A memória prega-nos partidas. A uns apaga os ficheiros, a outros baralha-os, a mim, sem que não tenha deixado de fazer coisa e outra, traz-me às vezes para o acesso rápido ficheiros de há décadas.
Hoje foi uma foto que eu extraí de um vídeo da BBC.
Devo aqui dizer o seguinte: a maior parte das imagens que aqui insiro são de má qualidade. Isso deve-se ao facto de serem quase todas extractos de vídeo.
Algumas, poucas, são tiradas de trechos de emissões de televisão e devidamente identificadas.
A maior parte é extraída de gravações próprias.
Raramente são fotografias digitalizadas e que me recorde, nem uma é fotografia digital.
Fica assim explicada a falta de qualidade. Talvez também não me interesse colocar aqui fotos de alta definição.
Adiante.
Essa imagem que por aqui anda há anos, suscitou-me hoje a necessidade de falar sobre os calendários que costumavam aparecer lá em casa, por esta época.
Os calendários eram de origem nórdica. Não posso dizer de que país eram. Talvez suecos.
Tinham como é hábito, uma fotografia para cada mês.
A mim, encantavam principalmente as fotografias de inverno.
Recordo-me vagamente de algumas. Da luz espectral que nelas surgia. De uma igreja em campo de neve, sob um céu azul cru, em cujas janelas se adivinhava um interior inundado de luz amarela.
De um preto-e-branco ferroviário (de onde vem hoje a inspiração) igual a tantos outros, mas diferente. Diferente pela mulher que caminhava ao longo dos carris, diferente pela qualidade da composição.
É um disparate estar a tentar descrever o que é indescritível. Todos sabem do que falo, do encanto de uma imagem, que tanto pode ser fabricada como não.
Hoje estou assim. A lembrar-me de coisas inacessíveis, mais uma vez.
Esta imagem da BBC foi retirada de uma reportagem em que, a propósito dos repetidos acidentes ferroviários que aconteceram na Reino Unido nos últimos anos, se chamava a atenção para a dificuldade que os maquinistas sentem em identificar em certos troços o semáforo correspondente à via onde circulam.