É conhecida dos que me lêem há mais tempo a minha ligação à revolução cubana.
A essência dessa ligação tem a ver com a coincidência no tempo. Com um pormenor afinal. Fidel não entrou em Havana senão por alturas do meu primeiro grito, ao contrário do que repetem hoje os burros do costume. Coisa de horas entre uma coisa e outra.
Mas há mais.
Num mundo com tendência actual para a uniformização, é bom que existam contrapontos. Que existam formas diversas de viver em sociedade.
Há sempre aquela utopia triste de a cada um o seu regime. Há, com toda a certeza, uma porção da população cubana insatisfeita. Não faço ideia se é minoritária ou maioritária.
Há com toda a certeza insatisfeitos em todas as sociedades. Em maior ou menor grau. Em maior ou menor número.
Nunca pus os pés em Cuba embora de há muito alimente essa ambição.
Era talvez lá que gostaria de estar para a semana. Quando, sim, se comemorarem os cinquenta anos não da revolução mas da entrada de Fidel em Havana.
