Quem nada não se afogaHá dias em que se acorda com uma música ligada no gira-discos mental.
Há dias em que se acorda com uma perfumada lembrança de alguém.
Há dias em que se acorda no meio de um intrincado e movimentado enredo.
Há dias em que se acorda envolto numa extraordinária abstracção.
Suponho que nunca tinha acordado com um aforismo na cabeça. Foi hoje.
Recriação baseada nos pictogramas olímpicos de 1964 e 1972.Sendo que este, como quase todos os aforismos, não é absolutamente certeiro.
Há muito quem bem nade e mesmo assim se afogue.
por MCV às 12:23 de 25 março 2010 
RomeroOuço agora que passam hoje trinta anos sobre o dia em que as nossas apostas à mesa da Mexicana se decidiram.
Eram sobre o tempo de que
Óscar Romero ainda disporia antes de ser assassinado.
Se a memória me não atraiçoa, só demos por isso no dia seguinte ao ler os jornais da manhã.
por MCV às 12:34 de 24 março 2010 
ObamaÉ a primeira lança em África do presidente americano. Está de parabéns.
Veremos as voltas que o
serviço de saúde ainda dará até assentar e ser aceite.
por MCV às 16:43 de 23 março 2010 
MandatoA questão dos britânicos com a Palestina (em sentido lato) é talvez daquelas que hoje se apresentam a que mais perdura no tempo.
O
caso de hoje é disso uma amostra.
por MCV às 16:42 
O toqueDetesto telefones.
Melhor dizendo, detesto falar ao telefone.
É aquele mínimo necessário às circunstâncias que se esgota em parcos segundos, poucas vezes ao mês.
Há séculos atrás, na era dos beep (ou pagers), um dos meus amigos emprestou-me
um durante as férias para que eu não ficasse isolado do mundo exterior, como era de resto meu desígnio.
Acabei por simpatizar com o aparelhinho que devolvi mesmo assim com agrado no final da vilegiatura.
Uma das coisas que me fazia simpatizar com ele era o toque. O toque que eu escolhi entre dez que o catálogo tinha.
Muitos anos depois ainda pensava encontrá-lo algures, talvez para me rodear de memórias dessas férias, talvez só mesmo pelo som.
Hoje, por mor de um frango assável, descobri que o meu telemóvel tem tal toque no catálogo.
Um telemóvel que me ofereceram acho que vai para quatro anos.
Fico agora mais sensível ao toque, acho. O que não sei se é bom se é mau.
por MCV às 16:24 
PlanosAndo intrigado com esta coisa dos
Planos de Prevenção de Risco de Corrupção.
Pergunto-me se não havia já nos mais diversos serviços do Estado (e afins) processos de evitar a corrupção. Se era tudo o da Joana.
Pergunto-me qual será a probabilidade de tais planos virem a integrar o rol dos Grandes Planos que só serviram para nada e coisa nenhuma.
Gostava também de saber se acaso não há um plano para acabar com estes planos disparatados e redundantes.
Planos estes que
pelos vistos muitas entidades ou não levam a sério ou levam tão a sério que o tempo que consomem para o dar à luz não é conforme ao plano que planeou estes planos.
por MCV às 18:26 de 22 março 2010 
PorradaNão sei se lhe hei-de chamar
clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada.
Parece-me, não sei por quê, que a última fórmula é a mais adequada para a minha sugestão.
A qual é:
Considerandos – tendo em conta:
1) a continuada ocorrência de distúrbios e confrontos com e entre claques de clubes de futebol que geram perturbações da ordem pública, propiciando o cometimento dos mais diversos actos criminosos e violentos;
2) a despesa que o erário público tem que suportar em operações de manutenção da ordem para obviar às situações acima referidas;
3) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de emergências que testem a resposta dos meios de socorros e assistência a grande número de feridos;
4) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de ocorrências que testem a resposta dos meios policiais na contenção de multidões;
5) a necessidade de demolir edifícios ou qualquer outro tipo de construções que constituam risco público;
6) quaisquer outras boas razões que aduzir se possam para dar mais força aos considerandos,
Sugiro:
Que, de acordo com um calendário a definir por regulamento e de acordo com as conveniências que em cada ano possam parecer as mais óbvias,
Se promova uma série de eventos (
clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada) com as claques de futebol.
A saber:
a) Com uma só claque (também esta opção se poderia chamar arraial de porrada, pois não é certo que no entretanto não batam uns nos outros):
1) Demolição de construções cujo estado constitua risco público;
2) Arremessamento de pedras em locais onde uma regularização ou enchimento com brita ou cascalho se verifique necessário;
3) Outros que sejam boa ideia.
b) Com duas claques:
Batalha campal em local devidamente cercado, para o qual seriam estas conduzidas em transporte apropriado, sem vidros ou aberturas que possibilitassem o contacto visual com o exterior (era mais para não partirem os vidros e isso).
c) Com três ou mais claques (há mais de três que façam estrago?):
Um tudo ao molho, nas mesmas circunstãncias do caso anterior.
Com qualquer uma destas opções, se faria um excelente aproveitamento da energia que as claques utilizam agora para estragar o que não é para estragar, enquanto se exercitariam os ditos serviços de socorro e assistência bem como as forças policiais.
Num outro plano, de resto já
aqui mencionado, eu que não sou de citações, recorro desta vez ao Embaixador José Cutileiro, que meses depois do meu post, na sua coluna “O Mundo dos Outros” no Expresso (suponho que de 25 de Julho, que como sabemos, é o dia da Batalha de Ourique),
escrevia:
[...]
Esperemos que a determinação britânica de ganhar aquela guerra se mantenha - e seja contagiosa. O Reino Unido gasta a sério em defesa e - logo seguido da França - tem as melhores forças armadas da Europa. A avaliar por claques de futebol suas à solta em cidades do continente, talvez bater de vez em quando em estrangeiros lhes esteja na massa do sangue. Mesmo povos que não gozem de tal dom, porém, terão rapidamente de acordar do torpor e de meter mãos à obra. É tarefa pelo menos tão urgente quanto combater o aquecimento global.Talvez treiná-los, enquadrá-los e mandá-los para o Afeganistão.
E há também a tal hipótese de os usar para produzir energia daquela dita renovável. Aos socos e aos pontapés a aparelhos pintados das competentes cores. Mas isso parece mais difícil.
por MCV às 17:38 