25/07/2009
24/07/2009
No país dos incapazes
Concretizando:
Um tribunal, um departamento de investigação, uma instalação qualquer que seja que necessite de determinadas condições de resguardo e de segurança dificilmente pode funcionar razoavelmente em edifícios de escritórios.
Mas a razão é coisa que não assiste nunca a quem decide estas coisas.
Um tribunal, quando construído de raiz para o efeito, mostra não ter raízes.
A razão foi portanto coisa que não assistiu ou a quem projectou ou quem a construiu e a quem fiscalizou.
Estamos no país dos incapazes.
Concretizando:
Um tribunal, um departamento de investigação, uma instalação qualquer que seja que necessite de determinadas condições de resguardo e de segurança dificilmente pode funcionar razoavelmente em edifícios de escritórios.
Mas a razão é coisa que não assiste nunca a quem decide estas coisas.
Um tribunal, quando construído de raiz para o efeito, mostra não ter raízes.
A razão foi portanto coisa que não assistiu ou a quem projectou ou quem a construiu e a quem fiscalizou.
Estamos no país dos incapazes.
23/07/2009
No país dos incapazes
Concretizando:
Pode ser que eu tenha azar e que as declarações razoáveis a propósito do caso da cegueira no Hospital de Santa Maria me tenham passado todas ao lado, excepto uma – a de alguém (suponho que um médico) que indicou a percentagem de casos similares relatados associados a este medicamento e que caía no intervalo dos valores esperados para um medicamento em utilização.
E que rematou dizendo - se tivemos 100% aqui, alguma coisa mais aconteceu.
Tudo o resto que ouvi – e foi uma cópia - um conjunto de inanidades. De ilogismos, de ignorância, de ausência de raciocínio e de, em suma, sacudir a água do capote.
Como dizia há anos Pacheco Pereira, pobre país.
Concretizando:
Pode ser que eu tenha azar e que as declarações razoáveis a propósito do caso da cegueira no Hospital de Santa Maria me tenham passado todas ao lado, excepto uma – a de alguém (suponho que um médico) que indicou a percentagem de casos similares relatados associados a este medicamento e que caía no intervalo dos valores esperados para um medicamento em utilização.
E que rematou dizendo - se tivemos 100% aqui, alguma coisa mais aconteceu.
Tudo o resto que ouvi – e foi uma cópia - um conjunto de inanidades. De ilogismos, de ignorância, de ausência de raciocínio e de, em suma, sacudir a água do capote.
Como dizia há anos Pacheco Pereira, pobre país.
No país dos incapazes
Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em posições dirigentes.
Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em funções técnicas.
Não se passa um dia em que uns e outros não nos mimoseiem com um chorrilho de asneiras para justificar a sua incapacidade.
Não são capazes de mais nem de melhor, é certo. Não têm a menor culpa ou responsabilidade de serem incapazes. São-no. Nasceram assim, incapazes de usar o cérebro.
Quem tem a responsabilidade são os capazes que se demitem. Que viram as costas. Que encolhem os ombros. Que já tiraram férias do país.
Não sei quantas vezes já escrevi isto aqui. Repito-me.
Mas não há dia...
Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em posições dirigentes.
Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em funções técnicas.
Não se passa um dia em que uns e outros não nos mimoseiem com um chorrilho de asneiras para justificar a sua incapacidade.
Não são capazes de mais nem de melhor, é certo. Não têm a menor culpa ou responsabilidade de serem incapazes. São-no. Nasceram assim, incapazes de usar o cérebro.
Quem tem a responsabilidade são os capazes que se demitem. Que viram as costas. Que encolhem os ombros. Que já tiraram férias do país.
Não sei quantas vezes já escrevi isto aqui. Repito-me.
Mas não há dia...
22/07/2009
Ainda com a cabeça na Lua

Posto que a notícia hoje é solar e lunar, urge combinar ambos nos sonhos. Que se sonhe...
Posto que a notícia hoje é solar e lunar, urge combinar ambos nos sonhos. Que se sonhe...
21/07/2009
Jardins bonitos como há em Alhandra
Disse-o já aqui por uma vez, a Lua troca-me as voltas.
E ainda não me tirei dos meus cuidados para perceber a revolução lunar de forma a não ser surpreendido pelas suas aparições a leste e a oeste.
Há, porém, uma outra coisa relacionada com ela que me troca as voltas – em que dia pousou o módulo lunar no satélite da Terra e a que hora aconteceu isso? E o pé de um humano? E qual dos dois momentos considerar mais importante? Deixando esta última questão de lado, posto que subjectiva, vamos às dúvidas objectivas:
E não me refiro às dúvidas que o feito ainda hoje suscita mas sim que dia e hora considerar quando eram as tais 4:18 p.m EDT (hora relatada da alunagem) ou as 10:56 p.m. EDT (hora relatada da descida de Armstrong)?
Nos dias seguintes, lembro-me de ter discutido a coisa quando tanto se lia que o homem chegara à Lua a 20 de Julho, como a 21.
Ainda hoje não sei em que dia e a que hora foi. Há uns anos, um livro sugeriu-me uma tese.
Em “O homem que vendeu a Lua”, Heinlein define a propriedade do satélite e de todos os corpos celestes como pertencentes a quem detenha o lugar na Terra em cuja vertical eles se encontram no momento.

Sendo que é uma questão curiosa e de intrincadíssima solução traçar a esfera celeste e os seus componentes conhecidos num dado instante, com os dados e os conhecimentos que possuímos ainda hoje, sessenta anos depois de Heinlein ter escrito o livro, a posição da Lua às horas acima referidas não é de cálculo difícil.
A hora do lugar na vertical do qual se encontraria então, seria a hora dos sucessos. E o dia assim conhecido.
Em alternativa, há o tempo do meridiano de Greenwich. Esse dita que Armstrong terá posto o pé na Lua a 21 de Julho e não a 20.
Viu-se mais tarde que não há por lá (na Lua) jardins bonitos como há em Alhandra.
astronauta roubado aqui
Disse-o já aqui por uma vez, a Lua troca-me as voltas.
E ainda não me tirei dos meus cuidados para perceber a revolução lunar de forma a não ser surpreendido pelas suas aparições a leste e a oeste.
Há, porém, uma outra coisa relacionada com ela que me troca as voltas – em que dia pousou o módulo lunar no satélite da Terra e a que hora aconteceu isso? E o pé de um humano? E qual dos dois momentos considerar mais importante? Deixando esta última questão de lado, posto que subjectiva, vamos às dúvidas objectivas:
E não me refiro às dúvidas que o feito ainda hoje suscita mas sim que dia e hora considerar quando eram as tais 4:18 p.m EDT (hora relatada da alunagem) ou as 10:56 p.m. EDT (hora relatada da descida de Armstrong)?
Nos dias seguintes, lembro-me de ter discutido a coisa quando tanto se lia que o homem chegara à Lua a 20 de Julho, como a 21.
Ainda hoje não sei em que dia e a que hora foi. Há uns anos, um livro sugeriu-me uma tese.
Em “O homem que vendeu a Lua”, Heinlein define a propriedade do satélite e de todos os corpos celestes como pertencentes a quem detenha o lugar na Terra em cuja vertical eles se encontram no momento.
Sendo que é uma questão curiosa e de intrincadíssima solução traçar a esfera celeste e os seus componentes conhecidos num dado instante, com os dados e os conhecimentos que possuímos ainda hoje, sessenta anos depois de Heinlein ter escrito o livro, a posição da Lua às horas acima referidas não é de cálculo difícil.
A hora do lugar na vertical do qual se encontraria então, seria a hora dos sucessos. E o dia assim conhecido.
Em alternativa, há o tempo do meridiano de Greenwich. Esse dita que Armstrong terá posto o pé na Lua a 21 de Julho e não a 20.
Viu-se mais tarde que não há por lá (na Lua) jardins bonitos como há em Alhandra.
astronauta roubado aqui
19/07/2009
18/07/2009
16/07/2009
O Jardim é de madeira (rija)
Simpatiza-se ou antipatiza-se com as pessoas sem saber por quê. Eu não sei nem tenho pretensões a saber.
Considera-se uma pessoa capaz quando ela dá sinais evidentes de o ser, pelo raciocínio, pela acção, pela consideração das coisas. Independentemente de simpatizarmos com ela ou de a sua simples presença no écran ou, mais perto, no passeio do outro lado da rua, nos causar aquela irritação...
Simpatizo com Alberto João sem nunca o ter visto do outro lado da rua.
E digo dele, pela observação que tenho feito, que é muito melhor do que a caricatura que compôs.
Sobre a questão de hoje, nada a acrescentar.
Simpatiza-se ou antipatiza-se com as pessoas sem saber por quê. Eu não sei nem tenho pretensões a saber.
Considera-se uma pessoa capaz quando ela dá sinais evidentes de o ser, pelo raciocínio, pela acção, pela consideração das coisas. Independentemente de simpatizarmos com ela ou de a sua simples presença no écran ou, mais perto, no passeio do outro lado da rua, nos causar aquela irritação...
Simpatizo com Alberto João sem nunca o ter visto do outro lado da rua.
E digo dele, pela observação que tenho feito, que é muito melhor do que a caricatura que compôs.
Sobre a questão de hoje, nada a acrescentar.
∞
Se, por via deste blogue, não tivesse obtido mais satisfações – muito mais – do que aborrecimentos – insignificantes, de facto – naturalmente, como a maioria das pessoas, teria fechado a loja assim que a curva de uns ultrapassasse a das outras.
E é por ser de uma curva que se trata – uma curva com a qual foi contemplado por gentileza, mais uma vez, do João Espinho – que agradeço a distinção com uma curva do caminho (a E.N.2 em noite de fogo do inferno).
Deste caminho que daqui a um mês leva meia-dúzia de anos sem que eu quase tenha dado por isso.
O infinito sempre me pareceu mais plausível do que o finito.

Talvez que um dia destes me sinta capaz de atribuir a mesma distinção a outrem. Não hoje.
Peço desculpa por isso.
Se, por via deste blogue, não tivesse obtido mais satisfações – muito mais – do que aborrecimentos – insignificantes, de facto – naturalmente, como a maioria das pessoas, teria fechado a loja assim que a curva de uns ultrapassasse a das outras.
E é por ser de uma curva que se trata – uma curva com a qual foi contemplado por gentileza, mais uma vez, do João Espinho – que agradeço a distinção com uma curva do caminho (a E.N.2 em noite de fogo do inferno).
Deste caminho que daqui a um mês leva meia-dúzia de anos sem que eu quase tenha dado por isso.
O infinito sempre me pareceu mais plausível do que o finito.
Talvez que um dia destes me sinta capaz de atribuir a mesma distinção a outrem. Não hoje.
Peço desculpa por isso.
15/07/2009
Mistérios do Universo

Ele há coisas que nunca ficamos a saber o que são, o que foram.
Na realidade, dependendo do grau de satisfação com o conhecimento, essas coisas poderão ser todas. Todas as coisas.
Faz hoje trinta anos que qualquer coisa aconteceu à frente dos meus olhos sem que eu tenha ainda hoje a menor ideia do que foi. Uma das que ficam marcadas. Para sempre.


clicar para ampliar
Ele há coisas que nunca ficamos a saber o que são, o que foram.
Na realidade, dependendo do grau de satisfação com o conhecimento, essas coisas poderão ser todas. Todas as coisas.
Faz hoje trinta anos que qualquer coisa aconteceu à frente dos meus olhos sem que eu tenha ainda hoje a menor ideia do que foi. Uma das que ficam marcadas. Para sempre.
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13/07/2009
12/07/2009
A peste
Estamos aqui às voltas com os primeiros passos da epidemia.
Na peste e na guerra, sendo que peste é aqui mais uma vez uma lata palavra, é que se diferencia em absoluto a conversa para as massas e entre os que as dirigem.
É natural que se digam muitos disparates às massas. Não têm faltado todos os dias.
O que preocupa – e me preocupa sempre – é pensar que muitas das pessoas que se dirigem às massas com argumentação irrazoável estão de facto convencidas do que dizem.
Ouço hoje um responsável dizer que o facto de a taxa de incidência da doença ser em Portugal mais baixa do que em outros países é mérito da acção do governo.
Não sei se ainda hoje há pessoas no aeroporto à espera dos voos de Cancun, convertendo-se elas próprias em veículos de propagação. Não sei se há mas já houve.
Não sei se há alguma noção de como lidar com situações deste tipo que sejam realmente graves e não como esta, que até agora tem correspondido às minhas expectativas de benignidade. Nada nos garante que não piorará e nada me garante que há um mínimo de noção de como atenuar os efeitos de tal. Que impedir uma peste de se propagar todos sabemos que ainda não conseguimos fazer.
Apercebo-me é de que o discurso político parece corresponder aos meus temores – eles estão de facto convencidos do que dizem.
Afinal, talvez seja isso que faz deles políticos.

gráfico feito a partir dos dados da OMS.
Estamos aqui às voltas com os primeiros passos da epidemia.
Na peste e na guerra, sendo que peste é aqui mais uma vez uma lata palavra, é que se diferencia em absoluto a conversa para as massas e entre os que as dirigem.
É natural que se digam muitos disparates às massas. Não têm faltado todos os dias.
O que preocupa – e me preocupa sempre – é pensar que muitas das pessoas que se dirigem às massas com argumentação irrazoável estão de facto convencidas do que dizem.
Ouço hoje um responsável dizer que o facto de a taxa de incidência da doença ser em Portugal mais baixa do que em outros países é mérito da acção do governo.
Não sei se ainda hoje há pessoas no aeroporto à espera dos voos de Cancun, convertendo-se elas próprias em veículos de propagação. Não sei se há mas já houve.
Não sei se há alguma noção de como lidar com situações deste tipo que sejam realmente graves e não como esta, que até agora tem correspondido às minhas expectativas de benignidade. Nada nos garante que não piorará e nada me garante que há um mínimo de noção de como atenuar os efeitos de tal. Que impedir uma peste de se propagar todos sabemos que ainda não conseguimos fazer.
Apercebo-me é de que o discurso político parece corresponder aos meus temores – eles estão de facto convencidos do que dizem.
Afinal, talvez seja isso que faz deles políticos.
gráfico feito a partir dos dados da OMS.
11/07/2009
09/07/2009
O Sr. Monteiro
Passados quase trinta anos, encontrava-me na esquina que me era vagamente, muito vagamente, familiar.
Disse então à testemunha deste acaso: aqui, vai para uma vida, no meio de um episódio bizarro, adentrei a oficina de alfaiate de um homem que se caracterizava por ter os bordos da mesa de corte todos queimados dos cigarros.
Da loja de chapéus, umbria face à imensa luz da rua, uma remota voz confirmou:
Era mesmo ele. O Sr. Monteiro. Morava mesmo aqui por cima.
Passados quase trinta anos, encontrava-me na esquina que me era vagamente, muito vagamente, familiar.
Disse então à testemunha deste acaso: aqui, vai para uma vida, no meio de um episódio bizarro, adentrei a oficina de alfaiate de um homem que se caracterizava por ter os bordos da mesa de corte todos queimados dos cigarros.
Da loja de chapéus, umbria face à imensa luz da rua, uma remota voz confirmou:
Era mesmo ele. O Sr. Monteiro. Morava mesmo aqui por cima.
06/07/2009
Dias redondos e dosianos
Experimente-se, numa folha de Excel, escrever o número 40000.
Depois, formate-se a célula como data.
Verificamos que nos encontramos no dia 40000 das contas do dito, começadas no último ano do século XIX.
Apercebi-me já depois de ter começado a escrever este post de que há cópia de notícias sobre a coisa.
Banalidades ditas curiosidades que em tempos se encontravam na contracapa de certas revistas.
Experimente-se, numa folha de Excel, escrever o número 40000.
Depois, formate-se a célula como data.
Verificamos que nos encontramos no dia 40000 das contas do dito, começadas no último ano do século XIX.
Apercebi-me já depois de ter começado a escrever este post de que há cópia de notícias sobre a coisa.
Banalidades ditas curiosidades que em tempos se encontravam na contracapa de certas revistas.
03/07/2009
O caso Pinho
O ex-ministro Manuel Pinho é daquelas figuras que, sem nunca a ter conhecido, me desperta companheirismo.
Como diria um amigo meu, tem cara de “boa senhora”.
E não se leia nisto sarcasmo ou ironia alguma. É de facto uma pessoa que me é simpática na pantalha.
Dito isto, foi também enquanto ministro uma personagem que me intrigou de alguma forma.
Ouvi-o dizer coisas inacreditáveis e ao mesmo tempo parecer ser capaz de juntar três ou quatro argumentos com sentido, coisa que, como sabemos, há pouco quem consiga no actual panorama político, da esquerda à direita.
Dizem, agora, até os adversários políticos que foi diligente e eficaz nalguns casos mas não lhe ficou bem dizer que trabalhara dia e noite – há um estranho costume em Portugal de julgar o trabalho não pela sua qualidade mas pela sua quantidade, como se um tipo que não se deita esteja mais bem equipado para tomar boas decisões do que um que dorme o tempo suficiente.
Foi em diversas ocasiões criticado “ao lado” como também é costume por cá – por exemplo no caso da “mão-de-obra barata” em Portugal anunciada aos chineses.
É claro que a comparação não era com a chinesa, o que não faria o menor sentido, tratando-se de comparar destinos de eventuais investimentos chineses na Europa.
Dito tudo isto, o homem hoje surpreendeu-me.
Por cá, não sei há quanto tempo não havia qualquer coisa do género.
Houve, no Parlamento Europeu, o chegar de roupa ao pelo por parte do Prof. Rosado Fernandes, coisa de resto de que o próprio nunca mostrou arrependimento, tendo em conta que se sentira atingido na sua honra.
O gesto foi de facto para mim surpreendente. Por ter sido feito por quem foi e no sítio em que foi.
Ainda assim não me consigo pôr na pele de quem o critica por tal.
O ex-ministro Pinho não deixou, apesar do sucedido, de me parecer uma figura simpática.
O ex-ministro Manuel Pinho é daquelas figuras que, sem nunca a ter conhecido, me desperta companheirismo.
Como diria um amigo meu, tem cara de “boa senhora”.
E não se leia nisto sarcasmo ou ironia alguma. É de facto uma pessoa que me é simpática na pantalha.
Dito isto, foi também enquanto ministro uma personagem que me intrigou de alguma forma.
Ouvi-o dizer coisas inacreditáveis e ao mesmo tempo parecer ser capaz de juntar três ou quatro argumentos com sentido, coisa que, como sabemos, há pouco quem consiga no actual panorama político, da esquerda à direita.
Dizem, agora, até os adversários políticos que foi diligente e eficaz nalguns casos mas não lhe ficou bem dizer que trabalhara dia e noite – há um estranho costume em Portugal de julgar o trabalho não pela sua qualidade mas pela sua quantidade, como se um tipo que não se deita esteja mais bem equipado para tomar boas decisões do que um que dorme o tempo suficiente.
Foi em diversas ocasiões criticado “ao lado” como também é costume por cá – por exemplo no caso da “mão-de-obra barata” em Portugal anunciada aos chineses.
É claro que a comparação não era com a chinesa, o que não faria o menor sentido, tratando-se de comparar destinos de eventuais investimentos chineses na Europa.
Dito tudo isto, o homem hoje surpreendeu-me.
Por cá, não sei há quanto tempo não havia qualquer coisa do género.
Houve, no Parlamento Europeu, o chegar de roupa ao pelo por parte do Prof. Rosado Fernandes, coisa de resto de que o próprio nunca mostrou arrependimento, tendo em conta que se sentira atingido na sua honra.
O gesto foi de facto para mim surpreendente. Por ter sido feito por quem foi e no sítio em que foi.
Ainda assim não me consigo pôr na pele de quem o critica por tal.
O ex-ministro Pinho não deixou, apesar do sucedido, de me parecer uma figura simpática.
02/07/2009
01/07/2009
30/06/2009
O mundo em que vivemos
Madoff foi condenado a 150 anos de prisão.
Na corrupção há a figura do corruptor e do corrompido. Na aldrabice apontada à ganância alheia que aqui designamos por conto do vigário, não existe a criminalização do ganancioso que alimenta a teia do aldrabão.
Madoff foi condenado a 150 anos de prisão.
Na corrupção há a figura do corruptor e do corrompido. Na aldrabice apontada à ganância alheia que aqui designamos por conto do vigário, não existe a criminalização do ganancioso que alimenta a teia do aldrabão.
29/06/2009
28/06/2009
JPP
Pacheco Pereira está longe de ser um indivíduo destituído.
Faz por isso espécie que, depois do falhanço que foi aquela fugaz passagem pelo jornal da SIC, apareça agora a solo a fazer uma coisa que faz menos bem. A falar para uma audiência.
O homem pensa por ele, escreve bem e é explícito no que diz, em confronto com outros.
Mas torna-se maçudo assim. É claro que isto é uma opinião. E como todas as opiniões...
A ver vamos, porém, quanto tempo se aguenta o programa.

imagem da SIC N
Pacheco Pereira está longe de ser um indivíduo destituído.
Faz por isso espécie que, depois do falhanço que foi aquela fugaz passagem pelo jornal da SIC, apareça agora a solo a fazer uma coisa que faz menos bem. A falar para uma audiência.
O homem pensa por ele, escreve bem e é explícito no que diz, em confronto com outros.
Mas torna-se maçudo assim. É claro que isto é uma opinião. E como todas as opiniões...
A ver vamos, porém, quanto tempo se aguenta o programa.
imagem da SIC N
O lixo social e a infinita estupidez dos simples
Dizem – e as imagens mostraram – que aconteceram distúrbios num jogo de juniores em Alcochete, na academia do Sporting.
Os conflitos acontecem pela acumulação de lixo social – já sabemos isso há muitos séculos.
Faz parte da vida.
Há depois uns simples com responsabilidades que dizem que a culpa é das instalações.
É o velho dito da “sala torta”.
Em tempos, era o Estádio Nacional que não tinha condições de segurança – talvez seja mesmo dos mais seguros, mas isso é impossível de explicar a certa gente da bola – porque certo dia deixaram entrar uma parte desse lixo com armas mortais.
É claro que a grande maioria são meros papagaios. Como em todas as áreas da vida.
Dizem – e as imagens mostraram – que aconteceram distúrbios num jogo de juniores em Alcochete, na academia do Sporting.
Os conflitos acontecem pela acumulação de lixo social – já sabemos isso há muitos séculos.
Faz parte da vida.
Há depois uns simples com responsabilidades que dizem que a culpa é das instalações.
É o velho dito da “sala torta”.
Em tempos, era o Estádio Nacional que não tinha condições de segurança – talvez seja mesmo dos mais seguros, mas isso é impossível de explicar a certa gente da bola – porque certo dia deixaram entrar uma parte desse lixo com armas mortais.
É claro que a grande maioria são meros papagaios. Como em todas as áreas da vida.
27/06/2009
As datas e os medos
Referi-me aqui há três meses e tal à questão para muitos melindrosa da marcação das eleições.
Continuo ainda hoje sem saber qual a razão para se ter mudado em 2005 a data da eleição das autarquias locais, passando-a do 50º domingo (ou 51º num caso) para o 41º. Há-de ter havido uma e a ignorância é minha.
Ora, se como então referi, a eleição legislativa ocorreu sempre, salvo as datas simbólicas iniciais e as intercalares e antecipadas, no 40º domingo (ou 41º num caso), tal medida destinava-se a fazer incidir, salvo se viesse a haver novo desencontro de anos eleitorais, as duas eleições – legislativas e autárquicas – no espaço de uma semana ou até a fazê-las coincidir.
Não vejo que fosse de outra forma.
É por isso que acho agora absurda toda esta querela. Afinal qual terá sido a razão para se ter mudado a data em 2005?
Referi-me aqui há três meses e tal à questão para muitos melindrosa da marcação das eleições.
Continuo ainda hoje sem saber qual a razão para se ter mudado em 2005 a data da eleição das autarquias locais, passando-a do 50º domingo (ou 51º num caso) para o 41º. Há-de ter havido uma e a ignorância é minha.
Ora, se como então referi, a eleição legislativa ocorreu sempre, salvo as datas simbólicas iniciais e as intercalares e antecipadas, no 40º domingo (ou 41º num caso), tal medida destinava-se a fazer incidir, salvo se viesse a haver novo desencontro de anos eleitorais, as duas eleições – legislativas e autárquicas – no espaço de uma semana ou até a fazê-las coincidir.
Não vejo que fosse de outra forma.
É por isso que acho agora absurda toda esta querela. Afinal qual terá sido a razão para se ter mudado a data em 2005?
25/06/2009
O xadrez protestante

Não sei há quantos anos foi.
Mas tenho a ideia de que já me interessava por xadrez. E precisamente por isso me encantei com o xadrez de cartão amarelo e verde que algum jornal ou revista do estrangeiro tinha oferecido aos leitores nesse dia e alguém deixou abandonado na praia, semi-enterrado e ainda com as peças todas por destacar da matriz.
A praia já não existe e nesse tempo era a favorita dos meus pais. Talvez por ser deserta. Raramente se via por lá gente e quando aparecia eram esses a quem chamavam protestantes. Quase sempre estrangeiros. E vinham de um acampamento ali perto.
Eu não gostava da praia por ser rochosa mas nesse dia o presente que alguém ali me deixou reconciliou-me em parte com ela.
Lembrei-me disto hoje nem sei por quê.
Gostava de saber se ainda o tenho algures.
Não sei há quantos anos foi.
Mas tenho a ideia de que já me interessava por xadrez. E precisamente por isso me encantei com o xadrez de cartão amarelo e verde que algum jornal ou revista do estrangeiro tinha oferecido aos leitores nesse dia e alguém deixou abandonado na praia, semi-enterrado e ainda com as peças todas por destacar da matriz.
A praia já não existe e nesse tempo era a favorita dos meus pais. Talvez por ser deserta. Raramente se via por lá gente e quando aparecia eram esses a quem chamavam protestantes. Quase sempre estrangeiros. E vinham de um acampamento ali perto.
Eu não gostava da praia por ser rochosa mas nesse dia o presente que alguém ali me deixou reconciliou-me em parte com ela.
Lembrei-me disto hoje nem sei por quê.
Gostava de saber se ainda o tenho algures.
24/06/2009
23/06/2009
A lógica jornalística

Passou na RTP uma reportagem sobre aquilo que muita gente previa que viesse a acontecer – a desorganização dos cadernos eleitorais, possibilitando, com as novas regras do Cartão de Cidadão, que alguém votasse “legalmente” duas vezes. No sítio onde já votava, não residindo, e no local de residência constante do dito cartão.
O que foi notável foi absorver a lógica da jornalista.
Perguntou a certa altura ao eleitor duplicado se alguém lhe tinha pedido o bilhete de identidade para acompanhar o cartão de eleitor.
E qual seria a relevância disso? Seria o facto do homem ostentar o bilhete de identidade (caso ainda dele fosse portador – disse que não) impedimento ou livre trânsito para votar1, ou para votar em duplicado, posto que estava oficialmente registado em duas mesas de voto?!!!
Não seria a cor da camisa também relevante no caso? O penteado? A altura dos tacões?
Está, infelizmente, cheio destas premissas absurdas o jornalismo que hoje se pratica.
A cor da camisa seria demasiado absurda para se perguntar – o senhor votou com uma camisa verde? – mas qualquer coisa que pareça fazer sentido, embora não faça sentido algum, é usada para mostrar serviço.
Mostra muito mais do que isso, infelizmente.
1Atente-se apenas, a título de exercício inútil, na irrelevância da coisa:
Suponhamos que o cidadão em causa ainda detinha e usou o BI. Num dos locais ou nos dois.
Se o usou no local primitivo, tal não geraria qualquer tipo de estranheza, pois seria a rotina habitual, a menos que estivesse caducado e alguém reparasse em tal. O mesmo se aplicaria a qualquer outro documento válido de identificação. Se o usou no segundo, aplica-se tudo o que se disse anteriormente, à excepção de ser a rotina habitual, a menos que existisse nas listas uma referência explícita aos detentores do novo Cartão de Cidadão.
Se não o usou em lado algum, tendo usado outro documento válido de identificação (incluindo o Cartão de Cidadão) ou até a própria face, não se vê razão para que tenha isso relevância para o caso.
A única coisa que poderia eventualmente relevar de uma confissão do eleitor seria a ilegalidade por ele cometida de ter utilizado um documento que já tinha sido substituído por outro.
Mas essa ilegalidade seria por sua vez irrelevante face ao caso e ao que se pretendia demonstrar.
Passou na RTP uma reportagem sobre aquilo que muita gente previa que viesse a acontecer – a desorganização dos cadernos eleitorais, possibilitando, com as novas regras do Cartão de Cidadão, que alguém votasse “legalmente” duas vezes. No sítio onde já votava, não residindo, e no local de residência constante do dito cartão.
O que foi notável foi absorver a lógica da jornalista.
Perguntou a certa altura ao eleitor duplicado se alguém lhe tinha pedido o bilhete de identidade para acompanhar o cartão de eleitor.
E qual seria a relevância disso? Seria o facto do homem ostentar o bilhete de identidade (caso ainda dele fosse portador – disse que não) impedimento ou livre trânsito para votar1, ou para votar em duplicado, posto que estava oficialmente registado em duas mesas de voto?!!!
Não seria a cor da camisa também relevante no caso? O penteado? A altura dos tacões?
Está, infelizmente, cheio destas premissas absurdas o jornalismo que hoje se pratica.
A cor da camisa seria demasiado absurda para se perguntar – o senhor votou com uma camisa verde? – mas qualquer coisa que pareça fazer sentido, embora não faça sentido algum, é usada para mostrar serviço.
Mostra muito mais do que isso, infelizmente.
1Atente-se apenas, a título de exercício inútil, na irrelevância da coisa:
Suponhamos que o cidadão em causa ainda detinha e usou o BI. Num dos locais ou nos dois.
Se o usou no local primitivo, tal não geraria qualquer tipo de estranheza, pois seria a rotina habitual, a menos que estivesse caducado e alguém reparasse em tal. O mesmo se aplicaria a qualquer outro documento válido de identificação. Se o usou no segundo, aplica-se tudo o que se disse anteriormente, à excepção de ser a rotina habitual, a menos que existisse nas listas uma referência explícita aos detentores do novo Cartão de Cidadão.
Se não o usou em lado algum, tendo usado outro documento válido de identificação (incluindo o Cartão de Cidadão) ou até a própria face, não se vê razão para que tenha isso relevância para o caso.
A única coisa que poderia eventualmente relevar de uma confissão do eleitor seria a ilegalidade por ele cometida de ter utilizado um documento que já tinha sido substituído por outro.
Mas essa ilegalidade seria por sua vez irrelevante face ao caso e ao que se pretendia demonstrar.
22/06/2009
Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 5)


talvez deva datar a foto de cima do ano da graça de 1992.
talvez deva datar a foto de cima do ano da graça de 1992.
20/06/2009
19/06/2009
O Ab(d)ominável Homem das neves
Confesso que não sou um letrado no assunto. Aqui e ali li qualquer coisa sobre e foi tudo.
E de facto não tinha a ideia de que o afamado tivesse alguma vez sido crismado (um pouco) de canibal. Já que as suas aparições se assemelhavam, na minha imaginação, a fugazes lampejos pouco propícios a análises de hábitos alimentares.
Penso agora, a cinquenta e sete anos de vista, que talvez haja alguma razão para lhe chamarem abdominável...

Diário de Lisboa, 31 de Março de 1952
Confesso que não sou um letrado no assunto. Aqui e ali li qualquer coisa sobre e foi tudo.
E de facto não tinha a ideia de que o afamado tivesse alguma vez sido crismado (um pouco) de canibal. Já que as suas aparições se assemelhavam, na minha imaginação, a fugazes lampejos pouco propícios a análises de hábitos alimentares.
Penso agora, a cinquenta e sete anos de vista, que talvez haja alguma razão para lhe chamarem abdominável...
Diário de Lisboa, 31 de Março de 1952
17/06/2009
Uma brejeira alegoria
Um enviado do professor Mamadu contemplou-me com mais um cartão de visita do dito.
Desta feita parece-me o papel um pouco mais grosso e em vez da caixa do correio foi o vidro do carro que tenho a cargo por estes dias, o sítio do contacto.
Ao ler que ele resolve todos os problemas, incluindo a sorte ao jogo – estranhamente este currículo não refere que também resolve as perdas na lavoura, coisa que tenho a certeza de já ter lido em iguais portfolios – lembrou-me um caso em que de facto tive esse problema, e a que já aqui vagamente aludi.
Tratava-se de uma barraca de feira, onde os prémios correspondentes ao número saído na grande roda eram reclamados com senhas coloridas e carimbadas de livrinhos de rifas.
Do que sucedeu, nada sei a não ser que fui contemplado com uma bateria de cozinha por ter saído o meu número em vários sorteios sucessivos, de forma que arremetei panela a panela, tacho a tacho, um atado que levei orgulhoso para casa.
Suspeito hoje que o número de magalas entusiasmados com as generosas formas da criada que me acompanhava, multiplicado por um pré talvez recente tenha contribuído decisivamente para o sucesso, dado o entusiasmo com que concorriam com a minha sorte (ou vício?). Era Verão e estava muito calor, as roupas eram leves...
Hoje, não sendo Verão, é-o de facto. A feira há muito não existe. E o local onde se erguia não era longe de onde o ajudante de Mamadu deixou o eloquente recado.
A sorte ao jogo continua a ser um problema delicado. É ver as vezes em que todos somos contemplados em sorteios de lotarias ignotas. Não sabemos o que havemos de fazer a tanto prémio.
Um enviado do professor Mamadu contemplou-me com mais um cartão de visita do dito.
Desta feita parece-me o papel um pouco mais grosso e em vez da caixa do correio foi o vidro do carro que tenho a cargo por estes dias, o sítio do contacto.
Ao ler que ele resolve todos os problemas, incluindo a sorte ao jogo – estranhamente este currículo não refere que também resolve as perdas na lavoura, coisa que tenho a certeza de já ter lido em iguais portfolios – lembrou-me um caso em que de facto tive esse problema, e a que já aqui vagamente aludi.
Tratava-se de uma barraca de feira, onde os prémios correspondentes ao número saído na grande roda eram reclamados com senhas coloridas e carimbadas de livrinhos de rifas.
Do que sucedeu, nada sei a não ser que fui contemplado com uma bateria de cozinha por ter saído o meu número em vários sorteios sucessivos, de forma que arremetei panela a panela, tacho a tacho, um atado que levei orgulhoso para casa.
Suspeito hoje que o número de magalas entusiasmados com as generosas formas da criada que me acompanhava, multiplicado por um pré talvez recente tenha contribuído decisivamente para o sucesso, dado o entusiasmo com que concorriam com a minha sorte (ou vício?). Era Verão e estava muito calor, as roupas eram leves...
Hoje, não sendo Verão, é-o de facto. A feira há muito não existe. E o local onde se erguia não era longe de onde o ajudante de Mamadu deixou o eloquente recado.
A sorte ao jogo continua a ser um problema delicado. É ver as vezes em que todos somos contemplados em sorteios de lotarias ignotas. Não sabemos o que havemos de fazer a tanto prémio.
15/06/2009
14/06/2009
13/06/2009
12/06/2009
11/06/2009
Noticias que toda a gente saberá dentro em pouco

Ainda que a diferenciação dos últimos graus desta escala façam pouco sentido, como já aqui o disse.
Ainda que a diferenciação dos últimos graus desta escala façam pouco sentido, como já aqui o disse.
09/06/2009
Realismo júnico
Pertenço àquele grupo de indígenas que ainda se pode dar ao luxo de olhar o quotidiano com alguma sobranceria.
Por isso, espanto-me comigo próprio quando começo a dar demasiada atenção ao comezinho.
E estes dias passados têm-me, por alguma obscura razão pois não são mais especiais do que os que os antecederam, suscitado erupções que não são nada comuns.
Vejo o alarido à volta do BPP e ouço os apodos com que os clientes mimoseiam os antigos dirigentes.
Sobre isso já disse o que disse, mas cabe ainda acrescentar que, sendo leitor do Expresso desde 1973, apreciei devidamente a arrogância publicitária do BPP na Revista do dito ao longo dos anos (alguém já terá enumerado os colaboradores voluntários de tal publicidade?).
Fiquei, talvez por não ser parte do público-alvo da coisa, quase desde o primeiro momento, com a devida erisipela ao ler as notas à margem dos textos dos convidados.
Isso bastou-me. Não para suspeitar que o negócio era o que os clientes dizem agora ter sido mas para me manter a milhas – náuticas, vá – das agências do supracitado.
Não li, não ouvi o que as sondagens diziam sobre as eleições de domingo passado aqui em Portugal.
Ouço hoje, e para já dou o devido desconto a tais notícias (estranho-me até de estar a comentar com base no que os outros dizem – isso também é ou deve ser dos dias que correm), que se espalharam ao comprido. Não é nada que me surpreenda, mas vou ver o que se publicou.
Qual será o valor do coeficiente de preconceito que é introduzido no cálculo final?
Ainda não me informei devidamente – mais uma vez o falar de cor – se sim ou não os resultados destas eleições europeias foram revolucionários no cômputo geral.
Ouço dizer que sim.
É este um assunto que merece toda a atenção.
Há ainda um telefonema de Viena de Áustria. O pessoal a comer, por lá, sardinhas na rua.
E é este um assunto que me intriga. Que se vá a Viena para comer sardinhas!
Pertenço àquele grupo de indígenas que ainda se pode dar ao luxo de olhar o quotidiano com alguma sobranceria.
Por isso, espanto-me comigo próprio quando começo a dar demasiada atenção ao comezinho.
E estes dias passados têm-me, por alguma obscura razão pois não são mais especiais do que os que os antecederam, suscitado erupções que não são nada comuns.
Vejo o alarido à volta do BPP e ouço os apodos com que os clientes mimoseiam os antigos dirigentes.
Sobre isso já disse o que disse, mas cabe ainda acrescentar que, sendo leitor do Expresso desde 1973, apreciei devidamente a arrogância publicitária do BPP na Revista do dito ao longo dos anos (alguém já terá enumerado os colaboradores voluntários de tal publicidade?).
Fiquei, talvez por não ser parte do público-alvo da coisa, quase desde o primeiro momento, com a devida erisipela ao ler as notas à margem dos textos dos convidados.
Isso bastou-me. Não para suspeitar que o negócio era o que os clientes dizem agora ter sido mas para me manter a milhas – náuticas, vá – das agências do supracitado.
Não li, não ouvi o que as sondagens diziam sobre as eleições de domingo passado aqui em Portugal.
Ouço hoje, e para já dou o devido desconto a tais notícias (estranho-me até de estar a comentar com base no que os outros dizem – isso também é ou deve ser dos dias que correm), que se espalharam ao comprido. Não é nada que me surpreenda, mas vou ver o que se publicou.
Qual será o valor do coeficiente de preconceito que é introduzido no cálculo final?
Ainda não me informei devidamente – mais uma vez o falar de cor – se sim ou não os resultados destas eleições europeias foram revolucionários no cômputo geral.
Ouço dizer que sim.
É este um assunto que merece toda a atenção.
Há ainda um telefonema de Viena de Áustria. O pessoal a comer, por lá, sardinhas na rua.
E é este um assunto que me intriga. Que se vá a Viena para comer sardinhas!
08/06/2009
Dia sem reflexão
Não consegui mais todo o santo dia do que:
Constatar que “a cunhada do meu irmão” é “a irmã da minha cunhada” e que não consegui identificar outros laços de parentesco em que o salto de cavalo seja válido.
Constatar que a câmara que filmava o deputado Honório Novo na Comissão de Inquérito sobre a situação que levou à nacionalização do BPN e sobre a supervisão bancária inerente mostrava uma senhora muito interessante à retaguarda daquele.
Constatar que a eurodeputada que mandei para Estrasburgo e Bruxelas é igualmente muito agradável à vista.
Não consegui mais todo o santo dia do que:
Constatar que “a cunhada do meu irmão” é “a irmã da minha cunhada” e que não consegui identificar outros laços de parentesco em que o salto de cavalo seja válido.
Constatar que a câmara que filmava o deputado Honório Novo na Comissão de Inquérito sobre a situação que levou à nacionalização do BPN e sobre a supervisão bancária inerente mostrava uma senhora muito interessante à retaguarda daquele.
Constatar que a eurodeputada que mandei para Estrasburgo e Bruxelas é igualmente muito agradável à vista.
07/06/2009
Amanhãs que cantam
Acabei de ouvir Gordon Brown dizer que é possível construir, nesta geração, um mundo melhor e erradicar a fome. Pode não ser à letra, mas foi o sentido do final do seu discurso.
Independentemente da barafunda em que estáo metidos os Comuns e do descrédito que assola a classe política britânica, cujos sinais são exactamente no sentido contrário, independentemente disso, levanta-se-me sempre a questão dialéctica e trivial do realismo q.b. oposto ao idealismo que, por vezes, tem agitado e revolucionado o mundo. Quase sempre de forma violenta.
Às vezes lembro-me das vontades aprisionadas por Blimunda. Ainda que não acredite em tal.
Acabei de ouvir Gordon Brown dizer que é possível construir, nesta geração, um mundo melhor e erradicar a fome. Pode não ser à letra, mas foi o sentido do final do seu discurso.
Independentemente da barafunda em que estáo metidos os Comuns e do descrédito que assola a classe política britânica, cujos sinais são exactamente no sentido contrário, independentemente disso, levanta-se-me sempre a questão dialéctica e trivial do realismo q.b. oposto ao idealismo que, por vezes, tem agitado e revolucionado o mundo. Quase sempre de forma violenta.
Às vezes lembro-me das vontades aprisionadas por Blimunda. Ainda que não acredite em tal.
05/06/2009
04/06/2009
O desastre do Caravelle
Um dos mistérios que nunca esclarecerei é por que é que durante anos e anos andei convencido de que o avião (citado aqui há três dias) que se precipitou no mar a seguir à descolagem da Portela em Maio de 1961 era um Caravelle e não um DC-8, como de facto era.
Outro é por que é que este acidente (tal como o do Rápido do Algarve) foi varrido da memória colectiva e das tradicionais retrospectivas quando há acidentes similares.
Afinal, foi o mais mortífero acidente aéreo no (junto ao) território continental até hoje. Mais do que o de Faro.

jornais do dia
Um dos mistérios que nunca esclarecerei é por que é que durante anos e anos andei convencido de que o avião (citado aqui há três dias) que se precipitou no mar a seguir à descolagem da Portela em Maio de 1961 era um Caravelle e não um DC-8, como de facto era.
Outro é por que é que este acidente (tal como o do Rápido do Algarve) foi varrido da memória colectiva e das tradicionais retrospectivas quando há acidentes similares.
Afinal, foi o mais mortífero acidente aéreo no (junto ao) território continental até hoje. Mais do que o de Faro.
jornais do dia
03/06/2009
PR
Diz o Presidente da República que está a perder muito dinheiro com as aplicações das suas poupanças.
Quero crer que isto reforça o que aqui se disse.
Diz o Presidente da República que está a perder muito dinheiro com as aplicações das suas poupanças.
Quero crer que isto reforça o que aqui se disse.
02/06/2009
01/06/2009
Aviões

imagem adaptada de flightstats.com
Anteontem ocorreu-me que passavam anos sobre o maior acidente de um avião ao levantar da Portela de Sacavém.
Também se tratava de um voo transatlântico e também do que aconteceu pouco se soube então. Apesar de ter caído quase na costa, junto à Fonte da Telha.
imagem adaptada de flightstats.com
Anteontem ocorreu-me que passavam anos sobre o maior acidente de um avião ao levantar da Portela de Sacavém.
Também se tratava de um voo transatlântico e também do que aconteceu pouco se soube então. Apesar de ter caído quase na costa, junto à Fonte da Telha.
31/05/2009
30/05/2009
29/05/2009
A cabina telefónica
Já aqui mencionei como a PT me tornou escutador de conversas.
A forma pérfida como proporcionou a introdução nos meus sonhos de palavras alheias, numa só via.
Pois hoje, e apesar de um episódio já acontecido aqui nas alturas, em que se chamava a Ritinha, retomei às escutas, por via de um andaime colocado no prédio ao lado, em que, mesmo junto à janela do meu quarto, passadas que foram as semanas de martelo e de broca, se procede a trabalhos quase silenciosos.
Ouvi telefonemas, naturalmente. Já não são necessárias cabinas. Ouvi imprecações à moda das obras, ouvi considerações políticas e desportivas.
Mas não, não os vou denunciar. Nem sequer passar as notícias aos jornais.
Já aqui mencionei como a PT me tornou escutador de conversas.
A forma pérfida como proporcionou a introdução nos meus sonhos de palavras alheias, numa só via.
Pois hoje, e apesar de um episódio já acontecido aqui nas alturas, em que se chamava a Ritinha, retomei às escutas, por via de um andaime colocado no prédio ao lado, em que, mesmo junto à janela do meu quarto, passadas que foram as semanas de martelo e de broca, se procede a trabalhos quase silenciosos.
Ouvi telefonemas, naturalmente. Já não são necessárias cabinas. Ouvi imprecações à moda das obras, ouvi considerações políticas e desportivas.
Mas não, não os vou denunciar. Nem sequer passar as notícias aos jornais.
28/05/2009
O Caça
Há dias que andava enredado com a fácies do lugar. Dos lugares. De alguns lugares. De alguns e apenas de alguns entre aqueles por onde andei mais tempo.
Sendo que a fácies se refere aqui ao rosto humano. Às características comuns que eu acredito identificar no rosto das pessoas que habitam cada um desses lugares.
Quando começava hoje a ter essa crença em relação a determinado bairro de Lisboa, uma das caras que eu observara saindo da taberna para a torreira do sol definiu-se de perfil junto ao vidro da janela ao pé da qual me encontrava sentado.
Introduzindo aqui um lugar comum, tratava-se de uma espécie de inverso hopperiano. Nighthawks ao invés, de dia e de dentro para fora.
A face que então se recortou vinda da esquerda alta não pertencia, não podia pertencer àquele contexto.
Claro que não. Era o Caça. O meu velho conhecido Caça-Aviões, transplantado da canícula da vila para uma interpelação à esquina para saber de direcções na capital.
Hesitei durante os quinze ou vinte segundos em que o vi à boca de cena, se haveria de ir à porta e chamá-lo para uma cerveja.
Haveria de se surpreender mais do que eu.
Deixei-o ir.
Há dias que andava enredado com a fácies do lugar. Dos lugares. De alguns lugares. De alguns e apenas de alguns entre aqueles por onde andei mais tempo.
Sendo que a fácies se refere aqui ao rosto humano. Às características comuns que eu acredito identificar no rosto das pessoas que habitam cada um desses lugares.
Quando começava hoje a ter essa crença em relação a determinado bairro de Lisboa, uma das caras que eu observara saindo da taberna para a torreira do sol definiu-se de perfil junto ao vidro da janela ao pé da qual me encontrava sentado.
Introduzindo aqui um lugar comum, tratava-se de uma espécie de inverso hopperiano. Nighthawks ao invés, de dia e de dentro para fora.
A face que então se recortou vinda da esquerda alta não pertencia, não podia pertencer àquele contexto.
Claro que não. Era o Caça. O meu velho conhecido Caça-Aviões, transplantado da canícula da vila para uma interpelação à esquina para saber de direcções na capital.
Hesitei durante os quinze ou vinte segundos em que o vi à boca de cena, se haveria de ir à porta e chamá-lo para uma cerveja.
Haveria de se surpreender mais do que eu.
Deixei-o ir.
27/05/2009
Comentadores
Ontem apareceu aí pelas nove e tal da noite um comentador num canal de televisão a dizer que Oliveira e Costa se tinha limitado a ler uma longa declaração e que não tinha respondido a nada.
Eu (e mais meio mundo) até à meia-noite e tal, ouvi-o responder a muitas perguntas que ele às nove já tinha visto, ainda que em pequena parte, serem-lhe fornuladas.
O comentador não sabe, portanto, do que fala.
Ontem apareceu aí pelas nove e tal da noite um comentador num canal de televisão a dizer que Oliveira e Costa se tinha limitado a ler uma longa declaração e que não tinha respondido a nada.
Eu (e mais meio mundo) até à meia-noite e tal, ouvi-o responder a muitas perguntas que ele às nove já tinha visto, ainda que em pequena parte, serem-lhe fornuladas.
O comentador não sabe, portanto, do que fala.
26/05/2009
Bomba

Os moços, em menos de três anos, quadriplicaram a energia libertada.
Onde os levará tal caminhada?
montagem com registo sismográfico do teste de 2006 e foto do grande líder.
Os moços, em menos de três anos, quadriplicaram a energia libertada.
Onde os levará tal caminhada?
montagem com registo sismográfico do teste de 2006 e foto do grande líder.
25/05/2009
24/05/2009
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