Gasolim por aí
de uma série de painéis publicitários em azulejo
por MCV às 15:02 de 05 fevereiro 2005 
Totoloto
Há muito que não me abalançava nos meus palpites.
Como podem ver, a obsolescência do programinha é tal que ainda marca em escudos o preço da aposta.
Vetustez que faz também com que demore mais do que a conta. Duas horas e meia, mais coisa menos coisa. Jogando com os 49 números, à partida excluiu quase ¾ das chaves. E para analisar as restantes, uma a uma, ainda demora esse tempo.
Neste momento, já passou do milhão e meio de chaves e apenas escolheu 24. Parece-me bem.
por MCV às 23:53 de 04 fevereiro 2005 
Elogios repetidos
Ao fotógrafo inumano que assim assesta as lentes, minuto após minuto, hora após hora.
Mesmo que alguém cuide do enquadramento, o fotógrafo não existe. É uma ficção, que nos dá imagem destas:
Não me canso de os fazer desde que comecei este blogue, há ano e meio. Há muito mais tempo que
lá vou espreitar as fotografias.
por MCV às 21:03 
Saudades do possível
Onde a terra não tinha sesmo e agora tem.
Trocaremos prisioneiros ao fim da tarde na nossa ponte de Glienicke.
por MCV às 15:30 de 03 fevereiro 2005 
Saudades
Hoje, dei por mim com saudades do impossível.
E do possível também.
por MCV às 14:18 
A seca, as campanhas e o estado em que isto está
Talvez eu seja um rabugento. Um entre muitos. Talvez eu tenha ainda incrustadas as memórias de uma certa sociedade pobre e privilegiada.
Pobre, porque os recursos eram escassos. Privilegiada, porque a autosuficiência lhe dava o calo para suportar todos os riscos e seguir em frente. Sem grandes ajudas.
Em que ninguém se queixava, ninguém clamava por ajuda do Estado. Talvez apenas que o Estado os deixasse viver em paz.
Talvez tudo isso não fosse muito social. Talvez que a desprotecção pudesse ter posto fim à geração, nos anos da guerra civil. Lá pelo fim do primeiro terço do séc. XIX. Escapámos por pouco, sempre ouvi dizer. Os meus antepassados e todos os que eles geraram.
Mas não é essa a história de todos nós, pelos tempos fora? Escapar e sobreviver por milagre? Haverá nisso alguma singularidade?
Confesso que tenho pouca paciência para os tempos que correm.
Para os clamores da seca, para os clamores do fogo, das más colheitas, da crise.
Para os clamores dos maus políticos, do sebastianismo, da porca da vida.
O que não significa que não caia na tentação de, às vezes, me juntar a eles. Somos todos humanos e nada coerentes.
Quando ouço falar os políticos, em tempos de campanha e fora dela, já aqui o disse, temo que não exista a pessoa a quem se dirigem.
Temo que ninguém se interesse pelas patacoadas que proferem, pelos ataques que desferem, pela inconsistência do que dizem.
E não abro excepções no panorama actual. Todos me parecem bonecos do mesmo titeriteiro.
Quanto aos receptores, a julgar pela amostra que conheço mais uma vez, não encontro quem se prenda nos argumentos que ouve.
Vejo de um lado os que se riem. Vejo de outro os que jamais mudariam o seu voto em função de discursos. Vejo de outro ainda os que encolhem os ombros e nem sequer escutam. Vejo por fim os que nem dão conta do que por aí se diz.
Falarão para quem, ao certo?
Tenho para mim que um político não pode, não deve ser uma pessoa brilhante.
As pessoas que o são ou não se interessam pela coisa, abrigadas no seu próprio valor, ou rejeitam a comparação com a mediocridade geral. Não estão muito dispostas a navegar em águas de que não se conhece a profundidade. Não estão muito vocacionadas para teorias sem sustentação de nenhum tipo. Deixam-se ir, enquanto a água do barco não chega a níveis críticos.
Para ser um bom político hoje não são as características que forjaram outrora bons líderes que ajudam.
Não sei quais serão as características necessárias. Mas às vezes temo que uma delas seja a de dizer patacoadas para um interlocutor inexistente.
E aqui fica a prova de que, não tendo paciência para lamúrias, também as acompanho.
E de que também digo patacoadas ao vento.
por MCV às 10:41 
História confusa para duas Ofélias1, um carteiro e algumas centenas de queijos
imagem de http://cineclap.free.fr/?n=359
Não, o J. d'A. não é para aqui chamado. A menos que o seja por ser um dos meus melhores amigos, ter jeito para o negócio e ter, tal como eu, protelado o mais que pode a data de ir à forca. Neste último capítulo, de resto, só perdeu para mim, depois de um certo acordo que ambos firmámos e que era uma forma mais elaborada de aposta
2.
Ah, e por eventualmente ter uns amigos carteiros. Sim, isso é relevante.
Ora, começando por aí. Pelos carteiros que conheci por intermédio dele.
Claro que quando se tratava de pousar à porta do café, eles não raro desfiavam o indizível: aquela cheia de curvas é do lote 3, 4º D, da Almirante Cândido dos Reis
3; a que vai ali com o saco é do Miradouro, nº 13, 2º E.
Posto isto, julgo que nenhum carteiro com volta já batida ignora quem habita em vizinhanças velhas. Tem tudo em base de dados.
Ah, mas o meu amigo ainda é chamado por ter protelado o casamento ao ponto de os pais o terem presenteado com uma casa. A ver se a coisa ia para a frente. Ledo engano.
Foi a garçonnière mais famosa lá do bairro. Já nem se sabia quantas cópias de chaves havia. Eu próprio estive lá sem ter estado e das vezes em que estive, é claro que não estive.
É aqui que entra a primeira Dona Ofélia. Moradora no mesmo prédio já ia para uns 40 anos. Ainda por cima fora ela quem sugerira ao J. d'A., melhor dizendo à família dele, a compra do andar devoluto, visto ser mãe de um dos da banda. Da nossa banda. Mas já casado na época e respeitável pai de filhos.
Ora a Dona Ofélia Madeira não só reprovava as entradas e saídas do rédechaucê como ainda fora obrigada a conviver com um episódico armazém de queijos que o J. d'A. resolvera instalar na fracção do imóvel.
Não eram bem vistas na vizinhança as alegações de um sócio dele segundo as quais tal empreendimento estimulava as poupanças dos afectados. É que ele afirmava, em alta voz, que os lanches dos vizinhos dispensavam o conduto. Só o panito e o cheiro a queijo eram suficientes.
Esta fase coincidiu com uma certa decadência da garçonnière. Por mais encantos de que os amigos do proprietário fossem portadores, tornava-se hercúlea a tarefa de convencer parceiras a partilharem, por muitas vezes seguidas, o ambiente lacticinoso da coisa.
Embora muitas delas tivessem, pela primeira vez, conhecido o significado de rouparia.
Aqui chegados, de declínio em declínio, houve por bem a namorada do J. d'A. apresentar-lhe um ultimato. Lá fomos todos de fato e gravata, está claro.
Quando nasceu o rapaz, o J. disse-me que o melhor era mudar para uma casa maior. Pôs-se em campo.
Em campo também eu estava mas a tratar de outro assunto.
Calhou que os dois coincidissem. O meu assunto comprou a casa do J., sem que eu fosse perdido nem achado.
Chamava-se este assunto Ofélia Moreira. Claro que me fartei de gozar com o prédio das Ofélias.
Mas nada disto seria relevante para respeitar o título em epígrafe se não recuperássemos os carteiros. Ou um carteiro em particular.
Aquele que levava uma carta para uma certa Ofélia Moreira. Para o prédio das Ofélias. Onde havia uma há mais de 40 anos.
Dona Ofélia Madeira abriu a carta. Não estranhou ser em língua estranha. Pediu ao filho que a lesse. Lida a carta, vinda lá dos lados da antiga esfera soviética, por bem achou responder dando conta que não conhecia a signatária, jamais fora ao leste da Europa e que assim estranhava ser destinatária de tal missiva.
Uns dois anos depois, encheu-se de coragem. De envelope em riste, desfeita em desculpas, culpava o carteiro. É que não era, nunca foi seu costume abrir a correspondência alheia.
1 - As senhoras não se chamam Ofélias. Nem Madeira, nem Moreira. Os seus nomes próprios são raros e os seus apelidos raríssimos. Sendo que os apelidos, para além de raros, coincidem no número de letras, na primeira e na última, e das restantes, duas são comuns.
2 - Lembrem-me de fazer um post a propósito.
3 - Suponho que seja rara a terra onde exista uma rua Almirante Cândido dos Reis. Almirante Reis e Cândido dos Reis afinal parecem ter sido duas pessoas distintas.
Esta história é completamente verídica.
por MCV às 16:18 de 01 fevereiro 2005 
Dificuldades de comunicação
Estes últimos meios dias foram dias fora do baralho.
Entretanto começa a notar-se a carga excessiva de fotos na lentidão de carregamento desta página.
Sintomas de pouca escrevinhação e de muita coisa que me passa diante dos olhos, saída mais uma vez dos caixotes da história.
por MCV às 11:20 de 31 janeiro 2005 