Topologia
Nunca tive qualquer dificuldade em ler às avessas, seja por rotação seja por reflexão.
Faço-o quase à mesma velocidade com que leio às direitas.
Ontem, surgiu-me no espelho do carro a palavra

.
Se não tive qualquer dificuldade em a ler, já a tive em a interpretar –
movemos é uma palavra portuguesa? Significa o quê? A branca durou uns assustadores segundos. E creio que se tivesse lido
movemos às direitas não se me tinha posto a dúvida. Capacidades em perda acelerada.
por MCV às 00:05 de 04 outubro 2014 
Às moscas
Desta vez não recorri à praça de táxis
1. Experimentei o acaso da era da informação e escolhi o nome que mais me pareceu da lista de restaurantes que o aparelho me estendia.
A situação esteve quase a ser revertida pois antes de estacionar o carro antevi uma lista em ardósia que me cheirou bem.
Estacionado o carro, encarei o nome do restaurante que o aparelho sugerira e por baixo também uma ardósia. Já ia a entrar por um corredor escuro por onde vira desaparecer uma mulher com trajos de cozinheira quando ouvi uma voz dizer que isto hoje está tudo às moscas.
Esperei que a minha aparição contradissesse em parte o orador assim que entrei num espaço mais iluminado onde já via gente e era visto.
A luz vinha forte de uma porta quase em frente pela qual se adivinhavam uma mesas de esplanada.
Saí pela porta e escolhi mesa. Nem vivalma.
Sentado, a mesma mulher que eu vira à porta perguntou-me se eu não quereria comer lá dentro, apontando para uma construção do outro lado do pátio em relação a mim.
Disse que não, ainda que ela me tivesse falado das moscas.
Já com vinho, pão e azeitonas, vi sair da denominada sala de refeições um indivíduo que me perguntou se eu tinha preferência pelo pátio em vez da sala de onde ele acabara de sair.
Respondi-lhe que não podia ter, visto não ter experimentado a sala. E que estava ali bem.
Como que parecendo concordar comigo fez menção de escolher a mesa à minha frente para se sentar, de costas para mim, a ler o jornal.
Julgou depois que seria melhor enfrentar-me e escolheu a cadeira na diagonal da minha no rectângulo que era aquela minha mesa de quatro lugares.
Começou a ler o jornal, tinha dois
2 com ele, pertencendo a ambas as mesas, com um braço cá outro lá, sentado de lado em relação às duas.
Fez-me esta atitude lembrar a de
um dono de uma casa que recentemente dei por estar fechada lá para a serra de Monchique.
Nada lhe disse e ele sobre nada me interpelou. A páginas tantas do primeiro jornal, sem tugir nem mugir, mudou o assento para a mesa vazia e deu-me as costas. Estava a comida a chegar.
Comi bem, barato e com moscas. E fiquei com vontade de lá voltar. Para ficar a saber sei lá eu o quê.
1 – É sabido que qualquer motorista de praça indica bons restaurantes.
2 - A Bola e o Diário de Coimbra.
por MCV às 01:35 de 03 outubro 2014 
Cabotino
Por via onírica, cheguei hoje ao conhecimento com o mais cabotino dos cabotinos.
Dir-se-ia (e eu pensei-o) que a palavra fora inventada para ele.
Era visita de um amigo na república de férias onde nos encontrávamos. Tendo eu os horários trocados em relação a grande parte dos demais, incluindo o visitado.
por MCV às 19:28 de 02 outubro 2014 
Chelsea
Quantos jogadores tem o Chelsea em campo esta noite em Alvalade?
A mim, parecem-me vez e meia os do Sporting.
por MCV às 21:00 de 30 setembro 2014 
Ironias do destino
Quis o destino que os responsáveis do PS talham, que a consulta à maioria silenciosa dos eleitores do PS tenha tido lugar exactos 40 anos depois de uma outra maioria silenciosa se ter manifestado (ou não) em favor de um travão ao destrambelhamento que se adivinhava.
Em homenagem a essa coincidência, esta adaptação do
cartaz de então:
por MCV às 18:40 de 28 setembro 2014 