Ano XV
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  • Bizarrias

    Quanto à descontinuidade territorial é certo que já tínhamos os concelhos do Montijo e de Vila Real de Santo António.
    Mas depois há estas bizarrias inextricáveis:

    A possuía um prédio misto (composto de parte urbana e parte rústica) como segue:



    A certa altura, a freguesia onde se situava o dito prédio cindiu-se em duas.
    O que é incompreensível é que a parte rústica do prédio tenha continuado a pertencer à parte da freguesia que manteve o nome e a tradição original e a parte urbana tenha passado a pertencer à nova freguesia.
    Por mais voltas que dê a cabeça, não consigo encontrar um argumento válido para tal situação.
    Alguém me esclarece?



    Socialmente incorrecto

    Projecto de lei para a criação da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana (RDMNA) - Documento preparatório

    Introdução

    Considerando a excepcional qualidade dos exemplares femininos com origem na zona em análise, pretende-se balizar uma área sujeita a disposições especiais a definir em regulamento.

    Limites



    Pela circular exterior às muralhas da cidade de Évora
    Pela E.N. 18 (IP 2) até ao entroncamento com a E.N. 254
    Pela E.N. 254 até Viana do Alentejo
    Pela E.N. 384 até Portel
    Pela E.M. Portel - Amieira até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva
    Pela curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva para montante até que esta curva intersecte o talvegue do rio Degebe.
    Por esta linha de talvegue até à intersecção da mesma com a projecção horizontal no terreno do eixo da E.N. 256
    Pela E.N. 256 até Reguengos de Monsaraz
    Pela E.N. 255 até ao Alandroal
    Pela E.N. 373 até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a linha de talvegue da ribeira da Asseca
    Pela linha de talvegue da ribeira da Asseca até a confluência desta com o rio Guadiana
    Deste ponto, sem limites definidos em virtude da ocupação espanhola até retomar na confluência da ribeira de Olivença com o rio Guadiana e pela linha de fronteira internacionalmente reconhecida até ao ponto em que o limite norte do Parque Natural da Serra de São Mamede (Decreto-Lei n.°121/89 de 14 de Abril) diverge da referida fronteira, coincidindo com o dito limite até à primeira intersecção deste com a E.M. Castelo de Vide (prox.) - Póvoa e Meadas, seguindo por esta até Póvoa e Meadas.
    Pela E.M. Nisa (prox.) - Póvoa e Meadas até à E.N.359.
    Pela E.N. 359 até Nisa
    Pela E.N. 18 até Alpalhão
    Pela E.N. 118 até Gáfete
    Pela E.M. Gáfete - Vale do Peso até Vale do Peso
    Pela E.N. 245 até à variante de Estremoz
    Pela variante de Estremoz até à E.N. 4
    Pela E.N. 4 até ao entroncamento com a E.N. 18
    Pela E.N. 18 até à circular exterior às muralhas de Évora

    Garantias

    Todos os indivíduos e entidades colectivas públicas e privadas com direitos sobre o território incluído na RDMNA manterão os referidos direitos sem excepção alguma.



    Atão, mas...



    imagem adaptada de um video SIC



    Afinal

    sempre se conseguiu arranjar esta raridade



    e eu a dizer que não sabia o que lhe tinha acontecido...

    imagem da dita RTP 1



    A-ver-o-mar





    Tão certo como a feira de Castro

    É o facto de, quando realmente existir uma verdadeira novidade, os jornalistas em geral não virem a aperceber-se disso.
    A título de amostra, há sempre os quadros iniciais de uma catástrofe em que, regra geral, escapa ao arauto a verdadeira dimensão da coisa.
    Por exemplo, a queda do tabuleiro da ponte de Entre-os-Rios foi inicialmente difundida como uma vulgar informação de trânsito.
    Por outro lado, notícias mais ou menos esperadas, são lidas com grande alarido.
    Hoje, na rádio, é anunciada com grande aparato, a notícia de pela primeira vez (???), se ter criado um vírus em laboratório. A vertigem da primeira vez, do único, é uma constante patética, grosseiramente analfabeta.
    Depois, entrevistam um especialista português em criação de vírus...!!!???
    A ignorância mais profunda sobre os meandros da manipulação viral grassa por aí!
    Pior. É não ter sequer uma pálida noção de quais são as fronteiras actuais do conhecimento, do que a ciência permite ou não à técnica fazer.
    Ora, a ser tomada à letra esta notícia, tratava-se da criação de vida em laboratório!
    A verdadeira pedra filosofal!
    Estamos ainda um bocadinho longe disso, embora seja difícil explicá-lo a certos entendidos.
    Continuo sem saber quem é o indivíduo médio para quem falam os políticos e os jornalistas...

    Desculpem-me a acidez. Eu prometo que me vou tratar



    imagem em



    Popularucho



    ç os sonhos mais lindos... r

    É verdade, de quando em vez, lá vem o apelo popularucho fazer das suas.
    Acordei há uns dias atrás um tanto ou quanto incomodado com a minha imperícia.
    Então não tinha deixado uma marca de bandoleira num imaculado vestido de noite de uma conhecida senhora...
    O pior é que a marca não era de bandoleira, mas sim fruto da seiva de uma planta, que ela designou com um esgar gentil como sendo «as areias». Ora a dita planta constava de um bouquet que eu próprio confeccionara a partir de flores roubadas à beira do caminho, depois de me certificar de que tinham as raízes em terreno público.
    E fi-lo apressadamente para não chegar de mãos a abanar, ao jantar para que fora convidado pela dita senhora.
    É que o outro convidado, um bem conhecido trovador português, já badalava na mão uma garrafa de vinho com que contava apresentar-se.
    Bem, a história não começa aqui.
    Começa com a dona a regressar de algum lugar estrangeiro, com muitos repórteres a cobrir o acontecimento, com gritos de senhorinhas de janelas de sacada, num intervalo da apanha de alfinetes: "Chegou a tia, chegou a tia!"
    Sucede que, por essa altura, estava eu preocupado com um assentamento nas fundações de um prédio onde às vezes habito e que se reflectira na queda de uma parte da platibanda que remata o topo das paredes exteriores, e que se manifestara também por um largo buraco no chão, junto às fundações, no alçado tardoz.
    Tudo isto, motivara uma velha senhora que, sabe-se lá porquê, mudara do rés-do-chão para a cave a fazer uma espécie de cadeia humana a solo, transportando baldes de terra das traseiras para a frente do prédio, onde os despejava com a ajuda de um velho amigo meu sobre um monte de areia e lama que ali se encontrava desde o tempo em que alguém fizera umas obras.
    Este meu amigo não se limitava a ajudar a senhora, também joeirava o tout-venant, parecendo deixar areia onde estava areia, lama onde estava lama e retirar as pedras para, de novo em baldes, as levar para mais longe.
    É numa destas viagens que faço com ele que encontramos primeiro o cantor, já munido de sua garrafa, e logo após a senhora, aparentemente perdida numa rua de bairro social (creio que o cantor fez qualquer comentário comparando o estatuto da senhora com o dos moradores e que eu o secundei, mas de forma delicada).
    E é talvez por isso que somos ambos convidados para o jantar de chegada da senhora.
    O meu amigo, certamente discriminado por se encontrar com os baldes na mão, não foi contemplado com convite algum.
    Ora aí, dividido entre a atenção que queria prestar à ocorrência telúrica e suas sequelas na estrutura do prédio e a que era devida à gentil anfitriã, consegui por breves momentos escapar-me e colher algumas flores que me pareceram as mais adequadas ao momento, olhando intermitentemente para os danos no prédio e, despeitado, para a garrafa de tinto que o outro trazia na mão.
    Quando depois da poeira assentar, consegui finalmente dirigir-me ao restaurante, tive a infeliz ideia de cortar caminho, atravessando, da porta da frente para a das traseiras, um outro local de restauração e afins, de cariz popular.
    E é então que, para meu espanto, uma criancinha dos seus sete ou oito anos, começa a gritar:
    "Olhe, olhe, a minha mãe está aqui!"
    Quando percebi que era comigo, parei. Olhei para a família, mãe e filha de frente para mim, pai virado de cabeça à banda, mirando-me de alto a baixo, filho indiferente comendo a sopa.
    "Então, não conhece a minha mãe?"
    O marido dividia-se entre expressões de incredulidade e de desconfiança, a mãe da criança olhava para mim com um ar igualmente espantado e repetia: "Tá calada, tá calada!"
    "Então, não a conhece?"
    Eu de facto não conhecia nenhum deles.
    "Então, não se lembra? No outro dia, estava no café a falar da minha mãe com uma amiga sua!"
    O marido levantou-se e já se preparava para interromper o senhor do cozido à portuguesa que ocupava a mesa que nos separava um do outro, quando eu retorqui:
    "Não, menina, não conheço a tua mãe. Deves estar enganada."
    "Não estou, não. Você disse que conhecia a filha do caseiro do Monte das Peeiras."
    Fiquei um bocadinho atónito. De facto tinha dito isso uns dias atrás a uma amiga, à mesa de um café. Mas aquela mulher não era definitivamente a filha do tal homem a que eu me referira.
    O pai da criança já conseguira convencer o parceiro de trás a suspender por momentos a garfada de couve e farinheira e a chegar-se à frente para lhe dar passagem. É então que eu caio em mim e digo: "Pois é, mas o monte das Peeiras de que eu falei, não é o do teu avô. É o que fica ao pé do Seixo Barrento. E o do teu avô não é para esses lados, pois não?"
    E é nesse ponto que entra uma prima minha e consegue, por artes mágicas, desfazer o equívoco, depois de eu lhe explicar quem era a moça em causa.
    Abandono de imediato o local, deixando a minha prima a conversar com a família e julgo ter ouvido o tal parceiro do cozido dizer entredentes: "Eu cá só conheço um Monte das Peeiras, e é ao pé do Seixo Barrento."
    Fiquei mais descansado, afinal era uma testemunha a favor, mas também mais intrigado. Se não havia outro Monte das Peeiras, então que família era aquela e o que queriam de mim?
    Mas pouco depois, já não me preocupava com isso.
    Entrava no restaurante e divisava toda uma corte de senhoras em torno da recém-chegada. O meu companheiro das trovas antecedera-me e já fizera solene entrega do tinto que eu nunca percebi de onde era.
    Hesitei entre distribuir uma flor a cada senhora e entregar todo o bouquet à raínha da festa.
    Entreguei-lhe o bouquet.
    Pouco depois, tendo sido abraçada por alguns amigos entretanto chegados e sem ter largado o bouquet, a tal marca de bandoleira foi notada pela convidada da direita baixa.
    Foi aí que se gerou um ligeiro burburinho e que eu fiquei a saber que nódoa de areias não sai.
    Argumentava eu para mim próprio que um vestido daqueles só servia para uma ocasião, sem cuidar que o jantar ainda não se iniciara e que era uma indelicadeza permitir que a senhora permanecesse maculada para o resto da noite... quando acordei.



    Nem eu me lembrava desta



    Não conheço as pessoas por detrás da coisa.
    Não emito qualquer juízo.
    Apenas lhes peço que vejam com os vossos olhos. E que participem no forum.

    imagem de



    Demonstração cartesiana

    Não é fácil desbastar betão.
    Se se pretende deixar uma superfície mais ou menos rugosa e fazer um desbaste com uma profundidade regular, a questão é melindrosa.
    Não tanto pela impossibilidade, tudo se faz. Mas pelo rendimento do trabalho que, seja qual o fôr o método, é baixo.
    Aqui chegados, e depois de muitas experiências com diferentes equipamentos, pediu-se mais uma demonstração de um equipamento novo a uma empresa especializada em ferramentas hardware.
    Veio o habitual vendedor, de fato e gravata, e o demonstrador, em traje sport.
    Encontravam-se já reunidos os representantes do dono da obra, do empreiteiro geral, da fiscalização, o costume.
    O homem subiu ao andaime e zás, vá de aviar betão.
    A coisa resulta, ar afirmativo dos presentes, é isto que se pretende. Muito bem.
    O que eu ainda hoje não percebi é porque é que o homem, depois de sair do andaime, de arrumar o estojo, de se ir lavar, começou, muito chateado, a dizer que o Prof. Damásio é que tem razão, o cérebro humano funciona assim e assado, não leram o livro?





    Desmistificação

    Se você
    É algarvio
    Emigrou para a Holanda
    Tem (teve) um pára-sol patrocinado por uma empresa do Algarve no seu Ford Escort de matrícula holandesa
    Estacionou o dito carro num dia de Janeiro de 1989 no parque de estacionamento de um supermercado em Roterdão
    Encontrou entalado na porta um bilhete com um insulto inofensivo
    E não sabe quem foi o brincalhão

    Agora, já sabe ...
    Não, não o conheço.



    imagem de



    Mais um dia

    Em que nada de novo aconteceu, mas em que se insiste em dizer que há dados novos



    em terras de cegos...



    Horizontes

    À espera de vistas mais largas





    Orientação



    Gasolim não perde o norte.
    É talvez uma das características meridionais que herdou.
    Por isso, apesar de não usar bússolas, ignorar sol e estrelas, lá vai encontrando a rota pelos sinais.
    Todavia, já se perdeu na antecâmara do quarto de dormir. Às escuras, é certo. Mas perdeu o sul, e não dava com a porta. Não fora o tique-taque do relógio de parede e teria que esperar pelo clarear para finalmente se recolher.
    Quem manda não usar GPS?



    BREAKING NEWS



    Não se fala noutra coisa.
    A polémica em torno de Albergaria dos Doze teve ontem um novo e decisivo episódio.
    Com a publicação da "Carta Aberta ao Gasolim", Anarcka abre novos campos de luta e recentra a coisa mais para ocidente.
    Ele é agora um percurso E.N. 109 - E.N. 111 recheado de perigos diversos. Pataniscas, carpaccios, rissotos, aguardentes, chás, pastéis de Tentúgal, todo um programa.



    Fico-me assim nas covas, como diz o DN.
    Logo eu, que lá para trás, nos estatutos, tinha jurado que não ia comentar a actualidade nem recomendar restaurantes.

    A ver vamos do que sou capaz. Mais um post que promete qualquer coisa para amanhã.

    com a devida vénia aos jornais e cadeia televisiva referidos




    Algumas perguntas sem resposta

    Hesitei antes de fazer as seguintes as perguntas, uma vez que esta é uma fórmula já muito repisada nos blogues.
    Mas, dado o estado de necessidade, julguei legítimo alinhá-las. Aqui vão:

    O que aconteceu ao dramaturgo Lu Isgui Lherme?
    O que é feito dos médicos da boîte do cacête?
    Ainda há alguém que venda açordas às quatro da manhã?
    Se há, onde é que é? E cada comensal tem direito a ovo escalfado?
    O que é feito dos Mehari e dos Mini-Moke?
    O que é que aconteceu à Ford Thames das sardinhadas?
    Porque é que ninguém se lembra do sumol de maçã?
    Porque é que ninguém se lembra do sumol de limão?
    Porque é que já não há cerveja Clok?




    A bata e o nome

    A data e o nome




    São Martinho

    Podia ser Rosé Rosal, adamado com agulha.
    Podia ser água-pé ou cerveja.
    Podia ser um chouriço assado ou uma lata de conservas.
    Podia ser uma sopa feita na barraca dos coelhos do avô do R.F.
    Podia ser um petisco no velho abrigo do curto.
    Haveria alguma conversa mística.
    Procissões só de homens, livros de São Cipriano e outros devaneios.
    Tantas noites de São Martinho e tantas aventuras.



    O grande êxodo



    Há episódios da história que, apagados da memória colectiva, só permanecem na memória de alguns elefantes, já aqui o disse.
    Um dos mais impressionantes acontecimentos que presenciei, está hoje completamente esquecido.
    Trata-se da fuga em massa que ocorreu no depois das cheias de Novembro de 67.
    Os rumores começaram a espalhar-se rapidamente ao final da manhã.
    Ia explodir a Fábrica da Pólvora. Com hora marcada, salvo o erro, duas da tarde.
    Nas ruas já não se falava em outra coisa. Não considerando o absurdo da explosão com aviso e hora marcada e a distância de uma boa légua a que a Fábrica da Pólvora ficava, o pânico instalava-se.
    As pessoas começavam a abandonar as suas casas sem destino pensado.
    Fervilhavam as vozes assustadas e os apelos à fuga.
    A certo passo, uma ambulância em marcha lenta de onde se via a manga de um bombeiro e um megafone fora da janela, aconselhava as pessoas a manterem a calma. Alguns viam nisso mais um sinal de confirmação.
    Já não adiantava.
    Da janela das traseiras, vasto panorama sobre o campo, avisto gente a correr à toa pelos terrenos enlameados, pelas ruas esburacadas, pelas estradas onde alguns carros concorrem com os fugitivos.
    Eram milhares de pessoas errando em busca de uma bizarra salvação.
    Nunca mais vi um espectáculo tão grandioso e tão triste.
    E hoje não há quase memória desse êxodo. Será por vergonha da ignorância e dos medos que pôs a nu?

    Não estava no Algarve em Agosto de 99, mas é possível que cenas semelhantes tenham ocorrido, aquando do famoso alerta de onda gigante.
    Decerto mais um episódio para o esquecimento colectivo.

    imagem do extinto Canal de Notícias de Lisboa



    Agradecimento

    Agradeço ao amigo ou amiga que aqui veio à procura de um apaelho.
    Já está corrigida a gralha.




    Uma coisa boa dos blogues

    é esta possibilidade de postergar.
    Já lá vão uns quantos posts que remetem para o futuro.
    Haja estofo!






    Os extremos

    Nos dois extremos da coisa, estão estas duas expressões: “Es-tú-pido!*” e “Ah, sim?”
    O segredo de qualquer homem que se preze é conseguir encaixar a primeira a.s.a.p. e nunca ter de ouvir a segunda.
    Mas todos sabemos que não é fácil.
    Mais tarde desenvolverei o tema.

    *as duas últimas sílabas devem ser pronunciadas de um fôlego e “Grande estúpido!” não é a mesma coisa.