29/10/2010

Raoul’s umbrella*


© Disney / Cameron Mackintosh - imagem encontrada aqui

Confirma-se. Foi em 1994, pelo São Miguel, na feira de Ourique, a última vez que comprei um chapéu de chuva.
Um daqueles azuis, a sério. Que ostentei, alardeando a minha deambulação feiral com uma namorada improvável.
Esse outono e esse inverno e os do ano seguinte terão sido provavelmente os últimos em que me dotei de tal adereço para me abrigar da chuva.
Faço conta de ir hoje comprar um.
O que dá, se só andei duas invernias com o último, quinze anos. Mais perto de um terço da minha vida do que de um quarto.
Isto deve querer dizer qualquer coisa sobre:
A meteorologia dos últimos anos nos locais onde costumo hibernar.
Os meus hábitos de vida e de indumentária.

O cajado do de Ourique vai dar uma belíssima bengala.

*jogo de palavras enigmático.

28/10/2010

Da loja do chinês


(em clicando, ampliará)

Nem isto é nenhuma novidade nem se dá o caso de traduções realmente importantes não serem feitas pelos mesmos meios.
Esta é só especialmente ridícula.

27/10/2010

26/10/2010

Restos de colecção (72)


in Ministério das Obras Públicas - Plano Comemorativo - 1966

25/10/2010

Javardo



Quando vi este sinal no anúncio, veio-me à memória um outro, com três porquinhos de rabo retorcido, feito à medida.
Esse é mais difícil de filmar/fotografar.

24/10/2010

Às tantas

Trazem esta história à baila para ver se ensinam alguma coisa. É raro, mas acontece.
Medidas simbólicas

Há umas coisas a que alguém deu o nome de medidas simbólicas e que são as primeiras medidas com um algum alcance que um governo toma.
Desde o fecho dos hipermercados nas tardes e noites de domingos e feriados até à deslocação de secretarias de Estado para fora da capital, temos que considerar a abolição de portagens na CREL, a possibilidade de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias e outras que agora não me ocorrem.
Verifica-se que deste lote só sobrevive a última.
No resto, temos um rol de asneiras que, a prazo, foram corrigidas. O que é significativo.
Ainda não consegui que alguém me explicasse a repercussão que a abertura dos hipermercados nas tardes e noites de domingo tem para o pequeno comércio retalhista.
Acho que, com isto, não quebrei a promessa que fiz. Levo isto à conta de História.

22/10/2010

Um mundo de doidos

Já não se trata da normal fuga à razão, própria dos comuns.
Vive-se um tempo de mentes doidas. Em que o mais estrondoso disparate faz escola, é repetido amiúde sem oposição.
Um qualquer napoleão de manicómio que ameace com uma espada de cartão fazer desabar um arranha-céus leva a que se reforce a estrutura do dito edifício.
É nisto que estamos. E longe de sair.
Motivos para deserdar alguém (mais um da série de)

Ouvi-lo pronunciar a expressão “Gosto de pensar que...”
Bipolar

17/10/2010

The end

Espero ter a virilidade suficiente para manter a promessa – não mais falar dos atrasados mentais da regência e do bando de salteadores do pinhal da Azambuja.
Virilidade que é preciso ter para não mencionar tais desgraças.
Espero tê-la e mantê-la.
Há muito que pensava que um dia a cidadania haveria de finalmente desabrochar. Querer pagar impostos para obter determinado Estado em contrapartida.
Verifica-se que essa meta está a ser alucinantemente ultrapassada e que começa a haver cada vez mais seguidores da máxima “Não pagar impostos é um dever social!”
É-o, de facto. Alimentar prebendas, comedouros e malgas para uma tropa medíocre de situacionistas que, sem trabalhar a favor da organização do Estado por para isso serem intelectualmente incapazes, é um crime de lesa-Estado.
Não falarei mais desta tropa fandanga.

15/10/2010

Coordenadas

Estamos assim capitaneados por um grupo de mentecaptos, às voltas dentro do pinhal da Azambuja.
Pesquisa e trabalho de campo



Desde que me deitei ao trabalho de fotografar placas toponímicas com datas que tropecei nos casos mais caricatos:
ruas que não existem a não ser no papel mas que já têm nome e código postal;
ruas que há muito existem, estão tombadas nos serviços camarários com tal nome mas que não só não o ostentam como, interrogados, os habitantes próximos (ninguém lá mora) dizem que não tem nome – nem esse nem nenhum;
ruas que têm o nome engatado nos serviços camarários;
Isto para além de muitos erros nos Google Maps, Bing Maps.
No ponto em que a coisa está, faltam-me descobrir placas para trinta e seis dias do ano – quase um décimo – a saber, caso algum de vós conheça uma que não cacei:

13/10/2010

Vida real


adaptação de capa da Colecção Argonauta com fotograma captado por um dos mineiros

12/10/2010

Apolo XIII

Dentro das comparações espaciais que se fazem entre esta situação dos mineiros cabe perguntar se, desde a Apolo XIII, o mundo se debruçou tanto da janela para assistir a uma operação de resgate.

11/10/2010

Das divisões do Mundo (episódio hors-série)

Dir-se-ia que o Mundo se divide entre os que acham que todos os outros desejam, valorizam as, e acreditam nas mesmas coisas e os que acham que só eles desejam, valorizam as, e acreditam nas mesmas coisas.
Dir-se-ia, se não fosse o caso de cada um passar por uma espécie de estados quânticos em que está de um lado da divisão no que respeita a um objecto ou conceito e do outro no que respeita a outro objecto ou conceito.
Afinal a natureza humana. Ou o que se supõe que ela é e contém.

09/10/2010

Náufragos na terra

Há um livro de Arthur C. Clarke - Náufragos da Lua - que trata do resgate dos ocupantes de uma nave que se atolou numa finíssima poeira lunar.
Lá aparece a figura do escrutinador. Aquele que tem como função ouvir tudo e todos com o intuito de captar uma ideia brilhante para solucionar um problema.
Em tempos, ouvi um conhecido contar-me de certa vez em que adoptou esse método para resolver um problema básico de engenharia.
Pareceu-me então que uma das ideias que ele considerara disparatada era afinal uma boa hipótese de solução.

Não faço a menor ideia de como se desenrolou a preparação do resgate em curso dos mineiros encurralados no fundo da mina chilena, que sempre me lembrou tal livro.
No muito que esta história ainda tem para dar, conhecer esses meandros seria muito interessante.

Quanto à parte humana, veremos também o sumo que se extrai de um azar tal. Haveria de ser muito.

08/10/2010

No país do atraso mental

Há uns quantos, sentados em cadeirões públicos, que descobriram agora que o país é rico.
Que gasta à tripa-forra em apitos e flautas, música e fardamentos novos, putas e linguiça.
Não se esperava outra coisa, de resto.

07/10/2010

Dos sonhos

Sempre me causaram espanto as afirmações demasiado assertivas para a explicação dos sonhos.
Mas aqui tenho a certeza: os normalíssimos gatos que me povoaram os sonhos esta noite andavam na certa à caça dos pássaros-rolha da noite anterior.

06/10/2010

Enigma (resolvido)

Voltando a um caso que deixei em suspenso:


© Google Street View

Se não fossem as sombras e a hora da foto, não chegava lá.

05/10/2010

Viva a República!



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó patria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os Bretões
Marchar, marchar!

Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira
Portugal não pereceu!
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir de amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os Bretões
Marchar, marchar!

Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir,
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os Bretões
Marchar, marchar!

04/10/2010

Mau projecto ou o quê?

Partindo do princípio de que as afirmações do responsável pelo Hospital Fernando da Fonseca, vulgo Amadora-Sintra, são correctas, a água acumulou-se em zonas críticas do hospital em virtude do deficiente isolamento de uma junta de dilatação.
Em primeiro lugar, não passa pela cabeça de ninguém instalar um serviço crítico numa zona atravessada por uma junta de dilatação.
Em segundo lugar, desenhar uma junta de dilatação e sua protecção de uma forma a que a água entre em abundância num edifício, ainda que este não seja hospitalar, também não devia passar pela cabeça de ninguém.
Mas passa, passou, a serem correctas as palavras do entrevistado pela RTP. Coisa de que não tenho razão para duvidar.
Há também quem tenha riscado do seu dicionário construtivo a expressão junta de dilatação.
Mas isso...

03/10/2010

Da crença

De cada vez que me ponho a assistir a debates entre maometanos e cristãos a propósito da construção do centro muçulmano em Manhattan ou a propósito de qualquer outra coisa que os separe, verifico a minha enorme distância à crença.
À crença na razão.

29/09/2010

Enigma

Há tempos, mencionei aqui uma foto cuja localização identifiquei através do Google street view.
Deparou-se-me depois um caso um pouco mais complicado. Um apenas, entre centenas de fotografias.
Quando as fotos são batidas em sequência de intervalos pequenos, qualquer uma que não tenha grandes referências goza da proximidade das já identificadas, tal como num puzzle.
No caso desta, batida algures nas ruas de Alicante, tal não acontecia. Tinha um intervalo grande da anterior e da seguinte.
Era quase certo que tendo sida feita imediatamente após uma série de fotos pedestres, já pertencia à série seguinte de fotos a cavalo. O brilho determina a existência de um vidro entre o alvo e a lente.
E todas essas fotos tinham sido feitas do lugar do morto.
Tratava-se pois da margem direita de uma rua, atento o sentido de marcha. Num percurso de saída da cidade num dia em que o trânsito se encontrava condicionado em inúmeras artérias, obrigando a rotas menos lineares.
Já não tinha grande ideia do caminho feito, o que me dava uma zona grande da cidade para escrutinar.
Mas havia no foto informação suficiente.

23/09/2010

Abaixo de cão

É a única frase que me ocorre quando os vejo argumentar ou explicar o que pretendem para o futuro do país.

20/09/2010

Serena idade

Dois homens, os melhores amigos um do outro, num carro sonolento pelas estradas saloias.
O que conduz é do Sporting. O que vai no lugar do navegador é do Benfica. Têm mais de cinquenta anos e são amigos desde o pontapé na bola, na rua.
O benfiquista, que gostaria em tempos de ter sido retratado à sombra da Esfinge a ouvir o relato do Benfica, pede para ouvir música, ainda muito antes de o jogo começar.
O amigo não lhe fez a vontade e viajaram afinal ao som do relato.
Estranhando guerras de outros tempos, o sportinguista que só ouvia relatos da bola nas velhas quartas-feiras europeias, ao volante, diz que não acredita que o Sporting ganhe, logo após as primeiras sequências relatadas.
O benfiquista duvidava da equipa da Luz e do respectivo treinador.
Quando se despediram – até pr’à semana – o resultado estava já em 2-0.
Acho – tenho a certeza, como se lá tivesse estado - que nem um nem outro deram bem por isso.
Trucidado

Acabei de ver Bernardino Soares ser trucidado por Ângelo Correia, no frente-a-frente da SIC N.
Vários pontos anexos:
Sou, como já aqui disse, anti-PCP primário.
Não sou do PSD, nunca o fui.
Considero que Ângelo Correia está intelectualmente uns pontos acima de Bernardino Soares.
Lamento que a certo passo aquele, depois de ter atirado este ao tapete, tenha tido a aparente tentação de o humilhar.
Lamento que tudo isto, ou quase tudo isto, tenha sido à volta da revolução cubana.
Demografia

Alguns quadros comparativos entre o concelho de Lisboa e a média nacional.
Ainda a propósito do "Lisboa tem mulheres a mais!" que ouvi há dias.


(clicar para ampliar)

17/09/2010

HM


pictogramas de Shigeo Fukuda para a Expo 98

Singularidades de uma cidade:
Chamada a minha atenção por alguém que, por mero acaso profissional muito fora da sua área de trabalho, se dedicou há alguns anos aos números do INE, fiquei a par desta coisa que a mim agora me admirou mas que muitíssima gente está farta de saber – Lisboa tem mulheres a mais.
Em 2009, o número de mulheres por cada 100 homens apresentava este quadro nacional.
Lisboa é de facto um dos concelhos onde a desproporção é maior.
Voltarei a isto com mais quadros.


(clicar para ampliar)

15/09/2010

Lá de cima

Via-se esta imagem há duas horas atrás.
Bela e tormentosa.


imagem do IM

14/09/2010

Portela + 1



A crer nos mentideros, para a selecção de futebol irá o Portela mais um.
Perdão, não é o Portela, é aqueloutro. Ou não.

12/09/2010

A literatura dos acasos



Estarmos aqui é ou uma sucessão de acasos extraordinária ou uma inevitabilidade.
Ou qualquer outra coisa que entremeie entre uma e outra.
E já escrevi duas (com esta três) linhas sem dizer coisa alguma.

A introdução que vou fazer mostra o fruto de um acaso.
Um amigo que volta de terras de Vera Cruz com um livro interessante que julga ser do meu agrado e mo deixa, depois de o ter lido.
Um amigo (que o é, sinto-o como tal, embora o não conheça e eu não seja nada de amigos virtuais) que me pede que diga publicamente qual o livro que estou a ler.
O resto explica-se pelo Google. O autor do livro que encontra o seu nome citado por mim.
E que tem a amabilidade de me enviar um mail.

Teve mais. Teve a gentileza de me dar conta da sua próxima viagem a Portugal, onde terá participação em diversas actividades culturais e divulgará, naturalmente, o seu livro.
Eu gostei.

Vai cá estar na última quinzena deste mês de Setembro.
Amoreiras-Gare, 2008

10/09/2010

Impossibilidade

É, a juntar ao que aqui anteriormente disse, aquilo a que se convencionou chamar justiça não dar diariamente clara mostra da qualidade intelectual da esmagadora maioria dos seus integrantes.

09/09/2010

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 10

Contrapartidas

Não estou informado sobre os pormenores das contrapartidas em negócios do Estado.
Todavia, a crer nas notícias que leio e ouço aqui e ali, fico convencido de que a coisa funcionaria mais ou menos de acordo com a velha máxima, ainda que adaptada:
Só te compro uma linguiça se me comprares um porco.
Deve haver aqui qualquer equívoco. Meu, na certa.

08/09/2010

Não alteres, não


da RTP

Ainda mais estranha é a afirmação quando é frequente nestes interlúdios apontarem o significado ou significados da palavra cuja grafia não se aplica, quando ela existe.

07/09/2010

Abuso de crianças

A mim, deixam-me mal disposto os anúncios e as campanhas com crianças a papaguear a mensagem que é preciso passar.
Talvez que quando atinjam a idade do juízo, ou lá o que isso é, considerem que quem as haveria de proteger, não as protegeu do ridículo.
Dizer o óbvio

O desempenho de uma selecção nacional de futebol depende da qualidade dos jogadores e da qualidade do treinador.
Não se vai a lado nenhum com jogadores fracos ou com um treinador incompetente.
O ciclo de ocaso e esplendor aplica-se às selecções de futebol como a tudo na vida.
As grandes questões universais - episódios q+11 a q+17 (para fazer sete)

Nesta votação que decorre para eleger as sete maravilhas naturais de Portugal, ocorre-me, para além de saber o que é natural ou não e de tudo me parecer assim uma tradução para o mauzinho de uma ideia comercial, o seguinte:

11) Quem vota no Portinho da Arrábida está a votar no Parque Natural da Arrábida?
12) Quem vota no Parque Natural da Arrábida está a votar no Portinho da Arrábida?
13) Quem vota no Pontal da Carrapateira está a votar no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina?
14) Quem vota no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina está a votar no Pontal da Carrapateira?
15) Quem vota na Ponta de Sagres está a votar no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina?
16) Quem vota no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina está a votar na Ponta de Sagres?
17 e mesmo para fazer sete – que é mais um pedido) Alguém me faculta o contacto de uma pessoa racional a organizar coisas afins em Portugal?

As questões pares parecem-me respondidas pela teoria dos conjuntos – se se considera um conjunto, consideram-se todos e cada um dos seus elementos.

06/09/2010

Os espiões de Santos Silva

O ministro da Defesa é um homem com cabeça.
Pode discordar-se dele as vezes que calhar, estar em campos opostos, que isso não faz dele nem de ninguém mais incapaz.
Li a resposta que deu ao I e achando que é de uma explicitação desnecessária, não me parece que ponha em causa seja o que fôr.
Se os serviços de informações militares não recolhem informação em todos os locais onde há forças portuguesas, é estranho que o não façam.
E se o fazem...
Não li na entrevista nada que se parecesse com uma lista de nomes.
Fico sempre com a ideia de que quem bate, não sabe bem ao que vem.

05/09/2010

Anti-PCP primário

Sou um anti-PCP primário.
Poderia pôr-me aqui a dar razões a eito para tal. Passaria por deixar de ser uma coisa primária, institiva, fruto da exposição ao meio num dado intervalo de tempo.
Sou, naturalmente, incapaz de entrar numa festa do Avante.


Cartaz do PCP colado na parede da casa de família, em 1974 – Espólio Campos Vilhena – trecho de foto de MSG.
Sentido plástico


imagem na SIC N

03/09/2010

É preciso matar o cão

Para se fazer passar pelo dono.
Único cálculo que me ocorre sobre o assunto do dia

Partamos do princípio de que o acórdão de que se fala tem de facto duas mil páginas.
Pelas minhas subjectivas contas, atenta a minha velocidade média de pronunciação, obtida pela média dos quocientes entre o número de palavras guardadas em ficheiros de som e a duração dos ditos ficheiros e a média do número de palavras por página A4 de uma série arbitrariamente escolhida de ficheiros de texto, com diversos tipos e tamanhos de letra, cheguei a um valor arredondado de cento e vinte horas.
A ver o tamanho do meu erro.

Diz que hoje há bola.


Adenda ainda a tempo (cerca das 17:40): O volume de papel que surgia na tribuna, a ser o acórdão, é compatível com a ordem de grandeza anunciada – à volta de duas mil páginas.
Pelo tempo que aparentemente demorou a leitura, não deverão ter sido lidas muito mais do que cem páginas, constituindo súmula.

02/09/2010

Esbanjamento

Ele há ene parábolas sobre o investimento interno e impulsos à economia.
Colou-se-me esta por me ter sido transmitida em muito tenra idade:
Dois amigos, produtores de vinho, resolveram ir à feira com uma barrica cheia meio por meio com o vinho de cada um, vender a copo a mistura. A dez tostões o copo de três.
Estando a feira sem grande movimento, um deles disse ao outro: visto que o vinho é dos dois, e que metade portanto me pertence, toma lá cinco tostões que eu vou beber um copo, que estou cheio de sede.
Não tardou muito que o sócio pronunciasse iguais palavras, devolvesse os cinco tostões à procedência e refrescasse as goelas.
Não tendo o negócio corrido nada bem, acabaram por dar por eles (ou não dar de todo) de barrica vazia e sem mais uma cheta do que tinham à partida.

Como disse, esta parábola nunca me esqueceu. A prova aqui está.

Do muito que se supõe ser esbanjamento, despesa estúpida, gordura despesista, o que lhe quiserem chamar e já chamam, retenho aqui hoje três exemplos menores que todavia espelham bem a atitude do Estado:
Aqui no prédio onde resido, há cerca de cinco anos que um dos meus vizinhos recebe quase com frequência quinzenal na sua caixa de correio, tendo o cuidado de a colocar em local bem visível para devolução, uma carta das Finanças destinada a um certo Fulano que aqui não reside e cujo nome se pode confundir com dez mil outros. Ainda nos serviços ninguém se apercebeu da inutilidade e da burrice que é mandarem para a caixa de correio do meu vizinho tal coisa recorrentemente. Isto não custa dinheiro.
A Câmara Municipal de Sintra, para a qual contribuo como munícipe, resolveu através dos seus SMAS enviar duas vezes para cada contador de água um boletim A3 em papel acetinado onde, para além do tarifário em vigor, constam uma série de informações de preços praticados pelos laboratórios de análises à dita água, bem como de outros serviços que em nada relevam para o consumidor comum. Fê-lo com fotografias a cores e tabelas igualmente coloridas. Isto não custa dinheiro.
O serviço público denominado “Saúde 24” ofereceu uma quantidade indeterminada de bonés vermelhos com a inscrição “Saúde 24 – 808 24 24 24 – O número que o liga à saúde” na última Volta a Portugal em Bicicleta.
Poder-se-á dizer que é de toda a utilidade divulgar este número, de cujo acesso podem depender decisões de vida ou de morte. Não sei se assim é, mas dou esse desconto.
Só me pergunto se não há formas mais eficazes e difusoras de mostrar este número. E se não custam muito menos dinheiro.

Adenda ainda a tempo - A senhora Ministra da Saúde disse em tempos que a Linha Saúde 24 era uma parceria público-privado, como agora é moda dizer-se.
No site da dita linha, a custo se percebe que há por ali uma sociedade anónima. Presumo assim que a parte da despesa é toda suportada pelo sector privado. E que os bonés nada custaram ao contribuinte.

31/08/2010

Canção do Verão

No ano passado deixei aqui nota sobre o fado que me perseguiu estivalmente.
Lembrando-me dos anos em que elegia a canção do Verão.
Este ano, bombardeado que fui, em conjunto com todo os que ouvem televisão, por certa melodia, acabei por permitir que ela ficasse com esse título.
Dizia há dias que a canção até se ouvia bem mas que o massacre era insuportável.
Quem me ouvia, concordou comigo.


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'Tá de chuva


a partir dos dados de radar do IM

30/08/2010

Riantrê

Isto da riantrê é como os furacões. Uns anos ouve-se muito, outros não.
O ano passado foi farto. Este ano, tal como 2008, muito parco. A maioria conseguiu dizer rentrée sem grandes hesitações.
Mas agorinha mesmo, na RTP, lá veio.
Que saudades eu tinha!

29/08/2010

No vinte e nove, vale por nove


Espólio Campos Vilhena - Foto de MSG (já aqui publicada)

Esta foto fez hoje 54 anos.
Praia da Zambujeira, em que num dia 29 de Agosto da década seguinte, um autocarro desgovernado na descida para a praia, fez diversas vítimas.
Um destes dias, trarei esse episódio aqui.
Solos

Tremo sempre que ouço alguém do governo falar em justiça.
No caso, foi a ministra do Ambiente que dizia não ser justo que terrenos particulares sejam valorizados por investimento público. O mesmo é dizer ter estrada mais perto, rede eléctrica, água e esgoto. Ou qualquer outra coisa que faça valorizar o mesmo.
Não faço ideia de como pretende a senhora regular tal coisa, para além do IMI que já leva em conta uma série destes pressupostos.
Esqueceu-se também a senhora de mencionar os casos contrários. Em que uma intervenção do Estado, limita sem lugar a indemnização o uso do solo. Muitas das vezes de forma perfeitamente arbitrária, como é o caso de grande número de PDM e planos quejandos, serventias de rede eléctrica, etc., etc..
Será que nesses casos já é justo?

28/08/2010

Jornalismo

Acabei de ser informado, pelo jornal da SIC, que foi hoje inaugurado o primeiro troço da E.N. 351.
A percentagem de notícias em que o jornalista não faz menor ideia do que está a falar é cada vez maior.
Dicionário dos sonhos - entrada primeira

27/08/2010

Formação profissional

Numa reportagem ouvida em fundo alguém dizia que iam formar formadores num bairro de Setúbal.
Isto assim dito é exemplar da forma predominante de encarar a formação profissional nos tempos que correm em que não há lugar para mestres (numa qualquer arte) e seus aprendizes.
Há apenas formadores de formadores. Uma forma de formar formadores em formação.
A parte seguinte da reportagem, no mesmo local, era sobre consumo de cerveja.
Não ouvi a expressão Novas Oportunidades.

26/08/2010

Ao pau com os ursos



Retiro o que disse.
Caso de estudo

Este episódio dos mineiros bloqueados num fundo de mina pode ser um cadinho de imensa sabedoria sobre o Homem.
Tem havido casos sem conta de mineiros bloqueados. Mas este tem condições para ser muito à parte.

25/08/2010

Vista curta e anos-luz

Vista curta e ano-luz são coisas que pela sua definição, subjectiva num caso e objectiva noutro, implicam ainda assim ordens de grandeza muito diversas.
Custa ouvir repetir a mesma estapafúrdia lengalenga a propósito de toda e qualquer descoberta astronómica relevante – a possibilidade de existir vida extraterrestre igualinha à que aqui há.
Quando a vista é curta um centímetro torna-se um ano-luz.

24/08/2010

22/08/2010

Rolha

Os moços da RTP descobriram o que é a “rolha” (a peça ainda não está online, mas trata de quem leva a bebida para o restaurante).
Um destes dias ainda descobrem a pólvora.
Portugal, 2009