A feira de Garvão
A feira de Garvão não nasceu nem com a canção de Vitorino nem com as cenas iniciais do filme de Fonseca e Costa “Os demónios de Alcácer-Quibir”.
Não.
Nasceu muitos séculos antes. Tantos que ninguém sabe ao certo quando. Talvez não muito depois nem muito antes do foral afonsino (D. Afonso III).
Também ninguém sabe ao certo quando é que começou a calhar em 9, 10 e 11 de Maio.
O que se sabe é que, ao fim de um tempo que ninguém sabe quanto é, quanto foi, alguém decidiu mudar-lhe a data. Neste ano da graça de dois mil e onze.
A tradição cede a uma hipótese de negócio. Uma mera hipótese.
Sabemos todos que o país rural passou a ter fins de semana. Que o compasso da semana
americana é mestre em todo o lado.
Sabemos mesmo que talvez já nem haja país rural.
Não se trata aqui de defender com razões a data fixa.
As coisas que têm valor intrínseco não se defendem com argumentário.
Apenas se notam várias coisas:
Que seja a Câmara de Ourique (a que título?) a decidir a mudança da data.
Que no Correio do Alentejo surja
uma reportagem em que se diz que a data foi mudada por diversas razões, segundo uma fonte da dita câmara. As diversas razões são aparentemente as que o artigo depois enumera.
Que na página da mesma câmara a
feira surja marcada nas datas tradicionais (9, 10 e 11 de Maio) na página dos eventos. Aparentemente, ainda não criaram a regra para a data móvel.
Que por lá não vi escritas as razões de tal mudança.
Que o Zé Raúl, honra lhe seja, votou contra.
edital da C.M.O.
correcção: A acta da reunião de câmara em que a deliberação foi tomada está acessível aqui.