17/01/2011

O anspeçada fotógrafo

Verifica-se que, desde a minha despromoção a anspeçada no final de 2006, o número de fotografias tiradas diminuiu.
O valor do ano de 2005 refere-se a cinco meses.
A azul claro, um valor médio ponderado para o ano inteiro.
Se em 2011, como espero, recuperar a minha condição de cavaleiro, isso reflectir-se-á no número de fotografias?
A ver vamos – por um óculo. Por um diafragma.

16/01/2011

Céu de 19000



E outras histórias.
A materialização de sete sonhos ali, na mesa do fundo, entre a juíza e a espanhola perdida em Trás-os-Montes.
De origem perfeitamente definida.
Boa tarde sou eu.
E assim foi. Sob o céu de 19000.

13/01/2011

Balanço do ano

Espero que o Brasil tenha fechado já o ano de 2011 no que concerne a catástrofes.

11/01/2011

Notas de viagem



Que não se fale da azeda troca de palavras ali ocorrida pouco antes.
Não se tratava senão de uma sala de viagem.
Por ali me deitava numa divã encostado à antepara de vante.
Quando a paisagem lá fora escureceu a uns milhares de pés de altitude, o meu espanto foi apaziguado pelo esclarecimento de um passageiro habituado – é o túnel de verificação de sinais, faz um espécie de check-up à aeronave, a meio do Atlântico.
Quando de imediato uma volta apertada e descendente terminou numa aterragem na ilha, calculei que o avião chumbara no teste.
Enganei-me.
Era uma paragem para desentorpecer as pernas e comer o farnel.
Estranhei que o caminho para o Brasil tocasse os Açores. Mas comi a sandes na mesma.

10/01/2011

Break-even

Tenho pensado nisto ultimamente.
Quando devo eu parar de comprar livros, por me ser já impossível lê-los?
Diz o INE que a minha esperança de vida é de 31,8 anos*, média que aliás eu fiz, e não o INE, combinando o local de residência com o de origem.
Isso dá, pela dita média, 1654 semanas.
Há dois anos e meio que me dou ao trabalho de ir tombando os livros que compro e os que vou lendo.
Verifico que, desde essa altura, leio cerca de 1,8 livros por semana.
Minoremos isso para 1,5.
Se me mantiver em estado de manter esse ritmo de leitura, ainda dá para quase 2500 livros.
Dos tombados, tenho cerca de metade disso para ler. 1222 neste preciso momento.
Dos que tenho nas estantes sem estarem registados nem lidos, creio que umas centenas.
Estou portanto na fase de só comprar muito criteriosamente.
Ainda dá tempo para os ler todos, espero.

Entretanto, já depois de ter alinhavado estas palavras acima na sexta-feira passada, tive tempo para arrematar mais 35 deles.

* Adenda em 12 de Janeiro de 2011 – não sei como é que cheguei a 31,8 anos quando o resultado é 26,7. Suspeito que troquei as contas por um palpite. Chumbo em ciências exactas.

09/01/2011

Surpresa

Quando se diz que se está surpreendido por uma revista, qualquer que ela seja, levantar um problema da governação de um país, qualquer que ele seja, sem que tal problema tenha sido debatido nas devidas instâncias, isto revela o quê?
Isto não é uma atitude semelhante à que condena ou diz não entender os mercados? – em suma uma ocasião em que mais valia nada dizer.

08/01/2011

Uma era

A SIC Notícias começou a emitir há dez anos – não falam por lá de outra coisa, hoje.
Independentemente do meu juízo normalmente negativo do jornalismo, causado pela impreparação de muita gente que aparece a papaguear coisas que não entende, a caracterizar coisas que desconhece e a empolar nadas, é positivo que haja um tal canal de televisão e os seus congéneres. Fará talvez com que deles saiam no futuro profissionais mais preparados, dadas as exigências que presidem a um canal de notícias, diferentes das que geraram grande parte dos profissionais de agora.
Mas com eles acabou uma era. A da televisão generalista e gratuita. Gratuita se fizermos um esforço para esquecermos a antiga taxa de televisão e a contribuição áudio-visual que ainda hoje se paga para o serviço público.
O que resta dessa televisão é pouco mais do que refugo, para não lhe chamar coisa pior.
Um equador



Um equador separa dois mundos - a face oculta e o lado solar. Para lá dele todos os locais distam de cada um de nós, no pólo pessoal, mais do que qualquer um dos que ficam aquém.
No nosso pólo, deitados na horizontal, caminhamos erectos sobre um ponto desse equador.
Assim nos deitemos de cabeça à roda, assim circularemos sobre tal linha.
Que cada um saiba onde passa o seu equador, dado o pólo onde escolha deitar-se.

Talvez ainda volte a falar do meu, dos sítios por onde passa.

07/01/2011

Percentagens



A título de curiosidade, o número de votos recolhidos e as respectivas percentagens pelos presidentes reeleitos:




1980 Ramalho Eanes 3262520 56,44%
1991 Mário Soares 3459521 70,35%
2001 Jorge Sampaio 2401015 55,55%


dados da CNE*

* embora o número de votos apenas conflitue com os dados do antigo STAPE, a fórmula de cálculo das percentagens, diversa de organismo para organismo, dá valores diferentes aqui e acolá.

06/01/2011

Duas notas com ano e meio

“[...] Sobre isso já disse o que disse, mas cabe ainda acrescentar que, sendo leitor do Expresso desde 1973, apreciei devidamente a arrogância publicitária do BPP na Revista do dito ao longo dos anos (alguém já terá enumerado os colaboradores voluntários de tal publicidade?).
Fiquei, talvez por não ser parte do público-alvo da coisa, quase desde o primeiro momento, com a devida erisipela ao ler as notas à margem dos textos dos convidados. [...]
”
aqui, em 9 de Junho de 2009

Finalmente, alguém se lembrou da lista dos que fizeram propaganda ao BPP.

Alguém dizer agora, como disse Manuel Alegre, que não sabia para que serviria o texto que escreveu, não abona nada em seu favor.
Tal como não abonava a seu favor então e agora, a declaração de Cavaco Silva que tinha (tem) perdido muito dinheiro com as suas aplicações financeiras.

“Diz o Presidente da República que está a perder muito dinheiro com as aplicações das suas poupanças. [...]”
aqui, em 3 de Junho de 2009

04/01/2011

A burra de Wim Wenders

Tenho uma certa predilecção pelos filmes de Wim Wenders, é certo.
Não contava, porém, ver-me a braços com uma burra teimosa pertencente a um dos meus velhos amigos, figurando esta – que não eu - num filme do dito.
Tanto andava por ali, cavalgando-a em pêlo, apenas com uma corda a jeito de rédea, como via do alto a sombra de alguém sobre o caminho, a puxá-la.
A sombra, apenas. A que se acrescentava a da sirga muito para além das mãos da sombra.
No final, havia um almocreve escondido, com carroça e tudo, dentro de um retábulo.
O meu amigo foi lá acordá-lo, de má catadura.
De Wim Wenders, nem o rasto.

03/01/2011

Acordo ortográfico

Pertenço ao número dos que consideram indiferente a adopção ou não adopção do acordo ortográfico. Só por si.
Já as razões geralmente invocadas para a sua celebração sempre me pareceram equivalentes a grosseiros disparates.
Não me recordo de uma única que fizesse algum sentido.
Mas a escrita assim ou assado não é relevante para mim. Vou continuar a escrever como me parece, demorando o meu tempo a adaptar-me, tal como demorei com a última norma que, entre outras coisas eliminou o acento grave em alguns advérbios de modo. Que foi a de que mais dei conta.
Não vejo razão para alguém se agarrar a uma ortografia em particular a não ser à que lhe é ensinada em tenra idade.
Para congelarmos a ortografia, qual seria o critério para a congelarmos com a norma de ontem e não com a de anteontem, do século passado ou de há quinhentos anos?
A RTP entretanto, para falar do assunto, apresenta este quadro:


imagem da RTP
Castro Marim, 1988

31/12/2010

Nós fora, quatro

Do ano

O ano fechará daqui a pouco por estas paragens e a minha “previsão” de 22 de Fevereiro passado terá sido “aprovada”.
Ainda que dias depois tenha havido um enorme terramoto no Chile e que o Paquistão tenha sido mais tarde em parte submerso.
Ficam assim para o almanaque do mundo a catástrofe do Haiti e para o nosso as enxurradas na Madeira.
Este foi ainda o ano em que a Lei de Murphy foi desafiada e vencida, na sua acepção distorcida e vulgarizada que eu traduzo por “se alguma coisa pode correr mal, então alguma coisa vai correr mal”. Ainda que (alg)uma e (alg)outra coisa possam ser diferentes.
Não correu nenhuma significativa coisa mal das inúmeras que poderiam ter corrido mal no caso dos mineiros.
Há uma esmagadora maioria na imprensa a classificar a catástrofe haitiana e o resgate dos mineiros como acontecimentos do ano.
Parece-me rara esta maioria. Que só acontecimentos esmagadores – como o maremoto de 2004 – conseguem suscitar.
Ainda que esse tenha ocorrido quando muitos balanços já estavam feitos. Acabaram por ser implicitamente ultrapassados.
E continua o clima de pessimismo ocidental. Cada ano será pior do que o anterior.

30/12/2010

Lula


imagem do site da Presidência do Brasil

Acabei* de verificar que o nome completo do Presidente da República Federativa (dos Estados Unidos) do Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva.
Até hoje torcia o nariz a quem me afiançava que Lula não era nome de guerra mas sim apelido oficial. Sobrenome, à moda brasileira.
Parece que algures no tempo o homem acrescentou oficialmente a alcunha (afinal, o apelido) ao nome.
Claro que isso nada importa para o caso.
Lula vai deixar o cargo com altíssimos níveis de popularidade, ao que diz a imprensa. Ponto.
O que é que faz de um político um bom político? Entregar o país com nível modal de conforto superior ao que com que o recebeu. Seja lá como isso se mede. Mas decerto que se pode medir pela opinião que cada um dos cidadãos dele tem. Seja lá como isso se verifica.
Lula parece ter sido assim um bom político. A História dirá, ou não – por ela mesma a História ser o que é, a que ponto o foi.
Para me deixar de relativismos, apenas acrescentarei que lá pelos meados da década de oitenta, em que eu circulava em meios que tinham acesso a informação privilegiada em quase todo o panorama mundial, via diplomacia americana, se comentava que se alguma vez houvesse directas, Lula fosse candidato e ganhasse a presidência, haveria um levantamento militar.
Não houve.
O Brasil, em termos mundiais, ganhou peso. Se isso aconteceria independentemente de quem o governou, nunca se saberá.

*começado a escrever em 4 de Outubro de 2010

29/12/2010

Violação de correspondência

Para além da incompleta morada, indicando que a destinatária é pessoa do conhecimento geral, atente-se no ano a que se referem os votos – 2010.
Não faço a menor ideia de como nem por quê isto me veio parar aqui.

28/12/2010

Ninfetas

Agitado o dia, agitados os dias, ao lado ou entre uma Laura Ingalls que se entrevia fêmea e a própria imagem acabada do género.
Tudo afinal como se fosse a irmã mais nova, que nunca existiu, de um certo colega de escola primária.
O que me levou a rever alguns trechos da série.
Não há ali mistério nenhum. Tudo se confunde, apenas. Presente e futuro.


Melissa Gilbert em trecho da série encontrado aqui.

21/12/2010

O paradoxo da percepção

Na minha experiência, tenho verificado que as pessoas que mais falam em “perceber as coisas” são as que menos tendem a procurar fazê-lo.
Comummente, pretendem encontrar explicações e relações de causa-efeito em aspectos insondáveis do universo.
São, em regra, avessas a explicações lineares dentro de uma convenção – as mais simples demonstrações matemáticas ou decorrências de leis básicas. E pouco dadas a entender o funcionamento de máquinas simples.
Em contrapartida, os que mais se detêm nestas basilares divagações do espírito – tentar perceber o que é perceptível, rudimentar - são os que mais encolhem os ombros quanto às relações de causa-efeito em sistemas complexos, tais como o comportamento dos humanos.
É apenas a minha amostra. Nada mais do que isso.

20/12/2010

E duram...

É notável que o sotaque e a entoação PCP tenham sido transmitidos, de geração em geração, até hoje.
Já não falo do vocabulário. Nem da atávica defesa da Rússia, hoje capitalista.

19/12/2010

A negação da tricotomia em ti

Eu perdi mais do que tu.
Tu perdeste mais do que eu.
Este é um jogo de soma infinita.

16/12/2010

Caracol


21:00 de 16 Dez. 2010
(combinação de carta sinóptica e imagem de satélite das páginas do IM)
LP, onze mil e dezoito dias atrás



"O arco balseiro das esquálidas sensações extra-sensoriais não se demoveu de promover, pela segunda vez desde a execução de cinco de entre as térmites das influências cristãs da cristalização do décimo armão das hostes castelhanas, as hordas de vagabundos que pernoitariam.

No balseirismo indiferente das dimensões cinco, as imediatas conclusões que me aprouvem são de cariz temático, mais do que em milímetros, expressam-se em decâmetros de sociedades acabadas e de varandins de gladíolos em que debutam cortesãs.

A seriedade dos admoestadores só se equaciona em termos de deficiência aguda do funcionamento clitoriano em messes de oficiais. A suprema invocação de estes temas campestres, reveste-se quasi sempre dum carácter aperfeiçoado, já que Quasimodo, ele próprio, era corcunda ou propenso a ancilosar, já que por mais não seja, a sinusoidar.

Os preços por que me rejo são da tabela-mor de Fiscalizações e Fiscos e não dependem, por linha recta, de funções parágrafas ou de assimilações mais ou menos medianas. O efémero jantar d’anos remete, enfim, a população do pólo para exemplos bem mais remotos e dignificantes do que os que habitualmente fazem tábua rasa para tal gente."


LP, "Palavras de Dom Goda", 16 de Outubro de 1980



Ou como tudo isto me parece actual.

15/12/2010

Dicionário dos sentidos

Roubando a palavra do dia ao Priberam

Objectos

Algures, devo ter visto algo assim. Ou não.



Entro na fase da confusão entre a memória e a desmemória.

13/12/2010

Evolução social

Um indicador da evolução social dos últimos quase 38 anos pode ser o que a redacção do Expresso entendeu ao longo desse intervalo sobre quem era o seu leitor.
Na minha opinião, o Expresso destina-se hoje a um público muito menos culto, muito menos inteligente.
Seria interessante confrontar o conteúdo dos primeiros números com o dos últimos.
E também a forma como o jornal é publicitado. Aquela inenarrável campanha publicitária da entrevista a Rosa Casaco é um exemplo, ainda que pontual, da qualidade aonde se desceu.
Isto veio a propósito de eu ter ouvido há pouco aqui em fundo saiba o que 2011 lhe reserva, não seja apanhado desprevenido ou qualquer coisa do género.

12/12/2010

Inaceitável

Inaceitável foi o adjectivo que disseram ter o primeiro-ministro sueco usado para qualificar o conjunto dos atentados de ontem em Estocolmo.
Calculo que o homem não tenha dito tal coisa.
O que ele disse (nesta declaração) que era inaceitável era a falha de segurança – que um homem andasse às voltas em Estocolmo com uma carrada de explosivos às costas.
Mas isso...

adenda cerca das 18:30 de 13 de Dezembro: não sei se o homem não disse mesmo isso, em sueco.
Mortes legais

As mortes na sociedade actual dividem-se entre mortes legais e mortes ilegais.
Tem sido assim nos últimos anos. Nos últimos dias fomos bem lembrados disso pelos casos do lar da Charneca de Caparica e do desabamento em Almalaguês.
As causas, as responsabilidades, isso pouco importa. O que interessa é a legalidade, a licença, o conforme.
É um mundo em que a doidice é tida como normal. Diria mesmo mais, legal. E certificada.

11/12/2010

Aposta

Curto e grosso: aposto que Manuel Alegre fica abaixo dos 20,74%* obtidos nas presidenciais de 2006.
É haver alguém que queira terçar facas e garfos.

*nas minhas contas, tinha 20,72% tal como no STAPE - a fasquia é portanto essa. Mais do que isso pago eu o jantar. Não perco tempo a encontrar o gato.

10/12/2010

3-0

Eu só perguntei à minha habitual fornecedora de mercearias se era mesmo verdade isso que para aí diziam do açúcar.
A senhora à minha frente, dos seus três pacotes para os meus nenhuns, justificava-se:
“Até nem gasto açúcar, mas como sempre vem aí o Natal...”

07/12/2010

Notas do dia d’ontem

O dia d’ontem foi pródigo em coisas menores que deram à costa em catadupa.
Tivemos o desenterramento do caso Concorde, aparentemente consolidando a ideia há muito propagada de que as circunstâncias pesaram mais do lado do ambiente (a peça perdida na pista) do que do ente (o avião que levava três décadas de bons serviços, sem incidentes de maior).
O que leva a considerações sobre a bizarria da decisão de abate do Concorde, avião sem par na história da aviação comercial.
Um outro avião, qualquer que seja, quando submetido a determinadas condições adversas (não tem que ser uma determinada peça num determinado local da pista de onde levanta) não sofrerá danos que lhe causem o despenho?
Claro que sofre e claro que cai.
Depois, ainda no mesmo ramo, dos aviões, das peças e da bizarria, a queda de pedaços de um Boeing 777 da TAAG sobre Almada faz relembrar o banimento que a companhia sofreu dos céus da Europa, tempos atrás.
Pode não haver descaso gritante na manutenção – aquilo a que chamamos acidentes acontece – mas não deixa de suscitar de imediato essa dúvida preconceituosa.
Depois ainda chegaram os restos da polémica “a César o que é de César” mesmo que isso cause mal-estar geral.
Ou como aqueles que tanto brandem as bandeiras da “discriminação positiva” ficam com as costas à mostra.
Como se discriminar positivamente um sub-conjunto não fosse discriminar negativamente o sub-conjunto complementar.
Depois o caso da agenda.
Todas as estações de televisão descobriram o calendário de 2011 ao mesmo tempo! E fizeram-no com o habitual estrondo de quem descobre a pólvora.
Como se os feriados fixos não tivessem apenas sete dias para cair e os móveis não caíssem sempre no mesmo dia da semana!
Ninguém mencionou o facto, esse sim, notável de a Páscoa ser a 24 de Abril (a Páscoa oscila entre 22 de Março e 25 de Abril – estaremos para o ano quase no limite para o lado estival). Coisa essa que não acontecia desde 1859! Só a Páscoa a 22 de Março que não acontece desde 1818, é mais remota.
Quando era moço de escola, adverso que a ela sempre fui, um terceiro período curto trazia a certeza de um fim vizinho e a ilusão de um ano mais suportável.
Nem sei se ainda há períodos.
Depois ainda os ecos da fixação das taxas do IMI, relembrando que as câmaras têm muitas rotundas e alindamentos para fazer, muita t-shirt para mandar imprimir, muita porcaria e inutilidade em que gastar dinheiro.
O que mais destaquei no meu dia foi ter encontrado a porta da rua com o vidro embaciado do lado de fora.
Não só dando conta do valor da humidade relativa mas também do gradiente térmico entre o vestíbulo e o exterior. Estando naturalmente o exterior muito mais quente do que o vestíbulo.
Caso que nunca tinha presenciado aqui.
E que me levou a relembrar uma afirmação que aqui fiz há tempos – se há coisa que de facto dei conta de ter mudado no tempo foi o regresso nesta segunda metada da década dos dias frios com precipitação, que tinham andado arredados durante muito tempo.
É que vieram de novo este ano para logo a temperatura subir até me embaciar a porta!

06/12/2010

Agenda

Calculo que as agendas para 2011 tenham estado hoje à venda pela primeira vez.
O que desmente os meus olhos, pois vi há uns dias um atado delas numa papelaria.
E calculo isto porque em todo o lado se fala dos feriados e dos dias da semana a que vão calhar.
Até descobriram que o Corpo de Deus calha à quinta-feira!!!
Não ouvi nada sobre a sexta-feira santa. Mas calculo que também calhe à sexta. E o carnaval à terça.
Triste gente esta que parece que é licenciada.
Para isto.

04/12/2010

O sinal D9



Ouvi há pouco o Governador Civil da Guarda dizer que haveria que pensar em tornar obrigatório o uso de correntes nos pneus em determinados locais em determinadas condições.
Pergunto-me se não é possível fazê-lo já, de forma expedita, às autoridades competentes.
Terá sido revogado este decreto regulamentar?



Ou por não haver menção expressa no Código da Estrada a tal obrigação, o sinal regulamentado não se aplica?
Não está atribuída a competência para a sua colocação?
Seja qual fôr a razão, tudo isto tresanda a incompetência.

03/12/2010

Não ver para além da cerca

"The definition of life has just expanded," said Ed Weiler, NASA's associate administrator for the Science Mission Directorate at the agency's Headquarters in Washington. "As we pursue our efforts to seek signs of life in the solar system, we have to think more broadly, more diversely and consider life as we do not know it."

O texto de onde foi extraída esta citação é todo ele um reconhecimento da profunda ignorância e cegueira que alastram onde menos deveriam alastrar.
Nada a que não me tenha referido anteriormente (por exemplo, aqui e acolá).
Só que desta vez o disparatado preconceito é assumido com todas as letras.

02/12/2010

Ter sangue de escravo

Há quem o tenha.
Seja secundário, subalterno em tudo.
Principalmente na obra, nas ideias.
Copiar dos outros sem dizer que o fez. Furtando, sejamos precisos.
Escravos e cobardolas.
Dois exemplos de escravos a reter:
http://www.riomira.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2263%3Adescarrilamento-de-1954&catid=8%3Asociedade-&Itemid=1
http://pravdailheu.blogs.sapo.pt/314622.html?view=735230#t735230

Descubra as diferenças.


Nota (cerca das 9:00 de 3 Dez.):
O link de cima leva agora à mesmíssima coisa, com a pequena diferença de que lá aparece (sem link) o endereço do post original.
Sem nome, sem qualquer outra indicação, sem pedido de desculpas.
Como se lá tivesse estado desde o início. Substancia isto ainda mais o que acima disse.
Nota (cerca das 12:30 de 3 Dez.):
O Pravda Ilhéu emendou a mão. E bem.
Palavras para quê?


Priberam, 2 Dez. 2010


"Judite degolando Holofernes", Caravaggio, c. 1598 in Galleria Nazionale d'Arte Antica, Roma
Sopas depois d'almoço

Não apareceu ninguém para apostar contra mim.

01/12/2010

O sótão dos links

Um sótão, uma cave, um celeiro são, toda a gente o sabe, antecâmaras da morte de objectos.
Alguns têm a sorte de escapar à destruição lenta quando uma paixão esquecida se reacende ou um prosaico comprador de velharias passa à porta. Os outros seguem o seu destino insondável para além da morte do proprietário.
Tenho uma multitude de objectos nessas condições.
E também os tenho, como toda a gente, nos discos do computador.
Dei-me há uns tempos conta que, tal como a traça, o caruncho, a formiga branca, a água, os ratos e outros que tais dão conta dos objectos que espalhei por várias moradas também o defeito electrónico corrompe os que aqui vou depositando e esquecendo.
Na tentativa de reorganizar os links a que recorro com mais frequência, alarguei o campo das manobras e detive-me numa pasta que contém links antigos.
Muitos deles estavam corrompidos desde a febre que assolou o disco que se finou faz para aí um ano.
Não custa nada ver-me livre deles. Não levam já a lado nenhum.

29/11/2010

Concelho de Quarteira

Uma voz feminina disse há pouco na SICN que o concelho de Quarteira tinha sido muito afectado pelo sismo simulado hoje no Algarve.
Nada se ficou a saber em concreto sobre o concelho de Loulé.
Queixinhas ou como os segredos já nem estão em saldo

Quando as informações se tornam demasiado irrelevantes e deixam de poder ter utilidade e valor para merca, saldam-se como curiosidades.
Quando nem nos saldos há quem lhes pegue, oferecem-se.
Tanto barulho por nada.
Queixinhas ou como já não sou capaz de guardar um segredo

Sem receio de quebrar confidências, ocorre-me, sei lá por quê, que a queixa que ainda hoje elejo como a principal foi a de alguém que me dizia que os seus próprios pais se davam demasiado bem.
Fê-lo pelo menos duas vezes, com um intervalo de cerca de vinte anos.
A razão de queixa seria a de que a atenção que a pessoa julgava que merecia dos pais era afinal concentrada um no outro.
Ainda que tenha tido todo o respeito e todos os cuidados de higiene, alimentação, educação e instrução num grau muito acima da mediania.

28/11/2010

Paralelo 38

Entrementes, também sobre o paralelo 38 norte, mas em local muitíssimo mais pacífico...


imagem do Google Earth


Nota: lá pela infância, lembro-me de ouvir amiúde falar num afamado restaurante com o exacto nome de "Paralelo 38". Dou-me conta de que não seria sobre o dito. Nem sequer perto.
O que me leva a pensar que se referia mais à linha coreana e menos à proximidade geográfica.

27/11/2010

Bola

O campeonato está arrumado desde Setembro, disse-o aqui.
Por mérito do Porto – desde a época 95/96, por referência aos três pontos por vitória, que nunca esteve melhor do que este ano à 12ª jornada. Esteve em igualdade de circunstâncias por três vezes. Duas delas com mais quatro jornadas para o fim.
Por demérito de Sporting e Benfica.
O Sporting só esteve pior na época passada.
O Benfica, com menos um jogo, esteve pior em quatro épocas, igual em três e melhor nas restantes oito.
Concorrem portanto as duas circunstâncias: força do Porto e fraqueza de Sporting e Benfica.
Em 2008 aconteceu o mesmo.







a verde, os anos com piores classificações; a vermelho, com melhores; a branco, em igual aproveitamento
Bola

Tinha o palpite de que o Sporting ganharia o jogo. Acho que será furado.
Ao ver um bocado desta segunda parte, só me dá para comentar o seguinte:
Não se conseguindo ganhar a este Porto de cabeça perdida, não se ganhará a ninguém.

26/11/2010

Queluz, 2008

Vista tomada pouco mais de 40 anos depois da que está em baixo.
De um ponto fora da dita, à esquerda de quem vê, e pouco acima das linhas de fileira dos prédios.
Num dia de chuva intensa, em que voltou a morrer gente no rio Jamor.

Memória da noite de há 43 anos


fotografia de "O Século" depositada no CPF, in "Os anos de Salazar", Planeta deAgostini, 2008

Que aviva a da manhã seguinte.

25/11/2010

Que é feito da puericultura?

Imagens de gazelas, lolitas e marias-rapaz com cadernos enfeitados, forrados, dobrados ou riscados, com a palavra Puericultura escrita povoaram-me de um ar a memória.
Não saíram de sonho algum.
Saíram de uma gaveta igualzinha à que tem lá dentro o Júlio Isidro a exibir ripas de balsa e a montar modelos de aviões.
Que é feito?

24/11/2010

Grevista

O estatuto do grevista é um estatuto de subordinado, de dependente, que indica inferioridade.
Quem quer que se vista com tais vestes, reconhece essa inferioridade.
Quem quer que tenha funções subordinantes, desce do púlpito.
Vulgariza-se.

23/11/2010

Falta de

A maior parte da publicidade apela para tudo menos para a razão.
Não vale a pena determo-nos nisso.
O que é caso curioso é quando apela para a razão e o faz com um disparate de que qualquer criança se apercebe.
Como é o caso desta publicidade da Sony que descobriu que quando se fotografa nunca se apanha o universo completo mas não tirou daí as consequências dessa afirmação.
Às vezes, o disparate é intencional. Não creio que o seja neste caso. Presunção minha.


publicidade na Revista do Expresso de 20-11-2010
Desgraças no mar

20/11/2010

Pacifismo

Disse aqui há tempos que começaria a levar a sério uma certa tropa dita ambientalista no dia em que ela começasse a dizer que é preciso reduzir a população mundial.
Digo agora que começarei a levar a sério uma certa tropa dita pacifista no dia em que a ouvir dizer que é preciso exterminar a raça humana.

19/11/2010

Tradução instantânea

Estou aqui a ouvir Rasmussen e a intérprete de português cuja tradução soa em dois canais – SICN e TVI24.
Tenho a perfeita consciência da minha incapacidade para uma tal coisa.
Talvez por isso valorize mais quem o faz.
A intérprete tem sido irrepreensível, considerando a tarefa.
Lembrou-me a cimeira de 1996 da OSCE em Lisboa.
O intérprete que um canal de televisão lá colocou não fazia a menor ideia do que era tradução instantânea.
Depois de ter gaguejado, parado e quase chorado, disse algumas vezes “mas é impossível...”.
Foi substituído, ao fim de um dos mais longos períodos de bizarria televisiva, por alguém com a mesma desenvoltura da senhora de hoje.
A diferença entre os capazes e os incapazes é, afinal, fácil de traçar.

17/11/2010

Da bola (cont.)

Não estamos esquecidos das péssimas exibições da selecção nacional de futebol em tempos recentes.
Mas aqui vejo substanciada a minha opinião de que, nos últimos jogos oficiais, as equipas portuguesa e espanhola se equivaleram.
Portugal tem uma das melhores equipas de futebol de todo o mundo. Não é preciso o ranking da FIFA para sabermos isso.
Tal como no anúncio acho que do iogurte, faltou “um bocadinho assim” em algumas ocasiões, para trazermos a taça. Aos espanhóis não faltou nos dois últimos anos.

Hoje, porém, não faltou nada. Foi um olé a feijões.
As oportunidades nem sempre se repetem. Quando é a sério.

adenda da responsabilidade do jornal "Marca":
Da bola

Dos últimos jogos oficiais com a Espanha – 2004 e 2010 – ficou-me a ideia de que se o resultado fosse o inverso, ninguém ficaria escandalizado.
Já aqui o disse.
A ver vamos o que dá este amigável.
Do último (0-3 em Guimarães em 2003) não ficaram grandes recordações.
Nesse sim, o resultado espelhou bem o que se passou em campo.

16/11/2010

Teoria do campo onírico

E era neste comboio que eu dormia, no competente wagon-lit, algures na Linha de Sintra.



Talvez ainda venham a lume, a talhe de foice, as circunstâncias que aqui desembocaram.

15/11/2010

Futuro

Qual a altura da torre São Rafael (ou seria São Gabriel?) no Parque das Nações? – era a pergunta do concurso televisivo.
As respostas mais disparatadas foram 12 m e 1000 m.
Ambas foram dadas por professoras.
É este o futuro que se prepara para o país.


Correcção: calcular a altura de uma torre qualquer em 12 m não é um disparate. Só o é sabendo de que torre se trata. E saber de que torre se trata não é propriamente uma exigência para qualquer professor.
Já responder 1000 m é não ter a "noção das proporções", coisa que se requer em qualquer professor, de qualquer área.

14/11/2010

Da idade e das falhas de clarividência

Uma coisa que me assusta ou que me assustou e já não me assusta ou que me assusta cada vez menos é não ter a paciência, a concentração e a clarividência para, por exemplo, ao construir um algoritmo em que entra uma constante k (que é de cálculo simples), encontrar o seu valor pelo dito cálculo mas ir lá por iterações.
Uma espécie de bilhar à zona.