Restos de colecção (13)
Um livrinho de Jorge de Sena pouco conhecido e adequado à época
por MCV às 16:27 de 24 dezembro 2004 
Contributo
O meu contributo para a quadra é, mais uma vez, não pisar o asfalto.
Como dizia o outro:
Hey! Hey! Hey! Let's be careful out there!
por MCV às 13:41 
Bruxelas
Os défices das contas portuguesas, seja ele o das contas públicas, seja ele o externo - no tempo em que isso era um problema - têm uma história semelhante ao do buraco do ozono.
Não falo das curvas que não faço a menor ideia quais são. É mais da atenção que merecem. E do não se saber muito bem desde quando é que lá estão. E só virem à baila em certas épocas do ano, e ser o Valha-me Deus.
Toda a gente fala, muitos suspeitam das causas a que se devem uns e outro, mas parece que não se olha para o conjunto de forma a pôr cobro à coisa. Se é que é possível fazê-lo.
A imagem de cima é a curva das concentrações de ozono estratosférico medidas na Antártida, obtida
aqui.
A de baixo, dos tendeiros, é de Bruxelas. Fotografia de Maurice Blanc.
por MCV às 19:31 de 23 dezembro 2004 
Ainda os saltimbancos
Dei-me de repente conta de que os saltimbancos de ontem não pediam votos, nem reclamavam
maiorias absolutas.
Bem ao contrário do candidato a Par do Reino a quem a minha bisavó, na certa interpretando à pressa as palavras da empregada, mandou que dessem esmola.
Pablo Picasso - imagem em http://casl.umd.umich.edu/hum/spanishco/17.Miro_%20Dali%20_%20Picasso/images/165Picasso.Saltmbnco.51351c.jpg
por MCV às 11:36 
Aferições
Há coisas que se não conseguem aferir. Mesmo que pareça fácil fazê-lo.
Enganamo-nos quando o tentamos fazer.
Não sei se isto se aplica a tudo. Talvez se aplique, talvez seja daquelas banalidades universais.
Quero lá saber.
O caso é que passaram por aqui uns saltimbancos.
Com tambores apenas. Mero toque de caixa, um barrete de Pai Natal e uma meia onde recolhiam as moedas, lançadas das janelas.
A minha necessidade de aferir vem desse facto.
Já não há saltimbancos? Ou sou eu que os não vejo? - É que há séculos não via um espectáculo tal.
por MCV às 13:51 de 21 dezembro 2004 
Manhãs e espólios
O sol nasceu hoje no mesmo sítio. No mesmo sítio onde o vi decerto nascer pela primeira vez. No mesmo sítio onde o vi nascer em noites de vela, em noites de festa, em manhãs de tempestade, manhãs de viagem, manhãs de pré-praia. Nasceu enquanto aviões aterravam ao longe, comboios soavam na curva da linha, o bulício (ah, o bulício) dos carros se ouvia lá em baixo.
Nasceu lá hoje, depois de uns dois anos sem que lá nascesse. E, pela primeira vez na minha vida, vi o meu quarto sem a mobília. Entrei nele como quem entra numa ruína. Um espelho a um canto, duas cadeiras, cartas militares e peças desenhadas encostadas a uma parede. Nada mais que mereça destaque. O quarto dos meus pais, o meu quarto, ali estava. Mostrando bem que tudo tem um fim.
Vou a pé, pela antemanhã. Passo pela zona de pós-guerra em que se transformou o centro da vila, da cidade. O murro de Berlinda, como diria um nauta que aqui aterrou há tempos em busca dele. É ali. Ali se construiu o mais imbecil de todos os muros, de todos os murros. Mostrando a imbecilidade de quem o concebeu e a resignação de quem o aceitou.
E é de comboio que volto. Entre as caras que já não assobiam como outrora. Trago o primeiro saco do espólio fotográfico. Nem sei por onde começar. Começo por esta, a primeira que saiu.
por MCV às 08:43 de 20 dezembro 2004 