09/05/2013

Adenda a um adágio muito em voga

Já não é só a repetição constante, usando outras palavras, do mais vale ser rico e saudável do que pobre e doente.
É o número trucidante de gente que considera que existe uma espécie de direito divino de se ser rico e saudável. Logo nunca pobre nem doente.
Aos costumes dizem não saber.

07/05/2013

Homem que é Homem

Uma das críticas frequentes (e pertinentes) sobre a instrução do povo que Medina Carreira faz nos seus programas de televisão é a da menina do supermercado que não sabe fazer contas.
Confesso que é daquelas coisas que me haviam passado ao lado, suspeitando eu que as máquinas haviam substituído qualquer tipo de cálculo mental*.
Pois bem, homem que é Homem acaba por comprar certo dia uma grade de cervejas para levar para casa. Foi esta tarde. Até hoje só tinha comprado grades de cerveja para levar para o monte e claro que não foi cá em supermercados.
Ao apresentar a grade na caixa, perguntei se era preciso tirá-la do carrinho. A resposta foi que não. Mas tive que a levantar a um ponto em que o rapazinho pudesse contar uma, duas, três... vinte e quatro.
Depois tirou uma da grade e pip.



*Sou o feliz detentor de uma espécie de diário de viagem em que a minha companheira de então apontou um alusivo diálogo com uma mocinha na praça da Manta Rota.

05/05/2013

35 de Abril é hoje

E a tão apregoada hipoteca das gerações futuras está já aí.
Não se prevêem melhoras nas próximas décadas.

04/05/2013

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 18



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real, apesar do erro detectado no destino.

02/05/2013

Tramontana

Para repetir e enfatizar o que aqui disse há tempos – um aparelho de GPS, esteja ele ou não com o tino no Passo de Drake, é um instrumento de desinteligência. Entre mim e eu próprio.
Desinstala-me a orientação do cérebro.

01/05/2013

Comissões

É aceite como normal que quem comparece perante as comissões do Parlamento lá vá para ser repreendido ou insultado em vez de inquirido.
É este um sintoma do estado. Com letra minúscula.

30/04/2013

Palpites

Hei-de me dar ao trabalho de enumerar os palpites que aqui fiz, os acertos e as falhas.
Enquanto não, ponho à venda a aposta de 13/8 que não fiz, no Benfica à 10ª jornada, numa altura em que se encontrava a par do Porto.
Se ela rende 13/8 (65%) e agora o mais que se consegue segundo o Oddschecker é 1/4 (25%), sou tipo para aceitar já os 25% e deixar a outro a oportunidade de ganhar 30% em poucos dias.
O facto de não ter feito a aposta enquanto a coloco à venda é despiciendo na actual conjuntura, como calculam.

Não dou como quitada a aposta que aqui fiz, dias depois dessa, sobre um violento abanão apesar do que está a suceder ao largo de São Miguel.
O que noto é que das duas vezes – e foram só duas – em que aqui predisse um abanão ele aconteceu. Em 2007 sentiu-se no continente um sismo de grau 5,8, grau esse que não era atingido desde 1997 de acordo com os dados do então Instituto de Meteorologia (e Geofísica?). E desde essa altura não houve um outro dessa magnitude.
Nos Açores, segundo a mesma base de dados, desde 1999 que se não verificava um sismo de magnitude igual ou superior a 5,9.
Começo a assustar-me com esta pontaria.



Corrigenda: Em 2009, a 17 de Dezembro, registou-se um sismo de grau 6,0 Richter a sudoeste do Cabo de São Vicente, sentido com intensidade V no barlavento algarvio, tal como o referido sismo de 2007, de 12 de Fevereiro. É portanto errado dizer que depois de 2007 não houve sismos com magnitude superior a 5,8 sentidos no continente.
Lições

Conheci tipos que caminhavam sobre os sublinhados que faziam nos livros.
Faziam-no portanto segundo troços de imaginárias linhas rectas.
Aprendi com eles que existiam tipos que caminhavam sobre os sublinhados que faziam nos livros.

29/04/2013

O material não tem sempre razão

Se no post abaixo se afirma o contrário, aqui se diz que nem sempre o material tem razão.
O meu aparelho de GPS acordou hoje no Passo de Drake. Vá lá saber-se...

28/04/2013

Das coisas mal enjorcadas

Das quais, uma das que mais me perturba é a conjugação de um belíssimo vinho, de uma rolha de óptima cortiça, de uma garrafa de vidro regular (coisa em que a qualidade é quase indiferente) e de uma péssima rolhagem.
A única coisa que faltou foi tino. E o tino...

26/04/2013

Incompreensão

Há uma imagem razoavelmente composta na rede de um grupo pseudo-intelectual que tinta de estúpidos não os que são incapazes de compreender aquilo que é compreensível (a complexidade nas convenções teóricas coerentes) mas os que não interpretam lá da maneira que eles o fazem os sinais do que é incompreensível, incluindo nisto algumas convenções incoerentes. É a incoerência de que sofrem que as torna incompreensíveis, sujeitas a romantismos, quixotismos e absurdas tomadas de posição.
Quixotismos de penaltis de taberna mais os seus competentes e inconsequentes insultos.
Grupo que, sem se misturar com as massas, exerce o proselitismo do like.

24/04/2013

23/04/2013

Dia de São Jorge


Lucas van Leyden; "São Jorge libertando a princesa de Trebizonda"; colecção Rosenwald na National Gallery of Art de Washington
Especialistas e comentadores

Não é conta que se faça. É impressão. Impressão de que noventa por cento dos especialistas económicos e comentadores políticos repisam a mesmíssima ideia: mais vale ser rico e saudável do que pobre e doente. E daí não saem.
Isto porque enquanto tirava um café me dei ao trabalho de ouvir um tipo que era uma espécie de lectótipo de ambas as espécies acima designadas.
Subsumi. Mas subsumi com base no muito que tenho lido e escutado.

22/04/2013

Assuntos que aqui se levam muito a sério


in Diário do Governo, I série, nº 184, de 18 de Agosto de 1949, p. 616

21/04/2013

20/04/2013

As grandes questões universais - episódio q+26

(por uma vez, sem exemplo, à maneira dita americana)
Good job

Assim de longe, coando os factos mais pelos directos do que pelas notícias e comentários, parece que a polícia de Boston, o FBI e as outras partes envolvidas fizeram um bom trabalho.

19/04/2013

Moral

Um dos aspectos infantis que fazem o tal encosto ao limite inferior do intervalo antes (abaixo) referido é a apreciação – tal como a ouvi agora na CNN – do que é suposto e não é suposto, do que é bem e do que é mal. Do que se espera e do que não se espera de quem é acolhido nos Estados Unidos da América, afinal.

18/04/2013

Se

Se a idade mental modal a que se destinam os conteúdos da internet é algo que se situa entre os 7 e os 12 anos, de acordo com os limites que estabeleci aqui há cerca de um ano, verifica-se que as grandes cadeias de televisão internacionais, sempre que ocorre algo que lhes ocupa as 24 horas do dia, como é o caso agora, se esmeram por se encostar ao limite inferior daquele intervalo.
O que diz alguma coisa sobre a humanidade nesta segunda década do século XXI.
ΤΡΟЙΚΑ

De cada vez que ouço a designação de Troika, ocorre-me aqueloutra afamada: Quarteto Três Irmãos, Pedro e Paulo.

16/04/2013

Se

Se a ideia por detrás dos atentados de Boston era provocar muitas baixas, tratou-se de um acto falhado.
Tratando-se de um acto falhado, podem excluir-se os terroristas treinados da lista dos responsáveis.

12/04/2013

And then... we fail

Não te reconheci, ainda que soubesse os fraternais laços que te ligariam, se ali estivesses, àquele com quem falavas.

10/04/2013

09/04/2013

Is this it*?


Imagens da Sky News, reportagem de David Chater à chegada das tropas americanas a Bagdade.

Dez anos depois, yes, this is just about it. Cada um que ponha o it onde lhe calha.

* ainda hoje tenho dúvidas entre "is this it?" e "this is it?"
Medos

Se há medo em mim de alguma coisa é seguramente o de o chão me fugir debaixo dos pés. Quase em oposição aos irredutíveis gauleses que temiam apenas que o céu lhes caísse em cima das cabeças.
E, de facto, por estes dias passou-me pela dita cabeça várias vezes a hipótese de se desencadearem fenómenos geológicos desse tipo já que os deslizamentos se foram banalizando.
Se assim o digo é porque não são os deslizamentos que temo, são mesmo coisas como aquela que aconteceu perto de Porto de Espada e que não são assim tão vulgares por cá.
A razão pela qual temo desde sempre estes e não aqueles fica ao vosso alvitre.


foto de Nugo Veiga / LUSA


100m para a profundidade da dolina não será um exagero de quem não tem noção das proporções?

07/04/2013

Restos de colecção (80)



Em vez de me trajar formalmente e compôr uma reacção televisionável à comunicação do Sr. Primeiro-Ministro.

06/04/2013

05/04/2013

Coisas estranhas

Pareceu-me ter encontrado hoje o compositor emérito.
Havia a penumbra, a mesa de mistura em ponto pequeno e uma certa hesitação dele em servir-me um café.
Longe, bem longe de Almeida. Num lugar onde jamais havia posto os pés.

04/04/2013

Paralelo 38 (cont.)


as primeiras imagens que o Google me indicava há pouco numa demanda por propaganda norte-coreana

31/03/2013

Encontrou-se


Mrs. Tauger, née Zeltou

Não se procura, portanto.
Procura que a ter acontecido, daria este resultado ecuménico.

30/03/2013

29/03/2013

Probabilidades

Em séries aleatórias, a probabilidade de acontecer b imediatamente depois de ter acontecido a é aparentemente igual à de qualquer outro elemento do conjunto.
Na História, a sequência dos acontecimentos tem diversos graus de previsibilidade. Há séries em que a modulação permite escalonar as probabilidades de acontecer b, c ou d depois de a e há séries em que estamos perto do comportamento aleatório. Isto no mundo de Alice, que no outro ninguém se atreve a especular sobre a especulação.
A meu ver vamos entrar nos números mais baixos da contagem decrescente para um confronto entre Israel e o Irão à volta das instalações nucleares deste.
E há um outro teatro em que me cheira que a esmagadora maioria das potências não faz a menor ideia do que vai acontecer a seguir, é a escalada em que a Coreia do Norte se tem vindo a empenhar, na qual segundo os sismógrafos vai muito à frente dos iranianos.
Aparentemente, esta ameaça é tida como insignificante. Uma espécie de folclore inconsequente.
Porém, se o meu olfacto não me engana, poucos sabem o que vai naquelas cabeças.

27/03/2013

O que é que (me) vai acontecer amanhã?

Há tempo suficiente para não saber quanto – coisa que não faz todo o sentido, porque ele há coisas que o tempo não apaga, mas faz algum – apareceu-me escrita algures – há tempo suficiente para não saber onde – pela minha mão a data de 28 de Março de 2013.
Não creio que se trate de um compromisso assumido e esquecido.
Pondo isso de parte, alguma coisa me acontecerá amanhã. Coisa que por ter merecido destaque de desmemorandum deve ter lá a sua importância.

25/03/2013

Sem descanso

Trata-se de ir repetindo inutilmente o caso. Coisa para que tenho certa tendência.
É impossível fazer omeletes sem ovos.

24/03/2013

Acelerador

Via-me com ela, duas partículas aceleradas em circuito fechado, chocando com determinada frequência. Mas de raspão.
Quando finalmente o choque foi frontal e sem meias palavras sussurradas, dissiparam-se as dúvidas, não a energia.
Noto ainda o esplendor de tal choque.
A mulher dos sonhos era real, porém imaginada. Tanto quanto se pode imaginar um quadro a óleo.
Trocarei o verbo imaginar por desenhar?
Portugal, 2004

21/03/2013

Páginas

De um livro com pouco mais de cinquenta anos - ROSHWALD, MORDECAI; “OS AMOTINADOS DO POLAR LION”, Argonauta, 99, Livros do Brasil, Lisboa, pp.69-70

20/03/2013

Metade

Metade das ideias claras contaminadas pela poesia perde-se no duche.

19/03/2013

E no entanto ela move-se

Não me agradam nada os movimentos que os sismógrafos têm registado nos últimos dias.
Não me deixo impressionar pela aposta ou pelo palpite que fiz.
Só não gosto do aspecto.

Já depois de ter escrito estas linhas, notei que se registou há pouco um sismo de magnitude 4,8 no sul da Península.
Guerra

Passados dez anos sobre a Segunda Guerra do Iraque, a aposta pode ser sobre o que falta até que o Irão seja alvo de um ataque.
Se o ataque partirá de Israel ou não.
Se será apenas a destruição das instalações de tratamento de urânio e de concepção de armas nucleares ou não.
Se a retaliação será em larga escala ou não.
Se tudo isso terá lugar até final de 2014 ou não.


Ispaão - desenho de Pascal Coste (1787–1879) in Wikipedia

18/03/2013

17/03/2013

Inseguro é o Estádio Nacional (IV)



Nos idos de 1991, teve lugar no Estádio da Luz a final do campeonato do Mundo de juniores entre Portugal e o Brasil.
Depois de ter entrado no estádio, vi-me obrigado a bater em retirada tal era o estado da desorganização e a sensação de perigo iminente que me avassalou.
Já do lado de fora, vi uma porta que me pareceu conduzir a uma zona menos caótica do que aquela onde tinha primeiramente entrado.
Nessa altura uma senhora polícia impediu-me de entrar com a garrafa de água de litro e meio com a qual já havia franqueado as portas do estádio uma vez.
Nem sequer lhe disse tal.
Mas voltei a avistar-me com ela pouco depois para lhe perguntar, já com maus modos, que tipo de critério de segurança tinha aquela gente quando acabava de escapar, quase por milagre, à queda de um pau de vassora – calculo que fosse de bandeira – vindo do alto do terceiro anel.
Não me respondeu, naturalmente.

Isto vem a propósito da quantidade de petardos que já ouvi explodir no estádio do Guimarães desde que estou com o relato do jogo aqui em fundo.
E a propósito de todos os incidentes dos últimos tempos em Braga e em Guimarães.
E a propósito de uns quantos tipos que acham que inseguro é o Estádio Nacional. Bons são estes novos ou reciclados.
A verdade é que assim pela calada vão eles a pouco e pouco mudando a acusação de falta de segurança (no Estádio Nacional) por falta de conforto, de casas de banho, etc.
Mas ainda há uns quantos que batem nessa tecla.
Nem vale a pena perguntar-lhes, como à senhora polícia, que critério é esse.
Elegia das mulheres perfeitas (II)

[Encontrei]
Uma mulher bem disposta e feliz
Que diz
Que não é nem senhora do seu nariz.

15/03/2013

Primeiro ou único

Uma discussão interessante para quem gosta de discussões inconsequentes é a que se pode ter sobre se um dignitário que escolhe determinado nome inédito para acrescentar a uma lista deve justapôr a esse nome um I de primeiro ou não.
Papa Francisco ou Papa Francisco I?

12/03/2013

Arroz de nêsperas e fazedores de gostos

Creio que os fazedores de opinião têm como objecto uma faixa definível das massas.
Faixa essa que deve ter num dos extremos (no extremo por serem os detentores de mais carimbos e certificações) os licenciados analfabetos. É uma crença minha, nada mais.
Os fazedores de gosto ou de gostos terão mais ou menos o mesmo universo à espera da sua doutrina. Outra crença minha.
Uma pessoa, como Lu Isgui Lherme, que testava teórica e afanosamente diferentes receitas de arroz de nêsperas no final do terceiro quartel do século passado e era um incondicional de Gatão e de Lagosta, consoante as disponibilidades caseiras, estaria naturalmente fora do público esperado por quem escreveu as linhas que a seguir se reproduzem. Ainda que se mostrasse dogmático no arroz e nas nêsperas. Não tanto nos verdes, como se viu.


frases atribuídas a Bruno Antunes, revista Share, edição de Março / Abril de 2013, p. 39
(distribuída com o Expresso) - clicar para ampliar


As temperaturas são o ponto mais decisivo.
Não há portanto nada mais decisivo na apreciação de um vinho do que a temperatura a que se encontra.
Aquela ideia de agarrarmos numa garrafa de vinho tinto para a pôr junto à lareira.
A que distância da lareira? Durante quanto tempo? A partir de que temperatura inicial?
Não façam isso.
Dogma ou conselho peremptório? Se alguém gostar justamente de aquecer vinho tinto à lareira não o deve portanto fazer. Não somos elucidados sobre outras fontes de calor. Sequer sobre outros vinhos além do tinto.

É mentira que o vinho tinto seja o melhor para [acompanhar] queijo.
É mentira – estamos no plano das verdades absolutas, dos dogmas. É mentira.
Luís Filipe Vieira diz muito melhor coisas destas.

Vinhos brancos mais ácidos, e até vinho do Porto, são excelentes combinações para certos queijos.
Não suscita comentários. A cada um o seu gosto.

Assumir que o bacalhau só se bebe com vinho tinto é incorreto.
Descontando a novigrafia e a possibilidade de o bacalhau ser ou não bebível (claro que é – é só fazer sumo de bacalhau), concordo com o homem, qualquer insinuação sobre o que o indígena deve ou não deve ingerir combinadamente (com a excepção de venenos, aberta para os nossos amigos) é incorrecta. De acordo, portanto!

Os brancos mais leves tendem a ser dominados pela intensidade deste peixe, ao contrário do que acontece com os brancos mais encorpados.
Presumo daqui que a intensidade de um gosto (que é uma noção entendível) e não de um peixe, soçobra com a falta de leveza de um vinho. Há que esclarecer porém o que é a leveza de um vinho até porque aqui se graduam em leves e encorpados - é a densidade? Não o sendo, é a intensidade do sabor? É o quê?
Dois gostos muito intensos anulam-se? Ou há sempre um que é dominado e outro que é dominante?

Dizer que existe vinho branco para peixe e vinho tinto para carne é errado e está fora de moda.
Todo um tratado. O certo, o errado e o fora de moda.
Certo e errado são valores que só existem nas convenções. E as convenções mais respeitáveis (como a matemática e jogos de mesa) não mudam o certo e o errado. As menos respeitáveis, como as da ortografia e do pontapé na bola, fazem-no.
O fora de moda nada significa para as convenções respeitáveis mas é significante para as convenções volúveis.
Concluo daqui que a convenção branco / peixe, tinto / carne não é respeitável e está caduca por falta de uso.

O gosto de cada um, como se percebe, não interessa nada. Significa que estas linhas são destinadas àqueles cujo gosto não conta ou não têm mesmo gosto próprio, seguindo o gosto alheio, desde que exposto em letra de imprensa ou filtrado pelos microfones da rádio ou da televisão.

Constituem uma delícia esta série de sentenças e arrazoados impenetráveis e cimentam ainda mais a minha impressão de que o paroxismo da irracionalidade se encontra associado aos entendidos em vinhos.
Ainda que a concorrência seja assanhada por parte de outras classes.


Lu Isgui Lherme: se acaso um dia pesquisares por tal pseudónimo e aqui vieres dar, tenho saudades de beber contigo um Rosé Rosal adamado com agulha.
Aposta

Colocaria uma ficha de igual valor sobre o pano numerado em cada cardeal italiano, em cada cardeal da América Latina e no das Filipinas. Se não me engano são 45.
Não tive tempo de ver as cotações do dia.

Errei: eram e são 48 os da minha aposta. Gastaria assim 48 libras, vá, libras.
resultado: 40/1 era a melhor cotação do cardeal Bergoglio quando consultei os oráculos. Teria perdido 8 libras.

11/03/2013

11 de Março

No que respeita à economia do país, ao aparelho produtivo, uma rampa descendente foi colocada no sítio faz hoje 38 anos.
Pelo meio da airosa descida existiu uma postiça euforia, onde se comeu e bebeu e se mandou assentar.
Aqui chegados, quase ao fundo do poço, tanto faz que o povo cante ou marche. Quem manda são os credores.
Vejo, contudo, que as oposições e os sindicatos permanecem num limbo no qual estão a ser embalados pelos seus próprios dirigentes, completamente desligados da realidade.
Um quadro com demasiadas semelhanças com o de 75.
Acho que pouca gente se lembra já da Matança da Páscoa.

08/03/2013

Ângulo de ataque



Há-de haver uma teoria que se debruce única e exclusivamente sobre o gesto capital nas fêmeas da espécie, Ivone.
Porque as fêmeas da espécie, ao contrário dos machos, usam a rotação da cabeça sobre o eixo dos zz e sobre o eixo dos xx (o eixo dos xx rodado em z dá o eixo dos yy – e não sei se esta observação não é mais do que geométrica) na sua dança nupcial.
Em função do ângulo β e da variação de α para α1 e da linha descrita pelo cocuruto neste movimento, há-de descobrir-se, Ivone, a intenção que precede o movimento.
Já a reacção causada nos machos da espécie por tal desenho fica por estudar, Ivone.

07/03/2013

Google street view

Os moços atravessaram-me o monte e eu não dei por nada.


Fotografia do Google Street View

06/03/2013

O século XXI da América Latina

Chávez encarnou o século XXI na América Latina. Apesar de Raúl Castro, apesar de Lula da Silva, apesar de Evo Morales.
Dividir-se-ão as opiniões – um demo-comunista, um demo-fascista, um caudilho, um demagogo, um populista.
Qualquer dos epítetos, e o mundo precisa de etiquetas, lhe pode assentar.
Sobra o resto – saber se o povo o aprovou e se o povo melhorou de condição sob a sua liderança.
Se o aprovou – parece que a resposta está nos plebiscitos, desde o momento em que foram considerados não fraudulentos.
Se melhorou de condição – só o próprio povo o poderia ter dito. Para além dos números, pela sua vontade, que é, palpitamo-lo, mais feita de emoções do que de convicções. Assim sendo...
Sobre o homem, escrevi o que escrevi há quatro anos e meio e não retiro uma letra.

05/03/2013

Sentencioso

Há um conjunto de pessoas que se caracteriza por exercer, de forma assaz sentenciosa, uma actividade pouco consequente – a de querer estabelecer preços para os bens alheios.
Integro hoje esse conjunto. E não sei se será uma vez sem exemplo.
Não sou de opinião que uma casa de apostas aceite pagar, na altura em que escrevo estas linhas, apenas 5000 para 1 no caso de Mario Balotelli vir a ser o próximo Papa. Acho pouco. Muito pouco.

04/03/2013

Memória do dia


imagem da RTP

Não serve de lição para que haja racionalidade onde ela é precisa.
Nem para que não se procure onde ela não existe.
Tal lição ou tais lições são como malhar em ferro frio.
Racionalidade

As declarações que Sá Fernandes, o advogado da família do desaparecido Rui Pedro, prestou hoje aos jornalistas são um excelente material para reflexão.
Um excelente material para se perceber a lógica que preside ao argumentário e às decisões no que se pretende chamar justiça.
Tudo perfeitamente compatível com o esperado.