Nunca na vida
Nunca na vida.
Nunca se prendera em teclas, nunca se dedicara a chats, a newsgroups, essas coisas...
Criara umas páginas lá para meados de 90.
Interesse público. A terra dele, fotografias, coisa formal.
O diabo é que tinha um caderno preto.
Desse caderno, inaugurado vezes sem conta, quis fazer um blogue.
Para ali escreveu. Banalidades.
Ilustrou.
Fotografias, desenhos, rabiscos.
Depois começou a ler. Aqui, ali, acolá.
Afinal, tantos como ele. Uns, políticos. Outros, sociólogos. Outros, o que fosse.
Leu.
Anotou os que gostava.
Um dia, abriu os comentários.
“Nd a vê, teu blog!”
“Passa lá no meu!”
Um dia, um comentário chamou-lhe a atenção.
Aquele nome ele conhecia. Era de alguém que ele costumava ler. Confirmou.
Sem ser seu hábito, deixou um comentário de resposta. Formal.
Teve réplica.
Um dia, considerou que o que lhe apetecia dizer era grande demais (talvez até não o quisesse público) e enviou um e-mail.
De resposta em resposta, vieram as teclas como cerejas.
Até que...
Lhe conheceu a voz.