Sismos sentidos
De acordo com a informação do IPMA, o número de sismos sentidos por ano no continente e ilha da Madeira no periodo 1996/2013 foi, em média, de 13.
No ano corrente, ainda não expirado o mês de Janeiro, já vamos com 6.
Se a proporção se mantiver, atingiremos o final do ano com mais de 90 sismos sentidos. Alguém acredita nisso?
por MCV às 20:37 de 24 janeiro 2014 
A quantas ando
De lapsos em lapsos, a certeza de que se vão perdendo... qual é a palavra para isto? atributos? qualidades? competências? faculdades? – faculdades, é esta.
Tenho vindo a desenhar uma série de marcos pertencentes a estradas imaginárias do plano de 45. Hoje dei-me conta de que havia nessa série dois artigos (volumes, no caso)
sete e dois artigos
oito.
Não vale a pena acrescentar mais nada, a não ser que vou corrigir a ordem.
por MCV às 17:56 
Responsabilidades e culpas
É certo que uma das preocupações, se não a essencial, da espécie humana é a de saber de quem é a culpa.
No trágico caso das mortes na Praia do Meco vai
abrir-se mais um inquérito ou vão ser atribuídos
outros meios ao inquérito em curso ou as duas coisas em simultâneo que isto de notícias é assim mesmo.
Não se pretende apurar o que aconteceu, porque o que aconteceu toda a gente sabe – morreram seis pessoas.
O que se pretende saber é se a pessoa que sobreviveu tem ou não responsabilidades e culpas no cartório.
Num caso onde não há mais testemunhas para além dessa, pretender chegar a tal conclusão é estar à espera de uma epifania.
por MCV às 22:47 de 21 janeiro 2014 
Sem embargo
Sem embargo, cada vez me custa mais ouvir gente, de voz embargada, a falar.
por MCV às 17:55 de 20 janeiro 2014 
Um cágado nas dunas
Ou para que serve, realmente, a internet.
“
Um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas”
Estas quatro palavras, expressão e quase frase, martelaram-me hoje o alvor da mente.
Nem acção para as escrever, nem tino para as ditar a fim de não ficar tal fixação desfixada.
A alvorada acabou por ocorrer num triz e lá fui eu de escantilhão à procura do que eu pensava ser (e era) uma outra martelada mental.
[...] mas eles não ligam, os malucos não ligam, é esse o aparte deles, até a minha mãe um dia acordou maluca, subiu-lhe à cabeça uma coisa que é a ureia, começou a dizer ao meu pai que andava um cágado nas dunas, o meu pai à rasca dizia um cágado nas dunas?, um cágado nas dunas?, levou-a para o hospital das pernas partidas, conhecia lá um enfermeiro, o meu pai começou a dizer às pessoas todas que a minha mãe dizia que andava um cágado nas dunas, uma enfermeira disse que ali era o hospital das pernas partidas, das doenças de pus e coisas assim, dizia que as doenças de cágados nas dunas era no manicómio, uma velhinha caquéctica e iglantónica perguntou qual cágado?, quais dunas?, um gajo que estava ao pé a gozar o prato disse que devia ser um cágado de patins nas dunas do Pólo Norte, o meu pai disse para o gajo ir gozar com os cornos do tio dele, o gajo a gozar perguntou quais cornos?, qual tio?, foi uma grande zaragata, o polícia que lá estava tirou o chinfalho e disse daqui a bocado dou-lhes o cágado, depois ficaram todos na bicha, eram mais de mil, a minha mãe começou a falar com a velhinha sobre o cágado, depois o enfermeiro conhecido do meu pai foi falar com o médico que o atendeu, ele disse que o cágado nas dunas era da ureia, nessa altura a minha mãe já não falava no cágado, dizia ao meu pai para ele não comer as prateleiras e as cortinas [...]
Dinis Machado, “O que diz Molero”, apud 50P30M
Sendo a expressão de Dinis Machado, o meu velho
Lu Isgui Lherme usava-a amiúde nos seus desvarios, ele que era dado a citações e a arroz de nêsperas.
por MCV às 16:38 de 19 janeiro 2014 