04/08/2011

A senhora da Junta

Eu tenho uma especial predilecção por gente diligente. E competente.
Dito isto assim, soa a óbvio e a lugar comum. Que toda a gente terá preferência pelos diligentes e preterência* pelos indigentes.
E talvez seja. No entanto, julgo que a vulgarização da indigência mental e a saudação de tontos e ausentes como pessoas muito capazes leva-me a pensar que a noção vulgar de diligência não é a minha.
O que me coloca na posição de ir contramão. Seja.
Isto para dizer que estes dias, na minha senda das Ruas com Dias, fui dar a um povoado em que o erro duplicado dizia existir uma rua 12 de Dezembro.
De déu em déu, não batendo a bota com a perdigota, fui dar à junta de freguesia.
Atendeu-me uma jovem senhora exuberante e simpática.
Talvez por o meu caso estar muito fora das expectativas, excedeu-se ela em diligências para me ajudar.
Constatámos assim, lado a lado, a ocorrência do erro. Tal rua, como de resto já me tinham afiançado alguns antigos, estacionados a uma sombra, os mesmos que me recomendaram, por via das dúvidas, o balcão da junta, não existia.
Mas consta até da lista do código postal.

* Preterência parece-me bem.
112

A quantidade de imbecis por metro quadrado, que é uma quantidade que não depende da vontade de ninguém, nem da situação política, antes decorre da ordem natural das coisas, pode por vezes, passe a redundância, quantificar-se, por revelação instantânea.
Pode quantificar-se pela medição do número de opiniões sobre o caso da chamada para o 112 que não têm qualquer contacto com a realidade dos factos.
É sempre assim quando há um caso que vende jornais e anúncios de televisão. Quem opina a correr não tem a menor ideia do assunto sobre o qual opina.

A questão da localização, referida no post para o qual remete a ligação, espero que esteja melhorada. Com as ferramentas que há actualmente.

01/08/2011

Comissão

Um porta-voz da comissão de utentes da Ponte sobre o Tejo diz que a ponte e as portagens já duram há 65 anos.
Não é nada exagerado o porta-voz.
Sintonia

Estou em sintonia com o PCP quando o ouço pedir a conta.
A contazinha, bem explicadinha, do que custou e do que rendeu o BPN.
Dispenso os comentários às ditas contas e concomitantes justificações.


(clicando, auditarão, pelo menos, a foto)
Dias zero



Dias sem.
Dias sem praia.
Tudo o que é imperdível na infância, na adolescência, na juventude, nos treina para os dias exíguos.

31/07/2011

Dez

Há carros cuja traseira é dez números mais nova do que a dianteira.
E ninguém dá por isso.
Ou a história que se reinventa. A curto prazo.

27/07/2011

O caso de Becky

E depois há o caso de Becky Anderson.
Que lembra muito “Eternity” parte I.
Eyes wide shut

De olhos bem fechados, atente-se no discurso.
Pelo timbre, pode ser Passos Coelho, pode ser António José Seguro.
Pelo tema, pode ser Passos Coelho, pode ser António José Seguro.
Pela opinião, pode ser Passos Coelho, pode ser António José Seguro.
Há, porém, uma coisa que os pode distinguir – o uso dos silogismos.

Entrementes, a fancaria vai ocupando as prateleiras da loja.

26/07/2011

Vibração

Numa sociedade toda virada para a protecção aos idosos e às crianças e o mais que se sabe, estranha-se que a essa protecção se sobreponha o politicamente correcto que fecha os ouvidos e os sensores aos carros dos Cro-Magnon que emitem vibrações – há quem ache que é música – capaz de fazer disparar os alarmes dos outros automóveis.
Não se consegue explicar a um Cro-Magnon aquilo que os medievais descobriram, quanto mais...
Se não fôr de multa pesada e carro apreendido, não há solução.
Preocupação

Um mero acaso levou-me a tropeçar no gráfico segunte.



Tendo em conta uma certa intuição maligna, a coisa é preocupante.
Não é um filme dos anos 70


imagem da CNN

25/07/2011

Questões essenciais

Se eu vou sózinho sentado a estibordo da traineira, vendo o mar de Angola passar-me à frente, ondulando, ele o mar para Norte, há alguma razão para que eu não conheça já o patrão da embarcação?
Há alguma razão para que eu não o possa ver, num outro quadro, sem que me passe pelo sonho a ideia de me levantar e dizer para quem não me ouvia: Deixa lá ver se neste sonho conheço mais alguém. O patrão, por exemplo. Só dele supunha conhecimento uma vez que o barco se movia e tinha rumo.
Levantei-me e desci à cabine.
Era um velhote com boné de marinheiro, óculos de massa e duas grossas lentes, uma delas rachada e colada com fita adesiva. Pouco mais do que me ignorou.
Tripulação não vi. Mas vi a bela cujo dono se apressou a beijá-la ao pressentir os meus instintos. E mais uns quantos que compunham o quadro. Sem serem vistos.
Doença auto-imune

Confesso que esta designação sempre me pareceu um pouco dúbia. Talvez escarafunchando um pouco no dicionário se conseguisse uma designação mais conforme com o conceito.
Isto para dizer que, ao que parece, não se tratou em Oslo de infecção exógena mas de doença auto-imune.
Num caso ou noutro, trata-se de um organismo que se debate com patologias a que se deve dar atenção.

24/07/2011

Referenciais de inércia

Uma coisa que me deixa curioso é que tipo de algoritmos usam os tipos que fazem as contas dos atrasos, ao longo da corrida, no ciclismo.
Não me parece que seja tão simples como fixar as coordenadas de um ponto P e ver quanto tempo demora o ciclista B a passar por lá depois do ciclista A.
Ganhou o Cadelo

No ciclismo, os nomes são tudo.
Jorge Corvo, Van Impe, Fernando Escartín, Davide Rebellin, Vidal Fitas, Cadel Evans. Para não maçar os meus leitores com uma lista exaustiva.
Este ano, acabo por ver um dos meus favoritos no ponto mais alto, ali à sombra do Arco do Triunfo.
É façanha, para quem escolhe pela sonoridade!


imagem do site do Tour

23/07/2011

Os factos e as opiniões

Não sei por quê mas não me cheira que a Estação da Funcheira tenha sido inaugurada há exactos cem anos.
Creio que será cerca de cinco a dez anos mais nova.
Matéria de facto, susceptível de controvérsia quando a minha ignorância preenche os espaços quase todos.
Ora o Diário do Alentejo que faz referência a uma história que ouvi contar diversas vezes e que situo essa sim há cerca de cem anos, vem sustentar as minhas dúvidas. Há exactos cem anos passou-se qualquer coisa. Mas não foi decerto a inauguração da estação, estou capaz de apostar.
N’A Capital nem uma linha. Na véspera desse dia e nos dias seguintes.


espólio Campos Vilhena - postal ilustrado (autor e editor desconhecidos)
Ele a dar-lhe

E a burra a fugir.
Ainda que o caso de Oslo e arredores não se explique por infecção exógena, tudo o que disse acima (abaixo) se aplica ao actual estado das coisas.
Mas é claro que o que me lançou para aquelas frases foi uma presunção preconceituosa. É coisa que me irrita a valer.

22/07/2011

Terrorismo

A Europa não está preparada para lidar com infecções.
Trata o terrorismo com demasiado espalhafato e sem medidas sérias para o prevenir.
Como alguém que tem um panarício motivado por um exposição permanente a cortes infectos e sai para a rua aos berros e de mãos na cabeça.
O mesmo espalhafato que fariam vizinhos, familiares e amigos presentes se se tratasse de um caso com prognóstico de morte a curto prazo.
Que o terrorismo é uma infecção devida a agentes externos infiltrados e decididos a causarem dano, não me restam dúvidas.
Talvez fosse altura de tomar algumas precauções profilácticas. De procurar identificar os agentes infecciosos mais a sério e eliminá-los. Sem muito barulho.

Post Scriptum: A tentativa que aparentemente foi tentada em Portugal dias atrás coincide em grande parte com os meus receios.
Comentários

Já não é a primeira vez que a cópia de disparates ouvidos da boca dos especialistas em ciclismo me causa saudades de David Duffield, o comentador do Eurosport.
Por cá, havia Francisco Figueiredo que, tal como Duffield, não levava demasiado a sério a parte da competição e se perdia em comentários verdadeiramente interessantes como os pratos típicos da zona, os pontos de interesse, enquanto não relembrava histórias antigas de ciclismo.
Estes não.
Metem-se a fazer diagnósticos e prognósticos com métodos infantis de observação e de raciocínio.
Usam depois uns axiomas do ciclismo que, postos à prova, nunca se verificaram verdadeiros.
Mas que persistem, apesar de negados.
Entradas, 2011

21/07/2011

Pestana

É o que se chama abrir (parte d)a pestana.
Mesmo que não se perceba o que é uma parte num conceito. Nem que se veja como é possível abrir um cabelo de forma expedita.
Mas houve qualquer coisa que caiu naquela reunião em Bruxelas – a moeda, talvez. A taxa, digo.
Буран

Ao encerrar o ciclo de exploração espacial do programa Space Shuttle (40% de perdas – dois veículos em cinco), a NASA enterra também o esquecido Buran, réplica soviética pouco à altura, no puro sentido dimensional do termo.


emblema retirado do site da NASA
* descontando o Enterprise que não fez voos espaciais

20/07/2011

Uma parte da questão

O Pingo Doce acaba de arrumar uma parte da questão.
O remanescente remanesce.

Mendel, diz o Google hoje.
Mendelssohn
Mandelbrot
Acrescento.
Nos sapatos do fotógrafo enquanto (não tanto) jovem (cena 8)



Ourique

19/07/2011

Macário

Quais serão as palavras que estão entre a compreensão de Macário Correia pela introdução de portagens na Via Infante de Sagres e a sua posição de eventual comparência numa manifestação contra a dita introdução?
Isto a julgar pelos trechos que a RTP revelou de uma sua comunicação.

18/07/2011

Apreensão

Acho que se tornou um passatempo nas mesas da Mexicana a partir da manhã em que o jornal “O Dia” passou a ter como título de 1ª página “Criança de 71 anos...”
Nessa altura, era apenas o maior ou menor jeito para desenhar letras de imprensa e intercalá-las, justapô-las onde fosse.
Hoje, é tudo muito mais fácil. Já não dá é para exibir o jornal e provocar caras de espanto nos circunstantes que espreitavam as gordas do jornal do vizinho.


página do Correio da Manhã manifestamente roubada ao Templário.

17/07/2011

Impostos, taxas, contribuições, portagens e derramas

Grande parte da discussão sobre o orçamento é sobre a forma como o pagode vai pagar – se é por multibanco, por cheque, por letra ou em moedas.
A discussão sobre a utilidade das coisas que ele paga essa é que tem que ser sempre abafada.
Porque o dinheiro é preciso. Já.

16/07/2011

Na rede

Suponhamos que existe um certa urgência em contactar Fulano de Tal, velho conhecido (se há coisas que se tornaram mais difíceis de obter, mesmo na idade da informação, uma delas é o número de telemóvel de alguém).
Suponhamos que o fixo, fácil de obter, nos premeia com um sinal de impedimento.
Suponhamos que à mão está alguém que terá algures o número de telefone da mulher do dito que talvez seja diverso deste que se obteve e se encontra inacessível.
Suponhamos que, no entretanto, se vai pela rede à caça do homem.
Suponhamos que se não encontra nenhum número de telefone para além do que já se tentou mas... tropeça-se num edital em que aparecem juntos os nomes de Fulano de Tal e Senhora.
Ainda se vai a tempo de dizer: Não vale a pena procurar o número. Já não liga um a outro.
E de evitar um desconchavo.
Suponhamos que tudo isto aconteceu e no final Fulano de Tal estava do outro lado da linha. Da antena. Sem suspeitar que os seus assuntos particulares estavam à vista de um acaso.

15/07/2011

14/07/2011

65 por cento

Disse o ministro das Finanças que 65 por cento dos agregados familiares não vão ser abrangidos pela sobretaxa anunciada.
Esta verificação é um censo da pobreza.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença quarta

No caminho da sapiência vais substituindo constantes por variáveis. E existe nele um ponto a partir do qual todas as variáveis são uma e uma só constante.

11/07/2011

Notas com cifrões

Já não há pachorra para os tipos que descobriram agora as agências de notação.
Um jornalista que escreve “O comércio de artigos de luxo disparou apesar da crise” é um jornalista que não conhece o conceito de adversidade, de adversativo.
Uma câmara municipal que gasta dinheiro em folhetos a cores (já não em papel acetinado mas em papel reciclado, ao que me parece) e indica logo no início do dito que está solidária com os munícipes é no mínimo ridícula. No mínimo. Podemos depois ir buscar a alegoria da pipa de vinho (cuja há mais de seis anos aqui chamei a terreiro).


clicar para ver a capa do folheto
Marinha

09/07/2011

C'est pas la même chose


imagens dos canais da RTP e Eurosport

Mesmo com vitórias de um português com sotaque espanhol, o Tour perdeu grande parte du rouge.

08/07/2011

Motivos para deserdar alguém (mais um da série de)

Sendo adulto, ouvi-lo invectivar um inimigo.

07/07/2011

Papel higiénico

O que não falta por esse mundo fora é a imprensa feita à imagem do que se diz ser a ânsia dos simples.
Talvez ninguém saiba muito bem o que é a ânsia dos simples. Isso pouco importa desde que se ponha à disposição deles qualquer coisa que eles comprem.
Diz que o “News of the World” fechará as portas. Não creio que seja um sinal de algo positivo. Apenas um episódio menor, embora com estrondo, na história da imprensa.
Tudo voltará a ser como era.
Não me f...

Ouvir, como ouço na televisão, que famílias com um filho e com 1500 euros mensais de rendimento estão a pedir ajuda não sei onde, dá-me volta ao estômago.
É como ver um tipo ir de carro buscar a sopa do Sidónio!
Os verdadeiros pobres, esses, não têm direito a soundbyte.

06/07/2011

Coreia do Norte

Há pouco ouvi um jornalista dizer que a organização dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 tinha sido atribuída a uma cidade da Coreia do Norte.
Achei a coisa bizarra mas andando arredado das convenções e diplomacias do olimpismo, fiquei apenas com a pulga atrás da orelha.
Mas era mesmo mais uma asneirola.

05/07/2011

Globalização

Talvez não fosse preciso recuar muitos anos para que a afirmação em tempos muito popular em outra variante “A espinha dorsal da selecção nacional é o Real Madrid” parecesse uma boa piada.


errata: onde se lê no título globalização leia-se gbolalização.
A formatação

Eu sei que a cultura portuguesa, e a minha em particular é pouco dada a manuais de instruções.
E ao mesmo tempo considero que há um objectivo válido em formatar mentes para fazerem só o que se lhes diz.
Para cumprirem linha a linha uma lista de procedimentos sem pestanejar.
Posto isto, já não tenho paciência para lidar com gente que me parece um autómato. Que é um autómato. Embora a voz pareça de facto humana.
Prima 2 para desligar.

01/07/2011

Gravado

Trazia hoje gravada na mente uma colecção de moradas. Todas as que poderão existir numa "Rua Muñoz Sousa".
O google não me foi de grande ajuda para gravar por cima.
Comadres

Uma das características da sociedade actual é a propagação vertiginosa nos meios de informação do coscuvilho das comadres.
Verdades como punhos baseadas em rumores, em suposições, em fantasias até. Muitas vezes não resistindo sequer ao mais básico dos testes da lógica, da dedução.
Que fazem o seu percurso e são repetidas por pseudo-intelectuais com nome na praça e sujeitas a escrutínio não de consistência e veracidade mas de consequência e prognóstico, de valorização moral, política e por aí fora.
Todos os dias há exemplos disto.

30/06/2011

Coisas simples

Ouvi há pouco na TVI 24 que o sorteio da Liga de futebol vai ter este ano mais condicionantes.
Uma delas é procurar que todas as equipas joguem alternadamente em casa e fora (cito de memória).
Pergunto-me se a asneira grossa é da redacção se é mesmo da Liga de Clubes.

29/06/2011

Férias e feriados

Se as pessoas usam dias de férias para fazer pontes entre feriados e fins-de-semana (repito o se), não usando esses dias nessa circunstância, deixam de os gozar?

27/06/2011

A reprodução do erro

Não há nada mais banal do que a reprodução do erro.
Na escrita, é normalmente aquela asneira que alguém escreve em letra de forma e que depois é copiada ene vezes sem sentido crítico.
Comprei estes dias uma publicação da Câmara Municipal de Sintra que pretende ser uma monografia muito pela rama de Queluz e do seu termo.



Logo nas primeiras páginas, um erro de palmatória – o anúncio da auto-estrada inaugurada em 1949 entre Queluz e o Cacém. Coisa que já vi escrita alhures, por mais de uma vez.



De facto, em 1949 foi inaugurada a variante à E.N. 249 entre Queluz e o Cacém, estrada (e não auto-estrada) que toda a gente da zona conheceu sem grandes modificações até aos tempos de Cavaco Silva.


DL online na Fundação Mário Soares


trecho do mapa do ACP de 1970

O livro tem data de edição de 2001. Nessa altura até as crianças se lembravam de tal estrada.
Sou dos pensam que quem se mete a fazer uma monografia de um local deve ter ele próprio bastante memória do sítio.
Significa isto que nenhuma das pessoas que escreveu e reviu o texto tem (tinha) essa memória.
E não a tendo, embarcou no primeiro disparate que leu em letra de forma. Muito mau sinal.
A bem dizer, auto-estrada entre Queluz e o Cacém só passou a existir quando o IC19 foi recentemente requalificado em A37.

25/06/2011

Ocorrências de um sol posto sem maresia

Faz-se uma apreciação do cheiro a sardinha assada.
Se o cheiro a sardinha assada é sempre suportável, se só o é de barriga vazia, se só o é no exterior...
Não confundir com o cheiro pós-sardinha assada. Nem esquecer os que detestam tal coisa.
Mais adiante, observa-se uma fêmea da espécie que se entretém no canteiro talvez junto ao prédio onde reside, a mondar.
Olhando com mais atenção, verifica-se que a fêmea não monda. É recolectora. Apanha moedas de entre as ervas como quem minera.
Abre o palmo bem aberto e as moedas reluzem, com que sol? Quase se diria não serem moedas de euro.
E há então uma altura em que se ascende à consciência de ter deixado para trás o fundo musical do talvegue para se estar no limite da audição do que toca no festo.
E eu.
Depois de há dias me ter entretido a ouvir uma emissora cuja playlist é miseravelmente curta, também me dou conta de que o reportório dos conjuntos de baile não vai muito além.
Deveria talvez ter-me apercebido de tal há uns séculos. Sei que sim.

24/06/2011

Mitos desfeitos

Um dos mitos que a sociedade actual desfez em pedaços foi aquele que fazia constar ser mais fácil controlar uma sociedade de analfabetos do que uma de gente forma(ta)da.
Alfabeto latino



Ainda faltava o resgate.
O resgate que haveria de ser feito por resistentes emboscados na beira da auto-estrada.
O resgate que haveria de ser feito depois de intensa fuzilaria contra os ocupantes da Hanomag amarela que também eles eram amarelos.
Antes mesmo disso, tínhamos desembocados nus ali onde o êxodo se fazia pelas duas faixas, sem que alguém pretendesse dirigir-se para o horizonte.
E nus, corríamos perante a chuva de letras pretas de um céu azul estival. Na berma da auto-estrada amarela.
Eram essas letras sinais de uma qualquer invasão?
Uma mensagem? Enviada por quem?
Julguei ouvir alguém comentar que o facto de se tratar do alfabeto latino era um sinal qualquer na guerra contra os amarelos. Mas ali estávamos só nós. Nus e a correr.
Até que a Hanomag se aproximou, os seus ocupantes esboçaram um ataque e foram num ápice eliminados pelos nossos semelhantes, ali emboscados.
Da roupa que nos deram - a minha era verde mas não era propriamente uma farda - das armas que nos forneceram, das munições que catámos, de nós próprios há-de ter restado pouco quando o bunker finalmente soçobrou.


os carros da composição resultam de fotografias de autores alheios

23/06/2011

Das divisões do Mundo (episódio n+7)

O mundo também se divide entre os que já beberam um lourenço, estando em linha com a janela atrás do balcão e o farol a menos de meia dúzia de milhas em revolução óptica, e os outros, os incontáveis outros.
Brisa

Está hoje aqui uma brisa marítima que transporta o cheiro do crime Nívea.
Com cinquenta anos de atraso.

21/06/2011

Diário íntimo

E é justamente quando os dias começam a ser cada vez mais curtos que, pela primeira vez, sou governado por um tipo mais novo do que eu. Coisa que, decerto, passará sempre a acontecer doravante.
Eu sei que não estou sózinho neste particular (que assim o não é) mas isso não me serve de muito.

20/06/2011

Exame

É sintomático que o palavroso anúncio de uma coisa qualquer que se passou num exame no Centro de Estudos Judiciários não permita, em nenhuma das versões jornalísticas que me passaram pelos olhos e ouvidos, ter uma ideia minimamente assertiva dos factos.

19/06/2011

Sentenças

E a resposta do velho foi: “Isso já não é ir a lado nenhum. É só mudar de sítio.”
É um homem com sentenças. Quase analfabeto. São estes que eu gosto mais de escutar.

17/06/2011

Curvas

Se faz algum sentido falar em curvas da História – eu acho que não faz mas concedo-me bula – estamos justamente a começar a descrever uma.

16/06/2011

The Computing-Tabulating-Recording Company

Foi criada faz hoje cem anos.
Era a época da vertigem, do progresso, do futurismo.
Hoje chama-se IBM e entretanto interferiu com tudo.
Associo Giacomo Balla a esta vertigem, que tanta falta faz cem anos depois. Ou noventa e oito, no caso do quadro, ao que dizem os registos.


Giacomo Balla, 1913

13/06/2011

Escatologia do dinheiro

Diário íntimo.
Memória futura.
A primeira moeda que obtive com data de 2011 caiu-me aos pés numa situação bizarra e no maior recato.
Ainda não descobri de onde saltou.
É de dois cêntimos e ostenta um selo que dizem ser real e de 1134.
Porque se repetem aqui coisas



E é dia disso mesmo.

10/06/2011

Opiniões

O Presidente da República tem as suas opiniões.
Ultimamente têm sido bastante discordantes das minhas.
Não consigo ver de que doença padeçam os portugueses que careçam dela ser curados.
A não ser a que aqui apontei há tempo. Se é que se pode chamar a isso doença.
E se é a ela que se refere o Presidente...

08/06/2011

Cabeça

O Presidente da República, pegando nas palavras de um homenageado, afirmou que Portugal precisa de trabalho, trabalho, muito trabalho.
Discordo em absoluto.
O que Portugal precisa é de cabeça, cabeça, muita cabeça.

A frase não está no discurso escrito por ser uma citação oportuna. Mas ouve-se no fim.

07/06/2011

Por Humphrey!

Esta coisa de abrir e de fechar ministérios, de convidar gente para a reforma - passam a ser pagos e nada produzem - e de esbanjar dinheiro no acessório há muito que deveria ter sido estancada.
Não se vislumbra o fim do sansonete.
Jornalistas

Dizia há pouco a voz off feminina no Telejornal da RTP que (citando de memória) “[...] beneficiários falecidos continuaram a receber [...]”
A tal questão da paragem do autocarro.

06/06/2011

Eu tive um amigo

Eu tive um amigo que era adversário de José Sócrates.
Eu tive um amigo que era subordinante de António José Seguro.
Eu tive um amigo que esperava mais de António Guterres.
Eu tive um amigo que era um homem inteligente, capaz.
Já não tenho o amigo. Morreu na estrada há muito.
Lembro-me dele como amigo, como homem capaz.
Muito mais capaz do que esta tropa toda.
Faz falta ao Partido Socialista.
Muita falta.
O que se afigura daqui para a frente por lá é mais mediocridade.
Para mal do Partido Socialista e de Portugal.
Melhor



Foi possível fazer melhor.
O boletim da esquerda acusa neste momento um total de 54, igual ao recorde de há seis anos.
Mas será reduzido com os eventuais acertos nos mandatos atribuídos pela emigração.
Este método – que é o “então vamos lá ver quantos votos é que estes tipos vão ter desta vez?” em cada círculo eleitoral, aplicando depois o método de Hondt – parece não ser muito menos eficaz que muitos dos métodos escolásticos que por aí se viram.
Mas isto sou eu a escrever.

05/06/2011

Ambiente

Na fúria evangelizadora dos Dias Mundiais, 5 de Junho é o Dia Mundial do Ambiente.
Há muitos anos, noutra encarnação, era salvo o erro ditame do programa lectivo da disciplina que então ministrava, a feitura de um cartaz alusivo.
De todos os que os alunos produziram, houve um que ainda hoje me vem à memória e que serviu de modelo à ilustração aposta.
Recordo-me que combinava traço preciso e boa combinação de cores.
E que, acima de tudo, com os círculos verdes copa d’árvore materializava a ideia entranhada nas massas que a cor do ambiente é o verde.
Eu não sei se o ambiente tem cor mas tenho a certeza de que a cor natural ecuménica é o azul.
Em todos os céus aparece. Em todos ou quase todos os lagos se vê reflectido. Em muitos dos rios se vislumbra. Em toda a praia se divisa.
Já o verde que pode cansar na selva não se entrevê no deserto. É ralo na savana e inexistente nos pólos.
Eu não sei se o ambiente tem cor. Se não será transparente o ambiente que envolve os humanos e toda a fauna e flora terrestres e aéreas.
Pode até ser amarelo como o olho de Ra que paira sobre todos.
Não sei se tem. Não sei.

04/06/2011

Talvez

Talvez tirar o Bruno Alves que parece excedentário na defesa e pôr em campo o Ruben Micael.
Depois manter Postiga ou lançar Hugo Almeida, a ver.

Actualizado em cima da hora: deixem jogar o Postiga!

03/06/2011

Dez anos

Que se completam na ignorância da semi-tristeza.
A escola de Chicago

A jornalista da RTP que cobria a atribuição do Pritzker a Souto Moura afirmou que Barack Obama nasceu em Chicago.
Se Donald Trump a ouvir e a perceber...

02/06/2011

Talvez me engane

Ia jurar que às 2:00 TMG (3:00 de Lisboa) houve algures um sismo significativo.

actualização às 3:00 TMG (4:00 de Lisboa): Não creio que se tratasse deste sismo. Dado o erro na hora e a magnitude assinalada.

actualização às 20:00 TMG (21:00 de Lisboa): O site do IM assinala às 2:57 TMG um sismo de magnitude 1,4 no Banco Gorringe. A haver um lapso na hora, os três minutos são perfeitamente aceitáveis para a propagação. Notei que o tremor foi excepcionalmente prolongado, comparando com os últimos sismos sentidos.

actualização às 21:00 TMG (22:00 de Lisboa)): Deixando de tresler as horas, parece-me ter sido este evento.

30/05/2011

Num mundo de doidos

Os jormalistas aferem e tergiversam sobre os diferentes instantes em que as personagens pedem a maioria absoluta.
E assim as instam, com a sua lengalenga, a fazê-lo.
É esta uma exemplar ilustração da doidice que caracteriza a sociedade actual, que leva já uns bons anos de uso:
Quem pede uma maioria absoluta, quase sempre o faz tendo em vista uma certa marca de vodka e copo cheio, é bom de ver. É um pedido interessante, tão interessante que todas as campanhas eleitorais são marcadas pela sua ocorrência. Há o antes e o depois do pedido de maioria absoluta. Já pediu a maioria absoluta? Desde que pediu a maioria absoluta...


com a devida vénia à marca registada

28/05/2011

Diário íntimo

Não me lembro de alguma vez ter sonhado com uma situação de vida relacionada comigo, com o meu quotidiano.
Até hoje. Em que me vi a resolver um problema que está em 502º na minha ordem de prioridades.
Lá estava eu, em plena cidade do Porto, a resolver a questão de forma expedita.
Como se diz lá para a minha zona - morreu algum burro...
Propaganda

Não se notam os mínimos sinais de contacto com a realidade da parte seja de quem fôr.
Talvez o PCP seja o que está mais perto de avaliar realisticamente o que se passa. É, ao mesmo tempo, conjuntamente com o BE, o que está mais longe de ter propostas realistas para a sociedade portuguesa.
Uns vivem num mundo à parte quanto à observação da realidade.
Outros, quanto às soluções que oferecem.
Creio que há espaço de sobra para um partido que tenha uma ideia quase realista do que afinal se passa. E que tenha uma ideia fora das utopias para a solução dos problemas. Mesmo que arda. Que arda muito. Mas que cure, porra.
Bonito


imagem do IM

E esta minha impressão de que, uns poucos anos atrás, tivemos um período excepcionalmente longo, aqui na zona de Lisboa, sem trovoadas.

27/05/2011

Apostinhas

Retomando uma "tradição antiga", preenchi duas apostas desta vez.
Uma, tendo como ponto de apreciação para o palpite os resultados das últimas eleições; outra, todo o histórico de eleições parlamentares pós-74.
São dois chutes, como todos os outros.
Da última vez, como se viu, falhei em barda*. Julgo que desta vez é possível fazer melhor.


(clicar para ver ampliado)

* a soma dos módulos das diferenças entre o palpite e a realidade foi de 54. Muito mau.

26/05/2011

Por um prato de lentilhas*

Não deixa de ser irónico que Ratko Mladić aterre daqui a bocado precisamente em solo holandês.
Nunca há criminosos de guerra do lado dos vencedores, estamos fartos de o saber.
Mas é em nome da justiça que estes actos são levados a cabo.


* Génesis 25:29-34

actualização cerca das 15:00: não será afinal daqui a bocado que aterrará na Holanda.

25/05/2011

O Sr. d’Hondt

Quem instruiu Paulo Portas sobre votações e distribuições proporcionais de mandatos fê-lo mal.
Convenceu-o de que é o método de Hondt e não a formatação distrital que dá a diferença entre proporção nacional dos votos e os mandatos alcançados.
Depois da referência aqui feita, repetiu-se.
A única coisa certa é que na distribuição proporcional de Hondt, dois partidos que se coliguem para a eleição nunca obtêm um número de mandatos menor do que obteriam em soma concorrendo separadamente. O mais frequente, no entanto, é que obtenham um todo igual à soma das partes.
No caso, como diria Guterres, é fazer a conta. Ou a simulação.

24/05/2011

Arrazoados

Não é com razões que se defendem valores, territórios, crenças, afectos. Nunca foi.
Quando se faz tal, o objectivo é outro.
Às vezes, não é mesmo nenhum, é mero desperdício de palavras.
Na pendência entre Israel e a Palestina continua a haver um imenso desperdício de arrazoado.

23/05/2011

Recordações da casa amarela*



Cuja instituição que acolhe é hoje centenária.
Por ela, posterior edifício pachequista, passei fazendo mais cadeiras na Mexicana do que nos livros de termos (trajecto mencionado aqui pelo caro amigo Bic Laranja).
E de lá saí sem dar oportunidade ao Carvalhosa de ir na motorizada comprar os foguetes.

* título roubado a João César Monteiro por muitos dos que por lá andaram.