Moço da minha idade
desenho de Uderzo encontrado aqui.Em tempos, dizia-se por aqui,
vou ver se o Astérix está no sítio. Era uma maneira de se dizer que se ia
dar uma volta ao bilhar grande.
Nesse tempo isto era a Gália. E nenhum de nós, nem mesmo ele, tinha 50 anos.
por MCV às 10:40 de 29 outubro 2009 
As saboneteiras de ilusão
Intriga-me a frequência com que os Gato Fedorento andam a contar piadas nos meus sonhos.
E aborrece-me.
Desta vez, vi-me livre deles numa espécie de sessão de autógrafos numa ampla livraria, livros novos e usados, ali para o jardim da Amadora.
Aproveitei para me raspar a seguir à passagem, por entre a porta e as ilhargas da primeira fila de estantes, de um Opel Rekord modelo de 53, numa repintura em RAL 6019 e antes da disputa entre um Fiat 1800, de 1959, RAL 5024 e uma das minhas aspirações adolescentes, a Peugeot 204 dos meados de 70, no inevitável RAL 7038, disputa travada no encalço do Opel.
Devo dizer, em abono da verdade, que a ser marcada falta, seria à 204 que pretendeu varrer,
em carrinha, o 1800. Pode sempre dizer-se que isto sou eu a querer mostrar imparcialidade.
Ou que considero a 204 uma fera capaz de todas as proezas.
Qualquer das duas pode ser verdadeira.
Mas isso é tudo de somenos face ao que se seguiu.
Dei pela falta dos meus amigos J.d’ e P.P.. Procurei, procurei, procurei e nada. Os outros dois inidentificáveis que comigo estavam repetiram o diagnóstico – esvaecimento total e completo de ambos.
Foi bastante mais tarde que soube, da boca dos próprios, a verdade. Ao fundo da livraria havia uma porta dissimulada atrás de uma estante. Por essa porta acedia-se a uma cave, onde decorreu o bródio comemorativo. Estando eles integrados na comitiva...
Esclarecidas as coisas, regressado o P.P. aos seus chaparros, eu e o J.d’ fomos parar a uma camarata onde pernoitávamos, à cautela.
Foi então que ao abrir o armário comum a uma fiada de camas, que não passava de um ficheiro desses de escritório pré-computação, encontrei a minha gaveta cheia do que pareciam ser embalagens de fusíveis de automóvel.
Pensei estar com a gaveta trocada e abri a de cima.
Nela entrevi um saco de plástico transparente com três saboneteiras em kit, para montar.
Uma preta, uma verde e uma assim cor de areia. De areia amarela, como se diz nas obras.
Para não dar parte de ser parte, ou talvez para não escolher a verde face ao meu velho amigo que já diria cansado de ser benfiquista, escolhi a preta.
Ele foi pela amarelenta.
Não sei qual dos dois montou primeiro a respectiva saboneteira.
Saboneteira?
Aquilo era uma bota de borracha, tamanho infantil. E ainda por cima azul. Ultramarino. Ou para aí.
Ocorreu-me muito depois – já acordado - uma relação com o
Tahiti duche. Por causa da cor e das rodelas tipo Lego.
O desenho acima ilustra um corte do esquema de montagem das ditas, mostrando o encaixe de um dos pinos, nas três cores disponíveis e a incrível bota de criança que se obtinha no fim.
por MCV às 02:57 
Morte naturalNão faço a menor ideia de quais foram as declarações do responsável do INML que deram origem
às notícias que diziam ter morrido de
morte natural o rapaz que jogava basquetebol na Ovarense.
Nelas, notícias, se diz que são resultados preliminares da autópsia.
Ponho-me aqui a conjecturar sobre o que significa
natural ou
por causas naturais neste contexto.
Significará normal, esperável, estatisticamente dentro da curva?
Aparentemente, não.
É aquela morte que resulta de doença e não de intervenção externa.
Sabemos assim, pelas ditas notícias, que o rapaz não foi vítima de um acidente, sentado que estava ao que parece no banco do balneário. Nem foi assassinado.
É esta a notícia.
por MCV às 01:35 de 28 outubro 2009 
Juízo de intençãoHá uma intonação qualquer num “
Vossa Excelência” proferido hoje solenemente por Sócrates e referido ao Presidente que me deixa algo preocupado.
adenda às 22:05 de 27 OUT. - Aos 12:15 do
discurso de tomada de posse. Parece-me agora menos dissonante do que ontem.
por MCV às 22:08 de 26 outubro 2009 
A gripeEscrevi
aqui há tempos – no início da coisa - que o mais difícil no que respeitava ao tratamento dos dados recolhidos durante a epidemia seria encontrar factores de correcção para que tivessem algum tipo de utilidade futura. Caso ela exista.
Depois, no campo político do controlo da doença, o que se está a verificar de resistência à vacinação será com toda a certeza irrelevante no caso de uma peste mortífera.
Num caso tal, os atropelos serão para aceder à vacina e não para a recusar, naturalmente.
Não deixa porém de ter um significado curioso, não a cedência da vez mas a recusa pura e simples de ser vacinado.
Para um leigo na matéria e arriscando colocar o pé em ramo verde, ainda assim me parece que uma vacina deve ter um efeito de contenção da carga viral no indivíduo vacinado.
E que esse efeito de contenção, impedindo ou dificultando a replicação do vírus no indivíduo, reduz por sua vez a possibilidade deste contaminar outrem.
Não é como o caso do cinto de segurança em que a probabilidade de prejudicar terceiros de forma irreparável por não o utilizar, é despicienda.
Ouvi dizer que uma vacina, por ser um acto médico, não pode ser imposta.
Claro que a coacção em assuntos de propagação de doenças é uma velha história que se assemelha à quadratura do círculo. Mas há um limite subjectivo no índice de mortalidade de uma epidemia a partir do qual se torna obrigatório obrigar. Ou não há? Quantas vacinas obrigatórias não existiram já?
Bem sei que não é este o caso e que, como disse acima, sendo a coisa muito mais mortal não é preciso obrigar ninguém.
O problema é na zona cinzenta.
por MCV às 18:29 
Caça-moedismo
imagem da SICNE lógica jornalística. Quatro por cento.
por MCV às 23:46 de 25 outubro 2009 
Hora legalNunca mais pensei
no assunto até há bocado.
Da forma como a justiça funciona, com a qualidade intelectual com que está servida, não admirará se um dia destes alguém usar (se é que não o fez já) um alibi horário para se safar de uma condenação. De um crime horrendo, já agora.
Há ene histórias de baralhadas jurídicas com a hora legal e alguma literatura sobre.
Eu é que ainda não sei a resposta à pergunta que me ocorreu há um ano.
Ignorância minha.
por MCV às 03:07 