05/05/2009

Prós & Contras

Receio sempre que a argumentação infantil destinada às massas reflicta o verdadeiro pensamento dos intervenientes.
Receio sempre que os corporativismos e benfiquismos exsudados se reflictam perigosamente em caso de catástrofe.




Nota muito importante: dois dias antes do programa ir para o ar já eu acordava encalorado estirado na cabine deste veículo à porta dos estúdios da RTP, de onde ele, de resto e ao que consta, não é emitido, gravado. O microcarro atrás do qual estacionei pertencia pois a quem se calcula. É que nunca a tinha visto com esses olhos. De camionista. Nem em sonhos.

A foto do camião era algures daqui e a da bandeira d'acolá
Portugal, 2008

04/05/2009

Ruas com dias

Um agradecimento especial a Fernando Vilela que tem tido a gentileza de contribuir para o preenchimento das Ruas com Dias.
Notícias

Apesar de desde sábado à tarde o caso provável em Portugal constar da página do ECDC, continua a falar-se dele como duma novidade.
O Prof. Marcelo pelos vistos está muitos passos à frente das redacções e das instituições.
As grandes questões universais – episódio q+8

Fosse o vírus da gripe A muito letal, também haveria jornalistas a entrevistar os viajantes acabados de chegar da capital do México?

03/05/2009

Notícias

Deve ter sido uma questão minha.
Mas ouvir da boca do Prof. Marcelo que há um caso confirmado de gripe A em Portugal parece-me insólito.
Talvez a maioria tenha sabido de outra forma.
Coisas que eu não posso ouvir

Alguém a queixar-se, para a televisão, de que já não pode ir ao cabeleireiro, jantar fora e comprar botas giríssimas.

29/04/2009

Propagação

Em 2002, alguém se lembrou de criar uma aplicação onde os europeus da zona do Euro registassem a circulação pelas suas mãos de uma moeda proveniente de um outro país.
Pretendia com isso, ao que me lembro do que constava na página, colher informação útil para o estudo de epidemias.
Não segui a coisa, não faço a menor ideia do interesse que suscitou, que resultados obteve.
Apenas se pode dizer, quaisquer que sejam os resultados a que chegou, é que seria necessária muita correcção para que estes dados ao serem tratados viessem a ter utilidade para o estudo de epidemias.
Disse hoje a Directora-Geral da O.M.S. que esta era a primeira vez que a propagação de uma epidemia se podia seguir em tempo real. É facto que sim.
O que é preciso saber é qual a correcção que o tratamento dos dados deve utilizar para se ter uma ideia o mais aproximada possível do que está a acontecer.
É isso o mais difícil de tudo.
Até de saber que utilização dar a essa informação em futuras ocasiões.

Nota-se uma dificuldade enorme da maioria dos jornalistas em perceber o significado da escala de pandemia da O.M.S..
Diga-se, ao mesmo tempo, que os níveis mais altos da escala (4, 5 e 6) estão separados por critérios um tanto ou quanto absurdos.

28/04/2009

Cegueira

Quando Saramago escreveu o “Ensaio sobre a cegueira”, acrescentou um título mais às obras que a literatura consagrou a pragas.
A minha obra preferida é “O dia das Trífides”, de John Wyndham, inexplicavelmente desaparecida das minhas estantes.
Também ela trata da cegueira.
Sem cegos, há também “Vuzz”, de P.A. Hourey e muitos outros livros interessantes.

A cegueira que ora se vê é a que nos dizimará, no dia em que nos enfrentarmos com algo muito contagioso e muito letal.
É ela que se expressa em todas as suas formas nas medidas ridículas, na propaganda absurda, no comportamento das massas.

27/04/2009

A peste

A única coisa nova na propagação das pestes (usando peste latamente) é que a velocidade aumentou muitas vezes e a notícia também.
O aumento da velocidade é um factor agravante.
A propagação da notícia pode ter um efeito atenuante, conquanto também possa gerar alguns comportamentos perigosos.
Pelo pouco que se sabe – que eu sei - deste surto, não me parece que venha a ser muito mortífero.
Mas vai ser um bom teste para pôr à prova os sistemas sociais.
O ridículo já se instalou em algumas medidas avulsas, incipientes e inconsequentes. Veremos o que segue.


capa da 1ª edição americana de “A Peste” de Camus, in Wikipedia

24/04/2009

Fado

E depois há aquelas ocasiões em que tropeçamos no fado.
No nosso próprio fado. Vadio. A desoras.
Lisboetas que sejamos, nascidos do Alentejo.
E há as fêmeas. As que o são. Fêmeas como tudo o que circunscreve um macho.
Ah, se há.

23/04/2009

O homem desmembrado

Parece que o concurso das personagens que aqui mencionei não se tornou necessário aos investigadores ingleses.
We’ll see.

23 de Abril de 1909

A esta hora já se contavam os mortos, já se cuidavam os feridos.
A terra haveria de tremer perceptivelmente por cerca de um ano mais, como acontece normalmente nestes casos.


Fotografia do atelier Benoliel, depositada no Arquivo Municipal de Lisboa.

Ver aqui recortes da imprensa da época, compilados pela T. et al.
As canas e o espadanal

No conto geral das coisas, há sempre aquelas parcelas que consideramos mais perto estiveram de desequilibrar o balanço ou mesmo a balança. Ainda que não se tenha dado por isso em devido tempo.
Por via do mundo dos sonhos, estes dias procurei uma pessoa cujo rasto tinha perdido há cerca de vinte anos, depois de um fugaz reencontro a talvez dez anos de vista.
São ao todo assim cerca de trinta anos a separar uma época de furtivos rendez-vous da presença sonhada.
Pertenço ao grupo dos que, nestas alturas, ainda que por breves momentos se põem a fantasiar sobre as vidas paralelas, como se o cosmos tal como o entrevemos, fosse susceptível de facultar mais do que uma via aos mortais. À matéria.
Juntando a com b, chego à conclusão que o caminho se fez paralelo às canas, ao espadanal.

21/04/2009

Na terra do atraso mental

Já aqui disse o que penso sobre o caso Freeport.
A cada dia que passa apenas se cimenta a ideia de que apenas a profunda estupidez de um grupo de opositores do Primeiro-Ministro justifica esta campanha.
Qualquer criança em idade pré-escolar é capaz de entender que, havendo algum tipo de rabo de palha do homem no caso vertente, há muito que teria sido fervido em azeite.
Só pois a profunda estupidez desta gente consegue justificar o arrastar desta campanha.
Hoje, chegou-se ao ponto de confundir defesa da honra com atentado à liberdade de expressão.
É a terra do atraso mental.

18/04/2009

Conto policial



Sir Henry Merrivale, Hercule Poirot, Miss Marple, Lord Peter Wimsey, Sherlock Holmes e alguns outros não escarneceriam deste mistério, se lhes fosse apresentado por alguma improvável visita num fim de tarde outonal.
Um homem que é desmembrado e cujos bocados são espalhados por locais do Hertfordshire e Leicertershire, de forma a serem descobertos com alguma facilidade é, de facto, um aliciante desafio às mentes esquadrinhadoras.
Ainda não se encontraram as mãos.

trecho deste mapa.

16/04/2009

Cigílio, o clássico, digo o bancário

Andou hoje nas bocas dos simples.
Pum

A ser verdade o que se relata aqui, no Correio da Manhã, não se perdeu nada.
Mesmo nada.

15/04/2009

Matemática

Faz bem o Presidente da República em chamar a atenção para esta matéria.
Antes da Matemática, antes da sua aprendizagem, é preciso que exista capacidade de raciocínio.
Esta não está presente em todos os cérebros. É inútil tentar ensinar Matemática a quem é incapaz de raciocinar.
Mas é útil, necessário e urgente que se consigam escrutinar os capazes e dar-lhes o melhor ensino possível. Tanto nesta como noutras matérias.
Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar massa cinzenta. Fá-lo, porém, todos os dias.
Com a classe política que se conhece.
Com os resultados que se conhecem.

14/04/2009

Tabacaria



A Tabacaria de Fernando Pessoa para mim é o poema em que a cruz está na porta da dita.
Hoje, isso veio-me à cabeça por uma razão simples.
Há pessoas das quais não contamos saber que morreram. Por inúmeras razões, uma das quais será a de que nessa data já nem sequer nos lembramos de que existiram, de que se cruzaram connosco no tempo e no espaço.
E isso confere-lhes uma certa imortalidade.
Há também pessoas cujo estatuto, de forma inexplicável, lhes confere uma baixa probabilidade de desaparecerem. Talvez fosse o caso do Alves, da tabacaria.
Hoje dei-me conta de que há pessoas que podem reunir as duas condições. E mesmo assim morrem. E mesmo assim sabemos disso.
Portugal, 1996

07/04/2009

Andrades



Parabéns ao FCP.
Fez um belo jogo.
Os genéricos

Quantas serão as perguntas a respeito dos genéricos que não se podem fazer?
Há alguma coisa que faça sentido nas argumentações a respeito de tal coisa?

06/04/2009

Criminalizar o ilícito

É uma ideia genial!
Admira como ainda ninguém se tivesse lembrado de tal.

28/03/2009

Premonições sabe-se lá de onde

Portugal, 1 (84m) - Suécia, 2 (46m, 47m)

Que daqui a duas horas são apenas mais umas linhas de um post ridículo.

Actualização depois do jogo: falhada a "profecia", regista-se que o desfecho fecha as portas à mesma.

26/03/2009

E.N. 232, 2000

Haverá quem pretenda criar uma ilusão do Monte Rushmore na Serra da Estrela?
Há muito que lhe vejo as semelhanças...

18/03/2009

RTP

“Um bebé caiu de uma varanda em Felgueiras, devido à falta de normas específicas para a construção de guardas em varandas.” – cito de memória o jornalista da RTP.

No país do atraso mental.

17/03/2009

Fui, pois

À Trafaria, ver da dinamite.





Fez no domingo uma semana.
O pai de um

Só assisti à segunda parte do prélio.
O simples que fez, durante esse tempo e ali atrás da baliza, o inverso da trajectória solar gastou desse mesmo tempo a primeira metade a dar ordens aos jogadores. A segunda, ocupou-a ele a percorrer, por mor do árbitro, o insultuário próprio, cujo rol era de resto escasso, o que o fez repetir-se.
No campo, os jogadores não tinham mais do que onze anos.
E eu não sabia muito bem o que fazia ali.

Agora, vendo a coisa à distância de uma semana, acho que poderia ter sido muito pior. Devo ter tido sorte com o calendário.

16/03/2009

O monstro

O que tem sido um manancial de aprendizagem a respeito da espécie humana é o conjunto das reacções à figura de Josef Fritzl.
Com os inevitáveis especialistas em comentários televisivos à cabeça.

14/03/2009

Berros

Há pouca coisa que me irrite mais num blogue do que ele começar aos berros.
Talvez só não me deixar sair de imediato sem recorrer a grandes remédios.

13/03/2009

Teores

Interrogo-me sobre o que será mais prejudicial ao País: se o teor (excessivo) de sal no pão se o quociente (defeituoso) de inteligência dos titulares de órgãos de soberania.

Contos do vigário

Nos antigos contos do vigário, o vigarizado, quase sempre atraído ao logro por uma cenoura apontada à sua própria ganância, sentia-se pouco confortável a denunciar a coisa.
Nos actuais, os vigarizados ou são mais estúpidos, dados a acreditar piamente que há gente a oferecer dinheiro nas esquinas, ou menos propensos a desconfortos.
Estação C.F. da Cruz Quebrada, 2006

12/03/2009

Lisboa, 2009

Explicações para a História

Há uma colecção de crentes que encontra explicações para a História.
Pelo que diz a imprensa, hoje parte deles anda, com a ajuda da polícia, à procura de explicações para o massacre das vizinhanças do Neckar.

09/03/2009

Portugal, 2009



Dá-me ideia de que esta imagem é exemplar de uma parábola qualquer.
Todavia, o estado líquido não me permite atingir uma parábola que esteja nessas condições.