é bem provável que certas variantes do sotaque americano amplifiquem essa denúncia.
Coisa de ouvidos portugueses, sem dúvida. Alentejanos e masculinos.

04/09/2008

Comiseração

É com comiseração que se vê esta gente ir a correr mudar leis de que não foram capazes de prever as consequências mais óbvias.
Vão continuar a fazê-lo. Não são capazes de mais.
Restos de colecção (68)


(clicar para consultar)

Coisas com que me confrontava trinta e cinco anos atrás.

02/09/2008

Tadjine crombet bel kefta

Saí de lá como quem sai de um cinema. Logo eu, que muito raramente me sento numa plateia.
Da inauguração da casa, cujo nome e tipos de letra nos reclames me puxaram para. Logo eu que não sou nada de inaugurações.
Comi bem e fui bem atendido, descontada a tremideira do debutante servidor das mesas.
Saí de lá com saudades de feiras universais ou coisas do género. Dos cheiros e dos sons dos stands deste mundo. Quem não pode correr o dito mundo, sonha com Saragoça. No tempo da Expo ou do Pilar, já em Outubro.
Bater na mesma tecla

Hoje e nos dias que hão-de vir.
Rio Sado, 2006

01/09/2008

A qualidade da informação

Uma das muitas coisas que me perturbam no jornalismo é a negligência com os tempos. Aquilo a que vulgarmente os seus profissionais chamam timing.
Ora o timing de uma peça em que alguém diz (já hoje, na SIC N, referindo-se ao furacão em vigor) “quando este chegar ao golfo do México” é um timing falhado. Já há muitas horas que lá está.
E mais falhado é o passo da RTP que leu, ao telejornal, o ditado do Mayor sem fazer o devido desconto.
Fazendo quase das afirmações bombásticas do homem destinadas a afugentar os mais renitentes uma coisa próxima da realidade observada.
É este o jornalismo. Pelos vistos, os seus responsáveis não se envergonham dele.

31/08/2008

Cheira a fumo

Vê-se o fumo para os lados da Idanha, do Cacém e não há indicação aqui.
A força dos alimentos


imagens da CNN (29 de Agosto de 2005 e 31 de Agosto de 2008)

Um dos meus passatempos é o interesse de leigo pelos fenómenos ditos naturais. Tremores, ventos, chuvas, meteoritos.
Há cerca de três anos (passam dois dias dessa data, fui agora ver à data da imagem acima), comentava com alguém que mediria o impacto do furacão Katrina mais pelos estragos que fizesse do que pelo aparato das manobras de evacuação e da publicidade dos avisos. Disse até que o estado em que ficassem as pontes gémeas seria a minha bitola.
O que aconteceu depois dessa conversa sabe-se e não se sabe agora o que foi.
Nunca consegui encontrar um texto, uma reportagem, um estudo que procurasse separar os estragos directos da tempestade com os indirectos, provocados pelo colapso dos diques.
O colapso dos diques, responsável por grande parte dos estragos e pela inundação de parte da cidade, poderia ter ocorrido com as mesmas consequências devido a um sismo e poderia não ter ocorrido durante a passagem do furacão, o que diminuiria consideravelmente os estragos.
O certo é que, com a tendência actual de argumentos fáceis, acessíveis às moles, misturou-se tudo e tornou-se quase impossível separar as águas, por assim dizer.
Seria importante ter uma ideia dessa separação, sabendo que ela é naturalmente muito difícil de estabelecer em alguns aspectos, para ter uma ideia prospectiva dos estragos causados por uma tempestade tal, numa cidade com ou sem diques.
As imagens que se vêem hoje das filas de trânsito a abandonar Nova Orleães relembram essas outras de há três anos.
Se os diques não resistirem de novo, pouco importa que o furacão seja menos intenso, produza ventos menos violentos.
As pontes gémeas parece que quase nada sofreram em 2005.
Outras pontes, de cota mais baixa e diferente construção, foram varridas.
Nunca se deve negligenciar a força dos alimentos.


imagens do NOAA

29/08/2008

Vale por nove

São João Baptista, decapitação, São João Baptista, baptismo, água.

Não me atrevo a ir mais longe do que a mera junção de conceitos, de elementos, de identidades.
O certo é que presenciei um sem número de banhos do vinte-e-nove daqueles que desciam da serra a comer o arroz de frango à beira-mar.
Era o banho de calças vestidas, de vestidos arregaçados, o baptismo marítimo de uns quantos de entre eles.
O meu cepticismo ginjeiral levava-me a encarar com um sorriso amarelo os incentivos dos circunstantes para que aproveitasse o factor 9 como multiplicador dos registos do dia.
É claro que eu nessa época contava as vezes que me metia dentro de água em cada dia. Mas não fazia contabilidade cumulativa para apresentar ao fim do mês, com o 29 a ter ponderação eneplicada.
Ainda assim, o vinte-e-nove foi sempre marco na vilegiatura, enquanto a fiz à beira-mar.
Só ficou por realizar o banho de burro.
Lembrei-me hoje de uma esbeltíssima companheira de paródia com a qual troquei de sexo certa vez.
Nem ela tinha formas andróginas nem eu passava por mulher, isso mesmo me disse o velho amigo que nos fez beber uma garrafa de verde em plena manhã.
Disse mais, disse que com um homem daqueles também ele...

O que é que isto tem a ver com a degola de São João?
Para que é que eu me fui lembrar de tal coisa?

O que será feito dela?
Benfica

Estes não decidem a nossa vida, por isso as afirmações que proferem apenas merecem citação e nenhuma apreciação.

“A Benfica TV é um projecto estruturante. E quem não perceber isso, é porque não percebe...[...]”
“[...] e quem o negar [que os adversários do Benfica são difíceis] está a mentir!”

As citações são de memória e de duas figuras diferentes, ambas dirigentes do Benfica. A segunda é de hoje, a primeira suponho que o seja também.
O.K., then


capa simulada da Vogue americana encontrada aqui

Sinal dos tempos.

Sarah Palin, Governadora do Alaska, é a candidata dos Republicanos a Vice-Presidente dos E.U.A..

28/08/2008

Verifico

Que as palavras do MAI apenas mostram que a mediocridade é extensiva a todos os que colaboraram para a aprovação do actual regime legal, coisa que é óbvia.
Que se reconhece que a criminalidade aumentou e não é fabricada na imprensa, coisa que salta da observação e da contagem.

Há, reduzindo tudo à forma canónica, que promover o medo entre os criminosos.
Promover o medo de serem capturados, dando às polícias os meios e o comando eficaz.
Promover o medo de, em seguida, serem castigados, com leis penais que sejam duras.
Não conheço outra forma de travar o crime.
A dureza das leis também dá aos cidadãos cumpridores uma sensação de conforto e de vingança, ao ver que elas são aplicadas a quem pratica o crime. É isso de evitar? A sê-lo, por que razão?

Precisamos de erradicar as ideias legislativas que vão de acordo a desejos, a ideais inencontráveis e não à observação da realidade.
Esta gente que nos desgoverna continua refém desses ideais e é completamente incapaz de se aperceber que os ideais não se conformam com a vida dos comuns. É incapaz e será incapaz. Não consegue ver além do nariz.
Eu bem me parecia

Mas como não houve repetições nem câmara lenta...
Foi mesmo penalti.

Barac bac bac ou um momento reality show barato aqui no H Gasolim.
O desnorte

Andava eu aqui para promover o passatempo “Fotografe o seu polícia à noite, na sua vizinhança e ganhe um prémio”, quando zuca, o desnorte a que a coisa chegou fez com que, para inglês ver, se pusesse a aviação no ar, a marinha no mar e a tropa a marchar! – ainda tive a oportunidade de ver passar o helicóptero cinematográfico por cima da minha cabeça, a altas horas.
Esta gente que assim nos desgoverna não tem culpa de não ser capaz de nada perceber.
Nasceu assim e assim há-de morrer. A culpa é nossa que permitimos que tais cabeças acabem com o resto. Não me canso de o repetir, mas eles são tão maus, tão maus!
Ribeira de Santarém, 2006

26/08/2008

Ao Crato


da página da C.M. Crato

Por memórias.
Era para lá ter ido hoje.
Não sou nem nunca fui de espectáculos musicais. Já aqui o disse.
A verdade é que ainda assim já vi uns quantos. E já me dei mesmo ao trabalho de abalar a caminho do Crato para ver os Beach Boys.
Iria lá hoje de novo para ouvir ao vivo o som improvável dos Vaya con Dios como se estivesse num crepúsculo soalheiro estranhamente a ouvi-los no café por detrás da minha casa do sul.
A escassos metros do som dos cantadores chãos que vai para meio século me embalavam.
A anos-luz dessa mesa de café em que criei uma forte memória das músicas deste grupo.
Daquelas que sabemos de imediato nos vão marcar para sempre.
Despedia-me ali da parte de leão da minha vida. Não interessa quantos anos viva.

às 23:45: O meu amigo C.J. fez-me uma maldade. Ligou-me de lá.
Inutilidades

Não há lei que consiga colocar inteligência nas cabeças que dela carecem.
Enquanto os burros continuarem onde estão, não há nada que se possa fazer por Portugal.
Ilustrações

A ligação está em baixo, pelos vistos. Não há bonecos.
Peço desculpa por esta anomalia.
A8, 2005

Os dois suspeitos

“Foram seguidos pelos dois suspeitos” – diz a jornalista, no relato do crime ocorrido na estação de Boliqueime.
Será “alegadamente” possível explicar a esta criatura o que é um “suspeito”?

24/08/2008

E vão 70


imagens da RTP
A fuga vitoriosa de Vidal Fitas

Uma das características de Vidal Fitas, enquanto ciclista, era a de empreender, acompanhado ou sózinho, fugas compridas em cima da bicicleta.
Compôs uma fuga vitoriosa desta vez.
Para quem tem como eu raízes na serra algarvia, a mesma onde senti, talvez pela primeira vez, a magia das cores rolantes, magia essa que me envolve até hoje, o facto de uma equipa de Tavira, ainda que por via de um galego, ganhar finalmente a volta é motivo de satisfação.
O que é feito do resto do ciclismo português? Do algarvio de Olhão e Loulé, do saloio de Torres e Bombarral, do bairradino de Sangalhos e Águeda?
Entrementes na primitiva Ibéria... (V)



Do barulho à volta dos jogos olímpicos, chegaram-me, talvez pela intensidade, mais nítidas duas notícias: a do abraço entre as voleibolistas de areia da Geórgia e da Rússia e a da fotografia achinesada dos basquetebolistas de Espanha.
Esse abraço decerto nada resolveu, em nada contribuiu para que se encontre uma solução (se é que as soluções destas coisas existem para além do tempo que passa) para a difícil contenda caucasiana. É uma mera curiosidade irrelevante mas muito à moda, muito adequada a uma era de instantes propagandeados, rapidamente esquecidos e isentos de sumo, para usar a linguagem também adequada.
A imagem dos espanhóis de olho esticado é igualmente de uma irrelevância e de uma ausência de significado que não ultrapassa a mera piadola. Pode ser uma má piada, mas não passa disso. Passou, no entanto, pela diversa imprensa, como um gesto racista, chinófobo e mais sei lá o quê.
É destes dois extremos do ridículo, do bem e do mal segundo as figurinhas abraçadas ao politicamente correcto que se faz hoje o mundo.
Entrementes...

21/08/2008

Ouro olímpico

Sobre as olímpiadas, já falei aqui e ali atrás.
A minha aposta mal informada e mal formada para estes jogos era, como já disse, na Naide Gomes e na Vanessa Fernandes.
Fico satisfeito com a vitória de Nélson Évora, chegando assim ao ouro olímpico.
Quanto ao que penso da forma como os povos são representados, se é disso que ainda se trata, já o deixei dito lá atrás.
Acho que qualquer dos três atletas citados representa um Portugal que existiu.
Portugal continua muito acima da China em mérito olímpico (medalhas por habitante) nestes jogos. Um pouco abaixo de meio da tabela dos que já conseguiram medalhas.