Pelotão
Na minha vida outra que a de lobo solitário, existiram e existem dois pelotões.
Não houve guerra senão a das dificuldades do quotidiano que toda a gente conhece.
Fosse como fosse, o facto de os pelotões se terem formado à pedrada, aos chutos na bola contra balizas da mesma pedra com que afugentávamos os forasteiros, a cavar para os berlindes, a subir às árvores e a disparar pistolas de plástico, cimentou até hoje a unidade, ainda que com as inevitáveis deserções.
Os dois pelotões operavam e operam em zonas distintas, um é rústico outro é urbano, e tinham e têm outras diferenças que o tempo foi apagando nuns casos e acentuando noutros.
Sendando eu solitariamente a maior parte do tempo que se contou nos últimos anos, consegui ainda assim manter-me na ordem unida sempre que necessário e instante.
A primeira baixa veio com o cair da folha.
por MCV às 15:16 de 06 outubro 2012 
Restos de colecção (77)
E não me lembro de alguma vez em Ourique ter bebido tal preparado. Sequer visto.
por MCV às 21:30 de 01 outubro 2012 
Abriram os olhos
Algum iluminado viu o óbvio – que as auto-estradas que já estão ao serviço
devem mesmo servir, sob pena de serem um investimento inútil, dinheiro jogado à rua.
Que se veja o óbvio nos dias que correm já é caso para notícia.
por MCV às 20:03 de 30 setembro 2012 
Mate em três lances
Pode um tipo que observa uma partida de xadrez aperceber-se de que quem joga com as brancas tem a possibilidade de obter xeque-mate em três lances se mover o cavalo que lhe resta para E8.
Pode esse tipo, se o jogador com brancas optar por F1-F4, considerar uma burrice tal lance e ainda considerar que o jogador é fraco.
Afirmando tal, alto e bom som, caber-lhe-ia mostrar – se a isso fosse desafiado - o caminho que o levou a essa consideração, incluindo a demonstração de que movendo o cavalo para E8, quaisquer que fossem os lances subsequentes do adversário, obteria o jogador mate em três ou menos lances.
Quando alguém qualifica outrem de ignorante ou incapaz cabe-lhe demonstrar que assim é, quando óbvio não se torna que assim seja. É inutil demonstrar que o preto não é branco, que dois não são três.
Ora se um tipo desata a chamar ignorantes – como fez um tal António Borges estes dias – a um grupo de pessoas sem que seja óbvia a razão por que o faz, passa ele imediatamente a ser a imagem espelhada dos seus putativos alvos enquanto não demonstrar a sua afirmação.
É um episódio assim ao nível de umas
afirmações benfiquistas de há tempos.
Só que, ao contrário dos dirigentes do Benfica, parece que o poder opinativo de tal pessoa tem repercussão nas nossas vidas.
por MCV às 19:47 