imagem de http://geocid-snig.igeo.pt/Portugues/fotosa.html
Sempre o tive. Mais carregado umas vezes, menos acentuado noutras.
Segue estas variações conforme a bússola.
Mulheres que acordaram com um urbano de sotaque levemente sulista e adormeceram nos braços de um alentejano chaparro que deixara as botas caneleiras do outro lado do quarto.
O mistério da coisa tem a ver com a progenitura. Que nem um nem outro ostentavam o tal sotaque.
Mas este vosso criado sempre foi de duas paragens. E muito parava ele no sul. Pouco mais que palavras não eram ditas no último dia de escola e já o sacrista dava à sola.
Serve este intróito para dizer da minha pouca vontade em o fazer hoje em dia.
Por um lado, já não conto com as paredes que me abrigaram por mais de quarenta anos.
Por outro, sendo certo que em tempos até constou em alguns círculos que o homem tinha feito as malas e se instalado de vez a espreitar a horta, sendo também certo que pouco faltou para o boato deixar de o ser, dou-me hoje conta de que já não o faria.
E não o faria, não o farei, pelo menos enquanto a maré não mudar, por uma razão essencial - não convivo bem com os ambientes fechados.
Fechados porque o sistema o é. As conversas tendem a ser da vida alheia, os palpites sobre as coisas que faço e que não faço tendem a ser mais do que muitos. Mesmo aqueles que nunca se interessaram por esses temas, o fazem hoje. Foram engolidos pelas circunstâncias. Não me apetece sê-lo também.
Há uns anos, deparei com um recanto que me encantou. Ribeira, choupos, pinheiros resguardando da estrada, só vantagens. Desde que me habituasse a conviver com a passagem do comboio sobre a interessante ponte metálica ao fundo do quintal.
A pergunta que faço a mim próprio é se algum dia nascerá alguma coisa por ali.
E se nessa época já estarei surdo para a passagem do comboio e para as vozes do mundo.