29/10/2009

Moço da minha idade


desenho de Uderzo encontrado aqui.

Em tempos, dizia-se por aqui, vou ver se o Astérix está no sítio. Era uma maneira de se dizer que se ia dar uma volta ao bilhar grande.
Nesse tempo isto era a Gália. E nenhum de nós, nem mesmo ele, tinha 50 anos.
As saboneteiras de ilusão



Intriga-me a frequência com que os Gato Fedorento andam a contar piadas nos meus sonhos.
E aborrece-me.
Desta vez, vi-me livre deles numa espécie de sessão de autógrafos numa ampla livraria, livros novos e usados, ali para o jardim da Amadora.
Aproveitei para me raspar a seguir à passagem, por entre a porta e as ilhargas da primeira fila de estantes, de um Opel Rekord modelo de 53, numa repintura em RAL 6019 e antes da disputa entre um Fiat 1800, de 1959, RAL 5024 e uma das minhas aspirações adolescentes, a Peugeot 204 dos meados de 70, no inevitável RAL 7038, disputa travada no encalço do Opel.
Devo dizer, em abono da verdade, que a ser marcada falta, seria à 204 que pretendeu varrer, em carrinha, o 1800. Pode sempre dizer-se que isto sou eu a querer mostrar imparcialidade.
Ou que considero a 204 uma fera capaz de todas as proezas.
Qualquer das duas pode ser verdadeira.
Mas isso é tudo de somenos face ao que se seguiu.
Dei pela falta dos meus amigos J.d’ e P.P.. Procurei, procurei, procurei e nada. Os outros dois inidentificáveis que comigo estavam repetiram o diagnóstico – esvaecimento total e completo de ambos.
Foi bastante mais tarde que soube, da boca dos próprios, a verdade. Ao fundo da livraria havia uma porta dissimulada atrás de uma estante. Por essa porta acedia-se a uma cave, onde decorreu o bródio comemorativo. Estando eles integrados na comitiva...
Esclarecidas as coisas, regressado o P.P. aos seus chaparros, eu e o J.d’ fomos parar a uma camarata onde pernoitávamos, à cautela.
Foi então que ao abrir o armário comum a uma fiada de camas, que não passava de um ficheiro desses de escritório pré-computação, encontrei a minha gaveta cheia do que pareciam ser embalagens de fusíveis de automóvel.
Pensei estar com a gaveta trocada e abri a de cima.
Nela entrevi um saco de plástico transparente com três saboneteiras em kit, para montar.
Uma preta, uma verde e uma assim cor de areia. De areia amarela, como se diz nas obras.
Para não dar parte de ser parte, ou talvez para não escolher a verde face ao meu velho amigo que já diria cansado de ser benfiquista, escolhi a preta.
Ele foi pela amarelenta.
Não sei qual dos dois montou primeiro a respectiva saboneteira.
Saboneteira?
Aquilo era uma bota de borracha, tamanho infantil. E ainda por cima azul. Ultramarino. Ou para aí.
Ocorreu-me muito depois – já acordado - uma relação com o Tahiti duche. Por causa da cor e das rodelas tipo Lego.


O desenho acima ilustra um corte do esquema de montagem das ditas, mostrando o encaixe de um dos pinos, nas três cores disponíveis e a incrível bota de criança que se obtinha no fim.

28/10/2009

Morte natural

Não faço a menor ideia de quais foram as declarações do responsável do INML que deram origem às notícias que diziam ter morrido de morte natural o rapaz que jogava basquetebol na Ovarense.
Nelas, notícias, se diz que são resultados preliminares da autópsia.

Ponho-me aqui a conjecturar sobre o que significa natural ou por causas naturais neste contexto.
Significará normal, esperável, estatisticamente dentro da curva?
Aparentemente, não.
É aquela morte que resulta de doença e não de intervenção externa.
Sabemos assim, pelas ditas notícias, que o rapaz não foi vítima de um acidente, sentado que estava ao que parece no banco do balneário. Nem foi assassinado.
É esta a notícia.

26/10/2009

Juízo de intenção

Há uma intonação qualquer num “Vossa Excelência” proferido hoje solenemente por Sócrates e referido ao Presidente que me deixa algo preocupado.
adenda às 22:05 de 27 OUT. - Aos 12:15 do discurso de tomada de posse. Parece-me agora menos dissonante do que ontem.
A gripe

Escrevi aqui há tempos – no início da coisa - que o mais difícil no que respeitava ao tratamento dos dados recolhidos durante a epidemia seria encontrar factores de correcção para que tivessem algum tipo de utilidade futura. Caso ela exista.
Depois, no campo político do controlo da doença, o que se está a verificar de resistência à vacinação será com toda a certeza irrelevante no caso de uma peste mortífera.
Num caso tal, os atropelos serão para aceder à vacina e não para a recusar, naturalmente.
Não deixa porém de ter um significado curioso, não a cedência da vez mas a recusa pura e simples de ser vacinado.
Para um leigo na matéria e arriscando colocar o pé em ramo verde, ainda assim me parece que uma vacina deve ter um efeito de contenção da carga viral no indivíduo vacinado.
E que esse efeito de contenção, impedindo ou dificultando a replicação do vírus no indivíduo, reduz por sua vez a possibilidade deste contaminar outrem.
Não é como o caso do cinto de segurança em que a probabilidade de prejudicar terceiros de forma irreparável por não o utilizar, é despicienda.
Ouvi dizer que uma vacina, por ser um acto médico, não pode ser imposta.
Claro que a coacção em assuntos de propagação de doenças é uma velha história que se assemelha à quadratura do círculo. Mas há um limite subjectivo no índice de mortalidade de uma epidemia a partir do qual se torna obrigatório obrigar. Ou não há? Quantas vacinas obrigatórias não existiram já?
Bem sei que não é este o caso e que, como disse acima, sendo a coisa muito mais mortal não é preciso obrigar ninguém.
O problema é na zona cinzenta.

25/10/2009

Caça-moedismo


imagem da SICN

E lógica jornalística. Quatro por cento.
Lógica jornalística


imagem da SICN

E caça-moedismo.
Hora legal

Nunca mais pensei no assunto até há bocado.
Da forma como a justiça funciona, com a qualidade intelectual com que está servida, não admirará se um dia destes alguém usar (se é que não o fez já) um alibi horário para se safar de uma condenação. De um crime horrendo, já agora.
Há ene histórias de baralhadas jurídicas com a hora legal e alguma literatura sobre.
Eu é que ainda não sei a resposta à pergunta que me ocorreu há um ano.
Ignorância minha.

22/10/2009

Provavelmente

Estou a ficar senil.
Pode ser que sim.
É que não me deixou de me fazer confusão ouvir na televisão e da boca de mais do que uma pessoa, sempre com ar de crítica negativa, que José Sócrates escolheu os que pensam como ele.
Seria talvez mais aconselhável ter escolhido para o governo do País aqueles que com ele não concordam?!!!

20/10/2009

Indústria

Já o disse aqui. De outra forma.
Ouvir um filiado no PCP queixar-se da destruição do tecido industrial português é algo que me impede de o levar a sério. A partir desse exacto momento.
No caso foi o Doutor Carvalho da Silva. Na SICN, a Mário Crespo.
Disse ainda que os quadros fugiam do país, segundo as notícias dos últimos dias.
Todos sabemos que isso não é fenómeno novo.
Pergunto-me quantos o fazem para não terem que lidar com tanta mediocridade, com tanta gente estúpida em cargos de responsabilidade.
Conheço quem diga que o fez só por isso. Mas isso é irrelevante e subjectivo. Daí perguntar-me qual será a percentagem dos que o fazem por essa razão.

18/10/2009

Sou tão* velho como um Telejornal


imagem da RTP

*um pouco mais, a bem da verdade

12/10/2009

Peça de teatro para televisão

O que tenho estado a ver na TVI24 desde as 22:30.

11/10/2009

Duas notas apenas

Um acto como o que aconteceu hoje de manhã – o homicídio lá para os lados das Fisgas do Ermelo – apesar de nada saber em concreto sobre ele, permite-me ainda assim algumas considerações:
Uma coisa destas é, naturalmente, independente de qualquer tendência política e por isso interessa nada se o assassino concorre pelo PS ou por qualquer outro partido.
Por se saber isso mesmo, é que me deito a imaginar o tratamento da notícia fosse o assassino candidato por um dos partidos que se costumam designar de Direita.

Ouvir da boca do ministro Santos Silva que houve trezentas e oito eleições municipais e quatro mil e tal eleições paroquiais pareceu-me pouco republicano.
Sondagem à boca das urnas

Numa eleição de círculo reduzido, uma sondagem à boca das urnas suponho revela uma suspeita de resultados parelhos.
Não será assim?

(post escrito às 16:42 e publicado por esquecimento só às 21:50)

10/10/2009

À boca das urnas baliza



Ou como o coeficiente de preconceito é importante na bola de cristal.
Um sucesso selene

Há poucas sentenças que me irritem mais do que a muito em voga entre gestores e afins – não é um problema, é uma oportunidade!
Não pelo seu teor, há milénios antevisto por quem se dedicou a pensar nas coisas e por isso mesmo constante de milhentos ditos nas diversas civilizações. Mas pelo despropósito com que a maior parte das vezes é papagueada.
Prefiro usar a necessidade aguça o engenho e informá-la, se necessário fosse, com o prodigioso avanço, na II Grande Guerra, da aeronáutica alemã e dos explosivos norte-americanos.
Ora ontem observou-se algo que a muitos surpreendeu.
Contava-se, aparentemente, com algo semelhante ao ocorrido em Julho de 2005, na missão Deep Impact sobre o cometa Tempel 1.
Em vez disso, resultou uma absorção de energia nada esperada.
Ora isto, sim, sugere-me um sucesso considerável. Algo que contraria severamente o conhecimento actual. Não é todos os dias que as experiências nos dão resultados tais.
A menos que o projéctil, por alguma razão menos nobre, não tenha de facto atingido a Lua e que isso tenha escapado aos escrutinadores.
E grandes interrogações em dia de reflexão

Ou, melhor dizendo, grande interrogação - o que levará alguém a procurar no Google

quando num desastre existem diversos sinistrados qual a ordem de 1º socorro

qual a diferença entre burros e livros?

?
Chute em dia de reflexão



Pois não se trata nem de uma previsão nem de uma sondagem, apenas de um exercício ocioso e inerme, mais ou menos prometido lá atrás.
A soma dá 2 porque juntei os dois lugares cimeiros da classificação e as duas casas decimais são só para dar algum sainete.

09/10/2009

As notícias do dia


adaptação de fotograma do filme de 1902 "Le voyage dans la Lune", de Georges Méliès

07/10/2009

O estudo das obras

É uma das notícias do dia – a de que um estudo da Universidade do Minho concluiu isto e aquilo.
Como não consegui encontrar o dito e não confio minimamente no que se diz nas notícias, apenas posso dizer que me inclino para que exista um estudo que versa a correlação entre as despesas das autarquias e os anos eleitorais.
Tenho uma certa curiosidade em lê-lo. Em particular a parte que dizem existir – será que existe? – em que se estabelece a correlação entre as despesas e os resultados eleitorais.
Como será isso feito?

06/10/2009

Amália

Pertenço a um grupo geracional e social para quem Amália foi apenas som de fundo aqui ou ali, ao longo da vida.
Em certo ano dos meus trinta e tais, cogitei ir ouvi-la ao Coliseu. Não fui.
Já não era nessa altura a Amália fulgurante, naturalmente.
Dela, sem nunca a ter conhecido, guardo a recordação das palavras de meu Pai, que a foi aplaudir, com outros, a Edimburgo, por acaso de calendário.
No final do espectáculo, apercebendo-se de que havia ali uns quantos portugueses na sala, não deixou de se sentar com eles algures, mais tarde, à mesa.
Decorria o ano de 62 e eu, dessa viagem, ganhei um comboio de plástico.


capa do programa daqui
10 anos

Que eles se divorciaram. A caminho do Sol Posto.

04/10/2009

Autarquicamente falando

Num país em que se anda a discutir a inevitável erosão costeira e a tentar encontrar responsáveis para a infelicidade mortal da queda de pedras, não deixo de dar nota fotográfica de riscos mais ou menos iminentes.
Tenho a certeza de que a Câmara de Odivelas – e é dos paços do concelho que aqui trato – tem engenheiros civis que já avaliaram a posição do centro de massa daquele elemento do pórtico de entrada.
É pois apenas uma curiosidade.

01/10/2009

Estreia saloia

O nó

O nó foi de facto inaugurado entre eleições. E lá estavam – em outro ponto da estrada - os quatro candidatos destacados aos dois municípios atravessados pelas vias. As senhoras do PS e os senhores do PSD.
Noutro plano, ou no plano, verifico que há qualquer coisa de uterino na implantação do nó.


trecho do projecto, constante do estudo de impacto ambiental, obtido aqui.

30/09/2009

Almoçageme, 2006

Referenciais de inércia

A comunicação do Presidente da República durou, segundo a TVI, cinco minutos.
Já na SIC, contaram-se onze minutos.
Eu, no meu referencial de inércia, não medi.

29/09/2009

Não é a ignorância

É a estupidez.
Pode quem fez a notícia da SIC sobre o debate entre Silva Pereira e Pacheco Pereira nunca ter ouvido, lido a palavra “inventona” proferida várias vezes pelo primeiro.
Diz que não vem no dicionário e que o ministro a inventou.
É talvez pessoa muito nova para a ter ouvido e lido abundantemente em outros tempos.
Fez o papel dos que dizem que para além da montanha, nada há.
É infelizmente o costume.
Não conhecem, não ouviram falar, logo não existe.

28/09/2009

Trinta e cinco anos depois

A maioria não foi silenciosa ontem. Manifestou-se.
Os que se calaram, talvez menos de um terço, considerando os desajustamentos dos cadernos, consentiram.
Sendo que o consentimento pode ele ainda ser escrutinado. Não avanço por ora nesse terreno.
O Presidente falará não a 30, como há trinta e cinco anos, mas a 29. Dois dias depois, de qualquer forma.


imagem do sítio da Comissão Nacional de Eleições
Melhorei pouco

Em relação a 2005, há pouco menos traços vermelhos.



Há uns quantos que acham que o PS não ganhou as eleições.
E li agora mesmo um tipo que acha que a ausência de maioria absoluta fará o PS governar a contento de todos.
Seriam talvez estes os candidatos às autarquias em Marte, se nos coubesse lá um quinhão.

27/09/2009

Falhar à segunda feira

Este ano, não me lembrei de fazer uma adivinhação atempada dos resultados eleitorais.
Fi-lo na última madrugada e não me pareceu oficiente publicá-la antes.
Aqui vai, para se ver se o falhanço é maior ou menor do que em 2005.



Em percentagem, a coisa dava a tal figura 4-4-1-1-1 ou seja aproximadamente 4 votos no PS e no PSD por cada voto no CDS, BE e PCP.
E parece que a figura da chave é

4-3-1-1-1
Figura totoloto do dia

4-4-1-1-1
Só com Big Brother

Ou com um mínimo de organização?
A história de os mandatos estarem mal distribuídos por círculo por haver demasiados eleitores virtuais não é passível de ser muito minorada com alguma (pouca) organização?
Saber se Inês é morta é assim tão difícil? E riscá-la do tombo também?
Os que se vão e não votam do estrangeiro são assim tantos? Caramba!

26/09/2009

Dúvida


imagem da SIC

Terei ouvido mal? Não houve um qualquer responsável pela coisa (sei lá eu que coisa!) que disse que todas as arribas algarvias tinham sido vistoriadas antes da época balnear, como era de resto procedimento habitual?
Devo ter ouvido mal. Só isso justifica o facto de depois da derrocada na praia Maria Luísa se terem descoberto ene zonas em risco de desabamento.
Há mais uma coisa que me intriga neste assunto – que não tem assunto, como já disse, para além da tragédia, da morte – é, havendo sinalização de perigo, ela não ser homogénea e inequivocamente relativa ao risco em causa, que é o de derrocada.
Há aqui, nas arribas à volta de Lisboa, sinalização conspícua e de facílima interpretação. Mas não é uniforme.



Há, em Portugal, desde há anos, a ideia absurda de que a sinalização deve ficar ao critério de cada um em vez de ser igual em todo território nacional e estudada por gente capaz.
Qualquer imbecil se mete a criar sinais e a colocá-los no terreno. Risíveis muitos deles, se fosse caso para tal. É que sinalizar bem é coisa que não está ao alcance de qualquer um.
Percebe-se mal que o sinal que se vê no arenito (foto de cima) e também nas Azenhas do Mar (2008) seja igual ao de zona perigosa no mar (Porto Novo, 2005) e tenha a bandeira do Instituto de Socorros a Náufragos.
Mas não é por haver ou deixar de haver sinalização no cimo das arribas ou em baixo delas que vão morrer mais ou menos pessoas.
Acidentes destes são raros e muito poucas vezes previsíveis.
A erosão costeira, por muito que custe aos adeptos do catastrofismo, é um fenómeno natural.
A costa recua nuns pontos e avança noutros, desde que haja sedimentos, erupções, derrocadas também. É assim que é e não de outra maneira. A menos que se trate da Holanda.
Se há hoje menos sedimentos a chegar à linha costeira, será em parte por ficarem retidos nas barragens, em parte por não existirem os tais fenómenos extremos de precipitação que uns quantos dizem ser agora mais frequentes.
Por mim, fui há uns anos duas vezes à Praia da Calada, a convite de amigos.
Não foi sítio onde me tivesse sentido confortável.
O instinto de sobrevivência manifestou-se, cri.
TVI

O programa que está agora a ser reemitido na TVI vai dar que falar por estes dias.
Não pelo programa, mas pelo dia.
E é um dar que falar sem assunto, como de costume.

25/09/2009

Repetindo alegorias


adaptado das colecções dos livros infantis Majora
São Martinho, 2008



Lá se foi a feira!
Talvez

Talvez exista uma gíria ou um jargão quaisquer que desculpem e justifiquem a coisa.
O certo é que uma das loirinhas da Sky News acabou de dizer que a NASA afirma haver "aitch twenty" na Lua.
Disse-o com um beicinho engraçado.
Ganham às portuguesas quase todos os dias.

24/09/2009

Descobrir a pólvora

Este ano, mais do que em outras alturas, acentuou-se o descrédito nas sondagens publicadas.
Apareceram entretanto uns aprendizes de feiticeiro a afirmar que as sondagens não eram a adivinhação do futuro. Descobriram a pólvora.
O facto é que as sondagens que respeitam a actos eleitorais sempre foram apresentadas como tal. Como a previsão do que vai acontecer. E é essa a sua razão de ser. Ou não será?
Aquilo que toda a gente pode ver é que a probabilidade de acerto aumenta com a grandeza da amostra.
E que retirar de amostras pequenas resultados afinados requer história (dados), arte e muita cabecinha.
Pressinto que a cabecinha é o que falta. E que ninguém pensa em usar amostras numerosas.
Uma coisa que me intriga há tempo é como é que se calcula o coeficiente de preconceito. Que já tomo como certo que existe.

23/09/2009

Arreceio

Estou preocupado.
Sabemos todos que as técnicas* evoluem de forma exponencial, muitas vezes sem nos darmos conta disso.
Ora eu não me queixo de ser escutado, lido, observado, inspeccionado. Às claras ou às escuras.
Queixo-me de algo muito mais terrível. De estar a ser influenciado nos meus sonhos, com a possibilidade óbvia de a informação decorrente dessa bem conduzida influência estar a ser canalizada para uma máquina onde se proceda à sua descodificação.
Sucede que em três dias, dois foram consagrados a aventuras na companhia do Gato Fedorento.
Isso é tanto mais improvável quanto a minha distância a tal trupe é coisa que se considere.
Dela apenas tomei conhecimento quando comecei a ler aqui nos blogues gente entusiasmada com as edições em DVD dos seus programas.
Não nego que vi alguns deles na época em que passavam na RTP e que assisti a quase todas as entrevistas desta campanha eleitoral na SIC.
Deles digo o que diria de qualquer outro artista que me prendesse a atenção – têm coisas com piada e outras sem pinga de.
Não vejo portanto nada que justifique esta interferência dois dias em três. Caramba, são 66,6666... % de sonhos ocupados.
Ele foi a linha de comboio da Sonae para Tróia, ao longo da costa, a partir do Algarve. Ele foi o velho em Setúbal que alugava armazéns e que dizia que uma moldura desalinhada num canto era o equivalente a um espelho partido e um sintoma de intrusão. Ele foram os fãs à porta do armazém do velho, que nos estava em parte consignado, e dos quais supusemos terem carregado os materiais cenográficos para a camioneta, que afinal tinham sido roubados, como suspeitava o velho. Ele foram as festas da vila e uma piscina por lá que eu não conhecia. Ele foi um helicóptero que eu montei qual meccano (eu que nunca fui de Meccano mas sempre de Lego) para ir acudir a um fogo para os lados da serra algarvia enquanto um deles enchia lá na ribeira um balde de 15 litros atado a uma corda para assim atacarmos o fogo de alto. Ele foram as cabeças de cão à venda para petisco e os pintos sem olhos nas mesmas bancas sobre a ponte.
Ele foi afinal, e isto sim perturbou-me e convenceu-me de que estava a ser vítima de intrusão de um qualquer programa Morfeu – uma altura em que eu perguntava, duvidando, se eles estavam a ver a mesma exacta coisa do que eu, a qual era uma grande instalação industrial do princípio do século XX, estendendo-se pelo vale à nossa frente e ocupando a encosta na nossa retaguarda, enquanto com uma mão apalpava uma matéria compósita de madeira e tecido grosseiro que me aparecia como saída de um rolo de uma máquina a que eu estava quase encostado, especado à frente de uma fachada altíssima, cinzenta e com janelas em arco.
Tenho ou não tenho razão para estar preocupado?
É que como devem calcular, o entretanto foi densamente preenchido por piadas. Umas mais bem conseguidas, outras nem por isso.


imagem alarvemente roubada e adaptada do site do programa actual

*mal comparado

21/09/2009

Duas notas pessoais, avulsas e sem ligação entre si

Há alguns anos que o nome de Santo Quintino colidia com a minha ideia geral de que dependia de começar ou não por vogal o nome do santificado, para assim se usar Santo ou São.
Mas levava isso do Quintino à conta de bizarria, de excepção à regra.
Hoje, São Ane abalou definitivamente essa minha ideia regular, fruto, já vejo, de muita ignorância.

O caso das escutas em Belém, de resto muitíssimo bem escrutinado pelo Comendador Marques de Correia aqui há semanas na última página da Revista Única do Expresso, apenas me respondeu a uma questão que me atormentava há anos – quem era aquele senhor de óculos de aros grossos, não sem uma certa bonomia, que sempre se perfilava atrás do Presidente?

(um destes dias ainda hei-de discorrer sobre a instante questão da disposição e atitude dos elementos que emolduram um dignitário sempre que este é apanhado em plena rua por uma câmara de televisão e da necessidade que há de definir protocolarmente uma e outra)

20/09/2009

À atenção do товарищ Jerónimo

As minas das quais o товарищ Vital anunciou a reabertura foram as de São Domingos. Coisa que de resto parece ainda mais complicada. Mas ele lá saberá.
Pela minha parte, confesso que não tenho barómetro, conforme imagem em anexo e minha Palavra de Honra.
Nem sequer tenho – com muita pena minha – um daqueles galos que mudam de cor.

Porto, 2007

18/09/2009

Enfermaria

Ainda não percebi bem a coisa – os enfermeiros querem ser pagos como os médicos, porque ambos são agora licenciados e não querem ser licenciados de segunda?
Levando a coisa ao absurdo, um curso superior (uma licenciatura, seja) de batedor e corredor de cães de caça* obtido sei lá onde, tem o mesmo valor intrínseco e social do que, por exemplo, uma em engenharia civil conferida pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto?
Parece-me que nos encaminhamos a passos largos para uma resposta afirmativa à minha segunda interrogação, em nome de uma espécie de igualdade cuja raiz e justificação me escapa completamente.
Enquanto não chegamos lá, temos também por exemplo esta leitura.
Ou então descobrimos finalmente que há doping no ciclismo. E que nunca houve outros casos com certos atletas.


*especialidade militar constante da imaginação de um velho amigo.
Inauguração vista daqui



As inaugurações antes de uma eleição revelam que:

a) Os políticos, regra geral, são estúpidos.
b) O povo, regra geral, é tonto.
c) Ambas são verdadeiras.


A dúvida acima pode revelar que o estúpido sou eu e que há cópia de correlações entre estas inaugurações e os resultados de quem então governa.
Duas nada grandes questões universais


imagem da SICN

Aquele senhor é o quinto ou o sexto árbitro?
O que é que ele está ali a fazer?

17/09/2009

Ditado popular

Água mole em pedra dura tanto dá até que fura – há coisa de uma hora que está(va) um tipo aqui ao pé a tentar perfurar uma cantoneira de aço com uma broca cega e inadequada.
Faz(ia) uma barulheira dos diabos e deve(ria) estar mesmo convencido de que a água mole fura a pedra ao fim de um dia de trabalho.
Homo sapiens? Afinal parece que sim!
Agora mudou de broca e... conseguiu logo à primeira!
A cantoneira também já estava cansada, é claro.

16/09/2009

Barroso


imagem da RTP

Nunca tendo conhecido a figura, inscreve-se naquele conjunto que “tanto se me dá, como se me deu”.
Entre ele e outro pior, escolho-o naturalmente. E foi sempre esse o caso quando a questão se apresentou. Tivesse eu interferência na escolha ou não.
No caso da UE, e passando por cima de todas as considerações históricas que fizeram com que lá estejamos incluídos – eu não consigo encontrar explicações para a História e nunca conheci ninguém que conseguisse – é naturalmente preferível ter à frente dela um capaz estrangeiro em vez de um imbecil português.
Sucede que Barroso não é brilhante nem imbecil.
E que eu desconheço outros candidatos ao lugar. Pode ser que os tenha havido – não faço a menor ideia.
Estamos portanto no reino da subjectividade, da opinião. E, na minha opinião, antes assim.
E eu fui dos primeiros aqui nos blogues a manifestar-se contra a primeira eleição dele.
Não o fiz por ser ele a escolha mas por virar as costas e entregar o país a quem entregou.

Há hoje ainda em Portugal (e lá fora) quem o ataque por ter tido um papel na caminhada para a invasão do Iraque.
Nesse tempo ainda não tinha o blogue mas era contra tal coisa.
Achei patética, raiando a imbecilidade, a apresentação que Powell fez na ONU sobre as armas de destruição maciça. E a falta de interrogações que ela suscitou, sabendo-se como se sabia que o Iraque tinha usado armas proibidas em mais do que uma ocasião. É aquela velha questão das provas, para a qual não faz mal nenhum ler o livro do falecido Fernando Gil.
Dito isto, há uma franja de gente que condena o ataque ao Iraque mas que, ao mesmo tempo, se manifesta sempre contra todo o tipo de características que a sociedade iraquiana tinha sob Saddam Hussein: mão de ferro, discricionariedade, violência, ausência de liberdade, etc. etc. e que está sempre na primeira linha dos que propõem a eliminação de tais regimes.
Eu, mais uma vez subjectivamente, não o faço. Há demasiados casos em que para evitar o caos, maior violência, fome e miséria é necessário ser autocrático. Não se conhece ainda outra forma.
E fui contra a invasão. E há guerras que têm que ser travadas. Dizer que se é contra a guerra em abstracto é apenas estupidez e mais nada.
De resto, sem querer mais uma vez explicar a História, parece-me que o principal desígnio dos americanos no Iraque foi aproveitar um estado debilitado e condicionado para mostrar que conseguiriam impôr-se de alguma forma naquela zona do Médio Oriente. A título de exemplo.
Há sempre negócios nestas coisas, naturalmente, mas vejo a coisa mais como exemplo do que como negócio.
Esta apreciação é um disparate subjectivo porque nunca se saberá o que ia na cabeça de quem tal plano traçou.
Talvez nem os próprios façam ideia. É o mais provável.
Sendo dizer o que é fazer ideia outra questão interminável...
Barroso apoiou e patrocinou até. Pergunto-me se o PS no governo agiria de forma diferente.
Sete, 1996

15/09/2009

Vila Nova de Milfontes, 1972

Bola



Para não dizer mais asneiras sobre futebol vista a precipitação que me acometeu aqui há dias, o seguinte:
Houvesse a Dinamarca ganho na Albânia isso não lhe conferiria o apuramento para o Mundial, como se poderia depreender do que escrevi, apenas lhe garantiria o segundo lugar no grupo.
O resultado do jogo com a Suécia poderia assim comprometer o seu apuramento.
Visto que empatou o jogo, as probabilidades de apuramento diminuíram. O que faz com que o desfecho do jogo contra a Suécia seja ainda mais ponderoso do que já era.
Havendo cinco jogos por disputar e nenhum deles sendo irrelevante para a classificação final, temos 243 hipóteses de combinação de resultados, considerando apenas o tradicional 1X2 para cada um dos cinco jogos.
Assim, temos para o primeiro lugar, das 243 hipóteses:

Para o segundo lugar:

Assumindo agora que a probabilidade de cada um dos desfechos é desigual, sendo a que se retira do historial dos encontros entre as equipas na sua condição de visitado e visitante (se a equipa A jogou em casa 10 jogos com a equipa B, ganhou 9 e empatou 1 – a probabilidade a considerar será de 90% para a vitória dos visitados, 10% para o empate e 0% para a derrota), obtida no site da FIFA, chegamos a estes valores, depois de distribuir equitativamente (com o erro que isso introduz e que poderá ser objecto de análise mais detalhada um destes dias) os casos em que a classificação depende do desempate por número de golos:
Para o primeiro lugar:

Para o segundo lugar:

Note-se que a Hungria desaparece destas contas por depender da ocorrência de resultados que nunca se verificaram e têm assim probabilidade zero.
A coisa não está famosa.

13/09/2009

Anda uma pessoa a estudar para isto

“...é jovem, urbana, divertida e irreverente.”
Sabem a quem se referia quem tal disse?
Não era a quem, era a quê. À água Castello.
Das imperfeitas perfeições

Arrasadoras no rosto feminino, no todo feminino.
Só as imperfeitas são completamente perfeitas.
Das entranhadas emoções

Aquela sorte delas que nos assola quando ali não somos só nós.
Somos nós e o ancestro, na figuração dos olhos dos circunstantes, de quem nos tornamos assim familiares, vagamente, muito vagamente desconhecidos.